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Ma-Schamba: fevereiro 2006 Arquivos

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fevereiro 28, 2006

Texto liberal

No Chile em 1973 e seguintes mataram-se algumas pessoas (para aí umas 3000 pessoas, parece que não mais, em Cuba é pior, na Argentina foi pior, e isto é só para dar exemplos). E foram muito bem mortas, eram radicais marxistas, queriam fazer o socialismo. Ainda bem que se teve a coragem de os eliminar.

Meses depois de vez em quando, de clic em clic, ainda me lembro disto. Coço a cabeça e clic, clic. Não gosto vou-me embora, clic, clic. Sem deixar de pensar que isto do bloguismo às vezes, muitas vezes, é uma pantominice.

Adenda: "Há coincidências". Este texto do Tugir alerta-me (mesmo que não seja a intenção ali) que isto poderá ser entendido como um texto sobre o Blasfémias, agora em pleno segundo aniversário (e a propósito deste) [parabéns]. Mas não é. Pois ao aniversário em questão cheguei bons clics depois. Mas não por isso. Por mais que des-goste de muito Blasfémias nunca ali vi defendido e louvado o massacre de alguns (ainda que poucos, não é assim?) milhares de pessoas. É alhures que se encontram tão louvados louvores, tão arreigado "liberalismo". Certo que a pantomina será transversal, os abraços, louvores e admirações por tão sanguinários "liberais", idem. Mas o afã tem local.

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Cartoons em Moçambique

Sobre a publicação das caricaturas dinamarquesas pelo jornal Savana é de ler o interessante artigo de Elísio Macamo: Liberdades Perigosas e Soberania. O qual, como se bónus fosse, traz uma fábula deliciosa.

Publicado por jpt às 03:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 27, 2006

Obrigado

Sobre a minha irritação com Che Guevara e os seus seguidores já andei por cá a resmungar. Daí o meu obrigado superlativo a Valter Hugo Mãe pela pedrada atirada.

Não esquecendo um excelente texto no ido Comprometido Espectador. Junto ainda os meus: Che Guevara na Feira Popular, Camisas em T, Os mitos e a inteligência (sobre o guevarismo de Mário Mesquita), Ainda o contraditório, Lobo Antunes e Che, O Guevara e a Jóia Vitaphor. Tanta coisa, não haja dúvida, uma irritação de estimação.

Publicado por jpt às 11:59 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 25, 2006

Gesundes Volksempfinden

O Lutz retrata-nos.

Perdão, deixo-me de merdas:

O Lutz retrata-vos.

Eu, assim no ridículo quixotesco, faço a única coisa que posso fazer: nunca mais compro o Público (para aí uns 15 por ano, não será grande prejuízo para aquela gente). Nem leio, nem comento, nem etc. A merda caga-se, limpa-se. Puxa-se o autoclismo. E lavam-se as mãos. Isto é cá em casa. Em outras não, vivem na merda. São merda.

Publicado por jpt às 03:15 AM | Comentários (22) | TrackBack

fevereiro 24, 2006

Tânia Laranjo e Natália Faria, "jornalistas" do jornal português Público, e autoras deste inenarrável texto são, em termos muito actuais, revisionistas e falsificadoras. Não que eu advogue, para me manter em comparações muito actuais, qualquer pena de prisão. Apenas um profundo desprezo: por Tânia Laranjo; por Natália Faria. Por José Manuel Fernandes, director do jornal e último responsável por esta prosa infame.

Adenda: Domingos Amaral, o qual presumo ser um jornalista português, considera, com eminente sapiência, que os bloguistas pensam como condutores de taxi (os "carroceiros" de hoje, claro está). Estará decerto certo, até pela elegância da verve. Pois a este carroceiro ocorre-lhe a questão, com amostras destas que pensará ele dos jornalistas portugueses? Em que bas-fond os arrumará, o menino? Se arrumará?

Publicado por jpt às 11:16 PM | Comentários (18) | TrackBack

Horrores

É um texto que não consigo escrever - ler isto, querer deixar-lhe elo, acompanhado com algo substantivo mas só me saem coisas parvas, horrorizadas, demagógicas até. Eduardo Pitta terá sentido o mesmo? e por isso a mera citação que tudo diz, do horror, o horror lento por isso-pior-que-tudo. E do horror escroque, ali manipulando, "alegando"..."alegando"...."alegando".

Não são horrores. É o horror. E, tão menos importante, o nojo.

Publicado por jpt às 09:18 PM | Comentários (12) | TrackBack

Pacheco

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[Luiz Pacheco, Literatura Comestível, Lisboa, Estampa, 1972]

Releituras rápidas, coisas de ler os livros todos de seguida, que um novo levou a outros da estante. Neste (bem) mais velho temas que me ligam, acima de tudo o cansaço, e em Pacheco logo na época, com o Delfim, de Cardoso Pires, que senti quando o reli aquando do filme (não vi o filme, claro, Fernando Lopes é-me tabu "desde" a Crónica dos Bons Malandros, o "desde" entre aspas porque metáfora, o filme não existe portanto o "desde" é intemporal).

"Uma derradeira reticência: como Mário Dionísio perspicazmente detectou, o rendilhado labor estilístico de J.C.P. atinge neste livro altitude inigualada. Mas sente-se muito isso. Quando um prosador (consumado; é o caso) comete o gravíssimo erro de não nos deixar esquecer, pelo contrário: permanentemente desdobra diante dos nossos olhos o seu virtuosismo pisando-nos os olhos com ele, faz-nos criar a suspeita que essa sua constante preocupação oculta algo. Por exemplo: nada." (113) Mouche? Que o Delfim envelheceu parece-me, leigo vindo em gerações vindouras, óbvio. E talvez por causa dos requebros. ["Agora este está armado em literato?" pergunta o visitante - nada! eu gosto é muito do Cardoso Pires, menos deste Delfim, é só por isso ...].

Mas neste Literatura Comestível acima de tudo muito pouca coisa, questíunculas lá da pequena história da literatura portuguesa, zangas, tricas e isso, pouco interessantes hoje (que é me [nos] que interessa o plágio do Namora ao Vergílio Ferreira, e como este o denunciou? e outros obscuros etcs) e se calhar sempre. Textos envelhecidos. Livro-bairro. Ou, naquele então, país-bairro?

Súbito, sorriso, a sentir-me familiar, "onde é que eu já li isto?", assim como se em blog, aprés la lettre, heranças metodológicas ou mais-que-isso:

"Depois de uma leitura muito enojada, repito, e tal o atesta o meu volume todo sublinhado, anotado, riscado, vincado, do que afirmo e afirmarei ser uma das obras mais porcas da literatura portuguesa ..." (85)

E já que vinha ao caminho passo ao, este sim, livro

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[Luiz Pacheco, O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor, Lisboa, Colibri, 1992]

o texto a manter a pica passados os anos, quarentão já. Mas depois olho o livro, lá vem com a adenda "Depoiamento de uma angolana", de Maria Veiga Pereira, com mão de Alfredo Margarido, e enrolado em textos de apresentação e apósentação (Victor Silva Tavares, Júlio Moreira, Alexandre Pinheiro Torres a chamar-lhe "poetização da miséria, esplendor negativo" (??!), mais 3 desenhos inclusos em edições prévias, de Carlos Ferreiro (1) e Henrique Manuel (2), e fac-simile do manuscrito original), tudo isto à volta de nem-30 páginas de prosa: nítido, o embrulho a querer-se produção de um mito, pedra a pedra, livro a livro. Assim como, e isto já me veio à cabeça, a causa "por mais um velho do Princípe Real" - atenção, estamos para aí a 18 anos do centenário. E, entretanto, chamem lá o Le Carré, para o "cameo". Honestamente, o texto mantém a pica, mas caramba, é uma coisinha. Terá sido mais no seu tempo. Pobre tempo, não pobre texto. Mas também rico esse tempo, que por ele engrandece o texto.

E isto tudo foram regressos a propósito de quase-calhamaço de ardina, livros que se trazem em Lisboa quando se vai comprar o Record, acaba-se de "sair" do quiosque com um suplemento Barbie para a Carolina e o Pereira Coutinho, o Pacheco, o Ramos e o Venceslau (que raio de perfil de colecção lançou o Independente!? Não... a Barbie [com colar e pulseira] não fazia parte).


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[Luiz Pacheco, Figuras, Figurantes e Figurões, Lisboa, O Independente, 2004]-

baratinho (as tralhas dos jornais são-no sempre), e a valer a pena. Muita destruição (Urbano Tavares Rodrigues, Ferreira de Castro, a revista, o JL - p. 163, pequeno período justificável de visita que o PS merece - enfim coisas lá do tempo dele, e outras também mais do nosso) com arreganho de mastim. Depois anuncia-se à gente, mas hoje é despedida (o texto "Crítica de Identificação" é de 1971 mas, sem pudor algum, o mórbido editor usa-o para encerrar o livro), propósito seu que é agora rescaldo: "fazer o que geralmente não vejo que se faça, isto é, aclarar publicamente tramas que se ocultam, apontar flibusteiros das Letras, pondo-lhes a careca à mostra embarrilando-os pela gargalhada; sempre que preciso, denunciar os compromissos de vária ordem em que se atolam os nossos pseudointelectuaizinhos que por aí andam a governar-se à larga, seguros na sua impudência e da sua impunidade mercê das circunstâncias" (194).

Mais sorrisos meus, coisas de então e de hoje. Projectos de vida. Mas, honestamente, a mim parecem-me mais é angústias com alheias mercês. E, muito sobretudo, coisa de sobrevalorizar os tais livros e gentes - o mundo corre pior por causa da maus romances? de contos coxos? de poemas torpes? do prémio a ou afago b? Separar o trigo do joio implicará ficar, enraivecido, a tri-tu-rar o joio? Ou não será melhor ir comer uma bela sandes de panado, panito quente, forno caseiro, piri-piri sacana?

Insisto, bons pensares em cima de uma sobrevalorização, complicações de mira. Angústias também, decerto.

Súbito "E que significa tudo isto? A coexistência de culturas mui diversas, de mui estranhas origens, umas arcaicas, tradicionais, outras em plena fase embrionária, nos primeiros tentames duma aclimatação. Culturas paralelas, misturadas, alheadas umas das outras e isto tudo num mesmo tempo histórico, porque a história é radicalmente transição (Jaspers, ainda uma vez)." (18) "A POLÉMICA É A RAZÃO DA NOSSA PERMANÊNCIA" (19)

Um texto para hoje, em tempos de "choque civilizacional"? Logo o apanho, é bom apanhar estes textos já antigos e roubá-los aos autores, manipulá-los a nosso gosto, até truncá-los, na nobre arte da citação, como se eles concordassem conosco (melhor dizendo, nós com eles), fazê-los (já mortos ou para isso preparados, textos e autores digo) pensar o que queremos. Eis-me nessa parece-que-legítima actividade, dissertando sobre o real circundante.

Mas, afinal, o homem estava a falar dos romancistas, Chiado acima, Chiado abaixo. Faço-me entender? O sentimento de desperdício do pensar, enredado nas discussãozinhas afinal elas ...

"O Genio é uma longa paciência" (178). Ganda Pacheco, faltou-te a dita?

Publicado por jpt às 08:36 PM | Comentários (4) | TrackBack

Lucidez.

Publicado por jpt às 05:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

Traço blogosférico português

É interessante. No bloguismo português, umas centenas de teclados informados, a atenção sobre a política externa portuguesa é nula. Muito requentado tardo-jornalístico, "fait-divers" e "gaffes", no fundo nada mais do que criticar, aliás "dizer mal", da política interna a propósito de qualquer coisa externa. E pouco mais. Um vazio de atenção que bem mostra o encerramento do país sobre o si-próprio, a falta de reflexão. Atraso estrutural. Atraso intelectual, nada mais.

Não admira que se contem pelas unhas de um dedo aqueles que olham a política externa portuguesa para além do nhanhanha da maledicência. Ainda que com pinças, diga-se.

Adenda: um comentário veio que me fez reler a entrada e ... exigir-me uma ressalva. Este é um texto sobre a blogsfera mainstream (sobre o mainstream cf. Blogómetro, edição do dia, para aí os 250 primeiros classificados, e mais umas dezenas de ausentes). Há no exo-mainstream alguns blogs que vão de Portugal olhando para fora - quase sempre por via de incidências biográficas dos seus autores.

Publicado por jpt às 12:52 PM | Comentários (4) | TrackBack

Um diálogo inútil.

Publicado por jpt às 12:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

A mediocridade dos jornalistas, segundo os académicos

Via Adufe chego a um interessante texto: a reflexão de um intelectual académico sobre a mediocridade e superficialidade dos jornalistas.

Publicado por jpt às 12:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

Culinária Moçambicana

É o Almocreve quem avisa e faz inveja:

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COZINHA MOÇAMBICANA. 1975 - Ano da Independência. Fundo de Turismo. Lourenço Marques. [Empresa Moderna. Lourenço Marques]. 20x20cm. 104 págs. B.

Cesário Abel de Almeida Viana foi o principal compilador deste livro de culinária moçambicana, coadjuvado por muitos outros colaboradores. Desenhos de Alfredo da Conceição. [ 20 € ]

Disponível aqui. Quem me dera. Os custos da distância, é isso.

Publicado por jpt às 08:09 AM | Comentários (3) | TrackBack

fevereiro 23, 2006

Machado da Graça bem cartooniza sobre o Savana

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A série culmina aqui.

Publicado por jpt às 10:09 PM | Comentários (3) | TrackBack

Frases que impõem respeito (exemplar único)

Ó homem não se mace, é só clic-clic, link-link, e seguir em frente.

Publicado por jpt às 09:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

O Xicuembo acabou. Ainda bem - o Carlos Gil vai fazer o inter-rail.

Publicado por jpt às 05:05 PM | Comentários (1) | TrackBack

Mais sobre o tremor de terra

Imensa informação aqui (dica do leitor J Azevedo).

Publicado por jpt às 04:21 PM | Comentários (3) | TrackBack

Tudo sobre os 7,5 do tremor de terra

Informação detalhada aqui.


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copiado daqui.

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copiado daqui.

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copiado daqui.

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copiado daqui.


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copiado daqui.


Informação dedicada à grávida Passada.

Publicado por jpt às 12:38 PM | Comentários (1) | TrackBack

Tremor de terra

Coisa de bloguismo, isto de fazer relações, não tanto de amizade, mais serão blogoamizades. Gente que nunca vimos, nunca ouvimos. E que, muito provavelmente, nunca veremos nem ouviremos. Mas que estamos aí. Obrigado a quem emailou (e "commentou") o seu cuidado no hoje de madrugada, até surpreendendo-me, sempre surpreendendo-me com as redes que se vão blogando. E, out-blog, obrigado aos smsaram / telefonaram, ainda que às 2 da manhã (hora de computador, não tenho que me queixar).

Passou-se nada.* Felizmente. Humores do rift valley?

*Escrevi ainda desconhecia notícia de pelo menos dois mortos. Passou-se muito, portanto. Felizmente não mais. Mas já muito.

Publicado por jpt às 09:39 AM | Comentários (11) | TrackBack

Insensibilidade é ...

saber por SMS do tremor de terra em Maputo.

Publicado por jpt às 01:28 AM | Comentários (7) | TrackBack

fevereiro 22, 2006

Palavras que falam ...

Publicado por jpt às 08:24 PM | Comentários (0) | TrackBack

Excelência.

Publicado por jpt às 06:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

Elogio da verdadeira

sabedoria. Sim, livro. E apresentá-lo (conversá-lo) em Moçambique. Estamos à espera. Com vontade (e até pressa).

Publicado por jpt às 05:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

Turismo em Moçambique

(via blog).

Publicado por jpt às 05:24 PM | Comentários (1) | TrackBack

Lusofonia.

Publicado por jpt às 02:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

O 25 cm de Neve diz que eu exagero. Tem razão. Exagero. É o meu vice-versa. E, também, algum frisson escatológico.

Publicado por jpt às 12:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 21, 2006

Trabalho alhures, Trabalho em casa

O Abrupto tem vindo a publicar um conjunto interessante de fotografias sobre Trabalho. Interessantes as fotos, mas mais o que expressam. JPP já explicou o seu desejo de mostrar formas de trabalho exo-bloguísticas, vivências alheias ao mundo padrão dos info-incluídos, melhor dizendo, dos blogo-incluídos. Nas imagens enviadas pelos leitores, presumivelmente todos portugueses, também JPP reconhece o quase-óbvio, a procura do retratar o trabalho traz um eco do exótico, a distância social quase sempre traduzida em distância geográfica - o olhar curioso sempre mais agudo quando fora-de-portas. E, mais do que tudo, a distância social, longe ou perto de casa, centrando-se no trabalho manual - há, por via do acto fotográfico, a reconstrução de um ideal de trabalho, uma sua purificação. Manual mas longínquo, eis a pureza do exótico. A pureza do trabalho.

Confesso que gostava de ver o trivial manual intra-muros (a mulher-a-dias ou o cônjuge; o motorista de autocarro; o mecânico da porta-ao-lado; a caixa do supermercado; o "almeida" do bairro próprio; o psp (ou prm); a lavandaria; a empregada da cantina da escola). Ou o trivial intelectual alhures. E os entre-ambos, já agora. Desmontando o embelezamento, impurificando. Pelo trivial.

aqui deixei mostra de trabalho exógeno ao universo de fotógrafos in-blog ali representados. Procurando trivializar-lhes o trabalho na distância. Segue-se outro modesto contributo, pobres fotos sobre trabalho intelectual, alhures:

JoseCruzDestilando.jpg

[José Cruz, enólogo, Nropa, Montepuez, Cabo Delgado]

naparama2.jpg

[Tribunal informal, Kolokoha, Montepuez, Cabo Delgado, 1995]

Publicado por jpt às 05:15 PM | Comentários (4) | TrackBack

Já o terei dito, o Tugir é um exemplo máximo de como se pode blogar partidariamente alinhado e ser também livre: isso honra-os, concorde-se ou não. Houvesse mais gente assim.

Publicado por jpt às 08:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

Contra-argumentando no Ideias para Debate.

Publicado por jpt às 01:26 AM | Comentários (2) | TrackBack

Cerveja Mac-Mahon: as minhas 15 linhas de fama ...

Cerveja 2M.jpg


É o atento leitor Carlos Índico, assíduo aqui, que me envia por email esta pérola, a cuja não resisto a partilhar - sempre são os meus 15 minutos, perdão, as minhas 15 linhas de fama. Manda o amigo CI (a negrito a citação do DN, infelizmente sem o nome do autor):

O DN de hoje tem um suplemento dedicado á sua 50.000ª edição. Está na pág. V. O suplemento transcreve noticias de época e comenta-as. Sobre 1893 escreve:
(eh,eh,eh,eh,....)

""MAC-MAHON o POLITICO QUE DEU O NOME À CERVEJA DE MOÇAMBIQUE

O apelo sobre a mudança da sigla da cerveja moçambicana 2M surgiu num post no blog Ma-Shamba, com a alegação "que era um resquício do período colonial na sua memória de Mac-Mahon", mas no país do marrebenta parece que ninguém estará muito interessado........""

***

Santo Deus!, afinal apelo-Te. Ele há cada imbecil. Com memória, é certo (ou será google?), mas completamente obtuso. Um taralhouco.

Um dia, Paíto, o lateral-esquerdo moçambicano do Sporting, que sonhámos o novo Roberto Carlos (enfim, sonhar não custa), jogando contra o Benfica marcou um golo fa-bu-lo-so, fintando tudo e todos, da nossa área à deles (box-to-box como se diz na pérfida Albion). Algumas horas depois, ainda de braços no ar, cachecol ao vento e esgazeadissimo, gritando goooooooooooooooooooooooooooooooolllllllllllllllllllllllllllllllllllllloooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! passei pelo Planeta Reboque que estava no mesmo estado, gritando loas ao Triplo M - Martinho Martins Mocana (Paíto), nome do qual não fazia a mínima ideia. E logo berrei "abaixo a 2M colonial, viva a 3M!!", homenagem já!!!

E lá no país do fado a levarem isto à letra!? Ele há cada morcão!

Publicado por jpt às 12:24 AM | Comentários (6) | TrackBack

fevereiro 20, 2006

O a posteriori

Portuguese Soccer Near Collapse After $1 Billion Arena Spending.

[via Blasfémias e ContraFactos & Argumentos]

Lembro que há já anos por aqui se discutia isto, que nada de inesperado será. (Contra-argumentação, recordo, que incluía o desafio a que lesse eu o projecto Euro-2004, como se esse tipo de documentos não correspondesse, por essência, a projecções auto-legitimadoras). Conviria, na reflexão sobre este a posteriori de óbvia antevisão, lembrar quem foi o então ministro tutelar. E sempre sublinhar que subjaz esta abordagem a ideia política de que o eleitorado julga pelas medidas anunciadas e não pela sua sustentabilidade. Transformar-se-á Portugal num enorme Europeu de futebol?

Adenda: Certamente: não haja dúvida, "ele" há visionários.

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fevereiro 19, 2006

Eu à conversa com o E. Lagoa: "escreve-se para ter um blog, não se tem um blog para escrever".

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19 de Fevereiro

AF: o douto disse-me "esse tipo não volta a maputo".

(tu lês o ma-schamba?)

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19 de Fevereiro

9 anos aqui.

(Margarida L., tu lês o ma-schamba?)

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Por falar em Knopfli.

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Sem Dúvida.

Publicado por jpt às 10:29 PM | Comentários (2) | TrackBack

Pré-requiem do Weblog.com.pt?

Espero que não, mas não há paciência para este tipo de mentalidade empresarial.

Adenda: ler o comentário.

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Q: O bloguismo serve

para alguma coisa?
R: Catarse

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Sobre Knopfli é melhor ler.

Publicado por jpt às 05:19 PM | Comentários (2) | TrackBack

As crendices e o multiculturalismo do Estado Português

Manchester City-Charlton, do 1-0 ao 3-1 terão sido uns vinte minutos enquanto pouco-almoço tardio em pós-grande piscina. Se já 3-1, e eu pouco atento, então zapo e na RTP-I, essa do meu Estado, em directo de Fátima, uma entrevista a um cidadão português que se auto-proclama mais-que-todos-os-outros, Duarte Bragança de seu nome. Ele ali, sob que critério nunca sei, bem como tantos outros da televisão pública, todo o dia acompanhando o caixão dessa antiga pastora Lúcia. Um concentrado da indigência, da indigência estatal, da demissão radical.

Que as pessoas acreditem na religião, pronto, que fazer? Que acreditem num deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Que acreditem que esse tal deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem engravidou, por meios espirituais, uma mulher judia há uns milhares de anos, pronto, que fazer? Que acreditem que um judeu qualquer era "filho", germinado, de um deus construtor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Que acreditem que desde então essa senhora, Maria, entretanto falecida, se dedique a acompanhar e a visitar este vale de lágrimas, pronto, que fazer? Que acreditem que, entre as centenas ou milhares de vezes que se diz que a tal senhora apareceu às pobres gentes, algumas são verdadeiras e outras não, pronto, que fazer? Que acreditem que uma dessas verdadeiras aparições da entretanto falecida mãe-virgem do filho do deus construtor mais-ou-menos-à-imagem-do-homem foi aos três pobres patetas indigentes em Fátima em 1917, pronto, que fazer? E que as pessoas desde então se juntem em Fátima, umas de rastos, umas de rojo, outras como muito bem querem, porque as tais criancinhas, contrariamente a tantas outras, viram mesmo a tal senhora fantasma, mãe virgem do filho do tal deus contrutor mais-ou-menos à imagem do homem, pronto, que fazer? Eu posso desprezar profundamente, e desprezo, os aldrabões do clero que promovem estas crendices mais rasteiras, mas pronto, que fazer?

Agora que a tv do meu Estado, laico, laico, passe um dia a transmitir o transporte do caixão de uma velha freira, enquanto apela explicitamente ("estamos a transmitir para todo o mundo") a que a igreja católica promova a pobre velha lá na sua enciclopédia dos mortos ilustres, já fia mais fino. Que a tv do meu Estado, laico, dê entrevista neste contexto, como se reforçando a tralha, a um pobre homem que se entende mais-que-todos-os-outros, a ele legitimando e não contrários, isso fia mais fino.

Isto é um concentrado de indignidades, um compêndio de imbecilidade? Não só, isto é um projecto, explícito, pensado. Tem causa e causas. Que os pobres crentes acreditem naquelas-tralhas-todas tá bem, que fazer?, pobre gente procurando coito. Que o meu Estado promova tamanha indigência, que passe da notícia ao apoio, então há que fazer. Afrontar de imediato essa cáfila de obscurantistas. A tralha das crendices. E também a tralha monárquica, sempre lá atrás aquando destes estercos.

Há, definitivamente, que impor limites a esta ditadura do multiculturalismo, do relativismo. O facto de pobres gentes seguirem estas crendices, o facto de más gentes promoverem estas crendices, não é razão para que um Estado laico as aceite, as promova, se torne ele próprio arauto de crendices, negue a sua história e a sua doutrina.

Urge a demissão dos responsáveis da rtp. Obriga-se a queda do seu responsável ministerial. E, ou será demais?, exige-se uma desculpabilização do seu responsável-mor.

Publicado por jpt às 04:33 PM | Comentários (7) | TrackBack

Sexta-feira um pouco especial

kok e jorge.jpg

kok.jpg

CIMG3012.jpg


[Chez Rangel, estação CFM, 17.2.2006]

Pois.

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fevereiro 17, 2006

Cartoons em maputo

rumores? o savana publica hoje os cartoons dinamarqueses (repito tanto post aqui? para quê?). E está rodeado de centenas de irados com vontades invasoras? que bronca. ou rumores?

Publicado por jpt às 04:52 PM | Comentários (18) | TrackBack

Cartoons

Um amável leitor enviou-me via email um conjunto de cartoons, alusivos aos eventos mais actuais. O humor ultrapassa opiniões, não tenho dúvidas. Um desses irresisto a colocá-lo aqui, até por razões pessoais.

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Publicado por jpt às 03:16 PM | Comentários (0) | TrackBack

Agradecimentos a ENP pela ajustada transcrição, um resumo para além das excitações.

Publicado por jpt às 02:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Pequeno trecho de Said

Não resisto, até porque leitura de hoje:

"What we expect from the serious study of Western societies, with its complex theories, enormously variegated analyses of social structures, histories, cultural formations, and sophisticated languages of investigation, we should also expect from the study and discussion of Islamic societies in the West".

[Edward Said, Covering Islam, Vintage, 1996, xvi]

O que não me parece ser coisa de guru. Mas devo estar enganado.

Publicado por jpt às 01:15 PM | Comentários (5) | TrackBack

No A Mão Invisível quatro interessantes textos de Pedro Picoito sobre o Novo Orientalismo: I, II, III, IV (e com alguns comentários interessantes).

[Via Mar Salgado]

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fevereiro 16, 2006

Sorriso.

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Hoje

TabulaRasaConvite.jpg
TabulaRasaConvite2.jpg

Cristiano Matsinhe, Tabula Rasa. Dinâmica da Resposta Moçambicana ao HIV/SIDA, Maputo, Texto Editores Moçambique, 2005

Publicado por jpt às 08:03 AM | Comentários (0) | TrackBack

Liberdade de expressão

Reunião na redacção de revista "social", trabalha-se os mais últimos e vistosos eventos, colectam-se flashes de beldades e barrigas enfarpeladas. Súbito ríspido o chefe proclama que "essa foto não sai", "mas porquê?" resmunga o "jornalista", "ficou bem, está boa", "nem pensar" exagera-se o chefe, ali até director, "mas porquê?" insiste o "jornalista" já apoiando-se no fotógrafo, ali ambos irritados com a intromissão, reclamando caminhos próprios, coisas de liberdade até. "Porque não quero broncas.." soletra o chefe, já irritado, "a senhora acompanhante não é a esposa ...

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Para quê essa merda?.

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Também relato da guerra civil moçambicana.

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fevereiro 15, 2006

Portugal

Incontornável.

Nota: um dos episódios semi-calados é a "exportação" dos operacionais das FP-25 para Moçambique, decerto exílios então combinados a "alto" nível. Desconheço se já abordado por algum jornalista. De livro não há notícia.

Adenda: também recordado aqui; e ainda, numa pequena nota lembrando mais uma acha da imoralidade estrutural do partido socialista em Portugal, aqui.

Publicado por jpt às 07:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

O bloguismo serve para alguma coisa?

Serve o bloguismo para alguma coisa? Digo, para além do lúdico egocentrismo? Vale como expressão de causas, grandes ou pequenas, alertas, chamadas de atenção, etc e tal? Talvez, mas isso depende do tonitruar do nome que "posta". Ao cidadão médio, do anónimo com nome, não serve para tal. Indutivo o raciocínio, e egocêntrico (claro, é bloguismo).

Prova? Fui agora ver o que se passava aqui há um ano. Tinha encerrado o estaminé, cansado. E escolhera um texto que considero o melhor de todos que aqui coloquei (se aqui é bom ou mau é critério alheio, mas dentro do aqui é o melhor): este. É um ensaio sobre Portugal e sobre os portugueses, assim eu a alcandorar-me a Lourenço ou Gil, já para não falar no agora centenário Agostinho da Silva. Sobre sua essência, retórica, processo (abrangente, como se nota. E, teoricamente, multicultural).

Pois em um ano passado está tudo na mesma. Talvez um pouco mais silvestre, presumo.

Serve o bloguismo para alguma coisa? Digo, para além do lúdico egocentrismo? Vale como expressão de causas, grandes ou pequenas, alertas, chamadas de atenção, etc e tal? Talvez, mas isso depende do tonitruar do nome que "posta". Ao cidadão médio, do anónimo com nome, não serve para tal. Apenas como espelho vaidoso. Rasteiro.

Publicado por jpt às 05:10 PM | Comentários (17) | TrackBack

Alerta Máximo

Quando o maior Presidente que houve fala assim é motivo da maior preocupação. Alerta máximo. Que fazer?

Adenda: as declarações do muito digno ex-presidente não deixam de sublinhar a preocupação. Que fazer, repito? Belém no horizonte preocupa-me, e muito.

A vida, a importante, torna-se angústia.

Publicado por jpt às 04:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ontem

Maputo de noite cheia, azáfama quasi-noctívaga de trânsito de hora de ponta, queixas só suaves com o "semaforismo" ausente, todos os restaurantes cheios mesmo aqueles que nunca, rosas muitas em mãos compradoras e outras já nas receptoras, casais (até os tristes) bem vestidos acompanhando-se, é o dia ... A mim sobra-me aula nocturna, a primeira do ano, turma ausente, apenas uma aluna, senhora já, sorrindo à total ausência (merecida, merecida) à ritual "apresentação", caloiros relapsos. Dou-lhe um mito, o primeiro mito universitário porventura, os "dez minutos académicos" (5, 15, não depende isso do narrador?), depois "vamos lá embora" que haveremos de recomeçar. Que ontem foi dia de "namorado amador", profissional tem o resto da vida, hei-de biliar. Ainda beberei café no caminho da casa, mesa de canto no meio dos tais comensais emparelhados, meros cinco minutos roubando-lhes bocados, mesa a mesa. Nem uma mão na mão, nem tampouco mão na perna (quem bem procurei), nem a rápida mão na cara, nem afago no cabelo, nem beijo qu'isso seria demais ainda que dos castos. Estão só ali, falas poucas, levaram-nos a jantar. Saio, noite de dia do namorado reformado. Também já vou assim?

Publicado por jpt às 03:20 PM | Comentários (4) | TrackBack

Um blog de escritores, 7, de diferentes países: Cidades Crónicas. Por lá (áfnal?) o vizinho Nelson Saúte.

[Via Letteri Café].

Publicado por jpt às 03:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Das armadilhas do "correctismo"

A "inocente" promoção do segregacionismo: um caso no Brasil.

Publicado por jpt às 02:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 14, 2006

Ó Diabo, e agora como é que se diz mal do homem?

Publicado por jpt às 09:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

الجزيرة نت

Tanta polémica, tanta certeza, tanta coisa, tanta poeira, mero pó. Pois por cá , este cá tão "lusófono" "cplp" mesmo, no último fim-de-semana qual foi o único canal de tv, entre as agora dezeníssimas do cabo, que transmitiu o simples Académica-Boavista? Adivinham?

Pois claro, o Al Jazeera Sport.

Tantos doutores, tantos tecladores. Tantas certezas...

Publicado por jpt às 09:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

Bis

"O ódio é uma viva contradição - não conhecendo fronteiras, ergue-as onde quer que chegue."

[Álvaro Guerra, Crónicas Jugoslavas]

Publicado por jpt às 06:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Mais despropósitos

CapaSteinerNostalgia.jpg

"Sei que não está na moda afirmar o que se segue, mas a procura abnegada da verdade abstracta é culturalmente específica: a sua história é relativamente curta, e possui uma geografia muito própria".

(George Steiner, Nostalgia do Absoluto, Lisboa, Relógio d'Água, 2003 [1974], p. 71)

Publicado por jpt às 06:13 PM | Comentários (6) | TrackBack

A despropósito?

CapaSteinerNostalgia.jpg

"A impressão ocidental de insucesso, de potencial caos sociopolítico, conduziu igualmente a uma reacção contra o centralismo étnico e cultural que caracteriza o pensamento europeu e anglo-saxão ... A ideia de que a civilização ocidental é superior a todas as outras e de que a filosofia, ciência e instituições políticas ocidentais estão manifestamente destinadas a conduzir e transformar o globo deixou de ser uma evidência. Muitos ocidentais, especialmente os jovens, acham-na odiosa. Aterrados pela loucura das guerras imperialistas e irados com a devastação ecológica causada pela tecnologia ocidental, hippies e freaks, militantes libertários e vagabundos místicos viraram-se para outras culturas. São as tradições da Ásia, dos índios americanos ou dos africanos negros que os atraem. É entre esses povos que encontram as qualidades de dignidade, solidariedade comunal, invenção mitológica e envolvimento com as ordens vegetais e animais que o homem ocidental perdeu ou erradicou brutalmente. Esta busca da inocência contém muitas vezes um impulso genuíno de reparação. Onde o pai colonial massacrou e explorou, o filho hippie procurar preservar ou compensar."

(George Steiner, Nostalgia do Absoluto, Lisboa, Relógio d'Água, 2003 [1974], pp. 66-67)

Publicado por jpt às 05:59 PM | Comentários (2) | TrackBack

Cúmulo de Discernimento Racional

O meu total apoio em Portugal.

Publicado por jpt às 05:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

O Fim do Império Americano

Partie de Chasse Bilal.jpg

está iminente.

Publicado por jpt às 02:37 PM | Comentários (4) | TrackBack

Ainda Bertina Lopes

Introduzi as imagens originais do artigo de Paola Rolleta sobre Bertina Lopes.

Publicado por jpt às 12:58 AM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 13, 2006

Memória.

Publicado por jpt às 05:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 12, 2006

Argumentação e contra

Sobre liberdade de expressão e bloguismo vai havendo troca de argumentos no BlogCafé. Com filial aqui.

Publicado por jpt às 03:15 PM | Comentários (9) | TrackBack

Liberdade de expressão?

Há alguns anos, lembro incerto 1999, Veiga Simão então ministro da Defesa de Portugal, velho homem de Estado e dignissimo universitário, espantou ao despachar a lista dos membros dos serviços de informação portugueses para uma Comissão Parlamentar. Logo alguém dessa comissão, muito provavelmente um deputado da República, remeteu a lista para os orgãos de comunicação social.

Lembro estar em Maputo e telefonarem-me de Portugal informando do acontecido, na ironia do "amanhã a lista dos espiões sai no Independente, vê lá quem são os daí", narrando-me o acontecido e eu balançando entre a gargalhada descrente e o nojo por portugueses que partilham, apesar de mim, o meu país. Logo o solicitei, curiosidade certa, e na manhã tinha no gabinete um fax (era ainda o tempo dos faxes, imagine-se) com a cópia do jornal Independente onde constava uma lista de dezenas de indivíduos. Os nomes riscados, aparentemente a marcador (como se isso impedisse uma leitura por parte de profissionais interessados), mas os países de colocação bem à vista. Foi logo um reboliço telefónico, irónico e curioso, amigos cuscando se alguém sabia ou imaginava quem eram os dois agentes colocados em Moçambique, coisa que iria durar ainda uns dias. De imediato imaginei os dois homens, decerto avisados de véspera, que tudo aquilo foi inopinado, abandonando o país no mais madrugador avião para Joanesburgo ou, mais certo, cruzando nos primeiros alvores da matina a Namaacha ou Ressano Garcia, a inquietude dessa derradeira noite postados diante das fronteiras, avessas que são elas ao trânsito nocturno. E imaginei também, leituras velhas construindo imagens, homens e mulheres partindo em contido alvoroço de dezenas de países. E ainda o súbito encerramento de empresas nos arrabaldes lisboetas, filiais de seguradoras, consultoras, contabilidade, sei lá que tipo de coberturas escolhidas nesses sombrios Rios de Mouro ou Paios Pires tão a jeito para realidades feitas filmes, e o espanto de mulheres a dias, fornecedores e vizinhos com o vácuo então criado.

Veiga Simão retirou-se de uma longuissima, e até contraditória, vida de serviço público. E nada mais. Mudaram-se governos, a oposição subiu a poder e regressou a oposição, as comissões subiram a observados e regressaram a comissões, os então observados tornaram-se observadores e de novo ascenderam a observados. Deputado algum, assessor algum, foi confrontado com a evidente traição ao país. Uma traição não metafórica. Linear. Pura e simples. A Assembleia da República, ao que agora se bloga prenhe de mictórios entupidos e de deputados que apenas do próprio mijo se lembram na hora da crítica fácil porque tão tardia, fez por esquecer, e esqueceu, o facto de acoitar traidores e nisso continuar impávida.

Os jornais publicaram, decerto em nome de um qualquer interesse público (confundindo, cientes disso, "público" com "do público") e da sacrossanta liberdade de expressão. O povo, que é manifestamente imbecil, creio que devido à dieta, nunca se lembrou disto, continua a votar nos traidores e nos que os protegem [alguém acredita que ninguém saiba quem foi o "brochista" (em inglês se quiserem) que denunciou os serviços de informação?]. Contente, ulula julgando-se patriota, assim reconfortado da merda que é, tv aos gritos no jogo da selecção, bandeira nacional numa mão, jornal Independente, o lixo traidor, na outra.

Anos passados ninguém liga, ninguém se lembra. A rapaziada de esquerda, relativizada, apupa a liberdade de expressão, máscara da falsidade ocidental ou até mesmo da inexistência ocidental, ainda que lhe reconheça, se cutucados, o mérito de denunciar a perfídia espia nacional, vista arma de exploração de inocentes alheios, inocentes porque alheios, porque diferentes, porque outros. A rapaziada menos relativista, reza loas à liberdade de expressão, coisa absoluta, tanto que até lhes dá para trair o país, nos intervalos de declarações pomposas sobre nação e quejandas. Coisa sem limites, dizem. E, escroques, realizam. No remanso do piadismo fácil e do linkismo ignorante. Punhetam, viris. Ambos os todos.

A propósito destas questões um amável comentador aqui afirmava há dias, "não compreendo o que dizes, mas entendo que te sintas longe": Longe, eu?! Foda-se, eu estou aí. Isso é meu. Quem está longe, quem está bem longe, quem nem sequer merece isso, é essa corja. Corja não, que parece queiroziano. É essa vara, fica melhor. Estais longe.

(texto escrito em estado de liberdade de expressão relativa e sobriedade absoluta)

Publicado por jpt às 02:10 AM | Comentários (6) | TrackBack

fevereiro 11, 2006

Ler faz mal

Isto das ilustrações dinamarquesas ilustrou a diferença existente entre fundamentalistas (seja lá do que seja) e relativistas (de tudo, excepto do relativismo [não, não brinco às contradiçãozinhas]). Há quem pense que são iguais, mas não são. Os fundamentalistas normalmente leram menos do que os relativistas, estes alargaram-se, até foram às filosofias, ali e acolá às epistemologias, um mergulho mais profundo nas socio-antropologias. Por outro lado os fundamentalistas (seja lá do que seja) percebem melhor as parcas leituras lá do seu recanto. Os relativistas (de tudo, excepto do relativismo) leram mas não perceberam bem - nas socio-antropologias é mesmo uma desgraça, imagino no resto.

Em suma lá os fundamentalistas serão menos enciclopédicos, menos lidos. Os outros mais actualizados. Mas os primeiros mais espertos, compreendem melhor. Os outros mais burrinhos, trabalhadores mas enfim ... A conclusão é óbvia, ler faz mal. À vista e à cabecinha.

Aqui uma coisa que alguns "relativistas" de "esquerda" (uma "sinistra" "esquerda"), afamados blogadores, ao que parece não conseguem perceber. Efeito dos danos sofridos, e nada colaterais.

Publicado por jpt às 05:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

Da crueldade

Cruéis, meramente cruéis, Jcd e Paulo Gorjão, dois pesos pesados do bloguismo político português, atacam Vitalino Canas devido às suas declarações sobre o "caso caricatural". Não me parecem acertadas essas abordagens. Explico-me, ainda que consciente que em texto maçudo, longo e descritivo, e talvez apenas auto-interessante, coisa memorialista, até de intensidade incompreensível para quem não a viveu.

Lembro Vitalino Canas em Maputo. Em 1998 aqui aconteceram as primeiras eleições municipais, às quais a Renamo, então no zénite da sua influência política, se recusou a comparecer, alegando manipulações alheias. Eram então tempos de uma paz ainda recente, não tão sedimentada, de uma ciclicidade eleitoral ainda incipiente, até inóspita. Enfim, era notória a tensão política. Subitamente, uma semana antes das eleições, o então Secretário de Estado da Presidência Vitalino Canas surgiu em Maputo, no intuito de lançar um livro do qual tinha sido autor/coordenador (ainda que tal não seja explícito no livro). Entenda-se, Canas foi durante algum tempo aqui professor cooperante na UEM, tendo participado nos estudos de ordenamento jurídico da descentralização administrativa, modelo municipalista. Foi nesse sentido que surgiu esta muito digna obra colectiva, sete autores incluindo dois ministros moçambicanos, "Autarquias Locais em Moçambique. Antecedentes e Regime Jurídico" (Lisboa/Maputo, sem editor, 1998)

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Mas, e é esse o ponto, naquele clima de tensão e contestação eleitoral o surgimento de um membro do governo português, a uma semana das eleições, numa actividade destas não podia deixar de ser entendido como um apoio eleitoral explícito. Enfim, intromissão. Certo que com alguma elegância poderia ter sido remetido (e bem remetido) para um diferente âmbito, a expressão de um apoio português (e internacional) à democraticidade eleitoral e ao modelo municipalista, ainda para mais este então pouco entendido pela população quanto às suas virtualidades. Enfim, algo supra-partidário, nem que fosse retórica de solidariedade internacional. [Sobr