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novembro 20, 2005
Ícones
Quem lê este blog já se cruzou com o meu desgosto pelos falsos libertários, adeptos de miseráveis ditaduras, atrevidos passeadores de inaceitáveis ícones guevaristas e similares. Sei que em muitos casos mero modismo, nada mais do que ignorantes de shopping centre auto-imaginando-se andarilhos do mundo. Mas em muitos outros casos não, arreigados aos sonhos sanguinários que perseguiram e prosseguiram. E, até, materializaram. Sanguinários e incompetentes, ainda por cima, di-lo o tempo que se lhes passou. E os povos, esgares aos novos disfarces.
De quando em vez lá me caem em casa as justificativas, os elogios aos porta-chaves, às t-shirts, às citações, aos cartazes com o pin-up Guevara ou coisas parentes, uma "iconologia da liberdade" fazem-nos.
Já nem sorrio a esse refúgio, como se desculpa, no simbolismo, nos "ícones" da liberdade. Reparo que nunca vi ninguém, desses "democratas" ou outros, vestido com esta t-shirt.

Jeff Widener (The Associated Press).
Sei bem porquê, esses alter/libertários, mesmo os tais mais ignorantes, sabem que ali são os dos tanques. Nem ficaram muito bem na foto, nem lhes dá jeito o simbolismo.
[Foto retirada via A Arte da Fuga]
Publicado por jpt às novembro 20, 2005 03:40 PM
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Comentários
Esta surpreendeu-me da tua parte. Sendo um homem das ciências sociais não percebeste que esta foto pertence, totalmente, ao imaginário da esquerda? O pequeno Charlot a enfrentar os poderosos?
E, é claro, já naquela altura nenhuma esquerda minimamente séria se identificava com os senhores de Beijing.
Muito provavelmente se vendem, nas mesmas lojas, tshirts com o Guevara e outras com esta foto. É possivel que o Guevara tenha mais saida (era graficamente mais atraente) mas, em termos ideológicos, representam exactamente a mesma coisa: o pequeno cidadão contra o opressor.
E se os vendedores de tshirts, sem dúvida liberais atentos ao mercado, não colocam mais destas à venda é porque nem sequer de dinâmica de mercado muitos dos liberais percebem. Ha ha ha (riso cínico)
Machado
Publicado por: Machado da Graça às novembro 21, 2005 08:43 AM
Machado és tu que falas do tal "homem das ciências sociais", não eu, que aqui não trabalho. Mas ainda assim, em sendo-o cabe-me analisar factos. E aos pressupostos vê-los como factos a analisar e não como dados, como real (isto é muito grosseiro, mas aqui é hóbi). Tu dizes "Muito provavelmente se vendem, nas mesmas lojas, tshirts com o Guevara e outras com esta foto" - pois, mas isso é mero pressuposto, melhor dizendo um pressuposto enunciado a posteriori. Eu olho os factos que me circundam (não universais, claro, mas o que conheco): nunca vi ninguém com esta t-shirt. Mais, qualquer tipo em casa produz uma t-shirt, um poster, a tecnologia permite-. Nem as alter-modistas, perdão, estilistas, nem os "movimentos sociais etc e tal" se dedicam a isso (a producao deste tipo de material nao é apenas, como queres, entre gargalhadas, dar a entender monopolio de meras empresas. o marketing politico é basto produtor). Repito, seja lá como das ciencias sociais seja com nao, a realidade é da falta de apelo desta simbologia para tantos adeptos de "causas justas". isto sim, é um dado analisavel pelas tais cienciais.
Mais pressupostos teus: o tal imaginario de esquerda. o que é esse? (do que dizes induzo-o um pouco cristão). dos guevarismos actuais torna-se-me óbvio ditatorial, sociocida, ignorante (anti-ilumista, anti-"esquerda"): racista (Vs lideres negros bebedos, corruptos e inaptos (lá no meio mondlane, e tu sabes), sanguinario (nos el paredon desse mundo quem se encostava, so poderosos ou charlots avulso?), etc e tal
Ou seja, tambem, que esquerda é essa, "minimamente séria". a do machado da graca? peco desculpa, mas sem desmerecer a tua opiniao, nao chega para definir
Grafismo atractivos: qualquer designer minimamente talentoso tira mais beleza e atraccao de um homem so diante de um grupo de tanques do que de um imbecil barbudo. pretensa ironia a tua que esconde o silencio da tal esquerda maximamente falsa sobre esta situacao, ou melhor, a incomodidade sobre esta realidade
(recortei do savana uma foto tirada na assembleia de jornalistas na beira, foto de fernando goncalves. dois homens de costas lado a lado, que julgo conhecermos: um tenho a certeza que é o fl, outro julgo ser o fm. Um tem uma t-shirt (apropriada ao momento) que nas costas diz "viva a liberdade de imprensa", o outro tem nas costas uma citacao de guevara sobre a liberdade, as palavras etc e tal. Tive para postar, nao o fiz porque conheco as pessoas. Nem imaginas o .... que senti. nao sao ignorantes, nao sao iletrados, nao sao ingenuos. e ombreiam, em momento institucional, vestuario cuidado, casual smart dir-se-ia noutros meios, associando as reclamacoes de classe profisional e de cidadania (liberdade de expressao) com a efige das ditaduras. Liberalismo? no mercado das imagens procurar o que da mais lucro? inconsciencia?
nada disso...apenas uma particular forma de entender liberdade para nos, el paredon para os outros. dai-lhes o varao (?),conhecereis o vilao, nao é biblico, é popular. Repugnante. Como repugnaria chaplin
Publicado por: jpt às novembro 21, 2005 09:43 AM
Teixeira
Deixa-me perguntar-te qual das lutas do Guevara não achas justa. A contra o Fulgêncio Bautista? A contra o Mobutu? A contra um qualquer fulano na Bolívia, de quem não recordo o nome, apoiado pelos americanos que, de resto, decidiram o seu fuzilamento?
Se bem recordas, o bom do Ernesto deixou o Fidel a fazer aquilo de que tu não gostas e foi pelo mundo a lutar por aquilo em que acreditava. E nem precisava disso. Tinha garantido tacho e mordomias em Cuba, mas foi arriscar a pele até lha furarem toda.
Chamares imbecil ao gajo também me parece um bocado exagerado. Já leste algum dos livros dele?
Porque não guardar a designação para outros mais merecedores?
Machado
Publicado por: Machado da Graça às novembro 21, 2005 02:22 PM
já machado. o primeiro que li tem, como é meu costume, o nome e a data. li-o logo, 1978 (13 anos). o diário na bolívia (edição circulo de leitores): partes que dizem que os camponeses nao aderem ou não cmopreendem. eu tinha 13 anos e lembro-me de perguntar em casa, mas a sério, se os camponeses nao aderem o que é que ele estava lá a fazer. 13 anos, ou eu sou um génio ou o gajo é um imbecil.
tachos? foi posto a andar. vamos deixar-mo-nos de merdas. guevara era o duro na liderança cubana, não era o poeta lindo para meninas orgasmarem, gays tremerem e liricos liricarem. mais, foi ministro e foi desgraça. saíu por que gostou, profissional
é muito simples, mas é de uma simplicidade inintelectual, dizer que se um regime é mau devemos apoiar quem o combate. no momento até talvez, mas 50 anos depois naõ me parece que machado da graça e quem está mais próximo dele se atirem ao ar com loas, vestidos com t-shirts alusivas, a truman e churchill porque combateram hitler.
isto ultrapassa muito o barbudo imbecil (o tal para quem nyerere, kaunda ou mondlane não percebiam nada disto - é interessante que só fica o registo do kabila, dá jeito ao mito). tem a ver como as opções quanto a ícones denotam a irreflexão sobre a história próxima. Tem-la no teu país a rodos (ai os exemplos ficam para conversa) tem-la no chic que sucedeu ao soviet chic. Ou talvez não seja mera irreflexão sobre a história próxima seja mesmo adesaão à história próxima
(lateralmente há outro ponto, meramente pessoal: sempre, desde rapazinho, me irritaram as vestes com escritos. as publicitárias e as propagandisticas. não é pormenor, é pormaior. se visto algo ao menos que me paguem. ou que, realemnte, eu saiba o que significa)
Publicado por: jpt às novembro 21, 2005 02:45 PM
Caro jpt, um apontamento: o meu post no aAdF não era tanto sobre a imagem ou o líder reformista reabilitado, mas sobre o horror de centenas de protestantes mortos (a menor estimativa conta 500)...
Publicado por: AA às novembro 21, 2005 05:48 PM
Ora foi preciso chegar ao último parágrafo para estarmos de acordo. Eu também não vou muito à bola com roupa propagandística.
De qualquer forma este último parágrafo poupou-me a despesa de ir mandar fazer uma tshirt com o chinês para usar no dia em que fossemos beber o tal copo.
Quanto à tua visão da história do Ernesto, já sabemos que não nos vamos entender e, portanto, o melhor é concordarmos em como discordamos.
Do Churchil sei pouco, quase nada, e, portanto, não tenho opinião. Do Truman já te disse que era preferivel ele ter-se preocupado em tirar a mãe da vida em que andava do que fazer o que fez no Japão.
Um abraço
Machado
Publicado por: Machado da Graça às novembro 21, 2005 05:53 PM
caro AA, claro. Mas eu aqui falo da imagem, fantástica, única, célebre, do homem face aos tanques (e em tv ainda mais, com o ziguezaguear do tanque e delel), não da imagem do lider.
De qualquer modo eu ao ver o seu post ocorreu-me escrever este texto. Aí brotou, não é mero comentário. obrigado, cumprimentos
Publicado por: jpt às novembro 21, 2005 06:40 PM
Machado, acho melhor bebermos um copo. Juro que não vou de t-shirt do churchill nem de cuecas do truman.
Publicado por: jpt às novembro 21, 2005 06:42 PM
Da tshirt do Churchill estás dispensafo.
Agora as cuecas do Truman já me parecem uma ideia mais aliciante...
Machado
Publicado por: Machado da Graça às novembro 22, 2005 07:26 AM