fevereiro 24, 2006
Horrores
É um texto que não consigo escrever - ler isto, querer deixar-lhe elo, acompanhado com algo substantivo mas só me saem coisas parvas, horrorizadas, demagógicas até. Eduardo Pitta terá sentido o mesmo? e por isso a mera citação que tudo diz, do horror, o horror lento por isso-pior-que-tudo. E do horror escroque, ali manipulando, "alegando"..."alegando"...."alegando".
Não são horrores. É o horror. E, tão menos importante, o nojo.
Publicado por jpt às fevereiro 24, 2006 09:18 PM
Trackback pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://maschamba2.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/123558
Comentários
No momento em que leio o seu post, ligando ao meu, ouço na tv um padre a justificar o injustificável: «um rapaz, não deste grupo, mas também das oficinas de S. José, queixa-se de ser assediado por um pedófilo sempre que sai à rua... portanto, temos que compreender a revolta destes jovens...». Contra isto, dizer o quê?
Publicado por: Eduardo Pitta às fevereiro 24, 2006 10:19 PM
sabe, eu posso tentar compreender o bando de assassinos (custa, mas estamos cá para isto) - é que se "as crianças são uns monstros" não é de crianças que se está a falar, são uns homenzinhos e uns rapazolas, já se desmonstrizaram.
mas o que não consigo compreender são essas putas que escrevem em jornal - o que é aquilo, que nojo é aquele? Não é nada importante face ao que aconteceu - mas exactamente por não ter importância, gravidade, para quê? para quê tanta miséria?
Publicado por: jpt às fevereiro 24, 2006 10:26 PM
Exactamente. As alegadas jornalistas, as alegadas crianças, o alegado excesso... Acabei de postar, é o tipo de coisa que exige reacção.
Publicado por: Eduardo Pitta às fevereiro 24, 2006 10:46 PM
Infelizmente nada disto me espanta. Imagino a matilha, pois lembro-me da minha infãncia, dos bandos e da sua violência. O instinto canil e sádico de torturar o mais fraco está sempre latente. E todos andam sempre a procura duma vítima exterior para se vingar das humilhações que sofrem permanentmete no interior.
Falta só a sensação de impunidade, para varrer o resto de inibição e da fraca memória dalguma decência.
Facilitou que a vítima não tinha valor. Um travesti, sem-abrigo com sida.
Noutros tempos, na minha terra teriam chamado isto uma expressão do "são sentir do povo" (Gesundes Volksempfinden). O mesmo que denotamos tão bem no artigo do Público e no depoimento do padre.
Publicado por: Lutz às fevereiro 25, 2006 12:41 AM
Desculpe lá, Eduardo Pitta, mas o que o padre disse, que foi típico de alguns padres que vamos tendo, não foi bem isso. Eu também ouvi o padre e, até me custa dizê-lo, mas não foi bem isso que ele disse, ainda que não seja difícil as pessoas perceberem o que você percebeu tendo ele dito o que disse tal como o disse. Ufa!!! E o que disse o padre? Que com os casos todos de pedofilia associados a instituições como aquelas onde aqueles jovens “vivem”, estes tendem a exasperar-se perante a hipótese de isso lhes acontecer. Ou seja, bastaria alguém ter dito a um daqueles jovens que a vítima era uma pedófilo para que a reacção se desencadeasse. Quem lida com estes miúdos sabe bem do papão que é hoje a pedofilia para eles e sabe bem que facilmente se manipulam vontades com papões inventados. É preciso termos muito cuidado nos juízos que fazemos acerca deste caso, sobretudo porque ainda não sabemos nada. Apenas desconfiamos. Eu, para já, gostaria apenas de questionar o funcionamento dessas instituições de apoio a jovens de/em risco. Que sistemas de valores são aí transmitidos? Que eficácia têm em termos de socialização? É isso que é importante questionar, para já. Porque sobre o crime não sabemos nada de nadinha.
Publicado por: hmbf às fevereiro 25, 2006 01:32 PM
Começo por pedir desculpa ao Pimentel Teixeira por estar a parasitar a caixa de comentários do seu (dele) blogue. Mas não quero que o Henrique Fialho pense que fujo à questão. Se reparou, eu escrevi «cito de cor». Da arenga do padre, retive o que citei por palavras minhas. O Henrique Fialho reteve a ideia de que «bastaria alguém ter dito a um daqueles jovens que a vítima era uma pedófilo para que a reacção se desencadeasse». Já reparou na enormidade? Então uma pessoa no seu perfeito juízo, e por maioria de razão um padre, «relativiza» o sucedido (um crime) com hipotéticas exasperações...?
Publicado por: Eduardo Pitta às fevereiro 25, 2006 06:51 PM
Eu não quero defender o padre, eu não quero defender o padre, eu não quero defender o padre, logo eu que detesto padres (e generalizações)! Mas algo me obriga a dizê-lo, mesmo colocando a hipótese de ter sido eu a ouvir mal, mesmo admitindo estar completamente equivocado, que o padre não pretendeu relativizar o crime. A mim pareceu-me que ele pretendia relativizar a culpabilidade dos suspeitos (não confundir com responsabilidade, coisa bem distinta). O problema aqui é só um e não nos cabe a nós extrapolá-lo, escamoteá-lo ou especular acerca dele. O problema dos móbeis, das intenções, dos motivos, não é de todo da nossa conta. E eu hoje já ouvi de tudo. Por exemplo, isto: «se era mulher, não pode ter havido homofobia». Imagine-se! Mas imagine-se também que na cabeça daqueles adolescentes a diferença entre um homossexual e um pedófilo pode ser, repito e sublinho pode ser, nula. Eu sei que assim é, pois já pude constatá-lo diversas vezes (com jovens a serem “educados” em instituições do género e outros, meus formandos, em instituições públicas). É claro que para mim terem assassinado um sem abrigo, um sem abrigo travesti, um sem abrigo travesti toxicodependente, ou até, imaginemos, um sem abrigo travesti toxicodependente pedófilo vai dar ao mesmo: assassinaram. Fui dando conta dessas mutações de perfil aqui: http://antologiadoesquecimento.blogspot.com/2006/02/maquilhagem.html. O que me parece é que não podemos excluir nenhuma das hipóteses para podermos, posteriormente, avaliar o que possa e deva ser feito quanto a este assunto. Daí que (está-se-me a remorder o estômago) até tenha compreendido as afirmações do… p…a….d…r…e. Mas repito: você é bem capaz de ter razão e o padre é bem capaz de ser um energúmeno. Deus nos valha, principalmente a mim que sou ateu.
Publicado por: hmbf às fevereiro 25, 2006 09:44 PM
como deixei na caixa acima eu não quis opinar sobre o crime (mata esfola vs libertem as pobres vítimas) - comovi-me com o horror lento, tão diferente e mais perverso do que as erupções individuais ou colectivas. e espantei-me quase até ao desmaio com o texto miserável
sobre o crime, se é ou não, suas causas, culpas e desculpas, passo - não sou blog de crimes, nem o portugal profundo
sobre o jornal, insisto, a comunicação não é flat, não é mero mercado, é produção de gente. e este pormaior revolta-me
sobre o padre (contra os quais nada me move, a priori) não ouvi, não comento, como é óbvio - mas pior do que 4 mãos a escreverem um texto daqueles num jornal de "referência" (merda de povo, de país e de bloguistas que têm aquele lixo como referencia) não poderá nunca ter sido
Publicado por: jpt às fevereiro 26, 2006 07:48 PM
Eu já ouvi pessoas a comentarem num café esta morte, e a dizerem frases como «menos um». Não vale a pena discutir o que é mais deplorável; é tudo.
Publicado por: Carlos Azevedo às fevereiro 28, 2006 02:58 AM
Horrores CA - e ao lê-lo até imagino a produção de anedotas.
Publicado por: jpt às fevereiro 28, 2006 08:14 AM
JPT, isto é um desabafo: hoje, uma amiga do Porto, psicóloga, disse-me que uma colega dela que trabalha numa equipa de rua com prostitutas sabia serem frequentes as perseguições. Mas o pior é isto: como a Gisberta, parece que existem umas tantas a quem é frequente ouvir relatos de violações, ameaças, introdução de objectos no ânus, pelos próprios clientes. Estará alguém por aí interessado nos vivos?
Publicado por: hmbf às fevereiro 28, 2006 09:25 PM
é. é um mundo cão. eu não costumo interessar-me muito pela maioria dos vivos. aliás, seria para o insuportável. passo ...
Publicado por: jpt às fevereiro 28, 2006 10:34 PM