maio 11, 2006
Benfica na Josina Machel



[Maputo, Escola Josina Machel, Maio 2006]
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maio 10, 2006
To Whom It May Concern


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maio 08, 2006
Africanices, um blog olhando o turismo em Moçambique.
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maio 06, 2006
Centro de Estudos Brasileiros
Ontem uma novidade (para mim). O Centro de Estudos Brasileiros (CEB) foi durante a década de 90 um importante centro da vida cultural em Maputo. Desde então tem vindo a decair, fundamentalmente desde a saída da excelente directora que foi a Fernanda Verissimo, julgo que em 1999. Porque a cidade mudou, com novos pólos, decerto. Também por falta de fundos (que atrapalham todas as instituições culturais estrangeiras aqui). Mas não só, era notória e comentada alguma falta de dinâmica própria, um adormecimento. Agora a representação diplomática brasileira decidiu, e penso que muito bem, contratar um moçambicano para gerir o Centro. A escolha foi feliz, saúdo-a e não estou sozinho nesta saudação: Raul Calane da Silva, ficcionista, poeta, ensaísta, professor, ex-jornalista, homem de cultura e da cidade. Amante das coisas, acima de tudo.
A animação já se nota, ontem com uma boa mostra do percurso e universo do Noel Langa. Na semana anterior com uma excelente sessão de apresentação do Maputo - Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade. Vamos ver, acho que a cidade (re)ganhou um espaço.
Um conselho, Calane: usa a net, usa a net.
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maio 05, 2006

[Sociedade Civil; Maputo, 2006]
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Mahwayi em Portugal

O grande contador de histórias Marangel Zacarias Mahwayi está em Portugal, a sua primeira ida à Europa, declarou ao jornal Zambeze. Leva, diz, vinte histórias tradicionais para contar. Mahwayi estará na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, no próximo sábado, dia 6 de Maio, às 21 horas, integrando a realização "Contos Que a Voz Cantou". Se eu estivesse em Lisboa não falharia ...
O contador irá também à Universidade Nova de Lisboa, a convite de João Soeiro de Carvalho, o cujo deverá ter estado por detrás do convite. Pois é dos atentos, julgo.
[fotografia reproduzida do jornal Zambeze, edição de 4 de Maio de 2006]
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maio 03, 2006
Anúncio

[Inhambane, Maio de 2006]
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maio 02, 2006
Barraca

[Barraca "Esquina Lucro Zero", Inhambane, Maio 2006]
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A melga

[Inhambane, Abril de 2006]
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abril 28, 2006
A última edição do jornal Zambeze é um exemplar a guardar, um manancial de informações, de explícitos muito para além do sub-texto recorrente nestas questões, sobre as tensões existentes em Moçambique entre grupos sociais: os textos de diferente teor sobre "monhés" e "bantus", a propósito de uma campanha partidária de angariação de fundos, a polémica sobre as ligações de moçambicanos de diferente origem ao Portugal colonial. São algo de não essencialista, linguagem de outros conflitos? São, com toda a certeza. Mas são categorias omnipresentes. Por isso interessantes. Repito, jornal a guardar.
Publicado por jpt às 08:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
Dumba-nengue



[Maputo, Abril 2006]
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abril 27, 2006
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Bloguismo
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abril 22, 2006
Bloguismo em Moçambique
Um pequeno contributo para a "pequena história". Que eu tenha visto aconteceu a primeira referência nos jornais ao bloguismo moçambicano. Foi uma invectiva (claro) aos desejos bloguísticos, da autoria de Fernando Lima, na sua coluna "Espinhos da Micaia" (Savana, edição de 21 de Abril).
Publicado por jpt às 09:06 PM | Comentários (0) | TrackBack
Maputografia

["A Praça 7 de Março, com o coreto e os seus quiosques, era o centro das reuniões mundanas"; imagem reproduzida de A. Rosado, Como Era Lourenço Marques Já 50 anos, Lourenço Marques, 1949, p.11]
António Sopa publica este artigo, "A Velha Praça", no jornal Savana, edição de 21 de Abril. Aqui o reproduzo. Pelo seu interesse histórico. Mas também secundando a sua opinião: entre um pouco mais urge reinstalar o "mercado do pau". E valorizá-lo.




["Esplanada de quiosque na Praça 7 de Março"; edição de The Newman Art, Cape Town, cerca 1930; imagem reproduzida de João Loureiro, Memórias de Moçambique, edição do autor, 1997, p.68]
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abril 21, 2006
Carlos Gil sobre os 80 anos do jornal "Notícias".
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abril 20, 2006
Casa Portuguesa

O restaurante "Casa Portuguesa" em Malelane (Páscoa 2006). Onde se pode ouvir o mais puro pimba olhando o Kruger da varanda. Muito recomendável.
Publicado por jpt às 07:10 PM | Comentários (4) | TrackBack

Com estas novidades no bloguismo em Moçambique fiz arranjo na coluna de elos (à direita), na zona respeitante. Para maior facilidade. E orientação.
Publicado por jpt às 09:47 AM | Comentários (1) | TrackBack
abril 19, 2006
O jornal Notícias mais acessível.
Publicado por jpt às 09:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
Uma boa notícia, saíu o Carlos Serra a abrir blog: Oficina de Sociologia.
Publicado por jpt às 12:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 14, 2006
Ilha de Moçambique,
Okhwiri, um fotoblog que lhe é dedicado.
Publicado por jpt às 03:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
abril 13, 2006
Ilha de Moçambique
Publicado por jpt às 06:10 PM | Comentários (5) | TrackBack
abril 10, 2006
Centro Farmacêutico




[Centro Farmacêutico, Macia. Produtos importados da África do Sul (com relevo para a gama Tokoloshe) e locais]
Publicado por jpt às 12:37 PM | Comentários (5) | TrackBack
abril 09, 2006
Apropriado



[Chidenguele, Gaza. Lodge Paraíso de Chidenguele (preços acessíveis, serviço decente e simpático); Praia; Lagoa]
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abril 08, 2006
Ex-soldados
É um fenómeno interessante o das recorrentes viagens de antigos militares portugueses a Moçambique, as saudades que ficaram apesar dos maus momentos da guerra. O revisitar do horror, mas também do algo que ficou do país (e da juventude?). A ele voltarei em breve, a propósito de livros e de ecos por cá. Por agora nota de um blog dedicado a essa vertente: o Comando de Agrupamento 2972.
Publicado por jpt às 09:17 AM | Comentários (1) | TrackBack
abril 07, 2006
Blasé, o tipo do Ma-Schamba?
Barbudo e tudo, muito blasé, na atitude altaneira. E, mais que tudo, imune a essas vivências do "social", da "gente bonita". Não que as ache desprovido de sentido. Nem tampouco culpabilizadoras. Apenas vai deixando cair a sua vontade de a elas ser marginal. Que faz um intelectual, até académico, naqueles meios? Não são coisas para o seu estatuto social, claro.

Pois foi só ver a coluna "People" da edição deste mês da TVZINE e eis-me roído de inveja. Francamente roído, maldita falta de estatuto social, de importância e relevo. Ninguém me convidou para esta I Mostra de Vinhos em Moçambique da Herdade de Esporão. Pior ainda, da inveja digo, quando ali reconheço, entre mais caras familiares, outro bloguista.
Tenho que repensar a minha vida. Ou, a custo, aceitá-la.
Publicado por jpt às 07:05 PM | Comentários (0) | TrackBack
Do jardim municipal
Segue imagem dedicada ao blogoamigo Carlos Gil, o cujo desorganizou memórias e nostalgia tentando nortear o jardim municipal aqui gabado. De cimo da jardim, no local da cervejinha de fim-de-tarde, o que se vê é assim. Pode ser, Gil, que ajude na memória.

Publicado por jpt às 12:14 PM | Comentários (1) | TrackBack
abril 06, 2006
Substituição de Machambas
Esta entrada vai dedicada ao visitante JAzevedo, verdadeiro e saudado Hermes destas hortas, que abaixo ecoou um lamento, por mim involuntariamente induzido. E desnecessário, como o prova esta foto (apanhada no dia seguinte, nem de propósito ...)

Como vê caro JAzevedo (será o JAzevedo que a história daqui também conhece?) "ele" há coisas. E esta bem boa, a substituição de machambas, as pequenas periurbanas por uma grande machamba do livro. Estamos de parabéns, e expectantes.
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abril 03, 2006
Louvor ao Conselho Municipal do Maputo.
Numa cidade com óbvios e gigantescos problemas de urbanismo (não invejo nada quem deva assegurar a recolha e o tratamento de lixo, p.ex.) o seu esforço por recuperar e ordenar os espaços públicos e arruamentos (a nova política de ruas com sentidos únicos é de uma racionalidade clarividente - e cristalina) é notório. E muito positivo.
Se alguma coisa poderá continuar a ser pensada será decerto o "Mercado do Pau". Local de trabalho para muitos e ex-libris da cidade a sua deslocação para a Av. 25 de Setembro não é óptima. Mas decerto que um novo espaço será pensado. Talvez, digo eu, a marginal fronteira ao "catembeiro", se com algumas infraestruturas de apoio? Ficaria excelente, espaço e panorâmica.
Mas como exemplo dos resultados positivos deste rearranjo da cidade não se pode esquecer o Jardim dos Namorados. Depois de sete anos vivendo na Engels bem que temi o anúncio das obras, logo pensando na destruição do belo parque, ainda que então quase-baldio. Mas não, o resultado é excelente. Está uma maravilha. Com a gente a fruir.


E tiro o chapéu ao Conselho Municipal.
Publicado por jpt às 12:42 PM | Comentários (8) | TrackBack
No O Mundo das Sombras José António Barreiros deixa uma breve nota sobre espionagem alemã em Moçambique durante a II Guerra Mundial. A abrir o apetite. Ainda para mais em terra onde tantas lendas sobre essa matéria vão, ainda, sendo lembradas.
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abril 02, 2006
CTT em Maputo

[Marco de correio, campus universitário, Maputo, Março 2006]
Publicado por jpt às 08:30 PM | Comentários (2) | TrackBack
Benfica em Maputo
Em Maio o Benfica virá a Maputo, disputar um quadrangular. A equipa principal, ainda que sem os seleccionáveis para o Mundial. O Ma-schamba, até por razões profissionais, irá acompanhar o mais possível este torneio com o Petro de Luanda, Costa do Sol e uma equipa sul-africana. O spleen de Maputo regredirá para um vero frisson, creio. O frisson de Maputo.
Entretanto o referido Benfica continua, 3 vezes seguidas. Os relativistas culturais fundamentalistas, crentes num mundo mágico, continuam a interpretar. Outros, os que acreditam nalguns laivos de empiria, sorriem. De desprezo.
Publicado por jpt às 01:29 PM | Comentários (2) | TrackBack
abril 01, 2006
Sinal

["Proibidos Txovas", Av. Vladimir Lenine, Maputo, Abril 2006]
Publicado por jpt às 08:20 PM | Comentários (6) | TrackBack
Txovas

[subindo à Av. Julius Nyerere, Maputo, Março 2006]
Publicado por jpt às 08:15 PM | Comentários (0) | TrackBack
(Mais) uma pérola no jornal Savana
Há anos que a secção "cultural" do Savana é uma delícia. Acredito que tal se deva a uma extrema crueldade dos responsáveis do jornal, que à secção obrigam alguns trabalhadores, os quais para seu ganha-pão (e quão difícil é este) são assim votados a uma semanal demonstração de si mesmos. Acredito que nas suas andanças literárias, prosadoras, poéticas e, mais-que-tudo, críticas, muito se devem desmoralizar.
Esta semana o "crítico" residente Armando Nenane investe mais uma "crítica literária". O alvo é um jovem poeta, Eusébio Sanjane, recém-inaugurado com um "Rosas e Lágrimas" (Ndjira). Não o li, não opino. Chegaram-me ecos de muito jovem aspiração poética, promessas de algum talento. E de grande alarido na edição (patrocínio MCel, imensa publicidade que o patrocinador não brinca em serviço, lançamento com grande pompa, grandes encómios da editora). Como dois assistentes leitores me diziam nada melhor para matar um jovem poeta que tamanha campanha e tanto elogio. Se à MCel taL não se criticará já a editora enfim ... mas quem sou eu, isso é coisa entre poetas.
Mas esta nota é sobre a crítica. Não sobre o seu "rico palavrear" entre erro ortográfico (já agora! quem poderá ensinar ao crítico grandiloquente a difícil arte da acentuação?). Mas sim sobre um momento delicioso. Nenane decide obrigar o jovem poeta a ser "poeta de geração" - "esperámos [ai o magestático] encontrar algo que mostre que a sua geração tem razão de ser como é, ou que talvez não, mas que a obra seja como que um espelho da sua geração ...", tal e qual Craveirinha o foi (!), diz. E por isso Nenane muito se insurge contra o aspirante Sanjane, que escreveu:
"E sobre a metrópole / erguem-se teias de tijolo / atravessando o céu / e rompendo o espaço ..." (Selvas de Pedra)
Sim, muito se irrita o "crítico": "Como pode, (sic, a vírgula é sic) um poeta do século XXI, falar de metrópole (sic, o negrito é sic)? Onde está, em Sanjane, algo que nos faça sentir, e não perder de vista, que ele é um poeta do século vinte e um e não dos anos sessenta ou de há mais décadas atrás?".
Por muito que se leiam jornais há sempre surpresas. Neste caso até agradáveis, que umas boas gargalhadas inesperadas (e depois partilhadas com amigos a quem se chama a atenção para esta pérola) são sempre bem-vindas.
Mas, caramba, há que denunciar a continuada crueldade do director e do editor do Savana. Que isto de obrigarem à crítica literária quem nem conhece os significados da palavra "metrópole" é demais. Desumano até. Há limites para a maldade, senhores. Nem que sejam os do ridículo.
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março 28, 2006
Maputografia
Aqui transcrevo artigo publicado no jornal Domingo (19 de Março de 2006), uma extrema peça de maputografia, da autoria de Guilherme Cabaço.
Restaurante Costa do Sol: história, respeito e carinho



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março 25, 2006
Bloguismo em moçambique n
Mais um blog moçambicano, este "de geração": Ufics2006.
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março 19, 2006
Bloguismo em Moçambique 3 e 4
Um outro novo blog moçambicano, também aparentemente ligado à publicidade: o !nlog!ko.
Rubinho Ponciano, um brasileiro em Maputo. Com copy paste de crónicas brasileiras.
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Bloguismo em Moçambique 2
A ver se isto por cá anima nesta questão do bloguismo: mais um recém-blog, o Dumba Nengue de Alex Cardoso. Blog de publicidade et al.
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Bloguismo em Moçambique
Descubro agora que o Ivan Serra abriu recentemente o Barrakaloka. (Como parou logo vamos ver se não desistiu - este é dos que terão coisas a dizer sobre o "por aí").
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março 18, 2006
Dulce

[Venda de Castanha e Mel; Gaza, Fevereiro 2006]
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março 16, 2006
Já agora, sobre a linguagem
não esquecer o exemplo acontecido com o jornal Savana, há tempos campeão da liberdade de expressão ao republicar as "blasfemas" caricaturas dinamarquesas e por isso atacado física e economicamente. Pois este campeão da liberdade tinha há meses censurado o seu cronista Fernando Manuel - este, numa das suas crónicas semanais, usou um português amplos. "Algumas famílias" queixaram-se do desbragado e logo, "a seu pedido" o jornal se comprometeu em não repetir a "prevaricação". Ou seja, ou o cronista faz auto-censura ao linguajar das crónicas ou a direcção as censura. É a liberdade de expressão.
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março 15, 2006
Nostalgia
Já em tempos referi a impressão que me fazem os "sítios" ou blogs dedicados à colecta de fotografias das ex-colónias portuguesas. Impressão dupla, nelas se sente uma saudade (às vezes saudosista outras vezes nem tanto) avassaladora, uma nostalgia, coisa pingada nas fotos de edifício em edifício, rua a rua, a velha igreja, as escolas "dos tempos", tudo isso embrulhado na velha toponímia, que o interesse de coleccionador raramente aqui se associa ao de historiador urbano, como se nessas pequenas atitudes, resistências, fosse o tempo não andar. E são também locais de mostra do "como era" o olhar de antes, muito as fotografias do cimento, raras paisagens pitorescas, e dos habitantes africanos escassas imagens, apenas "folclóricas", o típico da beleza de tal região, o velho de tal tribo, todos esses poucos eles feitos paisagem. São, pois, esses lugares educativos, espelhos de outros tempos, mas bem mais do que da "arquitectura" e "paisagística" que querem lembrar. Espelhos hoje do olhar de antes.
Nem é crítica minha, chega até a ser solidariedade diante dessas saudades, pungentes quantas vezes.
Uma impressão dupla fazem-me esses locais, dizia. Pois temo-os também meu retrato de futuro, em algum subúrbio almadense arrumando velhas memórias de onde nunca sairei. Em espelhos pungentes, então. Também.
Enfim, não será por isso que não visitarei este belo Maputo 100 Anos - a saga de uma cidade, cheio de reproduções de fotografias de Lourenço Marques/Maputo, trabalho paciente e apaixonado. Recomendável aos amantes da cidade. E de fotos/postais antigas.
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março 13, 2006
Ilha: sem cepticismo na "pedra-e-cal"



Na Ilha de Moçambique será preciso não querer ser céptico. Mas é possível. Tal como é possível preservar para-a-frente.
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A mais campeã

7 vezes campeã do mundo = Mutola
[Detalhes]
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março 10, 2006
Ilha de Moçambique: passeando na pedra-e-cal

[edifício desabado recentemente]








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março 09, 2006
Ilha: Capela da Nossa Senhora do Baluarte
A pequena capela de Nossa Senhora do Baluarte é a primeira instalação cristã na Ilha de Moçambique e, portanto, em todo o Moçambique. Singela é certo, é o primeiro (e único, diz-se) exemplar do estilo manuelino na África Oriental. Está lá bem na ponta da ilha, até para além da fortaleza, pequeno promontório. Olhando/orando (a)o mar.

Acompanhando a degradação da cidade de "pedra-e-cal" a capela foi-se deteriorando. Há cerca de 10 anos foi recuperada, um financimento da Comissão dos Descobrimentos portugueses, como antes informava uma placa, entretanto retirada (eu sorrio. Se tivesse sido um qualquer financiamento "sueco" e ninguém se lembraria de arrancar a placa, mas isso são outras histórias). De meu conhecimento as instituições portuguesas financiaram até hoje esta recuperação (por via da importância do manuelino, creio; e do simbólico, a primeira igreja em Moçambique, o extremo norte da ilha) e uma intervenção no Palácio de S. Paulo, actual Museu da Ilha. Pouco, muito pouco, para um Estado e uma sociedade tão ligados a este património mundial.
Quanto à capelinha não posso deixar de resmungar. O pobre coitado que teve a ideia de a recuperar (por catolicismo? por lirismo?) esqueceu-se de prever o seu futuro acompanhamento, de o desenhar, de o associar a um enquadramento institucional. Deve ter sido arranjar o financiamento, cortar a fita e ficar contente, ufano ... Saberia ele, não teria ele obrigação de saber?, da necessidade de caiar a capela todos os anos (pelo menos, correcto, correcto, será duas vezes por ano)? E de acompanhar o seu estado?
Como chega essa gente aqui?

[entrada da capela, estado actual, em rápida decadência].

[Sepultura vandalizada no último ano.
Bem, templo vandalizado é templo importante, isso é universal. Este apontamento não está como denúncia, mas como sinal da vida da zona. Foi quebrada na crença de se encontrar ouro. Como tal não aconteceu as outras sepulturas ficaram intactas. Já o mesmo não poderei dizer do desaparecimento das ossadas que habitavam a sacristia, em caixa aberta. Os que recuperaram, os que acompanharam a recuperação, terão eles achado por bem deixar ossos "à mão de semear"?]

[Grade em madeira, desagregrando-se]


[Vistas laterais pedindo cal. Entenda-se, aqui sem cal há-de cair. E até rápido].
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fevereiro 28, 2006
Cartoons em Moçambique
Sobre a publicação das caricaturas dinamarquesas pelo jornal Savana é de ler o interessante artigo de Elísio Macamo: Liberdades Perigosas e Soberania. O qual, como se bónus fosse, traz uma fábula deliciosa.
Publicado por jpt às 03:58 PM | Comentários (0) | TrackBack
fevereiro 23, 2006
Machado da Graça bem cartooniza sobre o Savana

Publicado por jpt às 10:09 PM | Comentários (3) | TrackBack
Mais sobre o tremor de terra
Imensa informação aqui (dica do leitor J Azevedo).
Publicado por jpt às 04:21 PM | Comentários (3) | TrackBack
Tudo sobre os 7,5 do tremor de terra
Informação detalhada aqui.





Informação dedicada à grávida Passada.
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fevereiro 22, 2006
Turismo em Moçambique
(via blog).
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fevereiro 21, 2006
Trabalho alhures, Trabalho em casa
O Abrupto tem vindo a publicar um conjunto interessante de fotografias sobre Trabalho. Interessantes as fotos, mas mais o que expressam. JPP já explicou o seu desejo de mostrar formas de trabalho exo-bloguísticas, vivências alheias ao mundo padrão dos info-incluídos, melhor dizendo, dos blogo-incluídos. Nas imagens enviadas pelos leitores, presumivelmente todos portugueses, também JPP reconhece o quase-óbvio, a procura do retratar o trabalho traz um eco do exótico, a distância social quase sempre traduzida em distância geográfica - o olhar curioso sempre mais agudo quando fora-de-portas. E, mais do que tudo, a distância social, longe ou perto de casa, centrando-se no trabalho manual - há, por via do acto fotográfico, a reconstrução de um ideal de trabalho, uma sua purificação. Manual mas longínquo, eis a pureza do exótico. A pureza do trabalho.
Confesso que gostava de ver o trivial manual intra-muros (a mulher-a-dias ou o cônjuge; o motorista de autocarro; o mecânico da porta-ao-lado; a caixa do supermercado; o "almeida" do bairro próprio; o psp (ou prm); a lavandaria; a empregada da cantina da escola). Ou o trivial intelectual alhures. E os entre-ambos, já agora. Desmontando o embelezamento, impurificando. Pelo trivial.
Já aqui deixei mostra de trabalho exógeno ao universo de fotógrafos in-blog ali representados. Procurando trivializar-lhes o trabalho na distância. Segue-se outro modesto contributo, pobres fotos sobre trabalho intelectual, alhures:

[José Cruz, enólogo, Nropa, Montepuez, Cabo Delgado]

[Tribunal informal, Kolokoha, Montepuez, Cabo Delgado, 1995]
Publicado por jpt às 05:15 PM | Comentários (4) | TrackBack
fevereiro 19, 2006
Publicado por jpt às 10:32 PM | Comentários (1) | TrackBack
Sobre Knopfli é melhor ler.
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Sexta-feira um pouco especial



[Chez Rangel, estação CFM, 17.2.2006]
Pois.
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fevereiro 17, 2006
Cartoons em maputo
rumores? o savana publica hoje os cartoons dinamarqueses (repito tanto post aqui? para quê?). E está rodeado de centenas de irados com vontades invasoras? que bronca. ou rumores?
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fevereiro 16, 2006
Também relato da guerra civil moçambicana.
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fevereiro 15, 2006
Ontem
Maputo de noite cheia, azáfama quasi-noctívaga de trânsito de hora de ponta, queixas só suaves com o "semaforismo" ausente, todos os restaurantes cheios mesmo aqueles que nunca, rosas muitas em mãos compradoras e outras já nas receptoras, casais (até os tristes) bem vestidos acompanhando-se, é o dia ... A mim sobra-me aula nocturna, a primeira do ano, turma ausente, apenas uma aluna, senhora já, sorrindo à total ausência (merecida, merecida) à ritual "apresentação", caloiros relapsos. Dou-lhe um mito, o primeiro mito universitário porventura, os "dez minutos académicos" (5, 15, não depende isso do narrador?), depois "vamos lá embora" que haveremos de recomeçar. Que ontem foi dia de "namorado amador", profissional tem o resto da vida, hei-de biliar. Ainda beberei café no caminho da casa, mesa de canto no meio dos tais comensais emparelhados, meros cinco minutos roubando-lhes bocados, mesa a mesa. Nem uma mão na mão, nem tampouco mão na perna (quem bem procurei), nem a rápida mão na cara, nem afago no cabelo, nem beijo qu'isso seria demais ainda que dos castos. Estão só ali, falas poucas, levaram-nos a jantar. Saio, noite de dia do namorado reformado. Também já vou assim?
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fevereiro 10, 2006
Chove em Maputo
Chuvadas grandes em Maputo. Eu saí de casa sem máquina. Mas o André não, e eis a ilustração na Baixa. Dos bairros só tenho relatos. Os de sempre quando assim.
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Um novo jornal em Moçambique
Começou esta semana (e está na net): Canal de Moçambique. Do conteúdo não opino, mas o nome parece-me muito bonito.
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fevereiro 08, 2006
Moamba
Os prezados visitantes saberão que não sou particularmente purista nas coisas da língua. E que quanto ao português em Moçambique ainda menos. E que também me repugna um pouco o andar para aqui a botar sobre "o dever ser" em Moçambique. Ainda assim não resisto a botar uma minha irritação de há anos. 8 deles, acho eu. Pois já há cerca de 8 anos que foi inaugurada a N4 (Maputo-JHB).
Pois se ainda compreendo que a Portagem da Moamba seja denominada Moamba Plaza (o inglês, a globalização, o trânsito oriundo dos vizinhos, enfim, why not...?)

já me irrita o facto de três placas que anunciam a portagem uma seja em português e outras duas sejam no velho bilingue oficial da velha África do Sul, em inglês (tool gate) e afrikaans (tolhek).

Rais parta, em inglês tudo bem. Em inglês e português tudo bem. Em inglês, português, changana, ronga, tudo bem, dado ser aqui no extremo sul do país (ainda que levantando susceptibilidades políticas no uso das línguas nacionais). Agora em inglês e afrikaans porquê, e logo em maioria? Nada me move contra os "boers", nada contra a sua língua, língua crioula ainda para mais. Apenas noto o gestozinho de quem construíu a portagem, perdão, a plaza.
Há coisas mais importantes? Há, e muitas. Mas chateia-me a pirraça alheia. Ainda que eu próprio alheio.
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O Cais na Ilha
Desenvolvimento na Ilha? Reabilitação e preservação? Turismo. Não só turismo decerto. Mas turismo. Aproveitando o continente fronteiro, por enquanto ainda inadjectivável, suas praias (p. ex. a praia do Sancul é única no mundo: tem a Ilha à frente) e a elas associar o dado único, o requebro envelhecido e empastelado ilhéu. E recebendo esse estranho mundo do turismo passante, dos paquetes de recreio, surpreender essa gente com esta coisa do entranhar-se.
Para ambos, para que venham a terra os passageiros, para que aportem os aqui deslocados, urge recuperar o cais da velha Alfandega. Se esta vai assim, cedendo à inclemência do desuso humano e do uso do clima

o cais ficou-se terreno de equilibristas


O desenvolvimento comunitário aqui tem nome e quantia - quarto de milhão de dolares, mais ou menos, para deixar barcos atracar.
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Ilha, a fronteira interna


O fim da cidade de pedra e cal. O tal hiato (de séculos). Está lá, à vista desarmada, esperando fotógrafo competente. Basta querer ver. E entreandar, sff.
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Jantar no Lumbo

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fevereiro 07, 2006
Sporting de Moçambique
Há alguns anos a Ilha de Moçambique foi considerada cidade patrimonial pela UNESCO. A situação do património imóvel (tangível, no jargão) vem-se agravando. "Uma causa perdida" dizia eu há anos, para semi-espanto do meu amigo Álvaro NS, até à minha conclusão, "portanto, das únicas pela qual vale a pena lutar". Muitas causas para tal desbarato, não as vou aqui arengar. A uma sei-a bem, a que ninguém olha para a Ilha enquanto património incluindo a pedreira, a "gente da pedreira". Esses são sempre considerados aqueles naharas a mais, 18 000 já e que tanto defecam na praia. Séculos de hiato num língua de terra de 3 kms por 300 metros, um hiato que perdura, mais resistente e altaneiro que o coral empilhado. A outra sei-a também, a própria UNESCO (tão ocupada em dar prémios a Hugo Chavez que nem o escritório da Ilha de Moçambique consegue manter aberto). Outras há, mas após tantos estudos e viagens já devem estar bem elencadas por "espertos" bem-pagos. A mim a única viagem que pagaram foi a primeira, na comitiva de sua excelência o director-geral Federico Mayor. Há já muitos anos. O resultado está à vista. Promessas, preocupações, intenções, lamúrias, já ouvi muitas. Na Ilha eu diria, de bons fecalismos-a-céu-aberto está o inferno cheio.
A Ilha, a cidade de pedra e cal, o extremo norte europeu, os restos do que se sonhou imperial, cai a olhos vistos? Sim, desde há muito: "... as casas, ou edifícios grandes, que se arruínam jamais tornam a levantar-se, e já não são poucos os que se acham por terra, e outros, que nunca se acabaram de edificar pela morte de quem os principiou", já dizia Frei Bartolomeu dos Mártires em 1822. Sítio de ruína cíclica, as construções ali de difícil manutenção, local de economia volúvel ao longo do tempo, algo quase tão corrosivo como o clima local. Mas quando a Ilha for vista não como uma memória europeia (portuguesa e não só), encantatória aos nossos romantismos serôdios, quando a Ilha for entendida como um recurso moçambicano, perene, então ...
Até esse então a Ilha aguentar-se-á, arruinada, pelo esforço individual, desses que querem "acabar de (re)edificar antes de morrer". Uma causa perdida? Talvez, mas repito-me, são as únicas.
Na Ilha, cidade património mundial, sitas na contra-costa estão as ruínas da sede do sempre existente Sporting de Moçambique.





O edifício é recente de décadas, não tem valor patrimonial particular. Mas poderia ser recuperado para fins desportivos e sociais. O Sporting Clube de Portugal, antes clube paternal desta sua filial, poderia em dias de pós-colonialismo, e suas susceptibilidades, aqui encontrar pequeno e modesto clube fraternal. Algo como metade do que terá valido a licença desportiva do seu ex-jogador moçambicano Fumo poderia custear a casa do leão em cidade património. E para excedentes a cooperação portuguesa decerto que se associaria. Quero crer que sensibilizar a influência de ilustres sportinguistas como José Roquete e António Dias da Cunha para uma tão barata causa em Moçambique não será impossível.
A Ilha, a de pedra e cal, aguenta-se edifício a edifício. Enquanto os vivos não morrem.
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fevereiro 06, 2006
Jantar

Restaurante Relíquias, Ilha de Moçambique
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Uma horita de Kruger, eu e ela
Eu e ela, ali a Malelane, numa horita de Kruger, nada mais. E atrasado, como sempre quando por lá, manhã tardia já, no pico do calor

e ainda para mais na estação das chuvas


sei que pouco mais que vegetação, e muita, lhe vou mostrar

para além de uns passaroucos, pouco visíveis cá de baixo, e

do sempre "papá !!!, animais ....", "Bambies", esses tão constantes até ao "gazela é árvore, não vale" dos menos dados a estas coisas, mas hoje mais queridos, mesmo no "coitadinho, aquele tem dói-dói"
Mas assim como quem não quer a coisa, distraidamente, no em cima da estrada, dormitando

o leão. E ainda, mais à frente, o grande rino, a dar-nos um bom bocado.

Uma horita no kruger, eu e ela, não mais. Afinal dia de mais sorte ainda. A seguir Maputo, esperar a mamã.
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Da Modernidade

"Portas-fora" com publicidade à MCel, Ressano Garcia, Janeiro 2006.
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Dúvida


Grande Mesquita, Ilha de Moçambique


Mesquita Velha (ruínas), Ilha de Moçambique. 1ª mesquita em Moçambique
Cada vez que nelas entro descalço-me. Fará isso de mim um torpe multiculturalista? Um desertor face ao fundamentalismo exarcebado? Em suma, um colaboracionista?
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fevereiro 01, 2006
OK, Standard

[Dançarinas do grupo Assanate Novo Sistema, Ilha de Moçambique, Janeiro 2006]
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Quase Standard, Porque Matrona

[Ilha de Moçambique, Janeiro 2006]
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Na tal pedreira

[Ilha de Moçambique, Janeiro 2006]
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Work in Progress


[Ilha de Moçambique, Janeiro 2006]
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janeiro 30, 2006
UB40 em Maputo
Já disse que não fui. Mas lê lá, o André tem uma bela reportagem do concerto.
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janeiro 29, 2006
O Rock (esteve) na Machava
Foi há já vinte anos, e ficou na lenda maputeca (o "laurentino" pós-colonial). Em plena guerra, uma cidade já sitiada, um país devastado por intempéries humanas e naturais. E ainda assim organizou-se, coisa única não só então como desde então, o encontro entre o estádio da Machava repleto e este

slowhand. Vezes sem fim mo contaram, os que nele participaram e os então ausentes, do espectáculo, assim tornado, já o disse, lenda. Pelo raro do rock de tal quilate, ícone do mundo, aqui; pela sensação de triunfo, de possibilidade, de esperança de normalidade, que tal brotou, adivinho-a em todo esse ênfase na memória do "Clapton Was Here". Os detalhes do que tal se passou, os nomes de quem o trouxe (o organizador Eddy Mondlane sempre, às vezes sussurado também a audácia inicial de António Branco, mas disso já não sei). Confesso-me sorrindo às histórias. Aceitando o feito de então, compreendendo o brio, imaginando a onda. Mas assustando-me (já então me assustaria) aos longos pastéis guitarrais do "Cocaine", paradoxando-me com um "I Shot the Sheriff" em momentos em que os xerifes de cá eram os primeiros a ser decapitados senão mesmo pior, resmungando o xaroposo "You Are Wonderful Tonight" - ainda que venha o primeiro que nunca tenha slowmente sussurrado assim mesmo.
Enfim, mito da Machava que ficou e que alguns sempre quiseram repetir, assim aspergir-se, bentamente. Lembro há anos a chegada de uma seita portuguesa, literais no "Regresso das Caravelas" e "Camões", gentes dessas com que o Estado desbarata o País, a referirem-no, em ânsias de conquistas. Dessa vez lusofonamente queriam com a Daniela Mercury (re)encher o estádio, rodeando-o de quiosques propagandistas das instituições portuguesas, crentes, coitados e malandros, que o mito remolda a história e brilha até em casa própria, mesmo que longínqua. E eu a aturá-los, ouvindo-lhes o arfar da cobiça e cheirando-lhes o hálito boçal, desistido de qualquer oposição a restar-me o desprezo num "encher a Machava? com a Mercury? é pá, se o objectivo é esse tragam o Roberto Carlos" que para cultura na língua de Camões ainda os tropicalistas legitimariam - mal imaginava eu que, bem poucos dias depois o amigo AM, afinal contactado como produtor que isto de trabalho é trabalho, me telefonaria de Lisboa num espantadissimo "Ouve lá, dizem-me que querem o Roberto Carlos aí em Maputo, que foste tu que aconselhaste" e eu no quase (então apenas quase) desespero face a tipos que nem a ironia do desprezo compreendem.
Mas estas são histórias outras, tudo vindo a propósito da convocatória da Passada. Gravidissima, obviamente que se absteve de comparecer ontem na Machava aos esperadissimos UB 40, cabeças de cartaz de festival gigantesco. Atirou ela que as imagens (in-blog) ficariam por minha conta. Pois, também senti a azáfama maputense, o chamamento até ritual, o estádio cheio, o sinal da capacidade de fazer e sonhar tempos melhores [que o jornal Domingo hoje sublinha na capa] que um ritual destes, o giga-rock, aqui implica de tão inusitado ainda.
Mas, minha querida vizinha, eu sou do tempo de importar de Londres, via mão amiga o
.
coisa vinil de então. E nisto tudo, distraidamente, correram décadas. Já não tenho arcaboiço para para um dia de estádio in-rock, mesmo se refugiado no sector vip (hoje esquecido nos convites restar-me-ia desembolsar o tal milhãozito de meticais). Dos UB40, do dia que fará memória nestas gerações maputecas (como na minha, lá na terrinha, fizeram o Lou Reed e os Tubes), do ajuntamento do povo diante do meio reggae-branco-e-preto (e do como é bom frisar misturas nesta terra de preto-e-branco, apesar do sol múltiplo, da terra tantas vezes vermelha e do verde quando não o abatem), fica-me apenas o ultrapassá-los ali à marginal, eles na voltinha panorâmica no machibombo do Quadros.
Que o provecto bloguista ficou-se, quem mo diria há algum tempo apenas, em jantar de amigos, casais apenas separados pelas diferentes atenções ao jogo da bola. E que jogo, que jogo: ontem passei-me. Bem mais do que com qualquer rock-in-maputo.
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janeiro 28, 2006
Retrato do Trabalho em Maputo

Seminário Académico, Maputo, Junho 2005.
(a minha contribuição para a bela série colectiva em publicação no Abrupto. Sobre a concepção de "trabalho" que ali brota acho óbvio: um imagem vale por mil palavras)
Publicado por jpt às 07:36 PM | Comentários (0) | TrackBack
Tufo



Actuação do grupo Associação Forte Amizade.

Zinha, a excelente "1ª dançarina" da Associação Forte Amizade
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"Fecalismo a Céu Aberto"

Eparea Ohokolocha (praia desafinada), Ilha de Moçambique
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Um mundo global

Barbearia Levis 501, Ilha de Moçambique

"Viver Angola é uma riqueza", Ilha de Moçambique
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janeiro 27, 2006
Há só um sol por aí

Mariamo, namwina unyolela opatxa [1ª dançarina (+/-)], grupo Anuaril Hassanate; Ilha de Moçambique.
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Rota de Séculos

Congolês vendendo artesanato Luba na Ilha de Moçambique.
Publicado por jpt às 11:19 PM | Comentários (0) | TrackBack
Cúmulo de Beleza

A beleza nas Linhas Aéreas de Moçambique é absolutamente inexcedível.
(fotografia reproduzida da Índico, II Série, nº 34)
E pensar que há tipos que blogam sobre estrelas de cinema ...
Publicado por jpt às 03:32 PM | Comentários (8) | TrackBack
Torre Eiffel

(Ilha de Moçambique, de dentro da casa de Mustafa Juma)
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janeiro 15, 2006
Blog moçambicano
Sol de Carvalho, realizador moçambicano, escolheu Paris para surgir também bloguista moçambicano: Damalisco.
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dezembro 16, 2005
O Regresso da Proler

Após quase um ano regressa a Proler, a mais significativa revista cultural aqui. Um novo responsável executivo, o meu patrício António Cabrita. Homem do jornalismo cultural, tarimba que aqui se nota, um miolo mais informativo, mais de "revista cultural" do que o conseguido nos 12 números anteriores: recensões várias a edições nacionais (Carlos Serra, Amâncio Miguel, Aldino Muianga, Nelson Saute), textos de Cabrita sobre o "Até Amanhã, Coração" de Eduardo White (crítica que irá mexer no pequeno meio literato, estou certo) e sobre o "Setentrião" de João Paulo Borges Coelho, uma entrevista com o sempre recomendável (e excessivamente discreto) Aldino Muinga, outra com o também bloguista Elísio Macamo, presença assídua no Ideias para Debate, bem como texto e reportagem sobre a literatura infantil do Machado da Graça. Saindo das "letras" (muito se saúda) textos curtos sobre Mucavele e Walter Zandamela, sobre os Thikyt, uma reportagem sobre filmes aqui a rodarem (Terra Sonâmbula e Grande Bazar), etc, etc.
Um progresso, este regresso da Proler.
Mas, por outro lado, a manter os problemas que sempre impediram um seu maior enraizamento. Enorme atraso da publicação em relação à data anunciada, o que é letal para uma, apesar de tudo, "revista de actualidades". Inexistência de rede de distribuição. E, também, ausência de anunciantes. É uma pena, a revista neste muito positivo molde, a sair com a regularidade anunciada e sendo distribuída, será um sucesso. Assim ... A ler vamos.
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dezembro 12, 2005
De vez em quando o Nkhululeko tem "entradas" (em inglês "posts") que eu gostava de ter. Hoje exagerou.
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dezembro 04, 2005
Agora Existo

"Agora Existo", um documentário da jornalista Anabela Saint Maurice (RTP) rodado em Outubro em Moçambique, sobre a realidade do Sida aqui. Transmitido na RTP-África no 1º de Dezembro para assinalar o Dia Mundial da Sida.
O olhar jornalístico europeu sobre África é relativamente padronizado. O português é-lhe exemplo talvez máximo. Tudo moralista, das boas intenções às boas impressões, uma mistura de "denuncionismo", "coitadismo" e "exotismo", um caldo de pitoresco entre capulanas, raparigas sorridentes, estropiados das minas, corruptos e famintos, com pôr-de-sol em terra batida por pano de fundo, com maior ou menos enfoque nas aventuras havidas pelos ditosos jornalistas em causa. Tudo isso resultando em produtos oscilando entre o indigente e o até abjecto. Produzindo sensações e, mais que tudo, desconhecimento.
Também por isso, mas acima de tudo pelo seu valor intrínseco, que até se desmerece em comparações com o padrão habitual, muito é de saudar este documentário da RTP, "Agora Existo" de Anabela Saint-Maurice. Abordando a realidade dos seropositivos em Moçambique (com excertos em Naamacha, Beira, Caia, Chiure, Ibo - um rápido "da Naamacha ao Ibo" qual metáfora do célebre "do Rovuma ao Maputo") Saint-Maurice trouxe a vida dos doentes, suas dificuldades, as irredutíveis e as esperançosas, sem a sua vitimização usual, essa que "desagencia" os indivíduos, os naturaliza desumanizando, passivizando-os. Gente doente fazendo pela vida, reclamando a vida, estrategizando pela vida. Curandeiros doentes lutando contra a doença, ali sem exotismo (e o como deve ser difícil a um europeu de passagem evitá-lo neste caso), putas meninas sem preservativo e sem denuncianismo, poligamia também, hospitais no o como existentes, nisso do mostrar o real actual e o que talvez venha a ser. Sem a lágrima fácil, vendo gente a andar, mesmo que por vezes trôpega. E isso sem que haja fechar dos olhos, penso que as imagens da praga de ratos na enfermaria feminina do Hospital da Beira ficarão na história. Saint-Maurice não facilitou. Um belissimo programa. Vénia.
Vejam. E se alguém que por aqui passe conhece a jornalista diga-lhe, sff, que há bloguista que gostou.
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dezembro 01, 2005
Henri Junod
Com a conferência de Pascoal Mocumbi terminou ontem o ciclo de quatro conferências que foi dedicado à vida e obra de Henri Junod, missionário suíço que trabalhou no sul de Moçambique (actual província de Maputo) entre 1889-1895 e 1907-1921. Grande obreiro da missão suíça aqui (cuja extrema influência se estenderá por longas décadas) e extraordinário etnógrafo (inclusive influenciando a teorização do seu contemporâneo Radcliffe-Brown) a evangelização de Junod teve ainda influência nas delimitações étnicas deste sul de Moçambique. Dele há edição nacional de Usos e Costumes dos Bantu (Maputo, Arquivo Histórico de Moçambique, 1998, 2 vols.)

Aqui deixo fotografia-epítome que, por excelente escolha, ilustrou o cartaz alusivo à primeira conferência, a cargo de Mia Couto.

Da vasta bibliografia que se pode encontrar na internet gostaria de realçar, aos hipotéticos interessados, estes textos:
Biographical Study of H.-A. Junod: the Fictional Dimension, de Bronwyn Louise Michler [texto longo, dissertação].
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novembro 22, 2005
Carlos Cardoso

[Carlos Cardoso e o filho, Ibo. Fotografia Ricardo Rangel.
Reproduzido de Paul Fauvet e Marcelo Mosse, É Proibido Pôr Algemas Nas Palavras. Carlos Cardoso e a Revolução Moçambicana, Maputo, Ndjira, 2003]
Cumprem-se hoje 5 anos (já!) do assassinato de Carlos Cardoso. Às 18 h. haverá homenagem no local do atentado. Até logo.
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novembro 21, 2005
Avatar em Tete
O Bruno Martins está cá. Mesmo cá. Conta do acidente rodoviário. E do seu catolicismo torturado.
De antropossociologia que eu adivinho não conta. Talvez não a tenha apanhado. Talvez não a queira contar (nem a si próprio?). Ou, mmmhhhhummm, porque não haja nada para contar. Se o technorati funcionar em Chimoio fica o convite para bebida destilada aquando em Maputo.
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novembro 20, 2005
Rivaldo
É o seu cognome. Futebolista, 16 anos. Vindo do Benfica de Nampula, jogador da Liga Muçulmana aqui. Da selecção que esteve nos jogos desportivos da CPLP. Atacante, goleador. Disciplinado, cabeça no sítio, dizem-no nos jornais.
Vai agora para a Academia do Manchester United. Desconfio um bocado deste tipo de exportação de jovens, uns vingam outros não. Gostaria de saber dos destinos dos que não medram como profissionais do desporto. Mas enfim, é uma hipótese. De jogar, de enriquecer. E, tenha lá que medida de sucesso tiver, é modo de crescer, ver mundo. Que alcance todo o sucesso. Tanto como o do quem vestiu o nome, se possível.
Ah, e se o tiver, hei-de sempre perguntar-me: "onde anda(ra)m os olheiros do meu SCP?"
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novembro 13, 2005
Má-Língua
Mesmo quando é a de amigos bem amigos é sempre de desconfiar. Ou melhor, de não ouvir.
Ou seja, o Savana não acabou com o seu acesso na internet, não há nenhum absurdo. Pode-se aceder aqui.
[bem, eu não consigo aceder a lado nenhum; mas há amigos a insistirem que sim, e o cabeçalho do jornal também. Logo ... ]
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novembro 10, 2005
A Fome em Moçambique

Está aí, coisa da seca persistente. A do ano passado, a que parece continuar este ano. Fome dita a Sul. Mas também a Norte. Essa que encontrei no litoral do norte nos meados deste ano, já então grandes distribuições de farinha para populações muito carenciadas. Da seca à pouca produção, daí à inexistência de reservas familiares. 650 mil sofredores, aventa o governo, 800 mil em perigo enchem-se os jornais. E, provavelmente, mais, muitos mais. No combate da vida, contra este nada. E, também, contra o silêncio.
Entretanto sobre o assunto um texto de Mia Couto. Excelente. Sobre a fome e sobre o pensar: "Outra Fome" ["Mais", Outubro 2005]


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novembro 09, 2005
Ascensão
O Nkhululeko ascendeu. Abraço. (Afinal ...?)
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novembro 08, 2005
Bloguismo em Moçambique
Dois blogs moçambicanos. Gente mais nova, a opinar. E a assinar o que opinam. O Ideias de Moçambique e o Partindo da Base. E um outro, aparentemente em pousio: Maputo Urgente.
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novembro 07, 2005
Alegre e Moçambique
Há alguns dias o meu total espanto diante da RTP, um episódio da visita de Armando Guebuza a Portugal. Também nisso reparou o Luís Carlos Patraquim, na sua coluna "A Esquina do Tempo" que envia de Lisboa para publicação no Savana.
"Em compita para serem recebidos pelo dirigente moçambicano estiveram os candidatos presidenciais portuguesas. Mário Soares e Cavaco Silva relevam [sic] o sentido estratégico das relações Portugal/África e depois Portugal/Moçambique, Portugal/países da CPLP. Com o inédito do protesto de Manuel Alegre apontando o dedo à falha do protocolo de Estado. Reivindicou uma amizade antiga e o princípio de que, em democracia, não há vencedores antecipados. O presidente moçambicano virou centro de disputa entre os candidatos lusos. Manuel Alegre também queria ser recebido. Guebuza estava no centro de uma visibilidade que os "presidenciáveis" portugueses exigiam. É uma espécie de eixo que se desloca, inclina." (Savana, 4 Novembro 2005)
Talvez um pouco forçado o tom com que traça o facto. Mas também eu notei esse "espécie de eixo que se desloca, inclina". Pelo menos naquela polémica sobre a retórica protocolar - e forma é conteúdo. Não que venha mal, acho até um projecto interessante, o "multipolarismo". Interessante não, necessário. Um projecto a fazer.
Mas é (foi) óbvio que não era disso que Manuel Alegre falava, não era esse redesenhar o seu objectivo. Pois se fosse o caso tê-lo-ia explicitado, uma linha de pensamento, um futuro. Nada disso, ali apenas o queixume do minuto de televisão, do "panache" cutucado. Episódio mero impensamento, mero autocentramento, mera cabotagem fluvial. Por mais que este episódio seja marginal ao correr português do lá em Portugal, que lhes seja até invisível, esta foi óbvia demonstração da pequenez política de Alegre.
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Parece-me óbvio o absurdo de um jornal como o Savana não ter uma edição electrónica na net.
[adenda às respostas ao questionário sobre o Savana]
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Cahora Bassa aqui
Ecos do acordo sobre Cahora Bassa na imprensa moçambicana:



Notório o carácter político, de afirmação nacional, de estabelecimento definitivo de uma soberania pós-colonial, que a questão assumiu. Não digo que a imprensa reproduza um qualquer "pulsar do povo", aqui como em todo o lado produz os valores do momento, mais ou menos instrumentalizados. Mas também é produzida pelos valores do momento. Estes que se foram sedimentando ao longo destes últimos anos.
A HCB, verdadeiro elefante branco de uma política colonial fora de moda, foi em seu tempo uma decisão política (e político-militar). O "se" em história não tem razão de ser, mas ainda assim seria necessário sonhar um santificado "Se" para imaginar que uma barragem iniciada em 1969 por um regime em total contramão da História pudesse vir a ser lucrativo para quem o realizou. Daí que para uma questão política se impusesse uma resolução política.
Quem visita o Ma-Schamba conhecerá a minha pouca simpatia para com o "quem manda" em Lisboa. Mas neste caso, depois de anos de negociação de uma questão política, fica-me o apreço (localizado) por quem no meu país se decidiu.
Cito, a concordar: "Contudo, será de esperar que findos os três dias de troca de cordialidades protocolares, Guebuza e Sampaio tenham dado um passo decisivo, mais próximo de uma solução definitiva. Tudo dependerá da capacidade negocial de ambas as partes. Mas, sobretudo, da vontade, determinação e coragem políticas dos líderes portugueses de verem encerrado um longo e tortuoso dossier colonial" (Fernando Gonçalves, Savana, 15.10.05).
****
Depois há as reescritas da história. As que virão no futuro e as que já aí estão. A norte podem-se ler algumas lamúrias contra a "entrega de Cahora Bassa" que seriam criticáveis se não acabrunhassem, por pura piedade com quem trinta anos depois ainda não seguiu a sua vida em frente.
E a sul, no sul daqui, um pequeno episódio exemplificativo, que ontem me narrava um amigo moçambicano, conversa de um bom almoço:
- Bolas, ontem quase que me acusavam de traidor.
- Conta...
- Eu, entre-risos, a dizer "hé pá, os tugas lá nos deram Cahora Bassa", e logo até ofendidos a repreenderem-me: "deram-nos não!! devolveram-nos!"
Enfim, nada de novo sob este sol. Sejam lá quais forem os meridianos.
Agora, e quanto a isto, o futuro pertence ... aos homens.
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Sobre Cahora Bassa José Medeiros Ferreira escreve. Mas entre o enigmático e o abstruso. Pois não é apenas "mais um acordo" o que se assinou. Mas, e o que será mais interessante, não se percebe exactamente o que reclama aos "rigoristas das finanças" - que critiquem o acordo? Ou que (hoje) critiquem a construção da barragem? Mais estranho ainda, o que é que uma reflexão sobre Cahora Bassa terá a ver com o Euro-04 de futebol?
[Esta breve nota estaria mais apropriada nos comentários do Bicho Carpinteiro mas aquilo tornou-se um sub-mundo (os comentários, não o blog)].
Publicado por jpt às 02:17 AM | Comentários (1) | TrackBack
A Nossa Energia Abraça Moçambique

As fotografias abaixo colocadas foram reproduzidas deste A Nossa Energia Abraça Moçambique. Edição comemorativa do 25º Aniversário da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Lisboa, HCB, 2000 [texto de HCB e João Pedro Chaby; fotografias de Carlos Alberto Vieira, Eduardo Gajeiro, Guy Tillim]
Um livro objecto algo deficitário, note-se. Um texto institucional em demasia, perdendo a hipótese de uma reflexão mais vasta sobre o processo decisório e executivo da construção da barragem, bem como do enquadramento no plano colonial (serôdio) de desenvolvimento do vale do Zambeze. E também sem grande detalhe na relativa centralidade da barragem durante a guerra civil. Não quero exagerar nas críticas, o livro é comemorativo, mas ainda assim algo de menos formal poderia ter ali germinado.
Pior ainda, o tratamento gráfico. Uma capa pouco explícita. Uma legendagem lamentável, confusa, incompleta e tantas vezes não datada. Uma paginação penosa, atafulhada de imagens, tudo típico de quem não sabe editar fotografias. E, imagine-se, estas não identificadas. É preciso ir saber fora quem fotografou o quê: Gajeiro ou Carlos Alberto? Surreal mesmo um capítulo "Iconografia", tipo "As gentes da albufeira" entre a capulana garrida e a maminha ao léu, uma busca do "típico" que seria anacrónica se não fosse mero mau-gosto totalmente descabido nos dias de hoje. [Já agora, os construtores da barragem não surgem, não são eles também "gentes da albufeira"? Ou não foram fotografados?].
E para que não se diga que exagero aqui fica este fragmento da "Nasce o dia em Cahora Bassa", uma pirosice é certo. Mas foto a merecer mais do que ser deixada em duas páginas completas e onde a mulher, ali cerne, está exactamente na divisória. Quase-invisível, como é óbvio, coisa que seria do mais amadorismo se não fosse mesmo apenas desprazer no trabalho.

Ou seja, seja a administração que em breve irá cessar, seja a próxima, bem poderão deixar memória destes primeiros trinta anos de barragem num livro que lhe faça justiça. Diz quem gosta de livros, claro.
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Cahora Bassa






1. Vista geral da zona de construção da barragem (s/d).
2. Escavações e betonagem dos encontros e fundação da barragem (s/d).
3. Barragem. Ponta da cheia em Março de 1974.
4. Betonagem dos blocos e vista da ensecadeira da tomada de água Norte (s/d).
5. Descarregadores abertos (Dezembro de 1974).
6. Vista da barragem com descarregadores abertos (Dezembro de 1976).
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novembro 04, 2005
Michel Cahen
Uma entrevista a Michel Cahen no Diário de Notícias de Lisboa. [texto abaixo transcrito, retirado do atento Forever Pemba]. Algumas visões interessantes sobre a história recente do país. Algumas visões a discutir (que é o melhor que pode acontecer a um investigador, isso do ser discutido). E também interessante ver as causas mobilizadoras para a investigação.
Cahen é sempre incómodo em Moçambique (que é o melhor que pode acontecer a um investigador, isso do incomodar). Aqui algumas perguntas (ainda que anónimas ...)/ contraposições atiladas. Ou seja, discutíveis.
Eu aqui nem opino. Algumas ideias parecem-me pacíficas, ainda que a outros talvez não o pareçam. E algumas até já bem sistematizadas, por ele e por outros autores. Outras nem tanto. Algumas até anacrónicas. Mas aquilo que retiro, o facto que me é mais interessante e sem nenhum desmerecimento por Cahen (que não o mereceria, diga-se) é a "coincidência" do DN: entrevista e visita presidencial de Armando Guebuza a Lisboa. Pequena pirraça? Sabendo da inexistência de um olhar analítico dos media portugueses sobre Moçambique esta "coincidência" só o poderá ser. Malgré Cahen, claro.
Pobre DN.
Diário de Notícias, 30.10.2005 -Leonardo Negrão
Quando é que começou a interessar-se por Moçambique?
- Em Julho de 1975. Tinha 22 anos e, como muitos dos meus amigos da Sorbonne, ainda estava influenciados pelos acontecimentos de Maio de 1968. A maioria veio para Portugal, para ver a Revolução dos Cravos, mas eu nãoo. Optei por África.
Porquê?
- Era estudante de História e, à semelhançaa de muitos estudantes na altura, fazia longas viagens, de quatro, cinco meses... A maioria ia para a Índia, mas eu optei por África. E, em 1975, fui a Moçambique. Fui à boleia desde Nairobi e cheguei à zona das "três fronteiras" - Moçambique, Malawi e Zâmbia - pouco depois da independência.
Esperei três dias para apanhar boleia de um camião para a Beira. O motorista era um antigo membro dos comandos, com uma tatuagem no braço.
Passou a fronteira sem problemas?
- O soldado da Frelimo não sabia muito bem o que fazer... Como eu não tinha visto, deu-me uma guia de marcha para ir até à Beira...
E foi ?
- ...Sim, mas o mais interessante foi que o antigo comando tinha um auxiliar o Pedro, que lhe preparava o pequeno-almoço, o almoço e o jantar. Mas nunca comia connosco, o que era estranho. Um dia, virei-me para o motorista e perguntei-lhe: "Então e o Pedro? Não come?" Ainda hoje recordo a sua admiração: "O Pedro? O Pedro só come à noite." Ou seja, como era preto, o Pedro só comia à noite, e pronto! Isso fez-me pensar na similitude que podia existir entre o colonialismo francês e o colonialismo português, que não passava tanto pela implantação do grande capitalismo, mas mais pelos militares, pelos padres, pelos servidores da administração, pequenos comerciantes...
Essa conversa fez-me pensar nas semelhanças entre os colonialismos francês e português e no tipo de colonialismo que poderia ser produzido por uma metrópole europeia com poucas potencialidades de investimento em capitais. Muito diferente, por exemplo, da Grã-Bretanha e da Holanda.
Isso levou-o a interessar-se por Moçambique?
- Isso e o regime de partido único. Ao contrário dos meus amigos, que tinham apoiado a luta contra o colonialismo, transformando, depois, esse apoio numa solidariedade com o partido único, sempre fui contra os partidos únicos.
É essa a razão que o levou também a sublinhar a incoerência dos militares que fizeram uma revolução em nome da liberdade e da democracia em Portugal, lançando uma descolonização que transferia os poderes para partidos únicos nas colónias?
- É. E porque isso deriva de um certo paternalismo de alguma esquerda europeia que, nessa altura, se manifestava contra as ditaduras na América Latina, apoiando, no entanto, regimes de partido único em África porque consideravam isso como uma etapa na criação da nação.
Qual naçãoo? A nação que nascia das fronteiras coloniais que tinham dividido vários povos? Voltou muitas vezes a Moçambique?
- Voltei em 1981, 1985, 1988... Comecei a interessar-me pelo impacto dos regimes de partido único na desagregação das sociedades tradicionais, já que a Frelimo apostou num paradigma de modernização autoritária e de transformação rápida que não respeitava as identidades sentidas pelas populações. Para a Frelimo havia um só povo, uma só nação e um só partido, do Rovuma ao Maputo. Afinal, uma concepção semelhante à dos portugueses, para quem Moçambique só era Moçaambique porque era Portugal.
Começou a estudar as etnias...E a tentar perceber o fracasso das aldeias comunais.
- Para quem era da Frelimo, o fracasso das aldeias comunais resultava do facto de o Estado não ter conseguido pôr em prática a linha do partido. Para mim, o que importava passava por outra coisa o princípio da aldeia comunal era, em si mesmo, uma agressão à sociedade camponesa.
Porquê?
- Os africanos têm uma relação muito forte com o espírito dos seus antepassados. Pelo que deixar as suas terras significava tambémm deixar os antepassados para trás.
Como é que explica as agressões da Frelimo às estruturas tradicionais?
- O que se pode esperar quando se enviam jovens de 18 anos para os campos, onde era suposto terem de se impor a régulos com mais de 70 anos? Isso é uma agressão completa. E quando eles proibiam os rituais da chuva e depois não chovia? Muitas vezes, ouvi pessoas do povo referirem-se aos responsáveis que vinham de Maputo como "o camarada que veio da Nação". Isso é um vocabulário popular muito interessante. Ou seja, o povo era o povo organizado, que era membro do partido e da administração do Estado. Quando havia fome, uma pessoa do povo tinha direito a um saco de arroz. O popular só recebia um quilo.
Daí, passou para a Renamo?
- O que me interessou na Renamo foi perceber que, ao contrário do que muitos tinham previsto, ela não tinha acabado com a independência do Zimbabwe, em 1980. O que significava que a Renamo era autónoma e conseguia sobreviver para além do apoio da Áffrica do Sul. Nessa altura, havia quem dissesse que a Renamo exprimia apenas os interesses do apartheid. Mas essa imagem não era compatível com a sua influência. Quando Samora Machel morreu, em 1986, a Renamo actuava em 80% do território. Em parte, as pessoas sentiam-se agredidas pela Frelimo e acreditavam que a Renamo as protegia do Estado.
Entrou em contacto com a Renamo?
- Só visitei as suas zonas de influência em 1994. Segui a sua campanha eleitoral durante meses...
E interessou-se pela Renamo...
- Mais pelo mundo das etnicidades, já que a Renamo pouco, ou nada, diz sobre as etnicidades. A Frelimo é que transformou a questão das etnicidades num facto político, quando as agrediu. Não percebendo que os regulados estavam em crise no final do período colonial, altura em que muitos filhos ou netos de régulos preferiam ser motoristas de táxi na cidade do que régulos nas aldeias. Ao tentar apagar tudo, a Frelimo recriou-lhes essa legitimidade.
É essa relação da Renamo com os régulos que explica a votação em 1994?
- Creio que muitos dos que, em 1994, votaram na Renamo o fizeram porque se sentiam marginalizados. E não apenas pela Frelimo. Muitos votaram contra a sua própria marginalização pelo Estado moderno.
Conscientes do que faziam?
- Penso que sim. Repare-se que as comunidades que mais apoiaram a Frelimo foram precisamente aquelas que melhores relações tinham com os portugueses. E as populaçõeses que mais se revoltaram contra os portugueses foram as que estiveram mais perto de Renamo.
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Sida e Abstinência Sexual

(autoria de Pedro A. Manteiga)
Este "Toni" é a página de banda desenhada que integra a TVzine, a revista da programação da Tvcabo moçambicana, uma das poucas revistas do país.
O que chama a atenção para esta bd não será a sua reduzida qualidade estética. Enfim, é uma tentativa. O que o torna absurdo é a mensagem. Em 2005 a continuação de uma campanha contra o SIDA assente no apelo à abstinência sexual. Como a reprodução é má eis algumas das deixas do tal "Toni": "Vocês devem abster-se do sexo. São muito jovens e ..." ... "Não praticar relações sexuais é o único método seguro para evitar DTS HIV/SIDA e gravidez indesejada".
O Sida é uma praga, um drama terrível em Moçambique. As campanhas de sensibilização parecem falhar (parecem pois as percentagens de infectados continuam a aumentar. Mas que seria sem elas?). Nesta situação muitos procuram disseminar mensagens de sensibilização e mensagens de esperança. Mas não será já tempo de perceber quais as mensagens inúteis? E, pior, quais as mensagens contra-producentes?
Campanha pela abstinência sexual? Afirmar o preservativo como inseguro? Talvez inconsciência do desenhador, talvez ecos dos fundamentalismos cristãos. Mas a roçar o inaceitável. E a direcção da revista que diz?
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novembro 03, 2005
Banca em Tete

[Tete, provavelmente perto de Boroma; Setembro de 1999]
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novembro 02, 2005
Tahar Ben Jelloun
Num molho de jornais velhos que me chegam às mãos está um "Mil Folhas" (suplemento do Público, 8.10.2005). Nele uma entrevista de Tahar Ben Jelloun (a propósito da edição portuguesa de dois livros, "O Escrivão Público" e "Amores Feiticeiros", na Cavalo de Ferro). Deste marroquino li apenas, e já há bastantes anos, o "O Homem Quebrado" (Caminho) e não gostei. "Se bem me lembro" era sociologicamente muito interessante, centrado num protagonista funcionário público de ética incorruptível, algo excêntrico ao meio circundante, até familiar/conjugal, e dele sofrendo opressoras pressões para se acomodar. Mas pareceu-me também tudo muito esquemático, as personagens algo meros estereótipos. Enfim, espero que estes dois livros sejam mais interessantes. E que as edições corram bem à Cavalo de Ferro, nas raras idas a Lisboa gostei de encontrar esta editora nas livrarias, um perfil (entenda-se, um catálogo) a querer caminhos algo diferentes, arejados.
Isto tudo a propósito da entrevista. Onde ele diz: "[Para os escritores marroquinos] Há duas situações diferentes. Há os escritores que escrevem em árabe, que são a maioria, e que sofrem a desordem do mundo árabe. Um livro escrito em árabe é publicado em Marrocos, não chega à Argélia, nem à Tunísia, pode chegar ao Líbano, mas não ao Cairo. Estes estão sufocados. Depois há os que escrevem em francês, que não são muitos, mas que são acusados de estarem numa situação ambígua. Acusam-nos de não revelarem o Marrocos real por se exprimirem numa língua que o povo não fala. A mim, a crítica que a imprensa árabe em Marrocos me faz sempre é a de que sou um escritor folclórico e exótico, que escrevo para agradar aos ocidentais."
Não pude deixar de sublinhar, tanta me pareceu a homologia com o meio literário moçambicano. Não exactamente na diferença da língua em que se escreve. Mas na situação da escrita. E do que se diz sobre a escrita. Mas talvez seja necessário viver isso para compreender a semelhança ...
No fundo o regresso dos estereótipos. Afinal não só produzidos em ficções menos conseguidas. Mas carne do real. Impensante.
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outubro 27, 2005
Blog em Moçambique
Um novo blog em Moçambique: o Nkhululeko. Bom bloguismo.
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outubro 26, 2005
Morte de Samora Machel
Actualizado o Morte de Samora Machel com inclusão dos endereços de dois sítios com informação relevante sobre o caso, informação que agradeço a leitores comentadores.
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outubro 23, 2005
Fogos em África
Um excelente post no 25 cms de Neve sobre fogos em África, chamando a atenção para leituras mais vastas.
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outubro 21, 2005
3º dia

de ocupação da Universidade pelos alunos. É da história, estes têm sempre razões. A Razão, essa é outra coisa. Entretanto ... já chega de encerramento. Que amanhã tudo tenha acabado. A bem. E em bem.
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outubro 20, 2005
Alienação

(20.10.2005)
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outubro 19, 2005
Debate
O Ideias para Debate, O blog moçambicano, está a emitir de novo. Vamos ver se a corrente reanima - a meu ver o problema ali, "a seca" como diz o último participante, que conduziu ao quase encerramento é o excessivo tom "composto" dos textos, que inibirá maior espontaneidade na participação.
É coisa de cultura, a pa-la-vra cer-ta, o sim-bó-li-co do a-ti-na-do, a gramática do José Maria Relvas. Moçambique é Moçambique, a censura é mais que tudo a auto-censura, a auto-censura é mais que tudo estatutária. Urge libertar a pa-la-vra, perdão, a palavra. Um dia, talvez longe, até se poderá praguejar por escrito.
[E com isto lembra-me a polémica recente no jornal Savana, e é esta é coisa vem ao dedar das teclas, tipo a castanha do caju, que o Ideias para Debate nada tem a ver com o assunto. O cronista Fernando Manuel, o cujo aliás me desagrada pelo acinte, falta de humor, péssima escrita e profundo racismo, mas muito acarinhado sabe-se lá porquê ... (eu acho que ele é acarinhado exactamente pela miserável escrita que o possui) ... encheu um texto "crónica" (em boa verdade é um exagero chamar crónica às charlas em questão) de praguejos. Caíram os leitores sobre o jornal e logo a sua direcção, inacreditavelmente, veio-se desculpar, assegurar que tal não se repetiria. Ou seja, no jornal Savana não se pode cronicar (no caso, enfim, será um exagero, já o disse) com praguejos. Risível? Ridículo?
Bem, tudo isso. Mas o mais engraçado é que no jornal Savana o mesmo cronista não pode escrever "foda-se", "fodido", "cabrão", "cona" mas pode escrever "ó branco, está na altura de te ires embora" (e aqui o facto do tal "branco" ser moçambicano é absolutamente irrelevante)]
Afinal, de tecla em tecla, este se calhar até é um texto para o Ideias para Debate.
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outubro 18, 2005
Venha daí. [Texto abaixo transcrito]
RECONHECE; NO ENTANTO, QUE SERÁ DIFÍCIL
Governo moçambicano quer contratar Queiroz
Record
Data: Terca-Feira, 18 de Outubro de 2005 11:02:00
O Governo moçambicano quer contratar Carlos Queiroz, nascido em Moçambique, para treinar a selecção, disse hoje, à Lusa, o ministro da Juventude e Desportos, David Simango.
"Queiroz é sempre bem-vindo, pois, além de ser uma referência mundial, é um homem da casa", disse David Simango.
Falando ainda sobre o interesse do governo no adjunto dos ingleses do Manchester United, Simango acrescentou que Queiroz "é um técnico de craveira internacional, com elevada experiência e competência inquestionável, pelo que reúne os requisitos pretendidos pelo Ministério da Juventude e Desportos e da Federação Moçambicana de Futebol".
No entanto, o ministro reconheceu que "a contratação de um treinador deste calibre envolve avultadas verbas".
Simango afirmou que caso não seja possível contratar Carlos Queiroz para treinador principal, o técnico "irá dar o seu contributo para o desenvolvimento do futebol moçambicano, designadamente na área técnica e de marketing apoiando a campanha para organização do CAN- 2010".
Publicado por jpt às 03:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 12, 2005
Ideias para Debate
O Machado da Graça fechou o Ideias para Debate. Muito o lamento, o IpD foi um espaço único em Moçambique em termos de debate público, descomprometido e até inquiridor. E um exemplo de bloguismo político, em termos de interesse e profundidade. Face ao seu sucesso em termos de leitura e de participação também não compreeendo o súbito secar de participações. Retracção no opinar público? Ou o tom talvez demasiado formal (e composto) de alguns dos textos a inibirem outros hipotéticos participantes (o maldito paradigma do "escrever bem")
Pode ser que venha a regressar. Ou, e aqui já utopizo, talvez o seu encerramento implique o surgimento de outros blogs opinativos numa terra onde, até agora, o bloguismo é fundamentalmente fotobloguismo. Ainda que haja tanto para dizer. Para mais quando uma palavra vale por mil imagens.
Publicado por jpt às 11:19 AM | Comentários (0) | TrackBack
outubro 11, 2005
I Encontro Hispano-Africano de Escritores



Uma bem-vinda organização do leitorado de Espanhol (no meu tempo dizia-se Castelhano) da Universidade Eduardo Mondlane.
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outubro 08, 2005
Camarões em Zalala
O excelente Jorge Neto lá na Guiné-Bissau a matar saudades dos camarões de Zalala. Tal e qual. Idem, idem, aspas, aspas.
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outubro 07, 2005
Avatar em Moçambique
O Bruno avança para Moçambique. Trabalho na Beira anuncia(va-se).
Conselho de mais velho: cuidado com a água de coco. Pode-se beber. Mas, cuidado, que seja opção consciente.
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Fotoblogs moçambicanos
Um fotobloguista com dois fotoblogs: o Vinoda e o Janela do Indico
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setembro 26, 2005
Relato dum indígena turista em Moçambique.
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setembro 23, 2005
Uma Agenda Cultural de Maputo, ainda que não exaustiva.
Publicado por jpt às 05:08 PM | Comentários (0) | TrackBack
Neste blog o Companhia de Moçambique não precisa de ligação em texto. Ela está aí ao lado, em selos apelativos. Nunca deixar de visitar.
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Fogo-fátuo
Francisco Noa acaba de publicar um texto sobre o Fama Show [para os visitantes portugueses este é um programa similar ao Operação ??? (não me armo em pedante, ao escrever este texto não me lembro do nome do programa, uma "branca" como se diz, aquela escola de música apresentada por Catarina Furtado e capitaneada por Maria João)].
Para ele a vénia devida.
Fogo-fátuo
Folheando, há dias, um dos meus cadernos de apontamentos do meu tempo de estudante deparei-me com uma frase, muito cara a uma das minhas inolvidáveis professoras e que guardei ciosamente: os génios são os criadores, os outros são os seguidores, simplesmente. Vinha isto, na altura, a propósito da distinção entre efemeridade e eternidade, palavras que tinham a sua correspondência respectiva nas expressões fogo-fátuo (o que não dura) e fogo grego (o que permanece).
A frase, absolutamente lapidar na sua clarividência, ficou-me a chocalhar no cérebro, quando, há dias, assistia a um programa televisivo chamado Fama Show que não só tem mobilizado crianças, jovens e graúdos como também parece querer dominar a agenda cultural do país, tal o alarido mediático que o envolve.
Como proposta de entretenimento, nada tenho a apontar ao programa onde é possível verificar talentos interessantes na arte de ... imitar. Até aí, tudo bem. Se tivermos em linha de conta que imitar é algo congénito à natureza humana, não virá mal nenhum ao mundo que uma estação televisiva se transforme numa promotora e num mostruário das habilidades miméticas de jovens simpáticos e determinados a ter o seu momento de glória. Hoje, mais do que nunca, é quase vital manter viva a chama da fogueira das vaidades.
Preocupantes, porém, começam ao ser os sinais de histeria colectiva que se instalou por estas bandas e que leva as pessoas a acreditar que se encontrou, com esse programa e com tudo que o rodeia, a varinha mágica quer para resolver os problemas da música moçambicana quer para relançá-la através de novos talentos que irão inaugurar uma nova era no nosso panorama cultural e musical.
Mais preocupante ainda, na esteira da estação que alucinadamente reduziu a sua programação à atordoante e caudalosa promoção dos imitadores (transmissão de ensaios, repetições, auto-promoções, abertura de noticiários, etc), é assistir às irresponsáveis posturas e escutar levianas declarações de figuras que deviam ser mais responsáveis (governantes, edis, políticos, empresários, colunáveis, etc), ou observar a cobertura dada por alguns órgãos de comunicação que funcionam, sem o saberem, como caixas de ressonância do programa e dos seus mentores, ou então, aguentar a infindável e entediante procissão dos que se vergam à excelência e oportunidade da iniciativa, enfim...
Pior, muito pior, são os rios de dinheiro investidos em aprendizes de imitadores de que daqui a um, ou dois anos, possivelmente nunca mais ouviremos falar, em detrimento da real promoção e apoio dos verdadeiros e heróicos criadores da música moçambicana.
Com todo esse dinheiro (dinheiros públicos, lembre-se), que generosamente, a nossa tão patriótica operadora, e não só, vai orgulhosamente libertando, pergunto-me:
Quantos músicos, de verdade, não sairiam da indigência e da pobreza quase absoluta em que muitos deles se encontram? Quantos não veriam a sua inexorável caminhada, para a morte, adiada, se não interrompida (que o digam a Zaida e o Carlos Lhongo, o Eugénio Mucavele, o Alexandre Langa, o David Mazembe, o Avelino Mondlane, o Joaquim Macuácua, o Baptista Panguana, e todos os outros que, fatalmente, se vão seguir)? Quantas escolas de música, pelo país, não se abririam para dar oportunidade aos potenciais talentos da música moçambicana? Quanta dignidade e qualidade não ganharia a nossa música com apoios, equipamentos e tecnologia adequados que, certamente, metade desse dinheiro compraria? Quantas bolsas não se garantiriam para frequência de cursos sérios de música para muitos dos nossos jovens, incluindo aqueles que participam dessa tão frenética e alucinada experiência? Quantos especialistas sérios e competentes de música não seriam contratados para iniciar e aperfeiçoar jovens músicos moçambicanos?
Ergam-se, pois, as vozes acusando-me de estar a ser miserabilista, de estar a pôr em causa a iniciativa privada, de estar a ser um desmancha-prazeres, de estar a querer travar o espírito empreendedor!... Consigo sentir, aliás, o frémito e o rumor da indignação e do desagrado dos promotores e dos indefectíveis paladinos de um programa com desígnios tão nobres e tão sublimes.
Mas isso não abala nem a minha consciência nem a minha convicção de que seguindo por este inominável caminho, como está aqui a acontecer, com o beneplácito e compadrio de muita boa gente a quem é pedido, minimamente, bom senso, discernimento e sentido de responsabilidade, quando não mesmo, em alguns casos, sentido de Estado, mais não faremos senão decalcar, despudorada e alarvemente o que constituiu inteligência e esforço daqueles que são simplesmente os criadores. Aliás, é sabido que muitos programas de entretenimento, levados a cabo sobretudo pela televisão, concorrem mais para o empobrecimento intelectual, cultural e moral das massas do que para a sua edificação. A natureza, a finalidade e os interesses que os subjazem assim o determinam.
A este propósito, espíritos notoriamente lúcidos como o austríaco Karl Popper (“Contra a Televisão”, 1993), o canadiano Marshall McLuhan (Understanding Media, 1951) ou o italiano Gianni Vattimo (A Sociedade Transparente, 1993) há anos que vêm alertando quer sobre o poder incomensurável da comunicação televisiva quer sobre os efeitos perversos e nefastos que ela pode exercer sobre as sociedades, no geral.
Um dos sinais mais preocupantes desta nossa sociedade, por exemplo, é verificar que cada vez mais as pessoas, aos mais variados níveis e âmbitos, têm dificuldade em destrinçar o essencial do acessório. Se é essa a lógica que queremos que se imponha, não nos espantemos com a imagem com a qual estaremos inevitavelmente associados: a da futilidade e da inépcia. Sem remissão nem perdão.
Bom, e para que fique salvaguardado o porreirismo nacional que ninguém fique melindrado com tudo o que aqui foi expendido. Vejam apenas nisto a delirante e despeitada destilação de alguém que é tão incompetente na arte de criar, quanto na arte de imitar. Além do mais, the show must go on...
Publicado por jpt às 03:39 AM | Comentários (8) | TrackBack
setembro 05, 2005
Mau começo de semana, está visto.
Hoje, domingo, andaram por aqui a rondar a casa, a perguntar pelos guardas. Ladroagem certa. Lá vem noite de insónia, vigília de guarda. De blog em blog?
Publicado por jpt às 12:12 AM | Comentários (4) | TrackBack
setembro 02, 2005
Retoquei o pequeno texto sobre os Ghorwane, algumas informações suplementares, outras complementares. Algumas destas retiradas de um texto de Luís Nhachote no Savana (26.8.05), outras em conversas variadas.
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agosto 29, 2005
Os Poetas e a Independência

Ouvir poesia, coisa já rara nos últimos anos. Lembro-me de alguns espectáculos há alguns anos, mas foram caindo em desuso. Ao último que tive notícia fui obrigado a perdê-lo, um solo de White no Café com Letras, para aí há um ano e meio, que me disseram excelente. Ontem houve, forma de comemorar os 30 anos de independência de Moçambique e também os 10 anos de existência do BIM, patrocinador. Talvez resultado de mero preconceito meu, mas alguma surpresa, positiva claro, ao ver um banco a comemorar-se organizando um sarau de poesia. Coisa em grande, em meios e intenção. E espero que a gravação possa vir a surgir em televisão.
Ainda que não sendo original é marcante a ideia de contar a história do país pela sucessão das palavras daqueles que dele quiseram ser poetas, que terá sido essa intencionalidade um dos fios condutores que o Eduardo White escolheu para escolher o que ontem ali foi dito: Noémia de Sousa, José Craveirinha, Rui Nogar, Rui Noronha, Marcelino dos Santos, Jorge Rebelo, Fernando Ganhão, Albino Magaia, Jorge Viegas, Calane da Silva, Leite de Vasconcelos, Filimone Meigos, Armando Artur, e ele próprio, Eduardo White. Poesias diferentes, intensidades diferentes, claro. Coisa que um espectáculo sente, mas do qual também vive. Até porque foi dia (também) de historiografia, a tal história da ideia de Moçambique na voz dos poetas.
Como falar quando são amigos que fazem? Assim um tipo fica sem jeito para criticar. Gente diferente a dizer: Eduardo White, Anabela Andrianopoulos, Ercílio Fernandes, Jaime Santos, Claudia Constance, esta em estreia, e muito bem. Gente diferente, registos diferentes. Repito, coisas que um espectáculo sente, mas do qual também vive. Mas não resisto, que amigo de palmadinha nas costas não serve para muito - para quê as fracas danças, e tantas foram? Música? Vá lá, concedo, ainda que achasse excessiva. Agora dança? Não.
(Se passares aqui e te zangares paciência. Mas tenho razão).
O sítio. A muito gostar da escolha dos Correios de Moçambique, belo edifício (e com um balcão histórico) que justifica, e merece, a sua utilização para mais eventos que os postais - ainda que tenha má acústica. Agora seria só retirar o recente, e decerto dito "moderno" e "funcional", posto de venda à entrada da sala, coisa inútil em tão grande espaço e que tanto reduz aquele "ex-libris". E, claro, aproveitar o exemplo para dar mais uso à sala.
Publicado por jpt às 12:51 AM | Comentários (11) | TrackBack
agosto 20, 2005
Para potenciais interessados fica a informação de que aqui se foi discutindo o tema da entrada mas também evoluíu para discussão sobre portugueses em Moçambique, em versão "linguagem comentários".
Publicado por jpt às 03:25 PM | Comentários (5) | TrackBack
agosto 17, 2005
Chez Rangel (2)
Já agora, descubro transcrição do Savana sobre o estaminé.
[2 posts sobre a casa, talvez me sirvam fiado...]
Publicado por jpt às 02:20 PM | Comentários (3) | TrackBack
Coitada da embaixadora do Brasil em Maputo. Avisado pelo Carta Aberta fui dar com a reacção lá longe às notícias sobre o que abaixo referi. Gente tipo "disparar primeiro perguntar depois" acho, mas a dar "bronca": aqui [pelos vistos um super-blog de audiência por lá]. E em termos muitissimo desagradáveis também aqui e aqui.
Ao lado disto somos uns santos na blogolusa. E ainda bem.
Publicado por jpt às 12:03 AM | Comentários (1) | TrackBack
agosto 16, 2005
Chez Rangel

Estabelecido num edifícios mais bonitos da cidade, a estação dos CFM, e da gare fazendo bela esplanada, aí está o novo clube de jazz em Maputo: Chez Rangel, casa aberta pela união do velho Rangel com o velho Quadros. Música gravada à semana, ao vivo nas matinées de sábado - essas que já vão demorando até começar domingo, coisas da sua qualidade e do bom ambiente. Estes a misturarem-se e a fazerem-se.

Vai ganhando, ou seja vai ficando. E, nada pormenor, pormaior até, o menu de balcão em processo de assumir-se. Registo-lhe agora a dignidade, extrema, do inusitado recuperar do feijão-jugo, ali aperitivo. Vénia a quem assim do tradicional faz original, escapando ao aqui constante esquecimento do que é local.
A muito animar-se a casa nestes seus dois meses. Já frequência de gentes misturadas, numa faixa entre os dos late 20s e os já nos early 80s. Assim não vai mal. Recomendável. E ainda para mais porque as chuvas hão-de chegar, a acabar este frio e a fazer mais esplanada.
Aqui o bloguista cede a si próprio deixando-se publicitar ter sido o 1º cliente da casa a pagar uma bebida - é estatuto, acho.
Publicado por jpt às 07:46 AM | Comentários (4) | TrackBack
agosto 15, 2005
Racismo esquizofrénico
Um Maputo triste. Leio e reconheço. É uma locução colectiva.
Ao lê-lo lembro um outro texto sobre Maputo, no Sem Técnica. Não concordo com a sua conclusão, questão de opinião, mas muito acertado é o olhar sobre o saudosismo (não as "saudades") que alguns carregam. Saudosismo esse tal e qual nas abordagens tipo a acima referida.
Pouco crítico eu? Talvez, até já o referi. Mas confesso a minha icterícia face aos saudosistas "dos tempos" coloniais e aos saudosistas do "a-seguir" - todos sempre prontos a hiperbolizar o mal actual, e tanto ele é que nem necessita disso.
Quem ler o texto reproduzido no Agreste talvez compreenda o meu esgar. Pequeno-burguês de Lisboa, desses de mulher-a-dias duas manhãs por semana, muito sorrio às promoções e ascensões do Equador. A minha filha vai nos três anos, quase todos os fins-de-semana há festinha. E lá estão as "babás" fardadas, very british colonial - até nas piscinas as encontramos. É um bocado irreal.
A essa irrealidade, até arrivista, sumarizo-a num pequeno episódio, um quasi-nada, que nem para croniqueta chega. Há anos estava no café "Nautilus", esse polo da "montra dos tugas" em parceria com o "Piri-Piri". Súbito da mesa ao lado levantam-se quatro jovens senhoras patrícias, até conhecidas, mulheres de quadros bancários ou afins. Avançam para a rua onde o motorista de um pequeno carro se apresta a recolhê-las. E as quatro lá entram para trás, todas muito apertadinhas, até encavalitadas, pois ... nem pensar em ir à frente ao lado do motorista. Ainda por cima preto, era o homem.
É este ambientezinho muito patrício que custa. Às vezes até com simpatia, ao imaginar-lhes o regresso, outra vez burguesotes, sem ninguém no "patrão". OK.
Mas quando leio os detractores quasi-patrícios (ou sub-patrícios mesmo) resmungarem a presença de portugueses, como se isso significasse similitude com o tempo colonial ("só mudaram as caras"). Quando leio e vejo esse discurso da "anti-tugalhada" esquecer que em Lourenço Marques havia centenas de milhares de portugueses, e entre eles terratenentes, industriais, até capitalistas e que hoje haverá talvez dez mil (talvez...), sem terratenentes, sem industriais, sem grandes comerciantes, com poucas e nem recentes excepções. Hum, quando leio esta anti-tugalhada assim, hum, não me refugio na psicanálise barata, o "estão a matar o pai" tantas vezes repetido. Nem no economicismo do "estão a comprar espaço", menos vezes repetido.
E fico-me, talvez num antropologismo, na apreensão de um racismo esquizofrénico. E associando-o a um sociologismo, olhando gente que perdeu um estatuto social, e nem percebe porquê. Nem percebe que o perdeu exactamente por causa da estratificação, do desenvolvimento interno. De uma burguesia local, pequena, consumista, talvez subalterna. Mas burguesia, apesar de tais locutores lhe negarem tal qualidade, por via de aspas, exclamações ou interrogações. Enquanto, ignaros, ficam a ler o processo em termos raciais, invectivando os malditos tugas.
E lembro-me de tantas conversas aqui tidas com amigos moçambicanos. Alguns meus "primos", outros ditos daqui "originários". Gente amiga, gente não racista. E esclarecida, dessa que sente origens e identidades compósitas como riqueza e não como nódoa. E do como ridículo e falso nos soam tais discursos. Anacrónicos? Não! Feios do racismo, sim. Mas acima de tudo ridículos e falsos. Porque esquizofrénicos. Nada mais.
Publicado por jpt às 11:42 AM | Comentários (7) | TrackBack
agosto 14, 2005
Saber Fazer (ensaio sobre o liberalismo) II
[Linha de latas de Coca-Cola lançadas por ocasião do 30º aniversário da independência de Moçambique, ocorrido a 25 de Junho passado]
Publicado por jpt às 11:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
Saber Fazer (ensaio sobre o liberalismo)

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agosto 13, 2005
O cão da embaixadora do Brasil.

Sempre adormecido pelo quotidiano mas de quando em vez algo surge despertador. O caso mediático da semana é o do "Cão da Embaixadora do Brasil em Moçambique", ao qual os semanários Embondeiro, Zambeze e Savana dedicam parangonas, reportagem e análise.
Desconfiados da fiabilidade dos jornalistas muitos resmungam campanha contra os interesses brasileiros - em particular os interesses mineiros, em grande desenvolvimento aqui. Outros (eu?) hesitam, confrontados com as declarações aos jornais da referida embaixadora. Sem negar a hipótese da tal campanha - coisa que não seria inédita - aqui registo o delicioso episódio. Até porque ilustrativo de alguma adiplomacia. E talvez de algo mais.
O facto está assim narrado. Os guardas do armazém comercial "Game" barraram a entrada ao cão da embaixadora, algo que é regulamentar. Esta, talvez alterada, terá sublinhado a higiene do canídeo, dizendo-a inclusive superior à de Maputo e seus habitantes. Até dos moçambicanos em geral. Ali ditos pretos. Verdade? Custa a acreditar, numa diplomata. Mas tem lá todos os estereótipos ("preto", "porco", "desrespeitador"). Os muito utilizados por estrangeiros. E os muito utilizados pelos locais para "racistizarem" os estrangeiros. Repito, custa a acreditar que um diplomata tenha este tipo de afirmações.
O corolário, espantoso, é que a embaixadora não nega o caso, não o reduz à sua possível inexistência ou insignificância - e que mais poderia / deveria ela fazer? Pior, de modo até inacreditável, afirma ao Savana que os moçambicanos deveriam ter cuidado em referir tal situação pois precisam dos investimentos estrangeiros, e brasileiros em particular. E, não satisfeita, reafirma ao Savana a extrema higiene do seu cão (indubitável, diga-se), sublinhando ainda que dorme com ele, na sua própria almofada. Proporcionando aos leitores a letal mistura de indignação com gargalhada, inclusive a de quem dorme com os seus animais.
Campanha anti-brasileira? Campanha anti-embaixadora? Confesso que sempre desconfio dos textos jornalísticos sobre os estrangeiros aqui residentes. Mas neste caso parece-me mesmo um grande erro de casting. E, pior do que tudo, denotativo de alguma "elite" (trans)nacional.
Ontem, em jornada profissional com amigos brasileiros, estes até "doentes" de vergonha. Não do cão, diga-se.
Acalmei-os um pouco, ou tentei. E fui (-lhes) lembrando o antepenúltimo embaixador francês, o qual, num já recuado "dia do beaujolais", recebeu no jardim do Centro Cultural Franco-Moçambicano as centenas de convidados trajando um chapéu colonial.
"Ele" há cada uns...
Publicado por jpt às 07:33 PM | Comentários (7) | TrackBack
Blogs em Moçambique
Um blog curioso: Ucrânia em Moçambique, em português.
Uma americana em Manica: Mozamblog.
Recoloquei na coluna de elos alguns blogs em Moçambique, entretanto encerrados. Recomendo, em especial, regressos ao Apassarado, de Eduardo White.
Publicado por jpt às 11:31 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 10, 2005
White e o velho Malangatana aqui.
Publicado por jpt às 08:59 AM | Comentários (0) | TrackBack
A doença
Diz o estudo de agora que em 16,7% dos adultos. Aqui, na cidade grande, em 20%. Fico com o silêncio.
Publicado por jpt às 12:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
agosto 08, 2005
Domingo: paternidade em full-time
O que a Ibe Vet organizou, na Matola, é um refúgio da paternidade. Um multi-complexo, digo-o em neologismo no português de Moçambique.
O restaurante Sayonara, muito aprazível e de bom serviço, ainda que a arte de tratar a galinha não seja inesquecível, orlado por uma piscina para crianças. E, mais do que tudo, verdadeiro produtor de excelência, o facto da música ambiente se apresentar em volume aceitável (um bem raro por esse mundo fora, como tanto se lamenta).

E o pequeno parque Amazonia, animais de capoeira, pássaros muitos, alguma lagartagem, macacos (em regime de liberdade relativa), coisa pequena, bonita e saudável. E ...




alegria dos meninos. Que mais se pode pedir?
Publicado por jpt às 04:56 PM | Comentários (1)
Está muito bem o Isidoro de Machede a falar do Patraquim.
Publicado por jpt às 12:24 AM
agosto 06, 2005
Sábado Académico



Publicado por jpt às 10:32 PM | Comentários (5)
agosto 04, 2005
Vero Complexo


ao Choupal...
Publicado por jpt às 05:28 PM | Comentários (2)
julho 30, 2005
Moçambique. Os coco-taxis chegaram, mesmo agora, a Maputo.

Publicado por jpt às 03:45 AM | Comentários (10)
julho 27, 2005
["the hero of mozambican poor" é justo epitáfio]
Publicado por jpt às 03:52 PM | Comentários (2)