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Ma-Schamba: O Rock (esteve) na Machava

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janeiro 29, 2006

O Rock (esteve) na Machava

Foi há já vinte anos, e ficou na lenda maputeca (o "laurentino" pós-colonial). Em plena guerra, uma cidade já sitiada, um país devastado por intempéries humanas e naturais. E ainda assim organizou-se, coisa única não só então como desde então, o encontro entre o estádio da Machava repleto e este

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slowhand. Vezes sem fim mo contaram, os que nele participaram e os então ausentes, do espectáculo, assim tornado, já o disse, lenda. Pelo raro do rock de tal quilate, ícone do mundo, aqui; pela sensação de triunfo, de possibilidade, de esperança de normalidade, que tal brotou, adivinho-a em todo esse ênfase na memória do "Clapton Was Here". Os detalhes do que tal se passou, os nomes de quem o trouxe (o organizador Eddy Mondlane sempre, às vezes sussurado também a audácia inicial de António Branco, mas disso já não sei). Confesso-me sorrindo às histórias. Aceitando o feito de então, compreendendo o brio, imaginando a onda. Mas assustando-me (já então me assustaria) aos longos pastéis guitarrais do "Cocaine", paradoxando-me com um "I Shot the Sheriff" em momentos em que os xerifes de cá eram os primeiros a ser decapitados senão mesmo pior, resmungando o xaroposo "You Are Wonderful Tonight" - ainda que venha o primeiro que nunca tenha slowmente sussurrado assim mesmo.

Enfim, mito da Machava que ficou e que alguns sempre quiseram repetir, assim aspergir-se, bentamente. Lembro há anos a chegada de uma seita portuguesa, literais no "Regresso das Caravelas" e "Camões", gentes dessas com que o Estado desbarata o País, a referirem-no, em ânsias de conquistas. Dessa vez lusofonamente queriam com a Daniela Mercury (re)encher o estádio, rodeando-o de quiosques propagandistas das instituições portuguesas, crentes, coitados e malandros, que o mito remolda a história e brilha até em casa própria, mesmo que longínqua. E eu a aturá-los, ouvindo-lhes o arfar da cobiça e cheirando-lhes o hálito boçal, desistido de qualquer oposição a restar-me o desprezo num "encher a Machava? com a Mercury? é pá, se o objectivo é esse tragam o Roberto Carlos" que para cultura na língua de Camões ainda os tropicalistas legitimariam - mal imaginava eu que, bem poucos dias depois o amigo AM, afinal contactado como produtor que isto de trabalho é trabalho, me telefonaria de Lisboa num espantadissimo "Ouve lá, dizem-me que querem o Roberto Carlos aí em Maputo, que foste tu que aconselhaste" e eu no quase (então apenas quase) desespero face a tipos que nem a ironia do desprezo compreendem.

Mas estas são histórias outras, tudo vindo a propósito da convocatória da Passada. Gravidissima, obviamente que se absteve de comparecer ontem na Machava aos esperadissimos UB 40, cabeças de cartaz de festival gigantesco. Atirou ela que as imagens (in-blog) ficariam por minha conta. Pois, também senti a azáfama maputense, o chamamento até ritual, o estádio cheio, o sinal da capacidade de fazer e sonhar tempos melhores [que o jornal Domingo hoje sublinha na capa] que um ritual destes, o giga-rock, aqui implica de tão inusitado ainda.

Mas, minha querida vizinha, eu sou do tempo de importar de Londres, via mão amiga o

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coisa vinil de então. E nisto tudo, distraidamente, correram décadas. Já não tenho arcaboiço para para um dia de estádio in-rock, mesmo se refugiado no sector vip (hoje esquecido nos convites restar-me-ia desembolsar o tal milhãozito de meticais). Dos UB40, do dia que fará memória nestas gerações maputecas (como na minha, lá na terrinha, fizeram o Lou Reed e os Tubes), do ajuntamento do povo diante do meio reggae-branco-e-preto (e do como é bom frisar misturas nesta terra de preto-e-branco, apesar do sol múltiplo, da terra tantas vezes vermelha e do verde quando não o abatem), fica-me apenas o ultrapassá-los ali à marginal, eles na voltinha panorâmica no machibombo do Quadros.

Que o provecto bloguista ficou-se, quem mo diria há algum tempo apenas, em jantar de amigos, casais apenas separados pelas diferentes atenções ao jogo da bola. E que jogo, que jogo: ontem passei-me. Bem mais do que com qualquer rock-in-maputo.


Publicado por jpt às janeiro 29, 2006 09:24 PM

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Comentários

LoLOL

Passaste-te com a bola?

Eu sou muiiiiiito velha, nem sequer me passei, mas fiquei com uma destas RAIVAS!!!!

Bjs e boa semana.

:)

Publicado por: paperlife às janeiro 29, 2006 10:45 PM

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