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fevereiro 15, 2006
O bloguismo serve para alguma coisa?
Serve o bloguismo para alguma coisa? Digo, para além do lúdico egocentrismo? Vale como expressão de causas, grandes ou pequenas, alertas, chamadas de atenção, etc e tal? Talvez, mas isso depende do tonitruar do nome que "posta". Ao cidadão médio, do anónimo com nome, não serve para tal. Indutivo o raciocínio, e egocêntrico (claro, é bloguismo).
Prova? Fui agora ver o que se passava aqui há um ano. Tinha encerrado o estaminé, cansado. E escolhera um texto que considero o melhor de todos que aqui coloquei (se aqui é bom ou mau é critério alheio, mas dentro do aqui é o melhor): este. É um ensaio sobre Portugal e sobre os portugueses, assim eu a alcandorar-me a Lourenço ou Gil, já para não falar no agora centenário Agostinho da Silva. Sobre sua essência, retórica, processo (abrangente, como se nota. E, teoricamente, multicultural).
Pois em um ano passado está tudo na mesma. Talvez um pouco mais silvestre, presumo.
Serve o bloguismo para alguma coisa? Digo, para além do lúdico egocentrismo? Vale como expressão de causas, grandes ou pequenas, alertas, chamadas de atenção, etc e tal? Talvez, mas isso depende do tonitruar do nome que "posta". Ao cidadão médio, do anónimo com nome, não serve para tal. Apenas como espelho vaidoso. Rasteiro.
Publicado por jpt às fevereiro 15, 2006 05:10 PM
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Comentários
Mesmo se for apenas lúdico já se poupa em psiquiatras :).
Desde que comecei a ler blogues que li muita opinião e soube de muita coisa interessante (e eu já cá andava antes dos mediáticos todos). Mesmo quando leio disparates ou opiniões com que discordo (venham de quem vierem, não faço favoritismos vedetistas) aprendo sempre mais alguma coisa. Só por isso já vale a pena que milhares de pessoas bloguem!
Publicado por: Mário às fevereiro 15, 2006 06:53 PM
meu caro, não concordo com o "apenas lúdico", como aí diz. O bloguismo vale como lúdico, acho eu. Agora se o queremos transformar noutra coisa qualquer (o tal "denuncionismo", "avisonismo" que refiro) é que não vale de nada - a não ser, porventura, para quem o faz com tal nome conhecido. Ou por outra, serve para nos embicarmos nos pés (ridículo, e aqui sim, use-se o "apenas").
Publicado por: jpt às fevereiro 15, 2006 07:25 PM
Mas e o caro amigo alimentava alguma ilusão sobre a força da palavra anónima na mudança do status quo?
Publicado por: catarina às fevereiro 15, 2006 07:47 PM
eu nenhuma. só queria realçar dois pontos: a. o cúmulo de vaidade que algum ma-schambismo não lúdico denota; b. a inutilidade do múltiplo denuncionismo que (também) grassa noutros blogs;
e, para não ser desagradável, não faço conclusões mais gerais
Publicado por: jpt às fevereiro 15, 2006 08:07 PM
O texto, sintético, muito bom; as fotos de Cabo Delgado, excelentes.
Não sei para que serve o bloguismo, mas sinto que é uma ferramenta muito poderosa; espero descobrir para que serve e fazer o devido uso.
Publicado por: Manoel Carlos às fevereiro 15, 2006 09:35 PM
O bloguismo ainda é pequeno, pela mesma razão que os 1ºs jornais tinham edições pequenas. Analfabetismos.
É uma questão de tempo, pá. E pertinácia. Eu nem devia estar a dizer isto porque não tenho o trabalho que dá um blogue!Mas como me farto de ler e comentar...........acho que posso deixar uma bisca.
Publicado por: Carlos Indico às fevereiro 15, 2006 09:50 PM
Mas um blog também pode ser utilizado para isso sem ser ridiculo (veja-se a utilização que é feita desse formato para denunciar problemas urbanos - http://viveraltadelisboa.blogspot.com/ ).
Claro que estas denúncias caem em saco rôto e os "nomes sonantes" têm outros caminhos para verem resolvidos os seus problemas, mas é como soltar imprecações, não cura mas alivia!
Publicado por: Mário às fevereiro 15, 2006 09:55 PM
Meu querido e tão distante, agora, JPT;-)
Passei três meses fora e quando voltei a blog(ue)ar, eis que era essa mesma a pergunta que me fazia.
Escrevi. Você escreveu muito melhor.
Sabe o que penso, ainda que a título precário?
Que, tal como dizia Kant, é a pergunta que interessa. Muito mais que a resposta. Ela nos ajuda a não irmoa além do que às vezes nos cantam as nossas e as demais sereias.
Um grande beijo e a alegria pela ainda existente afinidade.
Meg
Publicado por: Meg às fevereiro 16, 2006 12:31 AM
ok, estou a ser um bocado assertivo. mas, honestamente, acho que um bocado da consciência da magnífica qualidade de brinquedo que isto tem não nos (sublinhar o nos) faria mal
Publicado por: jpt às fevereiro 16, 2006 12:37 AM
Algo na vida serve para alguma coisa?
A grandeza é nossa na espiral da pegada que vamos deixando no universo.
Publicado por: carlos arinto às fevereiro 16, 2006 08:49 AM
Descobri este blog há pouco. Gostei de umas coisas, doutras menos. Tal como noutros lugares, li algo sobre uma coisa que não conhecia. Acha pouco?
Serei um "cidadão médio, anónimo com nome", mas penso pela minha cabeça. E gosto de pensar que com coisas como os blogues somos cada vez mais a pensar pelas nossas cabeças, por haver mais termos de comparação, "food for tought". Acha pouco?
Não creio que o valor dos blogs seja apenas lúdico. É mais um meio de expressão, ponto. Com um grande potencial no sentido de recuperar a palavra escrita. Numa época dominada por um certo culto do instantâneo, parece-me bom que haja espaço para a reflexão implícita na produção de um texto (ou falta dela - muito pode ser aprendido pelo contraste). Sugiro pedagógico em vez de lúdico, que lhe parece?
Quanto ao post de há um ano atrás, fui lá ver. Não me surpreendeu. Em Cabo-Verde, Guiné, Senegal passa-se o mesmo, parece que os nossos representantes andam muito ocupados a digerir canapés e champanhe para se lembrarem da nossa História e aprender algo a partir dela. Sobre isto sugiro o http://notasverbais.blogspot.com/ para mais "food for thought".
Se calhar o seu post de há um ano não teve as consequências que eventualmente esperava porque tinha pouco alimento (como muito bem apontou o Morfeu no seu comentário). Estava à espera de quê? É que somos cada vez mais a pensar pela nossa própria cabeça, não ficamos só pelo "rasteiro"...
As melhoras para o ego ferido, parabéns pelo blog!
Publicado por: João Peixoto às fevereiro 17, 2006 09:22 AM
Carlos Arinto, assim cosmologicamente V. terá razão, nada serve de nada se da nossa pequena dimensão. Mas ainda assim vamos sendo algo, "valendo" um não-sei-bem-o-quê
Publicado por: jpt às fevereiro 17, 2006 11:38 AM
João Peixoto, obrigado pelas palavras. Não, não acho pouco, acho muito. Muito que aqui concorde/discorde, goste/desgoste, e que disto retire termos de comparação - não podia aspirar a mais. E também muito concordo com o que diz, com a recuperação (ou utilização pública) da palavra escrita por via da expansão do bloguismo.
Mas há algumas diferenças - talvez eu não me tenha explicado bem. Eu, como comentei acima, nada desvalorizo o "lúdico" - e o tal pensar/escrever como lúdico é corolário de tal ideia. O que quis sublinhar foi mais a ideia de que o agitar de causas vai contra essa minha ideia de lúdico, de pensamento/sentimento mais desprendido, mais eficaz para os tais "termos de comparação" que muito bem sublinha.
O "denuncionismo", o "causalismo" mais excitado (pecado também aqui) inibe isso e reduz. E, para mais, acaba por não resultar em grande coisa (Exemplo meu daquela velha entrada). E não, não é reflexão de ego ferido, é mais consciÊncia de que os discursos muito assertivos, muito certos de si mesmos, neste registo nosso "cidadãos médios, anónimos com nome" se tornam até ridículos pela falta de peso, sapos enchendo-se de ar. Mais vale, para "termos de comparação" descer do pedestal que os blogs simulam ser e que muitos de nós imaginam ser. Daí também o lúdico, aprendemos mais a brincar do que a tentar ensinar, acho eu.
Finalmente, terá alguma razão sobre os nossos possidentes. Mas eu acho que eles são escolhidos, mais ou menos amados por nós próprios. E mais resistentes ao tempo o quanto mais nos são parecidos. E, para mais, há imensas organizações que não sao do poder, institucionalizadas ou espontâneas: qual delas se lembra de arranjar um cemitério de "anónimos"? não seria imediatamente confrontada com a "inutilidade" ou o "anacronismo"? Isto é global, não é só dos possidentes. [estou crente que uma primeira página de Público e dois minutos de telejornal convenceriam qualquer ministro a recuperar um cemitério ou outra coisa qualquer]
E ainda, eu tenho um grande problema com o notas verbais, que naõ visito há muitissimo tempo: fala de dentro e não assina. Peca assim por deficit de honorabilidade. Um tipo de gente que não visito em casa e que não acolho à minha mesa -por mais "instrutivo" que possa ser o diz-que-diz
dobro o agradecimento pelo comentário, que me pôs, como vê, a comentar-me e, ludicamente, a conversar
Publicado por: jpt às fevereiro 17, 2006 11:56 AM
Vejo agora que não se lhe aplica a alfinetada do ego ferido, não havia razão para tanto. Lamento o comentário, mas como bem aponta, muitas vezes o bloguismo tende para o tal lúdico egocentrismo e deixei-me levar pelas aparências.
Agora, quando diz que o posicionamento "lúdico" lhe parece mais eficaz, discordo. Correndo o risco de pôr o carro à frente dos bois, acho que o posicionamento "lúdico" de toda a imprensa actual e da cultura em geral tem feito muito mal a todas as causas, grandes ou pequenas. Em última instância, tem-nas esvaziado de significado e levado à tão badalada "crise de valores". Ora os blogs poderão ir pela mesma linha (como vão muitos dos "consagrados"), mas também há muitos que não, e nesses reside o grande potencial que lhes reconheço.
Os discursos muito assertivos de que fala podem tornar-se ridículos, sem dúvida. Mas esta sua frase:
"Daí também o lúdico, aprendemos mais a brincar do que a tentar ensinar"
...provoca-me arrepios. Lembra-me as reformas na educação de que fui vítima/actor secundário como membro da "geração rasca". Por causa do "lúdico" tenho/temos uma grande dificuldade em separar o trigo do joio. Em última análise são as falhas na nossa educação que nos deixam tão "à nora"...
...e isto leva-me ao seu último comentário. Olhe para além dos "possidentes". Pode ser que "uma primeira página de Público e dois minutos de telejornal convenceriam qualquer ministro a recuperar um cemitério ou outra coisa qualquer", mas recupera de alguma forma o pensar histórico a que faz alusão no post de há um ano atrás? Isso dá muito mais trabalho, não me parece que se consiga com essas notícias "lúdicas". A cidadania não é só um direito adquirido, é difícil e exigente. E para funcionar requer rigor na informação. Conteúdo. Faço-me entender, ou acha muito esotérico?
Quanto ao NV, também me faz confusão o anonimato. Que quer? É o não morder na mão que nos dá de comer. Mas se tomar as coisas com um grão de sal e sobretudo confrontar o que lá é exposto com outras fontes (o que dá bastante trabalho), pode ser útil. Por isso lá continuo a visitar a casa dessa gente, se eles tiverem uma agenda a impor, também eu posso ter a minha quando lá vou...
Ainda bem que há espaços assim onde podemos conversar. Peço desculpa se eventualmente soo petulante (não tenho essa intenção), mas não tenho jeito para o registo lúdico. Felizmente você tem. Abraço
Publicado por: João Peixoto às fevereiro 17, 2006 08:36 PM
não tem que lamentar o comentário. aliás acho que o texto pode muito bem ser lido como de um "ego ferido" - bem, há tantas interpretações como leitores, mas para além dessa fluidez também acho que essa interpretação nem seria muito forçada. mas não é o caso, só isso. para além disso isto do comentarismo bloguístico é também isso mesmo, "alfinetadas" (e confesso que volta e meia acontece isso, comento alhures e os prezados bloguistas zangam-se, o que acho um notório exagero)
Quanto ao tom lúdico com o qual V. discorda, em particular ao encontrá-lo na imprensa (e na cultura em geral???), temos uma discordância muito grande - é que eu não entendo o bloguismo como para-imprensa. Pelo menos para mim isto é um diário público e espaço de conversa-catarse, nada mais. Daí o sublinhar o tom lúdico. Quanto ao tom pedagógico desconfio dele, até porque acho que um boa conversa, uma boa brincadeira, nos pode ensinar bem mais. Para além disso sou professor, se viesse para aqui pedagogizar isto tornava-se uma extensão de trabalho e não o hóbi que é. E para mais, e aqui é o fundamental, acho que o tal tom pedagógico que V. defende é o que está mais presente nas vertentes "denuncionistas" que por aí andam (e aqui por vezes, deslizes por via de humores quotidianos), um tom pedagógico muito associado ao magister dixit bloguístico. É ridículo? Acho que sim, muitas vezes. Mas o pior é que na maioria dos casos é assumido por gente muito pouco magister ("cantam bem mas não encantam"). E isso não vem bem pelas "falhas da nossa educação" (a cuja creio ser muito melhor do que há algumas décadas, já agora, se me permite o comentário lateral, onde os liceuzitos da burguesia se contavam pelos dedos da mão e dos pés, e os outros tinham a extraordinária e sempre muito gabada 4ª classe, quando a tinham, e depois iam para a horta, para serventes ou emigravam), vem mesmo (as falácias do magister dixit assertivo no bloguismo) das muitas certezas costumeiras, e do facto de que aqui todos (ou quse) escrevemos sobre tudo, não sabendo (quase)nada da maioria desse tudo sobre o qual se quer tonitruar. Para a tal grande informação sobre os temas sobre os quais falamos para exercer a cidadania então isso implicaria uma grande especialização bloguistica (Acontece em alguns casos) mas também uma para-profissionalização dos blogs - eu não tenho tempo nem interesse em estudar dossiers e livros para poder falar de um assunto qualquer aqui. Posso dar umas ideias, deixar sair alguma irritação, apoios etc. MAs se levo isto muito a sério então estou a ser ou inconsciente (dos meus limites), até pomposo, ou desonesto (até comigo mesmo).
Permita-me, sem malandrice, mas se não tem jeito para o registo lúdico esforce-se para o ganhar. Envelhecemos mais devagar com ele. Cumprimentos, obrigado por esta conversa comentarística
Publicado por: jpt às fevereiro 18, 2006 07:34 PM
Ok Ok, leve lá a bicicleta. Tem toda a razão, noto que este espaço não se pretende de "informação" e só tem a ganhar com o tom lúdico. Haverá outros que sim, a esses se aplicarão exigências de rigor (por ex. ao NV de que falámos).
Ainda assim, porque sou teimoso, breves comentários para que perceba melhor do que estava a falar:
1º - a cultura em geral, sim. Que faz com que por exemplo se promovam peças de teatro vulgaríssimas ("Quase Amores", teatro de S. Francisco - Carnide - em cena, subproduto Morangos com Açúcar com bons patrocínios) em detrimento de companhias com actores profissionais, que andam à míngua. Dou o exemplo porque acabo de a ver, mas muitos outros há. Porque se valoriza o que é muito fácil de absorver ("lúdico"), deixa-se morrer o que dá mais trabalho (e com que se aprende mais, digo eu).
2º - já há a meu ver uma profissionalização de alguns blogues. O que tem aspectos positivos. Há gente que tem essa paciência de estudar a fundo um assunto e que se preocupa em fundamentar o seu "denuncionismo". Descartá-los só por o fazerem através dos blogues não me parece honesto. E não acho que você o faça, mas que os há, há.
3º - não posso falar pelo sistema educativo à antiga, mas a avaliar pela 4a classe do meu avô, que começou pastor e acabou a fazer violinos, acho que perco em comparação. O sistema actual estará mais rico em "conteúdos", mas será que nos ensina a resolver problemas? Tenho as minhas dúvidas, até na faculdade de engenharia o que está na ordem do dia é o empinanço inconsequente de matérias.
Encaixo a alfinetada e assumo que preciso de aprender a brincar. É defeito de fabrico! Agora se me dá licença, vou a Cabo-Verde brincar ao carnaval ;)
Bom fim de semana
Publicado por: João Peixoto às fevereiro 19, 2006 04:41 AM
Mais do que tudo, bom Carnaval...
1. da cultural em geral aí pouco posso falar - apenas (e isto não é obrigatoriamente consigo) desconfio do tom decadentista que surge nos discursos sobre a cultura (Além da dicotomia cultura boa e má, alta/popular, séria/baixa, etc)- v. fala em teatro, há mau teatro, ou simples, tem patrocínios etc. E há 10 anos ou 20 ou 30 haveria pior teatro e menos apoios para aquele que v. considera bom? não me vou para aqui por a falar de práticas culturais, mas em tantas áreas surge isso do agora é mau, só se vê coisas más, e isso não me parece nada empírico, entre o tal decadentismo, o policiamento de práticas (desejo de) e, acima de tudo, desvalorização da multiplicidade crescente de produções e consumos
2 - longe de mim descartar algo só porque é blog "profissional". acho muito bem que surjam (já aqui há uns meses andei às simpáticas turras com o paulo querido do weblog por causa de blogs remunerados, os quais serão uma das formas de profissionalizaçao) - mas eles serão uma parcela de bloguismo, talvez mais perto de orgãos de comunicação, e aí a responsabilidade da profundidade bem maior
3. sobre a educação acho que v. me terá compreendido. nem falo em conteúdos - falo da expansão do sistema de educação a praticamente toda a população e do alargamento (ok, ainda incompleto ) da pirâmide educativa. Os reacccionários invisuais continuam a falar da 4º classe dos tempos de salazar, e dos belos liceus das avenidas novas com o antónio gedeão e etc a serem professores. Depois são todos muito democratas, mas mostram bem o pequeno mundo em que vivem quando não percebem o que isso significa
Para mim é igual aos que se lamentam da decadência cultural pois já não há tertúlias de café, estes agora todos hamburgarias e as pessoas desinteressadas/Desinteressantes
bom domingo, boas danças. e por um carnaval sem máscaras
Publicado por: jpt às fevereiro 19, 2006 09:09 AM