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março 23, 2006
Altino Torres, com quem eu vou gozar cada vez que o Benfica joga, vem gozar comigo. Tá bem, tá justo, é merecido. Altino Torres, que vem cá há muito tempo, sabe que eu "gozo que nem um peru" (que raio de expressão) com a bola, que sou doente do sporting (e não está ele na minha rede de esseemeesses). E presumo que saiba que gozo também no exagero (muito me diverti no curandeirismo activo bloguístico durante o euro-2004), na hipérbole pantomineira disto tudo.
Cada um como cada qual. Eu tenho a minha maneira de "ir à bola". Agora sem hipérboles. Pois também se pode falar sério sobre bola. Apesar de haver estranha gente que acha que não. Estranha gente até bloguista, sempre pronta a opinar sobre tudo e todos, apontando malevolências a torto e a direito, tal e qual no ma-schamba, diga-se. Mas depois a emparentisarem uma área, sobre a qual não se pode falar a sério: a bola. Não tem qualquer lógica, é mero impensar. Pode-se também falar a sério, se apetecer. Pois não há nada que não seja significante. Que demonstre.
Para o Altino explico-me, até por dívida de tanto gozar. Durante anos fui sócio do Sporting. Ia quase sempre, coisa de amigos. Depois deixei de ir. Início dos anos 90, 3 jogos em casa seguidos (+/-, talvez com uma ou outra interrupção). Sporting a receber 3 clubes do sul, tipo farense, estoril, leiria (mas não afianço). Do ano não lembro, mas lembro que um dos centrais era um grande jogador, Luisinho. Nos três jogos os árbitros a protegerem o Sporting, descaradamente, e este a jogar pouco-pouco. No último desses o Luisinho perdeu um sprint limpo num contra-ataque dos "outros", caiu e o árbitro marcou falta, cortando o quase-golo num 0-0 que não acabava. Fui-me embora, deixei de frequentar. Para quê? Qual o gozo assim? Não deixei de ser sportinguista, não deixei de torcer, de comprar o jornal da bola (antes a Bola, depois o Record), de gozar, de beber umas imperiais ou aguardentes de cereais. Depois disso voltei 3 vezes ao futebol, para aí em 16 anos. No ano seguinte, ver um Sporting-Porto. Acabou 0-0, com um árbitro super-inteligente, a controlar o jogo a meio-campo, algo que se vê muito melhor no campo do que na TV. Uma roubalheira sem "casos-de-jogo", um árbitro "competente". Nunca mais voltei, tão mal disposto, irado, saí dali. Vi, antes ou depois, não lembro, um Sporting-Real Madrid (o do Lemajic), mas, claro, era para ver o Real em Alvalade. E, há alguns anos, quando em Lisboa fui uma vez a Alvalade despedir-me do estádio, era a sua última época.
Não é uma questão de "moralismo", como o desvaloriza o Altino. Pura e simplesmente não sou batoteiro. Quando mais novo fartei-me de jogar cartas, entre-amigos, um dinheirinho baixinho (acho que o Altino também gosta disso, penso ter lido) a acicatar a diversão, a ver quem pagava as bebidas. Nunca fiz batota. E nunca a vi fazer, quem se sentava à mesa sempre era gente de bem. Se não fosse não se sentaria. Não é "moralismo". Pode ser elitismo. Pode ser moral. Pode ser, e acho que é, ética. Mas não é "moralismo". Se algum "ismo" há (havia) é (era) mesmo elitismo. Mas mais do que tudo era o prazer de jogar. Ver quem ganha.
Há gente que diz que o futebol é isto, um necessário entrecruzar de roubos. Gente ignorante, dessas que nada percebe do que a rodeia, gente ignorante que acredita haver coisas "naturais" no que os homens organizam. Tenho num texto abaixo um comentário sobre o "chinês" (Mário Luís, o árbitro que foi à China com o Sporting, quando ir a Badajoz era uma aventura, acho que em 1979). Há outros muito repetidos em todo o lado, do porto ou do sporting, que falam do Calabote, um árbitro comprovadamente corrupto, que favoreceu o benfica nos anos 50. É gente engraçada, se te roubo é porque o teu avô me roubou.
Eu, neste parêntesis da pantomina, só digo que a bola é essa pantomina. Mas também é jogo. E no jogo se vê como são as pessoas. E quem gosta de ganhar a roubar, mesmo que na pantomina, deve gostar sempre de ganhar a roubar. Não é confiável. Não é a vida uma pantomina, também?
Pelo menos à minha filha, na idade das muitas pantominas, eu empurro para a muita pantominice. Mas sem batota. Coisa que me ensinaram. Coisa que nem todos aprenderam.
Adenda: há lá abaixo um comentário contra "o sportinguista aristocrata" que aqui mora. De um auto-denominado "portista boçal", filosofando sobre o que é a "vidinha". Acertou completamente. É um "aristocrata" a olhar para "boçais" com "filosofias" sobre o que é a "vidinha". A propósito do que é "só" um jogo. O pobre homem só não percebe uma coisa. É que não tem nada a ver com clubes. Só com os pais de cada um.
Publicado por jpt às março 23, 2006 02:06 AM
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Pronto, o homem perdeu definitivamente as estribeiras. Fica-me a memória dos tempos sãos, da fortuna em ter privado na amizade com ele (amigo de quem ainda sou, que o serei para o resto da vida, entenda-se), da sua eloquência (que... [Ler...]
Recebido em março 23, 2006 07:08 PM
Comentários
Caro JPT,
Ponha os pontos nos “iii” e diga quem é que gosta da batota… do roubo!
«Nunca fiz batota. E nunca a vi fazer, quem se sentava à mesa sempre era gente de bem. Se não fosse não se sentaria. Não é "moralismo". Pode ser elitismo. Pode ser moral. Pode ser, e acho que é, ética. Mas não é "moralismo".»
Tal como o José, também eu nunca fiz batota e odeio que a façam. Aqueles que me conhecem não se cansam de repetir, à saciedade, a minha velha máxima de avaliação do carácter das pessoas: à mesa de jantar vê-se a educação; à mesa de jogo vê-se o carácter.
Já não concordo consigo quando diz que “E nunca vi fazer”. Olhe pois eu já vi e muita, e fui praticamente massacrado e aniquilado – esse é termo correcto e real – ao tentar repor a verdade, a justiça e a transparência. Nos últimos 3 anos – não imagina. Claro, porque não me conhece – tenho lutado como um pobre David sem funda contra o Golias da corrupção, do tráfico de influências, do peculato, etc. Neste momento sou um fragmento daquilo que fui, mas esse valores que defendia, continuam mais fortes, e mais obstinadamente luto por eles. Não me calo por muito mais que me tentem aniquilar – uma vez mais repito que é literal.
Agora, não gosto de indirectas e de presunções sobre o berço ou a falta dele, muito menos que, sem nomear, se lance a injúria, por rebuscadas figuras de estilo, sem se nomear.
«Pelo menos à minha filha, na idade das muitas pantominas, eu empurro para a muita pantominice. Mas sem batota. Coisa que me ensinaram. Coisa que nem todos aprenderam.» Também eu tenho uma filha e jamais tolerarei, dentro do meu possível campo de influência, que a batota arruína e destrói vidas.
Não me vou autoelogiar, porque, para além de nunca o ter feito, gosto que os outros mos façam, e com merecimento.
O José é elitista, eu sou-o em boa verdade, há quem disso me acuse distorcendo contudo o bom significado dessa palavra. Não me dou com corruptos, pederastas, criminosos e ignorantes letrados. Agora, quando refere «Mas um homem que seja adepto do f.c. porto e consiga gostar disto assim só é credor de malquerença. Na bola e no resto. Qu'a bola não é departamento ao lado. É-se mesmo assim. E sabendo bem que a maioria gosta mesmo é assim. Um mundo de guardas abéis. Letrados até. Piores.» não me pude conter porque o José acabou por catalogar todo um povo que gosta do azul e branco como boçal, amoral e defensor da batota – e estou a utilizar o seu vil eufemismo.
Referiu-se ao meu comentário desta forma «Tenho num texto abaixo um comentário sobre o "chinês"». Pois é meu mesmo! Um admirador confesso do seu blogue, dos seus escritos, das suas indignações e inquietações, que nunca se referiu ao José como “aquele” ou o “outro”, mas pelo nome que os pais lhe deram. Os meus, tal como os do José, também me deram a educação de que eu, felizmente, me orgulho e que transmitirei – e tenho vindo a fazê-lo – à minha querida Inês e aos próximos que vierem.
Só um pequeno lembrete do episódio do “Chinês” – eu tinha 7 anos e consigo lembrar-me perfeitamente da indignação que senti: a digressão à China do Sporting, curiosamente, ocorreu após a final da Taça, na qual unanimemente o meu FCP foi prejudicado com a arbitragem do Sr. Mário Luís. Uma pergunta: o José deixou de festejar a conquista da taça?
O futebol tem esta capacidade de nos transfigurarmos, porque se trata de uma paixão, e como todas as paixões a emotividade supera, de longe, a racionalidade.
Meu caro José, sinceramente, desgostou-me com a sua análise bastante abrangente. A minha elite ensinou-me uma coisa, esquece-te da merda as pequenas tricas e foca-te no essencial. Ninguém é perfeito, e a humilde assumpção do erro cometido é dos actos mais corajosos que um ser humano pode praticar!
Publicado por: AMC às março 23, 2006 04:00 AM
E peço desculpa por algumas palavras sincopadas que aparecem no texto acima, escritas ao correr da pena e ainda com o sangue a ferver-me nas veias.
Na penúltima linha onde se lê "...da merda as pequenas tricas..." deve-se ler "...da merda das pequenas tricas...".
Acho que este podería subverter a significação que lhe pretendia dar e susceptível de apagar o fogo com gasolina.
Publicado por: AMC às março 23, 2006 04:13 AM
errata 2: "poderia" em vez do castelhano "podería". Deformação profissional!
Publicado por: AMC às março 23, 2006 04:16 AM
Ler é importante: o que está acima é a recordação de um acto de jogar (com dinheiro envolvido - muito pouco, muito pouco. um dia perdi 7 contos, foi um verdadeiro despautério, um record homérico. na prática quem perdia no máximo pagava as pizzas e os whiskies. está referido, no universo de jogos em que me envolvi, porque é o único que teve/tinha dinheiro envolvido). E o que acima está escrito é que nesses jogos nunca fiz batota nem nunca vi fazer. Naquelas mesas, com gosto, com piadas, com gozo, com prazer, e com vontade de ganhar ninguém fazia batota. V. não percebeu o que eu disse. Diz que está farto de ver batota...acredito. Também eu. Mas não no meu jogo. É disso que falo. Falo exactamente do que V. escreve: "a minha velha máxima de avaliação do carácter das pessoas: à mesa de jantar vê-se a educação; à mesa de jogo vê-se o carácter.". Com uma ressalva, "em roma sê romano", ou seja, posso mudar os meus hábitos de etiqueta comensal consoante a minha companhia, e faço-o. Mas não mudo a minha forma de jogar consoante a companhia, se não gosto saio.
Insisto, v. não percebeu o que está escrito. Reagiu como nós na bancada da bola. Eu não disse que todo o portista é ... disse que um tipo que seja adepto do fcporto e goste de ganhar assim. E mais, abaixo está mais do que explícito, não é questão de clubes. Ganhar na batota não tem cor.
V. fala do "chinês". Está muito bem. Eu tinha 14 ou 15 anos. E devo ter comemorado a vitória na taça. Mas a deslocaação do célebre chinês à china soube-se depois (se a memória não me trai foi no dia seguinte). E sobre o que achei na altura não faço a mínima memória. Mas tinha 14 ou 15 anos, era um bocado diferente do que vim a ser. Mas dessa altura lembro um episódio de futebol. Estava na lateral de um sporting-benfica, houve um golo do benfica (Que ganhou o jogo) num cruzamento, uma confusaõ, quem marcou estava obviamente em fora-de-jogo. Fartei-me, ali na turba, de insultar o árbitro, até coisa de ser homem. Quando cheguei a casa lá vi na TV, um central do Sporting (Eurico?) estava a reentrar em campo pela linha de fundo (uma boa parvoíce, já agora) e a colocar o benfiquista em jogo. Nós, claro, não atentáramos. Ainda hoje me lembro disso
serve um bocado para matizar os impropérios a quente vs os árbitros. Controlar a tal emotividade. Vivê-la, claro, que é para isso que nos divertimos na bola. Mas um bocadito controlado.
Quem gosta da batota, do roubo? Pergunta. Honestamente gosta de batota quem não quer controlar esta emotividade. Gostam os adeptos dos 3 grandes, os cujos são estruturalmente beneficiados vs os mais pequenos. As coisas estão melhores hoje, mas ainda há muito a mudar. Gostam os que preferem ganhar assim, que enchem os estádios (enchem pouco, que a crise vai grande), que compram os jornais, que compram os produtos que patrocinam, etc. V. queixa-se de generalizações. MAs quem gosta de roubos? Gosta quem assume algo que muito ouvi nos últismos muitos anos vindo de portistas, a ironia do "os árbitros roubam mas a equipa ajuda". Sim o porto tem tido excelentes equipas (e a deste ano joga muito bonito) Mas tem controlado de modo incrível o jogo (e nos últimos anos menos). Como Benfica controlou, como Sporting idem. Como ambos vão controlando excertos
Todos nós vimos filmes de boxe americanos. E torcemos pelos pobres pugilistas triturados pelas máquinas mafiosas de controle de combates combinados etc e tal (Desde os anos 30 ou 40 que eles vão surgindo). E depois vamos para as bancadas / sofás ser o contrário?
O essencial é isto, uma sociedade que cria e protege uma paixão (até excessiva) por um jogo e que por ele produz, reproduz, exponencia os valores da trapaça. A bola não tem que ser uma escola de virtudes. Mas também não tem que ser uma escola de malevolências.
Finalmente, não lhe ter chamado o nome próprio. Pelo desculpa. Mas honestamente, é o discurso de fulano? Ou é eco do discurso colectivo? A conversa do chinês, do calabote, dos roubos de catedral, das quedas do joão pinto, é um discurso colectivo, sem agentes individuais, que nós reproduzimos como legitimação de uma prática social.
Pós-finalmente. 2 episódios do início de 90s. Um livro cristalino, de Marinho Neves, "golpe de estádio". Só peca por defeito. Houve redes de criminalização a que o jornalista se eximiu. Sabia delas, sabíamos delas. Mas preferiu calar (atenção, o livro é muito fraco estilisticamente. Mas em forma de pobre ficção relata o mundo mafioso do futebol. Que ainda lá está. E que é protegido por muitos intelectuais e políticos - sob capa de que é "só bola"=). E um exemplo etnográfico, sem sporting envolvido. Um Guimarães de Autuori que fez uma grande primeira volta, foi às Antas à frente (acho que estavam empatados), foi completamente roubado, o André partiu o patrão do Guimarães num lance propositado (acho que se chamava René, não tenho a certeza), deu-lhe cabo da carreira, acho que ainda jogou uns tempos muito diminuído, depois foi para o Brasil, mas nunca mais o mesmo. O Porto, claro, ganhou. A turba (aqui é mesmo azul-e-branca) delirou. Os grandes intelectuais portistas também. Os jornalistas idem também. Eu insisto, e sem generalizações, sem categorizações, não há pensamento. Quem gostou daquilo não merece respeito nem confiança. EStão aí, impantes, impunes. Adeptos - "é só bola, é só um jogo" vaõ dizendo quando cutucados.
Já agora, em 1995 (Outubro?) votei PS. Em Maio de 1996 Guterres (que não é homem de futebol, muito menos do porto) foi à praça dos aliados comemorar a vitória do fcporto, o bicampeonato daquele que veio a ser o penta. Populismo? Nem sei. Sei que nesse dia percebi o que vinha aí, quem era o homem. Foi.
Não é só um jogo. É um jogo. Feito de malquerenças.
Publicado por: jpt às março 23, 2006 10:16 AM
O «pobre homem» gosta e muito das mãos que lhe embalaram o berço.
Publicado por: Daniel às março 23, 2006 11:10 AM
acredito, não duvido. como me parece óbvio não é o "amor filial" o assunto que aqui abordei
Publicado por: jpt às março 23, 2006 11:37 AM
AMC, ainda uma coisa. Do "vil eufemismo" sobre o "povo" "azul-e-branco" não recomentei. Pois de eufemismo não há nada no texto. Está escarrapachado o que penso. De vileza também não me parece. Repito, se acha que há eufemismos ali não compreendeu o texto. Se não compreendeu passo pela "vileza" sem problemas.
Publicado por: jpt às março 23, 2006 11:39 AM
Sim, eu percebi bem qual é o assunto.
Publicado por: Daniel às março 23, 2006 11:47 AM
Caro José,
Para ser directo e conciso, detesto que a minha equipa vença um jogo no qual alegadamente foi beneficiada por erros daqueles senhores que antigamente só vestiam de preto.
Se houve mão do Pepe? Houve e fui o primeiro a dizê-lo, no descanso do meu sofá, à minha mulher que, por acaso, é adepta do Sporting. Curiosamente, já não sei se foi dentro ou fora da área, mas para o assunto em questão não interessa, já que o clube do José foi prejudicado nesse lance.
Como o José afirma, por ventura não percebi o seu texto, porque resumindo o José lançou – se calhar sem querer – o anátema da boçalidade, ou se quisermos do provincianismo, caciquismo, etc., que é coisa da qual estamos fartos. Já não se aguenta. E se o José cá vivesse, sentiria na pele aquilo que estou a referir.
Quanto ao envolvimento do poder político e quejandos – para me referir aos ilustres – estivemos sempre em desfavor. Não vai há muito tempo, e eu votei em D. Barroso, houve um presidente de um clube, de nome Vilarinho, que aconselhou o voto no PSD, porque o PSD era amigo do Benfica. Creio que o José se recorda desse episódio, que culminou com a não penalização pela Liga e pelo Fisco das certidões fiscais falsas dando conta da regularização da certidão, como também se aceitaram acções da SAD do Benfica como garantia para o cumprimento da dívida – acções essas não cotas em bolsa e cujo valor contabilístico era 3 a 4 vezes inferior ao valor que serviu de base à garantia. Esse clube continuou a comprar jogadores – a torto e a direito, diga-se – enquanto os outros – mais em concreto os mais directos rivais, SCP e FCP – teriam que cumprir com as obrigações fiscais para não descer de divisão. É isto a verdade desportiva? O mundo do futebol é ou não um mundo podre? Aplica-se a todos ou apenas a alguns? E o que se passou no ano passado, onde o meu clube e o clube do José foram deliberada e escandalosamente afastados do título? Lembra-se do jogo com o Estoril no Algarve? Sabe, por ventura, quem era o maior accionista da SAD do Estoril? Sabe quem era o presidente desse clube? Lembra-se do que aconteceu nos quartos-de-final da Taça? Onde o clube do José defrontou o Benfica? Sabe quem arbitrou o jogo que o meu clube defrontou o Estrela da Amadora? Nesse jogo lembra-se do que se passou com a arbitragem? Indignou-se com as compras/vendas/empréstimos/cedências de jogadores de clubes que o Benfica iria defrontar nas vésperas dos jogos? Lembra-se do Paraty no Domingo? O José referiu o B. Paixão na última jornada, eu refiro-o em todas em que arbitrou jogos do meu clube. Se não me engano o clube do José foi campeão em 1999/2000, o ano do célebre Campomaiorense-FCP, que nos afastou quase em definitivo do título. Lembra-se do FCP-Sp.Braga desta época? Do penalty assinalado por falta cometida sobre um jogador em fora de jogo no minuto 89? Lembra-se da arbitragem do Sr. Lucílio no Dragão no FCP-SCP desta época?
Com toda a sinceridade, as discussões sobre futebol dão sempre nisto. Peço imensa desculpa – é um mea culpa – se me achou sobranceiro, insultuoso ou mal-educado. E se o fui sem razão, não tenho desculpa possível! Se o fui porque não entendi o subtexto, acho que mereço ser desculpado pela minha falta de entendimento ou de capacidade de abstracção. Não quero é que isto redunde num agastamento permanente.
Uma coisa é certa, depois disto continuarei a lê-lo com o mesmo prazer com o que o fazia. Pelo José não posso responder.
V.
PS – acho que este texto que escrevi (http://amc-porque.blogspot.com/2006/03/desabafo.html) explica um pouco as minhas atitude e maneira de agir enquanto bloguista.
Publicado por: AMC às março 23, 2006 02:08 PM
Só pode estar tudo doido!!!
O FJV é que tem razão: sai uma dose de XANAX (passe a publicidade) para as mesas do canto sefaxavor.
Publicado por: JAzevedo às março 23, 2006 02:57 PM
SPOOOOORTING! SPOOOOORTING!
Publicado por: dan às março 23, 2006 03:00 PM
...
Publicado por: L às março 23, 2006 05:23 PM
se eu vivesse no porto vivia numa cidade que arvorou bandeira com um clube de futebol que controla há vinte anos o futebol de uma forma desonesta e que é considerado (E as ligações são múltiplas, honra ao rui rio que quebrou algumas) o representante da cidade, da região, da naçon. Peço desculpa mas é um bairrismo boçal - e já nem falo do ridículo que é o regionalismo em portugal, uma língua de praia com 350 kms entre o que interessa.
quanto a quem rouba ou não já vi jogos suficientes para perceber se o árbitro está mal, é mau ou está encomendado. ontem estava encomendado? caramba.
quanto ao xanax, não vou comentar. cada um como cada qual, se calhar está tudo maluco como diz o jazevedo, aqui publicista de ansiolíticos. eu devo estar, a irritar-me com cirurgias destas. e com outras mais importantes. mais vale gostar ou sorrir, dá um ar mais actual. mas repito-me, diz-me com que escroques andas dir-te-ei que escroque és.
Publicado por: jpt às março 23, 2006 06:27 PM
«se eu vivesse no porto vivia numa cidade que arvorou bandeira com um clube de futebol que controla há vinte anos o futebol de uma forma desonesta e que é considerado (...) o representante da cidade, da região, da naçon. Peço desculpa mas é um bairrismo boçal - e já nem falo do ridículo que é o regionalismo em portugal, uma língua de praia com 350 kms entre o que interessa.»
Desta não esperava eu! V. Exa. vá chamar desonesto aos seus compinchas, que não me conhece de lado algum
Pena é que eu não consiga, pela educação que me deram, descer a esse nível de arrivismo!
Nesta V. Exa. acabou de revelar aquilo que é! E à sua imagem, conjecture.
Os 350 Km: Lisboa-Algarve
20 anos: já estivemos 19 e o V. clube 18. 1986-2006? E, então, 1935-25/04/1974? Estude!
Publicado por: AMC às março 23, 2006 06:43 PM
http://i48.photobucket.com/albums/f213/adriaansebestfriend/pepe1.jpg
http://i48.photobucket.com/albums/f213/adriaansebestfriend/pepe2.jpg
Será este o principal motivo de polémica?
Publicado por: @tento às março 23, 2006 10:28 PM
excelente fotos @atento, e obrigado. mas não, não era esse o ponto em questão. Enquanto não forem mais apoiados pela tecnologia disponível os árbitros vão errar muito e parecer que erram muito sem que tal aconteça. Quando passarem a ser mais apoiados tecnologicamente (2007, 2017, 2027?) vão errar menos e parecer menos que erram sem que tal aconteça.
Já acima botei "quanto a quem rouba ou não já vi jogos suficientes para perceber se o árbitro está mal, é mau ou está encomendado. ontem estava encomendado? caramba.". Um árbitro que erra muito ou está mal (Acontece a todos) ou é mau (acontece a alguns). Um árbitro que erra (quase) sempre para um lado é o quê?
Publicado por: jpt às março 24, 2006 09:41 AM
AMC, peço desculpa, não sabia que v. pertencia à direcção do fcporto (mais liga e associações, etc.), confesso que não presumi isso. se soubesse que v. era do grupo de ilustres cidadãos como lourenço pinto, adriano pinto, reinaldo teles, etc não teria escrito isto em comentário ao que v. aqui deixou.
se v. não é desse grupo talvez (e repito-me) possa perceber o que ali está escrito "um clube que controla há vinte anos de uma forma desonesta" - está errado, é mais do que vinte anos. e que tem, numa coalisão com forças sociais e políticas (das mais resistentes do país, talvez apenas em braga mais continuadas), utilizado essa "bandeira" regional para se reproduzir na influência economica, política e etc e tal. se isto é chamar-lhe a si desonesto sê-lo-á por ser cidadão participante nesse pequeno grupo. se o é paciência, não me apeteceria entrar em diálogo com alguém desse grupo, mas se tal me acontecesse evitaria a conversa. presumi que v. não fosse.
se v. não pertence a essa "elite" regional então leia lá bem e veja se eu lhe chamei desonesto.
o que eu digo, e redigo, é que o controle do jogo existe e tem objectivos futebolisticos e extra-futebolistico. e que a bandeira do regionalismo é um absurdo (ainda para mais arvorada pela gente que é), num país tão pequeno, tão espetado no litoral, tão concentrado. sim, tem razão, quando diz que 350 kms é lisboa-algarve (um bocadinho menos, lembro). já agora eu referia esse número apreoxiamado à faixa verdadeiramente significante no poder económico do país, um bocadinho a sul de lisboa até um bocadinho a norte do porto (350-400 kms). mas presumo que v. já tenha chegado à léria da "mouraria", daí o lisboa-algarve
Publicado por: jpt às março 24, 2006 10:11 AM
o (lamentável) episódio "vilarinho-psd" está aí. tudo bate certo. a única coisa que o pode minorar é a (apregoada, naõ sei) personalidade peculiar do ex-presidente vilarinho, ao que consta um homem de bem mas pouco estratega.
a colagem dos clubes ao poder político e vice-versa é antiga (naõe eram o sporting e o benfica os clubes do estado novo?). e, aparentemente, letal para os clubes. naõ foi o euro-04 um enterro por via dos estádios? ainda haveremos de ler os seus impropérios vs socrates, o grande arauto desse "desígnio nacional". ou talvez não ... se houver dinheiro e protecção
Publicado por: jpt às março 24, 2006 10:17 AM
Caro JPT,
Como já disse inúmeras vezes, o futebol - pela sua (dele, futebol) clubite - turva-nos a visão, umas vezes desfaz amizades, outras, porém, aproxima as pessoas.
Como disse no texto que publiquei no meu blogue, sou fundamentalista. E reconheço-o sem lhe conseguir resistir. Todavia, jamais defenderei o roubo - na sua expressão lata - ou a corrupção. Não me revejo em JNPC, nem no Reinaldo, nem no Lourenço, nem no Valentim. As vidas dessas pessoas enojam-me - e tive que empregar esse termo porque não o poderia evitar. Mas também me enojam o Veiga, o Filipe Vieira, o Madaíl, o Cunha Leal, o Cintra, o Santana, o Dias da Cunha... e poderia ir por aí fora!
Contudo, e se resultou do uma interpretação errónea da minha parte peço as devidas desculpas, o nosso povo - o do norte, em geral, e o do grande Porto, em particular, vive martirizado pelo escárnio, pela sobranceria e pela sua etiquetação de povo provinciano, parolo, inculto, trapaceiro, explorador do trabalho infantil e dos trabalhadores em geral.
Quando se referiu ao Rui Rio, senti-me deveras insultado, porque ele representa tudo aquilo que o Porto e o norte não precisam. É um elefante numa loja de porcelanas, e tal como o elefante destrói, porém com discursos inflamados e populistas, mas nada constrói. E posso dizer-lhe – já que não sei se o JPT conhece o Porto ou então se o visitou recentemente –, este Porto está severamente doente, deprimido, abandonado. A marginalidade pulula por todos os cantos da cidade, 40% das casas encontram-se devolutas, há idosos abandonados em plena baixa, ilhas completamente degradadas e sem o mínimo de condições de sobrevivência. Todos os dias assistimos à debandada dos grandes investimentos para as cidades limítrofes devido à tacanhez de um Presidente de Câmara que, para meu espanto, a ganhou nas últimas eleições com maioria absoluta. É um homem crispado, sem ideias, sem projectos, sem visão estratégica. É gestor da conta-corrente e não um gestor de vistas largas que via, paulatinamente, deprimindo esta cidade, a qual, em abono da verdade, se tem vindo a tornar num autêntico martírio.
Voltando à clubite, assumo-a – que o diga a minha mulher (sportinguista de gema) quando assiste às minhas fases de alheamento perante o que me rodeia perante o televisor, quando o meu FCP joga.
Publicado por: AMC às março 25, 2006 01:02 PM
pouco sei do porto e muitissimo menos da sua gestão camarária. apenas referi que rui rio teve a decência de quebrar com uma camarilha, apoiada essa pelo "povo" que v. diz sofredor (e que por isso nada me desperta a piedade) e por tantos "moralistas" (dos quais Miguel Sousa Tavares é o mais patético dos exemplos, uma carreira de cronista e jornalista como defensor de causas tudo negado quando lhe chega a bola ao nariz. está aqui como exemplo porque é o mais conhecido dos paradoxais opinadores). sobre o que rio é como presidente da câmara não faço a mínima ideia, lamento, vivo longe demais, conheço demenos a cidade.
peço ainda desculpa, e espero que antes de se irritar de novo leia bem o que aqui está. eu sou democrata, e não papo o número anti-democrático e anti-razão do "eles são todos iguais". v. acaba de o fazer aqui. para o exemplificar melhor, para que não fique outra vez ofendido, aqui e alhures, com a minha falta de nível, fico-me entre os sportinguistas - diz que o enojam um conjunto alargado de figuras, está no seu direito, está na sua bílis, mas gostava de me dizer (E isto em relação ao assunto que provocou esta discussão) o que é que encontra de similar em Cintra ou Dias da Cunha. Não gosta das pessoas? OK, não gosta dos clubes? ok. MAs se tanto lhe enojam as pessoas porque será? São elas iguais, têm os mesmos métodos e objectivos?
De resto passo, honestamente já lá vão uns dias sobre isto tudo, o benfica está ali a jogar com o braga, talvez algum maluco vá dizer que num minuto o petit abalroou na área um bracarense (penalti descarado não marcado) e logo a seguir um bracarense abalroou bem menos um simão à porta da área do braga e foi logo falta. como eu digo abaixo, não haja dúvidas, relativismo cultural, nem sobre o espaço, nem sobre a queda dos corpos conseguimos concordar.
espero, honestamente, que antes de se irritar outra vez e começar a protestar que eu o insultei pessoalmente (a mais a toda essa entidade absurda que é o "bom povo do norte"), e a resmungar alhures que eu não tenho nível, leia isto devagar. Porque este blog pode ter muitos defeitos, mas não é a bancada da bola e não estamos entre a juve dragões. Eu, pelo menos, tenho nome, não sou no name. tal como você.
Publicado por: jpt às março 25, 2006 10:07 PM
Concordo.
Ao regressar a Portugal e à minha “deprimida” – e não deprimente – cidade decidi tentar, pelo menos, neutralizar o veneno que eventualmente houvesse destilado.
No que diz respeito ao “insulto colocado alhures” (http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13114674&postID=114312193849288062), peço, sem que com isso lhe rogue o perdão, as minhas mais sinceras e sentidas desculpas. Detesto ficar com este sabor amargo da eventual perpetração de uma injustiça na boca. Todavia, tive o cuidado de o mencionar enlaçando-o para que o JPT dele tivesse o devido conhecimento. Reforço, todavia, o “surpreendente”, porque, tal como referi no meu blogue e nesse comentário, os seus textos foram sempre uma referência nas minhas deambulações na blogosfera.
No seu último texto – apesar da minha aparente volatilidade, movo-me por convicções –, não me irritou e dou-lhe aqui conta da minha elevada dose de culpa.
Estas pequenas ou grandes – depende da óptica – divergências de opinião têm o dom de moderar os meus impulsos, que, no que toca ao futebol, são quase irrefreáveis.
Disse-me que mal conhece o Porto e queria deixar-lhe aqui o convite para um dia que o queira visitar me permita, pelo menos, que lhe sirva de conselheiro para encontrar facilmente os locais mais aprazíveis desta magnífica cidade, tal como considero esplendorosa a de Wenders, a “cidade branca”.
Publicado por: AMC às março 26, 2006 12:01 AM
ok, quando me chegar À invicta afixarei pedido de cicerone.
Publicado por: jpt às março 26, 2006 08:32 PM