maio 06, 2006
Noel Langa


Uma individual de Noel Langa no Centro de Estudos Brasileiros, inaugurada ontem.
Fotografias de "O Sol, a Lua e o Arco-Íris" e "O Ninho" (em ambos os casos acrílico sobre tela).
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maio 05, 2006
Mahwayi em Portugal

O grande contador de histórias Marangel Zacarias Mahwayi está em Portugal, a sua primeira ida à Europa, declarou ao jornal Zambeze. Leva, diz, vinte histórias tradicionais para contar. Mahwayi estará na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, no próximo sábado, dia 6 de Maio, às 21 horas, integrando a realização "Contos Que a Voz Cantou". Se eu estivesse em Lisboa não falharia ...
O contador irá também à Universidade Nova de Lisboa, a convite de João Soeiro de Carvalho, o cujo deverá ter estado por detrás do convite. Pois é dos atentos, julgo.
[fotografia reproduzida do jornal Zambeze, edição de 4 de Maio de 2006]
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abril 06, 2006
Estevão Mucavele

Uma exposição individual de Estevão Mucavele (Instituto Camões), "Arte Africana Moçambicana".

O "naif" moçambicano, título eterno mais uma vez reclamado. Rios e montanhas, os constantes rios e montanhas do velho Mucavele, enublados no habitual monocromatismo que é o do seu mundo. Um título aparentemente paradoxal. Provocatório?
A acompanhar nos próximos dias.
Preços proibitivos. Nada a dizer sobre o caso individual. Tudo a dizer sobre as suicidárias práticas das galerias aqui. Como estabelecer galerias de arte que efectivamente produzam se os preços são "atirados" para auto-consagração e depois todos vendem em casa por não sei quantas vezes menos? Algo a fazer neste campo.
[reprodução de excerto de "Ideias do Artista", incluída no desdobrável alusivo à exposição]
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março 07, 2006
O Mural de Bento Mukezwane e Ciro Pereira

afinal ficou. O ar condicionado acabou por não ser instalado. In extremis, intervenção de quem de direito. Está lá um buraco, o destinado ao tubo. Mas reparável. Trabalho para Ciro.
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fevereiro 23, 2006
Machado da Graça bem cartooniza sobre o Savana

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fevereiro 14, 2006
Ainda Bertina Lopes
Introduzi as imagens originais do artigo de Paola Rolleta sobre Bertina Lopes.
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fevereiro 10, 2006
Bertina, a Pintora
[Um texto de Paola Rolleta, a quem muito agradeço esta oferta ao Ma-Schamba. Publicado no Savana, edição de 27.01.2006.]
Bertina, a Pintora

Energia imparável é o comentário mais óbvio que se pode fazer quando se fala de Bertina Lopes. Uma exposição em Rimini a inaugurar no próximo dia 4 de Março, uma outra em Roma em meados de Maio, e outros mil projectos em carteira desta senhora das artes plásticas moçambicana que nasceu no final dos anos 20 do século passado.
Um texto de um jornal deve ser justificado por um acontecimento especial, um “gancho” como se diz na gíria. O gancho para esta pequena homenagem a esta grande mulher foi-me dado há algumas semanas quando, neste semanário, foi publicado um artigo sobre o fundador do jornal “Tribuna”, João Reis, recentemente falecido. Reis era proprietário de uma loja de livros de arte, discos de música clássica e jazz, jogos de sociedade, reproduções de quadros, a Poliarte, que estava nas arcadas no Prédio EMOSE, na baixa de Maputo. João Reis apoiava os jovens artistas locais, e organizava exposições de pintura. Justamente em 1956, Bertina participou pela primeira vez com os seus quadros numa exposição colectiva faz agora cinquenta anos. O que justifica estas linhas.
A mãe dos pintores moçambicanos

(Olhos brancos de farinha de milho, 1965, óleo sobre tela)
Na história da pintura, muitas vezes o seu nome é posto ao lado da mexicana e grande artista, Frida Khalo. Duas vidas certamente diferentes, mas com traços comuns muito fortes, e sobretudo com qualidades pictóricas e humanas muito peculiares.
É chamada por toda a gente Mama B. Mãe foi de dois filhos, o Virgílio e o Eugênio. E foi considerada a mãe dos pintores moçambicanos todos. É Bertina Lopes, a artista luso-moçambicana que vive há quarenta anos em Roma, com Franco, seu marido italiano. Proibiu-nos de chamá-la apenas moçambicana. Não quer. “Nas minhas veias corre sangue português, do meu pai, e sangue africano, da minha mãe. Desde sempre queria que todos me chamassem luso-moçambicana, só nos últimos anos consegui ter reconhecido esse meu direito”, afirma com um brilho malandro nos olhos negros marcados com uma linha de kajal.
“Ela é mãe e pai das artes plásticas moçambicanas”, disse-nos Malangatana. “Foi das primeiras a exprimir as inquietações na sociedade portuguesa. Levantava problemas sócio-políticos sem fazer com que a pintura se tornasse panfleto. Quer gostassem quer não da pessoa, todos ficavam impressionados por ela como criadora. Porque era fácil compreender a sua obra, caracterizada – ainda hoje - por uma forte expressividade. Talvez não gostassem dos títulos (por exemplo, Grito grande, Olhos brancos de farinha de milho) que ela escolhia para as suas obras, mas sentiam a obra na carne e na alma.”

[Bertina Lopes com José Craveirinha e Rui Nogar; fotografia de Ricardo Rangel]
Voltou a Lourenço Marques em 1953, depois de uma temporada em Lisboa onde foi estudar Belas Artes. Voltou e começou a dar aulas de desenho na Escola Técnica General Machado. Eram os tempos de Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli. Casou com o poeta Virgílio de Lemos, o pai dos seus filhos. “ Embora com carácter diferente, muitas vezes os quadros pareciam ilustrações dos poemas do Virgílio e vice-versa”, diz Malangatana.
Embaixada paralela

(Como um grande amor [autoretrato com o marido], 1967, óleo sobre tela)
Bertina recebe na sua casa-atelier todos os “palopes” que passam pela capital italiana. O terraço, com vista fabulosa dos telhados de Roma inclusive da Basílica de São Pedro, tornou-se uma espécie de “embaixada paralela”. Todos deixam a sua assinatura, nas paredes, repletas de homens políticos, artistas, músicos, enfim de toda a gente que por lá passa.
Um pedaço dos palopes em território neutro, a Itália. Está lá o poema que lhe dedicou Graça Machel, a flor de Joaquim Chissano, o charuto de Mário Soares, os agradecimentos de Carlos Veiga… e todos os outros que passaram e passam por lá a tomar um “espumantinho erótico”.
Bertina conta anedotas, sorri à vida, leva tudo com a ligeireza sonhadora dos grandes artistas e fala uma língua que é só dela: o “bertinês”, uma mistura de português e italiano, como a definiu o escritor italiano Carlo Levi. Quando fala, usa sempre um tom baixo e arrastado, como se tivesse sempre que traduzir não apenas as palavras mas aquilo que sente na alma: as reacções agressivas - que são uma caractéristica dela - se apagam logo graças ao sorriso de menina brincalhona e das boas maneiras de senhora requintada.
Bertina é uma pessoa generosa. “No meio artístico e social de Moçambique é carinhosamente chamada Mama B”, escreveu Joaquim Chissano, “porque nela está corporizado o mito e a essência do nosso ser colectivo, o modelo e exemplo a seguir pelas novas gerações, a fonte inesgotável de inspiração nos nossos esforços de reconstrução e desenvolvimento nacional, de consolidação da tolerância e reconciliação, de trabalho árduo por um futuro melhor, em que estejam garantidos o pão, a paz, a harmonia e o bem-estar para todos.”
O antigo presidente de Moçambique esqueceu de dizer que Mama B é assim chamada também em Itália onde conta com 57 “filhochos”, (filhotes). A pena dela é que apenas uma traz o seu nome. “Bertine era a mulher do médico que me fez nascer. Mas como era um nome estrangeiro o governo não deixou registar o nome. Os meus pais decidiram então me chamar Bertina.”
Bertina à medida que a idade avança não deixa de ensinar a arte de viver com o sorriso apesar da dor, a arte da curiosidade, da generosidade, e sobretudo a grande arte de não se levar demasiado a sério, a ironia, e a arte e o prazer da convivência natural e social.
Ela nunca esqueceu de onde veio, nunca esqueceu a luta do seu povo e a luta dela ao lado, embora geograficamente distante, da sua gente. No ano passado foi madrinha de uma exposição de artistas deficientes, “Abaixo o cinzento”, para angariar fundos para o DREAM, o programa de luta contra o SIDA levado a cabo pela Comunidade de Santo Egídio em Moçambique.
“Nunca se divorciou do seu país”, comentou Malangatana. A lembrança faz parte da sua obra de arte e da sua vida. “A minha casa era, desde a minha chegada a Roma, o ponto de encontro dos refugiados, dos exilados”, e recorda como ela, na época da ditadura era “deportada” enquanto a irmã mais velha era deputada nas Nações Unidas.
Entre outros, em 1991 Bertina recebeu o Prémio Mundial “Carson” da Raquel Carson Memorial Foundation de Nova Iorque pelo seus méritos artísticos e humanitários e pela sua fidelidade às origens africanas embora no contexto de uma refinada esperiência pessoal internacional.
Jazz inspirador

(Fanisse era minha avó [de um poema de José Craveirinha], 1967, collage e óleo sobre tela)
Uma das fases mais recentes da pintura da Bertina tem o jazz como elemento inspirador. As telas de Bertina a quererem ser partituras de jazz, como um símbolo activo da síntese mais ambiciosa e qualitativamente elevada, entre diversas culturas e etnias, jogadas no harmonioso signo de uma arte já livre de qualquer exagero nacional-cultural e político.
A força da pintura e da escultura (particularmente interessante aquela que dedicou ao antigo presidente e amigo Samora Machel, Quem nunca morre e de tudo se lembra, é o povo) vivida entre dois continentes, reside neste seu “estar fora”, num espaço pictórico totalmente autónomo das escolas e totalmente dentro da vida, percorrendo o espaço “para encontrar um espaço para África”. Grande capacidade da artista de absorver e metabolizar escolas e tendências sem nunca prescindir das suas raizes e da sua personalidade.
Mas a sua terra natal não se lembra tanto dela como ela se lembra de Moçambique. Há vários anos que não é organizada uma exposição da obra dela. Há pelo menos um banco que possui muitos quadros de Bertina, talvez a maior exposição permanente da artista nesta cidade. Infelizmente não está à vista de toda a gente. Malangatana acha que era tempo de Moçambique organizar uma.
Caleidoscópios
Luciana Stegagno Picchio escreveu que “a própria aventura do informal, que Europa e América enfrentam a nível puramente cerebral e visivo ou mesmo apenas gestual, é vivida por Bertina, africana de Europa, como recuperação de gestos e signos que em África, antes que em qualquer lugar, o tempo tinha isolado e mudado em metáforas: o nó, a rede, o olho, a serpente, o totem.”
Já passaram muitos anos das primeiras pinturas figurativas, repletas de grandes olhos de africanos chocados com a violência do mundo. E passaram também alguns anos dos “totem” repletos das cores fantásticas da liber-tação. Passou também a fase espacial.
No século XXI, Mama B de Maputo, de Lisboa, de Roma, tem como motivo criativo a difusão da cor, quase violenta, em telas sempre maiores, caleidoscópios de cores brilhantes, úteros luminosos e fortes onde se vê nítida a vida e a alegria de viver.
Adenda (Jpt): Sobre Bertina Lopes consultar aqui, aqui ou aqui.
As seguintes (pobres) reproduções são minha opção para ilustração no blog, retiradas do catálogo 9 Artistas de Moçambique, Maputo, Museu Nacional de Arte, 1992, e entretanto substituídas pelas imagens originalmente colocadas no artigo.

("As Luzes e as Chaminés das Fábricas", 1988, óleo sobre tela)

("Mafalala", s/d, óleo sobre tela)

("Os Três Momentos", 1991, óleo sobre tela)

("Raíz Antiga", 1988, óleo sobre tela)
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fevereiro 01, 2006
OK, Standard

[Dançarinas do grupo Assanate Novo Sistema, Ilha de Moçambique, Janeiro 2006]
Publicado por jpt às 09:24 AM | Comentários (1)
janeiro 28, 2006
Tufo



Actuação do grupo Associação Forte Amizade.

Zinha, a excelente "1ª dançarina" da Associação Forte Amizade
Publicado por jpt às 11:06 AM | Comentários (3)
janeiro 27, 2006
Há só um sol por aí

Mariamo, namwina unyolela opatxa [1ª dançarina (+/-)], grupo Anuaril Hassanate; Ilha de Moçambique.
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dezembro 18, 2005
Crónica de um almoço com bloguista de regresso à pátria




[António Vinte; Casca de Banana sobre Cartolina]
Nota: Série também aqui e aqui.
Publicado por jpt às 01:59 AM | Comentários (5)
dezembro 17, 2005



[António Vinte; Casca de Banana sobre Cartolina]
Continuando mas também dialogando com o Lutz e a Zazie. E com atenção à longa série apresentada pela Carla.
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dezembro 13, 2005
Vasco Manhiça
O artista, agora (e)migrado na Alemanha, Vasco Manhiça abriu o seu Vasco H. Manhiça Fotolog. Manhiça, que está cá em casa, marcou o desenho em Moçambique na última década, basta ver os caminhos dos seus mais-novos nessa área, em particular o muito celebrado Pinto. A seguir, portanto.
Publicado por jpt às 07:17 PM | Comentários (0)
As regras e os estereótipos: convites e chamussas
[crónica de costumes, coisa feia a nem merecer arranjos formais]
Isto dos convites para os eventos, aqui, é importante. Sei que um dia há-de deixar de ser. Mas ainda ... Estatuto, claro, o "então por cá!" a marcar o "quem é quem". Mas também, e agora moralizo, nem que seja para avisar das actividades, comprar depois as que se compram, ver depois as que continuam.
De vez em quando também recebo convites para as "inaugurações" e "apresentações", esses aleluias dias de cocktail. Um bocado a pedido, diga-se, que é vasto o meu afã por chamussas, rissóis, croquetes (e já nem falo da saudosa, e em tempos afamada, cornucópia). Vasto afã mas envergonhado. Explico-me ...
Dos "portugueses" (o Camões) [aqui desde 2000 diz documentação publicada para uma recente "exposição por ocasião da visita de sua Excelência ..."] recebo-os para algumas coisas vulgares (não quando vem "sua Excelência" claro). Recebo-os pois fui pedir. Aquando da colectiva do Lugar do Desenho tive pena de nunca receber convites, mais porque em tempos tinha vagamente encontrado esses artistas na Ilha de Moçambique e gostava de os ter ido cumprimentar, tantos anos passados. Mesmo que fosse para aqueles "haas...claro que me lembro de si" mas está-se mesmo a ver que não. E tanto assim foi que tirei-me de vergonhas e, pelos vistos quatro anos depois de recepções e issos, fui lá aos serviços culturais a dar a morada para esses dias, afinal sempre sou cooperante e tenho um blog. Como vêm adepto de chamussas mas envergonhado.
Dos "franceses" (o Franco-Moçambicano) nada mas talvez por não ser francófono, dos "brasileiros" (o CEB) também nada, e nestes já me chegou ter sido barrado à porta, que ir à Baixa para chegar lá e nem o livrito comprar ("desculpe, só para convites, e estes só para moçambicanos e brasileiros"), só a um parvo acontece repetir. Às vezes vêm da AMF, mas aí as pessoas estão em casa, são assim tratadas, e achamos que podemos aparecer, basta o boca-a-boca (ainda que bem se pudesse fazer aviso via circular email para maior conhecimento das actividades).
Nisto dos convites e não, às vezes há estranhezas. Um dia estava à porta, do lado de dentro atente-se, do Camões, ali chamado pelo artista, e chegou-se à entrada um jornalista cultural, escritor (e às vezes sacando umas belissimas crónicas, lembro uma antológica dedicada a Ana Magaia) além de emérito e único bluesman bi-thonga. Vinha em traje informal e sem convite, tal e qual eu, diga-se. O (decerto) neófito porteiro barrou-o pois, naquele dia, "sem convite ...". Ele a espantar-se. E eu, como quem não quer a coisa, a chegar-me num sussurro "então vocês têm ali o livro dele à venda e agora não o deixam entrar?". Lapsos, curtos e resolúveis, e lá entrou ele.
Enfim, as coisas nossas, os que andamos aqui à chamussa e copo de vinho barato (um brinde ao falecido Navarro) oferecidos. Sem convite. Mas com sede. E fome. Mesmo que para isso tenhamos que aturar livros, coisas ditas das artes, gente a palestrar, filmes. E até, ali e acolá, discos.
Coisas lembradas a propósito do ontem, da apresentação do filme "Muvart", sobre o Muvart. Filme e movimento a resmungarem, a ultrapassarem os estereótipos, a exigirem fazer coisas que queiram, mais ou menos como "a arte é um país (?)/mundo (?) sem fronteiras". Desregrada, desestereotipizada. Depois belissimo chop-chop (o serviço do restaurante Cristal, é excelente, muito recomendável).
Esqueci o convite em casa. Eu que sou eu, entrei, chegado a horas, entre mais gente, aperto de mão à porta. Depois, já sem gente à porta, sem convite, chegou Idasse que é Idasse. Não entrou. Não entra no Franco sem convite. "São regras". Eu que sou eu entro, Idasse que é Idasse não entra. São "regras"?
Quando saio, filme visto, chamussa à espera, ele está lá fora, já sem ser para entrar. Passo-me, azeda-se-me o vinho, aquece-se-me a cerveja, oleia-se-me a chamussa, enboloriza-se-me a sanduiche. Protesto publicamente, que merda de instituição cultural trava à porta Idasse que é Idasse? Que "arte contemporânea" pode ser assim? Espanto, dos artistas, dos amigos, dos intelectuais: que são as regras do centro, que "agora só com convite". Em alguns vejo, um "vejo com os meus olhos" que vale o que vale, até a sensação do "nós é que estamos aqui". Coisa reaccionária até mais não, paradoxo seria se não mera pobreza do "são as regras". Um gajo que me enche a rua com lixo a dizer que é arte e depois, afinal, tão burguesote no "bomcomportamentismo"?
Saio, furibundo. Com uma instituição que trava Idasse que é Idasse. Mas muito mais com a "corporação" ali a desenhar-se, com a pequenez do pequeno sorriso irónico.
Gargalho hoje com a aflição pequeno-burguesa. Que só hoje sei de outro dos travados: o maior coleccionador de arte aqui, o maior mecenas privado, o eterno desenrascador da gente artista. O homenageado no filme. Pois, esqueceu o convite em casa. Agora "frisson" (galicismo, sempre é no Franco).
Rio-me. Sem qualquer hipótese de contra-argumentação. Apenas de coro de gargalhada. E ainda que resmungando "quer romper fronteiras da arte? então abra as portas ... e deixe o sorrisinho". Ou melhor, desista da chamussa, vai ver que a gente vai à mesma. Até eu, apesar do afã comensal. E, porque não, instalem-se chamussas. Antes isso. Muito mais antes isso.
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Filme Muvart
Ontem apresentação aqui do filme "Muvart", a primeira obra de José Nhamtumbo, co-produção de Lisboa Filmes (o Luís Correia andou por cá há tempos, sem que nos tivessemos encontrado) e Avades Oy. Bom filme, bem pensado, bem filmado e muito bem montado, sobre a emergência do Muvart, das ideias e andanças dos seus membros. E excelência na malícia como é contada a epopeia de recolha de patrocínios necessários à primeira participação dos membros do movimento na Feira de Arte de Lisboa (Novembro de 2004), os silêncios dos "mecenas", as "demoras", as manobras dilatórias. Coisas de atitude. Coisas do poder.
Belissima estreia de Nhamtumbo. Até ali a mostrar-se companheiro de geração e de vontades dos membros do Muvart. Uma pequena nota, lateral: se o argumento, assumido, é a vontade de romper estereótipos a banda sonora, timbila em ritmo tradicional, surge paradoxal. E os paradoxos são bons. Mas quando voluntários.
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dezembro 12, 2005
Depois dos crucifixos os presépios ...

[Dino Jethá, 2004; marrufeira]
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novembro 29, 2005
Elos estruturais
Na coluna de elos à direita, na secção Moçambique, coloquei os elos ao ArtAfrica, um projecto da Gulbenkian coordenado por Fernandes Dias que procedeu ao levantamento de centenas de artistas plásticos nos países africanos da CPLP, e ao Muvart (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), este ainda um pouco desactualizado.
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Colectiva

Está em exposição no Centro Cultural Franco-Moçambicano e hoje, às 18 h, por lá haverá debate sobre mais esta exposição organizada pelo MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique [elo com história do movimento]). Em podendo assistir e participar o desafio é estimulante.
Já por aqui o disse, do interesse e carinho pela emergência do MUVART, das experiências de arte contemporânea que o movimento tem provocado. Num processo que não se esgota nos seus participantes, com particular relevo para o mais-velho Rosa, que até lhe é antecessor. À sua maneira, radicalmente individualista, prosaicamente anti-mercado. Tudo isso provado na sua recente individual, na Casa de Cultura do Alto-Maé, da qual infelizmente não retive nenhuma imagem: não tinha qualquer material de apoio (e eu sem máquina, ali avisado de surpresa), exposição de curta duração, âmbito reduzido. A fazer perder de vista uma mão-cheia de peças bem interessantes, em particular dois "quadros", falsos mimetismos, de excelência.
Do movimento MUVART mais haverá a dizer, começando a sua internacionalização, desde Jorge Dias em Lagos, Portugal, com 15 peças (ainda em exposição) à hipótese de Gemuce seguir a Dakar. E da participação alargada na colectiva lusófona que António Pinto Ribeiro organiza, e cuja itinerância aqui será inaugurada no Abril. E ainda da próxima grande internacional, a apresentar em Setembro.
Múltiplas razões para acompanhar este andar. Para mim uma muito em especial, para além da amizade: do "desafricanizar" da arte, da ruptura com o que aos artistas aqui é imposto, tanto por mercados de fora como pelos essencialistas de aqui, todos buscando, mercados subalternos ou ideólogos do presente, matéria-prima para discursos ditos identitários.


Sónia Sultuane: "De Dentro Para Fora"


David Mbondzo: "Lado A"


Tembo: "Forma e Conteúdo"


Muiengua: "Elementos Extruturados" (sic)


Mouzinho: "Campo Flutuante e Inconsciente do Significado".

[grupo, CCF-M, dia da inauguração]
Desta exposição, com curadoria de Jorge Dias, ele ideólogo do movimento, Sónia Sultuane, a poetisa que já colaborou poeticamente na anterior colectiva "Humano", apresenta o seu primeiro trabalho individual. A mim que me perdoem, palavroso ainda. Mbonzo coloca o trabalho que mais me interessa, visualmente. Mas também como proposta, no que pretende com este "Lado A" "Trago máscaras por serem formas que escondem a verdadeira ou falsa imagem do "eu"", assim também no não-visual a fugir às dicotomias. Muiengua [e é já altura de acertar em definitivo com a grafia do nome, em cada momento surge diferente] regressa com "Elementos Extruturados" (caramba, não há ninguém que possa fazer a revisão, limpar os erros ortográficos?), que já tinha apresentado e impressionado na colectiva Upanamo na Associação Moçambicana de Fotografia em Agosto. Regressa e prejudica, aumentou a instalação (mais 4 colunas?) mas nada mais. E encerrando a instalação na pequena sala que lhe coube fica um apertado do não-respirar nada voluntário. Algo que lembra o facto do "Franco", sendo o melhor local cultural da cidade, não ter uma sala de exposições - nesse sentido foi distraído o trabalho de recuperação do edifício e instalação de um centro cultural. Em lado nenhum, e com tanto espaço, se pode expôr com qualidade. Com os jovens Tembo e Mouzinho, tal com Mbonzo ainda alunos da Escola de Artes Visuais e aqui a estrearem-se em exposição, fico desarmado, nada me ocorre para além das discordâncias conceptuais. Talvez o incentivo de quem está a andar, a fazer brotar um processo.
Mas francamente, haverá pior para uma produção do que apenas gabar-lhe o facto de existir? De processuar? Acho que esta é uma encruzilhada para o MUVART, já andou o suficiente para não se justificar apenas o olhar simpático, o incentivo. A colectiva do ano passado, a colectiva Jorge Dias-Gemuce deste ano, puseram a fasquia alta. Chegou a altura de bater. Exigir. Provocar.
(texto retocado, integrando ainda novas ligações)
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novembro 22, 2005
Convite

Hoje (mau dia, mau dia) "Hora Q", colectiva organizada pelo MUVART. Participação de David Mbozo, Tembo, Luis Muiênga, Mouzinho e Sónia Sultuane.
Às 18 horas, no Centro Cultural Franco-Moçambicano.
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novembro 21, 2005
Os 4 macaquinhos
Há dias referi uma pobre e triste peça de propaganda política acoitada no blog pró-presidência de Mário Soares.
Na altura referi, para além do mau-gosto explícito, a pobreza de conhecimentos do bloguista em causa. Eis o comprovativo em forma de imagem:

[autoria de mestre Upinde, entretanto falecido]
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novembro 11, 2005
A Aldeia e a Globalização
Encontrei-a há algum tempo, numa cidade a norte. Veio-me à mão na rua, a série de postais artesanais, colagens que se diriam "técnica mista" noutros lugares. Fiquei logo com a aldeia, uma beleza local, até cândida, sorrindo ainda mais no "isto não há no Maputo".






Dias depois, logo que regressado a casa, vieram-me vender série semelhante. Não haja dúvida, é a aldeia e a globalização.
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novembro 09, 2005
Jorge Dias em Lagos

Jorge Dias, um dos mentores do MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), está em Portugal, apresentando com Nelson Leirner a exposição Zoologia dos Trópicos no Centro Cultural de Lagos, actividade integrada no Faro Capital Nacional de Cultura [o sítio é muito pouco "amigo do utente"]. Até 31 de Dezembro.
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outubro 30, 2005
Faisal

Faisal (à direita) e o seu "Cosmos", na Bienal TDM 2005, Agosto 2005. Então injustissima menção honrosa, o trabalho devia ter sido reconhecido com o primeiro prémio, apenas um espantoso conservadorismo do juri o impediu.

O Cosmos de Faisal: "Será que o Mundo vai desabar? Quando? Como? " (técnica mista, 112 cm, 2004) [reproduzido do catálogo da Bienal TDM 2005]
O artista foi agora escolhido para candidato moçambicano ao Prémio Jovem Criação Artística da União Latina 2005. Toda a boa sorte para quem tem ideias à frente.
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outubro 28, 2005
Escola de Artes Visuais no CEB


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Conselho de Anciões

Anésia, "Conselho de Anciões", (Museu Nacional de Arte, exposição "Arte no Feminino")
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outubro 04, 2005
Ilidio Candja em Vila do Conde
O visitante JAzevedo abaixo pergunta sobre a exposição do pintor Ilídio Candja em Vila do Conde. Pois esta decorrerá entre 22 de Outubro e 6 de Novembro, no Auditório Municipal de Vila do Conde.
(Em encontrando o pintor mande-lhe um abraço e felicidades do Zé Teixeira)
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outubro 01, 2005
Muvart, o Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique
A Maimuna Adam acaba de passar pelo Ma-Schamba deixando, em comentário, o endereço do sítio electrónico do Muvart, o Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique - do qual ela é autora. O sítio não está actualizado - e a responsabilidade não será dela, que está no Cabo a estudar, mas sim de quem está mais por perto. Ainda assim tem bastante informação disponível para os interessados. A visitar.
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Reinata Sadimba
Se há algum génio nas artes plásticas em Moçambique (e dado que Shikhani não esculpe, desesperemos pois) então será Reinata, tradicionalizando tudo o que nos inova, regesticulando um monstruário que só alguns poderão achar lá do Cabo Delgado, mas que é mesmo dela. Às vezes um grotesco máximo, um horror e humor a pedir alguém que mexa o suficiente nas palavras para que o possa definir.
Vem esta breve nota por causa da última exposição individual dela, "Rumo a Nova Descoberta" assim chamada, à qual ainda cheguei a tempo. Dezenas eram as obras, mas coisa suave, como se a velha atravessasse agora período de calmaria nas inquietações que lhe moldam a olaria. Será tal possível? Abundantes mulheres, um zoológico em crescendo, mas, perdoe-se-me, este assim tipo bric-a-brac.

Em suma, Reinata é Reinata, mas não saí com o deslumbre a que me habituei quando a cruzo.
Ainda assim, e fosse eu expatriado bem-pago não lhe deixaria em mãos um delicioso (pobre palavra, outra vez) auto-retrato "A Dona da Exposição", um realismo etnográfico "Mulher pilando mapira" que está extraordinário, e o mais significante de tudo o que ali se apresentou, um "Procurando Água" que é a única peça que me lembrou com vigor a sua cosmologia.

Vêm estas reproduções para ilustrar a adenda. Reinata é nome grande. Já viajou muito, expôs, foi catalogada e fotografada. Porventura até filmada. Não é pois lamento de falta de documentação para o futuro, este que se segue. Mas Reinata é mesmo nome grande. Como é possível expôr em Maputo, terra dos poucos mecenas e decerto distraídos, nesta pobreza? E ainda para mais numa instituição estrangeira, o Centro de Estudos Brasileiros, com perfil de cooperação e divulgação. Como é possível deixar esta artista expôr acompanhada apenas de um desdobrável que nada mais é do que uma fotocópia ali impressa a pedido do visitante. Sem roteiro, sem documentação. Sem publicidade que se veja. Um desinteresse, um abandono. Assim a parecer nada mais do que uma linha no relatório de actividades lá para o fim do ano. Mas que actividade? Ligar a luz?
Dir-se-á que o que interessa são as obras. Mas, e quem não compra? E quem compra mas quer saber o mais possível. Acompanhar o mais possível. E, já agora, se o que interessa são as obras então é ir ao Museu, visitar a artista. Nada! Até dói ver uma artista destas ser assim desacarinhada. Sem miserabilismos, sem coitadismos. Mas sim porque quem expõe Reinata expõe. Como deve ser. E quem não patrocina Reinata não patrocina ninguém.
Publicado por jpt às 02:32 AM | Comentários (9)
Sdunduro

("Pregação")
Sdunduro, o conhecido pintor da Beira, agora ali também director provincial de cultura depois de anos dirigindo a casa de cultura da cidade, apresenta "Visão Vigésima", a sua primeira individual em Maputo desde há muitos anos.
26 obras recentes, que compõem um corpo não só algo heterogéneo como até desconexo - característica que me faz regressar à questão da ausência de galeristas / produtores aqui, algo que torna muitas das exposições simples mostras, e até meras "vendas", por ausência de conceptualização do(s) artista(s) e de influência/diálogo desses (inexistentes) produtores. Casos máximos que não será o desta exposição na qual me parece apenas ter acontecido a sobrevalorização do critério cronológico em detrimento dessa tal conceptualização: o que nos é mostrado são obras produzidas recentemente, julgo que nos dois últimos anos.
Entre o mais interessante do que é apresentado estão alguns temas figurativos, sob predominância do azul, do qual a "madonna" acima reproduzida será o mais apelativo, e até alguns paisagísticos sem grandes riscos, como o mui agradável "Arrozais da Beira". De resto ganharia o conjunto com uma maior selectividade do que é apresentado, não só quanto a triagem qualitativa como no questionamento sobre se será aqui o momento para enxertar tentativas semi-abstractas como os "Peixe-Graudo" ou "Requiem Darfur" - confesso ainda o meu desgosto com este caminho, aliás já bastante trilhado.
Na Associação Moçambicana de Fotografia, entre 30 de Setembro e 12 de Outubro de 2005.
Publicado por jpt às 12:50 AM | Comentários (2)
setembro 04, 2005
Global Voices Weblog
Alguém bem longe vai, de quando em vez, ecoando o que aqui surge da arte de cá. Sabe bem.
Publicado por jpt às 02:03 AM | Comentários (2)
Metamorfose, de Jorge Dias

Jorge Dias, "Metamorfose", 2003 [técnica mista (jornais, sisal, sapatos), dimensões variáveis]
Ainda que em fraca reprodução (de um separador publicado pelo Museu Nacional de Arte) aqui fica registo de uma obra que é das minhas primeiras memórias de arte contemporânea em Moçambique. Foi apresentada em 2003, naquele Museu, no âmbito de uma exposição colectiva que anunciou o surgimento do Muvart (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), do qual este artista, também professor na Escola de Artes Visuais, é animador (e ideólogo).
Publicado por jpt às 01:41 AM | Comentários (1)
setembro 02, 2005
Mudaulane
Mudaulane (Celestino Mondlane) com uma exposição individual, cerâmica e desenho, no Instituto Camões. Do passado 31 de Agosto até 10 de Setembro.

Para mim, leigo, Celestino Mondlane ceramista escultor é do mais excitante que tem surgido em Moçambique, esculturas avassaladoras, um sobre-humano que não lhe advém apenas das dimensões, mescla de grotesco e irónico, o horror e o amor.

["O Grito da Madrasta", argila, 2005; pormaior reproduzido do desdobrável que acompanha a exposição]
Ali, e imagino pois não o conheço, também se agita um cosmos sempre dito tradicional, um mundo mitológico feito actualidade num olhar tão especial. Olhar e mãos a seguir, com entusiasmo. Pois únicos.

("Embondeiro", argila, 2005)
Coloco aqui uma outra obra do artista, a espantosa "Mesavana (A Velha Feiticeira)" [argila, 1,95 m, 2004], actualmente apresentada na exposição da Bienal TDM, ainda que neste caso a reprodução do catálogo (um bom catálogo, diga-se) não faça minimamente justiça à intensidade da escultura.

E permito-me imaginar também o quão interessante seria vê-lo trabalhar outros materiais, pedra ou metal. Sem desvalorizar a cerâmica, apenas projectar desafios para tamanho artista. Quem sabe? um dia.
Finalmente, esta exposição, vibrante ainda assim, está muito prejudicada pois duas esculturas, "as melhores" segundo o próprio Mudualane, partiram-se durante o transporte. Para mais alguns desenhos não foram apresentados, devido a atrasos no emoldurar.
Esta infeliz situação levanta outros tipo de questões, sobre o papel das galerias aqui, sobre o envolvimento que assumem (ou não) na produção deste tipo de actividades. No fundo sobre a sua tendência para surgirem como meros espaços-receptáculos de obras.
Mas isso são coisas a desenvolver noutra altura. Agora é altura de olhar o mundo deste homem.
Publicado por jpt às 03:12 PM | Comentários (2)
Kheto Lualuali
Desde 31 de Agosto a individual Luami (Relações Humanas) de Kheto Lualuali na Associação Moçambicana de Fotografia.

Esta é uma obra sua agora apresentada na exposição da Bienal da TDM (e reproduzida do catálogo respectivo), mas ilustrativa da fase em que o seu caminho se encontra, um figurativo quase monocromático, explícito nesta individual.
Já há alguns anos conheci Kheto Lualuali aqui

[J.L Odiabo - 90x 80 - Acrílico s/tela - 1999]
Algumas das fases do seu percurso artístico, nas suas palavras o caminho de um autodidacta procurando conciliar "academismo" com "criatividade", está aqui apresentado. Coisa de saudar, esta entrada na divulgação informática do trabalho, aqui ainda rara.
Publicado por jpt às 12:15 PM | Comentários (1)
agosto 29, 2005
Mutlabye

E dado que atrás referi Mutlabye, na minha opinião um ceramista a muito acompanhar, aqui o deixo ladeando uma das suas obras, esta vidrada, que muito apreciei.
Publicado por jpt às 12:45 AM | Comentários (2)
agosto 28, 2005
Unapamo
Na Associação Moçambicana de Fotografia a 3ª colectiva deste grupo de artistas, constituído por antigos alunos da Escola de Artes Visuais, associação de geração, jovens ainda, no chegarem-se à trintena de anos.

Uma mostra-venda a integrar Pinto, o qual nos últimos anos se tem afirmado no desenho, e nesta expressão coleccionado sucessivos prémios nacionais, que apresentou obras da série (fase?) anteriormente exposta na sua individual no Instituto Camões. E com a qual também se apresentou ao concurso da Bienal TDM. Nada de novo, portanto. Chalucuane e King Nuvunga obtiveram muito sucesso nesta mostra de inverno, um público sensível à competência na área que gosto, como leigo, de referir como "africana". Ainda que em ambos os casos algo depurada, não excedentários naquelas constantes que animam o padrão corrente.
De Sérgio Mutlabye retirei o maior prazer. Do pequeno decorativo

["O Pequeno Acrobata"]
a um "Beijo" que já quer bem mais.

Em algumas das obras de Mutlabye, como em alguns outros ceramistas, é um pouco do mundo terrível e grotesco, até obscuro, dos velhos mestres pintores que baixa à terra. No seu caso com uma doçura que me desarma, até pelo inesperado consenso que consegue.
Aliás, e hei-de insistir nesta ideia, hoje em dia é na cerâmica que se encontra maior atrevimento, risco, nas artes plásticas moçambicanas. E de onde retiro maior gozo. Enquanto espero que tais caminhos transpirem para outras expressões, em geral bastante padronizadas, acorrentadas por uma mistura de conservadorismo e mercantilismo. Não critico. Apenas, no meu pequeno gosto de leigo, constato.
Por último uma obra de Luis Muiéngua, talvez o fenómeno mais interessante desta mostra.

Muiéngua apresentou esta proto-instalação. Decerto concebida como una mas apresentada, por ulteriores considerações, como uma série de oito obras individuais.
Culminámos em pequena conversa sobre isto. Aqui a lembro pois parece chegado o momento de convencer os mecenas locais a patrocinarem instalações únicas, perecíveis ou não (esta é, ou pode ser, perene). Em particular os mecenas empresariais, com disponibilidade para intervir e já com enormes acervos de obras em suporte tradicional [os quais, diz-se, levantam já problemas de inventariação e restauro, mas isso é outra conversa. Ainda que urgente]. Mas, porventura, ainda com alguma insensibilidade para estas outras expressões, aqui ainda em circuito inicial.
Publicado por jpt às 11:11 PM | Comentários (1)
agosto 25, 2005
Morreu Abel Nhamtumbo

É possível que o nome de Abel Nhantumbo nada diga a quantos lerem este texto. Seu rosto talvez fale um pouco mais. Mas mais, muito mais certamente, dirão as muitas obras que, quase incógnito, discretamente deixou por inúmeras casas e, sobretudo, dispersas aqui e ali, por vários cantos do mundo.
Abel Nhantumbo era um dos nossos "meninos" do Psikhelekedana, do Bairro de São Dâmaso, da feira do artesanato, do mercado em frente ao Piripiri, das ruas da cidade de Maputo. Sobre ele, e na primeira pessoa, ficou registado o seguinte no catálogo de uma exposição em que participou:
"Eu vivia em São Dâmaso e frequentava a escola na zona de Dlhavela, que ficava a um quilómetro e meio de minha casa, mais ou menos. Naquela altura, estudei só até à terceira classe, por causa da guerra. Juntamente com toda a minha família, fui viver para o Bairro Patrice Lumumba, em casa do meu avô. Voltei para Dlhavela em 1992, quando a guerra terminou, matriculei-me na 4ª classe e passei. Frequentei a 5ª classe e passei.
Em criança, eu brincava com o Dino. Ele começou a esculpir muito cedo, quando eu estava a estudar. Em 1998, comecei a trabalhar com ele. Eu fazia as minhas peças e ele ajudava-me nas partes difíceis. No início, eu só fazia 4 peças: Refugiados, Aniversário, Igreja e Depósito de Pão, mas, uma vez, encomendaram-me o PMA (Programa Mundial de Alimentação) e uma sala de estar, e verifiquei que era capaz de fazer. Senti-me mais motivado e confiante para tentar fazer novas peças. Agora sinto-me à-vontade para fazer qualquer coisa.
Em 1999, pensei emigrar para a África do Sul, mas devido à morte dos meus pais acabei por ficar em Moçambique. Ainda não me foi possível continuar a estudar porque tenho de sustentar uma família numerosa."
Humilde, muito humilde, mas confiante nas suas capacidades, determinado, e sempre de largo e fácil sorriso. Jovem, de 27 anos apenas, mas adulto em engenho e arte. Carente e merecedor de auxílio, porém praticamente abandonado à miséria, e até, posso dizê-lo, explorado.

Foi ao regressar de férias fora do país que tive a triste notícia da sua morte, por malária simples, no passado dia 19 de Julho. É com profunda tristeza, indignação e, confesso, algum remorso - por mais não feito por ele - que aqui a anuncio.
De Abel Nhantumbo, foram em 2003 oferecidas 10 peças ao Museu Nacional de Arte, que ficou seu fiel depositário. Todas elas representam aspectos da vida e da história do nosso país. Uma é a conhecida representação do Julgamento de Carlos Cardoso, um dos maiores marcos na luta pela justiça em Moçambique.

Que justiça se faça, mesmo póstuma, a Abel Nhantumbo. Sua esposa e duas filhas – uma das quais recém-nascida – aí estão para receber o que ainda lhes é devido por alguns clientes de seu pai e marido. E que esta triste perda sirva de exemplo para o reconhecimento e apoio urgente de que necessitam, e merecem verdadeiramente, alguns grandes artistas de Moçambique.
Fátima Ribeiro
*****
Fátima Ribeiro, apaixonada por esta via do artesanato do sul de Moçambique, idealizou, produziu, ajudou e financiou a realização das obras que vieram a ser apresentadas na exposição colectiva

"Moçambique: vida e história em Psikhelekedana", a qual continha peças de cinco jovens artistas. Apresentada em 2003 com enorme sucesso público, esse foi o momento alto da breve carreira de Abel Nhamtumbo.
Publicado por jpt às 05:37 PM | Comentários (5)
agosto 22, 2005
Mais Velhos Muralizando

(Matalane, 21.8.05)
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Muralizando

(Matalane, 21.8.05)
Publicado por jpt às 11:24 AM | Comentários (0)
Chissano na Riopele (2)




Raro trabalho em mármore de Alberto Chissano, instalado na fábrica Riopele, Marracuene. [não conheço data da sua realização; disseram-me que provavelmente datará dos anos 70]
(fotos 21.8.05)
Publicado por jpt às 07:46 AM | Comentários (1)
Chissano na Riopele


(Marracuene, 21.8.05)
Na fábrica Riopele em Marracuene está colocada uma enorme escultura em madeira (mafurreira?) da autoria de Chissano, provavelmente dos anos 70. Exposta ao ar livre, sujeita às intempéries, a enorme obra está já em muito mau estado de conservação e literalmente a desfazer-se diante dos olhos dos poucos passantes (como o comprovam as fotos).
A fábrica, com um passado recente muito difícil, encerrou há já um ano. O Estado é um dos accionistas desta empresa, o que decerto facilitará a urgente remoção desta obra para local próprio. E seu posterior restauro. Assim o entendam instituições e potenciais mecenas.
Adenda: muito obrigado a Pedro Nuno do Culinária d'aqui e dali [era isso mesmo que faltava] e a Luís Bonifácio do Cartas Portuguesas pelos conselhos tecnológicos.
Se alguém tratar da escultura agradeço muito mais.
Publicado por jpt às 01:37 AM | Comentários (2)
agosto 15, 2005
Ilídio Candja

(Xinguerenguere)
Acabou agora uma exposição individual de Ilídio Candja, um ainda jovem pintor. 17 obras, sendo de louvar o ter ele evitado a habitual vertigem de encher as paredes, assim deixando respirar o que se apresenta. A chegar mais seguro, equilibrado, coisas que aqui quero que signifiquem algum atrevimento. Os tons [melhores do que estes que as minhas "fotografias" ecoam] e temas são do "Africana", que é o campo dele e aqui, obviamente, dominante.

(Marrabenta Jazz Som do Povo)
Ilídio está a andar bem em Portugal, o que não é surpreendente dado o público por lá existente para este campo. Lá regressará em Outubro próximo para uma individual na Câmara da terra deste blog. Depois, se se desenvolverem os contactos com galerias até de renome, descerá a Lisboa.
Assim seja.
Publicado por jpt às 11:33 PM | Comentários (7)
agosto 13, 2005
Idasse em Cantanhede

Imagem reproduzida do jornal "Notícias", ilustrando obra que Ídasse deixou em Cantanhede, realizada no V Simpósio Internacional de Escultura que por lá decorreu. Em podendo visitar.
Publicado por jpt às 08:27 PM | Comentários (0)
agosto 09, 2005
Leão

O Ngonhamo para Ídasse.
Publicado por jpt às 10:17 AM
Dragão

Um desses dragões segundo Ídasse.
Publicado por jpt às 10:12 AM
O Matreco

O Matreco, aliás JPT, segundo Gemuce.
Publicado por jpt às 10:01 AM