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Ma-Schamba: Música Moçambique Arquivos

maio 05, 2006

Makwayela

Na anterior entrada referi João Soeiro de Carvalho, professor da Universidade Nova de Lisboa. Tive o prazer de o conhecer aqui em Maputo, há já 8 anos. Por ocasião da apresentação aqui deste seu belissimo (e sério) trabalho,

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"Makwayela. Moçambique" (Comissão Descobrimentos [CNCDP] / Expo-98 - Pavilhão de Portugal/ Tradisom; 1998), a recolha e gravação de 17 canções, dos grupos Makwayela Riya Ndlheve Muyingiseti (5 canções: Satana, Atiku Dzezu, Davula Mananga, Psinuyane, Hi Mani Leyi a Psitiwaka), Makwayela Confiança (5: Watsongwani Wa Masiku Lawa, Hé Nwina Masungukate, A Mahanyele, Tindjombo, Tiwoneleni Ka Maputso), Makwayela LAM (2: Wana Wa Moçambique, Ghogo Mandela), Makwayela TPM (5: Satana, Famba Teresa, A Hi Tiwoneleni A Wayiwi, Tatana Wa Watsongwana, Xitimela Ka Manhiça). Algo único no trabalho que as instituições culturais portuguesas faziam/patrocinavam em Moçambique nessa década de "vacas gordas". E que foi inserido num conjunto absolutamente fabuloso: "A Viagem dos Sons", uma caixa de 12 discos de recolha musical.

Recomendável, se encontrável. Obrigatório. Não sei se o "Makwayela Moçambique" se vendia sozinho e se não estará esgotado. Mas será de procurar.

Publicado por jpt às 03:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 29, 2005

Ghorwane

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"Vana Va Ndota" é o novo disco dos Ghorwane [o site está muito desactualizado, algo a cuidar em momento de lançamento], o seu quarto depois de "Majurugenta" (1991), "Não é preciso empurrar" (1994), "Kudumba" (1996).

O espectáculo de apresentação, na quase-madrugada de sábado passado, funcionou bem, ainda que para público fiel - sempre vi Ghorwane como o grupo da cidade, a gerar uma identificação talvez geracional talvez algo mais. Mas incompreendendo-lhes as letras das canções, satíricas, afiançam-me os extractos que me vão interpretando no "ao vivo", nada mais posso deduzir sobre isso.

O disco está bom, bem produzido e - fundamental - com bom som, algo fundamental para o que me parece perfeitamente plausível, a sua exportação. Qualidade e coisa própria tem (e Chitsonzo tem uma voz algo peculiar). Mas num mercado tão competitivo sem essa qualidade técnica seria impossível. Assim a prometer andar. Com o grupo ao lado, espero.

Copio o texto incluso (porque não estão as letras das canções? Adenda: porque a editora internacional assim o exigiu), de Filimone Meigos:

"Vana Va Ndota

Nascidos do "amor que há entre Deus e o Diabo" "os Bons Rapazes" [JPT: por alguma razão que desconheço é o epíteto do grupo. Adenda: terá sido o presidente da república, S. Machel a assim intitulá-los] presenteiam-nos com os "filhos da importância" [o título do disco]: Vana Va Ndota fecha a trilogia emparceirando com Majurugenta e Kudumba. Cá está a dança, a perseverança, o desafio, a auto estima e a sombra do papel tutelar da figura do pai de mãos dadas cantando essa contradição e mudança de velocidade que representam: uns dias são melhores, outros piores. Uma vezes devagar, outras assim-assim, e outras devagarinho. (...)

Nota-se a "medula musical" que lhes é característica, ao mesmo que tempo que divisamos a inovação na abordagem polirrítmica, sempre na mesma tentativa: a irreverência, a rapsódia e a paródia, qual sociologia musical do nosso quotidiano, sonho e realidade que acontecem todos os dias neste país..."

O disco é dedicado à memória de Zeca Alage e de Pedro Langa dois dos músicos do grupo que foram assassinados, dramas que também vão constituindo esta já lenda urbana de Maputo, Ghorwane.

Nota: Sobre as atribulações iniciais no espectáculo de apresentação, para as quais a minha idade já não permite nenhuma paciência, já o Domingo bula-bulou tudo.

(Se calhar preciso de aprender a colocar música no blog. Agora fazia jeito)

Publicado por jpt às 10:37 AM | Comentários (6) | TrackBack

maio 13, 2005

Dar Voz às Vozes

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Amâncio Miguel, Marrabentar. Vozes de Moçambique, Marimbique

Foi o Passada que avisou estar o "Marrabentar" pronto, e já à venda. Mais de sessenta pequenas entrevistas ou notas biográficas com cantores moçambicanos, compiladas e em grande parte realizadas por Amâncio Miguel. Um belo dar voz às vozes. E fica documento.

A ser lançado daqui a bocado, no fim da tarde, no Café-África.

Publicado por jpt às 05:16 PM | Comentários (1)

dezembro 08, 2004

Marrabentando

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Soube-o atrasado, foi agora aqui apresentado o documentário "Marrabentando. As Histórias que a Minha Guitarra Canta", da autoria de Karen Boswall. Ancorado em duas histórias de vida, as dos músicos António Marcos e Dilon Djindji.

Lamentavelmente não tive conhecimento das projecções, primeiro no Gwaza Muthini em Marracuene, depois no Círculo na Mafalala, e ontem no obrigatório Franco-Moçambicano - muito boa onda, até nem subliminar, isto de não estrear o filme no cimento chic. Fica-se à espera do DVD, ou de uma futura projecção, para poder captar alguns percursos deste estilo. E expectante se o filme trará pistas para a polémica nacional sobre o estatuto da marrabenta, e seus efeitos na produção e recepção da música.

Publicado por jpt às 12:55 PM | Comentários (3)

novembro 23, 2004

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Publicado por jpt às 08:45 PM

novembro 02, 2004

CD póstumo de Gito Baloi

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Edição póstuma de CD Sweet Thor, de Gito Baloi com Nibs van der Spuy (Greenhouse/ Sheer).

A esperar que o disco chegue ao Moçambique natal de Baloi.

Publicado por jpt às 12:25 AM

fevereiro 20, 2004

Gilberto Gil

Há alguns meses Gilberto Gil esteve aqui com o presidente Lula. Esteve, totalmente informal, no Café com Letras onde Naguib e Stewart Sukuma organizaram uma bela noite para ele (e para nós todos).

Nessa noite Eduardo White leu um extraordinário poema escrito para ali, nada encomiástico. E orgulhou! Nessa noite Cabaço, Salimo, Stewart, Chitzondzo (?, olhem, não estou certo) e outros cantaram um pouco, ali para mostrar. Nós todos gostámos. No fim Gilberto Gil cantou umas quatro músicas, e aqueceu. E todos nós gostámos. Depois prometeu que viria cá "com mais tempo" em Março. Cantar mais.

Não mais se ouviu falar disso. Está-se à espera. Se vier talvez chegue mais triste ou "desencantado":http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/2004/02/momento_brasil__5.html dessas coisas de ministro. Não terá razões para tal.

Pois não há nada de novo neste mundo.

"Same old scene" era uma música romântica quando eu era novo.

Publicado por jpt às 07:37 AM

dezembro 30, 2003

Escolhas do fim de ano II

[fui adolescente nos anos 70. Lá onde era isso significava ler, também, a Rock&Folk. E foi nela, estou certo, que li e reli aquela frase de um jornalista americano, dita bem nos inícios da década e depois célebre. Qualquer coisa como “eu vi o futuro do rock n’roll e chama-se Bruce Springstein”. Agora que passou tanto tempo que o Springstein é já o passado do rock n’roll, ou se calhar é mesmo o rock que é o passado, houve uma noite em que me lembrei dela, que raio de memória, atafulhada de pequenos, esconsos (insignificantes) detalhes. Foi a...]

21 de Agosto, Café com Letras - e este é também uma boa escolha, hoje o bar do Naguib é o mais bonito de Maputo, ainda por cima com a Catembe fronteira a ajudar (Ka Tembe, um nome para o bar que falta do outro lado).

Jazz, o grupo de Celso Paco. Convidado Sérgio, um marimbeiro jovem. Durante algum tempo, três trechos lembro, apenas o baixo a marcar, como lhe era pedido, a bateria de um Celso cadenciado, excelente a saber não ser exuberante, a provocarem uma enorme e suave tensão, e a marimba do Sérgio a soltar-se, mas solta num diálogo muito ritmado, compassado, insistente, bem afirmativo do trio tenso, num som compacto.

Excelente. Mais do que excelente. O melhor que já ouvi em Moçambique. Ainda que soasse a esquiço, ou talvez por isso mesmo. Estava ali um caminho muito original. E, aleluia, sem quaiquer preocupações, dessas que por aqui ainda subsistem, das essências musicais, da tradição, da moçambicanidade, apesar da marimba estar lá.

[tensão tanta que todas as conversas interrompidas, e o nosso grupo estava muito animado, a despedir umas patrícias aqui há muito professoras. Um velho à mesa a dizer “eh pá, isto é muito ECM!”, ok, ok, dá para ilustrar o texto ainda que seja falso.]

Fantástico e, claro, “eu vi o futuro da música moçambicana, e chama-se...”. Vou-lhes dizer isso, mas agradecem entre sorrisos enquanto desiludem, que não estão a pensar avançar muito naquilo, foi só para brincar naquele dia.

Ah, conhecesse eu algum produtor musical!

Publicado por jpt às 04:43 PM