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fevereiro 01, 2006
Literatos
No topo-bloguismo português vai uma grande discussão sobre crítica de literatura, do quem pode e como pode botar sobre tal matéria [cuidado arquivo da discussão aqui]. Coisas que me ultrapassam, mero licenciado em antropologia social e tendencialmente preguiçoso leitor (sem teoria e com pouca prática). Mas dão-me ideias de que escrever sobre literatura não deve ser diferente do que escrever sobre outra coisa qualquer. Escrever com saber, digo. Pedem-me para escrever ou falar cá sobre as minhas (nossas) coisas (menos charmosas, é certo, que as literatas)? Precisas de teoria e de prática. E de redes, daqueles que te ensinaram, daqueles que aprendem. Dos que discutem. Daqueles que estão contigo (e dos que estão contra ti). Dos que te pedem, convocam. E dos alguns que até te ouvem. Depois é viver mais ou menos honestamente, mais ou menos impregnado da teoria e da prática, mais ou menos tonificado/poluído por amigos/inimigos/in-between (e estes três polos tonificam e/ou poluem consoante cada um de nós e o dia em que ocorre).
Crer no resto é esse absoluto liberalismo tão em voga, o do mercado, aqui o do mercado meritocrático. Confesso, já me falta paciência para os extremo-"liberais", os da crendice a-social, "armchair thinkers" aspeado que qualquer disciplina de "introdução à antropologia social" seja lá onde for ensina o que será. Até agora os da economia (que eles, éticos, apartam do resto, que tem fluídos e fezes). Agora até na versalhada e requebros novelescos. Rais parta a moda.
E, no meio desta denúncia toda da gente viver uns com os outros, não posso deixar de notar esta saída no Blue Everest: "A literatura, que é coisa privada, anda assim nas bocas do mundo; que mau gosto".
"Eu nem digo nada", já disse que não percebo nada do assunto. Julgava que aquilo era público, que a esmagadora maioria dos escritos era para publicar (ok, eu também ouvi falar do kafka e sei quem era o tal brod), era para a gente ler e comentar, passar e ensinar, recomendar ou monozar. E até para, alguns, criticarem. Mas afinal não, é mesmo privado. Longe das bocas do mundo, para o bom gosto da boca-de-druída-para-ouvido-de-druída. Eles no privado. E nós cá em baixo, com fluídos e isso. Fezes. Temos ou somos, nem sei bem o que acham.
Cada vez mais gosto da palavra "reaccionário". Não sei bem o que significa. Mas tem que ser isto.
Comentário de J. Camilo: "pelos vistos, pimentel, escapou-lhe a ironia dessa referência à literatura como "coisa privada"... paciência. se ler bem o blogue a que se refere dificilmente encontrará por lá essa visão elitista a que parece referir-se ou alguma falta de consideração por quem não é literato ou especialista..." - escapou sim. E se quer saber tamanha a surpresa diante disto vindo daí que não resisti à investida. Pelos vistos contra o capote. Alguém me cortará orelhas e rabo, que isto de figura de urso, aliás, touro, não tem perdão unânime.
Publicado por jpt às fevereiro 1, 2006 12:43 AM
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Comentários
pelos vistos, pimentel, escapou-lhe a ironia dessa referência à literatura como "coisa privada"... paciência. se ler bem o blogue a que se refere dificilmente encontrará por lá essa visão elitista a que parece referir-se ou alguma falta de consideração por quem não é literato ou especialista...
jc
Publicado por: J. Camilo às fevereiro 1, 2006 04:29 AM
no problem, josé. a minha estima não sofreu sequer interrupção. e o que é este pequeno malentendido comparado com as graves questões que se debatem noutros blogues? nada, niente, rien du tout. além disso o sporting deu um banho de bola aos nossos amigos da outra circular. além disso a primeira escola primária que frequentei era nos olivais... que segundo entendi é a sua terra. abraços. :-)
jc
Publicado por: J. Camilo às fevereiro 1, 2006 07:28 PM
o sporting ganhou mas, e já lá está abaixo comentado, não serviu de nada, o jogo foi protestado e anulado (ainda que haja recurso, mas de pouco provável aceitação): o estádio da luz não tem licença para bailado
Publicado por: jpt às fevereiro 1, 2006 07:34 PM