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Ma-Schamba: Festa Acidental num clube lisboeta

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dezembro 07, 2005

Festa Acidental num clube lisboeta

Gentil, Pedro Marques Lopes endereçou-me convite para a Festa Acidental (Frágil, 15.12.).

Ali mesmo explico razões do declinar de tal convite. Mas o meu amigo Lagoa [que, decerto, nada conhece do abaixo explicado] lembra-me ser mais educado responder aqui em cima. Eis então quase transcrição da minha resposta, em linguagem descuidada de comentário:

(algo refeito, mas não actualizado)

Eu também gostava de ir à festa no Frágil, mas chego 10 dias depois. Não sei é se gostariam de me ter por lá. Claro que não me apresentaria sozinho, chegaria com grupo de fundadores, retirados da naftalina. Passaríamos primeiro pela Tasca Azul (essa que os parvenus chamam, literais, Arroz Doce) onde beberíamos, a desafio da velha Alice que a Rosa já lá não deve estar, umas rodadas valentes de "pontapés na cona" (como da última vez que lá entrei, 1997, natais, mais de 10 anos depois de lá ter ido pela última vez, rodeado nesse dia de 7 sobrinhos "a mostrarem-me o Bairro Alto", e logo a ex-tia aos gritos ao ver-me a assomar à porta, "óóóóó homem!!!!, há quantos anos!!!! Sai já uma rodada de pontapés ..." para o balcão, e os sobrinhos e as sobrinhas a olhar para mim, esgazeados, que à espera de tanto, apesar do tudo, não estavam. Nem eu, confesso, num esgar de "ixe, que bandeira". A desse dia, mas acima de tudo que grande estendal devia(mos) ter feito in illo tempore).

Se tivessemos tempo iríamos depois ao Estádio ver os putos (mas só por ir, por ser dia de refazer velhos trajectos, que aquilo para além do quadro nunca teve nada), desceríamos ao B'artis ver a Paula, dado que o Judeu se ausentou de vez, resmungaríamos que o raio do Targus é uma merda a querer-se chic (malditas cadeiras, raio de jornalistas enfatuados amais os publicitários), rir-nos-íamos dos tempos de um tal de Juke Box/Rock House ou vice-versa que já não lembro, coisas até de acabar por lá, enquanto detestaríamos a Tertúlia a não ser as tostas, recusaríamos o cinéfilo do Majong e nem os matrecos jogaríamos, lamentaríamos o já não dos Lábios do Vinho (esta é de conhecedor veterano), fumaríamos umas coisas estranhas junto de vários caixotes de lixo da Diário de Notícias ou adjacentes, contestaríamos o estado lamentável do BA de hoje e das novas gerações, coisa sem jeito, aportaríamos aos Pastorinhos (reaberto, disseram-me os tantans) à procura do Eduardo e do Hernâni que não sei se ainda andam por lá, beberíamos ainda mais cálices de rajada, interromperíamos a noite para ir picar o ponto ao Frágil, interrogarmo-nos sobre o raio de porteiro que não tem, decerto, a pinta do Alfredo. Se nisto tudo ainda estivessemos de pé alguns dos meus amigos assumiriam, histriónicos, pérfidas identidades bloguísticas (de falsos barnabés ao terceiro anel tudo seria de esperar) e destruiriam a minha parca reputação no bloguismo. Logo depois, quais Bijagós, regressaríamos mal-vistos (que os gajos dos Olivais "são sempre a mesma merda") aos Pastores ouvir o melhor funk do mundo (será ainda assim?).

Nisto tudo ainda bem que não estou aí no dia 15. Porque não há fígado e coração para tanto? Nada disso. Apenas porque há que saber sair com dignidade, ainda no apogeu. Dar lugar aos novos. Com a nostalgia de que no nosso tempo é que era. Mirando(-as) de soslaio.


Publicado por jpt às dezembro 7, 2005 01:27 AM

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Lista dos links para blogues que mencionam Festa Acidental num clube lisboeta:

» Memórias Frágeis from Apenas Mais Um
Tão d’outrora. Tão cristalinamente reconstruídas. Tão saudosamente repercutidas. A vetustez a comemorar-se ?... [Ler...]

Recebido em dezembro 7, 2005 10:42 PM

Comentários

Este guarda-se que as recordações são as mesmas. Obrigada.

Publicado por: catarina às dezembro 7, 2005 03:34 AM

Estou boquiaberto. Não vi o comentário, leio o post. Belisquem-me. Caro jpt, conheço esse roteiro QUASE SEM TIRAR NEM POR, foi o meu nas décadas de 80 e 90. Homem, se não fumámos coisas estranhas por ali acidentalmente juntos, então ele não há coincidências.

Publicado por: Paulo às dezembro 7, 2005 04:08 AM

...pois, devia ser vocês a dobrar a esquina do
Portas Largas e eu a entrar na rua!!!
Por isso nunca vos vi!!!
Novas gentes, novos visuais, novos feelings mas sempre, sempre o bairro!!!

...3 Pastorinhos, Sudoeste, Couves, Tias, Gingão, Frágil, belos tempos!!!
...o que me foste tu lembrar!

Publicado por: ritalps às dezembro 7, 2005 05:15 AM

O que somos é todos filhos da mesma "mãe". E nessa altura ela tinha uma delgada cintura com que nos abrigava a (quase) todos e que não se alargava para além do BA.
(JPT, achas que ainda por lá têm daquelas camionetas para dar abrigo aos mais desprevenidos?)

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 10:04 AM

À noite põe-se muito bacelo; de manhã está todo murcho.

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 12:24 PM

Chegas mesmo a 25! Tu é que és o Pai Natal?

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 12:27 PM

24 às 20 h, de avião. Queres mais pai natal qu'isto? com o aquecimento global (Esse que os liberais tugas, coitados, negam, porque acham que é giro, enfim paneleirices completas) o pai natal agora chega dos sítios quentes, a neve está fora de moda

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 12:35 PM

ritalps, por alguns nomes deverá ter chegado uns bons anos depois. nós já a cair da tripeça, talvez

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 12:37 PM

PQ, v. tem aí post. bote-o homem, deixe lá as políticas, avance

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 12:38 PM

Lagoa, "camionetas"? dessa não me lembro.
lembro sim uma "marília" com piloto automático, mas outras recolhas já não recordo

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 12:39 PM

"marília" da porta aberta!

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 12:55 PM

(e de tanque vazio)
a mais pequena limousine, banco ao contrário ...
bill, o que foram aquelas camionetas do eng. lagoa?

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 01:04 PM

Sábado a chover e bêbados a beber, nunca ninguém os pode vencer.


Não sei! Talvez camioneta para carregar o carregamento que o carregava ao fim da noite.

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 01:32 PM

Pois, mas não fui eu que acabei a dormir debaixo duma (camioneta)

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 02:01 PM

Nem eu.

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 02:06 PM

Tu tb não Bill, bem sei. A ti só vi passarem várias camionetas por cima

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 02:12 PM

Sempre gostei mais de as descarregar...

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 02:20 PM

os ilustres visitantes desta caixa de comentários fiquem cientes que o jpt não tem qualquer responsabilidade actual nem passada sobre actos e dizeres de alguns (ALGUNS) comentadores desta praça. Mais se informa, face a hipotéticos subentendidos que alguns diálogos possam aparentar, que nunca o jpt dormiu debaixo de uma camioneta, e se o fez dentro de uma camioneta sempre terá acontecido bem longe das paragens modistas do dito Bairro Alto, em veraneios pobretanas
Aproveito ainda para informar que no relativo a descarregar camionetas só me terá acontecido aquando de alguns juntares e descasares de amigos, entre os quais eu próprio, sempre, repito, sempre à luz do dia.

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 03:41 PM

Tá bem abelha!

Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 05:12 PM

Também sou do tempo dos Pastorinhos (ou dos 3 Pastorinhos), e do Rui à porta, o Eduardo lá dentro. Mas não me lembro já muito bem se andei por lá no Bairro a fumar coisas estranhas ou lá o que isso é. Acho que os Pastorinhos agora se chamam Naperon e voltaram a ter música do Eduardo, mas também posso estar enganado, jpt.

Paulo Mascarenhas

Publicado por: PPM às dezembro 7, 2005 05:53 PM

mau...confesso que essa da camioneta não sei. mas ó bill, lembro-me de voltar a pé para casa contigo ... e de ficares a dormir no carro enquanto alguém ("alguém") ia buscar gasolina, chovia que nem em África, e ..., e ...

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 05:55 PM

ah, e só para responder a uma pergunta nos comentários ao outro poste, claro que gostávamos de o ver por lá. Com fundadores e fundadoras.

Publicado por: PPM às dezembro 7, 2005 05:57 PM

3 Pastorinhos, porquinhos, pastores, enfim...
Naperon? Raio de nome (se o lobo antunes sabe tem uma apoplexia, o homem abomina naperons: ou então escreve um romance de 800 páginas, a várias vozes)
Mas se a música é do homem - bem lá terei eu que ir visitar, no entre 26 e 30
(os Pastores eram o único sítio que era sítio que abria na noite de consoada, era um fugir à família logo a seguir à meia-noite. Tempos, obviamente, de solteiro - que aos pais faz-se isso, mas aos sogros nem pensar)

quanto às coisas estranhas que se fumavam, entenda-se bem, falo desses malévolos produtos hoje proibidos aos funcionários da OMS ... no meu tempo de juventude consumi, confesso, bastante, até com habituação física e psicológica. Marca "Porto" e "SG Filtro"

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 06:02 PM

PPM, como não me é possível (eu organizava uma romaria, pode crer, ou alguém organizava, dá aliás para perceber por esta caixa de comentários), faça-me lá o favor de transmitir o recado/homenagem que não icei de comentário a post. Se lhe for possível, claro está

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 06:09 PM

Bem, eu recordo de ver alguém esgueirado debaixo de uma camioneta de caixa aberta por sobre o empedrado do bairro alto já amorfo para se entregar ao resto da noite, desistente por assim dizer, não sei se eras tu. Bem, eu também recordo de tempos já quase adultos a ficarem literalmente ao comprido dois possantes amigos com um soquete do gajo do kremlin, mas isso já foi tão mais tarde que tambem não sei se foste tu. Bem, eu recordo acima de tudo as toneladas de post's que se lançavam em cada uma dessas noites, de bico cheio, e nos auspiciosos momentos em que não eramos interrompidos por casamentos benditos, mas também não sei se eras tu. Enfim, assim de repente eram imensas coisas, dessas imensas coisas de que já não me recordo, olha, por exemplo o Bill, que a partir das 5 da matina ancorava em qualquer "esquina" e se perdia das vistas. Mas de uma coisa tenho a certeza nestas das noites desenterradas, havia uma camioneta! Agora se me perguntares a côr ou quem por baixo dela dormia, isso tem paciência, são tempos dinossauricos.
Ah, e um 'abraço',
do tamanho da porta do frágil, ou maior ainda, volumoso, em postal de belle epóque, ou mesmo um fado, cantado lá no futuro, do mar, da ana, as anas, o futuro com tanto passado, e o Bill, quase a chegar atrasado ... garanto, havia uma camioneta nisso, ou pelo menos um atrelado, e tu estavas lá na frente a dançar de suspensórios.

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 06:33 PM

Isto já parece Jonas, que terá 25 anos no ano 2000...

Mas, jpt, não escrevo o post. As recordações são maioritariamente más. E não estou a falar nem das belíssimas conversas que tive com belíssimas gentes, nem das coisas estranhas que se fumavam nas esquinas, nem mesmo de coisas ainda mais estranhas que enchiam as casas de banho de ambos os sexos com 4 e 5 pessoas de cada vez. As outras, vou-as esquecendo :)

Publicado por: Paulo às dezembro 7, 2005 06:35 PM

hum...as minhas são maioritariamente boas. ou porque com memória mais selectiva. ou talvez menos atreito a casas-de-banho superpovoadas e razões adjacentes.
é, isto é só dar-lhe o toque, e fica tudo nostálgico, botão sensível - mas talvez, exactamente talvez, por serem memórias maioritariamente boas

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 06:56 PM

o lagoa tem razão numa coisa, nas "toneladas de posts que se lançavam em cada uma dessas noites".
o lagoa devia era içar estas memórias lá no seu apenas mais um (com aquele toque sensível - másculo mas sensível, entenda-se, qu'isto hoje em dia ... - que ele possui), coisa intimista (e não denunciadora, como estes comentários anunciam)

Lagoa, vai-te a isso. PAra primeiro mote: "onde é que está o bill?" "onde é que está o bill?"

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 07:01 PM

Eh,eheheheheh... o bill está aqui. Naqueles idos, estava em todo o lado... até em nenhures.


Publicado por: bill às dezembro 7, 2005 07:12 PM

Sensível o ca...neco ! Já vais dizer outra vez que aquilo é blog de gajas ... e além disso não retenho tão factualmente essas "maioritariamente boas memórias" como tu, nem tenho a capacidade para planar com apenas 1000 caracteres em tantos anos e situações como tu descreves. vai lá andando aqui em post's que a gente vai-te acompanhando.

(essa das casas de banho superpovoadas - é bem verdade, nunca percebi o que fazia assim tanta gente junta ...rs - traz-me à memória que no frágil, o tal de sempre, embora houvessem duas, devidamente etiquetadas, era absolutamente indiferente para qual se tombava na hora do aperto. )para ser franco devo dizer que me sentia bem menos constrangido no lado feminino que no suposto lado masculino, vá-se lá saber porquê ... mas enfim, não entremos por aí)

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 07:18 PM

de "gajas" ou de "gaijas"? nunca percebi
quanto ao resto, falo a sério. se não fazes em 1000 mete-lhe mais um zero nos caracteres e disserta sobre as coisas velhas e tão belas que eram ... etc e tal

quanto ao resto, enfim, por detrás daquele espelho não me lembro de nada

Publicado por: jpt às dezembro 7, 2005 07:21 PM

aquilo era um espelho? (tão grande para quê?) e eu a julgar que era uma marioneta pintada de roxo que ali decorava a entrada ... embora sempre tenha estranhado que ela se mexesse.

Do resto nada feito. Ando demasiado entupido.

Ah, e viva o SLB (atreve-te a apagar o comentário que eu vou fazer queixa ao ERC ou lá quem quer que seja essa gente importante)

E agora vou dar início ao meu momento de ausência de 30 minutos deste blog como revoltada forma de protesto

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 07:30 PM

Rapazes cheguei tarde a esta cavaqueira, mas rapidamente me lembrei de muitas noites bem passadas, um Panda vermelha que não era meu, e que o Bill sabia guiar no lado do "morto",ou melhor do lado imortal, pois que naqueles tempos a imortalidade era um dom que todos partilhávamos; uma marilia que funcionava a álcool etílico do condutor, condutor este que uma das vezes ao sair do carro caiu nuns arbustos e aí ficou durante uns breves instantes para uma reparadora soneca.

Publicado por: Prudêncio às dezembro 7, 2005 08:51 PM

E não havia aí nos arbustos uma camioneta? não sei porquê mas a carripana não me sai da cabeça. Panda vermelho ... tens a certeza de que não era teu???

Publicado por: Eufigénio às dezembro 7, 2005 10:37 PM

Pois que bela festa aqui se fez e deixa-te de coisas e passa como nos velhos tempos pelo BA, não pelos sitios dos "putos" mas pelos que restam da nossa geração e divertes-te à grande....na semana passada acabámos de pois do roteiro quase compelto aqui descrito no velho novo Jamaica.
Eufigénio, nessas vossas voltas nunca passaram à beira da dita camioneta por uma gaija a fazer o pino a dormir?

Publicado por: Luna às dezembro 8, 2005 03:04 AM

As minhas recordações também são maioritariamente boas, como as do jpt - não as mesmas é claro, porque julgo que não o conheço pessoalmente. Mas que me diverti muito há dez, vinte anos, por aquelas ruas do Bairro Alto, lá isso diverti-me.
E vou fazer uma posta sobre este súbito revivalismo que a tantos parece afectar. Se eu fosse empresário abria já uma casa para quarentões e trintões saudosos dos bons anos do Bairro Alto de finais dos anos 80, início dos anos 90 do século passado.
Ou será que eu é que estou a ficar velho?

PPM

Publicado por: PPM às dezembro 8, 2005 04:07 AM

Faltam coisas, a tasca do antónio (?)/joão (?) na diário de notícias, o horroroso, inenarrável Ocarina, o estaminé anterior ao Sudoeste
[Bill, aquela casa de fados que frequentámos com o Pinino, como se chamava? tenho foto, nós de fato e tudo, coisa de 90/1]
A Tasca Verde (sucedâneo da Tasca Azul, na Atalaia, coisa de 85 para aí, quando os arrivistas arrivaram à TAzul) ... as putas, então a serem expulsas para a zona de cima, tasca a tasca, resistentes, velhas, gastas, ancas quadradas, a saírem com clientes, esses alfacinhas antigos (todos eles a olharem-nos como se extraterrestres fossemos, e éramos), elas à saída a deixarem a mala nas arcas frigoríficas das tascas, não fosse o diabo tecê-las (e este pormenor é uma imagem espantosa, que me segue ainda hoje) - mas éramos novos demais, e burgueses, para atentar nesse mundo de putas velhas (ou gastas), éramos imortais ainda como se disse acima (Prudêncio, andas cá? também tu no "Denuncionismo"?, queres que dedique um post aos "podres", aliás aos "puros", de cada amigo? já agora, o panda vermelho não era teu?), não tinhamos ainda a grandeza abissal de saber que elas são o nosso carinho (quase nunca correspondido, quase, quase)

e o roteiro dos restaurantes, antecâmaras, a começar, na cronologia auto-biográfica no Alfaia, para acabarmos nos restaurantes Pap'Açorda, sinal da idade e do taco que correu, e até bastante para a maioria - e acabarmos (ou eu, que aí vou pouco) num tal de Bica de Sapato (e às vezes juntando almoço com jantar, rodando mesas, bebendo como jovens, falando como mais velhos feitos jovens), a ser maltratados por empregados saídos de doutoramentos de filosofia, casas de massagem gay, agências de modelos, até um bijagó chamar uma empregada preta num "ouve lá, anda cá" a gelar os antigos farristas agora feitos gente fina, e num "ouve lá de onde és" que da guiné diz ela e ainda "porquê" porque "traz lá uma moçambicana" e aquela a vir e a paneleirice dos bons costumes da clientela a ser desprezada, a estética arrivista a acabar e a passarmos a ser outra vez farristas, respeitadores, mas farristas. Lembras-te disso? ó prudêncio? gente a envergonhar-se da idade, no bomcomportamentismo fajuto de aceitar as hierarquias dos habitués (como se pode ser habitué se no estrangeiro, na família, no trabalho, na idade?), desprezando o estatuto da aristocracia da antiguidade. Sim, já não somos imortais, não há tempo para perder com demoras dessa gente miúda que não consegue adivinhar quem vem do antes e que é imortal, lhe hás-de continuar no depois - mas isto já está ensaio sobre o hoje (mais ou menos) daí


Luna, ainda hesitei no roteiro do after-hours, meter ou não, mas isto foi um mero comentário, esgalhado, não tanto um roteiro autobiográfico/etnográfico. Sim, o Jamaica do Mário Dias, o Tokyo (onde fui comemorar com um bloguista sensível e um outro grande quase bloguista o nascimento da minha filha, post de há algum tempo), num deles acabava com a ultima valsa, o shangri-la, entre o ainda putas e o já não (e o afinal outra vez, dizem-me), e depois acabar com é mundo maravilhoso de quase crooner no plateau (rock, o úlitmo sítio de rock) ou ser espancado no Kremlin (sim, as denúncias do vil lagoa às vezes são quase certas), a antes a meia hora de slows no whispers (onde um jovem incauto desce). E, mais que tudo, a "Cave Adão", a substituir o Frágil Africano à s.bento, fantástico local, dança entre bifes de ceia. Queres continuar Luna (et al)???

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 10:53 AM

PPM, a abrir algo para esta gente é melhor ser um clube, coisa fina e recatada. Que isto é mais gargante, já ninguém se aguentaria em "trepidanças"

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 11:00 AM

ai Zé, se quero continuar! Todos esses eram mais que calcorreados, agora para além da estranheza de encontrares vários teenagers, tens o prazer de te cruzar com caras de 20 anos atrás e que começas logo a sorrir porque daí se adivinha uma alegre cavaqueira à roda de umas belas jolas e cigarrilhas...aguardo que me convide quando por cá passares a trilharmos (os que a nós se quiserem juntar esses caminhos da memória

Publicado por: Luna às dezembro 8, 2005 06:07 PM

desculpa os erros, não é lamechice, mas emocionei-me com estes todos comentários e respostas tão bem escritas(só duas pessoas na blogosfera me encantam com a escrita da manta velha, ambos olivalenses. Têm esse dom de me emocionar com narrações que a mim me são tão familiares.
Pronto, não comento cá mais....vou continuar a passear em silêncio, mas gosto tanto, tanto destas tuas recordações,

Publicado por: Luna às dezembro 8, 2005 06:10 PM

Caro jpt, já cá faltava o roteiro after hours! Bem, então e a Lontra? (nota: a última valsa fechava o Jamaica, o Mário Dias trouxe a moda de um sítio mais antigo, cujo nome não me ocorre agora, que é antepassado disto tudo e ficava ao começo da Almirante Reis)

Publicado por: Paulo às dezembro 8, 2005 06:24 PM

A faltar o Lontra??? Ó homem, o que é que V. acha que é o Frágil Africano??? Aquilo era o máximo, principalmente para os imberbes bebedolas que mal chegavam perdiam as amigas. MAs súbito, na 2ª metade de 80 deu um ataque de possidonice aculturada aos senhores empresários, foram-se para obras, encheram aquilo de decoração à la urbano-depressivo modista (o tal Frágil Africano). Durante as obras, longuissimas, as gentes passaram a ficar pela Cave Adão (não me lembro do nome da rua, é a do elevador, e que tem um nome de instituto de reabilitação de junkies - meu deus, há tanto tempo longe de lisboa que já nem sei o nome das ruas), e a ganhar com a troca, que aquilo era muito mais.

Sim, a Última Valsa era do Jamaica (como o it's a wonderful world era no plateau, que é muito menos lendário, até porque "intercultural", menos patine, interestilos, ou seja, a permitir a coexistência dos com pose com os sem pose (e com os da pose da sem pose) mas a primeira grande casa para esta geração, e a fechar mais tarde - lembro-me do Macário Correia, pobre imbecil, ali às escadinhas a fechar as casas às 4 da matina).

Antes do meu tempo houve o Absinto, só lá fui uma vez. será desse que fala?

Já que neste assim talvez de recordar a reinvenção do rio oriental, feita pelo Manuel Reis (X aniversário??) no armazém ainda armazém, uma festa opípara, gigantesca e, seja, visionária. E num esquema mais beto o "Metalúrgica", a abrir a 24 de Julho ao rio, pese o comboio à frente

Falando verdade não haverá para aí um tipo a fazer um livro, etnográfico ou objecto, a reestabelecer os roteiros da noite lisboeta (80/90) - foi uma mudança cultural grande (a noite, o rio et al). E haveria muita gente a comprar, em especial se com fotos

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 06:44 PM

Luna, o se queres continuar era para botares as tuas memórias...que de saídas já aí disse, duvido que haja verdadeira energia para andanças

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 06:47 PM

E (aí) a minha noite morreu no Bar do Rio. Aliás, já tinha morrido, eu ali era mera sobrevivência. Nunca me diverti por lá, já não era meu tempo.

Depois apareceram os boatões das docas. Uma vez cheguei de um estrangeiro qualquer e levaram-me a jantar, grupo grande, a qualquer coisa como blues café ou assim parecido. Entrei, dia de semana cedo, aquilo vazio, restaurante e depois dançaria. Comentei para a Inês (festa de amigas dela), até estupefacto, olhando para a decoração e a meia dúzia de tipos de casaco azul pelos ombros ao balcão: "mas isto é um bordel". Logo todo(a)s a protestarem com o meu mau-feitio. Uns meses depois lá me diziam os veteranos que ali os sorrisos pagavam-se (e caro, que eram finos). Isso foi antes das putas de mesa dançante, mas isso já não é do meu tempo aí.

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 07:03 PM

No lontra havia a melhor música, naifas que se puxavam por tudo e por nada e mulheres entradotas, mais ou menos da idade das que agora mais admiro, que nos queriam fazer a folha ... no absinto (esse tal que não é do teu tempo ...pufff )... lembro-me da minha primeira namorada e de uns cocktails tropicais para darem coragem que na altura a coisa só avançava aos tropeços, tipo post's que um gajo revia vinte vezes antes de mandar cá para fora ... e quanto á falta de pedal isso há-de ser doença dos trópicos, que não há m~es que não me mande para a noite, quase sempre esse tal Tokyo, coisa que se parou no tempo para a gente a ele voltar, e muitas vezes com o Bill, ainda no fds passado, nós e as respectivas e as bocks e as respectivas, grande dançaréu ... fala por ti oh desterrado que aqui ainda ninguém tem artrose.

Publicado por: Eufigénio às dezembro 8, 2005 07:13 PM

Bar do rio o caraças , aqui, mais próximos, tratava-se aquilo por bar do cio ...

Publicado por: Eufigénio às dezembro 8, 2005 07:17 PM

Quanto ao Absinto tu és mais velho. Talvez nada hoje, um pouco na altura. E, se calhar, precoce.
Quanto à artrose eu digo que a noite aí para mim acabou há muito. Pura e simplesmente não me divirto. Também estou pouco tempo e o máximo que arranjo é companhia para um ou outro almoço. Há excepcionais jantares, mas condignamente em casa de anfitriões (aí sim, as pessoas civilizámo-nos, a arte de receber em casa substitui a jantarada em restaurante da moda). Mas há outras noites em outros locais - talvez me debruce sobre a noite maputense em algum dia. Mas cheguei menos fresco

Quanto ao Tokyo, não acabei eu de bisar a referência a uma festaça por lá há 3 anos em companhia de bloguista sensível?

Publicado por: jpt às dezembro 8, 2005 07:33 PM

Bolero.

Publicado por: bill às dezembro 9, 2005 11:46 AM

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