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Ma-Schamba: Portugal Arquivos

maio 06, 2006

Andei a resmungar com o Paulo Querido sobre o jornalismo desportivo português.

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maio 05, 2006

Com isto tudo lembrei-me da Comissão dos Descobrimentos (CNCDP, sítio inalcançável [exterminado?]). Quem terá tido a ideia de, pura e simplesmente, extingui-la? SCUTem-no, enquanto não prescreve.

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abril 21, 2006

A ler. Será óbvio, mas para muitos parece que não.

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abril 14, 2006

A ler: A memória e o esquecimento.

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abril 10, 2006

O Afonso Bivar mete a "carne toda no assador", e lá virá o gozo e a porrada do costume (para "deleite" dele?). Na bola futebolada sai o mais repugnante da rapaziada (e, hoje em dia, do mulherio). Há opinativos, até pomposos ou certeiros, que acham isso "natural". "Normal" é achar essa "naturalização" uma mera imbecilidade. E toda a aceitação que se lhe associa uma indignidade. Total. Desvalorizadora de todos os outros "ilustres" pensamentos e "adequadas" críticas. Pois na merda não há intervalos. Nem penalties. É sempre a perder.

Publicado por jpt às 08:44 PM | Comentários (4) | TrackBack

Um grande manifesto

de uma causa perdida. Jogo a jogo, catedral em catedral, blog em blog (as pobres brincadeiras com a "ética" alheia). País e país. País.

Quanto à bola propriamente dita, essa que é mero pretexto secundário do torpe resto, anteontem a "besta" jogou melhor. E ontem a "besta" tropeçou no corredor alcatifado que tinha adquirido. Resta-me o desejo, o esforço (e por enquanto o não-sonho) de não ser "besta", não apoiar a "besta" (a tal ridícula "ética" para alguns bloguistas).

Publicado por jpt às 08:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

Velas?

Está muito bem o Lutz ao desafiar o colectivo lusobloguista a discutir o desafio do Nuno Guerreiro: a evocação em 19 de Abril próximo dos milhares de judeus mortos em Lisboa, exactamente 500 anos antes [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7].

Acerta o Lutz por várias razões. Uma é nos termos em que coloca a questão: "Suspeito que, entre os muitos que ignoram o apelo, há quem o faz para poupar-se de ter que discutir o seu desagrado com a proposta." Este é mesmo o meu caso. Já por aí o disse, o Nuno Guerreiro é o meu bloguista preferido (só lamento o seu "levantar o pé", a menor assiduidade, egoísmo meu). Na forma e no tom. E esse gosto, essa minha simpatia, tem-me impelido ao silêncio sobre o assunto. Auto-censura pura.

O Nuno esteve muito bem ao lançar a questão. Episódio esconso (e escondido) da história de Portugal. E esse recordar, por via de textos e debates (lá está o Lutz para os impelir), do episódio faz muito por um redescobrir da história. E deveria impelir um eco mediático (talvez o tenha feito), evocativo, contextualizador.

Mas é-me alheio, e até desagradável, o misticismo da vela em vigília pública. E há no tom da proposta uma espécie de "endo-homenagem" ("endoreligiosa/étnica/nacional", pese o incorrecto dos termos), talvez voluntária, talvez não, e acredito que não. E parece-me que implica um quase obrigatório corolário, a "desculpabilização" pelo passado remoto, absolutamente descabida. Recordar a história sim, fazer-me dela, seu agente, não, nunca. Talvez o Nuno Guerreiro não queira isso (e o tom magistralmente ponderado do seu blog leva-me a pensar que não o quer), mas o ambiente "emotivo" almejado tenderia sempre para essa "participação" pessoal.

Enfim, há vários pontos do meu desacordo. O Miguel Silva quase os esgotou (em particular nos pontos 3. e 4. desse texto) [aproveito para também lamentar a sua menor assiduidade, repetido egoísmo meu].

Mas há um ponto extra. Guardarei os textos (e as referências) que o Nuno tem colectado e divulgado. Não mais este episódio recuará para o "arquivo morto" da minha ideia da história portuguesa. E, sem ponta de ironia, no 19 de Abril beberei, ateu, um whisky à memória de tantos mortos. E tentarei, anacrónico é certo, imaginar tamanha orgia sanguinária e o seu porquê. Não o iria fazer sem esta iniciativa.

Publicado por jpt às 05:56 PM | Comentários (14) | TrackBack

Do Acontece

A outro propósito (ou talvez não) Eduardo Pitta lembra o fim do Acontece, de Carlos Pinto Coelho. O texto é agudo e grave, "ambos os dois".

Já agora lembra-me que quando decidiram acabar o programa ("o seu custo daria para cada um dos seus espectadores dar a volta ao mundo") andou por aqui (a net) uma petição para a sua continuidade. Inútil como todas as petições (até as do Altino Torres, ainda que apareçam na TV). Lá assinei e reenviei (fwardei) a uma lista de gente amiga ou conhecida. Quando fui a Lisboa, passados meses, lá jantei com alguns correspondentes (quiçá hoje leitores de blogs), todos a rirem "o que é te deu?" a propósito do apoio ao Acontece.

A amizade sobrepõe-se a estes médios nadas. Mas a cagança de Lisboa, vista de longe, torna-se tão ingerível como a água do Tejo, ali ao Cais do Cacilheiro. Ou seja, é uma boa merda.

Publicado por jpt às 12:35 AM | Comentários (10) | TrackBack

março 09, 2006

Primeiro-damismo

(tem adenda)

O jornal português, centenário até, Diário de Notícias estampa texto assinado por Leonor Figueiredo e Rui Coutinho. Lá vem, a peça da indigência parece que por todos aceite, uma verdadeira glosa, uma imbecilidade repetida n vezes torna-se norma: "Maria José Ritta, que agora se retira de primeira dama, comentava ao DN que entre Jorge Sampaio e Paula Rego...".

Nada me move contra a senhora. Mas não se retira de coisa nenhuma, muito menos disso de "primeira dama". Coisa que não existe. Coisa que medíocres pategos unidos querem fazer crer. Coisa a apupar. Seja lá quem o diga, quem o reclama.

Pobres ignorantes. Ditos jornalistas.

Adenda: Nos comentários algumas opiniões sobre o assunto. Há dois anos já expliquei o que me irrita na falsidade do primeiro-damismo. E depois insisti.

Publicado por jpt às 12:44 AM | Comentários (8) | TrackBack

fevereiro 25, 2006

Gesundes Volksempfinden

O Lutz retrata-nos.

Perdão, deixo-me de merdas:

O Lutz retrata-vos.

Eu, assim no ridículo quixotesco, faço a única coisa que posso fazer: nunca mais compro o Público (para aí uns 15 por ano, não será grande prejuízo para aquela gente). Nem leio, nem comento, nem etc. A merda caga-se, limpa-se. Puxa-se o autoclismo. E lavam-se as mãos. Isto é cá em casa. Em outras não, vivem na merda. São merda.

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fevereiro 24, 2006

Tânia Laranjo e Natália Faria, "jornalistas" do jornal português Público, e autoras deste inenarrável texto são, em termos muito actuais, revisionistas e falsificadoras. Não que eu advogue, para me manter em comparações muito actuais, qualquer pena de prisão. Apenas um profundo desprezo: por Tânia Laranjo; por Natália Faria. Por José Manuel Fernandes, director do jornal e último responsável por esta prosa infame.

Adenda: Domingos Amaral, o qual presumo ser um jornalista português, considera, com eminente sapiência, que os bloguistas pensam como condutores de taxi (os "carroceiros" de hoje, claro está). Estará decerto certo, até pela elegância da verve. Pois a este carroceiro ocorre-lhe a questão, com amostras destas que pensará ele dos jornalistas portugueses? Em que bas-fond os arrumará, o menino? Se arrumará?

Publicado por jpt às 11:16 PM | Comentários (18) | TrackBack

Traço blogosférico português

É interessante. No bloguismo português, umas centenas de teclados informados, a atenção sobre a política externa portuguesa é nula. Muito requentado tardo-jornalístico, "fait-divers" e "gaffes", no fundo nada mais do que criticar, aliás "dizer mal", da política interna a propósito de qualquer coisa externa. E pouco mais. Um vazio de atenção que bem mostra o encerramento do país sobre o si-próprio, a falta de reflexão. Atraso estrutural. Atraso intelectual, nada mais.

Não admira que se contem pelas unhas de um dedo aqueles que olham a política externa portuguesa para além do nhanhanha da maledicência. Ainda que com pinças, diga-se.

Adenda: um comentário veio que me fez reler a entrada e ... exigir-me uma ressalva. Este é um texto sobre a blogsfera mainstream (sobre o mainstream cf. Blogómetro, edição do dia, para aí os 250 primeiros classificados, e mais umas dezenas de ausentes). Há no exo-mainstream alguns blogs que vão de Portugal olhando para fora - quase sempre por via de incidências biográficas dos seus autores.

Publicado por jpt às 12:52 PM | Comentários (4) | TrackBack

fevereiro 20, 2006

O a posteriori

Portuguese Soccer Near Collapse After $1 Billion Arena Spending.

[via Blasfémias e ContraFactos & Argumentos]

Lembro que há já anos por aqui se discutia isto, que nada de inesperado será. (Contra-argumentação, recordo, que incluía o desafio a que lesse eu o projecto Euro-2004, como se esse tipo de documentos não correspondesse, por essência, a projecções auto-legitimadoras). Conviria, na reflexão sobre este a posteriori de óbvia antevisão, lembrar quem foi o então ministro tutelar. E sempre sublinhar que subjaz esta abordagem a ideia política de que o eleitorado julga pelas medidas anunciadas e não pela sua sustentabilidade. Transformar-se-á Portugal num enorme Europeu de futebol?

Adenda: Certamente: não haja dúvida, "ele" há visionários.

Publicado por jpt às 12:40 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 19, 2006

As crendices e o multiculturalismo do Estado Português

Manchester City-Charlton, do 1-0 ao 3-1 terão sido uns vinte minutos enquanto pouco-almoço tardio em pós-grande piscina. Se já 3-1, e eu pouco atento, então zapo e na RTP-I, essa do meu Estado, em directo de Fátima, uma entrevista a um cidadão português que se auto-proclama mais-que-todos-os-outros, Duarte Bragança de seu nome. Ele ali, sob que critério nunca sei, bem como tantos outros da televisão pública, todo o dia acompanhando o caixão dessa antiga pastora Lúcia. Um concentrado da indigência, da indigência estatal, da demissão radical.

Que as pessoas acreditem na religião, pronto, que fazer? Que acreditem num deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Que acreditem que esse tal deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem engravidou, por meios espirituais, uma mulher judia há uns milhares de anos, pronto, que fazer? Que acreditem que um judeu qualquer era "filho", germinado, de um deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Que acreditem que desde então essa senhora, Maria, entretanto falecida, se dedique a acompanhar e a visitar este vale de lágrimas, pronto, que fazer? Que acreditem que, entre as centenas ou milhares de vezes que se diz que a tal senhora apareceu às pobres gentes, algumas são verdadeiras e outras não, pronto, que fazer? Que acreditem que uma dessas verdadeiras aparições da entretanto falecida mãe-virgem do filho do deus construtor mais-ou-menos-à-imagem-do-homem foi aos três pobres patetas indigentes em Fátima em 1917, pronto, que fazer? E que as pessoas desde então se juntem em Fátima, umas de rastos, umas de rojo, outras como muito bem querem, porque as tais criancinhas, contrariamente a tantas outras, viram mesmo a tal senhora fantasma, mãe virgem do filho do tal deus contrutor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Eu posso desprezar profundamente, e desprezo, os aldrabões do clero que promovem estas crendices mais rasteiras, mas pronto, que fazer?

Agora que a tv do meu Estado, laico, laico, passe um dia a transmitir o transporte do caixão de uma velha freira, enquanto apela explicitamente ("estamos a transmitir para todo o mundo") a que a igreja católica promova a pobre velha lá na sua enciclopédia dos mortos ilustres, já fia mais fino. Que a tv do meu Estado, laico, dê entrevista neste contexto, como se reforçando a tralha, a um pobre homem que se entende mais-que-todos-os-outros, a ele legitimando e não contrários, isso fia mais fino.

Isto é um concentrado de indignidades, um compêndio de imbecilidade? Não só, isto é um projecto, explícito, pensado. Tem causa e causas. Que os pobres crentes acreditem naquelas-tralhas-todas tá bem, que fazer?, pobre gente procurando coito. Que o meu Estado promova tamanha indigência, que passe da notícia ao apoio, então há que fazer. Afrontar de imediato essa cáfila de obscurantistas. A tralha das crendices. E também a tralha monárquica, sempre lá atrás aquando destes estercos.

Há, definitivamente, que impor limites a esta ditadura do multiculturalismo, do relativismo. O facto de pobres gentes seguirem estas crendices, o facto de más gentes promoverem estas crendices, não é razão para que um Estado laico as aceite, as promova, se torne ele próprio arauto de crendices, negue a sua história e a sua doutrina.

Urge a demissão dos responsáveis da rtp. Obriga-se a queda do seu responsável ministerial. E, ou será demais?, exige-se uma desculpabilização do seu responsável-mor.

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fevereiro 15, 2006

Portugal

Incontornável.

Nota: um dos episódios semi-calados é a "exportação" dos operacionais das FP-25 para Moçambique, decerto exílios então combinados a "alto" nível. Desconheço se já abordado por algum jornalista. De livro não há notícia.

Adenda: também recordado aqui; e ainda, numa pequena nota lembrando mais uma acha da imoralidade estrutural do partido socialista em Portugal, aqui.

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fevereiro 14, 2006

Cúmulo de Discernimento Racional

O meu total apoio em Portugal.

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fevereiro 12, 2006

Liberdade de expressão?

Há alguns anos, lembro incerto 1999, Veiga Simão então ministro da Defesa de Portugal, velho homem de Estado e dignissimo universitário, espantou ao despachar a lista dos membros dos serviços de informação portugueses para uma Comissão Parlamentar. Logo alguém dessa comissão, muito provavelmente um deputado da República, remeteu a lista para os orgãos de comunicação social.

Lembro estar em Maputo e telefonarem-me de Portugal informando do acontecido, na ironia do "amanhã a lista dos espiões sai no Independente, vê lá quem são os daí", narrando-me o acontecido e eu balançando entre a gargalhada descrente e o nojo por portugueses que partilham, apesar de mim, o meu país. Logo o solicitei, curiosidade certa, e na manhã tinha no gabinete um fax (era ainda o tempo dos faxes, imagine-se) com a cópia do jornal Independente onde constava uma lista de dezenas de indivíduos. Os nomes riscados, aparentemente a marcador (como se isso impedisse uma leitura por parte de profissionais interessados), mas os países de colocação bem à vista. Foi logo um reboliço telefónico, irónico e curioso, amigos cuscando se alguém sabia ou imaginava quem eram os dois agentes colocados em Moçambique, coisa que iria durar ainda uns dias. De imediato imaginei os dois homens, decerto avisados de véspera, que tudo aquilo foi inopinado, abandonando o país no mais madrugador avião para Joanesburgo ou, mais certo, cruzando nos primeiros alvores da matina a Namaacha ou Ressano Garcia, a inquietude dessa derradeira noite postados diante das fronteiras, avessas que são elas ao trânsito nocturno. E imaginei também, leituras velhas construindo imagens, homens e mulheres partindo em contido alvoroço de dezenas de países. E ainda o súbito encerramento de empresas nos arrabaldes lisboetas, filiais de seguradoras, consultoras, contabilidade, sei lá que tipo de coberturas escolhidas nesses sombrios Rios de Mouro ou Paios Pires tão a jeito para realidades feitas filmes, e o espanto de mulheres a dias, fornecedores e vizinhos com o vácuo então criado.

Veiga Simão retirou-se de uma longuissima, e até contraditória, vida de serviço público. E nada mais. Mudaram-se governos, a oposição subiu a poder e regressou a oposição, as comissões subiram a observados e regressaram a comissões, os então observados tornaram-se observadores e de novo ascenderam a observados. Deputado algum, assessor algum, foi confrontado com a evidente traição ao país. Uma traição não metafórica. Linear. Pura e simples. A Assembleia da República, ao que agora se bloga prenhe de mictórios entupidos e de deputados que apenas do próprio mijo se lembram na hora da crítica fácil porque tão tardia, fez por esquecer, e esqueceu, o facto de acoitar traidores e nisso continuar impávida.

Os jornais publicaram, decerto em nome de um qualquer interesse público (confundindo, cientes disso, "público" com "do público") e da sacrossanta liberdade de expressão. O povo, que é manifestamente imbecil, creio que devido à dieta, nunca se lembrou disto, continua a votar nos traidores e nos que os protegem [alguém acredita que ninguém saiba quem foi o "brochista" (em inglês se quiserem) que denunciou os serviços de informação?]. Contente, ulula julgando-se patriota, assim reconfortado da merda que é, tv aos gritos no jogo da selecção, bandeira nacional numa mão, jornal Independente, o lixo traidor, na outra.

Anos passados ninguém liga, ninguém se lembra. A rapaziada de esquerda, relativizada, apupa a liberdade de expressão, máscara da falsidade ocidental ou até mesmo da inexistência ocidental, ainda que lhe reconheça, se cutucados, o mérito de denunciar a perfídia espia nacional, vista arma de exploração de inocentes alheios, inocentes porque alheios, porque diferentes, porque outros. A rapaziada menos relativista, reza loas à liberdade de expressão, coisa absoluta, tanto que até lhes dá para trair o país, nos intervalos de declarações pomposas sobre nação e quejandas. Coisa sem limites, dizem. E, escroques, realizam. No remanso do piadismo fácil e do linkismo ignorante. Punhetam, viris. Ambos os todos.

A propósito destas questões um amável comentador aqui afirmava há dias, "não compreendo o que dizes, mas entendo que te sintas longe": Longe, eu?! Foda-se, eu estou aí. Isso é meu. Quem está longe, quem está bem longe, quem nem sequer merece isso, é essa corja. Corja não, que parece queiroziano. É essa vara, fica melhor. Estais longe.

(texto escrito em estado de liberdade de expressão relativa e sobriedade absoluta)

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fevereiro 02, 2006

Casamentos

Lá na minha distante terra é tema recorrente. Como e com quem casar, está-se em era de pensar a reprodução social via família. Cada vez que o tema vem à baila não resisto, auto-elo-me, um texto que até já me valeu uma indexação como homófobo pela corja opus gay. Está aqui e já era velho quanto o bloguei (é de Junho de 2002). O tema de então e de hoje é simples: casamento (e família) homossexual sim se casamento (e família) polígamo e se fim da categorização de incesto e, portanto, se aceitação de qualquer forma de união sexual/conjugal/familiar legal (e social) entre maiores que o desejem.

Na altura do texto não ouvia falar da associação desta questão actual à poligamia. Agora sim (e o que me leva a re-botar o texto é mesmo o comentário absolutamente falacioso de Octávio Gameiro no Abrupto). Quanto ao "incesto" continua tudo calado, parece que dele nasceriam criancinhas com cauda e pé-de-cabra.

A caravana lá na minha terra continua, entre falácias e semi-pensares.

Publicado por jpt às 03:38 PM | Comentários (21) | TrackBack

janeiro 15, 2006

Independentismo

Portugal. [entrada pós-moderna e pré-eleitoral]

Desconfiar, sempre, de quem não bebe. E mais ainda (se tal fosse possível) de quem fala do que não sabe.

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Abençoado seja

Eduardo Pitta pela pertinente e rara porrada no Jornal de Letras. Já agora, quais os custos opinativos da dependência de um jornal face ao Estado, leia-se, ao governo?

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Portugal. Dois pesos pesados nisto do pensar in-blog, o Eduardo Pitta e o Francisco, concordam que se encerre o Ministério da Cultura. Respeitando-lhes a opinião geral esta particular marca pontos.

E ocorre-me ainda, então e encerrar o Ministério da Economia? De obra feita não se conhecem ecos nem efeitos. E ao menos vamos recordando os nomes dos ministros da cultura. Aos da economia nem isso. Superlativo da irrelevância?

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janeiro 07, 2006

Natais

Sete seguidos, os que passei sem ir a Portugal. Agora vejo a diferença: milhares de bonecos pais natais espetados nas janelas e varandas dos populares.

Pobre gente.

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Revolução Cultural

Portugal. Os arrumadores de carros (junkies, no activo ou reformados) a chamarem "doutor" aos condutores, na exigência da moedita. Aos dois primeiros ainda me virei, expectante (tique de professor? ou de mero doutor?). Em país de infecta doutorice pode ser que assim esta acabe de vez. Quem quererá chamar o outro como "doutor", assim parecendo junkie?

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dezembro 22, 2005

Não quero retomar questões que passaram de moda (a tal semana que referi aquando da semana em questão). Mas será legítimo que um organismo de um Estado laico envie cartões de "Boas Festas" com motivos bíblicos, ligado ao Natal cristão? Será legítimo que indivíduos colocados em lugares de um Estado laico enviem, em nome da sua posição, cartões desse género?

Sim, sei que cartões de boas festas decaem no uso, em troca de SMS e correio electrónico. Mas tal não impede a questão.

Eu estou-me, rigorosamente, nas tintas para o facto. Mas não deixo de sorrir. Sorrio porque passou a tal semana. Causas de semana. Em bom português, tesão de mijo. (Sim, sei que é ordinário. Leia, sff, com sotaque carioca, vai ver que é "bélo falarr âssim").

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novembro 30, 2005

O post do mês

é este. De longe.

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Crucifixos e Touros

Nunca fui a uma tourada. Pouco me dizem, mas nada levo contra. Já o mesmo não digo dos seus adversários. Gente de patacoadas, de pequenos frissons. Como não, se num país (num mundo) onde se engordam as aves como se engordam, se alimentam os mamíferos-carne como se alimentam, se transportam os bichos como se transportam, se zoologiza pequena minoria das antes "feras", se destroem os rios a bem da falsa economia, se rebenta tudo a bem da construção, se esbanja para uma meia dúzia de hectares no sujo rio lisboeta e em outros de futebol e se deixam queimar os milhares de resto sem meios nem norte. Como não se num país do animal pato-bravo? Adversários de touradas? Para mim eram pasto de forcados, nada mais que ervas daninhas inconsequentes.

Largadas de touros? Ok, etnografia, festas populares e isso. Tudo bem. Mas nunca fui, nem na terrinha nem lá em Pamplona. E no tal Hemingway preferia as partes das bebedeiras e as histórias de impotências. Mas não seja por isso, nada tenho contra.

Há anos Barrancos. O poder, o Estado, sem saber o que fazer. Lá o povo do casal a exigir matar o touro, coisa cultural, coisa tradicional. O poder, o Estado a arrastar até ter que fazer. Resistência cultural, tradição comunitária (ninguém falou em folclore, sinal dos tempos). Então, e para não se cansarem mais nem terem que decidir (ah, o tempo de Guterres), respeito pelas especificidades culturais, atenção (e medo, e medo...) às resistências populares. Daí ao multiculturalismo e ao pluralismo jurídico. Excepção à lei, esta deixando de ser universal no país. Matem lá o touro e não chateiem, não prejudiquem o verão, não agitem as sondagens. Ainda que pluralismo jurídico, ainda que multiculturalismo comunitário, ainda que o direito à tradição (seja lá esta de que cimento for).

Eu, na altura, ainda que nada contra as touradas (não as assistindo), nem mesmo as de morte, ainda que nada contra as largadas (não as assistindo), ainda que festas populares, ainda que etnografia, ainda que folclores de alguns, direitos comunitários de outros, turismo para tantos, lá resmunguei em tempos de pré-blog. Era de chamar a GNR, traulitada à antiga. E, se em caso absurdo e até limite, munições reais. Leis diferentes? Segundo a tradição local? A tiro, a tiro, não tem o Estado o "monopólio da violência legítima"? Não é para isto?

Não, não é. Há que aceitar diferenças, multiculturas, histórias diferentes. "Não és tu antropólogo?" ainda me resmungaram.

Tá bem, sinal dos tempos. Ainda que tenha continuado a resmungar, tanta tradição agora proibida e também recuperável. Dar porrada nas mulheres, não partilhar a herança pelos filhos, não os levar à escola, fazer vinho carrrascão, as belas aguardentes bagaceiras, a agricultura sem limites administrativos, construir casas sem casa de banho, um sei lá mais o quê de costumes mais ou menos locais e não universais. E agora proibidos. Então aqueles alentejanos matam o touro e os outros não podem fazer o que séculos os ensinaram a fazer? Multiculturalismos? Respeito pelas tradições? As comunidades. E mais um bocado e lá viriam os cultos a falar de Herculano, o Alexandre, os municípios e isso.

Crucifixos nas escolas. Eu, é claro, desmontem-nos. A lei não é igual para todos? Não é essa "a questão democrática", não é o não isso que periga a democracia, que invoca ditaduras sidonistas, perdão, sebastianistas? Sem ser à força claro, que ainda temos a Igreja e sua turba em polvorosa, mas tirem-nos. Com firmeza. Com repúdio pela violação da democracia, da igualdade, da constituição?

Tem moral a fábula (história de touros, não é?)? Nada adjectivável. Só gargalhável.

Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (6) | TrackBack

novembro 29, 2005

Envelhecendo

O Walter Rodrigues não se há-de incomodar que eu o cite, falando de Portugal: "Há um país profundo que um terço da população portuguesa, concentrada na sua única metrópole, ignora. É o país onde o 25 de Abril é apenas uma data de vaga memória, onde os crucifixos ainda não foram retirados das paredes das escolas. Estão lá pendurados há mais de trinta anos. Talvez há mais de cinquenta. Mas até agora ninguém se importou com o facto da democracia ainda não ter chegado a esse país. Depois hão-de queixar-se que os eleitores desse país aguardam ainda que um D. Sebastião surja do nevoeiro para os salvar."

Envelheço. Sei que há anos resmungaria este texto. Agora leio-o a meias com isto [excerto desta entrevista]. Só assim me faz algum sentido. Algum ...

Também andei textando e comentando crucifixos. Sei que hoje me apeteceria escrever

Há um país profundo que uma parte da população portuguesa, concentrada em apear crucifixos, quer desesperadamente ignorar. É o país onde o 25 de Abril é apenas uma data de vaga memória, onde os crucifixos ainda não foram retirados das paredes das escolas. Estão lá pendurados há mais de trinta anos. Talvez há mais de cinquenta. Mas até agora ninguém se importou com o facto da democracia ainda não ter chegado a esse país. Depois hão-de queixar-se que os eleitores desse país aguardam ainda que um D. Sebastião surja do nevoeiro para os salvar.

[para quem não perceba bem cruze, sff, com algumas das últimas entradas aqui.]

[olhe, e para não ser descrente do futuro, assine o Expresso, até vem novo director]

[olhe, e para não ser descrente do futuro, nunca aceite ser mordomo. Eles falam como se você não estivesse lá. Ou, pior, como se fosse deles]

Publicado por jpt às 12:30 AM | Comentários (6) | TrackBack

novembro 28, 2005

Sobre Cahora Bassa, perdão..., a Tap.

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novembro 27, 2005

Não sei bem de que andam a discutir (presumo, mas a distância não informada é, por vezes, um alívio). Mas ainda assim aqui resume-se bem.

Publicado por jpt às 08:02 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 23, 2005

Obras Públicas em Portugal

Ide jogar o jogo da forca no Adufe.

E, tal como ontem, começar o dia com uma blogocitação: "Como se pode ver pelos estudos que já estão disponíveis ... a decisão tem pouco a ver com os estudos.".

Para se ficar mesmo mal-disposto ler aqui.

E nisto penso que há dias bloguistas compraziam-se com a mediocridade de quem tinha exigido os estudos e agora os ignorava. Pobre missão a do campanheador.

Publicado por jpt às 07:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 22, 2005

As obras públicas

A ler, JCD sobre a construção do aeroporto da Ota. A argumentação poderá ser discutível por que quiser. Mas impossível de tornear este último parágrafo: "É por estas e por outras que os estudos que vão ser apresentados pelo governo não valem nem o custo do papel em que são impressos. Afinal, para que é que interessam estudos quando a decisão já está tomada?".

Não só um diagnóstico sobre esta macro-projecto. Acima de tudo o diagnóstico sobre o governo que Portugal tem. Sobre o povo que elegeu o governo que Portugal tem, acima de tudo.

Publicado por jpt às 12:12 PM | Comentários (5) | TrackBack

novembro 14, 2005

Interessante.

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novembro 08, 2005

O mastóideo

No Os Tempos Que Correm trechos do Manifesto de Manuel Alegre.

Esta pequena entrada não é sobre política portuguesa nem suas presidenciais. É só para registar o ridículo, imenso. Vazio. De quem assim escreve, de quem "pensa". E também, ou melhor, e fundamentalmente o ridículo de quem isto apoia enquanto se meneia "de esquerda". E "artístico-intelectual", ainda por cima. Isto da vertigem de aparecer cega as gentes. E em particular cega os cegos.

Recordo que há 70 anos, entre as obrigatórias vénias ao Estado Novo salazarista, já este pomposo era gozado por António Silva e seus confrades.

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outubro 19, 2005

Vitória de Guimarães

Eu não acho que serviço público televisivo implique a obrigação de transmitir jogos de futebol. Mas os adeptos do Vitória de Guimarães têm toda a razão, a RTP (o canal-mãe ou os sucedâneos) esfalfa-se por transmitir tudo em que rola a bola pelo que não é admissível que abandone um jogo europeu em que não entra um dos da Santa Aliança (Benfica, Porto, Sporting, por ordem alfabética, entenda-se). É um puro caso de centralismo.

Daí que assinei esta petição à qual cheguei via Terceiro Anel. Repito-me, assinei por razões totalmente extra-futebolísticas.

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outubro 17, 2005

Delicioso,

absolutamente delicioso.

[Filme, já!]

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outubro 14, 2005

A bola e a língua

O Altino lança uma micro-causa no seu blog, esse Food-i-do do qual gosto pois quase nunca concordo, é truculento o q.b. e é comunista. O Food-i-do não está nos topos de leituras e elos [consultar índices do Banco Sitemeter e da Bolsa Technorati], ou seja não está nos ditos picos da "importância", da "credibilidade", da "influência". Em alguns poucos dias arranca alguns (16?) ecos-elos, número apreciável ainda que não comparado com outras propostas provenientes dos super-blogs. Na sua maioria ecos-elos em blogs também arredados dos cumes da visibilidade/"influencialidade" (com as excepções notórias do 100Nada e do Blogotinha). Para mais a proposta sendo profundamente política, e até passível de leituras ambivalentes, não é típica da "política" quotidiana, do senso comum bloguístico ou não, sendo pouco polemista, nada dada a sanguinários desfechos e a desvairadas exaltações.

Este rosário serve apenas para referir que as condições de difusão da sua mensagem não eram/foram extremamente favoráveis. Tudo isto para sublinhar o meu espanto com o impacto que alcançou, em poucos dias mais de 4000 assinaturas. E, mais do que tudo, impacto jornalístico (ainda que, pelo menos na versão escrita, seja interessante e notório o "apagamento" do registo bloguístico do acontecimento) - esse impacto que tão difícil e tardio foi para as polémicas micro-causas da "política quotidiana" lançados pelos super-blogs Abrupto e Bloguítica.

Pensando melhor nem duvido nas causas deste impacto, signatário e jornalístico. O Altino, ao associar na sua petição a língua e o futebol, esteve qual alquimista de sucesso, conjugando os dois ingredientes essenciais [ontológicos, se se quiser] da identidade portuguesa de hoje.

Eu, mui agradado 2º subscritor da petição e seu emailesco divulgador, ao ver este seu rápido caminho hesito entre a satisfação divertida e o sentimento de ser uma espécie de mordomo do Dr. Frankenstein.

E enquanto hesito olho isto tudo, este tudo da língua e da bola, e digo: "Camarada Altino, estamos fodidos!!"

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Ok, it's done. Next!.

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Pois

Acho piada a esta merda toda da blogosfera, estão dois gajos no intercomentário, que é noite noite, dum não sei da vida, talvez fodida, do outro sei que já sem idade para grandes fodidas, perdão, fugidas nocturnas, nesse entretanto há um desses gajos que tem a boa ideia de dizer aos tipos da fifa que têm um site que esquece o português (olé, olá angola!!!!, viva zedu, camarada, dedico-te o golo, viva portugal!!!, ah o grande evento, essta tralha toda...), já agora o brasil é penta, o régulo havelange, presidente desde o seculo XIX, etc e tal, pelé e garrincha, socrates (o penultimo) e zico, jardel e liedson, perdão, ronaldo e ronaldinho, enfim essas merdas, vai-se a rapaziada e toma-se de brios e viva Afonso de Albuquerque, "de mal com el-rei" e é assim mesmo, Pessoa e "a mensagem", salazar e pombal, expo-40, expo-98, camões e saramago, a casa portuguesa e o nobel siza, egas moniz, o da porta e o da mioleira, o damásio da carola (e se quiserem o pato-bravo também), já agora por falar em damásio o lobo antunes escritor, durão barroso sim senhor, brasil nosso irmão mais novo, sim gilberto freyre e a PT, "sei que não vou por aí" e a bem da nação, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa,a minha pátria é a língua portuguesa,a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, (usa a língua e cala-te, ó meu caralho) o brilharete, olha o brilharete, foda-se, contra os marchões, canhões, marchar, marchar ..., bom povo português, sereno, claro, assina, assina, a europa, a europa, é nossa foda-se, é como o euro, viva, o IDH, perdemos o pódio, mas vamos lá, hás-de ver, a rapaziada faz-se, o império a morrer a bandeira no coração, leva a baixela para casa mas trata do trapo, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, o caminho faz-se caminhando ainda que seja coño o cabrão que o diz...digam-me lá, nesta merda toda, onde é que há côdea de polémica, foda-se ... só alentejando, confusionando , contrando, vontade do contrando, nem digo mais nada.

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outubro 13, 2005

Na Beira à beira

Entre o desconforto que me traz a ideia de um candidato movido pelo ressentimento pessoal, alardeando a independência do sistema partidário onde sempre se alojou, e a triste certeza de que o outro recolhe como capital maior o facto de ter forjado um culto pessoal baseado num “luxuoso silencio” de anos....

Publicado por jpt às 05:23 PM | Comentários (2) | TrackBack

A Macro-Causa

Até o José Peseiro já assinou (nº 1686).

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outubro 12, 2005

A petição "põe o sítio em português" está a crescer rápido. O Altino Torres desta vez cozinhou-a bem.

Eu faço uma proposta, em especial aos que não assinaram, ou por encolher de ombros ou por serem "contra estas coisas", tralhas de "tipos que não têm nada para fazer". Se o Ricardo hoje não jogar na selecção vão lá assinar, em sinal de reconhecimento. Que tal?

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outubro 11, 2005

O Grande Final

Alguma blogoazáfama causou a Micro-Causa do Bloguítica. Parece que chega agora ao seu Grande Final [via aqui], o que é muito agradável dado que se prevê condigna explicitação do jornal face às dúvidas que a sua prática gerou. Um reforço de credibilidade do Público, decerto.

Eu aliás, oráculo como sabeis, já o sabia. Há alguns dias disse "Micro-causa. Ok, votem que depois de domingo falamos".

Já votaram? Então eles "explicam". Reforçai pois a vossa credibilidade. Perdão, crendice.

(Diga-se que eu não acredito na feitiçaria mas já encontrei feiticeiros. E falo sério, não estou apenas a reproduzir velhos ditos populares)

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outubro 10, 2005

Eleições em Portugal

Será estranho que na televisão do Estado a "noite eleitoral" tenha apenas dois comentadores, um absolutamente do PSD (antigo presidente) e outro absolutamente do PS (antigo putativo tudo)? Será estranho que na televisão do Estado não comentem jornalistas et al? Será estranho que na televisão do Estado não comentem pessoas de outras áreas políticas?

Não deve ser estranho. Ninguém diz nada. Silêncio é consentimento. É tudo natural. Belamente natural. Pacificamente natural.

Não-adenda: a frase da noite foi de Valentim Loureiro - "tira-me daqui esta merda", irritado com a rábula do microfone. Apoiado (apesar do Valentim), "tirem-me daí essa merda" da bipolarização naturalizada, a querer-se evidente e obrigatória.

Não-adenda: haja esperança, há gente que sabe decidir e executar - a RTP-África não transmitiu a "longa noite eleitoral". Só a RTP-Internacional.

Adenda: alguém reparou nas declarações de Miguel Beleza, óbvias e elevadas [o que não é sempre contraditório] e como de imediato A. Vitorino as truncou? Comentário político? Francamente ...

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outubro 09, 2005

Eleições no meu país

Hoje há eleições lá em Portugal. Para mim o mais importante é a eleição em Lisboa, a minha cidade, a capital. Acima de tudo acho que em Portugal o facto político mais importante dos últimos anos são estas eleições em Lisboa. Já me expliquei aqui: o facto de Carmona Rodrigues ter anunciado simultaneamente ser "um homem de princípios" e que tinha oferecido a possibilidade de trabalhos remunerados a militantes de um partido em troca de apoio político é a publicitação de um "senso comum político", a publicitação legitimadora de uma forma corrupta de fazer política. É uma publicitação original, que saiba ninguém o tinha antecedido nestes termos. É uma publicitação legitimadora pois naturaliza este modus faciendi, tão "natural" que se afirma sem rebuço. Para quem assim fala em público, para quem assim ouve em público, a política "é" assim, é esse o sentido desta naturalização, ela tem uma componente ontológica. Mas também tem componente normativa, pois para quem assim fala e para quem assim ouve a política "deve ser" assim, pois a prática deve corresponder à natureza/realidade, condição necessária para atingir a competência competente (uma deriva da tecnocracia, também).

É-me quase indiferente que Carmona Rodrigues ganhe as eleições, nem é essa a questão. O que não me é indiferente é que ele esteja em eleições, que não tenha sido retirado das listas - mesmo que isso pudesse implicar que o seu partido, democrático, viesse a perder uma câmara tão relevante.

Familiares meus, e muito chegados, que o conhecem profissionalmente asseguram-me até a sua decência pessoal, afirmam-me alguma competência profissional, e não recusam até alguma candura política, esta entendida como elogio. Pode ser. E mesmo que não seja estou convicto que Carmona Rodrigues não é o pior do cenário. Mas não é disso que se trata: o seu discurso naturalizador da corrupção política, legitima-a. Propõe-na. É inadmissível num país democrático, e corrói talvez definitivamente um sistema democrático. Não são os populistas caciques a fazê-lo, esses sempre vistos como desvios à normas. É exactamente esta agora anunciada normatividade que angustia, pois estrutura.

Finalmente. Há um imenso bloguismo político português, lesto na crítica e na discussão. Com tons e sons muito diversos mas de aparente arreganho. Não posso sonhar-me demiurgo, considerar que as minhas opiniões ou sensações deveriam ser omnipresentes. É natural que cada um dispare ou ampare onde quer. Mas o quase universal silêncio bloguístico que este novo discurso de senso comum político colheu implica-me um olhar para a bloguismo político português. Não que o ilegitime, nada disso. Amesquinha-o. Apenas isso. E torna quase irrelevantes todas essas opiniões e causas tão garbosamente tecladas. Feitas meros espelhos mágicos, mero fel, meras vaidades. E, também, meros serviços.

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Terramoto no Paquistão

Terramoto no sub-continente, parece que piores efeitos no Paquistão, horror, milhares de vítimas.

[nota lateral: cruzo o bloguismo português e nada vejo sobre isto. Nem lágrimas pelas vítimas, nem impropérios contra os (ir)responsáveis pelas vítimas - não haja dúvida, é gente muito menor.

E assim se perdem mais uns links para o ma-schamba]

Publicado por jpt às 03:32 AM | Comentários (3) | TrackBack

O Furacão Stan

O Stan devasta a América Central. A força dos elementos.

[nota lateral: cruzo o bloguismo português e nada vejo sobre isto. Nem lágrimas pelas vítimas, nem impropérios contra os (ir)responsáveis pelas vítimas - não haja dúvida, é gente muito menor.

E assim se perdem mais uns links para o ma-schamba]

Publicado por jpt às 03:25 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 08, 2005

Noites

A lembrar-me que no dia em que a Carolina nasceu acabei aqui, e tantos anos já então passavam. Com dois amigos do antigamente, esse quase sempre, um ainda motard e outro futuro bloguista. E que lá no meio apareceu-se uma patrícia, simpática não era?, a dizer-se do Monapo. Imagine-se! ("ixe, moçambicana? aqui? v. é do mato mesmo!") Coisas que lá só mesmo .

(e há tempos soube que o vizinho Shangri-lá voltou a ser o que sempre foi)

Publicado por jpt às 11:05 PM | Comentários (1) | TrackBack

Deve o trabalho ser considerado trabalho? Deve o trabalho ser remunerado? A resmungar com o Paulo Querido (eu em linguagem de comentários).

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Micro-causa

Portugal, claro. Micro-causa. Ok, votem que depois de domingo falamos.

Publicado por jpt às 09:58 AM | Comentários (0) | TrackBack

Laicidade estatal? Se nem república consegue ser.

No Canhoto acertada crítica contra a contradição formal (e portanto substancial), pela qual o Estado português fere a sua proclamada laicidade - seria verdadeiramente risível o argumento "tradicionalista" que ali se transcreve. Seria se não fosse eco de uma profunda arrogância da administração estatal.

Mas sorrio. Pois se o mesmo Estado continua a insistir, formal e substancialmente, que a cônjuge do Presidente da República "tem lugar", que é qualquer coisa como primeira-dama, qual a razão de se protestar com outras contradições? Se aquilo nem República consegue ser ...

[já aqui resmunguei o suficiente sobre esse inaceitável "primeiro-damismo" que grassa no meu país. Ilegítimo. E, pior, ignorante.]

Publicado por jpt às 04:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

Cândido de Oliveira

Sobre Cândido de Oliveira, essa personagem multifacetada e hoje muito mais conhecido pelo cabeçalho de "A Bola", jornal do qual foi fundador, no O Mundo das Sombras (um dos blogs de José António Barreiros) um interessantissimo (e para mim surpreendente) texto sobre a sua faceta de espião ao serviço da Grã-Bretanha.

Publicado por jpt às 03:57 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 06, 2005

5 de Outubro

A minha avó materna tinha quase 15 anos aquando da República. Esteve impecável até à sua morte, em 1987. Minha grande companhia, neto mais novo, a avó Teolinda. Politizada, a senhora. Lembro que nunca gostou de Mário Soares. "Mas porquê, avó?". "Ó filho, é igual ao Afonso Costa!".

Publicado por jpt às 01:49 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 05, 2005

Jornalismo...

Portugal. No bloguismo corre uma, legítima, Microcausa. Pode um jornal especular e, quando negado, calar-se? Ok, ecoa-se a Microcausa.

Peco. Ou seja, caio na autocitação. Em Junho aqui resmunguei sobre as impunes práticas do jornalismo em Portugal:

"... Os jornais ... portugueses enchem-se ... Insinuações, mentiras, especulações, com o único propósito de vender. Não é jornalismo, claro está.

Ora sendo orgãos de informação e mentindo sistemática e explicitamente isso não deveria implicar intervenções? Do próprio Sindicato? Daquela coisa "alta autoridade para a comunicação social"? Da tutela ministerial?

O silêncio sobre tamanha e constante desonestidade jornalística retira a tais instituições, profissionais e estatais, qualquer legitimidade para se expressarem sobre outros hipotéticos desmandos ou incorrecções no mundo informativo.".

Na altura tive uma bela resposta no Bombyx-Mori, até ecoada no Aviz (pois, destruído). Bela resposta, mas a olhar a questão por outro prisma. Ou seja, eu resmungava com as tradicionais aldrabices sobre o mercado futebolístico de Verão e o Afonso Bívar deu-lhe um toque psico-semiológico, digamos assim.

Eu regresso ao meu prisma. Alguns dirão que são coisas diferentes, até que o mundo das trocas e baldrocas da bola não é importante, e que o jornalismo que se lhe dedica é irrelevante. Mas é errado, esse é o exemplo supra-lido das práticas no campo jornalístico, o exemplo que "naturaliza" as práticas falsificadoras no "campo" jornalístico português. E daí também o hábito do plágio (célebres os do Público aos blogs, lembro o ao Substrato; mais clandestinos os por vezes apontados a outros jornais e revistas, normalmente estrangeiros). Assim naturalizando a mentira, a alusão, o enfeite, junto dos leitores activos e passivos (estes os que meramente ouvem falar ou passam no quiosque). E junto dos próprios jornalistas, produtos que são acima de tudo desse "campo" jornalístico, do caldeirão que os cozinha, e não tanto de uma qualquer "sociedade" que nada mais é do que o circundante, o "mercado" para o qual "vendem" - na prática antes vendiam publicidade, hoje vendem os brindes-tralha que acompanham os jornais não-desportivos e que lhes permitem subsistir.

Em suma, resmungar com o modo do "aldrabismo" nos jornais da bola é resmungar com a sua legitimação. Que agora surge alhures. Num jornalismo dito de "referência". Referência como? Quais os critérios? Os cronistas que lá estão? Os publicistas contratados? O serem de Lisboa? [nunca um jornal do Porto foi considerado de referência, e é um lisboeta a estranhá-lo]. Este é o processo homólogo ao da "importantização" de alguns blogs - quais os critérios? A influência? A audiência? A retórica? A "linkagem"? O a priori (a [pro]celebridade autoral)? Tudo isso nada realmente sistematizável, nada mais do que opinativo. Meia dúzia de "sim, senhor, é de referência" e lá está, assim se torna. Nada disso chega. Nada disso é mais do que vento jornalístico. E como olhar jornais pensando com a ligeireza jornalística? E, no agora, com a aldrabice jornalística?

Uma Microcausa? Sim, mas muito mais do que isso. Uma macro-causa, do qual este é mero episódio mais actual.


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Pimbismo político

Portugal. E sobre política portuguesa vou passando o mais que posso. Para não quebrar ao teclado, como já para aqui me aconteceu. Ou seja, para não ser franco ao teclado, que a vida não é para fraquezas nem franquezas.

Ainda assim, neste rasar de hoje sobre blogs portugueses nada me irritou tanto como "o comboio descendente" a gargalhar com a fealdade, das pessoas e fotos, com a falta de jeito, com o "pimbismo", tudo isso tão mostrado Autárquicas em Cartaz e tão ecoado por tanto blog. Este Autárquicas... tem interesse, chame-se-lhe etnográfico ou documental, como se quiser. Mas para a gargalhada política, é assim tipo o Badaró do meu tempo.

Pimba, pimba, "pimbismo" ideológico, são todas esses sorrisos, gargalhadas, "olha, olha...", gente a querer-se bem-pensante e esteta, gente a melhorar-se na adesão à "qualidade" da foto e do fotografado a que se deixa aderir. Enquanto gargalham, descendentes, no esgar do quão feios são os outros, do quão feio estão eles. E, claro, do quão belos somos nós e os nossos, até penteados e maquilhados.

(comecei este texto, de super-irritação nestes comentários. Apenas um, entre tantos posts pimbas)

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setembro 30, 2005

Cachupa em Lisboa, de novo

Há algum tempo aqui ecoei o Pitau Raia no lamento pelo encerramento da célebre e histórica Cachupa em Lisboa, coisa de grandiosidade boémia. Agora surge um comentário negando tal desaparecimento e até desafiando à visita. Aqui de tão longe é-me impossível a comparência para uma cachupada na aurora. Mas fico aliviado pela notícia, um bocado de decência que não desaparece. E de saber estar. E também fico expectante, que alguém que por lá passe mande novas do como está(va) a cachupa.

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setembro 28, 2005

O "brilharete"

Há décadas (já) que me irrita a mentalidadezinha do "brilharete", coisa nos idos parida n' "A Bola", coisa nos idos do "brilharete" dos "magriços" (esse nome estadonovo ainda assim melhor do que o atrasomental "tuga"), coisa bafienta mas filha do seu tempo. Pobrezinhos mas honrados, aspirando ao tal "brilharete" no lá-fora, modesto sucesso pois claro, como se "desculpem vossasmecês" o atrevimento, chapéu na mão, às arrecuas até no quase-vitória.

Décadas (já) passaram, o país andou muito e mudou, (a) gente fez coisas, muitas pacóvias dizem as tais décadas, outras nem tanto. O jornal "A Bola", cadaverizado, amais a sua turba, se mudou foi no para pior - no escroquismo militante do temer falar para que não baixassem vendas, no escroquismo militante do "apertar a mão" a quem mandava espancar Carlos Pinhão. Jornal renunciado, múmia desde há tanto, e talvez por isso enredado nas velhas ideias, nas velhas humildadezinhas, o "brilharete" ali à mão de semear


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No hoje em dia a "fama" por um empatezito? Um brilharetezinho?

Rais parta, até este sportinguista, sempre torcendo pela derrota benfiquista, acha que Benfica é bem mais que isso.

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setembro 27, 2005

Longa transcrição, até esperançosa

Em Junho de 1871 o então jovem Eça de Queiroz escreveu assim (sei que parte andou blogado recentemente), enquadrando o seu manifesto artístico-literário. Interessará regressar? Tamanha a aparente homologia com a actualidade, se quisermos assumir a mesma atitude intelectual, ou melhor, o cansaço. Ainda que as analogias históricas sejam nada mais do que armadilhas à análise aqui transcrevo, mas esperançoso. Pois se tanto decadentismo não se cumpriu, para quê assumi-lo agora? Não será isto condição, processo, e não crise, queda?

Mas acho avisado ir-lhe até ao final, a isso convido os visitantes. Pois ainda que nesse sentimento decadentista brotou então projecção acertada. Como será (seria) hoje? Sem tais escapatórias?

"O paiz perdeu a intelligencia e a consciencia moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por unica direcção a conveniencia. Não há principio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguem se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens publicos. A classe media abate-se progressivamente na imbecilidade e na inercia. O povo está na miseria. Os serviços publicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprêzo pelas idéas augmenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indifferença de cima abaixo! Todo o viver espiritual, intellectual parado. O tedio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruina economica cresce, cresce, cresce... O commercio definha. A industria enfraquece. O salario diminue. A renda diminue. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.

N'este "salve-se quem puder" a burguesia proprietaria de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o juro.

De resto a ignorancia pesa sobre o povo como um nevoeiro. O numero de escholas só por si é dramatico... A população dos campos, arruinada ... trabalhando só para o imposto por meio de uma agricultura decadente, leva uma vida de miserias, entrecortada de penhoras. A intriga politica alastra-se por sobre a somnolência enfastiada do paiz....

Não é uma existência, é uma expiação.

E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciencias. Diz-se por toda a parte: "o paiz está perdido!". Ninguem se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Attesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o paiz está desorganizado - e pede-se cognac! ...

Esta decadencia tornou-se um habito, quasi um bem-estar, para muitos uma industria. Parlamentos, ministérios, ecclesiasticos, politicos, exploradores, estão de pedra e cal na corrupção ...

O povo, esse, reza. É a única cousa que faz além de pagar ...

A realeza é accusada por tudo: pelas despesas que faz e pela pobreza em que vive; pela sua acção e pela sua inacção; por dar bailes e por não dar bailes ...

Apesar d'isso, a esta politica infiel aos seus princípios, vivendo n'um perpetuo desmentido de si mesma, desauctorizada, apupada, pede ainda uma multidão innumeravel de simples a salvação da "cousa publica". É tragico, como se se pedisse a um palhaço de pernas quebradas mais uma cambalhota ou mais um chiste.

A burguezia invejosa e desempregada fala na "federação", na "republica federativa", na "extincção do funccionalismo", na "emancipação da classe operaria"; mas entende que o paiz pode esperar por estes beneficios todos se no emtanto lhe derem a ella logares de governadores civis ou de chefes de secretaria. Uma plebe ardente fala em beber o sangue da nobreza; mas ficaria satisfeita se a nobreza, em vez de lhe oferecer a veia, mandesse abrir "Cartaxo".

Tanto se conciliam todos! É assim que o egoismo domina. Cada um se abaixa avidamente sobre o seu prato...

Nas sociedades corrompidas a ordem chega assim a reinar. É a ordem pelo desdem. Outros diriam pela imbecilidade...

[O paiz] Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam, soldados que não o defendem, padres que rezam contra elle. Paga áquelles que o espoliam, e áquelles que são seus parasitas. Paga os que o assassinam, e paga os que o atraiçôam. Paga os seus reis e os seus carcereiros. Paga tudo, paga para tudo. ...

Portugal não tendo príncipios, ou não tendo fé nos seus principios, não pode propriamente ter costumes. Fommos outr'ora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Comprehendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana; e fizemos muitas revoluções para sair della. O "caldo da portaria" não acabou. Não é já como outr'ora uma multidão pittoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vem buscar allegremente, no meio dia, cantando o "Bemdito"; é uma classe inteira que vive d'elle, de chapéo alto e paletó.

Este caldo é o Estado. Toda a nação vive do Estado. Logo desde os primeiros exames no lyceu a mocidade vê n'elle o seu repouso e a garantia do seu futuro. A classe ecclesiastica já não é recrutada pelo impulso da sua crença; é uma multidão descoccupada que quer viver á custa do Estado. A vida militar não é uma carreira, é uma ociosidade organizada por conta do Estado. Os proprietarios procuram viver á custa do Estado, vindo a ser deputados a 2$500 réis por dia. A propria industria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive tambem do Estado. A sciencia depende do Estado. O Estado é a esperança das familias pobres e das casas arruinadas....

É uma nação talhada para a dictadura - ou para a conquista."

[Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1890, pp. 11-43]

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Portugal. (no após uma maratona nos elos)

Se a blogosfera portuguesa representasse o país Manuel Alegre iria, pelo menos, à segunda volta das presidenciais.

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Para quem ainda não tenha ido.

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setembro 25, 2005

Memórias de blog

No Canhoto um texto (pessoalmente direccionado) que me recorda um já velho (o que não é velho num blog?) texto no Ma-schamba (impessoalmente direccionado).

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setembro 23, 2005

O Estado e a Cultura

Sobre a questão ler este texto. Pode parecer óbvio, mas há quem não consiga (ou queira) entender.

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O Estado e a Cultura

Nos recantos mais liberal-fundamentalistas do meu país ressurgem os ditirambos contra a influência indutora do Estado na cultura. É conversa sazonal. E cansativa.

(Para os velhos marxistas-fundamentalistas a "propriedade privada" era o Satã da história, para estes do agora é o "Estado" o tal diabrete. Não era o mesmo Marx que dizia qualquer coisa como quando o drama histórico se repete é farsa, grotesco?).

Enfim, para os tais fundamentalistas vou ao cinema:

"In Italy for 30 years under the Borgias they had warfare, terror, murder, and bloodshed, but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci, and the Renaissance. In Switzerland they had brotherly love - they had 500 years of democracy and peace, and what did that produce? The cuckoo clock ..." [Aqui]

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setembro 22, 2005

Portugal. Cartazes enormes, ruas fora, publicidade a um vinho qualquer (má, nem retive o nome do dito), afirmando-o qualquer coisa como "o melhor vinho para brindar quando o chefe é despedido". Qualquer coisa vai mal no reino, assim até o vinho parece podre. Que raio de mentalidade.

Publicado por jpt às 07:18 PM | Comentários (8) | TrackBack

Num povo que come pão e nele haja pouca gente que diga assim hesito, entre o lamento do comedor mudo e o saudar do "haja gente".

Mas ... enquanto houver alguém que diga "pão" esqueço a hesitação, faço por isso, e saúdo quem se levanta contra o falso pão, o dos "bimbos": "Haja Gente"!, mesmo que pouca.

Publicado por jpt às 03:52 AM | Comentários (0) | TrackBack

Até me engasgo nas teclas, a escrever bem dos Açores, terra geradora de duas das piores pessoas que cruzei. Elas andam aí, uma impante, outra esconsa. Açorianos, mafia, partido, essas coisas. Ultrajantes. Muito ultrajantes, coisas de arquipélago decerto. Mas, apesar deles, vindos de terra bonita.

Publicado por jpt às 03:42 AM | Comentários (2) | TrackBack

41 anos

e a primeira vez nos Açores, ainda que a correr, e só S. Miguel. Comprovo: é uma delícia - ainda que Ponta Delgada e Vila Franca já ameacem o futuro.

É de visitar. E aproveitar. Antes que o pato-bravismo pato-brave.

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setembro 06, 2005

Impensar

No português de Portugal todos os países do mundo são ditos como tendo "governo". À excepção dos EUA, os quais são ditos como tendo "administração".

Pormenorzinho não-linguístico a mostrar gente ufana.

Publicado por jpt às 08:29 AM | Comentários (19) | TrackBack

setembro 05, 2005

Um cultor da língua. Aleluia.

Publicado por jpt às 12:22 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 04, 2005

Ainda espanto?

Uma semana muito densa, a última. Sem olhar a tv, sem jornais, quase sem net. Sábado descanso, alguma CNN, a ver a catástrofe, à qual estava muito alheio. Depois alguns blogs (portugueses), sobre New Orleans.

Ainda me espanto (e espero manter essa energia do espanto).

Espanto-me quando leio gente que diante de um horror destes se senta ao teclado protestando contra o governo americano. E espanto-me quando leio gente que diante de um horror destes se senta ao teclado defendendo o governo americano. Espanta-me a inutilidade de tudo isso? Não, pois mesmo neste caso não acho inútil opinar. Entenda-se, não se discutem as efectivas medidas (sabem-nas?) ou as medidas não tomadas (sabem-nas?). Longe, a quente, quanto muito ecoando algumas reportagens, sem qualquer conhecimento particular, os teclistas aproveitam esta desgraça somente para traduzirem, sublinharem, as opiniões que têm sobre Bush e, em muitos casos, sobre os Estados Unidos. É uma mera transposição - dou um e-doce a quem encontrar um bloguista que defenda a política deste governo americano e que o critique agora, e um outro a quem encontrar um bloguista que critique a política deste governo americano e que o defenda agora.

Espanto-me com isto? Não, espanto-me comigo. Pois sendo eu ateu/materialista (ainda que me repugne o proselitismo) dou comigo a pensar na pequenez de alma que tais teclados mostram. Alma? É mesmo isso, pequeninas almas, pouco impressionáveis face às coisas de um mundo que lhes servem apenas para ilustrarem as fundas certezas que possuem.

Lá bem no fundo isto lembra-me uma palavra hoje pouco usada, até sorrida: maldade. O que esta maneira mostra é isso mesmo, maldade. Mera maldade.

Se eu fosse crente, se eu "tivesse a graça de ser crente" como Soares o disse num dia já longínquo, rezava por quem assim é. Como não sou apenas sorrio. Sem ironia e sem maldade. Apenas com pena. Amarfanhada.

Publicado por jpt às 03:56 AM | Comentários (11) | TrackBack

setembro 03, 2005

Igreja Maná

O potentado Igreja Maná, o qual ao que consta irá adquirir posição de relevo na televisão portuguesa TVI, é uma criação de um português originário de Moçambique, Jorge Tadeu, do qual há ainda gente que se recorda.

Aqui perto tem um grande centro, em Whiteriver, Mpumalanga. Ao que consta a sua dimensão excede a da célebre IURD. Tudo isto em cerca de 30 anos, obra de um homem. Sem dúvida, uma grande capacidade empreendedora.

Publicado por jpt às 10:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 02, 2005

Camões em crioulo

Momento grande, soneto de Camões traduzido para crioulo. No excelente Transpórtis virtual di Kauberdi pa Aulil.

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agosto 27, 2005

Sobre o capim que é esta coisa toda (apesar de se [nos] almejarem a pobre mandioca, coitados) diz aqui, em comentário, o Miguel Silva: "Mas, concordo inteiramente, qualquer blogue com aspirações a exercer influência que passe ao lado deste assunto atesta a sua própria irrelevância. Capim, pois então."

Capim, pois então. Quem vai seguindo o Ma-schamba sabe bem que este depende dos humores do machambeiro. Sem agenda e (como o disse há pouco) sem gravitas. Coisas várias do político da santa terrinha, coisa de emigrante que há anos aprendeu que um socialista português nada mais é do que um mero filho da puta (mesmo que seja meu irmão), aldrabão e mafioso (mesmo que seja filho da minha mãe), ladrão (ainda que neto das minhas avós). Há outros assim? Talvez, aliás, estou certo, mas não os conheci. E coisas várias do quotidiano, da minha filha, dos livros, das andanças, um ou outro restaurante, coisas soltas. Sem agenda é assim o Ma-Schamba. E achando que o bloguismo é isso mesmo, o cada um meter o que lhe apetece. Sem agenda, repito.

Agora todos esses, pomposos, neuróticos (um bloguista é, obviamente, um neurótico, que não faz desporto, não lê, fode pouco e bloga), que vão discursando sobre poderes variados que julgam ter, sejam eles lá da direita extrema (tipo último reduto, último reduto a que chego e só por sabê-lo apreciador de xai-xai), da direita regular tipo não sei o quê, pomposa e ensinadora das maiores simplicidades, com nome mais ou menos pomposos, tipo tomar partido que toma partido à espera ..., tipo abrupto, que afinal se cala quando o partido fala (áfinal?, como se exclama aqui), tipo a tralha socialista com causa ou não - e não falo dos trostkistas eróticos porque aí não vou, que sou filho de uma senhora -, amais o camarada foodido, afinal, dizia eu, blablabla mas um palhaço confessa ser corruptor e ninguém diz nada.

Não há agenda obrigatória, Miguel Silva, mas esses caralhos que andam para aí a julgarem não sei o quê, dizerem-se isto e aquilo. Que vão, sitemeter ou weblizer, levar no cu.

O Ma-schamba emigra. De vez.

O machambeiro, 6 da manhã, concerto dos ghorwane antes, metaforicamente vomita. Mero nojo. E diz, fel e bilis, Viva Espanha. Ainda que sabendo que não lhe serve de nada. Mas foda-se, merda de país, merda de patrícios.

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agosto 26, 2005

Portugal. Sobre a inversão li e gostei.

Publicado por jpt às 06:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

Qualquer coisa que não bate certo

pergunta o Miguel Silva, debruçado sobre Portugal e, acho eu, sobre o bloguismo português, esse que anda hoje de ego bem desfraldado.

aqui fui respondendo ao MS. Mas completo-me, para mehor entendimento:

CapimInhamitanga1999.jpg.

[Será que isto entrará nas Selecções do Readers Digest?]


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agosto 25, 2005

Sobre incêndios, na terra do melhor medronho. [Elo especialmente dedicado ao leitor JPA]

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agosto 23, 2005

A tal entrevista

A MP do Ecletico prestou-se a satisfazer a minha (só minha?) curiosidade e colocou a espantosa entrevista de Carmona Rodrigues à Sábado no seu novo blog, o Sátira Direita: está aqui.

Apetece-me recuperar uma velha palavra de ordem comunista: "lê e divulga".

Obrigado MP.

Publicado por jpt às 11:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

A propósito do meu influenciometro

Abaixo referi o meu total espanto com as declarações de Carmona Rodrigues. E, também, o meu (não tão) total espanto pelo relativo silêncio mediático-jornalístico sobre o assunto.

Repito-me: honestamente, sem retórica alguma, acho este o caso mais incrível que já ouvi na política portuguesa. Não as desonestidades ou pressões nesse sentido, coisa universal e sempre controlável/matizada pelas instituições quando democráticas. Mas esta pública predisposição para o nepotismo.

Acerca deste caso o leitor e meu amigo "Bill" acaba de deixar comentário. Súmula perfeita, tão perfeita que aqui a trago:

"Quem compra o supérfluo, vende o necessário."

Foi, obviamente, o que aconteceu.

Publicado por jpt às 01:45 PM | Comentários (3) | TrackBack

O influenciometro

Leio no O Acidental que Carmona Rodrigues, candidato do PSD à Câmara de Lisboa (e ex-ministro, e ex-presidente da câmara) afirmou ter negociado o apoio político do PND de Manuel Monteiro em troco de uma de "...uma consultadoria ou qualquer coisa (...) não faço ideia, ficou assim no ar".

JBR questiona-se sobre o conteúdo dessa oferta "Para além de todas as considerações de natureza ética que se possam fazer, e que no caso concreto são absolutamente legítimas há que saber o que estaria Carmona Rodrigues disposto a dar ao PND por este apoio".

Eu estou completamente espantado. Fico de boca aberta. Estou de boca aberta desde ontem à noite quando li isto. A ser verdade - pois só conheço o post do O Acidental, não li a entrevista à revista Sábado - o candidato à câmara de Lisboa (repito, ex-ministro, ex-presidente da câmara) admite calmamente a intenção de utilizar dinheiros públicos de forma preferencial, recompensando alianças políticas.

Não me espanta que isso exista em Portugal. Espanta-me que essa disponibilidade seja reconhecida por Carmona Rodrigues. Que me lembre é a primeira vez que um político português reconhece a possibilidade de pagar honorários, e com dinheiro público, aos seus aliados políticos. Um total desplante. Ou uma grande candura. Ou ambos. Sendo como sendo isto é totalmente inaceitável. Mesmo muito para além do aceitável.

Se é verdade o que JBR coloca no texto (até me custa a acreditar, e não por algum preconceito quanto ao bloguista) nem é exactamente o conteúdo das futuras oferendas ao PND que é o fulcro. São mesmo "...as considerações de natureza ética que se possam fazer...". Se isto é verdade Carmona Rodrigues está a mais na política, na coisa pública - em qualquer coisa pública. E de uma forma tão radical que nem tem consciência disso, nem o esconde. Um inconsciente suicidário. Melhor dizendo, um inconsciente suicidado.

Se o que li está certo o homem não pode ir a votos, não há quaisquer condições de ser apoiado por um partido democrático, que respeite a lei. Ele tem que ser retirado - ele nunca se retirará, as suas palavras são prova de que não tem consciência do que pensa. Imagine-se o que já estariam a escrever os bem-pensantes se fosse um Valentim Loureiro a ter estas declarações.

Nestes últimos dias os grande-bloguistas portugueses têm escrito muito sobre a influência dos blogs na sociedade - eivados de um politicocentramento pouco avisado, a profunda influência do bloguismo está alhures, na extrema expansão do domínio da publicitação (edição) da expressão individual, da qual a política será porventura a menos liberta dos constrangimentos mediáticos. E das estratégias individuais (o que, até dolorosamente em alguns casos, se vê no auto-silenciamento ou auto-neutralização dos bloguistas da área socialista, antes tão ágeis na palavra crítica. Parece que é mais difícil ser livre perto do poder do que fora dele - mas se calhar é isso mesmo a democracia).

Tanta preocupação com o respectivo peso social levou-me ontem, com outra disposição, outros humores, a pedir um influenciometro, que tirasse as teimas quanto à influência dos blogs lá no país. Hoje, outros humores, nem duvido, também espantado com o relativo silêncio sobre este assunto (só o vi tocado pelo O Acidental, nem em jornais, nem em outros blogs): se o cadáver político de Carmona Rodrigues for a votos, se ninguém pega nisto, se ninguém se espanta com isto, então não há qualquer influência. Nem razão para tal.

Não que veja este hobi como coisa de mastim desaçaimado, como o querem alguns. Mas se isto passa na espuma do verão então bloguismo político é capim.

(Ou então Carmona Rodrigues não disse nada daquilo, a Sábado mentiu ou O Acidental tresleu. Nesse caso eu deletarei esta entrada, como qualquer cão o faz. Após, quando o instinto o conduz).

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agosto 21, 2005

A influência do bloguismo no país Portugal

Aqui e ali (não ponho elos para que não se diga que ando no links hunting), nesses super-blogs, discute-se a putativa influência dos blogs no mundo português. É questão que me é importante, muito me questiono sobre a influência do Ma-Schamba no devir. E ensaio-me na descoberta: visito o technorati, tenho o sitemeter pago [que também tem mapa-mundi, tal e qual aquele geoloc que já esteve na moda], mais aquele que diz quantos estão cá neste preciso momento; e também o who links to me, o nedstat basic, e o supra-sumo, este referring web pages. Mais, quando estou abatido, vou ao weblog ver o webalizer, esse "bom companheiro", verdadeiro espelho mágico, que me afirma verdadeiro lider de opinião (são miles e tais por dia). Como observam não enfrento desarmado estas questões.

Mais, leio outros blogs e até os refiro. Aos mais conhecidos e a outros mais esconsos (estes sempre hipotéticas aberturas para nichos de mercado de influência). Tenho ainda uma poderosa e até actualizada lista de elos. Quando em desespero de causa atrevo-me a comentar em blogs alheios, ainda que sabendo que um grande bloguista não suja as teclas em blog alheio.

Mas isto não me chega - ainda não realizei todo o meu peso, elevado decerto. Daí que ó Lagoa [vai com elo mas como estamos entre amigos não há aqui segunda intenção], tu que és engenheiro, percebes de computadores e bricolage, não arranjas um influenciómetro para a gente tirar as teimas?

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Cachupa em Lisboa

O tipo do Pitau Raia ouviu falar daquilo há treze anos. Até hesito, será a mesma cachupa, o mesmo 3º andar imundo, a mesma fauna? É que há treze anos acho que já não tinha andamento para a frequentar - e nem me lembro bem das vezes que lá ia desfalecer. Conde Barão? (bem, eu já não me lembro bem dos nomes das ruas, é o alemão a atacar ou anos a mais cá fora). Seja como for é obrigatório ler o requiem pela cachupa ilegal (e o acinte lateral como condimento está de mão-cheia). E obrigatório não começar com o traste de "legalize it - the cachupa", que aquilo nos conformes nem teria o mesmo trav(g)o.

[Via Tempo Suspenso]

Publicado por jpt às 09:45 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 17, 2005

Portugal. O meu amigo Lagoa colocou um belissimo, clarividente e hiper-corrosivo texto sobre os patrícios.

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agosto 15, 2005

Os incêndios do regime [transcrição]

Sobre o incêndio português. Ouvi ontem na RTP Marcelo Rebelo de Sousa referir um artigo de Paulo Varela Gomes. Chamou-me a atenção, não vejo o PVG há cerca de 15 anos e não o leio desde que fechou o Cristovão de Moura. Coisas da distância. E do tempo a passar.

Hoje recebo-o no e-mail, a este "Os incêndios do regime", um envio colectivo de um tal "então é assim" (como abomino estas coisas anónimas): Aqui o deixo, para meu registo, e para quem não tenha passado pelo ditoso jornal.

[E se calhar é ele o destinatário da interessante entrada (também) sobre o "independentismo fanático" que o WR deixou no Forum Comunitário. Esse decerto que de gentes desiludidas. Mas as quais não se desiludem com o que "está na cara"].

Os incêndios do regime

Paulo Varela Gomes

(Público, 11-08-05)


O território português que está a arder - que arde há vários anos - não é um território abstracto, caído do céu aos trambolhões: é o território criado pelo regime democrático instalado em Portugal desde as eleições de 1976 (a III República Portuguesa). Está a arder por causa daquilo que o regime fez, por culpa dos responsáveis do regime e dos eleitores que votaram neles.

Ardem, em Portugal, dois tipos de território: em primeiro lugar, a floresta de madeireiro, as grandes manchas arborizadas a pinheiro e eucalipto. A floresta arde porque as temperaturas não param de subir e porque, como toda a gente sabe, está suja e mal ordenada. Não foi sempre assim: este tipo de floresta começou a crescer nos últimos 50 anos, com a destruição progressiva da agricultura tradicional, ou seja, com a expropriação dos pequenos agricultores, obrigados em primeiro lugar a recorrer à floresta pela ruína da agricultura, para, depois, perderem tudo com os incêndios e desaparecerem do mapa social do país. Também isso está na matriz da III República: ela existe para "modernizar" o país, o que também quer dizer acabar com as camadas sociais de antigamente, nomeadamente os pequenos agricultores. Em 2005, os distritos de Portalegre, Castelo Branco e Faro ardem menos que os outros e não admira: já ardeu aí muita da grande mancha florestal que podia arder, já centenas de agricultores e silvicultores das serras do Caldeirão ou de S. Mamede perderam tudo o que podiam perder.

O segundo tipo de território que está a arder, em particular neste ano de 2005, é o território das matas periurbanas, características dos distritos mais feios e mais destruídos do país: os do litoral Centro e Norte. Os citadinos podem ver esse território nas imagens da televisão, a arder por detrás dos bombeiros exaustos e das mulheres desesperadas que gritam "valha-me Nossa Senhora!": é o território das casas espalhadas por todas as encostas e vales, uma aqui, outra acolá, encostadas umas às outras, sem espaço para passar um autotanque, separadas por caminhos serpenteantes, que ficaram em parte por alcatroar - é o território das oficinecas no meio de matos de restolho sujo de óleo, montanhas de papel amarelecido ao sol, garrafas de plástico rebentadas. É o território dos armazéns mais ou menos ilegais, cheios de materiais de obra, roupas, mobiliário, coisas de pirotecnia, encostados a casas ou escondidos nos eucaliptais, o território dos parques de sucata entre pinheiros, rodeados de charcos de óleo, poças de gasolina, garrafas de gás, o território dos lugares que nem aldeias são, debruados a lixeiras, paletes de madeira a apodrecer, bermas atafulhadas de papel velho, embalagens, ervas secas. É o território que os citadinos, leitores de jornais, jornalistas, ministros, nunca vêem porque só andam nas
auto-estradas, o território, onde, à beira de cada estradeca, no sopé de casa encosta, convenientemente escondido dos olhares pelas silvas e os tufos espessos de arbustos, há milhares - literalmente milhares - de lixeiras clandestinas, mobília velha, garrafas de plástico, madeiras de obras (é verdade, embora poucos o saibam: o campo, em Portugal, é muito mais sujo que as cidades).

Este território foi criado, inteiramente criado, pela III República. Nasceu da conjugação entre um meio-enriquecimento das pessoas, que, 30 anos depois do 25 de Abril, não chega para lhes permitir uma verdadeira mudança de vida, e o colapso da autoridade do Estado central e local, este regime de desrespeito completo pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos. É o território do incumprimento dos planos, das portarias e regulamentos camarários, o território da pequena e média corrupção, esse sangue, alma, nervo da III República.

É evidente que a tragédia dos campos e das periferias urbanas portuguesas se deve também ao aumento das temperaturas. Para isso, o regime tão-pouco oferece perspectivas. De facto, seria necessário mudar de vida para enfrentar o que aí vem, a alteração climatérica de que começamos a experimentar apenas os primeiros efeitos: por exemplo, seria necessário reordenar a paisagem, recorrendo à expropriação de casas, oficinas, armazéns, sucatas. Seria necessário proibir a plantação de eucaliptos e pinheiros. Na cidade, pensando sobretudo nas questões relativas ao consumo de energia, seria necessário pensar na mudança de horários de trabalho, fechando empresas, lojas e escolas entre o meio-dia e as cinco da tarde de Junho a Setembro, mantendo-as abertas até às oito ou nove da noite, de modo a poupar os ares condicionados - cuja factura vai subir em flecha.

Modificar os regulamentos da construção civil, de modo a impor pés-direitos mais altos, menos janelas a poente, sistemas de arrefecimento não eléctricos. Para alterações deste calibre - que são alterações quase de civilização -, seria preciso um regime muito diferente deste, um regime de dirigentes capazes de dizer a verdade, de mobilizar os cidadãos, de manter as mãos limpas.

Vivo no campo ou perto do campo, na região centro, há já alguns anos. Há três Verões que me sento a trabalhar, enquanto a cinza cai de mansinho no meu teclado, em cima dos meus livros, no chão que piso. Não tenho culpa do que é hoje este país e o regime que o representa: militei e votei sempre em partidos que apregoavam querer outro tipo de regime e deixei de militar e de votar quando vi esses partidos tornarem-se tão legitimistas como os outros. Espero um rebate de consciência política por parte destes políticos, ou o aparecimento de outros. Faço como muitos portugueses: espero por D. Sebastião, desempenho a minha profissão o melhor que posso, e penso em emigrar.

[Historiador (Podentes, concelho de Penela)]

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agosto 10, 2005

O incêndio português.

A ler [via Quatro Caminhos].

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agosto 09, 2005

Sentido de voto e direito ao voto

Lá em baixo, e na sequência de uma pequena brincadeira memorialista minha, estou numa (não indulgente) conversa política com Carlos Azevedo - conversas que são coisa que a caixa de comentários permite, diga-se aos seus inteligentes detractores.

Não me pergunta Carlos Azevedo o meu sentido de voto mas permito-me aproveitar para esclarecer, já que vem muito a propósito. E sobre isso tenho escrito às vezes, ainda que sem explicitar. O meu sentido de voto actual é abstencionista.

Entenda-se, sou emigrante. Para votar tenho duas hipóteses. Ou vou com a família a Lisboa cada vez que há eleições (um mínimo de 2800 USD aos especulativos preços do efectivo monopólio TAP-LAM, mais a semana de férias exigível, pois as viagens mais curtas ainda são mais caras). Dirão alguns que não é demais para exercer o direito de cidadania. Eu não refuto, no plano de princípios. Mas é pesado demais para os meus rendimentos.

Ou então opto por me recensear aqui em Maputo. Ora ao recensear-me aqui perco direitos de cidadania, e é isso que várias vezes referi. Perco direito ao voto. Não posso votar nas eleições para o Parlamento Europeu (contrariamente aos emigrantes nos países da UE, contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE). E não posso votar nos referendos sobre questões nacionais (contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE).

Ou seja sou abstencionista por atitude, atitude política. Prefiro não exercer o meu direito (prático) de voto a prescindir ao meu direito (formal - entenda-se, ideológico) de voto. Eu não cedo, "gratuitamente", o meu direito ao voto, não prescindo da sua totalidade. Mesmo que isso me impeça de votar.

É também abstencionismo por atitude, atitude de desprezo. Desprezo não pelos "políticos" [o "eles" que há já muitos dias Miguel Esteves Cardoso apontou]. Mas sim desprezo por quem continua a achar que há portugueses de primeira (que votam em todas os actos eleitorais) e portugueses de segunda (que só votam em alguns actos eleitorais). Um hierarquia assim explícita na lei, capeada pela constituição, sufragada pelos milhões de votantes (os ignorantes e os que o sabem). Ou seja, e até custa escrevê-lo, face ao silêncio sobre esta matéria é um desprezo por esse Portugal. Como está na blogomoda de agora, um Portugal que ainda pensa "metropolitês" mas o qual, coitado, nem de si próprio é metrópole.

Publicado por jpt às 06:58 PM | Comentários (3)

A bomba

Sobre a bomba, mas também sobre alguns "pensantes" de hoje, imperdível. De os fazer corar, se tais "pensantes" corar pudessem.

Publicado por jpt às 12:54 AM

agosto 08, 2005

Portugal. A ler uma entrada historiográfica sobre o actual governo.

Estava tudo dito à partida. Maldito clubismo.

Publicado por jpt às 05:37 PM

O incêndio português

Portugal. Sobre o incêndio nacional ler um magnífico texto no Miniscente, talvez cosmológico ainda que eu o entenda político. E nada escatológico.

Para a compreensão do incêndio português e da sociedade na qual ele lavra ler, obrigatoriamente, texto no Quatro Caminhos.

Publicado por jpt às 04:44 PM

Manipulação

Por vezes há quem estranhe ou aponte o comportamento da informação portuguesa: p. ex. Francisco José Viegas nota o silêncio (ensurdecedor) sobre a (mais que natural) derrocada ptista; José Pacheco Pereira frisa o silêncio da "comunicação social tradicional" no "caso Ota"; em relação a este caso Rui Cerdeira Branco sublinha tal silêncio realçando que a excepção nos orgãos de comunicação é no seio da imprensa especializada (julgo que digital), logo de muito menor audiência.

Diante de tais factos (ou coincidências) poucos poderão referir critérios de pertinência jornalística. Tais silêncios só podem vir de total incompetência ou de intenções manipulatórias (o acto do silêncio, pois então). Quando se refere estas últimas, o controle das mentes, da opinião pública como diz o jargão actual, a sua manipulação, logo há quem sorria, até paternalista, invectivando as "teorias da conspiração" que germinariam tais visões.

Cada vez mais creio nessa manipulação. Ao serviço desses grandes temas. Pois vejo-a no dia-a-dia em aspectos mais comezinhos, como programa profissional.

Há algum tempo deixei aqui um apontamento sobre esta manipulação na RTP. Sempre impune. Ontem, 7 de Agosto, no telejornal da RTP via-a de novo, mais uma vez impune: uma reportagem sobre uma zanga em Lagos, culminada em tiroteio com a polícia e morte de um indivíduo cigano, culminada com o carpir familiar; imediatamente a seguir uma reportagem sobre uma inspecção na Feira do Relógio em Lisboa, noticiando a apreensão de roupa ilegal, na posse de comerciantes ... ciganos.

Reparo sem ponta de antipatia pela polícia nem simpatia pelos comerciantes. Nem vice-versa algum. Reparo apenas, como o serviço público de informação continua a manipular os espectadores através de modalidades aparentemente pacíficas, neutrais, nestes casos uma neutral lógica de "alinhamentos". Mas nos dois casos que aqui lembro regorgitando preconceitos rácicos. Ilegais, diga-se. E nos restantes alinhamentos produzindo as opiniões para as quais é convocado.

O espectador continua distraído. Nunca, em tempos recentes, li algum apelo à demissão da direcção de informação da RTP, serviço público. A escória racista continua à solta. E a produzir outras ideias, sobre outros assuntos. Pelos alinhamentos, pelos enfoques e pelos gritantes silêncios.

Publicado por jpt às 02:58 AM | Comentários (3)

agosto 07, 2005

Informação?

Telejornal da rtp, hoje domingo 7 de Agosto, tão hoje que ainda está a decorrer.

Notícia (?), com reportagem e tudo: o F.C. Porto voltou de Inglaterra onde realizou um jogo particular de preparação. Não houve declarações ao repórter (?), o cujo foi adiantando que no aeroporto estava muita gente esperando passageiros.

"Isto" passou no telejornal, com reportagem (um minuto? mais ou menos). "Isto" é notícia? "Isto" é pungente. "Isto" é miserável. "Isto" não é isto. "Isto" nem nada é.

E ninguém cai. Talvez porque nem ninguém há.

Publicado por jpt às 10:47 PM | Comentários (4)

agosto 06, 2005

Ciência Política

Portugal. Para agora

tinpic.jpg

Publicado por jpt às 02:55 AM | Comentários (1)

Zuma

Portugal. Esperança

SAFRICA-ZUMA-POLITICS-42.jpg

Bem recentemente Zuma foi demitido de Vice-Presidente da África do Sul, devido a evidências de corrupção. Isto após um forte conflito com Thabo Mbeki, e apesar do apoio à sua postura populista e etnicista por parte do aparelho do partido ANC, do seu braço sindical (Cosatu), das secções de juventude e mulheres, bem como de parte da região Zulu de onde é originário e onde busca(ou) suporte "culturalista".

A queda de Zuma foi uma lufada de ar fresco. E principalmente para quem ache que a África do Sul pode ser o motor do desenvolvimento da África Austral. Não como país bom samaritano. Mas como potência económica e política com supremacia regional, portanto num processo em que o seu interesse nacional próprio pode [sublinhe-se o "pode"] coexistir com interesses desenvolvimentistas vizinhos.

Mas, e mais egoisticamente, a queda de Zuma é também exemplo refrescante. Porque num país de tamanha complexidade política e de tão recente democracia (apenas uma década) as instituições podem forçar tamanha derrota de um homem-forte do partido supra-maioritário. Se tal é possível não o será noutros contextos com menor complexidade socio-política? E alguma maior tradição democrática?

Publicado por jpt às 02:36 AM | Comentários (3)

Portugal. Sahel (para quê fotos?).

Publicado por jpt às 01:27 AM

agosto 05, 2005

Memorialismo

Eu Não Tenho Culpa
Eu Não Votei PS

Publicado por jpt às 01:13 AM | Comentários (11)

Blogs e Comunidade (2)

Haverá uma comunidade de bloguismo? Talvez não, acho que não. Um meio de comunicação e, acima de tudo, uma mania. Muito auto-centrada, porventura, muito auto-incensada decerto: fui a Portugal ao fim de quase um ano e nas investidas às livrarias lá percebi que os tão famosos blogolivros nem estão à vista. Portanto com muito menos peso (audiência) do que imagina.

Mas que é comunidade isso também me surge. Ou, mais do que tudo, que pode ser modo de (re)construir comunidade. O que Pacheco Pereira está a sumariar sobre

MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

é não só traços de uma hipotética "comunidade bloguística" mas também, e acima de tudo, passos de uma comunidade nacional. Acto a acto, tecla a tecla, no que dizem e reafirmam bloguistas vários, e de vários tons, procurando que a espuma do verão (e a liga da bola que ainda não começou) não afogue a preocupação com o país.

Aquele país Portugal que fenece. Às mãos de um governo indigente [veja-se como Luís Aguiar-Conraria desmonta o discurso do actual ministro da Economia, assim demonstrando que este [ou os seus assessores escribas] intelectualmente ou é indigente ou é desonesto]? Governo já de si sucessor de um outro tal e qual? Ou desmaia Portugal às mãos de um governo meramente desonesto, instrumento de (auto)interesses muito para aquém do bem-comum [como se pode perspectivar p. ex. aqui, aqui, aqui resumido]? Sucessor de um outro talvez tal e qual, que já nem lembramos o então ministro Nobre Guedes.

Vozes certas ou erradas, crentes em conspirações ou não, mas vozes (re?)construindo uma comunidade nacional. De gentes agentes, não de espectadores de futebol.

O país fenece. Mas lá há gente a dar trabalho a esses .... outros. [Dos quais, diga-se, nada seria de esperar senão isto.]


Publicado por jpt às 12:03 AM

agosto 04, 2005

Rescaldo das férias lá no país

Pois aqui coloquei vários itens, desses que saltam à vista após quase um ano sem visitar a "santa terrinha". E interrompi o propósito, que há outras coisas para além do blog. Uma das irritaçãozinhas que me deixei esquecer regressa-me (até surpreendentemente) via o até agora insuspeito Food-I-Do. Não resisto, ei-la:

Portugal. Onde os velhos chanatos ou chinelos-de-meter-o-dedo são agora promovidos em "havaianas". Burguesotes.

Publicado por jpt às 09:15 PM | Comentários (2)

julho 27, 2005

Futebol? Pergunta-me um comentador, e muito acertadamente, por Tomislav Ivic. Pois não tenho novas, mas iria jurar que o general Ramalho Eanes não vai avançar. Mas nunca se sabe, nestes dias que correm.

Publicado por jpt às 06:57 PM | Comentários (4)

Portugal. Ainda os ídolos estão no armazém e o povo a pecar, é a procissão mera promessa ... e já para aí vai um coro de ataques a Mário Soares ("velho", dizem-no os servos disso da "Juventude"). E estou certo que mal Cavaco Silva assome à soleira da porta os urros logo surgirão ("economista", di-lo-ão os aforradores?).

Resmungáveis? Resmungável é uma enorme gente que em vinte anos não sufragou mais ninguém de jeito. Velho? Economista? Fracturante? Demagogo? Autoritário? Ignorante? Ultrapassado? Tudo isso é uma enorme gente. Tudo isso sou eu, que em vinte anos não sufraguei ninguém de jeito. Nem me fiz sufragar.

Nesse dia votarei em ambos. Pois se não há melhores.

Publicado por jpt às 06:45 PM | Comentários (1)

julho 26, 2005

Um país centrado em aeroportos e comboios é um país de emigrantes. Nada de novo sob este sol.

Publicado por jpt às 10:46 AM | Comentários (7)

julho 25, 2005

Portugal. Ah, como eu gostaria de emigrar.

Publicado por jpt às 03:11 AM

julho 24, 2005

Portugal. Há já bastantes anos, e para mal das minhas velhas gavetas, tive uma primeira reunião com um assim alto responsável. O qual estava muito preocupado, afiançou, com a "Imagem" institucional, entenda-se divulgação e aparato. Eu concordei, e juro que nem fui somando que "imagem" é conteúdo e atitude. Mas não resisti, opinei (para que serve opinar com os "assim altos responsáveis" era questão que então não punha). Lesto disse-lhe, para o logo arquear do seu importante sobrolho, "imagem?! então mude-se já o logotipo" (aquele horrível zarolho,

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logotipo antropomórfico, decerto que tralha de óbvio jeitoso afilhado de jurado). Pois vejo agora, via jornal, que algo, pelo menos isto, mudou para melhor no dito estaminé

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Mais vale tarde, diga-se. É assim o progresso. Aka desenvolvimento.

Publicado por jpt às 11:15 PM | Comentários (2)

Portugal. Cume civilizacional.

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Nesta gama a rival Sagres também apresenta uma novidade com igual excelência. Em ambas uma especial excelência se bem geladas. Honra seja feita, em particular num país de mote alcoólico.

Publicado por jpt às 10:49 PM | Comentários (5)

Portugal. Luxo de emigrante quando por cá, jornais e jornais. Muitos teclando decadentismo (e como não?). E o fim, tipo desistência, do regime, até passo-a-passo para o presidencialismo. Se Cavaco Silva claro.

Sidónio, agora? Falta de imaginação.

Publicado por jpt às 07:23 PM

Portugal. Sim, ainda para mais agora a ler-lhe a República Velha (Gradiva). Mas aqui como não?

Publicado por jpt às 07:20 PM

Portugal. Um belo policial, "O Crime da Ota", de Miguel Sousa Tavares, Lisboa, edições Público, 22 de Julho de 2005. A recortar para "postar" daqui a 20 anos. Está lá tudo.

Adenda: o A Memória Inventada antecipou-se os tais vinte anos. Roubo-lhe a transcrição, aqui abaixo.

Luís Campos e Cunha foi a primeira vítima a tombar em virtude desses crimes em preparação que se chamam aeroporto da Ota e TGV. Não se pode pedir a alguém que vem do mundo civil, sem nenhum passado político e com um currículo profissional e académico prestigiado que arrisque o seu nome e a sua credibilidade em defesa das políticas financeiras impopulares do Governo e que, depois, fique calado a ver os outros a anunciarem a festa e a deitarem os foguetes. Não se pode esperar que um ministro das Finanças dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS, da sua clientela e dos seus financiadores.


O afastamento do ministro das Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo. É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas, não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do partido e os dependentes do Estado. Quando oiço o actual ministro das Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore", de desaparecer no cadastro fiscal que eles querem agora tornar devassado, de mudar de país, de regras e de gente.
Há anos que vimos assistindo, num crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que, paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi desmantelando as linhas férreas e o futuro do transporte ferroviário, os mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução mágica um mapa de Portugal rasgado de TGV de norte a sul. Mas a prova de que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo, a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as explicações fornecidas. E, enquanto o único percurso que é economicamente incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global, propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou Faro a Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).
Quanto ao aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos. Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil, desnecessário e prejudicial aos utentes do aeroporto de Lisboa. E, como o embuste já estava a ficar demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos realizar os estudos.
Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e resulta de simples senso comum:
- basta olhar para o céu e comparar com outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões, mas por maiores aviões;
- em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as "low cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda quererão pagar as da Ota;
- porque a Portela não está saturada, aí têm sido gastos rios de dinheiro nos últimos anos e, mesmo agora, anuncia-se, com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de euros, a título de "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não é feita;
- os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto;
- a deslocação do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto.
O negócio do aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar negócios particulares outorgados pelo Estado.
A Ota e o TGV, que fizeram cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor. Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse "desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam ocupação ou justificação futura. Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro, transformados em desertos de betão e num encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que acreditemos que é tudo a bem da nação?
Não, já não dá para acreditar. O pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída. Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus interesses, a defender o seu lobby ou a sua corporação, o seu direito a 60 dias de férias, a reformar-se aos 50 anos ou a sacar do Estado consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões. E os idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo isto. Chega, é demais!

Miguel Sousa Tavares

Publicado por jpt às 07:13 PM

Portugal. Ainda?
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Publicado por jpt às 06:10 AM | Comentários (2)

Portugal. Anos sem aumentos nos livros. E estes mais muitos. Uma muito boa onda.

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Publicado por jpt às 06:01 AM

Portugal. Quixote bibelot. Foda-se.

Publicado por jpt às 05:50 AM