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Ma-Schamba: Ocidentalismo

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dezembro 14, 2005

Ocidentalismo

CapaOcidentalismo.jpg

Afamado, coisa de recensões em jornais velhos e (julgo) em blogs lusos. Para o ler quebrei dogma estruturante - nunca comprar livro da Europa-América. Valeu a pena. Porque felicidade também é ler livros fraquitos. A querer-se óbvia contraposição ao "Orientalismo" de Said e linhagem de Berlin. Mas um bocado para o manual. Do como as ideias contra o ocidente se assemelham e são originadas (fundamentalmente, muito fundamentalmente) nesse próprio ocidente. A afirmar-se reflexão sobre a história destas ideias, muito esquecendo a sua sociologia (ainda que ali ou acolá um parágrafo a aludir a poderes e histórias como que a escorar-se). Lá pelo meio (até início) uma pérola:

"O objectivo deste livro não é reunir municões numa "guerra contra o terrorismo" global nem demonizar os actuais inimigos do Ocidente. Pretendemos antes compreender os actuais inimigos do Ocidente. Pretendemos antes compreender o que faz mover o Ocidentalismo e demonstrar que os bombistas-suicidas e guerreiros-santos dos nossos dias não sofrem de uma qualquer patologia singular, antes são impelidos por ideias que têm uma história. Essa história não possui fronteiras geográficas claramente definidas. O Ocidentalismo pode florescer em qualquer lugar. ... Compreender não é desculpar, tal como perdoar não é esquecer; mas sem compreendermos aqueles que odeiam o Ocidente, não podemos esperar impedi-los de destruir a humanidade" (19-20) [o negrito é meu].

Ou seja, esses que odeiam o Ocidente têm como fito destruir a humanidade. A conclusão do silogismo é necessária? Então o Ocidente é a humanidade.

Conclusão: a validade do tal dogma primevo. Nunca comprar um livro publicado pela Europa-América.

Publicado por jpt às dezembro 14, 2005 08:04 AM

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Comentários

Mas quem e' que e' inimigo do Ocidente?

Publicado por: MP-S às dezembro 14, 2005 01:50 PM

bem ... ele há-os. para detalhes p.ex. ler o livro. ainda que este ...

Publicado por: jpt às dezembro 14, 2005 01:59 PM

Então, recomenda-se o livro ou não?

Publicado por: Lutz às dezembro 14, 2005 02:36 PM

e que preconceito é esse contra a europa-américa? publicam bons livros, convenhamos (ou serão as letrinhas demasiado pequenas dos livros de bolso o que afligem?)

Publicado por: ed. às dezembro 14, 2005 03:27 PM

bem, para mim um livro, mesmo o mais infecundo dos monos, é um livro. mas não, a não ser para retirar um ou dois nomes de pensadores islâmicos da 2 1/2 de XX, o que decerto se retirará noutro qualquer sítio
eu tenho uma disciplina (lutz fazes-me quebrar tabus) que me é excêntrica e também aos alunos. aí utilizo muito livros que neste estão (berlin, the crooked timber of humanity e against the current [saiu um livro, colectanea de textos, de berlin em portugal, não sei título nem editora, mas a maioria dos textos estão nestes] e uma outra perolazinha (também antiga) John passmore, the perfectability of man - para gastares taco no natal antes aí (e o preço, pelo menos aqui em neilspruit é mais ou menos o mesmo do panfleto lá de cima)- agora ainda me aparece aqui algum especialista a criticar-me as bibliografias

Publicado por: jpt às dezembro 14, 2005 03:34 PM

OS 7 pilares da sabedoria, t.e.lawrence (aquele da arábia) 3 contos e tal, para aí há vinte anos... nem o português se percebia quanto mais se entrevia o inglês original
a E-A traduz escandalosamente mal. a E-A edita ensaios de merda (nem os livros de bricolage compro)

Publicado por: jpt às dezembro 14, 2005 03:36 PM

Conheci mt gente que sem os livros da europa américa, ainda hoje não teria lido mais do que o livro de leitura da primária...

Publicado por: paper life às dezembro 14, 2005 04:49 PM

Mais uma razao para ser absolutamente inesculpavel a porcaria de traducoes com que eles publicavam os seus livros de bolso. Hoje em dia, se ainda for assim, as pessoas faziam melhor em comprar no idioma original e/ou traducoes para ingles, frances, o que conseguirem ler...

Publicado por: MP-S às dezembro 14, 2005 04:58 PM

Eu gostei de ler " The Roots of Romanticism", publicado pela PUP.

Publicado por: MP-S às dezembro 14, 2005 05:09 PM

Apetece-me citar a frase: Compreender não é desculpar, tal como perdoar não é esquecer; mas sem compreendermos aqueles que odeiam o Ocidente, não podemos esperar impedi-los de destruir a humanidade.

Publicado por: Mar Adentro às dezembro 14, 2005 05:14 PM

Paper Life que muita gente tenha lido os livros da E-A não me obriga a comprar-lhe a porcaria de traduções que os caracteriza(ou?) e não me reduz a vontade (e legitimidade) de ecoar o meu decadar nojo com tais tralhas. Exactamente como o MP-S diz. E nas coisas de ensaios e isso também o que ia vendo era tralha (ainda que não possa afiançar o hoje, há anos que não vejo muito - sei que tem uma colecção de livros de viagens que até pode ser interessante, eu hoje não leio muito disso mas a amplitude de títulos é apetecível - mas não compro exactamente por causa das traduções). E se mais gente ecoasse isso provavelmente, o mercado obriga, a política de traduções mudasse

Mar Adentro citar é sempre possível. Mas esta em questão é muito pobre. E desnuda o mero panfleto irreflexivo

Publicado por: jpt às dezembro 15, 2005 08:34 AM

MP-S vou ver esse roots. obrigado. quanto à pergunta inaugural acho que há,e muitos, inimigos do ocidente (seja lá o que isto for). nao serao inimigos da humanidade, mas sao desse tal ocidente. terao razoes, historicas, politicas, economicas. e muitas irrazoes. o nosso problema (ocidentais, seja la o que isso for), e confundirmos uma postura (auto)critica e (auto)analitica com a tendencial adesao às tais irrazoes, as demagogias e aos totalitarismos - quantas vezes radicalmente criticos em casa e passivos ou desculpabilizadores ao para la da fronteira (Esteja esta onde estiver). É, subliminarmente, uma especie de racismo
para inimigos ver esse energumeno de teerao. e, num registo muito mais complexo, e que exige nao antinomias, a expansao de um outro modelo social e economico (que nao se estrutura no anti-ocidente, mas que talvez o venha a tornear), o complexo chines. Este é diferente, mas a reflectir, muito para alem das coisas texteis

Publicado por: jpt às dezembro 15, 2005 01:07 PM

há humanos muito estúpidos( e ridículos) quando se arrogam ao direito de dividir a humanidade em pontos cardiais.

Publicado por: cândida às agosto 6, 2006 05:26 AM

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