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Ma-Schamba: Geral Arquivos

maio 08, 2006

Política Internacional

alcazar.jpg

Alcazar.

Publicado por jpt às 09:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 07, 2006

Neneca

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maio 03, 2006

Política internacional

Tique de stôr??

- He!, antes de falar aponte a Bolívia no mapa.

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abril 25, 2006

Insensibilidade, preconceitos e exclusão (cont.)

Apontamento sobre este meu texto:

A malária mata imenso. Ao longo de anos a investigação contra esta doença tem sido secundarizada face a outras pesquisas menos relevantes em termos de saúde mundial. O seu mercado é mais pobre. Esta situação, gravissima, é relativamente esquecida no seio do mundo industrializado, pouco (ou nada) alvo dos efeitos da doença.

Ao ver a melga que o Paulo Gorjão utilizou para simbolizar o regresso desses Grandes Melgas que são os bloguistas [particularmente os político(logo)s] nem hesitei. Quereis mais justo discurso Politicamente Correcto do que este? Para os polícias da língua, tão ufanos com termos com tão menores efeitos reprodutores de injustiças e esquecimentos, haverá maior infracção do que este jocoso "Ganda Melga", tão amigável para com este grande predador? Estarão distraídos, embrenhados em ileituras de "questões de género"? Onde lhes está a lupa? Ou só servirá para as coisinhas do intra-muros deles?

Agradeço os comentários havidos e sai abraço ao Paulo Gorjão, agradecendo-lhe o não se ter importado com o pequeno jogo. Espero que continue um Ganda Melga. E outros também.

E julgo que escusado será dizer que na luta pela prevenção contra a malária e sua erradicação quanto mais

Melga.jpg

formos melhores resultados haverá.

Adenda: via Nova Floresta ver uma peça espantosa de "politicamente correcto".

Publicado por jpt às 04:19 PM | Comentários (7) | TrackBack

abril 20, 2006

Ainda sobre o 19 de Abril de 1506 ler texto de Gaspar Correia no Cocanha.

Ainda sobre o 19 de Abril de 2006. Ateu em paz com a religião mas também português enjoado com a produção mariana é com prazer (e até alívio) que encontro espelho (não mágico). No Aurélia: ... os leitores do ... blog [Rua da Judiaria] são na sua maioria gentios e como tal vão interpretar o que escreve à luz de uma tradição cultural fortemente influenciada pelo catolicismo, no contexto do qual o acender velas e o orar pelos martires sao acções com conotações religiosas específicas- sendo uma das quais a expiação de culpas e pecados.

E é para nos traduzirmos que se torna necessário ler, ler, ler. E falar, claro. Sobre tudo. Convirá, é certo, antes desse falar dobrar 7 vezes a língua na boca. Ou será 7X7? Mas falar sempre.

(Mas isto sou eu falando comigo mesmo).

Publicado por jpt às 10:19 PM | Comentários (4) | TrackBack

abril 19, 2006

19 de Abril: lembrando gente que me fez gente

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Nota: imagens reproduzida daqui, de Hugo Pratt, Corto Maltese. Memoires, Casterman, 1998; e daqui.


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abril 18, 2006

King Kong

Na sua ânsia de esvaziar o seu blog de visitas indesejáveis a Sara dedica-se à arqueologia do King Kong, dando-nos conta dos tempos de juventude da avó Fay Wray, aquando do seu affaire com o dito macaco. E ainda, embrenhada na dita tarefa, culmina em excessos de panteísmo.

Publicado por jpt às 01:52 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 11, 2006

Lavandaria da língua

Joana Amaral Dias bota um texto sumário, por isso interessante. Lá está a arquitectura do politicamente correcto. Neste caso policiando a linguagem. Investindo contra o "insulto" sem lhe perceber (ou querer perceber?) o carácter polissémico. Sem saber distinguir entre a imputação e a invocação. Sem (poder?) perceber que é o contexto do uso do "insulto" que lhe dá significado, daí a sua abrangência e a transversalidade dos termos que são utilizados.

O que ali está é uma lavandaria da língua, sob um puritanismo radical de aparência reflexiva, nada mais do que um pobre-pensar. A querer-se "moderno" e refrescante molde da mente, mas nada mais do que poço de preconceitos e impensares.

Neste puritanismo bem-actual vive o postulado hierárquico do a re-incluir, "do que vale a pena", do a-evitar-nomear. O agreste do texto (o tipo ali visado é meu amigo há umas décadas, diga-se. Mas quem lê o Ma-Schamba sabe que esta é uma questão que me é querida; e quem o conhece saberá que se está nas tintas para blogs, ou pelo menos para este. Daí que esta botadura não vem de conhecimentos pessoais) assenta na condenação da utilização do calão português para homossexual, como produtora de discriminação. No hoje-em-dia é recorrente a estigmatização, por preconceituoso, deste calão ("paneleiro").

Não tanto surge o mesmo discurso crítico "correcto" quanto à utilização do calão português discriminador das trabalhadoras do sexo, o que até surpreende pois originalmente é relativo (ofensivo) aos mais excluídos dos mais excluídos ("puta"). A lavandaria puritana não surge de imediato aquando da sua utilização pública (E, já agora, quantas vezes se ouvem homossexuais, em tom jocoso ou não, imputar "sua puta" a outros? E, já agora, quantas vezes se ouvem heterossexuais, em tom jocoso ou não, imputar "sua puta" a outros? Em sentido literal ou não). Já para não falar do "filho de puta", epítome da velha noção legal discriminatória de "ilegitimidade" de filiação ("bastardia", "filho/a de pai incógnito"), metáfora da imoralizada liberdade sexual das mulheres (progenitoras).

Menos ainda se ouve o rugir da lavandaria aquando da utilização do calão português para os relapsos na manutenção da ordem sexual e moral patrilinear ("patriarcal"), tantas vezes dita machista" ("cabrão"). É interessante, pois nenhum termo como este propõe, se literalmente considerado, a adesão a uma mentalidade misógina, machista, moralista, repressora da sexualidade feminina. Nenhum termo como este, se literal, em português crisma o casamento da "identidade" masculina (e sua "honra") com o da submissão feminina, dos seus direitos sexuais e capacidades reprodutivas.

Nunca, então nunca mesmo, os lavadores "correctistas" se insurgem contra o calão português vincadamente desvalorizador da cópula ("fodido"). Esse cujo sentido negativo implica uma desvalorização (um "emporcalhamento", até) da sexualidade, um moralismo repressivo e até serôdio, tão institucionalizado na nossa história e presente, tão produtor de infelicidades e estigmatizações. Não é este o preconceito, o preconceito-mor, a "mãe de todos os preconceitos"?

Ridículo seria até, e por isso o evitam, para os lavadores insurgirem-se contra o calão português definidor do orgânico expulso ("merda"), sedimento de uma hierarquia da natureza. Na qual se desvaloriza o corpo humano em nome de hierarquias de pureza também elas preconceituosas, geradoras de exclusão social (dos que utilizam as fezes como adubo, ou como material de limpeza no após-seca, ou como combustível; ou dos trabalhadores de limpeza). Mas mais do que tudo fruto de um impensar ecológico, escondendo assim por via do quotidiano linguajar, que o poluente actual não é orgânico mas sim o químico. A perpetuação do "merda" preserva assim a ideologia da "pureza"/ "higiene" da já-velha ordem industrial contra a "impureza" da velhissima-ordem agrícola, dita "natural". Não deveriam os lavadores "correctistas" insurgir-se contra o "merda", obrigando-se à sua substituição (política) por "pasta", "espuma", "ganda ácido"? Não é a causa ecológica tão digna como a homossexual (ou até, permitam-me, mais dramaticamente urgente?).

É interessante (tristemente denotativo), mas contrariamente ao aquando do eco do "apaneleirar", ao soar do "cabronazo" e do "putaria", dos "merdas" e "fodilhices" e tantos outros, constantes no quotidiano público e privado, não espirra, tão célere, o detergente da lavandaria. Por moda de gayfilia? Ou por intuitiva (que por reflexão não será de certeza) compreensão da mutação de sentido do calão, da sua não-literal utilização? Só esquecido para o jeitinho ao discurso que-fica-bem? Da vénia à "base social de apoio"?

Forço a nota? Nada mesmo. Nem tampouco ironizo. Apenas sigo o mesmo método de (im)pensamento de JAD e de tantos outros. Que lhes serve hoje para o tonitruar da gayfilia, mas nada mais, honestamente, do que a reprodução de preconceitos disfarçada num mísero "tu preconceitas eu conceptualizo".

O texto sumário referido é ainda exemplar noutro ponto: "Não adoro bola, mas não fico escandalizada com o entusiasmo ou com o pseudo-nacionalismo à volta da bola. Intoleráveis são ... a cultura homofóbica e machista em torno do desporto, em particular de alguns desportos.". A tal "bola" (em particular o futebol em Portugal) não produz nenhum "pseudo-nacionalismo", produz mesmo nacionalismo ("banal" alguém lhe chamou). É matéria-prima e instrumento de exaltação nacionalista (com o corolário imbecil dos bloguistas ofendidos com "o não defender dos clubes nacionais", já para não falar da pirosa rapaziada pintada a la sioux verde-vermelho e vestida com "as cores nacionais"). Essa intromissão identitária é tão aparentemente "natural" que não choca as lavandarias, que nisto ainda ninguém as avisou para "protestar" e como o fazer. É até positiva (ou pelo menos "falsa", "pseudo", não-problemática). O ferro de engomar está-lhes frio nesta altura. Mas já o homofobismo é horrível, antinatural, preconceituoso. Impregnar as mentes de um nacionalismo irreflectido não choca. Dizer que o raguebi é um desporto de homens é vil.

Não pensar é um direito. Mas embrulhá-lo com este ar pomposo é insuportável. Ser ultramontano, hiper-preconceituoso(a), é um direito (e tantos até o dizem um dever). Mas embrulhá-lo com estes ares progressistas é irritante. Tanto que me dá vontade de praguejar. Mas não o faço, pois se para estas pobres mentes tudo é absolutamente literal ainda me virão cobrar alguma futura infelicidade. Que praga é praga, não é assim?


Publicado por jpt às 12:44 AM | Comentários (24) | TrackBack

abril 06, 2006

Manifestações em França (e a mundialização do Ma-Schamba)

Sobre as actuais manifestações em França, e o que as causa, não estou grandemente informado, nada li, vagas ideias de tv. Tenho a vaga ideia de um movimento social jovem, em defesa da segurança de emprego. Tenho a vaga ideia de um movimento social ecoando a mudança do privilégio europeu. Tenho a vaga ideia de que o privilégio europeu sofre o seu Milénio. Tenho a vaga ideia de que o privilégio europeu é um contrato social assente na exclusão dos excluídos europeus e no desapossar dos não eurocidentais. Tenho a vaga ideia de que as "massas" europeias (e suas elites político-sindicalistas e seus intelectuais orgânicos) nunca se preocuparam realmente com isso. Tenho a vaga ideia de que a minha solidariedade está alhures, com milhares de milhões de asiáticos, sul-americanos, africanos. Leste-europeus. E, já agora, excluídos eurocidentais. Tenho a vaga ideia de que estes já viveram décadas a mais de Milénio. Ou seja, tenho a nada vaga ideia de que a "esquerda" eurocidental é uma "massa" exploradora e reaccionária, defendendo, protegendo (até por via "proteccionista") os direitos de uma minoria burguesa. Enorme, mas minoria. Agora surpreendida com o facto das "causas fracturantes" serem, afinal, outras. Nada giras. E nada "pós-modernas". Pois o mundo da "ferrugem e do fato-macaco" (re)entrou-lhes em casa, operários e camponeses de todo o mundo unidos (e nada organicamente) a reclamar o direito ao trabalho e ao bocadinho de quinhão.

Mas tenho também a memória, nada vaga, de ter sido jovem trabalhador eventual, aqueles recibos-verdes. E os contratos a termo certo. Sem quase direitos. E tenho, ainda mais fresca, a realidade de ser trabalhador eventual. Dispensável. É assim a (minha) vida, e de tantos. E por mais que o vá pensando necessário, real, tenho assim a memória do difícil que é, do injusto que é, querer começar e patinar. Querer, já grisalho, ser livre e custar ("e se ...?") Da angústia que causa, das cãs, das úlceras. Dos dias de vida que se gozam menos. E tenho a total ideia de que ao indivíduo não pode ser assacado o todo dos males do mundo. Daí que, também por causa da minha biografia, não atiro pedras às reinvindicações francesas. Hesito intelectualmente? Acima de tudo hesito moralmente. Os direitos são inalienáveis? Talvez não. Mas não são desprezíveis. Nem benesses.

Isto tudo porque interpostas teclas amigas fizeram-me chegar, destinadas a bloganço, fotografias das manifestações. Em Paris, na Sorbonne, tiradas a 4 de Abril. Uma ecoando a solidariedade com movimentações de apoio a esta causa decorridas em Portugal, a "mundialização" (é em França) da contestação, algo até inusitado nos movimentos contestários "reais" do hoje-em-dia. Ei-la:

ManifIncluir.jpg

A outra fotografia é uma verdadeira delícia, uma maravilha. Cúmulo de uma etnografia de um movimento social:

ManifMetro.jpg

[Fotografias de Michel Laban; Sorbonne, Paris, 4 de Abril de 2006]

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março 24, 2006

Clareza de raciocínio

2. Ou assim:

"For an outsider, an understanding of Turkish sport undoubtedly throws a great deal of light on other aspects of Turkish social life, and there is no sport wich carries as much symbolic "weight" in Turkey as wrestling. The sentiments evoked by wrestling are far from static or consensual. Interpretations of the symbols and imagery of wrestling can, of course, be used in different ways and appropriated as tools in hegemonic processes or their opposing counterparts. Indeed, wrestling is systematically used in the construction of myths of national strength and in a moral education in almost chivalric notions of contest and display ... But wrestling can also be seen as a repository of subversive knowledge, as a recognition that all is not what it seems, that strength is not moral purity, that deceit and guile are necessary part of social life, that one frequently has to cope with losing face, that compromise is sometimes better than contest".

(Martin Stokes, ""Strong as a Turk": power, performance and representation in Turkish wrestling", in MacClancy, Jeremy (ed.) Sport, Identity and Ethnicity. London: Berg, 1996, p. 22]

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março 23, 2006

apelo aos smsesses

Companheiros, avisem-me onde é a manifestação, que a esta eu vou.

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março 19, 2006

John Wayne

ATT000274.jpg

[Cartoon encontrado no Incomplete]

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Sobre a quebra da fertilidade europeia (ler também os comentários, para os leigos).

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março 14, 2006

Office Lounging bem sobre Milosevic e quejandos.

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março 13, 2006

Pois sai-me no meio da conversa: qual a verdadeira influência que terá a existência, ou inexistência, de um mito como o do Robin dos Bosques (e suas traduções locais)?

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março 10, 2006

Medalhas

Nos antigos regimes poucos eram medalhados (ou coisa afim). Alguns das ordens boas, gente filha de Alguém, coisas de casta. E, fora deles "alguns que da lei da morte" se iam escapando, normalmente por muito massacrarem ou se deixarem massacrar, interessante paradoxo muito dado a poesias épicas.

Nos hojes em dia muitos mais levam as medalhas. Muito muito porque todos somos filhos de Alguém. Massacremos ou não, massacrando-nos ou não.

Depois há aqueles que se ofendem porque o povo é muito e leva medalhas. Que acham que são coisas só para alguns. Eles e os seus, como é óbvio. Imaginam-se, claro. Dá-se-lhes um bocadinho de instrução e é logo isto, querem-se logo mais do que são..

Aborrecem-me estes ecos das conversas na copa. São os males da criadagem, são raros os que sabem estar.

Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 06, 2006

Guevarinhas

Neste regresso aos blogs vejo que houve um ruidozinho luso sobre o Guevara, isso por causa de um texto a que eu já aqui aludi. Já passou, que isto de blogs é por ondas, e como tal não valerá a pena colectar os elos permanentes. Mas registo um muito certeiro pensamento em alguns dos textos mais desagradados com as críticas ao "Che". Dizem-no, é certo, algo criticável, ou pelo menos aceitam tal hipótese. Mas não deixam de o afirmar "um homem do seu tempo", "um homem das lutas do seu tempo", e isso enquadrando os tais hipotéticos erros ou defeitos que terá tido.

Correctissimo. Muito apreciei estas profundas, e até originais, reflexões. Gente de pendor sociológico (e alguns até são jornalistas, imagine-se, ainda assim gente afinal atreita à reflexão). Aprecio e entusiasmo-me: há gentes nos blogs do meu país que reflecte, e bem. Não se deixa ir em ondas e excitações.

Pois é verdade, e é inacreditável que os críticos manipuladores o escamoteiem: Ernesto Guevara, o "Che", foi um homem do seu tempo. E das lutas do seu tempo.

Belos intelectuais, profundos até, estes guevarinhas...

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fevereiro 27, 2006

Obrigado

Sobre a minha irritação com Che Guevara e os seus seguidores já andei por cá a resmungar. Daí o meu obrigado superlativo a Valter Hugo Mãe pela pedrada atirada.

Não esquecendo um excelente texto no ido Comprometido Espectador. Junto ainda os meus: Che Guevara na Feira Popular, Camisas em T, Os mitos e a inteligência (sobre o guevarismo de Mário Mesquita), Ainda o contraditório, Lobo Antunes e Che, O Guevara e a Jóia Vitaphor. Tanta coisa, não haja dúvida, uma irritação de estimação.

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fevereiro 24, 2006

Horrores

É um texto que não consigo escrever - ler isto, querer deixar-lhe elo, acompanhado com algo substantivo mas só me saem coisas parvas, horrorizadas, demagógicas até. Eduardo Pitta terá sentido o mesmo? e por isso a mera citação que tudo diz, do horror, o horror lento por isso-pior-que-tudo. E do horror escroque, ali manipulando, "alegando"..."alegando"...."alegando".

Não são horrores. É o horror. E, tão menos importante, o nojo.

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Lucidez.

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fevereiro 22, 2006

Palavras que falam ...

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fevereiro 21, 2006

Contra-argumentando no Ideias para Debate.

Publicado por jpt às 01:26 AM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 17, 2006

Cartoons

Um amável leitor enviou-me via email um conjunto de cartoons, alusivos aos eventos mais actuais. O humor ultrapassa opiniões, não tenho dúvidas. Um desses irresisto a colocá-lo aqui, até por razões pessoais.

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Agradecimentos a ENP pela ajustada transcrição, um resumo para além das excitações.

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No A Mão Invisível quatro interessantes textos de Pedro Picoito sobre o Novo Orientalismo: I, II, III, IV (e com alguns comentários interessantes).

[Via Mar Salgado]

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fevereiro 16, 2006

Sorriso.

Publicado por jpt às 12:58 PM | Comentários (3) | TrackBack

Liberdade de expressão

Reunião na redacção de revista "social", trabalha-se os mais últimos e vistosos eventos, colectam-se flashes de beldades e barrigas enfarpeladas. Súbito ríspido o chefe proclama que "essa foto não sai", "mas porquê?" resmunga o "jornalista", "ficou bem, está boa", "nem pensar" exagera-se o chefe, ali até director, "mas porquê?" insiste o "jornalista" já apoiando-se no fotógrafo, ali ambos irritados com a intromissão, reclamando caminhos próprios, coisas de liberdade até. "Porque não quero broncas.." soletra o chefe, já irritado, "a senhora acompanhante não é a esposa ...

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fevereiro 15, 2006

Das armadilhas do "correctismo"

A "inocente" promoção do segregacionismo: um caso no Brasil.

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fevereiro 14, 2006

Ó Diabo, e agora como é que se diz mal do homem?

Publicado por jpt às 09:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

الجزيرة نت

Tanta polémica, tanta certeza, tanta coisa, tanta poeira, mero pó. Pois por cá , este cá tão "lusófono" "cplp" mesmo, no último fim-de-semana qual foi o único canal de tv, entre as agora dezeníssimas do cabo, que transmitiu o simples Académica-Boavista? Adivinham?

Pois claro, o Al Jazeera Sport.

Tantos doutores, tantos tecladores. Tantas certezas...

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O Fim do Império Americano

Partie de Chasse Bilal.jpg

está iminente.

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fevereiro 13, 2006

Memória.

Publicado por jpt às 05:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 11, 2006

Ler faz mal

Isto das ilustrações dinamarquesas ilustrou a diferença existente entre fundamentalistas (seja lá do que seja) e relativistas (de tudo, excepto do relativismo [não, não brinco às contradiçãozinhas]). Há quem pense que são iguais, mas não são. Os fundamentalistas normalmente leram menos do que os relativistas, estes alargaram-se, até foram às filosofias, ali e acolá às epistemologias, um mergulho mais profundo nas socio-antropologias. Por outro lado os fundamentalistas (seja lá do que seja) percebem melhor as parcas leituras lá do seu recanto. Os relativistas (de tudo, excepto do relativismo) leram mas não perceberam bem - nas socio-antropologias é mesmo uma desgraça, imagino no resto.

Em suma lá os fundamentalistas serão menos enciclopédicos, menos lidos. Os outros mais actualizados. Mas os primeiros mais espertos, compreendem melhor. Os outros mais burrinhos, trabalhadores mas enfim ... A conclusão é óbvia, ler faz mal. À vista e à cabecinha.

Aqui uma coisa que alguns "relativistas" de "esquerda" (uma "sinistra" "esquerda"), afamados blogadores, ao que parece não conseguem perceber. Efeito dos danos sofridos, e nada colaterais.

Publicado por jpt às 05:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 10, 2006

Sinal dos Tempos

Chego ao sítio da Sic online via Frescos, atraído pelas declarações do padre Serras Pereira (Portugal). Em ambos os locais as de/anunciam sob o mesmo título:"A homossexualidade é uma doença", ruge o nada blasfemo cura.

Mais um patusco, não haja dúvida. Um espécimen. E continua, lá mais para o fim da notícia ecos de outro urro: "Qualquer relação sexual que não seja dirigida à procriação é uma perversão”, satanizando essas camisas-de-vénus tão correntes hoje.

Tralhas tão estafadas que já nem sorriso levantam, esse do "de onde saíu este?". Mas logo me acontece, afinal aqui notando o sinal dos tempos. Fosse há alguns anos o que chamaria a atenção, o que seria a piscadela de olho dos jornalistas aos leitores, o que seria título, seria exactamente essa declaração da quase-universalidade da perversão, um mundo de gente que fornica sem reproduzir, a velha rábula do "sémen sagrado" dos sagrados Monthy Python. Hoje já não! Para os jornalistas (e para quem os lê) é mais tonitruante, mais apelativo, um pobre padre denunciar a homossexualidade (na realidade ele nega-a) do que um pobre padre denunciar a sexualidade (na realidade ele nega-a).

Esmorece-me o sorriso. E cá bem no fundo mais vale um padre maluco ("bem-aventurados os pobres de espírito" disse o profeta Jesus) do que uma cambada de jornalistas na moda. Pois, como se ouvia antes, "assim se vê a força do pc" - agora outro pc. Que perversão, esta sim perversa.

Publicado por jpt às 10:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

Liberdade de expressão

É um tipo estar grosso, sentar-se ao blog, teclar, postar e não deletar. O resto é tanga.

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Doutorando

Assinei hoje um abaixo-assinado. Vai-me acontecendo. Como muitas vezes dou uma vista de olhos a quem já assinou o que estou a assinar (mera cusquice; e também algum prazer em reconhecer, volta e meia, algum distante amigo ou conhecido). Normalmente nestas coisas pedem nome (pudera), profissão (não sei bem porquê) e local de assinatura (pensando bem, também não percebo).

Vem isto a propósito de uma "profissão" que aparece sempre representada nestes abaixo-assinados/petições: PHD (assim, em maísculas) Student (às vezes idem, mas nem sempre).

Será possível passar de boca em boca (e de ecrã em ecrã), como quem não quer a coisa, que para essa actividade (se profissão ou não já é outra coisa) há palavra em português? Em minúsculas, não muito bonita, mas, caramba, nem é difícil: diz-se doutorando. OK, DOUTORANDO, se é assim tão necessário maísculizar.

Publicado por jpt às 01:43 AM | Comentários (4) | TrackBack

O que é um patusco?

Há dias, a propósito de um dos melhores textos de sempre no Ma-Schamba perguntava(-se) aqui o que é que era um mangusso, coisa que só lá fora, no Xicuembo, foi desvendado.

Brota agora outra dúvida: o que é um patusco? Pois repete-se o vazio local, aqui não se sabe bem. Há que entrar no inter-links para encontrar definição, um jogo: ide, os interessados claro está, a este último parágrafo, cruzai com este texto. Para mim chegou. Mas há decerto outros textos, neo-canónicos mesmo.

Publicado por jpt às 12:13 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 09, 2006

Patuscos

(*texto modificado, amputado de azedume afinal descabido segundo informação recebida nos comentários)

Lá na terra há uns patuscos que andam para aí a kenedyzarem-se, blog-in, blog-out, "ich bin ein dänisch". É compreensível, o homem, o original entenda-se, tinha uma mulher bonitissima, ele próprio era giro, rico, teve a sorte de o matarem novo e, mais do que tudo, não suava na tv.

Eu se me desse para isso, mas não dá que suo que nem um porco, e hoje neste calor nem dormir consigo quanto mais qualquer resto, dava-me era para rir. Esses dinamarqueses afinal a desculparem-se de qualquer coisinha, pouco berlinenses afinal.

Sim, sim, o Voltaire, esse sátiro blasfemo, nos pontapés às superstições, avô fundador da gente por isso mesmo, a dizer que se bateria até à morte para que dele pudessem discordar. Supersticiosos ou não. Meu vôvô, não renego. Não vou lá muito com tudo dele, como qualquer neto que se preze, que o velho tinha coisas de homem do seu tempo. Devo deixar aquilo do "Vossa Magestade prestaria um serviço eterna à raça humana extirpando essa infame superstição (o cristianismo) , não digo entre a ralé que não merece a pena iluminar e que está preparada para qualquer servidão; digo entre os bem nascidos, entre aqueles que desejam pensar"? Deixo. Mas atenção, apenas porque a ralé, esse hoje povo, afinal vai dizendo umas coisas iluminadas.

O meu, por exemplo, tem um dito fantástico, racionalismo e empirismo associados como nunca: "Quem não tem competência não se estabelece". E ainda por cima "Eu sou um dänisch"? Era o que faltava. Borregos.

Direito à liberdade de expressão? Sim, sim. Mas também direito ao erro, esse que é humano já diziam os antigos. Apanho os bombeiros a mangueirar fogo com gasolina (Bowie dixit) e defendo o direito inviolável ao erro? Enquanto grito "Ich bin ein Feuerwehrmann"?

Ou chamo-lhes borregos? E patuscos aos que então se dizem bombeiros?

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Assinatura.

Publicado por jpt às 04:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

A entrada anterior, ainda por cima pomposa, era baseada numa falsidade, como se comprova aqui [onde cheguei via a ligação do No Cinzento de Bruxelas ao Mau Tempo no Canil]. Ainda bem que era falso. Quanto à (pomposa) entrada do Ma-Schamba apago-a? Não, fica aí para não me esquecer de duas coisas: que um automóvel pode passar sobre o braço de uma criança sem qualquer dano para esta; que as excitações do Jpt também não causam dano mas tendem ao ridículo.

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Intraduzibilidade

Todas as sociedades são cruéis. Ou seja em todas as sociedades os homens se organizam para praticar a crueldade. De formas mais ou menos histriónicas, constantes. Estruturantes, até. Escatológicas, por vezes. Endo-cruéis, exo-cruéis, depende do sítio e do momento.

Às vezes abundam nisso, outras vezes abusam. Aqui vai um elo para algo tão cruel que é até inútil de ver. Mas que mostra diferenças quanto à utilização legítima da crueldade. Diferenças intraduzíveis.

Publicado por jpt às 01:50 AM | Comentários (5) | TrackBack

fevereiro 08, 2006

Hipocrisia generalizada

Na Europa e no mundo decerto. Mas a minha diagonal passo-a mais na blogosfera portuguesa. Onde a propósito da blogosfera portuguesa vai um surto de hipocrisia generalizada (estrutural?). A propósito do ataque político de alguma direita cristã europeia (em baixo lá meti a minha pescadinha de rabo-na-boca: ter que concordar com quem discordamos) à extrema-direita islâmica. A propósito disso vão radicais loas à liberdade de expressão (a questão é uma armadilha movediça, não há modo de nos desatascarmos). Eu a este propósito lembro-me sempre do grande Carlos Pinhão (e então já velho, ainda para mais) a ser agredido em Aveiro pelos jagunços do então guarda Abel.

Quantos dos libertários de hoje têm nestes últimos anos ido às Antas (e ao seu sucedâneo)? Quantos se lembram disso? Quantos comemoram as vitórias intra ou extra-muros dos então patrões do guarda Abel? Isto não é um sofisma, futebolóide. É uma questão de auto-disciplina, essa que chamei abaixo de quase espiritualismo. Não posso defender hoje (irado) o que nego hoje (sempre), cúmplice ou complacente.

É diferente? Não. Se se está a defender um valor em absoluto, não. É, de há quinze anos para cá, uma traição diária, semanal, aos tais sacros valores. É nada mais do que uma hipocrisia generalizada. Gente que vai com o vento, ilustre ou não. O vento digo, que tal gente nunca o é.

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fevereiro 07, 2006

Civilização

é (quase) isto. Não vai daqui nenhuma ironia. Um tipo, brotado mais ou menos no mesmo mundo que eu, que se marca na carne e pele é um descendente de piratas, flibusteiros, bucaneiros, grumetes de corsários. Na actualidade é, ou nada mais aspira ser, um presidiário. Uma tipa nos mesmos tatuados propósitos é mera mulher de porto, clandestino em recônditas caraíbas ou antilhas, infectada por contágios múltiplos, escorbutos de calmarias, erupções de furacões. Cúmplice, alvar e histriónica, de rapinas, violações, massacres, abordagens sem quartel e bordas-fora. Gente desconfiável. E, sempre, enforcável.

Entenda-se, civilização é carregá-la(o)s no porão. A ferros.

[via Bicho Carpinteiro]

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fevereiro 06, 2006

A polémica das blasfémias dino-europeias

A polémica das blasfémias dinamarquesas/europeias teve um grande mérito. Em vários blogs aprendo que agora em português se diz "cartune". Nesse âmbito, ou seja sobre a importante matéria da a liberdade de expressão, a civilização ocidental e os cartunes, deixei a minha opinião em comentário no estimável Adufe. Não resisto a integrar-me na ampla discussão que percorre o mundo sobre o assunto e aqui transcrevo o referido comentário [ligeiramente aumentado], epítome do que considero sobre tudo isto:

"Eu sou um grande defensor da liberdade de expressão. Para mim é um dogma, um valor civilizacional absoluto, no fundo a tradução actual da Razão da História, do Espírito. Por isso mesmo concordo com esses tantos que agora escrevem "cartune" - ainda que o retrógado em mim ambicionasse queimá-los em hasta pública. É isso mesmo, a liberdade é o racionalismo vs a emoção, a liberdade é o "cartune". (Alguém me empresta o isqueiro para atear a fogueira?)

Publicado por jpt às 08:25 PM | Comentários (4) | TrackBack

contradições

Estar de acordo com quem não se concorda.

É o cúmulo de racionalismo. Mas exigindo tamanha auto-disciplina que coisa de espiritualismo.

Publicado por jpt às 10:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

Não sei se valerá a pena informar sobre um texto de O Espectro, presumo que todos os aqui passantes já lá tenham estado. Mas esta prosa clarividente ela-se, nem que seja para minha memória.

Publicado por jpt às 08:19 AM | Comentários (0) | TrackBack

Angústia ainda maior

Os trauliteiros.

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Ainda maior dúvida, angústia mesmo

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Maputo, Igreja da Polana.

Quando aqui entro tiro o chapéu. Será isso nova demonstração do meu cobarde relativismo e infecto multiculturalismo? Ou, bem pelo contrário, demonstração de dogmatismo fundamentalista, crente que sou de que apenas um inferior imbecil ignorante não se descobre em encontrando tecto (excepto, claro, se uniformizado)?

Publicado por jpt às 01:39 AM | Comentários (1) | TrackBack

Dúvida

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Grande Mesquita, Ilha de Moçambique

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Mesquita Velha (ruínas), Ilha de Moçambique. 1ª mesquita em Moçambique


Cada vez que nelas entro descalço-me. Fará isso de mim um torpe multiculturalista? Um desertor face ao fundamentalismo exarcebado? Em suma, um colaboracionista?

Publicado por jpt às 01:23 AM | Comentários (0) | TrackBack

Mais Bernard Shaw [na sequência de do abaixo].

Publicado por jpt às 12:35 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 05, 2006

Casamentos

Lá no meu velho rincão o fim-de-semana não esmoreceu a questão sobre o "como casar". Entre muitos discursos não resisto a elar (para meu arquivo) o regresso do evolucionismo, e seus "perigos" de "primitivismos" na cara Zazie e no A Metamorfose (ecoando as vantagens de viver fora aqui realçadas). Eu continuo na minha, de um lado e do outro da pedrada o fundamental é não chegar aos corolários. São sempre chatos, amarfanham a prosa.

Um texto são no Lida Insana. Mas no fim lá me sai o resmungo. A base das instituições sociais é garantir a dignidade do indivíduo. Outra vez os meus corolários, e os outros a amputarem-nos? Também. Mas acima de tudo o discurso pode parecer que sim, que é assim. Mas, e sei que em tempos de domínio liberal é dificil contra-argumentar, será que as instituições sociais existem para o indivíduo se dignificar? E, já agora, o que é isso da dignidade do indivíduo?

Publicado por jpt às 11:47 PM | Comentários (1) | TrackBack

E também, pois claro (com adendas, minha e do dono do blog, nos comentários).

Publicado por jpt às 11:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Pois claro.

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fevereiro 02, 2006

Post das (quase) 4 da manhã / Hoje acordará ela assim?

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Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (10) | TrackBack

fevereiro 01, 2006

Comida de cão

Li aqui e nem percebi, tamanho o absurdo. Só aqui comprendo: uma empresa neo-zelandesa a oferecer comida para cães para combater a fome infantil no Quénia.

Sem comentários.

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janeiro 31, 2006

Ai a língua-bandeira ...

Chega-me, via email d'amigo, anúncio de mais uma petição em prol do Português, língua-pátria mas também mais que Pátria. Modo de Pátria-mais-que-Pátria, entenda-se. Já há meses aqui fui, honrado, um dos "aguadeiros" de querela com a pérfida FIFA em defesa do português lá no sítio deles (fomos derrotados, saímos alegres, convencidos mas derrotados). Agora, contudo, fia mais fino. Eis a história: a pérfida Castela, disfarçada de Banco Santander, alvitra diferenças entre "português" e "brasileiro", vingando Aljubarrota, repetindo-nos o desastre da Vencível Armada.

Assinei, claro. De sorriso diante dos comentários exaltados ali deixados, verdadeira Ala dos Namorados. E, reconheço-me preconceituoso, olhando sociologicamente a longa lista dos 634 que me antecedem. Ninguém é menos por ser mero silva ou santos. E portanto ninguém será menos pelos compósito de seus nomes. Mas é sociologicamente interessante ver tanto nome sonante e/ou conhecido, velhas famílias e homens bons, lentes, defenestrando o Santander. Traídos, até agora, e mais uma vez, por esse Tiradentes.

Assino, repito, mero homem-bom patriota. Por S. Jorge, grito. E convoco-vos à lida. Aqui.

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Tendo recebido um esclarecedor comentário a uma dúvida minha actualizei a entrada Sogobó - Máscaras e Marionetas do Mali, relativa à exposição apresentada no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa.

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janeiro 15, 2006

O amor

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Lisa (Grace Kelly) é a dócil (e por isso perigosa) princesa de New York que quer domar Jeff (James Stewart), um caminhando-para-velho Lancelot, ambivalente pois renitente. Súbito, cúmplice, Lisa participa numa missão perigosa, indo a casa do vendedor (Raymond Burr) provocar-lhe reacção denunciadora, momento de frisson para todos. Quando, afinal sã e salva, ofegante da emoção, Lisa regressa ao apartamento Jeff olha-a assim.

Há mais de vinte anos que esta imagem me persegue. Pois este nada-mais-que-sopro do "Rear Window" é a maior expressão do amor da história do cinema. Um prodígio de representação. Talvez Hitchcock. Mas creio que acima de tudo Jimmy Stewart.

Publicado por jpt às 10:24 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 13, 2006

Sogobó - Máscaras e Marionetas do Mali

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Para quem está em Portugal, e distraído, Sogobò - Máscaras e Marionetas do Mali é uma belissima exposição em Lisboa (Museu Nacional de Etnologia), há já um ano. Só agora a visitei, ainda bem que chego a tempo. Esplenderosa.

Pena a falta de material informativo acompanhando a exposição - fiquei como boi olhando o palácio. Mas que palácio!!! Certo que há um bom catálogo, mas caro. Todos os visitantes o comprarão? Decerto. A folhinha A4 explicativa, fotocópia nas instalações do Museu bastaria, "para pobre bacalhau basta".

E eu não sou especialista, talvez aqui passe algum, mas intitular "Jannus" uma máscara do Mali numa exposição no Museu Nacional de Etnologia é o quê? O regresso ao difusionismo? Haverá museólogos ou antropólogos nos leitores do Ma-Schamba? A caixa de comentários anseia-vos.

Actualização: muito agradeço o comentário aqui deixado, totalmente esclarecedor. "Janus" refere o local originário da máscara em questão, uma localidade da região de Mahina próxima da fronteira com o Senegal.

Posso resmungar a coincidência, uma máscara bi-facial originária de uma localidade africana chamada Janus? Uma armadilha, um "falso amigo" sem dúvida.

Ainda bem, a excelência desta exposição não mereceria (como não merece) outra explicação. (Espero, sinceramente, estar no próximo Natal em Lisboa para poder comprar o catálogo nos generosos saldos que o IPM organiza, pelo menos organizou este ano transacto.)

Publicado por jpt às 02:52 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 12, 2006

Astérix

Vejo e leio o Astérix desde que me lembro de mim. Aos 3 anos? Aos 4? No começar pelos livros dos meus irmãos, os franceses, e acho que o francês que sei aprendi-o naquela Gália, que por eles me era contada. Depois, logo depois, no Tintin semanal, religioso durante anos, e onde o Astérix, o Lucky Luke e o próprio dono eram os únicos residentes constantes. Mas também, ao mesmo tempo, nos álbuns nacionais, várias colecções feitas e desfeitas, dissipadas entre o emprestadar dessa idade e os tratos de polé, meus e alheios, aos livros. Astérix é minha família, é minha vida. Amo-o sem crítica, apenas com gosto e, ocasionais, desgostos.

Todo o Astérix! O pujante, belo, do antes. E o envelhecendo, tropeçando, gaga-izando, dos últimos anos, afinal já quase trinta de viúvez. Mas criou-me, amou-me, cuidou-me. Que me interessa se decadente? Alquebrado? Todo o Asterix é meu, carinho e felicidade do antes feitos hoje.

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A este já nem comprei. E com isso quebrei, quebrou-se, qualquer coisa cá dentro. Quebra chamada idade?

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janeiro 10, 2006

10 de Janeiro de 1929

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Para bom entendedor, 77 anos é um número mágico.


[Irresistível entrada, totalmente decalcada do O Observador, e pela qual o André Abrantes Amaral faz total justiça ao nome do blog]

Publicado por jpt às 11:59 PM | Comentários (8) | TrackBack

King Kong

Aqui um rasgado elogio ao King Kong actual. Apesar das explicações, até a posteriori, muito duvido. Como será possível que sobreviva sem

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a Jessica Lange? Impossível?

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dezembro 16, 2005

Hino Internacional das Universidades

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Desconhecia-lhe a existência. Uma maravilha de letra.

[publicado pelo Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique]

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dezembro 15, 2005

Já que falámos no programa do Paco Bandeira.

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Panfleto de seguradora sul-africana

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dezembro 04, 2005

Baus, Arcas, Heranças

Explico-me: ponto 3. Claro

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dezembro 01, 2005

Hum ... destas coisas pouco sei. Mas ... e o Eça?.

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novembro 28, 2005

Da tortura

Vindo da revista em papel aqui deixo as ligações, especialmente para os que se julgam mais pró-americanos:

Torture's Terrible Toll, artigo de John McCain (senador americano).

The Debate Over Torture, reportagem de Evan Thomas e Michael Hirsh.

Ou será a Newsweek um orgão de anti-americanismo? Isto, nos dias que correm, nunca se sabe.

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Então vão passar a andar a horas? Ou, pelo menos, a dias?

Na capital moçambicana, Fernando Pinto adiantou que a TAP está interessada em abrir, no imediato, um quarto voo semanal entre entre Lisboa e Maputo. «O potencial turístico de Moçambique é enorme», afirmou o presidente da TAP..

***********

Ah, e ao ler isto percebo porque é que hoje à tarde a Mtomoni tanto transbordava para a Engels e a Nyerere. A Tap (dizem-me que até houve exposição alusiva) e o tão esperado congresso de Agentes de Viagens Lusófonos, qu'agora isto é que se vai desenvolver.

Hum, um certo coiso de cargo cult? Cantarolo "os tempos já mudaram". Continuam a mudar, claro, mas já mudaram desde a canção. É como as gentes.

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novembro 27, 2005

Uma questão: qual a lei e prática das forças armadas portuguesas: em caso de necessidade as mulheres combatem em total igualdade com os homens? Ou há algum impeditivo ou algum matizar, legal ou da prática?

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novembro 24, 2005

Se não és bloguista de referência

não desanimes. Vai ao Google, revolucionário instrumento de equidade social.

O que diz (disse) a Internacional Socialista sobre o Iraque, sobre o Partido Trabalhista seu membro e o Iraque? "Esteve [est]a esquerda muda"?

Pois, vale o clic. Assim colocada a questão (e se cruzada com outros nomes, como os de dirigentes e partidos) nada de relevante para a matéria. Focando o assunto, ainda que indirectamente, imagine-se que apenas a nossa tão-preciosa MP. Com ela apenas mais um texto , e com o mesmo enfoque: a revista brasileira do Forum Social Mundial.*

Em ambos a mesma questão, a I.S. acha que a orgânica da ONU deve ser alterada. Hum, pouca coisa para o que procuro, o que disse oficial e oficiosamente a IS, que disse sobre o seu membro trabalhista britânico, que discussão houve ... Enfim, sobre a mudez não de direita, não me chega. Tenho que ir procurar noutras línguas, está visto.

Mas desisto, vou à minha vida. Com a sensação (a sensação, não sai daqui nada mais, qu'isto é só blog) que a esquerda, esta esquerda, esteve muda. Em português, claro. Mas também é natural, não havia gente de língua portuguesa com influência na organização.


***

* Revista do Forum Social Mundial que na capa anuncia artigo "África não é só música e tambores". Se o enfoque promete indigência (isto é negação que ainda se justifique? Em 2004? Para quem estão a escrever?) o título é extra-long de indigente: música E tambores? Então os tambores africanos servem para quê? Para falar? Ah, o inconsciente, os amigos do FSM a tantanizarem os africanos. Uma delícia, uma total delícia.

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Falando com o JPN

[Trazendo dos comentários aqui]

JPN, imagina os 25 anos de fim de curso liceal num liceu qualquer. P.ex. na antiga Escola Secundária dos Olivais, vulgo Viveiros, agora Eça de Queirós (com s). Almoço, os alunos de então a ver se se encontram, reconhecem. Eu vou, até anunciei no blog. Tu idem. Havemos de nos cruzar, sem nos vermos há anos. Eu chego, 90 e tal kgs, camisa aberta até ao umbigo, o tal cordão, um bocado lânguido com as antigas colegas, hás-de reparar durante o dia, bastante extrovertido até. Não catalogas, não julgas (aprecias)? Não te afastarás até, talvez em busca de outros?

A Luísa (lembras-te da Luísa?) já não tão bela, agora não mignone mas atarracada, mini-saia apesar dos também kgs, baton a mais, pechisbeques vários, tanto sentimento e beijos com os velhos colegas. Tu não idem? O Carlos (sabes?) agarrado ao sg filtro ainda, talvez ainda às ganzas isso não sabemos, com expectoração - nem se levanta, cospe para o lenço de pano. Tu não notas? A Mizé também se assoa, num lenço de pano. Tu não notas? O Orlando, o velho Orlando, depois do frango, a ele só sairam asas, palita abundantemente os dentes, retira o palito, olha, esfrega-o no prato, e recomeça. O Mendes trouxe a mulher, esta assim com um ar enfim, e chama-lhe "gajinha", até conta como conheceu a "gajinha". Tu gostas? O Finezas nota-se que deve estar bem, bem vestido, director, fala de carros e do apartamento em sítio bom, bem como das férias, distribui cartões de visita, se precisarmos de alguma coisa... Tu não catalogas? O ZéTó não engana, não saiu. Tu não lamentas? Tu não julgas? A Joana continua linda, está uma senhora, elegante, bem vestida, simpática. Tu não notas, não gostas? Já a Fátima, a Fátinha, tão bonita que era, agora matrona, bebeu umas cervejas e fala muito com o ... olha com o Flávio, o marido dela, que não é dali, até bufa. Tu não reparas? O Flávio, esse de África, já bebeu, o botão do umbigo já se desapertou, mete a mão no joelho da fátinha, tão bonita que era, riem-se ambos, o marido dela que não é dali já bufa, tu não notas. A mulher do Flávio ... como é possível, parece uma senhora (sublinho o parece) como é que está com aquele bimbo? (tu não dizes? tu não dizes o "parece" que eu te sublinhei?), ali enfadada. O Castro está careca e puxa os cabelos de um lado para tapar a careca. tu não reparas? Tu não reparas? O Santos, o santos da portela, está em forma, nem barriga, nem brancas, a idade não lhe passa em cima. Tu não notas, não invejas, não comentas? O velho professor de história está lá, um caco, tu não te assustas? O Albino é gay, está como os outros, mas é gay e tu não notas mesmo nada disto que notas nos outros, não podes notar, não queres notar, não queres classificar, não queres moralizar.

É só isso. Organiza lá o almoço, a reunião. E vê lá se não notas. Eu não vou, estou cá longe. Moralista, reaccionário, homófobo. A achar um gay tão palhaço como um straight. Tão puta como uma puta. Tão tudo como eu. E como o Quim.

[para lá do tom, que foi assim que saiu, abraço. E saudades]

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novembro 23, 2005

Livro Aberto organiza votação para os "livros do ano"

O programa Livro Aberto vai lançar uma votação, entre os seus telespectadores, para elaborar uma lista dos melhores livros do ano.

Quatro categorias, atendendo ao ritmo editorial português:

- Ficção Portuguesa

- Ficção Estrangeira

- Poesia

- Ensaio

Na blogosfera, os votos são enviados para o endereço de correio electrónico deste blog blog sob a forma de listas constituídas por um máximo de dez títulos por categoria. Periodicamente, o blog publicará os resultados parciais e, no dia 5 de Janeiro, será conhecida a lista dos vinte livros mais votados por categoria, os finalistas, abrindo-se um período de oito dias para votações finais com base nessas listas.

Os resultados definitivos serão publicados no dia 12 de Janeiro no blog e na imprensa, além de resultarem numa emissão especial do programa Livro Aberto.

A partir de agora, a votação está aberta. Vamos às estantes recordar os livros que mais nos marcaram em 2005

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Berlioz vetado

"A França também não escapa ao igualitarismo radical que por vezes se designa pelos conceitos de correcção política (political correctness) ou de pensamento único. Em 2000, a ministra francesa da Cultura, Catherine Trautmann, propôs que os restos mortais do compositor Hector Berlioz fossem trasladados para o Panteão. O projecto acabou por ser abandonado na sequência de uma polémica em que Berlioz foi acusado de ter sido politicamente incorrecto: terá participado na conspiração do Norte contra o Sul com a sua ópera inspirada na Eneida de Virgílio, Os Troianos (Le Monde, 29 de Fevereiro de 2000, 21 de Junho de 2000). Motivo da acusação: no terceiro quadro do quinto acto, é erguida uma pira. No momento de subir para esta, Dido apodera-se da espada de Eneias e, enquanto se prepara para se trespassar com ela, profetiza que um dia Aníbal será o seu glorioso vingador. Enquanto os Cartagineses amaldiçoam os Troianos, vê-se aparecer ao longe a visão de Roma eterna. Urbs, a cidade das cidades. A polémica suscitada por uma obra interpretada como um hino inoportuno à civilização ocidental e consequentemente o seu projecto de "dominação" foi tão acalorada que o presidente do Arte, canal de televisão franco-alemão, entendeu dever pedir desculpas por ter programado a transmissão da representação dos Troianos no festival de Salzburgo."

[Raymond Boudon, Os Intelectuais e o Liberalismo, Lisboa, 2005, Gradiva, p. 53]

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novembro 22, 2005

Homofobismo?

Nos tempos em que fui jovem andava por lá o costume de se mostrar a muita "macheza" (o que então era hetero, nem valerá a pena lembrá-lo). Coisa de baixa classe mas não só, também os então "queques", a classe média a querer-se alta. Nestes mais finos o macho era-se nos botãos da camisa desapertados, desvendando os pêlos do peito sonhados matagal e, fundamental, o cordão, se de ouro era um "must", que os adornava e iluminava (aos pêlos, claro). Sofriam os glabros. Discriminados, acontecia-lhes até raparem-se na esperança de incrementos futuros. No pessoal mais povo estes cuidados no trajar vinham juntos às calças justas, enrelevando a genitália, bem aconchegada, a cuja lhes exigia com grande afinco carinhos constantes sob forma de coçadura. Nesse caminho tempos depois chegou, acho que lá do Brasil, a moda da tanguinha, o quase fio-dental para homem barrasco aquando na praia. Dizem, que isso era mais lá pelas caparicas onde o povo se associava, eu isentei-me. Repugnado com a areia partilhada e, claro, fiel ao calção largo no quando e onde.

A rapaziada então era livre, ria-se dessas merdas, mais das dos forcaditos filhos-família do que das dos "ciganos", que destes ainda se tinha o respeito do não querer levar umas lambadas. Quem se apresentava nestes preparos logo levava com o labéu do "chulo", fosse-lhe o papá doutor ou estivador. Atributo que mais tarde estendemos aos que nos carros sentavam as mulheres nos bancos de trás, assim montando velozes o célebre "carro de chulos", arquétipo Ford Capri.

E nestes rodeios lá se fez o nosso pudor, coisa da boa-educação, coisa ensinada. Entenda-se, no carro a menina sentada ao nosso lado, sempre e não só para os melos. Nos trajes a camisa apenas com um botão desapertado e no abaixo-do-cinto a folga, algo indeterminada, que permitisse o implícito às potenciais interessadas, avaliadoras. Falo de coisas sérias, constantes, em despontando as penugens, em descobrindo-se protuberâncias, logo alguém o notaria, no entre-sarcasmos, "hé pá, tens cá tantos pêlos" quando não o ainda mais explícito "ó seu xuleco...". E se nos surpreendia alguma aflição epidérmica lá pelo baixo-ventre logo vinha o "olha a micose". Humor? Nada, o sarcasmo a mostrar como usar o corpito. Ou, de outra forma, que há sítio para tudo, até para as coceiras. Chamámos a isso liberdade. E usámo-la.

Vieram anos e novos trajares. Em muitos mais do que tudo maiores cintos, que as protuberâncias a folgar são agora as do ventre e não as abaixo. E as testas cada vez mais altas, até-à-nuca até. Nos outros, os que chegam, a moda foi mudando. A macheza à mostra multiplicou-se. Coisa agora homo, entenda-se. Os tiques os mesmos. A genitália relevada, os troncos apresentados. Novos tempos e vontades? Nada, coisa de velhas modas e da mesma barrasquice, nem mais.

Mudanças? em nós, no medo do sarcasmo, no "tem que ser" o que me impingem. Vou andando, quando lá, murmúrio para mim, "granda xulo" ali e acolá, mas enfim. Repito, murmúrio para mim mesmo, que já não é tempo para criticar outros, há que aceitar tudo e todos. Senão ... mal-visto e mal-quisto.

Há tempos, no por lá, fui ao doutoramento de colega e amigo. Nós, a claque, informais. Gente da ciência social, mestres de duplipensar correcto (nem todos, nem todos), coisa até do estatuto profissional, que tudo isso parece vir das leituras certas em tempo certo. Acolheram-nos candidato e participantes, dito júri, rídículos, quais curas medievais. Livre ainda, disse-o, aos que conhecia. Sorriram-me, até críticos daquilo, mas no "que queres?, são as normas" e logo na coimbrã coimbra. Enfim, mostrando-se, ainda que ali expectantes em dia de festa, livres para olhar o ridículo de vestes e poses. Sabendo do seu porquê. E até parecendo que sempre assim atentos. Mas não, mas não...

Depois das loas e incensos devidos ao vencedor avançámos aos comes e bebes de fim de tarde. Uns já desfardados outros mantendo-se no informal, nisso umas dezenas. A animar, que festa de doutoramento é momento. Fiquei-me um pouco de fora, anos cá fora, já muitos que não conheço ou não se interessam. Entre-copos estou ali com dois colegas, a fazer novas velhas conversas, e, súbito, avança um já não jovem, no cumprimentando-os. Todo ele justinho, claro, e a camisa aberta até ao umbigo, os tais (poucos) pêlos em radical anúncio.

"Quem é este paneleiro?" perguntei logo que ele saíu. "Éh pá, lá estás tu" dizem-me os colegas, no serem correctos. "Foda-se! Estou o quê?", "ah, estás a desatinar...", "estou a desatinar o quê? quem é este gajo?" "fulano, de tal", "ah, que paneleirote!". (Sor)risos, "não mudas", "não mudo?" (a irritar-me) "foda-se, isto é maneira de estar vestido? Aqui? Para afirmar o quê, aqui?"?", "ok, ok", "ok, ok o caralho, e se fosse eu a aparecer assim?" "ok, ok, é ridículo". E eu a calar-me, porque estamos a beber, a repetir as tais velhas conversas, as que não se concluem, as de amigos mesmo. E assim não me apetece o tal mal-visto e mal-quisto. Mas, ainda assim, hei-de continuar a dizer uns palavrões valentes. Pôrra ... onde está aquela liberdade? A de olhar o ridículo? O do ordinário.

Adenda: há comentários quase-post. Meus e alheios.

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Para vulgares

No A Arte da Fuga duas citações: Vargas Llosa e Hayek. Aconselháveis a vulgares (entenda-se consumidores de vulgatas). Em especial se bloguistas furibundos. Dos vários "lados".

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novembro 21, 2005

Lá na minha terra (quase) tudo a botar sobre homossexuais (existem ou não? e coisas assim ...). Enfim. Sobre isso há muita gente com razões, o que é interessante, as polémicas normalmente cruzam muita gente sem razão nem razões. Uma transcrição no Da Literatura* de um texto muito interessante de João Galamba [texto raro no bloguismo, argúcia teórica e a síntese do meio].

E a fazerem-me lembrar um livro que li há já muito. Nem o tenho, ficou-se algures: Lucien Febvre, Rabelais et le problème de l'incroyance au XVIe siècle.

Sobre o assunto pouco posso dizer, mas tenho uma historieta sobre vestimentas que gostaria de partilhar. Fica para a madrugada. Super-preconceituosa, aviso. Em jeito de marketing, sedento de clics em casa própria.

*Que me perdoem no Da Literatura mas a pomposa apresentação do elo, referindo o autor pelo seu estatuto académico, arrepia. Sei que procura legitimação do texto mas, caramba, nesse nosso paízinho de doutores e afins ao menos no bloguismo tem sido costume fingir que não é assim, pese embora um Professor ou outro que por aqui se gostam de ver espelhados. Mantenha-se o belo costume, por favor. Os titulozinhos lá fora.

Adenda: Eduardo Pitta aqui comentou, explicitando que na sua rubrica "citações" sempre identifica profissionalmente os aí citados. A minha afirmação perde assim o sentido. Fico-me, o que é lateral e porventura excêntrico a esta questão, apenas no meu desagrado com a utilização neste recanto de títulos e estatutos extra-bloguísticos. Utopia? Horizonte? Decerto. Mas não por aqui imaginar uma "comunidade" "comunitarista". Apenas para alívio.

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novembro 20, 2005

Ícones

Quem lê este blog já se cruzou com o meu desgosto pelos falsos libertários, adeptos de miseráveis ditaduras, atrevidos passeadores de inaceitáveis ícones guevaristas e similares. Sei que em muitos casos mero modismo, nada mais do que ignorantes de shopping centre auto-imaginando-se andarilhos do mundo. Mas em muitos outros casos não, arreigados aos sonhos sanguinários que perseguiram e prosseguiram. E, até, materializaram. Sanguinários e incompetentes, ainda por cima, di-lo o tempo que se lhes passou. E os povos, esgares aos novos disfarces.

De quando em vez lá me caem em casa as justificativas, os elogios aos porta-chaves, às t-shirts, às citações, aos cartazes com o pin-up Guevara ou coisas parentes, uma "iconologia da liberdade" fazem-nos.

Já nem sorrio a esse refúgio, como se desculpa, no simbolismo, nos "ícones" da liberdade. Reparo que nunca vi ninguém, desses "democratas" ou outros, vestido com esta t-shirt.

Tianasquare.jpg
Jeff Widener (The Associated Press).

Sei bem porquê, esses alter/libertários, mesmo os tais mais ignorantes, sabem que ali são os dos tanques. Nem ficaram muito bem na foto, nem lhes dá jeito o simbolismo.

[Foto retirada via A Arte da Fuga]

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novembro 19, 2005

Sociologia

Nos últimos tempos, e fundamentalmente devido às arruaças em França, muito se tem falado de sociologia no bloguismo português. Normalmente fala-se mal, com desprimor, até desprezo. Normalmente à direita. Não hei-de esquecer a paleolítica "boca" à actual ministra de educação portuguesa: qualquer coisa como "se é socióloga só podemos esperar socialismo", coisa aparecida em grã-blog, "pré-ideia" com geneologia, e antiga, aparente blasfémia que nada mais é do que ladaínha de beata de sacristia.

Nessa área, e repito-me, será chocante ou divertido assistir à alegria com que afamados e anónimos bloguistas fazem questão, finca-pé até, de se mostrarem ignorantes. Melhor dizendo, em afirmarem-se ignorantes. Reproduzindo, alvares, a velha ideia de uma direita ignorante face a uma esquerda intelectual.

Felizmente não há feia sem senão. Sobre as mesmas arruaças ver este texto, difundido por alguém que não se julga elevar através de reclamações de ignorância.

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novembro 18, 2005

Sageza

Sobre o mesmo assunto (do qual não conheço detalhes) dois textos assim dotados: este e este.

Modestamente, e bem menos sagaz, continuo angustiado: quarentão já, ainda não sei definir bom senso. Sei apenas que, afinal, ele não é o politicamente correcto. Pois este é, apenas, o senso comum letrado.

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novembro 17, 2005

Civilização

O que aqui se passou é uma questão civilizacional. Com tudo o que de problemático tem tal conceito. De evolucionista, de preconceituoso. De normativo. Assim seja. Pois é, realmente, disso que se trata. Obliterar isso, varrer isso para debaixo do "nós vs eles", da "direita e esquerda", do "democratismo" vs "anti-americanismo" é mero regresso à barbárie. E em muitos casos de manutenção na barbárie.

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novembro 16, 2005

Ler. E nunca esquecer o como o chic da alter-globalização europeia é profundamente reaccionário, pró-exploração. "Alter-colonialista" se se quiser. Enquanto dançam aos ícones comunisto-libertários. Lixo ideológico servindo interesses de classe, diria um verdadeiro marxista.

Publicado por jpt às 07:51 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 15, 2005

Hoje é dia de

memórias alheias, que são as minhas.

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Taka Takata

No sempre recompensador Beco das Imagens uma entrevista com Jo-El Azara,
o autor de Index_01.gif

taka takata.jpg

Uma recordação deliciosa.

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novembro 14, 2005

Cultura

Se há conceito problemático não o há-de ser mais do que o de "cultura". Milhentas as definições, longas as discussões, múltiplos os usos, os sustentados entenda-se.

Leio Henrique Raposo: "E que tal recuperar o verdadeiro conceito de Cultura? O conceito que faz da Cultura um percurso que cada um deve fazer - sozinho, sem a bengala obrigatória da comunidade - ao longo da vida." (o sublinhado é meu). E pronto, está resolvido.

Sorrio. Como quase sempre diante do incomensurável poder da crença. Essa que quando não nos faz sorrir nos desespera. Antes assim, neste caso.

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novembro 08, 2005

Sobre a França

Sobre a longínqua França alguns textos interessantes de ler, e vindos de "locais" diferentes: Walter Rodrigues no Forum Comunitário, a série de textos de Henrique Raposo n' O Acidental, Miguel Vale de Almeida n' Os Tempos Que Correm, as ausências da República do FJV n' A Origem das Espécies.

.

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O concurso dos intelectuais

Há algum tempo aqui ecoei a votação dos leitores da Prospect (e, já agora, também a minha) para a "eleição" dos intelectuais mundialmente mais influentes. Os resultados estão aqui.

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novembro 06, 2005

jacquerie.jpg

[Imagem recolhida aqui.]

Publicado por jpt às 06:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

Jacqueries

em casa no jantar, a tv do mundo, e diz-me: "que civilização ... criámos estas bastardias"! Diz-me, e muito bem.

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outubro 30, 2005

Edward S. Curtis

No Os Cavaleiros Camponeses ... reprodução do trabalhos de Edward S. Curtis. Excelente. Agradecimentos pela indicação, belissima.

Não resisto a também reproduzir algumas imagens, até para acicatar a curiosidade de quem por aqui passe.

ct01023r.jpg

Sacred Buckskin - Apache

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Haschebaad - Navaho
ct01028r.jpg

Maternity Belt - Apache

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outubro 28, 2005

Mandela terrorista

Via Cocanha cheguei a isto, um protesto ao Nobel da Literatura a Pinter: "Depois que dois terroristas do calibre de Arafat e Mandela foram premiados com o Nobel, podemos esperar qualquer coisa.". Está aqui a bílis toda, "o calibre de terrorista" de Mandela sublinhado, como forma de invectivar a academia que atribui o prémio.

Posteriormente, decerto para manter um ar "actualizado", "civilizado", um jogo retórico a querer-se auto-legitimador, algo que nem justifica contraposição pois aqui o contexto dos textos é evidente. Superlativo de evidência.

Esta coisa, prenhe de desprezo, da tal bílis para não dizer de outra forma, por quem participou e liderou numa luta contra um regime racista (por excelência) e supra-opressivo*, surge agora muito apreciada, louvada e emparceirada no bloguismo português. Dito democrático, algum até liberal. Louvores e parcerias que ficam a quem os faz. Ficam bem se demonstrando-os. Ficam mal, se demonstrando-os.

Para esta coisa a história da política foi dando nomes: "ultramontano", "fascista", "fundamentalista" mais agora, "autoritário". Tudo palavras cujo excessivo mau-uso desvalorizou, poluíu. Já não servem. De facto esta coisa tem um só nome. Lixo.

Depois ... há quem viva com o lixo, há quem abrace o lixo. E há quem o limpe. Mera questão de higiene. O chá em criança talvez ajude. Mas não chega.**

*para os mais liberais mas ao mesmo tempo apreciadores de tais simpatias racistas com o anterior regime de apartheid da África do Sul seria conveniente aprenderem, mesmo que apenas para matizar tamanho desapreço com o tal terrorista. Aquele foi um regime ferozmente anti-liberal: não só as liberdades individuais eram na lei e na prática negadas, como o direito à propriedade privada era com a população não-branca a ser impedida de acumular e preservar propriedade. Mais, aquele foi também, imagine-se, arquétipo de um regime de multiculturalismo.

**no ma-schamba já me irritei contra o vácuo da proclamada superioridade moral da esquerda. Mas é óbvio que quem aprecia estes recipientes enferma de uma óbvia "inferioridade moral de centro/direita". Mal hajam.

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outubro 23, 2005

Fogos em África

Um excelente post no 25 cms de Neve sobre fogos em África, chamando a atenção para leituras mais vastas.

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outubro 16, 2005

Nobel da Literatura e o anacletismo

Que o Prémio Nobel da Literatura é apenas o Prémio Nobel da Literatura sabe-se há muito. A sua recente atribuição gerou reacções no bloguismo luso - entre muitos "post-its" escolho, pela autoria, este exemplo. Ia eu escrever sobre tais e tantas desvairadas palavras, tipo garimpeiro preguiçoso, para delas retirar a cristalina "indigência", o óbvio "instrumentalismo" (tudo isso muito censóio mas também conversa de quermesse, "veja-se lá que o homem até escreve "merda") e o notório "anacletismo" (um bloguês aqui incontornável).

Mas não vale a pena escrever. Basta ler Da Literatura, a A Origem das Espécies e os comentários no A Mão Invisível.

Depois cada um que interprete à sua maneira. A mim dá-me só para explicitar o hiper-óbvio: o "anacletismo" não tem ideologia política. É mesmo alma. E (em jeito de adenda) pelos vistos pega-se.


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outubro 14, 2005

Nobel

Do Nobel da Literatura.

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outubro 12, 2005

Sobre os pinguins (cont.)

Mais informação aqui.

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Os pinguins de Bremherhaven

O José afiança-me da veracidade da história dos pinguins de Copenhaga - e decerto que compreendeu que a minha dúvida era pacífica, apenas devida ao facto de ser a história tão fascinante que tinha ar de apócrifa.

E não só afiança como, gentil, oferece outra pérola semelhante: os pinguins de Bremherhaven [texto abaixo transcrito para que o futuro não venha a apagar o sítio em causa]

ALEMANHA: Falha tentativa de “curar” homossexualidade de pinguins
PortugalGay.Pt
Sexta-feira, 11 Fevereiro 2005

Falhou a tentativa do zoológico da cidade alemã de Bremherhaven de “curar” seus pinguins. Quatro pinguins fêmeas foram trazidas da Suécia para tentar seduzir seis machos homossexuais. No entanto, os pingüins não mostraram interesse nas novas companheiras. Para a diretora do zoológico, Heike Kueck, “as relações entre eles eram aparentemente muito fortes”. O zoológico confirmou que tentará repetir a experiência na primavera de 2006, porque os pinguins correm o risco de extinção e precisam procriar para sobreviver. O fenômeno de pingüins gays é conhecido pela ciência. No caso dos pingüins do zoológico de Bremherhaven, a homossexualidade deles foi descoberta após anos e só foi identificada porque os cientistas fizeram uma análise do DNA para então perceber que eles eram machos

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outubro 11, 2005

Género

Gender issue.

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outubro 10, 2005

Os pinguins de Copenhaga

O José [onde raio é que se trata alguém por José a não ser na "familiaridade" bloguística?] ofereceu ao Lutz [que é bloguista credor de oferendas] uma deliciosa e hilariante (ainda que algo inacreditável) história: os pinguins de Copenhaga [na adenda ao texto].

Totalmente imperdível. E se não é verdade é (muito) bem metido!

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outubro 08, 2005

Deve o trabalho ser considerado trabalho? Deve o trabalho ser remunerado? A resmungar com o Paulo Querido (eu em linguagem de comentários).

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sem palavras

....

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Zimbabwe

O Zimbabwe, que cada vez mais me faz lembrar "Os Comediantes" de Graham Greene. A gente habitua-se e até se esquece, no dia-a-dia.

Diante daquilo porque não visitar este Make Tyranny History? [via The Zimbabwean Pundit]. Mais que não seja para nos lembrarmos.

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outubro 07, 2005

Intelectuais Influentes: votação

Via Henrique Raposo o acesso a uma votação lançada pela Prospect: um "top" de intelectuais influentes, onde se propõe a escolha de 5 nomes entre uma pré-selecção de 100.

Vale o que vale, mas tem piada. Ver quem está escolhido. E acabará por funcionar mais como auto-retrato do visitante. Constatar aqueles de quem se conhece apenas o nome, os outros de quem se conhece a obra. E os outros de quem nunca se ouviu falar. Os que gostamos e os que não gostamos. E também tentar, no meio daquilo, entender o que é "influência pública". Enfim, um passatempo inteligente e agradável.

Já agora a minha mera votação: JM Coetzee (não acreditando que tenha qualquer "influência pública" realmente relevante. E que a deseje), Umberto Eco, Sunita Narain, Amartya Sen, Mario Vargas Llosa.

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setembro 29, 2005

Mas come-se mal.

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setembro 26, 2005

Multiculturalismo

Na blogosfera é recorrente o discurso sobre o "multiculturalismo", normalmente poluído pela exaltação anti-islão e por alguma fragilidade de termos, o que dá normalmente no empobrecimento via dicotomia vs/pró como se direita/esquerda fosse. Também por isso será de ler o esclarecido texto que Rui Pena Pires lhe dedica, republicando-o, (pese a retórica um pouco grandiloquente) bem como o seguimento da questão no Canhoto (em linguagem mais bloguística e, para meu gosto, bem mais agradável).

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setembro 04, 2005

Regresso ao optimismo pedagógico, a modernidade de novo

Abaixo deixei que me repugna o proselitismo. O das minhas ideias e o das outras. Ele vai-se encontrando, muito quase constante. E muito nesta última semana.

No blog-em-blog sobre New Orleans lá se ouve o troar dessa qual seita evangelista: a desses que acreditam, com vigor, que a sociedade não existe. Crendo na solidão, pureza, do indivíduo, e na inexistência de algo específico que brote da sua associação em grupo. Dizem-se "liberais", e sê-lo-ão à sua maneira e suas leituras.

Nestes mesmos dias aqui aconteceu a campanha de vacinação. Em Sofala e Tete, principalmente, soou forte a igreja de Joahn Marangue. Apelando aos seus seguidores, e muitos são, a que não fossem vacinados. Mais radicais ainda que Testemunhas de Jeová, e outras igrejas, no que ao manuseamento médico do corpo é permitido. Crendo numa solidão, pureza, do indivíduo, do seu sangue, e na inexistência de algum bem que advenha da sua transfusão ou enriquecimento. Dizem-se "cristãos", e sê-lo-ão à sua maneira e suas leituras.

O esclarecimento das pessoas fiéis a este tipo de seitas é sonho velho, antes dito "iluminismo", coisas de quem ainda persegue o "desencantamento do mundo", no fundo um "optimismo pedagógico". Ideia, talvez sonho, dita "modernidade". Hoje, tanto falhanço nesse caminho, tanta crítica já feita, é tempo de deixarmos esse sonho, talvez mera miragem, é tempo do que alguns chamaram "pós-modernidade".

É tempo de saber que temos que viver com estas seitas, ser um pouco relativistas, eu diria que temos que professar um multiculturalismo matizado no aceitá-las. E nisso até aceitarmos o seu proselitismo, sempre exarcebado, coisas de quem crê, violenta e acriticamente. Pois o bom crente não interroga.

Ser assim consciente de que estas seitas, liberais ou cristãs (e outras que por aí pululam) não se limitam ao obscurantismo. São-no é certo, mas também têm um lado positivo, reconfortam os indivíduos. Guiam-nos, enquadram-nos, dão-lhes um sentido para a vida, uma "visão do mundo", algo sempre precioso, particularmente em tempos tão conturbados. Se pacíficas nos seus objectivos e práticas devem-se aceitar. Integrar.

E, nessa integração, devemos aprender. Algo sobre essas gentes, sobre as suas ideias mas acima de tudo seus anseios, decerto algo legítimos, ainda que traduzidos neste tipo de discursos. E nesse esforço de compreensão, tradução, talvez possamos conseguir transmitir algumas ideias, nem tanto valores mas pelo menos práticas. Que vacinar é fundamental, que uma transfusão de sangue é importante, que a sociedade existe e influencia, que o preservativo protege. Coisas assim.

Sei que, de certa forma, isto é o regresso do "optimismo pedagógico". De uma qualquer "modernidade". Ainda que muito humilde. Mas ambicioso, a ambição dos pequenos passos. Crendo, claro. Com a crença que "isto" pode melhorar. Apesar de parecer obscuro.

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Sobre os blogs portugueses e New Orleans

De ligações [links] em ligações apanhei algumas pérolas, algumas em blogs que já nem visito habitualmente.

Uma (não recordo onde) considerando que os negros americanos são pobres porque são negros. O que não deixa de ser verdade, o que demonstra que a amplitude da língua. Ainda que eu também ache que os negros americanos são negros porque são pobres.

Uma outra (recordo-me bem, mas já nem ponho ligação), excelente. Dizendo que se houver um terramoto em Lisboa (longe vá o agoiro) não deverá haver ajuda do Estado (e da UE) às vítimas pois estas são responsáveis por terem escolhido viver num local perigoso.

Estes são os bloguismos célebres e acarinhados no meu país. Claro que há crise no país. E grande.

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agosto 25, 2005

Elos nada refrescantes: no Klepsýdra.

(Elos que não são particularmente dedicados ao leitor JPA).

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agosto 21, 2005

Zimbabwe: filme da Amnistia Internacional

Recensão sobre um recentissimo filme da Amnistia Internacional rodado no Zimbabwe. E o inconcebível continua.

[via O Insurgente]

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julho 30, 2005

Bibliometria Universitária. A acompanhar a crítica aos estudos hierarquizadores das universidades, e às metodologias utilizadas, no
Canhoto [p.ex. aqui]. E que me lembra discussão sobre o mesmo assunto que há meses surgiu no Klepsýdra [sem pesquisa para visitantes não lhe encontro os endereços permanentes, talvez o Rui Curado Silva possa, se entender válido, divulgá-los].

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julho 28, 2005

Moral e política: as vítimas privilegiadas. No Ideias para Debate um debate sobre o terrorismo actual. Várias vozes, entre elas discordantes. Com o interesse duplo: pelas características do blog este é realmente plural e não apenas colectivo. E porque sendo de teclas moçambicanas surge, óbvia e explicitamente, menos eurocentrada (ocidentalocentrada). E com um ferrete face ao "ocidente" que pode incrementar a análise (pode, não obriga). Inclusive por lá me permiti a ligeiros comentários.

Súbito surge um texto que culmina assim: "As minhas condolências à familia do brasileiro Jean Charles de Menezes que foi vitima do “sistema em caos”, do sistema desorganizado e mal preparado."

Partilho as condolências, claro. Mas reparo que o autor não apresenta as condolências às famílias das vítimas dos recentes atentados. E, mais, não nomeia estas (um pico no google talvez o possibilitasse) - que melhor homenagem na morte do que esta que aqui fez ao infeliz imigrante brasileiro, vítima da histeria , a de nomear o indivíduo desconhecido para a sociedade?

Simples questão retórica? Não, absoluta actualização em mero blog: não há possibilidades de diálogo (de aprendizagem mútua e de negociação) sem que haja a partilha de uma base moral. É o que aqui se demonstra, gritante e desmesuradamente. Argumentação imoral? Não. Amoral? Não. Outra moral, subordinada ao anti-ocidentalismo (americanismo, na sua forma simplificadora). Não terrorista, não suicida. Não estamos no seio dos polos em conflito. Mas sim no discurso calmo e de aparência reflexiva, naquilo que se poderá considerar o "civilizado" mainstream reflexivo. Mas na realidade estamos face a outra moral, subordinada a estes outros valores profundos. Histórica, social e politicamente produzidos, contextualizáveis, compreensíveis? Sim. Mas também, e por isso mesmo, ultrapassáveis.

Caso único? Não, até recorrente, e enraízado em vários pontos de partida hermenêuticos. Mas demonstrando que se as diferenças ideológicas são estimulantes já as separações morais são irredutíveis. Sublinhando os limites do relativismo. Ou, de outra forma mais quotidiana, porque consciente de que se me acontecer algo gente que pensa assim não me nomeará, não terá condolências a apresentar. Para quê então, se simples cidadão, argumentar? Ler talvez, para aprender o outro. E temê-lo, bem mais do que ao terrorismo, mero epifenómeno a prazo curto. Porque este, esta "reflexão" tem futuro, e um enorme presente. Em várias línguas e bandeiras.

Espanto-me, pelo blog em causa. E retiro-me. E, contrariamente ao dístico que anda por aí de blog em blog, disto I'm afraid.

Publicado por jpt às 09:50 AM | Comentários (9)