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Ma-Schamba: Mais despropósitos

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fevereiro 14, 2006

Mais despropósitos

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"Sei que não está na moda afirmar o que se segue, mas a procura abnegada da verdade abstracta é culturalmente específica: a sua história é relativamente curta, e possui uma geografia muito própria".

(George Steiner, Nostalgia do Absoluto, Lisboa, Relógio d'Água, 2003 [1974], p. 71)

Publicado por jpt às fevereiro 14, 2006 06:13 PM

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Comentários

Ou não percebi de todo esta afirmação, ou para concordar com ela tenho de pôr de lado o Tales de Mileto, o Lao Tsé, nem o Confúcio, o Zaratrusta e até os maias (e com isto ponho de parte vozes que vão para lá do século X a C) ou então tenho de dizer que a existência do homo sapiens é uma coisa também relativamente recente, e que a geografia da terra é muito redonda.
A que se refere a frase, afinal?

Publicado por: Susana Bês às fevereiro 14, 2006 06:55 PM

(arredondando qualquer involuntária aspereza resultante do modo perguntadeiro): fiquei interessada deveras na frase.

Publicado por: Susana Bês às fevereiro 14, 2006 07:01 PM

não há qualquer necessidade de arredondamento perguntadeiro.
nas palavras do douto autor "ciências filosóficas ou naturais"
sem displicência, se o interesse é grande, é melhor ler o livro, 70 páginas rápidas, registo de conferência; não dirá nada de particularmente novo (também tem 30 anos o original) mas é agudo. repito, este fw para o livro não tem displicência, mas o desacordo imediato que o "tom perguntadeiro" denota talvez mereça melhor retórica "convencideira" do que o meu pobre teclado.
isso está aí por malandragem minha: fui treinado em duas vias, aceitar as cosmologias alheias (dignidade, até se dizia), procurar-lhes a lógica (racionalidade dizia-se) [demanda incessante e infinita, é a poesia da coisa, de tal forma impossível é a tradução que dá direito a resultados poéticos, dizem alguns], aceitar-lhes paralelismo "cultural" (estamos em comment in-blog); por outro lado crer na superioridade do saber que assim procura, nem que seja pela consciência (por vezes limitada, por vezes autofágica) dos seus limites, lógicos, retóricos, contextuais ("culturais", "sociais", políticos). Fico-me, cada vez mais velho, crescentemente surpreendido com quem se agarra ao primeiro item, esquecendo o outro. Muitos colocam a equação "conhecimento=poder" e depois surpreendentemmente chocam a dignidade de outros conhecimentos sob cujos poderers pelos vistos gostariam de gemer (dá a sensação, tamanho o elíptico do raciocinio)
há dias cheguei via links a um bloguista mui afamado, mas que não costumo ler, que inclusivamente ia ao gandhi, e à sua extraordinária frase "seria uma boa ideia" sobre a civilização ocidental. e usa-a literalmente, num total desvario de descontextualização que é ou ignorância (porquê contextualizar o discurso "próprio" e não o "alheio"?) ou perrice de menino, a fazer-se engraçado [p.ex. o discurso de equidade pós-castas de gandhi não é absolutamente original ne india, mas é maturado da modernidade igualitária ocidental] - o rapaz faz mais ou menos o mesmo cansativo discurso do "a minha pátria é a lingua portuguesa", toda a gente usa para baixo registo
desculpe lá o encadear atabalhoado da resposta, mas veio-me à tecla

Publicado por: jpt às fevereiro 14, 2006 07:43 PM

A perguntadeira agradece, mesmo com a remissão.
A perguntadeira também recebe com honras o encadeado, pelas chaves que oferece, com ácido acetilsalicílico e tudo, e regozija-se por observar essa paisagem com sítio para o "nós" e com sítio para "os outros". Concordo que nestas coisas é um pouco como entre nós e a família: desafiar os ditames avoengos, querendo fazer mais e melhor, não implica renegar as origens. Até porque elas nos acompanham como sombra.
Quanto ao Steiner, hei-de cheirá-lo numa próxima ida a uma livraria. Valeu pelo momento.

Publicado por: Susana Bês às fevereiro 14, 2006 09:09 PM

eu diria mesmo mais, acompanham-nos como entranhas. pena que tantos apenas lá tenham bílis. e ...

Publicado por: jpt às fevereiro 14, 2006 09:47 PM

Eu so queria que me desse,o resumo do livro,na parte de Terá a vida um Futuro?

Publicado por: soraia às dezembro 11, 2006 12:55 PM

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