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Ma-Schamba: março 2006 Arquivos

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março 31, 2006

Um tipo às vezes esquece

Se sentir quelque peu romain
Mais au temps de la décadence
Gratter sa mémoire à deux mains
Ne plus parler qu'à son silence
Et
Ne plus vouloir se faire aimer
Pour cause de trop peu d'importance
Etre désespéré
Mais avec élégance

Sentir la pente plus glissante
Qu'au temps où le corps étais mince
Lire dans les yeus de ravissantes
Que cinquante ans c'est la province
Et
Brûler sa jeunesse mourante
Mais faire celui qui s'en dispense
Etre désespéré
Mais avec élégance

Sortir pour traverser des bars
Où l'on est chaque fois le plus vieux
Y éclabousser de pourboires
Quelques barmans silencieux
Et
Grignoter des banalités
Avec des vieilles en puissance
Etre désespéré
Mais avec élégance

Savoir qu'on a toujours eu peur
Savoir son poids de lâcheté
Pouvoir se passer de bonheur
Savoir ne plus se pardonner
Et
N'avoir plus grand chose á rêver
Mais écouter son coeur qui danse
Etre désespéré
Mais avec espérance.

[Avec Élégance, Jaques Brel]

Publicado por jpt às 01:59 PM | Comentários (5) | TrackBack

março 30, 2006

Do relativismo cultural.

Publicado por jpt às 12:42 PM | Comentários (4) | TrackBack

100 %.

Publicado por jpt às 12:23 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 29, 2006

Não tenho blogado sobre política lá no meu país.

Publicado por jpt às 07:01 PM | Comentários (1) | TrackBack

3 anos.

(aqui se tinha deixado de saudar os [diários] aniversários de blogs. Mas gente que chega aos 3 anos merece saudação. Ou tratamento. Ou ambos.)

Publicado por jpt às 03:18 AM | Comentários (2) | TrackBack

março 28, 2006

Dia de leituras

montalbantatuagem.jpg

[Manuel Vázquez Montalbán, Tatuagem, A Regra do Jogo, 1984]

Publicado por jpt às 10:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

Maputografia

Aqui transcrevo artigo publicado no jornal Domingo (19 de Março de 2006), uma extrema peça de maputografia, da autoria de Guilherme Cabaço.

Restaurante Costa do Sol: história, respeito e carinho

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Publicado por jpt às 03:46 PM | Comentários (6) | TrackBack

Prémio José Craveirinha de Literatura

jpbc as visitas do dr valdez.jpg

O prémio literário moçambicano, atribuído pela AEMO, com patrocínio da HCB. Agora atribuído a este livro. Parabéns.

Publicado por jpt às 02:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

No Ilhas um belo texto sobre isto de blogar, com recuperação de texto de George Orwell.

Publicado por jpt às 01:01 PM | Comentários (2) | TrackBack

março 27, 2006

Assinale-se

o regresso do Ditadura do Consenso, na Guiné-Bissau.

Publicado por jpt às 11:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

A Escrita de Anton

CarneiroGoncalvesEscritaAnton.jpg

Eduardo Pitta deixou uma atenta nota sobre A Escrita de Anton, a obra toda de Carneiro Gonçalves (Quasi, 2005). Que está aí à venda (pelo menos na Escolar Editora) a merecer aquisição. E, já agora, a leitura das 550 páginas.

CarneiroGoncalvesContosLendas.jpg

Como curiosidade, agora mesmo só curiosidade bibliófila, aqui fica o registo do "Contos e Lendas" (Lourenço Marques, Académica, 1975), agora incluído no tomo único.

Adenda:
Como lê valeu a pena.

Publicado por jpt às 10:09 PM | Comentários (2) | TrackBack

setentriao.jpg

Falando de livros, recordando um bom livro do ano passado, "Setentrião" de João Paulo Borges Coelho (Ndjira/Caminho).

Publicado por jpt às 08:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

4 Esses ao café da manhã

CIMG3076.jpg

[Sopa, Sónia Sultuane, Saúte, café dominical à (neo)Baixa de Maputo]

Publicado por jpt às 05:25 PM | Comentários (1) | TrackBack

Maputo Blues

MaputoBlues.jpg

Vai-se, descansado e engripado, beber um café em manhã dominical e põe-nos nas mãos, trémulas e até sapudas, o inédito de "Maputo Blues", livro de poemas de Nelson Saúte a editar no próximo Maio (Ndjira, um regresso à editora 10 anos depois). Ler parte, receber no email. E ficar à espera do livro livro.

Publicado por jpt às 05:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

"Gostos não se discutem",

diz-se. Mas discutem-se, pode é não valer a pena.

"São as paixões naturais"?, indiscutíveis? Não. Discutem-se. Pode-se é não querer discutir. Só isso. Tudo isso.

Publicado por jpt às 01:48 PM | Comentários (2) | TrackBack

3 anos!!

Publicado por jpt às 12:16 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 26, 2006

weblog com pt e aeiou pt

A Catarina coloca no 100Nada um texto sobre o weblog.com.pt que transparece o incómodo dos utentes (pelo menos de dois, o dela e o meu) com a nova gestão do sistema (a tal empresa incógnita aeiou.pt). Má onda bloguística a deles? Talvez apenas nenhuma onda bloguística a deles. Uma pena.

Publicado por jpt às 02:21 PM | Comentários (7) | TrackBack

março 25, 2006

Bloguismo.

Publicado por jpt às 11:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

Bloguismo em moçambique n

Mais um blog moçambicano, este "de geração": Ufics2006.

Publicado por jpt às 11:01 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 24, 2006

Clareza de raciocínio

2. Ou assim:

"For an outsider, an understanding of Turkish sport undoubtedly throws a great deal of light on other aspects of Turkish social life, and there is no sport wich carries as much symbolic "weight" in Turkey as wrestling. The sentiments evoked by wrestling are far from static or consensual. Interpretations of the symbols and imagery of wrestling can, of course, be used in different ways and appropriated as tools in hegemonic processes or their opposing counterparts. Indeed, wrestling is systematically used in the construction of myths of national strength and in a moral education in almost chivalric notions of contest and display ... But wrestling can also be seen as a repository of subversive knowledge, as a recognition that all is not what it seems, that strength is not moral purity, that deceit and guile are necessary part of social life, that one frequently has to cope with losing face, that compromise is sometimes better than contest".

(Martin Stokes, ""Strong as a Turk": power, performance and representation in Turkish wrestling", in MacClancy, Jeremy (ed.) Sport, Identity and Ethnicity. London: Berg, 1996, p. 22]

Publicado por jpt às 10:07 PM | Comentários (4) | TrackBack

Relativismo cultural

Clareza de raciocínio?. Só assim.

Em muitos locais se lê e ouve argumentar contra o relativismo cultural. Mero dogma, por vezes, crença no(s) absoluto(s). Mera estratégia política, noutros casos, de afirmação de relativos próprios como se absolutos, "o relativismo é falso porque o meu relativo tem validade absoluta". Pois ...

torna-se óbvio que a adesão (agora também se diz "aderência") a determinadas crenças, símbolos, valores influenciam, estruturam o mundo que vemos, ouvimos, sentimos. Como o vemos seja como o interpretamos. Como lhe traçamos causas e efeitos. Aos indivíduos essa adesão (a tal neo-"aderência") molda o entendimento topológico. As percepções físicas. As concepções de estático e dinâmico. Estipula o tempo. Delimita a âmbito do normativo. A corporização do legal. Enfim, a adesão (agora também se diz "aderência") a uma crença, a um grupo, estrutura-nos o espaço e o tempo, causas e efeitos. Corporiza a verdade. A cada grupo a sua verdade. Absoluta.

Eu e as minhas circunstâncias, medida do tudo?. Como não?

Publicado por jpt às 12:46 PM | Comentários (3) | TrackBack

Um blog sem comentários anuncia o meu parcial falecimento. Espero que a notícia seja notoriamente exagerada. Sem (mais) comentários ...

Publicado por jpt às 09:28 AM | Comentários (3) | TrackBack

março 23, 2006

Altino Torres, com quem eu vou gozar cada vez que o Benfica joga, vem gozar comigo. Tá bem, tá justo, é merecido. Altino Torres, que vem cá há muito tempo, sabe que eu "gozo que nem um peru" (que raio de expressão) com a bola, que sou doente do sporting (e não está ele na minha rede de esseemeesses). E presumo que saiba que gozo também no exagero (muito me diverti no curandeirismo activo bloguístico durante o euro-2004), na hipérbole pantomineira disto tudo.

Cada um como cada qual. Eu tenho a minha maneira de "ir à bola". Agora sem hipérboles. Pois também se pode falar sério sobre bola. Apesar de haver estranha gente que acha que não. Estranha gente até bloguista, sempre pronta a opinar sobre tudo e todos, apontando malevolências a torto e a direito, tal e qual no ma-schamba, diga-se. Mas depois a emparentisarem uma área, sobre a qual não se pode falar a sério: a bola. Não tem qualquer lógica, é mero impensar. Pode-se também falar a sério, se apetecer. Pois não há nada que não seja significante. Que demonstre.

Para o Altino explico-me, até por dívida de tanto gozar. Durante anos fui sócio do Sporting. Ia quase sempre, coisa de amigos. Depois deixei de ir. Início dos anos 90, 3 jogos em casa seguidos (+/-, talvez com uma ou outra interrupção). Sporting a receber 3 clubes do sul, tipo farense, estoril, leiria (mas não afianço). Do ano não lembro, mas lembro que um dos centrais era um grande jogador, Luisinho. Nos três jogos os árbitros a protegerem o Sporting, descaradamente, e este a jogar pouco-pouco. No último desses o Luisinho perdeu um sprint limpo num contra-ataque dos "outros", caiu e o árbitro marcou falta, cortando o quase-golo num 0-0 que não acabava. Fui-me embora, deixei de frequentar. Para quê? Qual o gozo assim? Não deixei de ser sportinguista, não deixei de torcer, de comprar o jornal da bola (antes a Bola, depois o Record), de gozar, de beber umas imperiais ou aguardentes de cereais. Depois disso voltei 3 vezes ao futebol, para aí em 16 anos. No ano seguinte, ver um Sporting-Porto. Acabou 0-0, com um árbitro super-inteligente, a controlar o jogo a meio-campo, algo que se vê muito melhor no campo do que na TV. Uma roubalheira sem "casos-de-jogo", um árbitro "competente". Nunca mais voltei, tão mal disposto, irado, saí dali. Vi, antes ou depois, não lembro, um Sporting-Real Madrid (o do Lemajic), mas, claro, era para ver o Real em Alvalade. E, há alguns anos, quando em Lisboa fui uma vez a Alvalade despedir-me do estádio, era a sua última época.

Não é uma questão de "moralismo", como o desvaloriza o Altino. Pura e simplesmente não sou batoteiro. Quando mais novo fartei-me de jogar cartas, entre-amigos, um dinheirinho baixinho (acho que o Altino também gosta disso, penso ter lido) a acicatar a diversão, a ver quem pagava as bebidas. Nunca fiz batota. E nunca a vi fazer, quem se sentava à mesa sempre era gente de bem. Se não fosse não se sentaria. Não é "moralismo". Pode ser elitismo. Pode ser moral. Pode ser, e acho que é, ética. Mas não é "moralismo". Se algum "ismo" há (havia) é (era) mesmo elitismo. Mas mais do que tudo era o prazer de jogar. Ver quem ganha.

Há gente que diz que o futebol é isto, um necessário entrecruzar de roubos. Gente ignorante, dessas que nada percebe do que a rodeia, gente ignorante que acredita haver coisas "naturais" no que os homens organizam. Tenho num texto abaixo um comentário sobre o "chinês" (Mário Luís, o árbitro que foi à China com o Sporting, quando ir a Badajoz era uma aventura, acho que em 1979). Há outros muito repetidos em todo o lado, do porto ou do sporting, que falam do Calabote, um árbitro comprovadamente corrupto, que favoreceu o benfica nos anos 50. É gente engraçada, se te roubo é porque o teu avô me roubou.

Eu, neste parêntesis da pantomina, só digo que a bola é essa pantomina. Mas também é jogo. E no jogo se vê como são as pessoas. E quem gosta de ganhar a roubar, mesmo que na pantomina, deve gostar sempre de ganhar a roubar. Não é confiável. Não é a vida uma pantomina, também?

Pelo menos à minha filha, na idade das muitas pantominas, eu empurro para a muita pantominice. Mas sem batota. Coisa que me ensinaram. Coisa que nem todos aprenderam.

Adenda: há lá abaixo um comentário contra "o sportinguista aristocrata" que aqui mora. De um auto-denominado "portista boçal", filosofando sobre o que é a "vidinha". Acertou completamente. É um "aristocrata" a olhar para "boçais" com "filosofias" sobre o que é a "vidinha". A propósito do que é "só" um jogo. O pobre homem só não percebe uma coisa. É que não tem nada a ver com clubes. Só com os pais de cada um.

Publicado por jpt às 02:06 AM | Comentários (22) | TrackBack

apelo aos smsesses

Companheiros, avisem-me onde é a manifestação, que a esta eu vou.

Publicado por jpt às 01:50 AM | Comentários (1) | TrackBack

Malquerença

(agora depois do prolongamento).

Um jogo de bola é só um jogo de bola. O futebol não é importante. Mas um homem que seja adepto do f.c. porto e consiga gostar disto assim só é credor de malquerença. Na bola e no resto. Qu'a bola não é departamento ao lado. É-se mesmo assim. E sabendo bem que a maioria gosta mesmo é assim. Um mundo de guardas abéis. Letrados até. Piores.

Foda-se. Que gente. Que nojo de gente.

Publicado por jpt às 01:43 AM | Comentários (13) | TrackBack

Malquerença

(foi à antiga, hein...?).

Publicado por jpt às 12:39 AM | Comentários (4) | TrackBack

março 22, 2006

Crónica da Rua 513.2

No 2+2=5 anúncio da edição em Portugal do novo livro de João Paulo Borges Coelho, Crónica da Rua 513.2 (Editorial Caminho). Crónica de uma rua, micro-cosmos feito país. O rumo da história do Moçambique independente, no entrecruzar das personagens (tipo?). Tenho alguma curiosidade sobre a recepção que o livro terá.

Daqui a alguns meses chegará cá. Quantos? A ver se poucos.

Publicado por jpt às 09:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 21, 2006

Totem

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["vulgar lagartixa" no escritório]

Publicado por jpt às 07:18 AM | Comentários (9) | TrackBack

março 20, 2006

Comentários em blog (e, já agora, telemóveis)

Certo é que já várias vezes escrevi que no bloguismo cada um como cada qual. Mas muito concordo com este texto do Apenas Mais Um sobre o que fazer com os comentários, por uma etiqueta in-blog. E, já agora, ainda mais concordo mais com o que ali se reclama sobre o uso de telemóveis.

Publicado por jpt às 06:25 PM | Comentários (10) | TrackBack

1 filha.

Publicado por jpt às 01:41 AM | Comentários (10) | TrackBack

3 anos!!.

Publicado por jpt às 01:32 AM | Comentários (0) | TrackBack

1 ano.

Publicado por jpt às 01:20 AM | Comentários (1) | TrackBack

março 19, 2006

Bloguismo em Moçambique 3 e 4

Um outro novo blog moçambicano, também aparentemente ligado à publicidade: o !nlog!ko.

Rubinho Ponciano, um brasileiro em Maputo. Com copy paste de crónicas brasileiras.

Publicado por jpt às 08:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Bloguismo em Moçambique 2

A ver se isto por cá anima nesta questão do bloguismo: mais um recém-blog, o Dumba Nengue de Alex Cardoso. Blog de publicidade et al.

Publicado por jpt às 08:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

Bloguismo em Moçambique

Descubro agora que o Ivan Serra abriu recentemente o Barrakaloka. (Como parou logo vamos ver se não desistiu - este é dos que terão coisas a dizer sobre o "por aí").

Publicado por jpt às 08:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

John Wayne

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[Cartoon encontrado no Incomplete]

Publicado por jpt às 02:30 AM | Comentários (0) | TrackBack

Sobre a quebra da fertilidade europeia (ler também os comentários, para os leigos).

Publicado por jpt às 02:27 AM | Comentários (0) | TrackBack

março 18, 2006

[Para o HMBF]

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No quase-madrugada um tipo apanha isto em andamento, vê sem saber o que é. E, muito honestamente, começa é a sentir-se mal do pulmonar.

Publicado por jpt às 05:47 PM | Comentários (1) | TrackBack

Dulce

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[Venda de Castanha e Mel; Gaza, Fevereiro 2006]

Publicado por jpt às 04:33 PM | Comentários (5) | TrackBack

Parece que ontem à noite, já velho de uma dúzia de anos, morreu o Projecto Roquette.

Não percebendo eu nada de construção civil e adendas dá-me a sensação que o falecido correu um bocado mal. Apesar do Inácio.

Publicado por jpt às 03:39 AM | Comentários (0) | TrackBack

Orgulho e Preconceito

Aos amigos perdoa-se (quase) tudo: até o poder.

Publicado por jpt às 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

Legislatura

O Bruno adere à tendência legisladora do bloguismo e propõe a sua lei fátua: quanto mais visitas menos comentadores e vice-versa. Da sua comprovação empirico-estatística nada posso dizer, faltam-me dados e métodos. Mas, indutivamente, posso garantir uma adenda: quanto mais um tipo se aplica num texto menos comentários tem.

(eis-me auto-promovido a assessor de blogoparlamentar)

Publicado por jpt às 01:20 AM | Comentários (7) | TrackBack

março 17, 2006

Salvé, Mambas

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[Dario]

283_jogador.jpg
[Paíto]

A este propósito a merecida (ainda que atrasada) homenagem a estes valorosos jogadores moçambicanos. Grandes Mambas!

Publicado por jpt às 12:56 PM | Comentários (12) | TrackBack

Publico a vénia privada.

Publicado por jpt às 12:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

Monty Python na RTP-África

passo agora pela sala, meia-noite e 2 ou 3 minutos, por lá esquecida está a tv ligada, enquanto busco entre-livros o raio do comando para a desligar atento na entrevista que decorre na rtp-a. Uma já não-rapariga de peruca (chamam-lhe extensões para disfarçar o emperucar típico de algum bas-fond) entrevista um senhor grisalho da ar bem composto, cuja gravidade repousada o faz refastelar no sofá. Cancro da próstata é o assunto, percebo-o, e o "senhor doutor" decerto médico. A careca pergunta-lhe (e é isso que me faz levantar os olhos e ir perceber o que se passa) se a masturbação tem algum efeito na prevenção contra o cancro da próstata. O respeitável médico, lá do fundo do sofá, apruma o olhar de menosprezo, aquele ar profundo do sábio, ajuizador mas daqueles das punições meramente morais, e deixa-lhe, até enfastiado, um "não, a masturbação é uma forma fictícia de prazer sexual" ...

Abençoada seja a tv do Estado, assim a lembrar-nos o demoníaco desperdício de Onan. Cantemos pois ... ou ouçam, os que o podem fazer.

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O horror, por Miguel Cardina.

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março 16, 2006

Imperdível

No já clássico Cocanha Zazie sobre monstros.

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Agitação nos bloguistas oriundos de Moçambique. O Gil acabou de reanimar, o Chuinga tem metamorfose em De Dingle a Amalfi.

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No Avatares do Desejo sobre a nostalgia daquela África.

Publicado por jpt às 11:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

Grande momento

O cromo do Manafá.

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Já agora, sobre a linguagem

não esquecer o exemplo acontecido com o jornal Savana, há tempos campeão da liberdade de expressão ao republicar as "blasfemas" caricaturas dinamarquesas e por isso atacado física e economicamente. Pois este campeão da liberdade tinha há meses censurado o seu cronista Fernando Manuel - este, numa das suas crónicas semanais, usou um português amplos. "Algumas famílias" queixaram-se do desbragado e logo, "a seu pedido" o jornal se comprometeu em não repetir a "prevaricação". Ou seja, ou o cronista faz auto-censura ao linguajar das crónicas ou a direcção as censura. É a liberdade de expressão.

Publicado por jpt às 07:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

O Carlos Gil voltou. Acabou-se-lhe o inter-rail.

Publicado por jpt às 04:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 15, 2006

Da linguagem por aí, na tv e nos blogs

Recebo os canais cabo da África do Sul. Têm tiques linguísticos engraçados. Em terra onde não se vendem bebidas alcoólicas ao domingo não surpreende o "Não invoques o nome de Deus em vão", e vai daí censuram todos os constantes "gods" dos filmes yankees, nem surdina é, mesmo silêncio. Puro puritanismo. Mas actual, que isto de estarmos às 8 e tal da noite com umas louraças a copularem, a serem penetradas (é muito mais elegante do que escrever "foderem", "assumirem* o caralho" como é óbvio), no constante "soft-sexy" do Hollywood série A, e se a alguma escapa um "ó my god", muito necessário ao reforço do box office dos galãs, lá vem o censor: fodam, perdão, copulem à vontade mas não invoquem o nome de Deus em vão.

Tem piada, confesso que não tenho muita paciência para ver uns tipos a esfregarem-se ali no ecrã, mas está bem, antes isso do que o telejornal da rtp. E a censurazinha, esta, até tem piada, coisas de paradoxo se nos lembrarmos da velha imagem padrão do puritano. Mudam-se os tempos, mudam-se as censuras ...

Mais piada tem quando as coisas aquecem no outro sentido, seja lá na guerra, que não há dia em que Hollywood A, B ou C não nos apresente marines, seals ou outros aferindo o mundo, seja nos policiais ou isso. Enquanto a rapaziada - sempre na hora das criancinhas, note-se - se aplica a esfacelar-se com arreganho, às vezes com até pouco realismo, outras mais tripas à mostra, jorros de sangue (é um must, cagar a câmara com sangue) e solavancos de "peidos-mestres", perdão, estertores agonizantes, seja no vietname, no afeganistão, nos subúrbios, seja ainda nos filmes de zombies série Z que são mais às 9 e picos, que isto de morrer no ecrã morre-se como o caralho, perdão, muito, enquanto eles se aplicam a esfacelar-se, dizia eu, e o ecrã se vai tornando vermelhusco, lá vêm os silêncios, cuidadosamente recortados, a cada "chupa-me o caralho", "fodilhão da tua mãe", "foda-se", "merda", "brochista". E, juro, que assistir a alguns filmes americanos mais recentes, sem legendas atenção, torna-se um bocado difícil, tantos os silêncios que ali vão surgindo, alguns diálogos imperscrutáveis, até pela desconcentração que tudo isso provoca. São contradições interessantes, acho, coisas de um puritanismo engraçado: meto-te uma bazucada pelo ânus acima mas que não se ouça que te enrabo.

Lá no meu país é (ou era, que me desactualizo) um bocado assim. Recordo as legendas celestiais que não traduziam o vernáculo estrangeiro, pura abstenção. E depois, sinais dos tempos, o ridículo do "sacana", "bolas" ou "caramba" em troca do "porco filho da puta", "colhões" ou "foda-se" em inglês. E no diz-que-diz lá na terra, filmeco, vilasfaias ou "conversas moles" nem pensar em arriscar a língua. Lembro que nos meados dos anos 80 um olivalense então célebre, e depois morto estupidamente cedo, Rogério Rodrigues Tell Tapia, foi à tv a um concurso de "talentos" fazer o seu número de "comédia em pé" e, na tardinha de sábado, dizer a sua ladaínha então semi-celebrizada em concertos do pop Radar Kadhafi (a qual, diga-se, era sempre a mesma, mas ao menos era dele) onde um dos pratos-fortes rezava assim: "...esfrega-me o caralho com brilhantina, besunta-me ele, esfrega-me ele..." entre outras peças deste quilate. E do que me ri ao vê-lo nisso, não da piada que não seria grande, mas do escatológico record vernacular que aquilo foi na paróquia ("ah, ganda olivais!!"). Depois, para aí 10 anos depois, dizem-me que Herman José avançou para estes territórios, mas não acredito que tenha ultrapassado o velho Tapia, em limites e em genuinidade. Talvez no cinema, talvez, ainda que algumas das "porras" que tenho ouvido mais parecem a Palmira Bastos a "morrer de pé". Acima de tudo por lá se mantém a ideia de que as caralhadas são muito dignas se em escritor de grã-porte ou marginal. Ou seja, o vernáculo agressivo, invocação ou dedicação, pertence (por direito divino?) à aristocracia, hoje a do pensar, ou (por ónus divino?) ao povo rasteiro, carroceiro. E Isto é nada mais do que a continuação da velha noção da alguma homologia, e cumplicidade, entre nobreza e povo e lá no meio, em distância ambivalente, a burguesia, bem comportada, equilibrada, a sobriedade, levando-se e levando "a sério", purificando comportamentos, apurando linguagens, no seu charme discreto: públicos discursos caralhadas privadas. Burguesotes de merda, a ver se sobem no escritório. E se, pelo aprumo, casam com o camafeu dotado. A sobrinha do chefe. Está nos romances, caralho.

Invocar o vernacular "palavrão"? Não se deve na "esfera pública", na representação do nós-mesmos. E arraste-se tal, com as togas do hoje, para o "palco público" do bloguismo. E dedicar o vernacular "palavrão"? Isso então nem pensar, grosseria redutora desta burguesia, antes de toga, agora de tecla, apoucar-lhe estatuto, brilho, sobriedade. E acima de tudo a competência, o desígnio. O colectivo, por soma de todos o que o são. Repito-me, o mandamento do "oqueéqueestefilhodaputaquer? privado" "meucaropermita-merespeitosamentediscordar público".

Não vou aí, e é assim. Por republicanismo, acima de tudo, a exigência de não dourar as origens. Nem o caminho. E porque a extensão da linguagem é significante e, em muitos contextos, ela não é substituível. É-nos necessária. E um direito. E, já agora, porque não casei com nenhum camafeu.

*esta expressão é minha, modesto contributo para a ideologia do "género", implicando a recusa linguística da passividade feminina no acto copular, crismada no popularizado "levar com ele".

Nota já agora: a propósito de uma discordância explícita (e condignamente reciprocada) com o Bombyx Mori há um blog snob (sem nome, anónimo), desejando-se acólito, que me dedica um texto ridículo de rococó, muito ofendido com um "vá à merda" alheio. E quer que eu lhe largue a mão - "largar a mão"? ... o pobre snob que leia a tralha acima e saiba os privados termos que lhe dedico. E já agora tire o link, não visite, vá andando, que a mãozita marota vem daí. E antes que se vá não saia sem o lembrete, quem opina e não assina é um bom montículo orgânico. Está bem assim?

Publicado por jpt às 05:44 PM | Comentários (9) | TrackBack

Nostalgia

Já em tempos referi a impressão que me fazem os "sítios" ou blogs dedicados à colecta de fotografias das ex-colónias portuguesas. Impressão dupla, nelas se sente uma saudade (às vezes saudosista outras vezes nem tanto) avassaladora, uma nostalgia, coisa pingada nas fotos de edifício em edifício, rua a rua, a velha igreja, as escolas "dos tempos", tudo isso embrulhado na velha toponímia, que o interesse de coleccionador raramente aqui se associa ao de historiador urbano, como se nessas pequenas atitudes, resistências, fosse o tempo não andar. E são também locais de mostra do "como era" o olhar de antes, muito as fotografias do cimento, raras paisagens pitorescas, e dos habitantes africanos escassas imagens, apenas "folclóricas", o típico da beleza de tal região, o velho de tal tribo, todos esses poucos eles feitos paisagem. São, pois, esses lugares educativos, espelhos de outros tempos, mas bem mais do que da "arquitectura" e "paisagística" que querem lembrar. Espelhos hoje do olhar de antes.

Nem é crítica minha, chega até a ser solidariedade diante dessas saudades, pungentes quantas vezes.

Uma impressão dupla fazem-me esses locais, dizia. Pois temo-os também meu retrato de futuro, em algum subúrbio almadense arrumando velhas memórias de onde nunca sairei. Em espelhos pungentes, então. Também.

Enfim, não será por isso que não visitarei este belo Maputo 100 Anos - a saga de uma cidade, cheio de reproduções de fotografias de Lourenço Marques/Maputo, trabalho paciente e apaixonado. Recomendável aos amantes da cidade. E de fotos/postais antigas.

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março 14, 2006

O Lutz conta a ex-Jugoslávia dele.

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Público e Privado

Público: Caro Afonso Bivar não posso deixar de me congratular com a referência que faz ao Ma-schamba, gentileza sua na qual é, felizmente, reincidente. A divergência de opiniões sobre o assunto em questão é notória, mas saúdo o humor com que as sublinha, uma bela peça de ironia. Reitero o apreço pelo seu Bombyx Mori, minha leitura diária e blog de referência. Até breve.

Privado: Afonso Bivar, sem merdas, pelo tom vá à merda. De resto passo. Já dei, o suficiente, para o peditório.

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Office Lounging bem sobre Milosevic e quejandos.

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As viúvas

Na morte de Slobodan Milosevic, cuspindo-lhe na campa.

As viúvas


Um ninho de águias, Tesanj. Cognome de lá, não meu chavão, talvez coisa de tempos de um turismo que naquele então nem pensar. Certo que já era paz, musculada ainda, de músculos sempre retesados por comboios de tropas internacionais em constante desfile. Não num showing the flag, nisso andávamos nós, que para elas o trabalho era mesmo o showing the force. Uma paz assim ainda de mata-bichar ouvindo da vala comum descoberta na véspera e a não querer ir ver “que não é o meu papel” “e abutre não vou”. E também assim ainda coisa de minas de quando em vez a rebentar levando alguns, até de “nós”, meros passantes, e nisso sabê-las num esconsas para não-histórias aos netos, mesmo sendo parceiro de quem, afinal?, não sabe ler mapas e por isso ouvir, súbito, um “We’re lost!!” em terra batida, “We?, caralho, We?, agora? militar de merda!!...” sem o dizer pois para quê? nórdicos duns cabrões, ainda que a este a cagança loura lhe morra neste dia, agora mesmo, e num foda-se de cóboi à antiga, e repetindo quesefodas de homem de hoje, decidir, agora chefe, que quem segue o caminho do sol há-de lá chegar - “driver, follow the fucking sun!”, que é tão fácil o inglês quebrado unindo tanta origem junta -, chegar até a essas garrafas que quando vazias, e ainda para mais tantas, tão espelho são do nosso medo de afinal meninos. Tenros.

Mas paz, acima de tudo e talvez por esse tudo mesmo, de gente montanhesa de braços abertos, em abraços de urso feitos de muita aguardente, e obrigatória, comida sempre a deles, e muita, e antes durante e depois cigarros alcatrão, muitos, todos, e nem pensar em retribuir. A darem o pouco daquela época, a exigirem dar o pouco de então. Coração grande como o tal abraço, gente respeitando-nos mais do que os nossos espelhos o fazem, e dizem-no, porque ali estávamos, naquele “ali” do qual sabiam eles bem mais do que o saberíamos nós. Gente então de “entidades” diziam-lhes e diziam, coisa de meia dúzia de kms montes acima e abaixo da “bósnia” à “sérvia”, e sem querer, uma curvita ou outra apenas, e logo na “croata”, e caminho à frente mais ou menos o mesmo “puzzlar”, labirintos de lugarejos naquilo. E eu, entre o nós, olhando-lhes as “fronteiras” sem as ver, gente quente como nunca sentira, naqueles abraços de urso matando-se por uma moita a mais, carreiro a menos, terra pouca, montanha apertada, montículos de pedras, árvores, riachos talvez, vegetação nada mais do que noutras línguas é capim. Caralho ... Matando-se muito por coisa pouca, diria alguém de fora. Disse-o. E se das terras não víamos as diferenças entre as gentes também não, talvez, talvez do tempo curto por lá, nem um Verão inteiro foi. Nem da língua, essa com tantos nomes para a mesma. Nem dos comes, esses que já disse muitos, nem da tal sempre aguardente. Nem tampouco da moeda marco de mão-em-mão, aquele marco se calhar muito causa daquilo tudo fui-me repetindo.

Gente parecida, repito, curto visitante. Uma jovem intérprete, claro, que os mais velhos, os da minha idade já então sorria eu, de estrangeiro só alemão e nunca o russo (e a este muito nunca). Muçulmana, num assim como as minhas sobrinhas, mesma idade e tudo, até se calhar os modos, ali fugida da cidade maior, lá da planície. Bonita dos dezassete anos, maquilhada em tons estranhos de escuros, cinzentos e roxos acho que lembro, sensação que me era de guaches, e eu a estranhar aquele exótico sem poder adivinhar que aquela menina saída da guerra e agora montanhesa me avisava as cores da lisboa do ano seguinte. No sol de fim de tarde chama-me um casaco vermelho na ponte de Tesanj, como não ir?, um cigarro mal fumado de ainda indeciso, ambos em pequena conversa e eu a estragar (de propósito?) o flirt, ou talvez mero devaneio, num regressar ali mesmo “aren’t you the same?”, e ela juro que estremece, depois olha por sobre a ponte, para além do rio, e sorri-me, de súbito num lento sorriso já da minha idade, “Na cidade, na minha turma”, ainda menina de liceu a menina, “na minha turma éramos trinta e três. Trinta éramos filhos de casais mistos. E não sabíamos...” Não é agora que me vou perguntar se assim era ou do como, resta-me a imagem do absurdo. Fico só, na ponte de Tesanj com aquele casaco vermelho rutilante, pois ela, entretanto, foi algures. Logo regressa, e se não atira a cabeça para trás não importa pois eu invento-lho. Não a beijo, acho-me ridículo, e é despropositado, ainda não tenho idade para lhe beijar a testa. E onde mais o poderei, agora? Assim? Depois, seguimos devagar cidade abaixo e eu deixo-a no café dos jovens, um dos três barzecos da cidade. Talvez se vá divertir, não o posso adivinhar, perder-se entre os seus, não repetir conversas estafadas, não seguir as curiosidades dos outros. Velhos ou estrangeiros. Ambos?

Eu sigo, para um dos outros dois cafés-bares. Locais de encerrar dias, e bem cedo, na companhia do patrício da missão. Poucas falas alheias, ou mesmo nenhuma, a tal língua que não partilhamos. Acenos sim, até sorrisos. Mas mais pouco, talvez um “hi”, que é “ái”, aqui e acolá. Beber um pouco e ficarmos no comentar, no ver. Ver o também pouco de vilória que nos rodeia, da gente nela. E no suave gostar, terra de mulheres muito, mas mesmo muito bonitas, e ali em costume de saírem sozinhas, grupos de raparigas, muitas e belas. E de, entre os sorrisos, passarem a olhares aos quais não tens coragem de desviar os olhos. “Muçulmanas?” ainda me comentou o patrício, surpreso no início. “Haa ... nada... primas...”, hei-de ter replicado. Os dois em devaneios, como não?, mas acantonados no recém-casados que somos, e ali muito pouco-pouco, rindo-nos até de nós próprios, a parábola das nozes e dos dentes. Como não, diante de tanta mulher livre, em terra de tão poucos homens. Mas de noite em noite conhecemos gente, e faz-se mesa, as cervejas são língua franca, sabêmo-lo bem. Sorte nossa, entre três ou quatro tipos um deles, uma mão estropiada, fala um inglês, mau, até pior do que o nosso, mas vai traduzindo para todos a alegria de ali estarmos. E de bebermos. Lá para o meio, e isto por causa das tais raparigas que hoje, como nos outros dias, enchem o bar, hei-de perguntar afirmando, se isto de tanta mulher só não será por causa da emigração, terra de montanha os homens seguem ao estrangeiro, não? E ele que sim, para a Alemanha principalmente. E, e nisto até sorri, mostra-nos a mão sem dedos e vai dizendo, “Mas também houve a guerra. Eu combati num pelotão de homens aqui de Tesanj, fui ferido e fui o único que sobrevivi”. Nós ficamo-nos, nem gagos, mas vá lá que hoje não é momento de lutos, uns goles logo e mais umas cervejas, entre histórias da terra, um passado que faz vontades de falar, vontades de ouvir. E de rir, claro.

Eu, entre a música e os copos, ainda sobrevoo a conversa e olho as raparigas, ali divertindo-se. É meu o sobressalto, talvez só meu. São-me agora viúvas. Viúvas solteiras.

Hei-de beber demais.

[14.3.06]

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março 13, 2006

Javalis no Jardim

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Ela: papá!!! papá!!!
Papá: São javalis...
Ela: é o pai.
Papá: é o pai. e são os filhos, e aquela é a mãe.

(deve ser por estas que o ma-schamba vai a blog feminino)

Publicado por jpt às 05:48 PM | Comentários (2) | TrackBack

Pois sai-me no meio da conversa: qual a verdadeira influência que terá a existência, ou inexistência, de um mito como o do Robin dos Bosques (e suas traduções locais)?

Publicado por jpt às 03:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ilha: sem cepticismo na "pedra-e-cal"

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Na Ilha de Moçambique será preciso não querer ser céptico. Mas é possível. Tal como é possível preservar para-a-frente.

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A mais campeã


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7 vezes campeã do mundo = Mutola

[Detalhes]

Publicado por jpt às 12:12 AM | Comentários (2) | TrackBack

Vamos lá ver se me safo 5

Olá, boa noite, eu chamo-me José Flávio e tenho um problema. Grave.

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março 12, 2006

Vamos lá ver se me safo 4

Ontem: 21

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março 10, 2006

Vamos lá ver se me safo 3

[alterado de madrugada]

Hoje: 15

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Imagens de Trabalho

Entre várias uma bela imagem de Trabalho - mas não no Abrupto.

Publicado por jpt às 12:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

Quem / quando (se) reedita O Bosque Proibido?

Publicado por jpt às 12:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ilha de Moçambique: passeando na pedra-e-cal

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[edifício desabado recentemente]

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Ilha Ruina Alargada.jpg

Publicado por jpt às 11:54 AM | Comentários (1) | TrackBack

Empate Luso

[Tem adenda]


pos. nome total visitas média visitas total páginas média páginas

8 O Espectro (stats) 164019 3806 245015 5887
9 Abrupto (stats) 2326876 3806 2988734 4244

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Não é por nada ... mas parece-me que o desporto do bloguismo luso passa a ser, a partir de hoje, "dizer mal do Vasco Pulido Valente".


Adenda: "das duas uma", ou esta minha ideia foi acertada ("presunção e água benta cada um ...") e "ala que se faz tarde"...; ou assistiu-se a uma magistral manobra de "maquiavelismo" bloguístico, e com que remate final. Para ambas um sorriso.

Publicado por jpt às 09:47 AM | Comentários (0) | TrackBack

Ideias Críticas, um novo blog, criado por Elísio Macamo. Para discussão entre sociólogos moçambicanos.

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Medalhas

Nos antigos regimes poucos eram medalhados (ou coisa afim). Alguns das ordens boas, gente filha de Alguém, coisas de casta. E, fora deles "alguns que da lei da morte" se iam escapando, normalmente por muito massacrarem ou se deixarem massacrar, interessante paradoxo muito dado a poesias épicas.

Nos hojes em dia muitos mais levam as medalhas. Muito muito porque todos somos filhos de Alguém. Massacremos ou não, massacrando-nos ou não.

Depois há aqueles que se ofendem porque o povo é muito e leva medalhas. Que acham que são coisas só para alguns. Eles e os seus, como é óbvio. Imaginam-se, claro. Dá-se-lhes um bocadinho de instrução e é logo isto, querem-se logo mais do que são..

Aborrecem-me estes ecos das conversas na copa. São os males da criadagem, são raros os que sabem estar.

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março 09, 2006

Vamos lá ver se me safo 2

Hoje: +/- 23

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Ma-Schamba blog feminino

Em pleno Dia Internacional da Mulher um comentador do Miniscente transformou este Ma-Schamba em blog feminino. Se promoção ou despromoção confesso que não consigo concluir. Vou rindo, ainda que algo desconfortável.

(E imagino o sorriso de algumas visitas, endobloguistas ou exobloguistas, ao lerem isto.)

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O tema (polémico) do dia

Dedicado ao Altino Torres.

B00006EXCC.01._SCLZZZZZZZ_

Sempre preferi os Rolling Stones aos melosos Beatles, este mero grupo para adolescentes sensíveis.

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Ilha: Capela da Nossa Senhora do Baluarte

A pequena capela de Nossa Senhora do Baluarte é a primeira instalação cristã na Ilha