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Ma-Schamba: Livros em Moçambique Arquivos

maio 06, 2006

Carlos Alberto

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Deste "Recordações de Lourenço Marques", livro de fotografias de Carlos Alberto Vieira (Lisboa, Alêtheia, 2005) sobre a Lourenço Marques colonial (imagens recolhidas entre 1945-1975), já o Eduardo Pitta disse de sua justiça. Um álbum pobremente editado. (Convém mesmo ler o texto de EP). Apenas sublinho o penoso que é ler o seu preâmbulo, redacção chorosa que desmerece o património fotográfico que se lhe sucede.

Ainda assim o livro chegou às livrarias, está aí à venda, e justifica-se. Uma memória da cidade e de um grande fotógrafo. A Lourenço Marques branca ali deixada. E, assim, também memória de um olhar. Delimitado e delimitador. Coisa do seu tempo? Decerto, mas se então total espartilho do fotógrafo se hoje dos actuais organizadores, apenas "recordando", não o sei.

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Em 167 páginas (as fotografias não estão nem datadas nem numeradas) realça-se a total ausência da outra Lourenço Marques, a não-branca. Do "todo o resto", como se então insignificante, sobra esta (pobre) fotografia e uma vista aérea de um trecho de caniço. Mas também muito pouco surge para além do registo do centro típico, paisagístico, monumental. Ou seja, a cidade-burguesa, o cerimonial oficial, o cartaz turístico/identitário, muito "aqui também é Portugal" - tudo isso é interessante, muito interessante mesmo, fundamental para quem quer conhecer ou recordar. Mas terá sido só isso que Carlos Alberto recolheu na cidade? Onde andarão fotos de Malhangalene ou Alto-Maé, p.ex.? Pois assim a sociedade branca (e o seu urbanismo) está também ausente do livro - é uma recorrente cosmética, a sociedade colonial como se homogénea: o idílico colono, em tons "africanos", desprovido de conflitos, hierarquias e diferenças. Elucidativo da lente. Repito, se de então se de hoje fico na dúvida. Esta causada pelos estreitos critérios de selecção de fotografias e/ou por inexistência de texto explicitando que critérios assumidos e enquadrador, tanto da obra do fotógrafo como da agora selecção realizada.


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maio 05, 2006

Crónica da Rua 513.2

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[João Paulo Borges Coelho, Crónica da Rua 513.2, Ndjira, 2006]

Já aí está, em surdina nas livrarias*, o novo livro de João Paulo Borges Coelho. A ser cerimoniado lá para meados do mês mas já à venda. Em Portugal a edição Caminho será lançada hoje e para a semana (cidades diferentes). Uma crónica de rua, esta microcosmos do país desde a partida dos portugueses aos dias de hoje. Uma rua "entre o mar e o mato" (seria um belo nome, acho eu) onde se vão cruzando velhos e novos habitantes, um rosário de personagens a mostrarem o país que se foi fazendo. Vivendo, sempre, com o passado ao lado.

*Nota: O mercado livreiro aqui é pequeno, as edições curtas. Mas confesso que me surpreendem as práticas de venda dos livros. JPBC ganhou o prémio José Craveirinha de Literatura, O prémio literário moçambicano atribuído pela Associação de Escritores Moçambicanos e pela Hidroeléctrica de Cahora-Bassa. Foi-lhe atribuído pelo livro "As Visitas do Doutor Valdez". Quem lê o que vai saindo não se terá surpreendido com a atribuição. O prémio foi atribuído e o livro estava esgotado. Assim continua. A editora não edita, os livreiros não encomendam. Os livreiros nem uma fotocópia do jornal com a notícia colocam junto aos livros existentes do autor. Nem sequer o realçam nos escaparates (tipo "O vencedor do prémio ..."). Perde visibilidade o autor e os seus livros. Perde visibilidade o prémio e a Associação de Escritores que o organiza. Perde visibilidade o mecenas HCB. Perdem os livreiros que não despacham os armazéns (nem que sejam 20 ou 30 livros, isso seria 5% da edição local). Perdem os editores que idem.

Para o ano outro prémio, muito provavelmente, diz quem lê o que vai saindo, para Ungulani Ba Ka Khosa - ou para outro qualquer escritor. Vão livreiros e editores continuar a "dormir na forma"? E a dizer que se vende pouco? Eu já nem falo de livros, mas se fosse o mecenas muito me irritaria. Ou pelo menos perguntar-me-ia "para quê"?

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abril 28, 2006

Maputografia

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[António Sopa, Bartolomeu Rungo, Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade, Centro de Estudos Brasileiros, 2006, 56 pps.]

Surpresa, a edição deste interessantíssimo livro (a muito contrastar com o habitual desprendimento de um dos autores num "tenho aqui um "folheto" para si"!!!) que julgo ainda não distribuído. O livro é fruto do trabalho realizado no ano passado, então destinado às exposições "Xilunguine, as origens da cidade" e "Percurso histórico da cidade de Maputo". Vasta iconografia, percorrendo as origens da povoação, passando pelo seu traçar colonial, até, e aqui muito se saúda, ao desenvolvimento do além-cimento. A cidade mesmo, sem os espartilhos conceptuais de outras abordagens iconográficas.

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(c. 1880)

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(1960-70)

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(1996)

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abril 24, 2006

O Regresso dos Soldados

"I spent the years 1922-7 mostly among men a little older than myself who had been through the war. They talked about it unceasingly, with horror, of course, but also with a steadily growing nostalgia."

[George Orwell, "My Country Right or Left", In Defence of English Cooking, 2005, p.4]

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[Ricardo Marques, Moçambique. O Regresso dos Soldados, D. Quixote, 2005]

Ricardo Marques é um jornalista do Correio de Manhã, de Lisboa. Neste livro narra a sua viagem a Moçambique como acompanhante-cronista de um pequeno grupo de antigos soldados da guerra colonial/de libertação (que o nome varia conforme quem lê), um grupo heterógeneo - há notícias de outras visitas de grupos nascidos na própria guerra, antigas companhias ou regimentos. É um do Maputo ao Rovuma, melhor dizendo, do Maputo a Mueda, então palco-mor de guerra. Nele se revive o corolário da nostalgia desses antigos soldados, hoje (quase)reformados, na sua esmagadora maioria regressando pela primeira vez onde combateram na juventude. A resolução de algo que faltava, o uma vez mais, o reviver onde tiveram o medo. Talvez por isso mesmo a longa urgência desta mais uma vez, repassar onde se passara amarfanhado. Mas onde também ganharam afecto à terra, às pessoas. Essas contradições que fazem rica a vida. Para estes quase-velhos é, nota-se, uma necessidade o regresso, a visita. Uma última vez, explicitamente para muitos, implicitamente para quase todos.

Mas o livro é também a memória das impressões de então cruzada com as de hoje, tornando-o assim pequeno documento para entender a visão que os soldados tinham, e iam criando, do Moçambique onde guerreavam. E de como essa imagem se foi transformando até ao hoje.

Torna-o também interessante uma prosa seca, com a vantagem de procurar fugir a moralizações, saudosismos, exotismos, turistismos. Vai vendo e ouvindo os velhos soldados, transmite-nos o que eles viram e vêm aqui. Depois tem piada encontrar velhos conhecidos por entre o livro, o padre Lopes na ilha, ainda a falar da maldita (e horrorosa) estátua do Camões, o Simões (que se irritaria se lesse o livro), o lendário Santos de Mueda, símbolo do tasqueiro português, que vim a apanhar no Encontro e na Tasca de Pemba, agora algures em Nacala, entre outros. E assuntos que fazem a história actual, como o omnipresente boato do pagamento de pensões aos ex-soldados do exército português, coisa que durou para aí uma década e que exigiria um livro, sobre expectativas criadas e também sobre a extraordinária capacidade de reprodução de boatos.

Que, no fim, é um bocado superficial sobre Moçambique? Reproduzindo acriticamente algumas ideias-feitas, "a saudade de Portugal", a excelência do português sobre os dialectos? É, mas é o registo de uma viagem, uma romaria de saudade que é também catarse. Não pretende ser mais nada. Se não se for mais exigente lê-se com muito prazer. E toma-se até como fonte. Confesso que logo de início torci o nariz, o pressuposto logo ali espalhado, quase me levou a largar o livro. Apenas a gargalhada me levou a continuar, e ainda bem. Narra R. Marques (p. 42) que ele e o grupo foram abordados em busca de "ajuda": ""Lembram-se de mim?", pergunta o sujeito, de bolsa na mão. "Não", respondem os portugueses. Compreende-se, afinal está à civil. Mas o homem trabalha no aeroporto, no controlo alfandegário e, conta, "facilitou a entrada do grupo no país" há escassas quatro horas. Agora saíu do serviço. Mas não se esqueceu. "Será que me pode dar uma ajuda?". Não é corrupção, nem é esmola..."

O que me ri, apanharam com esta conhecidissima personagem de Maputo, sempre bem-posto, simpático, esfuziante, a apanhar os portugueses saídos do avião, sempre com a mesma história. E tantos são os anos passados que bom rendimento deve ter, ali em "ajudas" dadas pelos incautos. Folclore puro e simples, o homem devia até ser considerado atracção turística. Tomaram-no a sério, surge como imagem do estado do país. Não é, é um tipo do conto do vigário, universal. Pacífico, diga-se.

Criticável? Nada, Marques e os outros passaram e viram. Lido sem criticismos absurdos o livro é bem interessante. E, particularmente, para os velhos soldados.

Há outra coisa não tanto sobre o livro mas sobre estas viagens que se vão fazendo usuais. Aqui narra-se uma viagem em finais de 2003, por altura das eleições municipais. E faz-me lembrar o certo frisson que, diz-se, existiu no ano seguinte por alturas das eleições presidenciais e legislativas. A causa foi exactamente a série de viagens de velhos soldados nessa época. Talvez seja mero boato mas então constou que a chegada de vários grupos de excursionistas causou a impressão de movimento militar, porventura apoiante de um dos partidos em compita, e que tal teria até levantado problemas na atribuição de vistos. Repito, talvez seja apenas boato (outro), mas significa também o peso simbólico que estas viagens têm ainda. Em ambos os lados de então. Se tiver sido verdade bastaria ler um livro assim, ver as fotos, para o desengano. Memórias vivas. E, surpreendentemente (?), fraternais. Apesar da guerra que fizeram? Por causa da guerra que fizeram.

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abril 18, 2006

Últimas Publicações

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[Assane Sufiane, Troca de Dívida por Activos: o exemplo da dívida de Moçambique a Portugal, Lisboa, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, 2006]

Edição de uma interessante (e bem fundamentada) tese de mestrado em Cooperação e Desenvolvimento e Cooperação Internacional, no ISEG (Lisboa), um trecho da história contemporânea das relações entre Portugal e Moçambique mas também algo denotativo das complexas relações económicas Norte-Sul. E interessante, também, para quem queira entender algo dos constrangimentos político-institucionais hoje existentes e, portanto, também a origem do jargão dominante. A ler.

"Assane Sufiane conta a história de uma dívida mal parada no montante de 83,5 milhões de USD, resultante da garantia do Estado português ao financiamento bancário das exportações de empresas privadas portuguesas para Moçambique realizadas nos anos 80 e início dos anos 90. Com o intuito de recuperar pelo menos parte desta dívida mal parada, de aliviar a dívida externa moçambicana e de apoiar a internacionalização das empresas portuguesas, com ou sem parceiros moçambicanos ou de países terceiros, Portugal vendeu, entre 1993 e 1999, esta dívida ao preço de "saldo" de 11,7 milhões USD. Assumiu, assim, uma perda de 86% do valor facial da dívida. Por seu lado, as nove empresas que adquiriram a dívida realizaram, nas operações de compra da dívida em Portugal e na valorização dos treze projectos de investimento pelo Banco de Moçambique, ganhos financeiros até 268%. Também o Estado moçambicano realizou ganhos financeiros, na ordem dos 50 a 80%, na conversão da dívida pública em activos privados, poupando, ainda por cima, o seu fundo de divisas. (...)

Seja como for, uma operação de redução de dívida externa de Moçambique, como noutros países pobres altamente endividados não se faria hoje em dia nos moldes acima descritos. Como nos mostra a iniciativa dos credores ao encontro destes países (Highly Indebted Poor Country Iniciative - HIPC) ... a dívida é actualmente largamente perdoada embora sob condição da elaboração e implementação, pelo governo e em colaboração com a sociedade civil, de um Porverty Reduction Strategy Paper - PRSP, em ocorrência o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta ...

O que distingue esta abordagem, ao nível conceptual, é a percepção que nos países pobres altamente endividados o perdão da dívida se tornou conditio sine qua non no combate à pobreza e que os meios financeiros públicos assim libertos têm que ser destinados directamente às políticas visando as populações mais carenciadas, enquanto que na abordagem do debt-for-equity-swap (troca de dívidas por activos) ainda se esperava chegar aos pobres indirectamente, i.e. mais por via da aceleração do crescimento económico baseado no sector empresarial privado. Assim passamos do Washington ao post-Washington consensus ..."

(Jochen Oppenheimer, prefácio, pp. 29-31)

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Já aqui referi o jovem poeta que recentemente se estreou em livro ("Rosas e Lágrimas"). Agora ele cria um blog: Eusébio Sanjane.

[via Pululu]

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março 28, 2006

Prémio José Craveirinha de Literatura

jpbc as visitas do dr valdez.jpg

O prémio literário moçambicano, atribuído pela AEMO, com patrocínio da HCB. Agora atribuído a este livro. Parabéns.

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março 27, 2006

A Escrita de Anton

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Eduardo Pitta deixou uma atenta nota sobre A Escrita de Anton, a obra toda de Carneiro Gonçalves (Quasi, 2005). Que está aí à venda (pelo menos na Escolar Editora) a merecer aquisição. E, já agora, a leitura das 550 páginas.

CarneiroGoncalvesContosLendas.jpg

Como curiosidade, agora mesmo só curiosidade bibliófila, aqui fica o registo do "Contos e Lendas" (Lourenço Marques, Académica, 1975), agora incluído no tomo único.

Adenda:
Como lê valeu a pena.

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setentriao.jpg

Falando de livros, recordando um bom livro do ano passado, "Setentrião" de João Paulo Borges Coelho (Ndjira/Caminho).

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Maputo Blues

MaputoBlues.jpg

Vai-se, descansado e engripado, beber um café em manhã dominical e põe-nos nas mãos, trémulas e até sapudas, o inédito de "Maputo Blues", livro de poemas de Nelson Saúte a editar no próximo Maio (Ndjira, um regresso à editora 10 anos depois). Ler parte, receber no email. E ficar à espera do livro livro.

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março 22, 2006

Crónica da Rua 513.2

No 2+2=5 anúncio da edição em Portugal do novo livro de João Paulo Borges Coelho, Crónica da Rua 513.2 (Editorial Caminho). Crónica de uma rua, micro-cosmos feito país. O rumo da história do Moçambique independente, no entrecruzar das personagens (tipo?). Tenho alguma curiosidade sobre a recepção que o livro terá.

Daqui a alguns meses chegará cá. Quantos? A ver se poucos.

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fevereiro 24, 2006

Culinária Moçambicana

É o Almocreve quem avisa e faz inveja:

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COZINHA MOÇAMBICANA. 1975 - Ano da Independência. Fundo de Turismo. Lourenço Marques. [Empresa Moderna. Lourenço Marques]. 20x20cm. 104 págs. B.

Cesário Abel de Almeida Viana foi o principal compilador deste livro de culinária moçambicana, coadjuvado por muitos outros colaboradores. Desenhos de Alfredo da Conceição. [ 20 € ]

Disponível aqui. Quem me dera. Os custos da distância, é isso.

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fevereiro 22, 2006

Elogio da verdadeira

sabedoria. Sim, livro. E apresentá-lo (conversá-lo) em Moçambique. Estamos à espera. Com vontade (e até pressa).

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fevereiro 19, 2006

Por falar em Knopfli.

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fevereiro 16, 2006

Hoje

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Cristiano Matsinhe, Tabula Rasa. Dinâmica da Resposta Moçambicana ao HIV/SIDA, Maputo, Texto Editores Moçambique, 2005

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fevereiro 15, 2006

Um blog de escritores, 7, de diferentes países: Cidades Crónicas. Por lá (áfnal?) o vizinho Nelson Saúte.

[Via Letteri Café].

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fevereiro 08, 2006

Convite

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Cristiano Matsinhe, Tabula Rasa. Dinâmica da Resposta Moçambicana ao HIV/SIDA, Maputo, Texto Editores Moçambique, 2005

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fevereiro 01, 2006

Um inédito de Heliodoro Baptista

T. S. Eliot The Shadows of Rainbow

(Ao Ricardo Rangel e ao Kok Nam)

1. The formal word exact without vulgarity
A história agora é o Iraque, já que nós, bronzeos,
e a história somos o molde. Na voz do sangue,
há sempre um negro ou cigano de violão azul.

Há um tempo para as estrelas dormirem
e outro para fazerem amor; quer dizer,
copular de olhos acesos ou já mortiços.

E inútil esbracejar ante os verdugos.
Diriam: espera assim, vergastado, pois virá
a escuridão. Teremos luz, o vinho, a dança, a orgia,
porque, sabes, os cavalos também se abatem. E as flores!
(Não é cada poema o caixão, o epitáfio, o ilegível mármore?)

2. Temos, há muito, sibilas, na boca e na garganta índicas.
Angoche ou Zavala são só luzes fixas pela "Nikon"?!
Temos a perturbação no vórtice das aves, na plena
rotação de iluminações luarentas; e há veios raivosos
de conversas cerca das gazelas e da pose eterna das garças.
Há rostos no oculto e este cheira a crime, a incursão
de uma balada de tiros, com odor perfeito, único,
do espumoso aberto às nossas 24 horas. Mas é do lar
da amizade ou da submissão? As praias e as reservas
devoram turistas e seus iates, aviões a jacto (ou, poeta,
da jactância?), pela agitação de tanto cascalho marinho.

And do not think of the fruit of action

3. É inútil esbracejar, se hispar a artéria do jazz
de um encenado morremorrer na Julius Nyerere
ou nos pês-agás da Coop. Ei-lo, o grito de Átila!
E ele tem alvos; não cessa o que, ímpio, enlameia
esta tecla (secas, fome; dilúvios, miséria!) de Dali,
de três metros suficientes para um poeta dizê-lo:
"Temos a cama franca, a mulher, útil paixão!"

Into another intensity; o fim é sempre evolução.

(Dezembro 2005)

[publicado no Savana, 6.1.06]

Aqui transcrito em especial para o À Sombra dos Palmares, o Fazendo Caminho e o Insónia.

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Finalmente

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Está à venda a edição moçambicana (Ndjira) do "Meridião" de João Paulo Borges Coelho. Leitores daqui, é comprar e ler.

Como sei que o homem não vem aqui, um exo-bloguista chamemos-lhe assim, deixo uma curta opinião. Não gosto lá muito do primeiro conto ("Implicações de um Naufrágio"), a comicidade não me seduz. Recomendo os seguintes quatro contos - são contos longos, atravessando-se a novelas. Eu deixo-me encantar, mas há o chuto rápido do conto que aqui não existe. A cada um o seu estilo, no entanto. E acho "Os Sapatos Novos de Josefate Ngwetana" um monumento. Moçambique ali. E se calhar bem mais.

Para além disso há a capa. Science-Fiction (Druillet, Valerian, foi o de que me lembrei) anos 60/70? assim de repente ... ou coisa parecida. Acho feia. Além de que, e isto tem a ver com a editora, bem que podiam desetnicizar o raio das capas dos escritores africanos. Tenho comprado uns livros de autores americanos que não vêm com máscaras índias e uns ingleses que não têm duendes nem o Merlin, e os franceses não carregam as trombas dos celtas. Além de que o Saramago não é capeado com as antas e menires do Leite de Vasconcelos. Tiques. Saudosismos. Modos de ver.

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janeiro 27, 2006

Pequenas fraquezas

Ter que ir à Ilha para poder conhecer (nem é ter, apenas ver ...) este Viagem - Ilha de Moçambique foi coisa amarga. Apesar de lá.

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Dizer-te que a Ilha continua linda?

Pouco tenho para alinhavar
Dizer-te que estou longe
não apaga esta ausência que,
inelutavelmente,
nos distanciou.

Cercam-nos muros de silêncio
opresso.
A própria hera não ousa
na despudorada nudez branca
de paredes que interditam

a fantasia ao forasteiro
voraz.
O gesto tolhido
o pretexto adiado
e a memória a estiolar

(Eduardo Pitta, incluído em Viagem - Ilha de Moçambique, Porto, Lugar do Desenho, 2004)

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janeiro 15, 2006

(Mais) Heliodoro Baptista

O Henrique Fialho regressa, e bem, ao Heliodoro Baptista.

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janeiro 12, 2006

Nos Joelhos do Silêncio

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A publicação deste "Nos Joelhos do Silêncio" de Heliodoro Baptista (Caminho, 2005) passou algo despercebida aqui em Maputo. Talvez não na Beira, a cidade do poeta, onde o livro contou com lançamento público, mas não me constou nada de semelhante na capital. Também algum silêncio mediático, vi publicado no Savana o texto de Adelino Timóteo, que constou do referido lançamento, e uma crónica muito elogiosa de Luís Carlos Patraquim (com cujas crónicas semanais tenho muitas dificuldades, por vezes até de entendimento, contrariamente ao correr da sua poesia). Talvez algo mais tenha sido ecoado, mas parece pouco para um novo livro, tantos anos depois, de um poeta (e personagem) aqui importante como HB, esse que veste os modos de poeta maldito e lenda beirense, ancorado no "Recordo o tanto mal que me fizeram / como se bebesse um misterioso vinho / Até à última gota da garrafa." [p. 78]

Certo é que o livro também não brotou. Nunca o vi nas livrarias (o meu foi comprado em Lisboa) e duvido até que tenha merecido edição local (Ndjra, a filial moçambicana da Caminho). Presumo que apenas tenha sido editado em Portugal, mera presunção. Mas se errada então a edição local foi em tão diminuta quantidade que não ultrapassou o boca-em-boca.

Eu confesso os meus problemas com a poesia de HB. Já com o

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[Por Cima de Toda a Folha, AEMO, 1987] e com o

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[A Filha de Thandi, AEMO, 1991]

a distância notou-se-me. Neste livro que colecta poemas de décadas repete-se.

Talvez seja eu por demais sensível ao veneno desse que se diz "A língua bifurcada da cobra / de duas cabeças; esse sou eu." [p. 17]. Talvez me custe o constante diagnóstico de um tempo longo em que "...as aves já não cantam, tossem" [p.18], constante opinião que é mesmo "Registo Anistórico" ("África se entorta-se / e o ditador coça-se") [p. 50]. Talvez não seja eu deste seu mundo, onde "É de vidas que se fala aqui / e, sobretudo, de destroços humanos, / do que restou de todos nós." [p. 76]. Talvez não tenha eu a mesma moral, não me chocando tanto com a "Improvável ficção / de uma terra; um país onde até o sonho / é comprado na economia programada / dos prolíferos dumba-nengues" [p. 77], talvez não ache obrigação aos "Malangatana Ngwenha" deste mundo o "Esgrime, na defesa e no ataque, os pincéis / do teu génio e junta, na tua aringa já cercada / ... todos os outros para a festa". Sim, talvez que todo o incómodo ou, sendo franco, o des-gosto com os textos de HB seja o de eu ser de outro mundo e de lá não entrar. Talvez isso. Mas também talvez a forma. Que o conteúdo não é tudo - nem no que olhamos como documento.

E como não o sei aqui deixo deixo um belo texto, bastante elogioso, que no Insónia foi dedicado a este livro. E também uma crítica de Pires Laranjeira (Jornal de Letras, 918, 7.12.2006; tem um pequeno erro, este é não o 2º, como aí é referido, mas o 3º livro de poesia do autor), de sinal um pouco diferente, e onde me encontro mais.


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janeiro 10, 2006

Meridião (mais)

Abaixo referi a invisibilidade em Portugal do "Meridião", recente livro de contos de João Paulo Borges Coelho. E também a absurda ausência do livro em Moçambique. Confesso que não percebo tantos meses para mandar uns livros para Maputo e desalfandegá-los. E conheço bem as poucas livrarias de Maputo, sei-lhes as prateleiras e o que vai sendo vendido, e no Natal à vista desarmada. E, neste caso, o que não vai sendo vendido.

O Miguel, que persegue a literatura moçambicana e que há anos a vem divulgando no criterioso À Sombra dos Palmares, sendo portanto conhecedor, apaixonado, coleccionador (um Amador, no velho sentido da palavra), e que agora blogou excerto deste livro, veio comentar, reforçando o meu texto sobre o assunto (enquanto promete colocar mais excertos). Diz ele:

"incrível. não encontrei o livro nas grandes lojas, mas apenas numa feira do livro. suponho que a razão é porque a feira é organizada pela distribuidora da Caminho. ou qualquer coisa deste género."

Assim reforçando a ideia da relativa invisibilidade de um livro lançado há dois ou três meses, pois se até ele não o encontrava... O autor vai sendo referido nos jornais de mais dimensão, vi recensões, críticas e entrevistas no Expresso, Público e JL. Mas de que serve se os livros não estão, não procuram leitores/compradores? Mais, por lá vou ouvindo histórias de gente em Portugal que procura os livros e não os encontra (amigos a quem publicito, insistentemente, e não só via blog).

O mercado livreiro é isto? Talvez. Mas ao mesmo tempo surpreende-me. Vejo escritores africanos (não estou a falar de "literatura africana", que isso de catalogação e classificação são outras coisas) nos escaparates, realçados. Muito Manuel Rui (Cotovia), muitissimo Mia Couto (vá lá! E da Caminho, portanto eles sabem como), Pepetela (D. Quixote?), mas não Ruy Duarte de Carvalho, o que é um absurdo, este é mesmo enorme (devem estar à espera do Camões para o promover mesmo a sério. Já agora, dêem-lhe o Camões, porra! e para quem me venha com discordâncias fico-me no mais-que-mínimo "terá ele menos mérito do que Pepetela?"). Até Agualusa abunda, às vistas e nas vendas, presumo. A própria Caminho, realçando o seu savoir faire, avança o jovem angolano Ondjaki (uma prosa simpática, sim senhor), que se vê, o bastante suficiente para as minhas curtas visitas o alcançarem. Ou seja, há mercado para escritores em português.

Daí que me surpreende o cinzentismo da exposição do JPBC. Não deixo de mais citar o comentário do Miguel: "o JPBC é um escritor tão extraordinário, que me admira como há tão pouca gente a dar por isso.". Pois, assim torna-se difícil.

Poderia terminar com a costumeira declaração de interesses, eu sou muito amigo do autor. E claro que a verdadeira amizade acaba por obliterar a crítica (venha o Diabo e negue-o). Mas acho mesmo que para além de bom amigo é bom escritor: o "As Duas Sombras do Rio", o seu primeiro, esse que especialistas dizem não tão bom como os que se lhe seguiram, é o que/como eu gostaria de ser capaz de escrever (já que só em miúdo poderei ter sonhado escrever um "debaixo do vulcão" qualquer).

Se acham que estou a "amigar" comprem-no. Isto é, se o encontrarem ...

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Meridião

No À Sombra dos Palmares registo do Meridião - Índicos Indícios II de João Paulo Borges Coelho.

Em Portugal procurei em duas Fnacs e duas Bertrands. Nada, nem em escaparate, nem em prateleira, nem em arquivo de computador. O livro saíu "para o Natal". Numa Bertrand lá saquei, como prenda, um único exemplar do "Setentrião". A Caminho a falhar, ou pelo menos a Caminho a falhar um bocadinho.

Em Moçambique o livro ainda não chegou. Ainda que tenha saído "para o Natal". A Ndjira a afogar, ou pelo menos a afogar um bocadinho.

Ao menos há blogs.

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dezembro 23, 2005

In extremis.

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dezembro 20, 2005

A Morte de João Reis

Pinto Lobo, leitor amigo do Ma-Schamba, envia-me nota biográfica de João Reis (o cujo aqui referi), escritor, editor, jornalista, personagem de referência na vida cultural moçambicana, muito recentemente falecido. Ei-la:


João Salva‑Rey, pseudónimo literário de João Correia dos Reis, natural de Lisboa, fixado em Moçambique, Lourenço Marques, desde Janeiro de 1937 até finais de Dezembro de 1975. Na capital moçambicana concluiu os estudos secundários, e iniciou curso universitário, cuja licenciatura acabaria em Lisboa (F.L.L.). Foi docente do ensino técnico, e mais tarde Administrador da Imprensa Nacional de Moçambique onde inaugurou uma Livraria pública para coincidir com o lançamento do Livro também de sua responsabilidade e autoria, Datas e Documentos da História da Frelimo.

Iniciou‑se no jornalismo (desportivo) no jornal "Eco dos Sports", passou depois a repórter, e, sucessivamente, a redactor desportivo, crítico de teatro e de cinema, redactor e chefe de redacção do Jornal Guardian, além de colaboração vária em outros jornais e revistas. Organizou (em duas sessões) um sarau de poesia por ocasião das Festas da Cidade (de L. Marques) em 1959, do qual sairia também, por sua iniciativa, e edição da Poliarte (da qual era sócio) um disco "Poetas de Moçambique", com a inclusão de Reinaldo Ferreira, José Craveirinha, Rui Knopfli e Rui Nogar. Organizou, com Reinaldo Ferreira e Antero Sobral e outros, o Círculo de Iniciação Teatral de L. Marques. Único fundador, e único proprietário do diário A Tribuna, em 1962, para o qual reuniu colaboradores como José Craveirinha, Rui Knopfli (de quem editou o "Reino Submarino"), Eugénio Lisboa, Orlando Mendes, Adrião Rodrigues, Luiz Bernardo Honwana (de quem editou o livro "Nós matámos o cão tinhoso"), Mário Sampaio, Domingos de Azevedo, Rui Martins, Rui Nogar, Teresa Sá Nogueira, F. Carneiro, e outros - jornal de que voluntariamente abdicou por interferências estranhas à orientação política até então seguida. Preso pela PIDE em 1964. Funda, igualmente sozinho, o semanário O Jornal, em 1966, que se extinguiria em 1975. Responsável pela 2.ª edição, autoria do prefácio e posfácio da obra de etnologia "Usos e Costumes dos Bantus" do Prof. H. Junod (1975). De regresso a Portugal, ingressou no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, e depois na Faculdade de Letras de Lisboa, onde desempenhou funções de assistente de História (1978/1987). Em Macau desde 1988, onde foi igualmente assistente universitário e colaborador de jornais, da Revista do Instituto Cultural de Macau, e da Revista Macau. Editor da Colecção Cultura Portuguesa do Mar (da Mar-Oceano Lda). Regressou a Lisboa em 2004.

Obras & Artigos Publicados:

- Kufemba (1ª ed.) – Lourenço Marques – 1972
- Kufemba (2ª ed.) – Lourenço Marques – 1974
- A Saga Otomana – Lourenço Marques – 1974
- Datas e Documentos da História da Frelimo – Maputo – 1975
- Kufemba (3ª ed.) – Lisboa – 1977
- Alimentação e Saúde do Atleta – Lisboa – 1983
- A Empresa da Conquista do Monomotapa – Lisboa – 1985
- Desporto Alimentação e Saúde – Lisboa – 1988
- Polémicas de Eça de Queiróz (5 vol.) – Lisboa – 1986/1988
- Trovas Macaenses – Macau – 1991
- Introdução à História da Literatura da China – Macau – 1991
- Memória das Armadas da Índia – Macau – 1991
- Fortalezas Portuguesas do Oriente – Macau – não publicado
- As Igrejas portuguesas do Extremo Oriente (não publicado)
- O Livro de Tao – Macau – 1997 (mais três edições)
- Os 81 Capitulos de Lao Zi – Macau - 2004
- Um Macaense de Trás os Montes 3 Vol. Macau 2004
(Joaquim Morais Alves)

Na Revista do Instituto Cultural

-Ensaio sobre Malangatana Ngoenha e a sua Pintura (1996)
-Manuel Godinho de Erédia e a Descoberta da Austrália (1997)
- O Livro de Lao Zi (1999)

Na Revista Macau

- Macau e o Tratado de Tordesilhas (1998)
- A História do Victor (Marreiros)

Colaboração diversa em jornais de Macau

- Kufemba – 4a Edição – Maputo 2005 (no prelo)

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dezembro 11, 2005

Arquitectura em Moçambique

A Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da UEM (uma ligação passa a estar colocado na coluna de elos) tem estado muito activa quanto a publicações, as cujas espero aqui indicar em breve. Nesse seu seu sítio informático a FAPF tem notícia, algo desactualizada, das suas edições.

Como exemplo significativo do muito que tem vindo a ser publicado pode-se ver no Forever Pemba em entradas (incorrectamente) denominadas "A Pemba do Júlio Carrilho" notícia bem detalhada e ilustrada de "Pemba. As duas cidades" de autoria de Sandro Bruschi, Júlio Carrilho e Luis Lage (FAPF, 2005).

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dezembro 10, 2005

Feiosa Mimosa

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Lançamento do livro infantil "Feiosa Mimosa", de Janaína Melo e João Melo (publicado pela editora Papiro). No Instituto Camões, próxima quarta-feira, 14 de Dezembro, às 17.30.

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novembro 29, 2005

Mais Knopfli.

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novembro 27, 2005

Hoje há Knopfli no sempre visitável À Sombra dos Palmares.

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outubro 31, 2005

Cláudia Constance

ClaudiaConstance.jpg

Colhe-me toda a simpatia, e daí este textito inusitado quanto a livros, esta jovem jornalista atenta, apresentadora do telejornal, bi-estudante, ok confesso que também muito bonita, e nisto tudo (apesar de?) uma gentileza de pessoa. E também agora dizedora de poesia. E a dizê-la bem, não de-cla-ma-dor-ra, mas com a naturalidade de quem sabe estar diante da câmara, sem aqueles trejeitos a fazerem-se sentimento, sem o histriónico a querer-se profundidade, coisas muito habituais e não só por aqui [e quando ouço poesia assim lembro-me sempre de Mário Viegas, quantas vezes o ouvi, ao vivo e naqueles LPs, naquele seu modo "que primeiro entranha-se, depois estranha-se", que o meu crescimento foi também o de me afastar daquela "energia" toda].

Agora também um livro, este "Uma Viagem na Asa da Poesia" (Imprensa Universitária, 2005, 1000 (?) exemplares). 22 poemas a fazerem um "bauzinho náufrago" (12), "poemas apaixonados a adolescerem" diz o Eduardo White no prefácio, e sê-lo-ão

Sou ninfa de sal
Vivo de apetência
Feita para amar
Sabor sublimes
Só para deliciar

Livro de início, anúncio de poetisa (agora diz-se "poeta", obviously a gender issue). White blinda-o: "Como dizia Drummond: É claro que os inimigos da poesia sempre pretenderam assestar-lhe uma pedrada num olho ou golpe de garrote na nuca. Fizeram-no de diversos modos, como marechais individuais, inimigos da luz, ou regimentos burocráticos que marcharam com passo de ganso contra os poetas".

Ainda assim, e ergo a bandeira branca não me querendo nem sargento nem tabelião, ainda assim, repito, não terá sido cedo?

Adenda: 22 poemas curtos e pelo menos 11 erros ortográficos, não será gralha a mais? A ausência de revisão editorial é um assassinato. A nossa Imprensa falhou aqui.

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outubro 19, 2005

Morte de Samora Machel

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Feito coincidir com o 19º aniversário da morte de Samora Machel, que hoje se cumpre, o lançamento deste "A Morte de Samora Machel", da autoria de João M. Cabrita (Edições Novafrica), um jornalista moçambicano. Apoiado em documentação relativa ao incidente [que outra palavra utilizar sem assumir opinião?] e em entrevistas com peritos e testemunhas, o autor apresenta um livro muito bem escrito, com artes de tornar acessíveis aos leigos as questões técnicas envolvidas, rápido, com trechos até apaixonantes, na bem conseguida reconstrução do fatídico momento totalmente desprovida de qualquer intenção ficcional.

Na obra Cabrita cruza ainda as diferentes posições e relatórios então elaborados pela Comissão de Inquérito sul-africana e pelas Comissões moçambicana e soviética, que acompanharam o inquérito. Em conclusão defende a justeza das conclusões da Comissão de Inquérito, as quais apontam como causa uma sucessão de erros da tripulação soviética.

Livro decerto destinado a polémica, pois o desaparecimento de Samora Machel continua a ensombrar a sociedade moçambicana.

Adenda: visitantes deixaram endereços onde se poderá complementar esta visão: o A Morte de Samora Machel, do próprio João Cabrita onde se tem acesso à introdução do livro e à transcrição do gravador de cabine; e o The Case "Samora Machel" que apresenta versão contraditória das causas do acontecimento.

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outubro 01, 2005

Ibo (1)

No Expresso [abaixo transcrito] Paola Rolleta coloca texto sobre o Ibo e sobre os livros ontem publicados em Moçambique, "Ibo - a Casa e o Tempo" de Júlio Carrilho, e "Pemba, as Duas Cidades", de Júlio Carrilho, Luís Lage e Sandro Bruschi, edições da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico.

(Lembro os interessados residentes no estrangeiro, arquitectos, amantes do maravilhoso Cabo Delgado, amantes de livros e curiosos, que os livros podem ser encomendados na Livraria Escolar Editora que os distribuirá internacionalmente).

Turismo no arquipélago das Quirimbas
Ilha de Ibo, um encanto decadente
Expresso, 30 de Setembro
Paola Rolletta


A ilha do Ibo - no arquipélago das Quirimbas - é um destino que começa a aparecer nos roteiros turísticos mais sofisticados a cinco e seis estrelas, como Quilálea e Matemo.

O Ibo ainda mantém um ar decadente, e já despertou o interesse nacional e internacional pelo grande património arquitectónico que possui, pelo que representa na história dos povos português e moçambicano.

«Casas de pedra e limo, bichos obstinados na sua quietude. Pacientes, embalados pelo vaivém das marés. Deixando que o sal lhes carcuma a pele por terem desde há muito desistido de contrariar o tempo», escreveu numa estória da ilha, João Paulo Borges Coelho.

As ruínas das casas, as ruínas das varandas, elemento tão característico da ilha, as ruínas das estradas, tudo isto foi levantado e estudado pela Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico (FAPF) de Maputo e publicado agora em livro, «Ibo - a casa e o tempo» pela pena de Júlio Carrilho, poeta e arquitecto e oriundo do Ibo. É apresentado ao público, em Maputo, juntamente com «Pemba, as duas cidades», levantamento da cidade de cimento e da «informal»: a expansão recente da antiga Porto Amélia é constituída da adaptação à resistência permanente no ambiente urbano de uma tipologia de casa pré-colonial transformada e evoluída através de uma sabedoria antiga e ainda viva.

A ilha do Ibo já foi um terra de comércio de escravos. Quando a capital dos grupo de ilhas Quirimbas foi mudado para Pemba, a ilha do Ibo já não foi mais nada. Ficou refém das marés vivas e do esquecimento do tempo, com as varandas sempre mais vazias e sempre mais decadentes. Já se pensou fazer dela o centro de Zona Especial de Turismo, mas não deu em nada.

Hoje o ambiente é mais favorável e muito se deve à mudança de mentalidade da qual a FAPF é certamente uma das principais mentoras, com o director José Forjaz e uma equipa de arquitectos moçambicanos e italianos que estão a levar a cabo o levantamento do património arquitectónico moderno moçambicano.

Em Moçambique, onde os monumentos históricos não são certamente uma presença significativa, parece ainda mais importante tutelar este património arquitectónico que constitui a cara mais evidente das cidades de cimento, seja pela qualidade específica seja pela dimensão e o papel urbano, elemento importante pelo turismo urbano e sustentável, actual aposta de desenvolvimento.

«Ibo- a casa e o tempo» tem o aspecto mais de um diário de viagem do que um tratado de arquitectura. Júlio Carrilho, entre plantas urbanas e fotos de edifícios, relata as entrevistas feitas com os velhos habitantes que todos os segredos sabem das casas, das argamassas, da cal e das ervas usadas para ser mais forte. Reconhece um espaço especial a quem quando a maré não deixa pescar, come apenas maçanicas.

E faz um acto de amor para com a sua ilha, alimentando o optimismo da convicção de que «também o presente ciclo de degradação e um certo marasmo será ultrapassado pela redescoberta da riqueza natural, de novas vocações para o relançamento económico e social e da importância do património tangível e intangível das ilhas no seu conjunto e do Ibo, em particular».


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setembro 27, 2005

Ku Femba

Que o mundo vai ficando cada vez mais pequeno já se sabe (mas não mais fácil, já agora, mas isso são contas de outros contos). Prova disso é saber no brasileiro Agreste do lançamento aqui da 4ª edição do livro Ku Femba, de João C. Reis.

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setembro 22, 2005

Poemas de Sónia Sultuane.

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agosto 22, 2005

Oleiras de Mutamba no CCF-M

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(Centro Cultural Franco-Moçambicano, 19.8.2005)

Ainda que os recipientes de plástico e de latão alastrem, e que os homens, "mais atrevidos", hoje prefiram fabricar tijolos, mais rentáveis.

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agosto 21, 2005

Adriano Alcântara no Xiphefo

Não é a primeira vez que no Eclético se ecoa a poesia de Adriano Alcântara. Um gosto particular da MP pois, ainda que aqui de longe, não me parece que este seja poeta muito afamado.

E sempre que o leio lembro-me de como o conheci. E de como gostei e o invejei. Eu tinha chegado aqui há apenas alguns meses. Certo dia um futuro amigo disse-me que em Inhambane iria ocorrer uma festa, a comemoração do já décimo aniversário de uma associação cultural local, da qual eu já tinha ouvido falar, ainda que muito vagamente.

Foi pretexto imediato, eu não conhecia Inhambane, terra dita belissima, e sendo as comemorações num fim-de-semana fiz-me convidado. Ou seja, apareci. Para muito gostar da cidade, coisa que ficou. Das praias sim. Mas muito da cidade, o que é outra coisa. E também da tal associação cultural, uma tal de

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que então ia gerindo um centro cultural, coisa pequena mas boa, onde música, algum teatro, artes plásticas iam acontecendo. E convívio, sítio para jogar bilhar e beber uns copos. Coisas estas últimas fundamentais, que sem elas nada ocorre. Espaço crucial naquele Inhambane, e talvez seja preciso conhecer a terra para perceber tamanha importância em sítio de modorra e de desacontecimentos.

Mas o coração do Xiphefo era uma revista literária, mais dada à poesia, aberta ao exterior mas acima de tudo aos poetas locais, um grupo centrado em Momed Kadir, Guita Jr, e nos então já migrados Artur Minzo e Danilo Parbato. Ia então no décimo ano, nessa altura comemorativa editavam o número 19. Era assim, desde 1987, desde esses tempos duros da guerra, do isolamento, que em Inhambane um grupo de geração foi publicando uma revista literária, coisa assim como o que a célebre Charrua foi em Maputo, mas esta muito mais episódica. Espantoso. Épico até. Ou por outras palavras, um verdadeiro Xiphefo (lamparina).

Foi nessas comemorações que encontrei Adriano Alcântara, tinha vindo para tal, convidado pelo grupo. Então leitor em França (Poitiers? Bordeaux? não recordo bem) Alcântara tinha aqui sido nesses tempos de guerra (mais ou menos entre 1986-1988) professor de liceu cooperante, período no qual agitou aqueles jovens manhambanes, provocando essa geração. Os frutos dessa provocação estavam ali. A comemorarem-se. E com a grandeza da memória, a do terem chamado o tipo professor de então.

Lembro-me de o encontrar algo vagueando, eu num "então como está?", e ele, já um bocado velho, para aí com a idade que eu tenho agora, olhos abertos a sorver uma terra largada há quase 10 anos, num "isto mudou muito" de quase irreconhecimento e eu a pensar um "claro, deve ter mudado, e tu também". E lembro-me também de deixar para a minha mulher um "porra, este deixou aqui marca. Que mais é que um gajo pode querer na vida?".

A marca Xiphefo continuou por mais uns anos, recordo ainda de em Janeiro de 1998 lá ter visto o José Mucavele tocar no dia comemorativo dos 500 anos de Vasco da Gama em Moçambique, espectáculo até de madrugada. E do Mucavele me dizer, à mesa do melhor restaurante da cidade, o "Maçaroca", que não tocava na cidade desde 1979, há vinte anos já - o quão grande o país tinha sido nos anos de aperto. E de nos anos seguintes ter recebido mais revistas, assistido ao lançamento dos livros do Momed Kadir, do Guita Jr. Depois deixei de ter notícias, coisa normal, foi um grupo de geração, de duração longuíssima, é natural que se tenha ido esbroando. Trocado por homens a fazer coisas.

Se alguém conhecer o Adriano Alcântara, talvez a MP, digam-lhe que em Maputo está um Teixeira que o cruzou em Agosto de 1997 em Inhambane e que muito gostou desse tipo que por aqui andou em tempos

"...
coreografando vadios e mágicos
do orgulho da vida
o único bailado possível:
a obsessão de não ter dono
"

(Genética Obsessão, no Xiphefo, 18, Inhambane, Mai/Jun 97, p.15)


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agosto 17, 2005

Oleiras de Mutamba

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[Oleiras de Mutamba, Maputo, Casa Velha, 2005; 500 exs., 200 mil meticais p.v.p.]

Unga lili mwama,
Lila libumba

(Não chora pelo homem,
chora pelo barro
)

É esta a epígrafe deste livro/catálogo, cuja apresentação ocorreu ontem. Um belo trabalho, com profusão de imagens, sobre a olaria nessa localidade de Inhambane, sua história e conteúdo social, ao que se segue uma cuidada etnografia sobre processos de produção e comercialização.

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São nove as oleiras abarcadas por esta investigação. Todas elas, as senhoras Albertina Savanguane, Amélia Francisco, Catarina Wetimane, Georgina Nhambirre, Margarida Churane, Matilde Maela, Palmira Wique, Teresa Niquice e Zaida Semende, se encontrarão (à tarde) no Centro Cultural Franco-Moçambicano até ao próximo dia 26 de Agosto. Acompanhando a exposição fotográfica com a demonstração do seu ofício de olaria. A visitar.

O livro e a exposição foram realizados por um grupo constituído por Gerhard Liesegang, Cândido Teixeira, Gianfranco Gandolfo, António Sopa, Rafael da Conceição, Alípio Siquisse e Apolinário Malauene.

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