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Ma-Schamba: Good Governance

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fevereiro 20, 2006

Good Governance

Quando se fala em cooperação (Ajuda Pública ao Desenvolvimento, bilateral ou multilateral), da sua necessidade em África, há sempre umas excelsas luminárias, mui viajadas em capitais europeias e estâncias semi-tropicais de turismo sexual, que dissertam sobre a sua ineficiência, mero desbarato do dinheiro dos contribuintes "ocidentais", tudo isso devido às corrupções africanas, realidade provavelmente congénita ou, quanto muito, filha dos estados barbáricos em que tais populações ainda vivem. E, se em conversa, se contra-argumenta não só pela sua necessidade como pela panóplia de instrumentos que a procuram tornear, toda essa "condicionalidade política" a que chamam(os) "good governance", enciclopédias de procedimentos que os Estados receptores têm que cumprir para continuar a receber os fundos internacionais, logo todo esse mundo desconhecido aos prestáveis opinativos é desvalorizado, logo surge a "empiria" deles conhecida, o ministro da Bordúria que pede dinheiro, o polícia de trânsito da Sildávia que é ladrão.

Ora a maioria do dinheiro que em Portugal se investe em obras públicas é de origem europeia (os "fundos estruturais"). Entenda-se, é ajuda pública ao desenvolvimento. A situação é similar, até análoga, ao acontecido em países africanos. A corrupção grassa, e os imbróglios públicos na Justiça são seu mero reflexo. Grassa e bem mais e muito do que em países africanos - há mais taco, há menos controle externo. Esta inversão custa muito ao olhar racista interno. De vez em quando alguém abre a boca e mostra um pouco do estendal corrupto que o sistema político português é: do governo até cá baixo. Depois tudo passa. E quem continua irritado, quem protesta e desconfia, enojado, quanto muito leva com o epíteto de adepto do "independentismo", se entre simpatias bloguistas. E pior, se noutro palco qualquer.

Há anos que o penso: Portugal, como receptor da Ajuda Pública ao Desenvolvimento, precisa que se lhe cerrem mais as obrigações de "good governance". O controle sobre a sua decadente administração pública e corrupto sistema político tem que ser assumido por instâncias internacionais, segundo os ditames da "good governance". Para que haja desenvolvimento. Para que haja democracia. Hoje, em Portugal, ser um "nacionalista" consciente é estar consciente de que é necessário prescindir de uma retórica "soberania nacional".

Nota lateral: Às vezes aqui no Ma-schamba ao escrever sobre Portugal irrito-me um bocado demais, o tom da escrita azeda. Agora elei um texto elucidativo chamado "Nojo"! Talvez as visitas mais frequentes possam compreender o azedo de alguns textos daqui. É que eu não tenho nem mais um grama de nojo por quem é político corrupto do que por quem o apoia. E tenho muito mais nojo por quem escreve, in-blog ou out-blog, favoravelmente a esta cáfila (ainda por cima quantos com ares de desprendidos, como se superiores) do que por ela mesma. Um corrupto ao menos está a fazer pela sua vidinha, e da dos seus amigos. Um teclo-apoiante faz o quê? Sitemeteriza-se?

Publicado por jpt às fevereiro 20, 2006 01:47 AM

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