« | Entrada | Etnografia »
novembro 27, 2005
Lusofonia
De um colega amigo de passagem por Lisboa recebo um email contando dos seus afazeres. Aqui transcrevo uma parcela, talvez significativa. E, note-se, despreconceituosa. Eu fico-me com o sorriso. Ei-la:
Ontem fui a uma coisa chamada "Ciclo de Reflexão Lusófona" que se realizou na Assembleia da República (auditório do Edifício Novo). Oradores Assunção Anjos (embaixador de Angola e presidente do conselho superior do referido ciclo), Ernâni Lopes (presidente), Júlio Corrêa Mendes (vice-presidente), André Jordan (brasileiro), Natália Carrascalão - antiga deputada na ass. da rep. que esteve em Timor - Francisco Knopfli, Luís Fonseca da CPLP e Diogo Freitas Amaral para encerramento. Infelizmente não fiquei para as três últimas apresentações ( ...) . Quase me esquecia, a conferência foi aberta por Jaime Gama.
Tema da conferência: "30 anos das independências dos PALOP. O papel estratégico da CPLP: da descolonização à construção do futuro". O "ciclo" pretende-se uma oorganização da sociedade civil, mas posso adiantar que é algo sério, pessoas interessantíssimas e com reconhecimento no DR como associação (DR III Série, nº 266 de 12 de Nov de 2004). Ernâni Lopes apresentou um documento que se chama: "Nos 30 anos das independências, 30 teses sobre a lusofonia". O documento apresenta alguns pontos interessantes. Veja as teses sobre o que é a lusofonia divididas em 4 componentes: a) formal: língua portuguesa, b) antropológico: construção/elaboração secular de uma matriz histórico-cultural, c) geopolítico: conjugação de vontade dos Estados Lusófonos para reforçar o poder à escala global, d) sociológico: sentimento popular de identidade interna e indentidade nacional de unificação pelo Estado e pela língua.
Isto já vai longo, erá só para dar algumas dicas depois de ter visto no blog as suas reflexões sobre a lusofonia.
Confesso que fiquei impressionado com as apresentações. Acredita que não foi mencionado outro país nas apresentações de fundo (Ernâni Lopes e Júlio Mendes) que não fosse Angola, Angola e mais Angola... Em vez de se chamar ciclo de reflexão da lusofonia deveria se chamar ciclo de reflexão de estratégias para "assaltar"/investir em angola. Vou parar por aqui antes que isto se transforme num tratado
Adenda: Paulo Gorjão teve a gentileza de aqui deixar o discurso de encerramento desta conferência, proferido pelo Ministro de Negócios Estrangeiros português, cujo tom e teor é distinto do reconhecido pelo meu amigo - frise-se que este mesmo dizia não ter assistido ao encerramento. "Angolocentrismo" no restante ambiente? Fica a hipótese. Mera.
Publicado por jpt às novembro 27, 2005 11:52 PM
Trackback pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://maschamba2.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/113641
Comentários
Caro JPT:
http://65.98.82.3/mneii/mne/info/?id=514
Publicado por: PG às novembro 28, 2005 12:13 AM
PG, muito lhe agradeço. Coloco já em adenda.
Ainda assim registo que o meu colega ali dizia, "infelizmente não fiquei para as 3 últimas apresentações" (e o MENE encerrou). Talvez querendo deixar nota da sua sensação de um angolocentrismo. Enfim, talvez sim, talvez não
Publicado por: jpt às novembro 28, 2005 01:04 AM
Caro JPT,
Alguma prevalência de Angola na conferência poderá estar -- obviamente, entre outras razões... -- relacionado com a visita dentro de dias de Freitas do Amaral a Luanda.
Um abraço,
PG
Publicado por: PG às novembro 28, 2005 01:16 AM
Pois, talvez. Razão de peso (desconhecia por completo). Ainda que pelo que (pouco) percebi da conferência ela me pareça algo de âmbito mais vasto do que debruçada sobre a conjuntura da agenda governamental. Mas não exagerando, compreende-se que o ambiente influencie temáticas e abordagens.
OBrigado pelo enquadramento
Publicado por: jpt às novembro 28, 2005 01:20 AM
Caro JPT,
Obviamente, ambos sabemos os apetites que giram à volta de Angola. Não somos ingénuos...
Um abraço,
PG
Publicado por: PG às novembro 28, 2005 01:31 AM
E nesse ciclo de Angolocentrismo - porque cada vez mais há menos Lusofonia, a começar no sítio da CPLP - foi igualmente debatido (em off record, claro está) uma questão chamada "Casa de Angola" entre o embaixador e um dos oradores que, por acaso, até está na Lista que mais fez por que houvesse eleições. Não é em vão que esssa personalidade não apareceu na data aprazada para as eleições. Se isto não é Lusofonia angolocêntrica então o que é? E note-se que é um angolano a falar (leia-se a escrever).
Um abraço. Eugénio Almeida
Publicado por: Eugénio Costa Almeida às novembro 28, 2005 02:28 AM
Caro ECA como há-de compreender para quem está longe (da geografia e desse saber particular) isto ficou um pouco hermético. Aparenta questiúnculas, mas não essas, afinal, a essência do ser?
Publicado por: jpt às novembro 28, 2005 02:51 PM
eu ainda quero ver sobre que mais é que o Ernani Lopes vai apresentar estudos e propostas...
O homem deve andar a tirá-las da gaveta!!
Publicado por: fc às novembro 28, 2005 08:10 PM