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abril 28, 2006
Por uma economia de clics
Nos próximos dias, por razões lúdicas e profissionais, não poderei actualizar o blog. Abaixo ficou uma enxurrada de entradas, que estavam em mais-ou-menos rascunho. Obrigado pelas visitas. Aos bloguistas de várias latitudes: zanguem-se (sim, o crescimento bloguístico em Moçambique também azeda, deve ser uma lei física. Ou informática). Zanguem-se muito.
Aos bloguistas de grande espírito: Viva o Sporting! O sofrido é risonho. Falo do futuro, claro.
Publicado por jpt às 10:11 AM | Comentários (4) | TrackBack
Declaração de voto
Até hoje sempre pensei que se estivesse em Lisboa votaria. Mas com declarações deste tipo Soares Franco descredibiliza-se, totalmente: "há dez anos herdámos um Sporting de tanga"? E nestes dez anos o que aconteceu para se chegar onde se chegou? 277 milhões de euros de deficit e a culpa é da "pesada herança"? Do gonçalvismo? Do fascismo?
Não adivinho nenhuma alternativa. Mas com uma demagogia destas de quem está no poder no Sporting há mais de dez anos (o "projecto Roquette"), escamoteando um óbvio falhanço, porventura suicidário, não adivinho grande futuro. O Sporting está à beira do abismo. Declarações destas demonstram quem quer dar o passo em frente.
Não há dúvidas, o peso dos homens na história é decisivo. Aquilo que o Senhor João Rocha construíu (e há ignorantes que ainda vêm acusá-lo por um jogador de futebol que mudou de clube) foi absolutamente dissipado. A minha homenagem a esse grande nosso Presidente. A minha saudade. E a minha angústia.
Publicado por jpt às 08:35 AM | Comentários (1) | TrackBack
A última edição do jornal Zambeze é um exemplar a guardar, um manancial de informações, de explícitos muito para além do sub-texto recorrente nestas questões, sobre as tensões existentes em Moçambique entre grupos sociais: os textos de diferente teor sobre "monhés" e "bantus", a propósito de uma campanha partidária de angariação de fundos, a polémica sobre as ligações de moçambicanos de diferente origem ao Portugal colonial. São algo de não essencialista, linguagem de outros conflitos? São, com toda a certeza. Mas são categorias omnipresentes. Por isso interessantes. Repito, jornal a guardar.
Publicado por jpt às 08:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
Maputografia

[António Sopa, Bartolomeu Rungo, Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade, Centro de Estudos Brasileiros, 2006, 56 pps.]
Surpresa, a edição deste interessantíssimo livro (a muito contrastar com o habitual desprendimento de um dos autores num "tenho aqui um "folheto" para si"!!!) que julgo ainda não distribuído. O livro é fruto do trabalho realizado no ano passado, então destinado às exposições "Xilunguine, as origens da cidade" e "Percurso histórico da cidade de Maputo". Vasta iconografia, percorrendo as origens da povoação, passando pelo seu traçar colonial, até, e aqui muito se saúda, ao desenvolvimento do além-cimento. A cidade mesmo, sem os espartilhos conceptuais de outras abordagens iconográficas.

(c. 1880)

(1960-70)

(1996)
Publicado por jpt às 04:09 AM | Comentários (0) | TrackBack
Princípio de ano, turmas caloiras, coisas parece-que-básicas que se vão transmitindo. Em ambiente desprendido pergunto, a-ver-se-ficou-ou-se-continuamos-por-ali, "então diga-me lá o que entendeu por etnocentrismo". A aluna sorri, patina-se-lhe a voz, arqueiam-se-lhe as sobrancelhas, está visto, sorrio e digo-lhe, amigável, "então, embatucou?". E tranco, nunca tinha notado, foi-me necessária a coincidência para (me) entender, total condensação vocabular do tal etnocentrismo - para exemplo nunca me poderia ter lembrado de melhor. "Em-batucar", mente trancada da gente dos batuques. Armadilha? Rimo-nos todos.
Publicado por jpt às 04:06 AM | Comentários (0) | TrackBack
"Political or military commentators, like astrologers, can survive almost any mistake, because they more devoted followers do not look to them for an appraisal of the facts but for the stimulation of nationalistic loyalties. And aesthetic judgements, especially literary judgements, are often corrupted in the same way as political ones."
[George Orwell, "Notes on nationalism", In Defence of English Cooking, Penguin Books, 2005, p. 12]
Publicado por jpt às 04:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
Latim

É óptima a existência destas edições populares dos clássicos. São relativamente baratas, acessíveis à compra (encontram-se, são distribuídas). E assim permitem aos populares ler tamanhas palavras. E, mais do que tudo, recomendarem-nas, emprestarem-nas, recortarem-nas e assim passá-las aos populares mais novos.
Têm defeitos nas notas de rodapé? Referências bibliográficas incompletas? Notações exóticas? Citações incompletas? Revisões parece-que-inexistentes? Terão, mas é por isso que são populares. Letra pequenina e lombada frágil? Sim, mas são populares.
O que me irrita são as não-traduções. Não é a primeira vez que aqui venho com latinices semelhantes. Não consigo entender a inexistência de tradução (que seja entre parêntesis, que seja em rodapé, até mesmo no fim do livro) das citações em latim. Durante muito tempo pensei que fosse sinal de distinção. Género quem aqui vem (o aqui são as ilustres colecções) tem que saber latim (e alemão, também sofre do mesmo mal). Pensei assim bastante tempo, chapéu na mão, respeitoso e humilde diante do saber de quem edita ou traduz tão grandes pensadores. Ainda que paradoxo, então as colecções populares não serão para nós, populares? Já letrados no hoje-em-dia do progresso mas não em latim (ou, repito, em alemão)? Mas enfim, de paradoxos está o mundo cheio. Ainda assim isto irrita-me, e cada vez mais.
Como mero exemplo, nesta "Carta Sobre a Tolerância" as duas siglas, bem significantes, que integraram a edição original, anónima, surgem

pelo menos 3 vezes, nas introduções e no texto. Em nenhuma delas são traduzidas, tal como várias outras citações. Porquê? Nós, populares, não podemos saber o conteúdo exacto e total do livro? Há dimensões que serão só para iniciados?
Repito, isto é mania geral, não apenas neste livro. Tradutores altaneiros? Editores elitistas? Vice-versa?
Talvez não. Pois estas são traduções de edições traduzidas. E quando nessas edições base (normalmente em francês) algum excerto em latim foi traduzido também aqui o surge em português. Portanto a imperscrutabilidade do latim não é um dogma (aliás neste caso está-se a traduzir um original latim, mas enfim). E na única tradução do latim para português (ainda que mediado pela tal tradução francesa, ainda assim) em todo o livro o jeito é este:
"Não tinha ele tomado como divisa o pensamento atribuído a Santo Agostinho: In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas" (na necessária unidade, na dúvida liberdade, em todas as coisas caridade)" [meu sublinhado]. [versão wikipedia, para quem tiver curiosidade]
Confirme-se. É um pequeno erro (ainda que invalide uma ideia). Até pode ser de revisão. Mas denota bem, o restante latim deste(s) livro(s) não é traduzido porque é desconhecido. E não se solicita trabalho complementar. O latim a seco não é sinal de distinção. Afinal somos todos populares, posso entrar. E ponho o chapéu na cabeça.
Mas e os mais-novos, como lhes traduzir as latinices avulsas? E, principalmente, como não os deixar assustar diantes dos excertos (quase)incompreensíveis?
[John Locke, Carta Sobre a Tolerância, Edições 70, 1996, (tradução de João da Silva Gama, revista por Artur Morão)]
Publicado por jpt às 04:02 AM | Comentários (9) | TrackBack
Dumba-nengue



[Maputo, Abril 2006]
Publicado por jpt às 04:01 AM | Comentários (3) | TrackBack
Cada Um Como Cada Qual
Um blog muito novo, é via sitemeter que o conheço, tem elo para aqui. Obrigado. Vou lá conhecer. Clico para deixar nos favoritos, é até automático, guardar morada para ir acompanhando até porque a primeira impressão é simpática [tem música mas eu tenho uma enorme vantagem, não tenho colunas, não ouço o ruído alheio]. Clico para deixar nos favoritos, dizia eu, depois colocar aqui o elo, reciprocidade também. Mas logo me aparece a caixinha (pop-up??) informando-me
copyright .. 2006 [ .... ] Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução, cedência, distribuição ou armazenamento de qualquer informação (texto, imagem e som) publicada neste site
Ambiente hostil. Nem o endereço posso guardar - teria que copiar na barra acima e passá-lo para algures (copy-paste, diz-se). Digo teria porque a vontade esmorece. Ainda desço até ao início (blog novo, já disse), para ver o que é. O primeiro post afixa cartaz, algumas notas importantes sobre os direitos de autor, informando-nos, lembrando-nos que não podemos copiar o que ali se passa. Ixe, cofre-forte, e decerto abundam por lá tesouros. Cada um como cada qual, insisto-me. Mas para quê abrir a porta se tão trancado se está? Saio. Pode ser muito interessante mas não hei-de regressar - convidarem-me para entrar e tratarem-me como um ladrãozeco? Insisto, cada um como cada qual. Serve para todos. Portanto serve para os outros e também para mim. Daí que ali não volto.
Publicado por jpt às 04:00 AM | Comentários (2) | TrackBack
abril 27, 2006
Publicado por jpt às 07:46 PM | Comentários (2) | TrackBack
Bloguismo
Publicado por jpt às 05:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

O falecido e meu muito favorito Jaquinzinhos editado em Portugal (edição Espírito das Leis). Espero que não esgote até lá para o verão do norte.
Notícia pública via Eclético.
Adenda: afinal também já está anunciado no blog actual do Jcd. No qual, confesso, as blasfémias se me acinzentam diante de tanta idolatria.
Publicado por jpt às 02:17 PM | Comentários (0) | TrackBack
vida

Publicado por jpt às 07:56 AM | Comentários (7) | TrackBack
Grã-Bloguismo, hoje? Já?



[AC/DC]

Publicado por jpt às 07:20 AM | Comentários (0) | TrackBack
Bloguismo
Punk.
Publicado por jpt às 06:59 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 26, 2006
Paro e concluo: a melhor entrada de sempre do Ma-Schamba é esta. Depois deste píncaro só resta o silêncio.
Publicado por jpt às 11:13 PM | Comentários (4) | TrackBack
Determinado blog eslavo, ao que parece muito em voga, decidiu uma soez invectiva ao Ma-Schamba.
Respondo-lhe à letra, em perfeita simetria de atrevimento. Olho por olho, dente por dente. Qual Átila (ou Talião).

[Rita Hayworth. Early Publicity Portrait, Kobal Collection. Imagem reproduzida de Neil Grant, Rita Hayworth in her own words, Paul Hamlyn Publishing Limited, 1992, p. 14]
Publicado por jpt às 03:49 PM | Comentários (10) | TrackBack
abril 25, 2006
Insensibilidade, preconceitos e exclusão (cont.)
Apontamento sobre este meu texto:
A malária mata imenso. Ao longo de anos a investigação contra esta doença tem sido secundarizada face a outras pesquisas menos relevantes em termos de saúde mundial. O seu mercado é mais pobre. Esta situação, gravissima, é relativamente esquecida no seio do mundo industrializado, pouco (ou nada) alvo dos efeitos da doença.
Ao ver a melga que o Paulo Gorjão utilizou para simbolizar o regresso desses Grandes Melgas que são os bloguistas [particularmente os político(logo)s] nem hesitei. Quereis mais justo discurso Politicamente Correcto do que este? Para os polícias da língua, tão ufanos com termos com tão menores efeitos reprodutores de injustiças e esquecimentos, haverá maior infracção do que este jocoso "Ganda Melga", tão amigável para com este grande predador? Estarão distraídos, embrenhados em ileituras de "questões de género"? Onde lhes está a lupa? Ou só servirá para as coisinhas do intra-muros deles?
Agradeço os comentários havidos e sai abraço ao Paulo Gorjão, agradecendo-lhe o não se ter importado com o pequeno jogo. Espero que continue um Ganda Melga. E outros também.
E julgo que escusado será dizer que na luta pela prevenção contra a malária e sua erradicação quanto mais

formos melhores resultados haverá.
Adenda: via Nova Floresta ver uma peça espantosa de "politicamente correcto".
Publicado por jpt às 04:19 PM | Comentários (7) | TrackBack
Futebol
Via Adufe regresso ao Canhoto e a esta máxima: "o futebol é o regresso semanal à infância". É. Às (muitas) vezes tenho aqui falado dessa meninice semanal (ainda que hoje em dia seja quase todos os dias, um ameninar constante). Algumas vezes perguntando-me se será possível olhar para (ess)a infância também com olhos de adulto sem por isso a matar/envelhecer? Eu acredito que sim. Outros querem ser meninos todo o dia, todos os dias.
Publicado por jpt às 04:10 PM | Comentários (6) | TrackBack
Machado oficial (de dia) de Abril.
Publicado por jpt às 07:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 24, 2006
Insensibilidade, preconceitos e exclusão.
De quando em vez tenho aqui abordado (e em algumas caixas de comentários alheias) a insensibilidade de bloguistas e outros escribas para com causas justas e necessárias. Insensibilidade talvez inconsciente. Mas sempre preconceituosa, com a constante utilização de conceitos, linguagens e quantas vezes imagens que reproduzem os preconceitos e a exclusão que lhes está associada. E nessa irreflexão, nessa linguagem poluída, nesses actos até vis, se vão reproduzindo práticas discriminatórias e silêncios dilacerantes. Acima de tudo estes silêncios, causas e motores de práticas de exclusão. Produtoras de miséria. Sem exagero, assassinas.
Sei que a denúncia de tais práticas (mesmo que apenas verbais) se torna fastidiosa para os "distraídos", até um ónus sobre quem se recusa a calar a indignação. Mas há momentos em que se torna imperioso exigir contenção. Se os preconceitos não desfalecem ao menos que se exija o pudor na sua expressão. É o que me ocorre hoje olhando o bloguismo luso: que dizer quando até um blog aparentemente responsável como o Bloguítica brinca com esta imagem assim desmerecendo, elidindo, o sofrimento de tantos, apagando a memória da doença do século, a urgência do combate. Apenas porque os sofredores são pobres? Porque não são europeus?
Publicado por jpt às 11:10 PM | Comentários (18) | TrackBack
Carlos Serra mudou o nome do blog: agora o Diário de um Sociólogo. E bem esteve ao fazê-lo, mais adequado este ao trepidante ritmo de memórias que lá tem vindo a deixar.
Publicado por jpt às 05:53 PM | Comentários (2) | TrackBack
Futebol, os parabéns devidos
Deste Treinador de Sofá saem os parabéns para o FC Porto, agora campeão português de futebol. Bons jogadores, um treinador que gosta de ataque, de futebol bonito. E que recuperou Ricardo Quaresma, que talvez ainda venha a ser o prodígio que prometeu. Mereceram o campeonato. Digo-o com pena, claro. Mas francamente. Parabéns pois.
E também os parabéns ao Benfica. Uma excelente campanha europeia, até inesperada. Sendo campeão nacional em título decerto que ficará alguma frustração pela não renovação. Mas não se pode ganhar sempre. Daí que os meus sinceros parabéns, ao Benfica e aos benfiquistas (em particular aos bloguistas benfiquistas) pelo 2º lugar alcançado no campeonato e apuramento directo para a Liga dos Campeões. Na qual se espera que repitam a campanha deste ano.
Eu sou do Sporting. E mais me vale assim.
Publicado por jpt às 03:04 PM | Comentários (5) | TrackBack
O Regresso dos Soldados
"I spent the years 1922-7 mostly among men a little older than myself who had been through the war. They talked about it unceasingly, with horror, of course, but also with a steadily growing nostalgia."
[George Orwell, "My Country Right or Left", In Defence of English Cooking, 2005, p.4]

[Ricardo Marques, Moçambique. O Regresso dos Soldados, D. Quixote, 2005]
Ricardo Marques é um jornalista do Correio de Manhã, de Lisboa. Neste livro narra a sua viagem a Moçambique como acompanhante-cronista de um pequeno grupo de antigos soldados da guerra colonial/de libertação (que o nome varia conforme quem lê), um grupo heterógeneo - há notícias de outras visitas de grupos nascidos na própria guerra, antigas companhias ou regimentos. É um do Maputo ao Rovuma, melhor dizendo, do Maputo a Mueda, então palco-mor de guerra. Nele se revive o corolário da nostalgia desses antigos soldados, hoje (quase)reformados, na sua esmagadora maioria regressando pela primeira vez onde combateram na juventude. A resolução de algo que faltava, o uma vez mais, o reviver onde tiveram o medo. Talvez por isso mesmo a longa urgência desta mais uma vez, repassar onde se passara amarfanhado. Mas onde também ganharam afecto à terra, às pessoas. Essas contradições que fazem rica a vida. Para estes quase-velhos é, nota-se, uma necessidade o regresso, a visita. Uma última vez, explicitamente para muitos, implicitamente para quase todos.
Mas o livro é também a memória das impressões de então cruzada com as de hoje, tornando-o assim pequeno documento para entender a visão que os soldados tinham, e iam criando, do Moçambique onde guerreavam. E de como essa imagem se foi transformando até ao hoje.
Torna-o também interessante uma prosa seca, com a vantagem de procurar fugir a moralizações, saudosismos, exotismos, turistismos. Vai vendo e ouvindo os velhos soldados, transmite-nos o que eles viram e vêm aqui. Depois tem piada encontrar velhos conhecidos por entre o livro, o padre Lopes na ilha, ainda a falar da maldita (e horrorosa) estátua do Camões, o Simões (que se irritaria se lesse o livro), o lendário Santos de Mueda, símbolo do tasqueiro português, que vim a apanhar no Encontro e na Tasca de Pemba, agora algures em Nacala, entre outros. E assuntos que fazem a história actual, como o omnipresente boato do pagamento de pensões aos ex-soldados do exército português, coisa que durou para aí uma década e que exigiria um livro, sobre expectativas criadas e também sobre a extraordinária capacidade de reprodução de boatos.
Que, no fim, é um bocado superficial sobre Moçambique? Reproduzindo acriticamente algumas ideias-feitas, "a saudade de Portugal", a excelência do português sobre os dialectos? É, mas é o registo de uma viagem, uma romaria de saudade que é também catarse. Não pretende ser mais nada. Se não se for mais exigente lê-se com muito prazer. E toma-se até como fonte. Confesso que logo de início torci o nariz, o pressuposto logo ali espalhado, quase me levou a largar o livro. Apenas a gargalhada me levou a continuar, e ainda bem. Narra R. Marques (p. 42) que ele e o grupo foram abordados em busca de "ajuda": ""Lembram-se de mim?", pergunta o sujeito, de bolsa na mão. "Não", respondem os portugueses. Compreende-se, afinal está à civil. Mas o homem trabalha no aeroporto, no controlo alfandegário e, conta, "facilitou a entrada do grupo no país" há escassas quatro horas. Agora saíu do serviço. Mas não se esqueceu. "Será que me pode dar uma ajuda?". Não é corrupção, nem é esmola..."
O que me ri, apanharam com esta conhecidissima personagem de Maputo, sempre bem-posto, simpático, esfuziante, a apanhar os portugueses saídos do avião, sempre com a mesma história. E tantos são os anos passados que bom rendimento deve ter, ali em "ajudas" dadas pelos incautos. Folclore puro e simples, o homem devia até ser considerado atracção turística. Tomaram-no a sério, surge como imagem do estado do país. Não é, é um tipo do conto do vigário, universal. Pacífico, diga-se.
Criticável? Nada, Marques e os outros passaram e viram. Lido sem criticismos absurdos o livro é bem interessante. E, particularmente, para os velhos soldados.
Há outra coisa não tanto sobre o livro mas sobre estas viagens que se vão fazendo usuais. Aqui narra-se uma viagem em finais de 2003, por altura das eleições municipais. E faz-me lembrar o certo frisson que, diz-se, existiu no ano seguinte por alturas das eleições presidenciais e legislativas. A causa foi exactamente a série de viagens de velhos soldados nessa época. Talvez seja mero boato mas então constou que a chegada de vários grupos de excursionistas causou a impressão de movimento militar, porventura apoiante de um dos partidos em compita, e que tal teria até levantado problemas na atribuição de vistos. Repito, talvez seja apenas boato (outro), mas significa também o peso simbólico que estas viagens têm ainda. Em ambos os lados de então. Se tiver sido verdade bastaria ler um livro assim, ver as fotos, para o desengano. Memórias vivas. E, surpreendentemente (?), fraternais. Apesar da guerra que fizeram? Por causa da guerra que fizeram.
Publicado por jpt às 02:14 PM | Comentários (1) | TrackBack
abril 23, 2006
Ainda o anonimato
Sobre essa questão do anonimato nos blogs e nos comentários ver isto, um blog incógnito. Ao que sei o autor também foi comentador [E.O.].
Publicado por jpt às 11:34 PM | Comentários (6) | TrackBack
Bom senso

[George Orwell, In Defence of English Cooking, Penguin Books, 2005]
Um tratado (quatro textos pequenos) de bom senso. Impiedoso. Dá vontade de ir postando citações ao longo de uma semana. Coisa mais actual, a falar de nós e vizinhos. E muito mesmo dos vizinhos (já que nós somos sempre mais belos e inteligentes do que aqueles, portanto menos retratáveis).
1.
"Ours was the one-eyed pacifism that is peculiar to sheltered countries with strong navies. For years after the war, to have any knowledge of or interest in military matters, even to know which end of a gun the bullet comes out of, was suspect in "enlightened" circles." [My country right or left, p. 3]
"Pacifist propaganda usually boils down to saying that one side is as bad as the other, but if one looks closely at the writings of the younger intellectual pacifists, one finds that they do not by any means express impartial disapproval but are directed almost entirely against Britain and the United States. Moreover they do not as a rule condemn violence as such, but only violence used in defence of the western countries" (Notes on nationalism, p. 26).
2.
“Patriotism has nothing to do with conservatism. It is devotion to something that is changing but is felt to be mystically the same..." (My country left or right, p. 6)
"To this day it gives me a faint feeling of sacrilege not to stand to attention during "God save the King". That is childish, of course, but I would sooner have had that kind of upbringing than be like the left-wing intellectuals who are so "enlightened" that they cannot understand the most ordinary emotions". (My country right or left, p. 7)
3. (Dedicado ao blog Tugir)
“All nationalists considerer it a duty to spread their own language to the detriment of rival languages, and among English-speakers this struggle reappears in subtler form as a struggle between dialects” (Notes on nationalism, p. 16)
4. pensando em tantos blogs ultraliberais portugueses acriticamente pró-americanos, onde tanto reconheço o nacionalismo "transferido" que Orwell afirma:
"Nationalism ... does not necessarily mean loyalty to a government or a country, still less to one's own country" (p.9) ... "The intensity with which they are held does not prevent nationalist loyalties from being transferable" (p. 16) … For the past fifty or a hundred years, transferred nationalism has been a common phenomenon among literary intellectuals … What remains constant in the nationalist is his own state of mind: the object of his feelings is changeable, and may be imaginary” ... (p.17)
"All nationalists have the power of not seeing resemblances between similar sets of facts … Actions are held to be good or bad, not on their own merits but according to who does them, and there is almost no kind of outrage – torture, the use of hostages, forced labour, mass deportations, imprisonment without trial, forgery, assassination, the bombing of civilians - which does not change its moral colour when it is committed by “our” side." (p. 18)
"The nationalist not only does not disapprove of atrocities committed by his own side, but he has a remarkable capacity for not even hearing about them..." (p. 19)
"Moreover, although endlessly brooding on power, victory, defeat, revenge, the nationalist is often somewhat uninterested in what happens in the real world. What he wants is to feel that is own unit is getting the better of some other unit, and he can more easily do this by scoring off an adversary than by examining the facts to see whether they support him. All nationalist controversy is at the debating-society level." (p. 22) [Meu sublinhado, já que é algo que sempre me surpreendeu no tal mundo blogoliberal luso]
5.
"By nationalism I mean first of all the habit of assuming that human beings can be classified like insects and that whole blocks of millions or tens of millions of people can be confidently labelled “good” or “bad”. But secondly – and this is much more important – I mean the habit of identifying oneself with a single nation or other unit, placing it beyond good and evil and recognizing no other duty than of advancing its interests. Nationalism is not to be confused with patriotism.…
By “patriotism” I mean devotion to a particular place and a particular way of life, which one believes to be the best in the world but has no wish to force upon other people. Patriotism is of its nature defensive, both military and culturally. Nationalism, on the other hand, is inseparable from the desire of power”. (Notes on nationalism, pp. 8-9)
6. é só abrir o livrinho, decerto há carapuços para me meter. Que tanto bom senso não será só nos outros que falta.
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abril 22, 2006
Bloguismo em Moçambique
Um pequeno contributo para a "pequena história". Que eu tenha visto aconteceu a primeira referência nos jornais ao bloguismo moçambicano. Foi uma invectiva (claro) aos desejos bloguísticos, da autoria de Fernando Lima, na sua coluna "Espinhos da Micaia" (Savana, edição de 21 de Abril).
Publicado por jpt às 09:06 PM | Comentários (0) | TrackBack
Maputografia

["A Praça 7 de Março, com o coreto e os seus quiosques, era o centro das reuniões mundanas"; imagem reproduzida de A. Rosado, Como Era Lourenço Marques Já 50 anos, Lourenço Marques, 1949, p.11]
António Sopa publica este artigo, "A Velha Praça", no jornal Savana, edição de 21 de Abril. Aqui o reproduzo. Pelo seu interesse histórico. Mas também secundando a sua opinião: entre um pouco mais urge reinstalar o "mercado do pau". E valorizá-lo.




["Esplanada de quiosque na Praça 7 de Março"; edição de The Newman Art, Cape Town, cerca 1930; imagem reproduzida de João Loureiro, Memórias de Moçambique, edição do autor, 1997, p.68]
Publicado por jpt às 01:44 PM | Comentários (6) | TrackBack
Comentadores anónimos: o meu outing
Já várias vezes aqui botei, o tom dos comentadores muito depende do tom do blog. Há excepções [a praga na caixa de comentários do Da Literatura foi disso caso extremo] mas a esquizofrenia comentatária é atraída pela loucura postadora.
"Há que assumi-lo", eu também fui comentador anónimo. Comecei no bloguismo por via do Abrupto e do Aviz mas rapidamente me deixei seduzir pelo O Meu Pipi. E tão bons como os textos vigorosos do blog eram os delirantes comentários. Certo que entre aquelas centenas havia muita palha, mera ordinarice. Mas havia um ambiente espantoso, uma mão-cheia de personagens fabulosas. Conversas, invectivas, até boicotes (lembro que um dia um tipo conseguiu trancar os comentários). Um espanto. Total non-sense. E tipos engraçadissimos - havia um comentador auto-intitulado Fodósofo que era genial. Mas mais uma mão-cheia de gente divertidissima.
Saio do armário, também lá botei comentário, e anónimo. Fiz uma espécie de recensão académica a um texto do Pipi sobre sexo oral. E muito contente fiquei porque neófito no meio daquela imponente tribo foi o textito (a esta distância bem absurdo, tanto que me coíbo de aqui o colocar) bem recebido pelos veteranos da maluquice.
Escusado será dizer que naquele cume da blogosfera ninguém assinava com o nome. Públicas políticas, pipis privados, claro está.
Publicado por jpt às 01:43 AM | Comentários (8) | TrackBack
Blog Ma-Schamba
definição: Decadente blog de bric-a-brac.
(nas palavras de um comentador não-anónimo, aqui deixadas).
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abril 21, 2006
A ler. Será óbvio, mas para muitos parece que não.
Publicado por jpt às 07:53 PM | Comentários (0) | TrackBack
Parabéns (e obrigado)

[Montes Claros, 1965]
Publicado por jpt às 12:25 PM | Comentários (4) | TrackBack
Amor.
Publicado por jpt às 12:16 PM | Comentários (0) | TrackBack
Carlos Gil sobre os 80 anos do jornal "Notícias".
Publicado por jpt às 12:00 PM | Comentários (1) | TrackBack

Gente sã, para variar [TCM, madrugada].
Publicado por jpt às 01:44 AM | Comentários (0) | TrackBack
Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (1) | TrackBack
abril 20, 2006
Ainda sobre o 19 de Abril de 1506 ler texto de Gaspar Correia no Cocanha.
Ainda sobre o 19 de Abril de 2006. Ateu em paz com a religião mas também português enjoado com a produção mariana é com prazer (e até alívio) que encontro espelho (não mágico). No Aurélia: ... os leitores do ... blog [Rua da Judiaria] são na sua maioria gentios e como tal vão interpretar o que escreve à luz de uma tradição cultural fortemente influenciada pelo catolicismo, no contexto do qual o acender velas e o orar pelos martires sao acções com conotações religiosas específicas- sendo uma das quais a expiação de culpas e pecados.
E é para nos traduzirmos que se torna necessário ler, ler, ler. E falar, claro. Sobre tudo. Convirá, é certo, antes desse falar dobrar 7 vezes a língua na boca. Ou será 7X7? Mas falar sempre.
(Mas isto sou eu falando comigo mesmo).
Publicado por jpt às 10:19 PM | Comentários (4) | TrackBack
Casa Portuguesa

O restaurante "Casa Portuguesa" em Malelane (Páscoa 2006). Onde se pode ouvir o mais puro pimba olhando o Kruger da varanda. Muito recomendável.
Publicado por jpt às 07:10 PM | Comentários (4) | TrackBack

Com estas novidades no bloguismo em Moçambique fiz arranjo na coluna de elos (à direita), na zona respeitante. Para maior facilidade. E orientação.
Publicado por jpt às 09:47 AM | Comentários (1) | TrackBack
O Blogotinha recupera-me uma velha "frase de engate". Será que funcionaria?
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abril 19, 2006
Contributo para quase-bloguistas moçambicanos
O bloguismo em Moçambique está, finalmente, a crescer. Por onda mundial, claro, mas também por culpa do Machado da Graça. É ainda, com a belíssima excepção do Nkhululeko (que me vai antecipando posts, sacana), um bocado para o académico, mas há-de deixar de ser. Mais blogs é mais leitores. De clic em clic, de elo em elo alguns hão-de vir cá cair, ao blog do tuga, quase ma-guerre (muito ma-guerre in blog). Então é para esses que aqui deixo o melhor do bloguismo lá minha Tuga, assim tipo Mosteiro de Jerónimos, Expo ou pataniscas de bacalhau. Que é para verem que, por mais que vocês não o queiram aceitar, a gente tem gente. E, se calhar, para inspiração de algum eleito.
Está transcrito porque o homem tem a mania de apagar os textos, daí que não valha a pena colocar elos para o blog dele. É ir indo ver. O autor chama-se Maradona e costuma ser assim:
Brasil 0 - Brasil 1
Ontem, em Milão, o Brasil jogou contra o Brasil. Foi um jogo entretido, apesar de orfãos de um dos jogadores brasileiros mais inteligentes, Deco. Tacticamente a coisa podia ter descambado mais cedo, mas, infelizmente, os postes, o Eto'o e o Gilardino trataram de prolongar até tarde a desestruturação das equipas.
Não sei se repararam, mas o Ronaldinho Gaúcho está em acentuada baixa de forma. Falhou um enormidade de tabelas, de passes, e há quase dois meses que os seus livres não passam da barreira. Melhor jogador em campo? Ronaldinho Gaúcho.
O Kaka só apareceu nos últimos 20 minutos, o que foi mais que suficiente para ser considerado o segundo melhor jogador em campo. Depois vem Iniesta (Paulo Catarro confirma-se como o melhor relatador-comentador de futebol português), depois Oleguer, depois Edmilson.
Giuly, uma amálgama de Folha com Dominguez, convenceu-me definitivamente da sua utilidade, apesar de o querer ver morto como futebolista. Seedorf, definitivamente farto de futebol, é neste momento o melhor ex-jogador do mundo. Serginho e Cafu, duas trituradoras das linhas laterais, continuam a deliciar a audiência sabedora com a sua sobreespecialização numa das tarefas mais dificeis e ingratas no futebol. Gattuso, de quem se gosta pelo cansaço, continua a sua eternamente impromissora carreira no topo futebol profissinal, um homem que sozinho vai conseguir criar um novo ditado: "Passou ao lado de uma péssima carreira".
Chegados a Shevchenko. Para mim, Shevchenko, é o actual melhor ponta-de-lança do mundo. Ser o actual melhor ponta-de-lança do mundo não quer dizer que seja o melhor ponta-de-lança do mundo, atenção. Significa tão só que é o melhor a jogar na posição de ponta-de-lança: todas as suas intenções são inteligentes, todas as suas execussões são perfeitas, fisicamente tem potencialmente dois campeonatos italianos por ano nas pernas. Sucede que está a passar ao lado da melhor carreira de ponta-de-lança do mundo. Não consigo perceber por que é que isso acontece. Mas está para chegar do estrangeiro a pessoa que me vai convencer do contrário.
O resultado final, embora injusto, compreende-se. O Barcelona parece-me escravo da sua condição de futuro Campeão Europeu, e não vejo como libertar os homens dessa sentença.
Uma nota final para o jogo de hoje à noite, a outra meia-final da Liga dos Campeões, o França-Argentina, a jogar Highbury Park. Thierry Henry defrontar-se-à com Riquelme.
Sobre Thierry Henry não vejo necessidade de falar, suas excelências poderão ter visto a rotação-recepção sobre uma defesa inteira da Juventus que o inacreditavel senhor realizou no estádio Del Alpi nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Andei dois dias a sonhar com aquilo.
Mas sobre Riquelme gostaria de fazer um ou outro apontamento. Riquelme falhou no Barcelona porque o Barcelona não tinha equipa. Mas dir-me-ão vocês: O Villarreal não tem equipa! Tem, o Vilarreal tem uma grande equipa, para a equipa do Vilarreal o Villarreal tem uma grandíssima equipa. Riquelme é um mini-génio que não quer estar metido em trabalhos de superação do eu, de elevação acima das circunstâncias. Por ser regularmente a pessoa mais inteligente em cada estádio que pisa e sem que ninguém lhe exija nada de extraordinário depois do falhanço de Barcelona, tudo o que ele tem de melhor lhe escorre sem dificuldade, como quem está em casa a jogar ao Tomb Raider.
Quem viu o jogo dos quartos-de-final da Liga dos Campeões contra o Inter-de-Milão notou-lhe o esgar permanente da face, como se no fim de cada jogada lhe encostassem um ferro em brasa nas costas. Esta máscara é a fronteira visivel do que ele nunca poderá ser: um menino prodigio sempre em dor por não conseguir fazer as coisas nos momentos que o elevariam acima dos mortais. É não a face de um desapontamento pessoal, mas sim a imagem do incómodo que lhe causa imaginar milhares a perguntar porque é que ele não é assim sempre.
A sua exibição contra o Inter de Milão foi uma sequência interminavel de coisas bem feitas, que só ele e menos de meia duzia seriam actualmente capazes de fazer. Gostava de ter gravado o jogo, para vos mostrar. Destaco apenas o seu remate intencional ao primeiro poste a partir da linha lateral: só o Toldo é que seria capaz de ir buscar aquele missil, o mais improvável remate que vi em muitos anos. Se no mundial ele jogar assim a Argentina não será campeã, mas se mais alguém da sua equipa ajudar, e se somarmos o azar que inevitavelmente vai cair sobre a equipa rainha chamada Brasil, quem sabe....
Hoje, à noite, Thierry Henry versus Riquelme, e com o hipotético hiper-bonus-jackpot-euromilhões de assistirmos a meia horazita do cardeal Dennis Bergkamp
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19 de Abril: lembrando gente que me fez gente



Nota: imagens reproduzida daqui, de Hugo Pratt, Corto Maltese. Memoires, Casterman, 1998; e daqui.
Publicado por jpt às 04:43 PM | Comentários (0) | TrackBack
O jornal Notícias mais acessível.
Publicado por jpt às 09:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
Uma boa notícia, saíu o Carlos Serra a abrir blog: Oficina de Sociologia.
Publicado por jpt às 12:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 18, 2006
Últimas Publicações

[Assane Sufiane, Troca de Dívida por Activos: o exemplo da dívida de Moçambique a Portugal, Lisboa, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, 2006]
Edição de uma interessante (e bem fundamentada) tese de mestrado em Cooperação e Desenvolvimento e Cooperação Internacional, no ISEG (Lisboa), um trecho da história contemporânea das relações entre Portugal e Moçambique mas também algo denotativo das complexas relações económicas Norte-Sul. E interessante, também, para quem queira entender algo dos constrangimentos político-institucionais hoje existentes e, portanto, também a origem do jargão dominante. A ler.
"Assane Sufiane conta a história de uma dívida mal parada no montante de 83,5 milhões de USD, resultante da garantia do Estado português ao financiamento bancário das exportações de empresas privadas portuguesas para Moçambique realizadas nos anos 80 e início dos anos 90. Com o intuito de recuperar pelo menos parte desta dívida mal parada, de aliviar a dívida externa moçambicana e de apoiar a internacionalização das empresas portuguesas, com ou sem parceiros moçambicanos ou de países terceiros, Portugal vendeu, entre 1993 e 1999, esta dívida ao preço de "saldo" de 11,7 milhões USD. Assumiu, assim, uma perda de 86% do valor facial da dívida. Por seu lado, as nove empresas que adquiriram a dívida realizaram, nas operações de compra da dívida em Portugal e na valorização dos treze projectos de investimento pelo Banco de Moçambique, ganhos financeiros até 268%. Também o Estado moçambicano realizou ganhos financeiros, na ordem dos 50 a 80%, na conversão da dívida pública em activos privados, poupando, ainda por cima, o seu fundo de divisas. (...)
Seja como for, uma operação de redução de dívida externa de Moçambique, como noutros países pobres altamente endividados não se faria hoje em dia nos moldes acima descritos. Como nos mostra a iniciativa dos credores ao encontro destes países (Highly Indebted Poor Country Iniciative - HIPC) ... a dívida é actualmente largamente perdoada embora sob condição da elaboração e implementação, pelo governo e em colaboração com a sociedade civil, de um Porverty Reduction Strategy Paper - PRSP, em ocorrência o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta ...
O que distingue esta abordagem, ao nível conceptual, é a percepção que nos países pobres altamente endividados o perdão da dívida se tornou conditio sine qua non no combate à pobreza e que os meios financeiros públicos assim libertos têm que ser destinados directamente às políticas visando as populações mais carenciadas, enquanto que na abordagem do debt-for-equity-swap (troca de dívidas por activos) ainda se esperava chegar aos pobres indirectamente, i.e. mais por via da aceleração do crescimento económico baseado no sector empresarial privado. Assim passamos do Washington ao post-Washington consensus ..."
(Jochen Oppenheimer, prefácio, pp. 29-31)
Publicado por jpt às 08:06 PM | Comentários (0) | TrackBack
Já aqui referi o jovem poeta que recentemente se estreou em livro ("Rosas e Lágrimas"). Agora ele cria um blog: Eusébio Sanjane.
[via Pululu]
Publicado por jpt às 03:23 PM | Comentários (1) | TrackBack
(corolário do texto anterior) ... ou seja, passa o Ma-Schamba a ser um blog doutrinário.
(que é uma forma de não acabar com isto, que não me apetece, gosto do bloguismo. Mas que ou anda tudo maluco ou ando eu, das duas uma. Pensando bem ... das duas duas).
Publicado por jpt às 02:40 AM | Comentários (5) | TrackBack
Incomunicação
Não é defeito, não é erro, é característica de quando falamos. Vamos percebendo-nos por aproximações. E isto do bloguismo é escola disso, e ainda por cima conversa sem tom de voz, entoação e mímica. Aos textos que botamos julgamo-los cristalinos mas logo nos avisam (comentam, contra-postam) não o serem. Aos textos que lemos julgamo-los apreendidos mas logo nos berram a nossa iliteracia. Imbecilidade até.
Boto uma paisagem de um fim-de-semana e vem um leitor berrar "racista". Brinco, explicita e suavemente julgava eu, num blog conhecido e o postador vocifera impropérios (e de que maneira). Boto um desagrado e berra o gajo ao lado. Duvido face a grã-blog favorito e passo a saber que há coisas que não se discutem.
Está a sala torta? Ou danço eu muito mal? Deixo-me de manias (de perseguição), claro. Pois com tanta coisa seguida é óbvio, é o requebro daqui que não tem enleio. Abandono o diálogo intra-bloguístico. Pelo menos até aprender o como. Se o conseguir.
Publicado por jpt às 02:14 AM | Comentários (9) | TrackBack
King Kong
Na sua ânsia de esvaziar o seu blog de visitas indesejáveis a Sara dedica-se à arqueologia do King Kong, dando-nos conta dos tempos de juventude da avó Fay Wray, aquando do seu affaire com o dito macaco. E ainda, embrenhada na dita tarefa, culmina em excessos de panteísmo.
Publicado por jpt às 01:52 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 17, 2006
A Cidade Vaga, o novo blog do Miguel Cardina.
Publicado por jpt às 07:04 PM | Comentários (0) | TrackBack
Liberdade
Esta Induzida consciência/memória da mediocridade própria é libertadora. Rejuvenescedora. E vai daqui sem pingo de ironia.
Publicado por jpt às 12:55 PM | Comentários (0) | TrackBack
O meu desabafo ilegítimo, preconceituoso, contraditório (não boto eu aqui recorrentemente que em blogs cada um como cada qual?) e irreflectido (mais que não seja porque doente de "endobloguismo") foi canelado no Insónia. A irritação (doente de todos os defeitos acima referidos ) não era para ali dirigida mas pronto(s) ... Lá, nos comentários, falámos de futebol e espero ter-me explicado, que o futebolês é linguagem que me é acessível. O meu textito é incoerente, reconheço - repito, nos blogs cada um como cada qual. Mas como texto desabafo esta aí e assim fica, ainda que incoerente. O des-gosto também.
Publicado por jpt às 12:11 PM | Comentários (0) | TrackBack
Bicicletas
No A-Sul notícia sobre a intenção da câmara municipal de Almada de proceder (em "cooperação") à divulgação das bicicletas em Angola e Moçambique [até dando bicicletas velhas]. Palavras para quê?
Publicado por jpt às 09:42 AM | Comentários (3) | TrackBack
abril 16, 2006
Uma bela homenagem. (que saudades...)
Publicado por jpt às 11:55 PM | Comentários (1) | TrackBack
(quase) tudo sobre o sitemetergate
[Já que a Sara não tem comentários fica aqui a nota, para ela e para outros - por mais que ela queira basta tentar perceber o sentido dos textos, ou seja clicar no que os outros procuram (sitemeter + referrers) que lá surge a foto de uma loura de seio saliente debruçada sobre uma morena. A do seio leva o nome de Watts. Como na fábula, quem não quer ser loba não lhe despe a pele ...]
Publicado por jpt às 08:28 PM | Comentários (8) | TrackBack
Bloguismo, fauna e flora
Entre os tipos da bola, os políticos em stand-by (e com teclados senatoriais), psicólogos (ui, ui), comentadores anónimos, opinativos políticos, quase-escritores e mesmo poetas, tipos emigrados em áfrica, portugueses irascíveis, gente suave, ga[i]jas, ecologistas/homossexuais/liberais e outras causas, jornalistas e pro-jornalistas, gajos dos sites das putas, tipos retornados de áfrica, evangelistas, dizia eu, entre toda esta fauna o pior do bloguismo português é mesmo a flora de críticos literários. Raios lhes partam as lutazinhas.
Publicado por jpt às 07:11 PM | Comentários (2) | TrackBack
Bastantes mutantes, alguma hibernação e elevada taxa de mortalidade de blogs associados a alguma reciprocidade: mudanças na coluna de elos (à direita)
Publicado por jpt às 12:29 PM | Comentários (2) | TrackBack
abril 15, 2006
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Acidental
Provando que o Acidental não era um mamífero do seu cadáver ascendem os blogs Ordem e Progresso (José Bourbon Ribeiro), Papagaio Morto (Leonardo Ralha), ABC (Paulo Pinto Mascarenhas), sendo que a este último desejo rápido sucesso naquilo que realmente interessa.
Alguma alma Acidental também no geronte colectivo No Quinto dos Impérios e no Quase Famosos
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A ler: Tentar navegar em águas agitadas.
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Os colonialistas: a tribo branca da África Oriental
No Combustões está a ser colocada uma série de textos sobre os colonos (confesso que prefiro esta denominação, menos carregada de pressupostos ideológicos) em Moçambique, um conjunto de memórias familiares do bloguista: 1, 2, 3, 4.
Publicado por jpt às 10:24 AM | Comentários (0) | TrackBack
abril 14, 2006
A ler: A memória e o esquecimento.
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Num blog
Publicado por jpt às 11:12 PM | Comentários (0) | TrackBack
Ilha de Moçambique,
Okhwiri, um fotoblog que lhe é dedicado.
Publicado por jpt às 03:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
O fim do Jpt?
A médica-espelho, gente amiga ainda para mais, implacável no diagnóstico: má postura, excesso de peso, falta de exercício. Esbroando-me compreendo esta execução moral: arrogância, vacuidade,