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novembro 30, 2005
O post do mês
é este. De longe.
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Transpórtis virtual di Kauberdi pa Aulil
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Teatro Nice


Publicado por jpt às 01:26 PM | Comentários (4) | TrackBack
Isto de viver num país de enorme multiplicidade religiosa, até a nível individual, influenciará um tipo quando olha para a sua paróquia? E os párocos lá locais?
Publicado por jpt às 01:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
Crucifixos e Touros
Nunca fui a uma tourada. Pouco me dizem, mas nada levo contra. Já o mesmo não digo dos seus adversários. Gente de patacoadas, de pequenos frissons. Como não, se num país (num mundo) onde se engordam as aves como se engordam, se alimentam os mamíferos-carne como se alimentam, se transportam os bichos como se transportam, se zoologiza pequena minoria das antes "feras", se destroem os rios a bem da falsa economia, se rebenta tudo a bem da construção, se esbanja para uma meia dúzia de hectares no sujo rio lisboeta e em outros de futebol e se deixam queimar os milhares de resto sem meios nem norte. Como não se num país do animal pato-bravo? Adversários de touradas? Para mim eram pasto de forcados, nada mais que ervas daninhas inconsequentes.
Largadas de touros? Ok, etnografia, festas populares e isso. Tudo bem. Mas nunca fui, nem na terrinha nem lá em Pamplona. E no tal Hemingway preferia as partes das bebedeiras e as histórias de impotências. Mas não seja por isso, nada tenho contra.
Há anos Barrancos. O poder, o Estado, sem saber o que fazer. Lá o povo do casal a exigir matar o touro, coisa cultural, coisa tradicional. O poder, o Estado a arrastar até ter que fazer. Resistência cultural, tradição comunitária (ninguém falou em folclore, sinal dos tempos). Então, e para não se cansarem mais nem terem que decidir (ah, o tempo de Guterres), respeito pelas especificidades culturais, atenção (e medo, e medo...) às resistências populares. Daí ao multiculturalismo e ao pluralismo jurídico. Excepção à lei, esta deixando de ser universal no país. Matem lá o touro e não chateiem, não prejudiquem o verão, não agitem as sondagens. Ainda que pluralismo jurídico, ainda que multiculturalismo comunitário, ainda que o direito à tradição (seja lá esta de que cimento for).
Eu, na altura, ainda que nada contra as touradas (não as assistindo), nem mesmo as de morte, ainda que nada contra as largadas (não as assistindo), ainda que festas populares, ainda que etnografia, ainda que folclores de alguns, direitos comunitários de outros, turismo para tantos, lá resmunguei em tempos de pré-blog. Era de chamar a GNR, traulitada à antiga. E, se em caso absurdo e até limite, munições reais. Leis diferentes? Segundo a tradição local? A tiro, a tiro, não tem o Estado o "monopólio da violência legítima"? Não é para isto?
Não, não é. Há que aceitar diferenças, multiculturas, histórias diferentes. "Não és tu antropólogo?" ainda me resmungaram.
Tá bem, sinal dos tempos. Ainda que tenha continuado a resmungar, tanta tradição agora proibida e também recuperável. Dar porrada nas mulheres, não partilhar a herança pelos filhos, não os levar à escola, fazer vinho carrrascão, as belas aguardentes bagaceiras, a agricultura sem limites administrativos, construir casas sem casa de banho, um sei lá mais o quê de costumes mais ou menos locais e não universais. E agora proibidos. Então aqueles alentejanos matam o touro e os outros não podem fazer o que séculos os ensinaram a fazer? Multiculturalismos? Respeito pelas tradições? As comunidades. E mais um bocado e lá viriam os cultos a falar de Herculano, o Alexandre, os municípios e isso.
Crucifixos nas escolas. Eu, é claro, desmontem-nos. A lei não é igual para todos? Não é essa "a questão democrática", não é o não isso que periga a democracia, que invoca ditaduras sidonistas, perdão, sebastianistas? Sem ser à força claro, que ainda temos a Igreja e sua turba em polvorosa, mas tirem-nos. Com firmeza. Com repúdio pela violação da democracia, da igualdade, da constituição?
Tem moral a fábula (história de touros, não é?)? Nada adjectivável. Só gargalhável.
Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (6) | TrackBack
novembro 29, 2005
Elos estruturais
Na coluna de elos à direita, na secção Moçambique, coloquei os elos ao ArtAfrica, um projecto da Gulbenkian coordenado por Fernandes Dias que procedeu ao levantamento de centenas de artistas plásticos nos países africanos da CPLP, e ao Muvart (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), este ainda um pouco desactualizado.
Publicado por jpt às 11:31 PM | Comentários (2) | TrackBack
Colectiva

Está em exposição no Centro Cultural Franco-Moçambicano e hoje, às 18 h, por lá haverá debate sobre mais esta exposição organizada pelo MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique [elo com história do movimento]). Em podendo assistir e participar o desafio é estimulante.
Já por aqui o disse, do interesse e carinho pela emergência do MUVART, das experiências de arte contemporânea que o movimento tem provocado. Num processo que não se esgota nos seus participantes, com particular relevo para o mais-velho Rosa, que até lhe é antecessor. À sua maneira, radicalmente individualista, prosaicamente anti-mercado. Tudo isso provado na sua recente individual, na Casa de Cultura do Alto-Maé, da qual infelizmente não retive nenhuma imagem: não tinha qualquer material de apoio (e eu sem máquina, ali avisado de surpresa), exposição de curta duração, âmbito reduzido. A fazer perder de vista uma mão-cheia de peças bem interessantes, em particular dois "quadros", falsos mimetismos, de excelência.
Do movimento MUVART mais haverá a dizer, começando a sua internacionalização, desde Jorge Dias em Lagos, Portugal, com 15 peças (ainda em exposição) à hipótese de Gemuce seguir a Dakar. E da participação alargada na colectiva lusófona que António Pinto Ribeiro organiza, e cuja itinerância aqui será inaugurada no Abril. E ainda da próxima grande internacional, a apresentar em Setembro.
Múltiplas razões para acompanhar este andar. Para mim uma muito em especial, para além da amizade: do "desafricanizar" da arte, da ruptura com o que aos artistas aqui é imposto, tanto por mercados de fora como pelos essencialistas de aqui, todos buscando, mercados subalternos ou ideólogos do presente, matéria-prima para discursos ditos identitários.


Sónia Sultuane: "De Dentro Para Fora"


David Mbondzo: "Lado A"


Tembo: "Forma e Conteúdo"


Muiengua: "Elementos Extruturados" (sic)


Mouzinho: "Campo Flutuante e Inconsciente do Significado".

[grupo, CCF-M, dia da inauguração]
Desta exposição, com curadoria de Jorge Dias, ele ideólogo do movimento, Sónia Sultuane, a poetisa que já colaborou poeticamente na anterior colectiva "Humano", apresenta o seu primeiro trabalho individual. A mim que me perdoem, palavroso ainda. Mbonzo coloca o trabalho que mais me interessa, visualmente. Mas também como proposta, no que pretende com este "Lado A" "Trago máscaras por serem formas que escondem a verdadeira ou falsa imagem do "eu"", assim também no não-visual a fugir às dicotomias. Muiengua [e é já altura de acertar em definitivo com a grafia do nome, em cada momento surge diferente] regressa com "Elementos Extruturados" (caramba, não há ninguém que possa fazer a revisão, limpar os erros ortográficos?), que já tinha apresentado e impressionado na colectiva Upanamo na Associação Moçambicana de Fotografia em Agosto. Regressa e prejudica, aumentou a instalação (mais 4 colunas?) mas nada mais. E encerrando a instalação na pequena sala que lhe coube fica um apertado do não-respirar nada voluntário. Algo que lembra o facto do "Franco", sendo o melhor local cultural da cidade, não ter uma sala de exposições - nesse sentido foi distraído o trabalho de recuperação do edifício e instalação de um centro cultural. Em lado nenhum, e com tanto espaço, se pode expôr com qualidade. Com os jovens Tembo e Mouzinho, tal com Mbonzo ainda alunos da Escola de Artes Visuais e aqui a estrearem-se em exposição, fico desarmado, nada me ocorre para além das discordâncias conceptuais. Talvez o incentivo de quem está a andar, a fazer brotar um processo.
Mas francamente, haverá pior para uma produção do que apenas gabar-lhe o facto de existir? De processuar? Acho que esta é uma encruzilhada para o MUVART, já andou o suficiente para não se justificar apenas o olhar simpático, o incentivo. A colectiva do ano passado, a colectiva Jorge Dias-Gemuce deste ano, puseram a fasquia alta. Chegou a altura de bater. Exigir. Provocar.
(texto retocado, integrando ainda novas ligações)
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Bloguismo em Mavalane
Dois anos de ler blogs. Belas surpresas com gente conhecida, belos blogs, até inesperados. A melhorar-me os seus autores, suas memórias ou seus convívios. E, claro, grandes surpresas com gente de quem não fazia a mínima ideia.
Mas também a desabarem algumas imagens de conhecidos. Esses campanhistas. Esses que sempre estão onde esperamos que estejam, seja lá o que aconteça. Sempre pendulares, inatacáveis segundo o "aparelhómetro". A complicar-me hipotético convívio. Mesmo que mero cumprimento de Matalane. Apertar a mão?, as boas-vindas a Maputo?, a quem faz do lúdico o torce-honra?
Depois recuo. E a quantos dos que aqui passaram, que me conhecem, lhes desabou boa imagem? E, pior até, confirmaram imagem?
Mavalane? "Então por cá?", "seja bem-vindo?", "precisa de alguma coisa?", "há-de ir jantar lá a casa". "Conheces?" perguntar-me-ão, "Sim. Um filho-da-, hás-de ler o que escreve". Tal e qual outros, se calhar. Mas se calhar, também, há limites para o relativismo. Entenda-se, da superioridade de quem não tem agenda. Aqui.
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Mais Knopfli.
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Envelhecendo
O Walter Rodrigues não se há-de incomodar que eu o cite, falando de Portugal: "Há um país profundo que um terço da população portuguesa, concentrada na sua única metrópole, ignora. É o país onde o 25 de Abril é apenas uma data de vaga memória, onde os crucifixos ainda não foram retirados das paredes das escolas. Estão lá pendurados há mais de trinta anos. Talvez há mais de cinquenta. Mas até agora ninguém se importou com o facto da democracia ainda não ter chegado a esse país. Depois hão-de queixar-se que os eleitores desse país aguardam ainda que um D. Sebastião surja do nevoeiro para os salvar."
Envelheço. Sei que há anos resmungaria este texto. Agora leio-o a meias com isto [excerto desta entrevista]. Só assim me faz algum sentido. Algum ...
Também andei textando e comentando crucifixos. Sei que hoje me apeteceria escrever
Há um país profundo que uma parte da população portuguesa, concentrada em apear crucifixos, quer desesperadamente ignorar. É o país onde o 25 de Abril é apenas uma data de vaga memória, onde os crucifixos ainda não foram retirados das paredes das escolas. Estão lá pendurados há mais de trinta anos. Talvez há mais de cinquenta. Mas até agora ninguém se importou com o facto da democracia ainda não ter chegado a esse país. Depois hão-de queixar-se que os eleitores desse país aguardam ainda que um D. Sebastião surja do nevoeiro para os salvar.
[para quem não perceba bem cruze, sff, com algumas das últimas entradas aqui.]
[olhe, e para não ser descrente do futuro, assine o Expresso, até vem novo director]
[olhe, e para não ser descrente do futuro, nunca aceite ser mordomo. Eles falam como se você não estivesse lá. Ou, pior, como se fosse deles]
Publicado por jpt às 12:30 AM | Comentários (6) | TrackBack
novembro 28, 2005
Inveja na ausência
O Blog do Leme. Post imperdível, Xutos & Pontapés featuring Eufigénio Lagoa.
Publicado por jpt às 11:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
Da tortura
Vindo da revista em papel aqui deixo as ligações, especialmente para os que se julgam mais pró-americanos:
Torture's Terrible Toll, artigo de John McCain (senador americano).
The Debate Over Torture, reportagem de Evan Thomas e Michael Hirsh.
Ou será a Newsweek um orgão de anti-americanismo? Isto, nos dias que correm, nunca se sabe.
Publicado por jpt às 11:45 PM | Comentários (0) | TrackBack
Então vão passar a andar a horas? Ou, pelo menos, a dias?
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Ah, e ao ler isto percebo porque é que hoje à tarde a Mtomoni tanto transbordava para a Engels e a Nyerere. A Tap (dizem-me que até houve exposição alusiva) e o tão esperado congresso de Agentes de Viagens Lusófonos, qu'agora isto é que se vai desenvolver.
Hum, um certo coiso de cargo cult? Cantarolo "os tempos já mudaram". Continuam a mudar, claro, mas já mudaram desde a canção. É como as gentes.
Publicado por jpt às 11:36 PM | Comentários (0) | TrackBack
Sobre Cahora Bassa, perdão..., a Tap.
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Do "correctismo"
Estou sempre a lembrar-me de uma jovem colega, espanhola de Estado, de região muito autonómica de coração. Aqui colegámos algum tempo, ela centrada nas questões do género, feminista até mais não. Ríspida na conversa, e até nos actos. Rispidez do radicalismo e de juventude, diziam alguns. Comigo a negar, a pensá-la ao contrário, coisa decerto crescente com a idade, uma rispidez onde lhe adivinhava eu o desprezo por nós, portugueses, coisas colonialistas, por nós, conservadores, coisas de antanho. Acima de tudo por nós, coisas exploratórias. E tudo isso misturado com toque de má-educação, esse mesmo que há quem pense ser o tal radicalismo.
Não se pense que a desgostei. Bem pelo contrário. Descobri-me no beneplácito sempre devido às mulheres bonitas, ainda que neste caso algo mitigado pela minha ocasional impaciência. Mas logo redobrado no prazer que sentia quando a via invectivar de conservadores/reaccionários os meus colegas, em especial os patrícios, tremelicando-lhes as belas auto-imagens de pensadores críticos e, até, radicais.
Já disse, lembro-me muito dela, do seu delírio do "correctismo". E do arquétipo deste. Certo dia referi, não lembro a que propósito, a "minha mulher". Fulminou-me, um esgar mortífero, o desprezo vincado, a contraposição ridicularizadora "tua mulher? pertence-te? compraste-a?" e eu, a imaginar-me a cara espantada (por esta nem dela esperava) ainda ali a matizar "ouve lá, ela também diz "meu marido"" mas isso já nem lhe interessava, nem ouviu, tão na raiva contra a incorrecção, o verme machista/patrimonialista que eu ali era.
Lembro-me imenso dela. Aliás, estão sempre a lembrar-me dela. Nos blogs e lá fora. Por vezes, em silêncio, solidário, até brindo ao homem dela. Perdão, ao "homem que vai estando junto dela".
Publicado por jpt às 01:54 PM | Comentários (9) | TrackBack
Etnografia

[Quarto de Vestir de Ateu (vista parcial); Maputo, 2005; pau-preto, autor anónimo; foto Jpt]
Publicado por jpt às 11:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 27, 2005
Lusofonia
De um colega amigo de passagem por Lisboa recebo um email contando dos seus afazeres. Aqui transcrevo uma parcela, talvez significativa. E, note-se, despreconceituosa. Eu fico-me com o sorriso. Ei-la:
Ontem fui a uma coisa chamada "Ciclo de Reflexão Lusófona" que se realizou na Assembleia da República (auditório do Edifício Novo). Oradores Assunção Anjos (embaixador de Angola e presidente do conselho superior do referido ciclo), Ernâni Lopes (presidente), Júlio Corrêa Mendes (vice-presidente), André Jordan (brasileiro), Natália Carrascalão - antiga deputada na ass. da rep. que esteve em Timor - Francisco Knopfli, Luís Fonseca da CPLP e Diogo Freitas Amaral para encerramento. Infelizmente não fiquei para as três últimas apresentações ( ...) . Quase me esquecia, a conferência foi aberta por Jaime Gama.
Tema da conferência: "30 anos das independências dos PALOP. O papel estratégico da CPLP: da descolonização à construção do futuro". O "ciclo" pretende-se uma oorganização da sociedade civil, mas posso adiantar que é algo sério, pessoas interessantíssimas e com reconhecimento no DR como associação (DR III Série, nº 266 de 12 de Nov de 2004). Ernâni Lopes apresentou um documento que se chama: "Nos 30 anos das independências, 30 teses sobre a lusofonia". O documento apresenta alguns pontos interessantes. Veja as teses sobre o que é a lusofonia divididas em 4 componentes: a) formal: língua portuguesa, b) antropológico: construção/elaboração secular de uma matriz histórico-cultural, c) geopolítico: conjugação de vontade dos Estados Lusófonos para reforçar o poder à escala global, d) sociológico: sentimento popular de identidade interna e indentidade nacional de unificação pelo Estado e pela língua.
Isto já vai longo, erá só para dar algumas dicas depois de ter visto no blog as suas reflexões sobre a lusofonia.
Confesso que fiquei impressionado com as apresentações. Acredita que não foi mencionado outro país nas apresentações de fundo (Ernâni Lopes e Júlio Mendes) que não fosse Angola, Angola e mais Angola... Em vez de se chamar ciclo de reflexão da lusofonia deveria se chamar ciclo de reflexão de estratégias para "assaltar"/investir em angola. Vou parar por aqui antes que isto se transforme num tratado
Adenda: Paulo Gorjão teve a gentileza de aqui deixar o discurso de encerramento desta conferência, proferido pelo Ministro de Negócios Estrangeiros português, cujo tom e teor é distinto do reconhecido pelo meu amigo - frise-se que este mesmo dizia não ter assistido ao encerramento. "Angolocentrismo" no restante ambiente? Fica a hipótese. Mera.
Publicado por jpt às 11:52 PM | Comentários (8) | TrackBack
Uma questão: qual a lei e prática das forças armadas portuguesas: em caso de necessidade as mulheres combatem em total igualdade com os homens? Ou há algum impeditivo ou algum matizar, legal ou da prática?
Publicado por jpt às 08:05 PM | Comentários (5) | TrackBack
Não sei bem de que andam a discutir (presumo, mas a distância não informada é, por vezes, um alívio). Mas ainda assim aqui resume-se bem.
Publicado por jpt às 08:02 PM | Comentários (2) | TrackBack
Hoje há Knopfli no sempre visitável À Sombra dos Palmares.
Publicado por jpt às 07:55 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 26, 2005
Homem do seu tempo?
"A vida não é um privilégio pessoal: é alguma coisa que nos ultrapassa como indivíduos; que pertence à natureza, à história e à sociedade. É dos homens como "todo", no tempo e no espaço, que se faz a verdadeira eternidade. E é só entre eles, na sociedade, na consciência e na acção, que somos e nos sentimos reais ...
Sob o signo da esperança, a própria dor se torna um mito."
[José Rodrigues Miguéis, Um Homem Sorri à Morte - Com Meia Cara, Lisboa, Estampa, 1989 [1959], p. 108]
Publicado por jpt às 05:20 PM | Comentários (0) | TrackBack
O que é que o cu tem a ver com as calças?
(para quem não queira perceber o imediato abaixo)
Publicado por jpt às 09:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
Iras bloguísticas
Ao cabo de quase dois anos disto de machambar, muita palha, bastante estrume e alguma colheita, só lamento mesmo uma coisa. A quase meia-dúzia de iras furibundas. Com um ou outro comentador aqui, com 3 ou 4 bloguistas lá fora. Desnecessárias e exageradas, decerto num ou outro caso, talvez nos outros. Olhando para trás justificada, justificada, só mesmo a supra-irritação com um texto censório, refugiado no implícito, que me negava legitimidade de escrever publicamente por razões profissionais e existenciais (um antropólogo português em África não pode escrever).
Coisa vil, coisa de geração assim crescida, coisa de ideologia assim mantida. E coisa absurda, a continuar meses depois, na caixa de comentários em blog alheio. Onde, apenas a propósito do bloguismo, apenas neste registo, vinha o tal censor pôr-me em causa profissionalmente, "falso professor" seria eu. A aleivosia fascistóide-comunistóide, a insídia. O colocar em causa o estatuto e a competência profissional de um tipo por causa de uma actividade lúdica, da forma como ele a exerce, como ele a brinca. Honestamente ... ao cabo destes quase dois anos foi este o único episódio que justifica ira (e desprezo). À minha outra meia-dúzia de blogo-iras o tempo mostra-a meio cardíaca meio ridícula.
Encontro agora, num registo um pouco diferente, o mesmo modo de actuar, a manipulação dos estatutos profissionais com intuitos de minimizar/contestar as vontades bloguísticas. Disfarçado de humor, a querer-se chocalheiro, nada mais do que a vertigem censória, policiesca. Está aqui. Não pelo que enuncia pois (porventura, não sei, recuso-me a ir consultar os documentos públicos que ali foram colocados) nada haverá de particular para enunciar. Mas por aquilo que demonstra considerar ser um modo apropriado de discussão, de blogar.
Miserável. E mais ainda por ser no blog de quem é. Patrono de um sistema de bloguismo. Duplamente miserável.
Publicado por jpt às 09:35 AM | Comentários (4) | TrackBack
novembro 24, 2005
Se não és bloguista de referência
não desanimes. Vai ao Google, revolucionário instrumento de equidade social.
O que diz (disse) a Internacional Socialista sobre o Iraque, sobre o Partido Trabalhista seu membro e o Iraque? "Esteve [est]a esquerda muda"?
Pois, vale o clic. Assim colocada a questão (e se cruzada com outros nomes, como os de dirigentes e partidos) nada de relevante para a matéria. Focando o assunto, ainda que indirectamente, imagine-se que apenas a nossa tão-preciosa MP. Com ela apenas mais um texto , e com o mesmo enfoque: a revista brasileira do Forum Social Mundial.*
Em ambos a mesma questão, a I.S. acha que a orgânica da ONU deve ser alterada. Hum, pouca coisa para o que procuro, o que disse oficial e oficiosamente a IS, que disse sobre o seu membro trabalhista britânico, que discussão houve ... Enfim, sobre a mudez não de direita, não me chega. Tenho que ir procurar noutras línguas, está visto.
Mas desisto, vou à minha vida. Com a sensação (a sensação, não sai daqui nada mais, qu'isto é só blog) que a esquerda, esta esquerda, esteve muda. Em português, claro. Mas também é natural, não havia gente de língua portuguesa com influência na organização.
***
* Revista do Forum Social Mundial que na capa anuncia artigo "África não é só música e tambores". Se o enfoque promete indigência (isto é negação que ainda se justifique? Em 2004? Para quem estão a escrever?) o título é extra-long de indigente: música E tambores? Então os tambores africanos servem para quê? Para falar? Ah, o inconsciente, os amigos do FSM a tantanizarem os africanos. Uma delícia, uma total delícia.
Publicado por jpt às 06:44 PM | Comentários (9) | TrackBack
Falando com o JPN
[Trazendo dos comentários aqui]
JPN, imagina os 25 anos de fim de curso liceal num liceu qualquer. P.ex. na antiga Escola Secundária dos Olivais, vulgo Viveiros, agora Eça de Queirós (com s). Almoço, os alunos de então a ver se se encontram, reconhecem. Eu vou, até anunciei no blog. Tu idem. Havemos de nos cruzar, sem nos vermos há anos. Eu chego, 90 e tal kgs, camisa aberta até ao umbigo, o tal cordão, um bocado lânguido com as antigas colegas, hás-de reparar durante o dia, bastante extrovertido até. Não catalogas, não julgas (aprecias)? Não te afastarás até, talvez em busca de outros?
A Luísa (lembras-te da Luísa?) já não tão bela, agora não mignone mas atarracada, mini-saia apesar dos também kgs, baton a mais, pechisbeques vários, tanto sentimento e beijos com os velhos colegas. Tu não idem? O Carlos (sabes?) agarrado ao sg filtro ainda, talvez ainda às ganzas isso não sabemos, com expectoração - nem se levanta, cospe para o lenço de pano. Tu não notas? A Mizé também se assoa, num lenço de pano. Tu não notas? O Orlando, o velho Orlando, depois do frango, a ele só sairam asas, palita abundantemente os dentes, retira o palito, olha, esfrega-o no prato, e recomeça. O Mendes trouxe a mulher, esta assim com um ar enfim, e chama-lhe "gajinha", até conta como conheceu a "gajinha". Tu gostas? O Finezas nota-se que deve estar bem, bem vestido, director, fala de carros e do apartamento em sítio bom, bem como das férias, distribui cartões de visita, se precisarmos de alguma coisa... Tu não catalogas? O ZéTó não engana, não saiu. Tu não lamentas? Tu não julgas? A Joana continua linda, está uma senhora, elegante, bem vestida, simpática. Tu não notas, não gostas? Já a Fátima, a Fátinha, tão bonita que era, agora matrona, bebeu umas cervejas e fala muito com o ... olha com o Flávio, o marido dela, que não é dali, até bufa. Tu não reparas? O Flávio, esse de África, já bebeu, o botão do umbigo já se desapertou, mete a mão no joelho da fátinha, tão bonita que era, riem-se ambos, o marido dela que não é dali já bufa, tu não notas. A mulher do Flávio ... como é possível, parece uma senhora (sublinho o parece) como é que está com aquele bimbo? (tu não dizes? tu não dizes o "parece" que eu te sublinhei?), ali enfadada. O Castro está careca e puxa os cabelos de um lado para tapar a careca. tu não reparas? Tu não reparas? O Santos, o santos da portela, está em forma, nem barriga, nem brancas, a idade não lhe passa em cima. Tu não notas, não invejas, não comentas? O velho professor de história está lá, um caco, tu não te assustas? O Albino é gay, está como os outros, mas é gay e tu não notas mesmo nada disto que notas nos outros, não podes notar, não queres notar, não queres classificar, não queres moralizar.
É só isso. Organiza lá o almoço, a reunião. E vê lá se não notas. Eu não vou, estou cá longe. Moralista, reaccionário, homófobo. A achar um gay tão palhaço como um straight. Tão puta como uma puta. Tão tudo como eu. E como o Quim.
[para lá do tom, que foi assim que saiu, abraço. E saudades]
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Ser um bloguista de referência
será ter talento, acuidade, elevação. Inteligência, estilo e ponderação. Convirá não ser desabrido, não praguejar. E, de certa forma, não ser autobiográfico (como disse, noutro contexto, o Francisco). Enfim, ter gravitas, como eu próprio (me) denunciei há tempos. Mérito.
Mas, acima de tudo, ser bloguista de referência é responderem-lhe às perguntas.
Publicado por jpt às 10:23 AM | Comentários (6) | TrackBack
novembro 23, 2005
Livro Aberto organiza votação para os "livros do ano"
O programa Livro Aberto vai lançar uma votação, entre os seus telespectadores, para elaborar uma lista dos melhores livros do ano.
Quatro categorias, atendendo ao ritmo editorial português:
- Ficção Portuguesa
- Ficção Estrangeira
- Poesia
- Ensaio
Na blogosfera, os votos são enviados para o endereço de correio electrónico deste blog blog sob a forma de listas constituídas por um máximo de dez títulos por categoria. Periodicamente, o blog publicará os resultados parciais e, no dia 5 de Janeiro, será conhecida a lista dos vinte livros mais votados por categoria, os finalistas, abrindo-se um período de oito dias para votações finais com base nessas listas.
Os resultados definitivos serão publicados no dia 12 de Janeiro no blog e na imprensa, além de resultarem numa emissão especial do programa Livro Aberto.
A partir de agora, a votação está aberta. Vamos às estantes recordar os livros que mais nos marcaram em 2005
Publicado por jpt às 11:02 AM | Comentários (1) | TrackBack
Obras Públicas em Portugal
Ide jogar o jogo da forca no Adufe.
E, tal como ontem, começar o dia com uma blogocitação: "Como se pode ver pelos estudos que já estão disponíveis ... a decisão tem pouco a ver com os estudos.".
Para se ficar mesmo mal-disposto ler aqui.
E nisto penso que há dias bloguistas compraziam-se com a mediocridade de quem tinha exigido os estudos e agora os ignorava. Pobre missão a do campanheador.
Publicado por jpt às 07:50 AM | Comentários (0) | TrackBack
Berlioz vetado
"A França também não escapa ao igualitarismo radical que por vezes se designa pelos conceitos de correcção política (political correctness) ou de pensamento único. Em 2000, a ministra francesa da Cultura, Catherine Trautmann, propôs que os restos mortais do compositor Hector Berlioz fossem trasladados para o Panteão. O projecto acabou por ser abandonado na sequência de uma polémica em que Berlioz foi acusado de ter sido politicamente incorrecto: terá participado na conspiração do Norte contra o Sul com a sua ópera inspirada na Eneida de Virgílio, Os Troianos (Le Monde, 29 de Fevereiro de 2000, 21 de Junho de 2000). Motivo da acusação: no terceiro quadro do quinto acto, é erguida uma pira. No momento de subir para esta, Dido apodera-se da espada de Eneias e, enquanto se prepara para se trespassar com ela, profetiza que um dia Aníbal será o seu glorioso vingador. Enquanto os Cartagineses amaldiçoam os Troianos, vê-se aparecer ao longe a visão de Roma eterna. Urbs, a cidade das cidades. A polémica suscitada por uma obra interpretada como um hino inoportuno à civilização ocidental e consequentemente o seu projecto de "dominação" foi tão acalorada que o presidente do Arte, canal de televisão franco-alemão, entendeu dever pedir desculpas por ter programado a transmissão da representação dos Troianos no festival de Salzburgo."
[Raymond Boudon, Os Intelectuais e o Liberalismo, Lisboa, 2005, Gradiva, p. 53]
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Animat'África
Via correio electrónico chega-me circular desta Animat'África, associação benfazeja, sede lá "no meu Portugal". Informam que há poucos meses realizaram uma missão de voluntariado em Conhanhe, aqui nas "vizinhanças". "Somos uma equipa de jovens empenhados, motivados e sempre realistas.", dizem. Espero, e creio, que sim. O sítio informático não é muito funcional, mas a boa-vontade parece abundar.
Confesso que não sou grande fã deste tipo de caminhos. Mas também não sou grande adversário. O voluntarismo é bonito e forma pessoas. Entenda-se, forma os voluntários, quase sempre gente boa. O voluntarismo, muitas vezes, tem um olhar que ... enfim.
Para quem acha que a solidariedade se pode, aconselho a visita. Para quem torce o nariz sempre vou lembrando que o adversário não é este.
Não deixo a nota, sem remoque. Não gosto do nome da associação, e não é pouco o desgosto. Coisas ideológicas, claro está. Ou seja, do conceber.
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novembro 22, 2005
Romances Portugueses
No A Natureza do Mal votou-se os "melhores romances portugueses dos últimos 30 anos" (o que há dias ecoei). Agora os resultados estão aqui.
Não deixo de sorrir (um sorriso flat) ao facto de um livro de Mia Couto ter sido votado. E lembro-me (sorriso não flat) de um artigo de jornal aqui, de há meses, coisa talvez de um ano. A cascar no Nelson Saúte. O motivo era risível (invejas como estrutura; porventura o desbocar habitual do Nelson como ignição desse dia): o Nelson queria ser tuga, ou pelo menos ia com deficit de ser moçambicano. Isto porque o escriba tinha lido um Jornal de Letras qualquer onde a coluna de livros publicados na secção "livros portugueses" incluía um do Nelson. E este não tinha protestado. Traição, pois.
A ver se o tal escriba (não lembro o nome) não lê blogs. Lá vem ditirambo, que isto não há pior do que autores publicados. E que ainda por cima são lidos.
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Homofobismo?
Nos tempos em que fui jovem andava por lá o costume de se mostrar a muita "macheza" (o que então era hetero, nem valerá a pena lembrá-lo). Coisa de baixa classe mas não só, também os então "queques", a classe média a querer-se alta. Nestes mais finos o macho era-se nos botãos da camisa desapertados, desvendando os pêlos do peito sonhados matagal e, fundamental, o cordão, se de ouro era um "must", que os adornava e iluminava (aos pêlos, claro). Sofriam os glabros. Discriminados, acontecia-lhes até raparem-se na esperança de incrementos futuros. No pessoal mais povo estes cuidados no trajar vinham juntos às calças justas, enrelevando a genitália, bem aconchegada, a cuja lhes exigia com grande afinco carinhos constantes sob forma de coçadura. Nesse caminho tempos depois chegou, acho que lá do Brasil, a moda da tanguinha, o quase fio-dental para homem barrasco aquando na praia. Dizem, que isso era mais lá pelas caparicas onde o povo se associava, eu isentei-me. Repugnado com a areia partilhada e, claro, fiel ao calção largo no quando e onde.
A rapaziada então era livre, ria-se dessas merdas, mais das dos forcaditos filhos-família do que das dos "ciganos", que destes ainda se tinha o respeito do não querer levar umas lambadas. Quem se apresentava nestes preparos logo levava com o labéu do "chulo", fosse-lhe o papá doutor ou estivador. Atributo que mais tarde estendemos aos que nos carros sentavam as mulheres nos bancos de trás, assim montando velozes o célebre "carro de chulos", arquétipo Ford Capri.
E nestes rodeios lá se fez o nosso pudor, coisa da boa-educação, coisa ensinada. Entenda-se, no carro a menina sentada ao nosso lado, sempre e não só para os melos. Nos trajes a camisa apenas com um botão desapertado e no abaixo-do-cinto a folga, algo indeterminada, que permitisse o implícito às potenciais interessadas, avaliadoras. Falo de coisas sérias, constantes, em despontando as penugens, em descobrindo-se protuberâncias, logo alguém o notaria, no entre-sarcasmos, "hé pá, tens cá tantos pêlos" quando não o ainda mais explícito "ó seu xuleco...". E se nos surpreendia alguma aflição epidérmica lá pelo baixo-ventre logo vinha o "olha a micose". Humor? Nada, o sarcasmo a mostrar como usar o corpito. Ou, de outra forma, que há sítio para tudo, até para as coceiras. Chamámos a isso liberdade. E usámo-la.
Vieram anos e novos trajares. Em muitos mais do que tudo maiores cintos, que as protuberâncias a folgar são agora as do ventre e não as abaixo. E as testas cada vez mais altas, até-à-nuca até. Nos outros, os que chegam, a moda foi mudando. A macheza à mostra multiplicou-se. Coisa agora homo, entenda-se. Os tiques os mesmos. A genitália relevada, os troncos apresentados. Novos tempos e vontades? Nada, coisa de velhas modas e da mesma barrasquice, nem mais.
Mudanças? em nós, no medo do sarcasmo, no "tem que ser" o que me impingem. Vou andando, quando lá, murmúrio para mim, "granda xulo" ali e acolá, mas enfim. Repito, murmúrio para mim mesmo, que já não é tempo para criticar outros, há que aceitar tudo e todos. Senão ... mal-visto e mal-quisto.
Há tempos, no por lá, fui ao doutoramento de colega e amigo. Nós, a claque, informais. Gente da ciência social, mestres de duplipensar correcto (nem todos, nem todos), coisa até do estatuto profissional, que tudo isso parece vir das leituras certas em tempo certo. Acolheram-nos candidato e participantes, dito júri, rídículos, quais curas medievais. Livre ainda, disse-o, aos que conhecia. Sorriram-me, até críticos daquilo, mas no "que queres?, são as normas" e logo na coimbrã coimbra. Enfim, mostrando-se, ainda que ali expectantes em dia de festa, livres para olhar o ridículo de vestes e poses. Sabendo do seu porquê. E até parecendo que sempre assim atentos. Mas não, mas não...
Depois das loas e incensos devidos ao vencedor avançámos aos comes e bebes de fim de tarde. Uns já desfardados outros mantendo-se no informal, nisso umas dezenas. A animar, que festa de doutoramento é momento. Fiquei-me um pouco de fora, anos cá fora, já muitos que não conheço ou não se interessam. Entre-copos estou ali com dois colegas, a fazer novas velhas conversas, e, súbito, avança um já não jovem, no cumprimentando-os. Todo ele justinho, claro, e a camisa aberta até ao umbigo, os tais (poucos) pêlos em radical anúncio.
"Quem é este paneleiro?" perguntei logo que ele saíu. "Éh pá, lá estás tu" dizem-me os colegas, no serem correctos. "Foda-se! Estou o quê?", "ah, estás a desatinar...", "estou a desatinar o quê? quem é este gajo?" "fulano, de tal", "ah, que paneleirote!". (Sor)risos, "não mudas", "não mudo?" (a irritar-me) "foda-se, isto é maneira de estar vestido? Aqui? Para afirmar o quê, aqui?"?", "ok, ok", "ok, ok o caralho, e se fosse eu a aparecer assim?" "ok, ok, é ridículo". E eu a calar-me, porque estamos a beber, a repetir as tais velhas conversas, as que não se concluem, as de amigos mesmo. E assim não me apetece o tal mal-visto e mal-quisto. Mas, ainda assim, hei-de continuar a dizer uns palavrões valentes. Pôrra ... onde está aquela liberdade? A de olhar o ridículo? O do ordinário.
Adenda: há comentários quase-post. Meus e alheios.
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Carlos Cardoso

[Carlos Cardoso e o filho, Ibo. Fotografia Ricardo Rangel.
Reproduzido de Paul Fauvet e Marcelo Mosse, É Proibido Pôr Algemas Nas Palavras. Carlos Cardoso e a Revolução Moçambicana, Maputo, Ndjira, 2003]
Cumprem-se hoje 5 anos (já!) do assassinato de Carlos Cardoso. Às 18 h. haverá homenagem no local do atentado. Até logo.
Publicado por jpt às 12:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
As obras públicas
A ler, JCD sobre a construção do aeroporto da Ota. A argumentação poderá ser discutível por que quiser. Mas impossível de tornear este último parágrafo: "É por estas e por outras que os estudos que vão ser apresentados pelo governo não valem nem o custo do papel em que são impressos. Afinal, para que é que interessam estudos quando a decisão já está tomada?".
Não só um diagnóstico sobre esta macro-projecto. Acima de tudo o diagnóstico sobre o governo que Portugal tem. Sobre o povo que elegeu o governo que Portugal tem, acima de tudo.
Publicado por jpt às 12:12 PM | Comentários (5) | TrackBack
O Melhor Blog do Ano
passado, é a informação que alguém aqui buscou. Saiba o alguém, e os outros alguéns, que essas preocupações de méritos, escalonados ou não, são inúteis, desnecessárias, coisas vãs de saber, eleger, escolher ou até sortear. Di-lo a experiência: também eu acreditei no poder de o saber.
Para depois constatar, des-iludido, a destruição desse melhor blog do ano tal. Às incendiárias mãos do seu criador. Desde então em merecidos tormentos de Insónia.
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Convite

Hoje (mau dia, mau dia) "Hora Q", colectiva organizada pelo MUVART. Participação de David Mbozo, Tembo, Luis Muiênga, Mouzinho e Sónia Sultuane.
Às 18 horas, no Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Publicado por jpt às 12:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
Para vulgares
No A Arte da Fuga duas citações: Vargas Llosa e Hayek. Aconselháveis a vulgares (entenda-se consumidores de vulgatas). Em especial se bloguistas furibundos. Dos vários "lados".
Publicado por jpt às 12:27 AM | Comentários (0) | TrackBack
Fumando uma cachimbada
O LNT é homem de convicções, quase tão alegrista como lusofónico. Coisa que já nos colocou em valente desacordo. Por causa das ideias lá dele, claro. E nisso aventou que por aqui mora mau-feitio (em nada rodeio de qualquer coisa como "o feitio que deus lhe deu", se bem recordo). Saiba ele que não. Placidez atrás do teclado. Até demais. E mesmo afável, quando os outros o permitem.
Enviou agora um tam-tam. Mas eu, quase com pesar, não o oiço. É que há muito que me recuso, e se calhar por mau-feitio, a ter colunas no meu computador. Estão ali, na prateleira acima dos macaquinhos. Desmontadas. Que para barulho basta o meu.
Bem, pelo menos livrei-me do folclore. Lusófono, ainda por cima. Melhor maneira para o pow wow.
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novembro 21, 2005
De regresso às questões políticas
Publicado por jpt às 07:38 PM | Comentários (0) | TrackBack
A propósito da matéria que por aqui (e não só) grassa, o leitor amigo FC enviou-me este contributo. Precioso.
"Desciam pela rua de asfalto esburacado
e passeios com falta de ladrilhos
os pés chapinhavam nas lamaças
com sapatilhas para a cabotagem.
Subiam com a falta de botões
as camisas puídas e às manchas
mal presas nas gangas desbotadas.
O mesmo aro cromado nas orelhas,
uma roda de arame enferrujado
no pulso saindo duma camisola
bordada, à moda, com uns alfinetes.
Bem que vinham de mal comer,
que não tinham aonde ir dançar
e queriam foder tudo. E foram."
(Joaquim Manuel Magalhães, Os Dias Pequenos Charcos, Ed. Presença)
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Avatar em Tete
O Bruno Martins está cá. Mesmo cá. Conta do acidente rodoviário. E do seu catolicismo torturado.
De antropossociologia que eu adivinho não conta. Talvez não a tenha apanhado. Talvez não a queira contar (nem a si próprio?). Ou, mmmhhhhummm, porque não haja nada para contar. Se o technorati funcionar em Chimoio fica o convite para bebida destilada aquando em Maputo.
Publicado por jpt às 03:30 PM | Comentários (4) | TrackBack
Lá na minha terra (quase) tudo a botar sobre homossexuais (existem ou não? e coisas assim ...). Enfim. Sobre isso há muita gente com razões, o que é interessante, as polémicas normalmente cruzam muita gente sem razão nem razões. Uma transcrição no Da Literatura* de um texto muito interessante de João Galamba [texto raro no bloguismo, argúcia teórica e a síntese do meio].
E a fazerem-me lembrar um livro que li há já muito. Nem o tenho, ficou-se algures: Lucien Febvre, Rabelais et le problème de l'incroyance au XVIe siècle.
Sobre o assunto pouco posso dizer, mas tenho uma historieta sobre vestimentas que gostaria de partilhar. Fica para a madrugada. Super-preconceituosa, aviso. Em jeito de marketing, sedento de clics em casa própria.
*Que me perdoem no Da Literatura mas a pomposa apresentação do elo, referindo o autor pelo seu estatuto académico, arrepia. Sei que procura legitimação do texto mas, caramba, nesse nosso paízinho de doutores e afins ao menos no bloguismo tem sido costume fingir que não é assim, pese embora um Professor ou outro que por aqui se gostam de ver espelhados. Mantenha-se o belo costume, por favor. Os titulozinhos lá fora.
Adenda: Eduardo Pitta aqui comentou, explicitando que na sua rubrica "citações" sempre identifica profissionalmente os aí citados. A minha afirmação perde assim o sentido. Fico-me, o que é lateral e porventura excêntrico a esta questão, apenas no meu desagrado com a utilização neste recanto de títulos e estatutos extra-bloguísticos. Utopia? Horizonte? Decerto. Mas não por aqui imaginar uma "comunidade" "comunitarista". Apenas para alívio.
Publicado por jpt às 02:11 PM | Comentários (11) | TrackBack
Afinal
o excelente Homem a Dias continua. Ainda bem, neste caso o silêncio é uma mancha.
Publicado por jpt às 12:50 PM | Comentários (0) | TrackBack
Os 4 macaquinhos
Há dias referi uma pobre e triste peça de propaganda política acoitada no blog pró-presidência de Mário Soares.
Na altura referi, para além do mau-gosto explícito, a pobreza de conhecimentos do bloguista em causa. Eis o comprovativo em forma de imagem:

[autoria de mestre Upinde, entretanto falecido]
Publicado por jpt às 02:55 AM | Comentários (0) | TrackBack
Desiludindo-me com um blog
Já aqui várias vezes louvei o Terceiro Anel. Mas vou-me desiludindo: hoje, 24 horas depois de Braga já há textos sobre coisas recentes mas nada sobre isso de Braga, tão mais anterior. As dores da derrota impedem a escrita? E assim se desvanece o encanto.
Publicado por jpt às 01:09 AM | Comentários (10) | TrackBack
novembro 20, 2005
Rivaldo
É o seu cognome. Futebolista, 16 anos. Vindo do Benfica de Nampula, jogador da Liga Muçulmana aqui. Da selecção que esteve nos jogos desportivos da CPLP. Atacante, goleador. Disciplinado, cabeça no sítio, dizem-no nos jornais.
Vai agora para a Academia do Manchester United. Desconfio um bocado deste tipo de exportação de jovens, uns vingam outros não. Gostaria de saber dos destinos dos que não medram como profissionais do desporto. Mas enfim, é uma hipótese. De jogar, de enriquecer. E, tenha lá que medida de sucesso tiver, é modo de crescer, ver mundo. Que alcance todo o sucesso. Tanto como o do quem vestiu o nome, se possível.
Ah, e se o tiver, hei-de sempre perguntar-me: "onde anda(ra)m os olheiros do meu SCP?"
Publicado por jpt às 07:09 PM | Comentários (0) | TrackBack
Sitemetergate (mais desenvolvimentos)
Mais um episódio do Sitemetergate (iluminada denominação avançada pelo Luís Carmelo).
Publicado por jpt às 04:05 PM | Comentários (0) | TrackBack
Ícones
Quem lê este blog já se cruzou com o meu desgosto pelos falsos libertários, adeptos de miseráveis ditaduras, atrevidos passeadores de inaceitáveis ícones guevaristas e similares. Sei que em muitos casos mero modismo, nada mais do que ignorantes de shopping centre auto-imaginando-se andarilhos do mundo. Mas em muitos outros casos não, arreigados aos sonhos sanguinários que perseguiram e prosseguiram. E, até, materializaram. Sanguinários e incompetentes, ainda por cima, di-lo o tempo que se lhes passou. E os povos, esgares aos novos disfarces.
De quando em vez lá me caem em casa as justificativas, os elogios aos porta-chaves, às t-shirts, às citações, aos cartazes com o pin-up Guevara ou coisas parentes, uma "iconologia da liberdade" fazem-nos.
Já nem sorrio a esse refúgio, como se desculpa, no simbolismo, nos "ícones" da liberdade. Reparo que nunca vi ninguém, desses "democratas" ou outros, vestido com esta t-shirt.

Jeff Widener (The Associated Press).
Sei bem porquê, esses alter/libertários, mesmo os tais mais ignorantes, sabem que ali são os dos tanques. Nem ficaram muito bem na foto, nem lhes dá jeito o simbolismo.
[Foto retirada via A Arte da Fuga]
Publicado por jpt às 03:40 PM | Comentários (9) | TrackBack
Em cada lampião há um dragão
Será que o treinador alemão do Benfica dirá hoje que se passam estranhas coisas na arbitragem em Portugal?
Ontem ainda lembrei-me de um Braga-Porto nos idos de há quase 15 anos, em que o árbitro Fernando Correia marcou um penalti destes, "à José Veiga", já depois da hora. E o guarda-redes defendeu. Estava eu a contar isto quando o Braga marcou, eu braços no ar no Piri-Piri, mais velho benfiquista à mesa num "estou lixado contigo", ainda que envergonhado com os mafiosos que lhe comandam o clube.
Publicado por jpt às 01:21 AM | Comentários (14) | TrackBack
Comentários
Talvez, muito talvez, por esgotamento do Ma-Schamba ou moribundez do maschambismo cada vez mais gosto de comentar em casa alheia. Há bloguistas que respondem aos comentários, há bloguistas que ignoram os comentários, há bloguistas que impedem os comentários. Tudo legítimo, cada um em sua casa como cada qual.
Às vezes, no entanto, gostaria de uma resposta. Para aprender. Como aqui.
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novembro 19, 2005
Idade
Sim Zé, com essa idade toda já tens a suficiente para saber que se um escritor te pede a opinião não é para a dares, não é no a sério. Se alguém te pergunta um "suplantei-me" não to pergunta, diz-to. É para anuíres, "sim", abraço e brinde. Sim Zé, com essa idade toda já a tens suficiente para saber que isto aqui são loas, o resto é nada.
Publicado por jpt às 06:53 PM | Comentários (0) | TrackBack
Idade?
Ali ao pé do Pérola, logo na chegada, apresenta-se o dito Philip, talvez Filipe não sei, como sempre carregado de dvds legitimamente piratas. "Vendeste-me um dvd estragado", resmungo-lhe, "não há problema tio, quero-te satisfeito, troco já, qual era?", "esse da guerra dos mundos" "tenho aqui", "e também já tenho aquele que a senhora encomendou" "qual? o quê?", "este aqui, para a menina", ah, o madagáscar, "tá bem, quanto é?" "aquele preço de sempre, já sabe". Estou a pagar, ele aproximado no receber, baixa a voz entre-sorrisos, ainda que nós ali sozinhos, "e não está a precisar daqueles filmes para idade avançada?". "Ixe, ainda ... ". Filho-da-mãe, ali na gentileza a propósito do porno e a chamar-me velho.
Publicado por jpt às 05:32 PM | Comentários (0) | TrackBack
Sociologia
Nos últimos tempos, e fundamentalmente devido às arruaças em França, muito se tem falado de sociologia no bloguismo português. Normalmente fala-se mal, com desprimor, até desprezo. Normalmente à direita. Não hei-de esquecer a paleolítica "boca" à actual ministra de educação portuguesa: qualquer coisa como "se é socióloga só podemos esperar socialismo", coisa aparecida em grã-blog, "pré-ideia" com geneologia, e antiga, aparente blasfémia que nada mais é do que ladaínha de beata de sacristia.
Nessa área, e repito-me, será chocante ou divertido assistir à alegria com que afamados e anónimos bloguistas fazem questão, finca-pé até, de se mostrarem ignorantes. Melhor dizendo, em afirmarem-se ignorantes. Reproduzindo, alvares, a velha ideia de uma direita ignorante face a uma esquerda intelectual.
Felizmente não há feia sem senão. Sobre as mesmas arruaças ver este texto, difundido por alguém que não se julga elevar através de reclamações de ignorância.
Publicado por jpt às 05:18 PM | Comentários (0) | TrackBack
Acabou o excelente O Olho do Girino. O Miguel Cardina decidiu integrar o colectivo A Estrada. Se este já era a percorrer agora ainda mais o será.
Publicado por jpt às 11:04 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 18, 2005
Sageza
Sobre o mesmo assunto (do qual não conheço detalhes) dois textos assim dotados: este e este.
Modestamente, e bem menos sagaz, continuo angustiado: quarentão já, ainda não sei definir bom senso. Sei apenas que, afinal, ele não é o politicamente correcto. Pois este é, apenas, o senso comum letrado.
Publicado por jpt às 04:56 PM | Comentários (2) | TrackBack
O que é que se faz a um blog sem comentários?
Liga-se...
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novembro 17, 2005
Noblesse oblige
["adendei"]
Via Adufe chego ao sítio onde o governo português está a divulgar os estudos técnicos que fundamentam a sua decisão de construir novo aeroporto. Algo a que se tinha comprometido realizar durante o mês transacto. Talvez também pelo impacto que a Micro-causa a isto dedicada JPP decidiu avançar e que também aqui ecoei.
Noblesse oblige, se o governo se comprometeu a divulgar e o está a fazer quem o exigiu que o refira e publicite. Sobre as críticas, voluptuosas acho, a quem exigiu esta divulgação ver o citado texto no Adufe. [adenda: e, caso interesse, também por lá botei nos comentários. O que ali começa a ser hábito]
Publicado por jpt às 08:44 PM | Comentários (4) | TrackBack
Civilização
O que aqui se passou é uma questão civilizacional. Com tudo o que de problemático tem tal conceito. De evolucionista, de preconceituoso. De normativo. Assim seja. Pois é, realmente, disso que se trata. Obliterar isso, varrer isso para debaixo do "nós vs eles", da "direita e esquerda", do "democratismo" vs "anti-americanismo" é mero regresso à barbárie. E em muitos casos de manutenção na barbárie.
Publicado por jpt às 11:43 AM | Comentários (0) | TrackBack
Sitemetergate (mais)
Desculpem-me o Maschambismo. Mas nos últimos dias espanto-me com a quantidade de pessoas que aqui chegam assim.
[Patrocínio Café Correia, Vila do Bispo (encerra aos sábados)]
Publicado por jpt às 10:46 AM | Comentários (4) | TrackBack
Se eu votasse
votaria neste texto. Presidencial.
Publicado por jpt às 10:33 AM | Comentários (0) | TrackBack
Broken English
Sobre um link que não funciona: "Are you fucking out of your mind?"
Publicado por jpt às 10:30 AM | Comentários (0) | TrackBack
Romances portugueses
eu pus lá:
"os que mais gostei:
1º Sinais de Fogo
2ºs Manual dos Inquisidores; Para Sempre; O Que Diz Molero; Balada da Praia dos Cães;"
Mas se por lá dessem mais 10 anos (e o que são 10 anos?) tinha colocado pelo menos A Torre de Barbela e A Noite e o Riso. E, honestamente, quando li pela primeira vez Os Cus de Judas gostei muito mais do livro do que de qualquer outro. Ainda que não resista muito bem às releituras. Mas que interessará isso quando se fala do que "se gostou"?
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Alguns liberais

Chegou agora às livrarias este pequeno livro de Raymond Boudon, "Os Intelectuais e o Liberalismo" (Gradiva, 2005), dedicado às causas e efeitos dos preconceitos antiliberais. Num mundo onde predomina a retórica anti-neo-liberalismo é sempre interessante perceber o que é(são) o(s) liberalismo(s) e as reacções diante dele(s). Num outro registo, muito para além do hóbi, dir-se-á que indicado para alunos apressados (ainda por cima traduzido).
No apenas o hóbi não resisto a uma pequena citação, logo ali do início, tão apropriada. A trazer-me sorriso:
"Como seria de esperar, os antiberais tendem a identificar o liberalismo com as suas expressões extremas. Quanto aos defensores do liberalismo, fornecem, às vezes por inépcia, armas aos seus adversários quando se agarram obstinadamente às versões radicais do liberalismo ou quando ignoram a diversidade das suas facetas". (16)
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Uma pequena história sobre vendas. Um sorriso.
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novembro 16, 2005
Há sempre uma primeira vez
É a primeira vez que, em questões de futebol, concordo com Miguel Sousa Tavares [texto abaixo transcrito], o cujo nestas coisas da bola é um avatar do ex-célebre Guarda Abel.
Miguel Sousa Tavares
Nortada
A Bola
15.11.2005
Fui dos primeiríssimos a criticar a escolha definitiva de Ricardo para titular da baliza da Selecção por parte de Scolari. Escrevi então que, muito embora o considerasse um grande guarda-redes entre os postes, achava que lhe faltava em absoluto uma qualidade hoje fundamental num guarda-redes: dominar o jogo aéreo. Houve quem ripostasse que eu escrevia assim porque era portista e amigo do Baía — ambas as coisas são verdadeiras, e muito me honram, mas não me determinam. Hoje quase toda a gente reconhece que o que Scolari fez e vai fazendo com Vítor Baía (sem lugar entre os três guarda-redes portugueses escalados para o Europeu, no ano em que os treinadores europeus o elegeram o melhor guarda-redes do ano) não encontra qualquer justificação do ponto de vista desportivo ou humano. Para não ter de qualificar a atitude, direi simplesmente que ela é inqualificável e, embora muitos, a começar pelos colegas de Baía na Selecção, se mostrem dispostos a fingir que a coisa passou, eu não só não a esqueço como extraí dela conclusões, essas sim, definitivas acerca da pessoa do seleccionador nacional. Quanto ao que tinha escrito sobre Ricardo, bastou a forma como perdemos a final do Europeu contra a Grécia para que a justeza da minha observação ficasse à vista de todos. Depois disso nunca mais voltei ao assunto e fiquei deliberadamente calado quando, há uns tempos atrás, os sucessivos falhanços de Ricardo o remeteram para o banco de suplentes no Sporting e, de repente, pareceram ter despertado uma súbita unanimidade de críticas até aí nunca vistas. Não gosto de malhar em quem já está em baixo e, além disso, entendo que o principal responsável nem era Ricardo mas sim Scolari. Ricardo era muito melhor guarda-redes antes de Scolari o ter transformado no caso exemplar do seu autoritarismo. Teria ido então muito a tempo de corrigir ou melhorar o que estava mal no seu jogo aéreo (onde Baía continua a ser o melhor guarda-redes português, talvez de todos os tempos), em vez de, atiçado pelo seleccionador, ter revelado sempre uma falta de humildade tamanha que chegou a explicar que um «frango» não era um «frango» mas sim uma «questão técnica» muito complexa, cujo entendimento escapava aos leigos. Dois anos depois Ricardo vê-se forçado a continuar a tentar explicar atabalhoadamente por palavras o que não consegue explicar através dos jogos. E Baía continua a explicar, nos jogos e fora deles, que, além do mais, há uma coisa que o caracteriza e não lhe vem nem das convocatórias para a Selecção nem sequer dos 28 títulos que fazem dele o jogador em actividade que mais coisas conquistou em todo o mundo: classe. E, por esse ponto de vista, não pode restar a menor dúvida de que quem ganhou esta guerra mesquinha foi sempre e só Vítor Baía. E assim chegámos às vésperas da convocatória para o Mundial, tendo já toda a gente percebido que, independentemente da forma em que cada um está ou estiver daqui a uns meses, o Ricardo será convocado e titular e o Vítor Baía voltará a ser ignorado. Independentemente da injustiça gritante desta espécie de critério do seleccionador, agora há um facto novo e evidente: o povo da Selecção percebeu e teme que tudo possa ser deitado por água abaixo no Mundial por uma saída em falso do Ricardo — como ainda este fim-de-semana vimos, contra a Croácia. Daí os assobios, que são injustos para Ricardo, não para Scolari. O«lobby contra o Ricardo», por mais que Scolari finja não perceber, não tem razões obscuras mas apenas aquilo que está à vista de todos. E já não se compõe só de amigos de Baía ou portistas mas agora também de benfiquistas, sportinguistas e todos quantos não tenham medo de ter opinião.
Publicado por jpt às 10:11 AM | Comentários (4) | TrackBack
Ler. E nunca esquecer o como o chic da alter-globalização europeia é profundamente reaccionário, pró-exploração. "Alter-colonialista" se se quiser. Enquanto dançam aos ícones comunisto-libertários. Lixo ideológico servindo interesses de classe, diria um verdadeiro marxista.
Publicado por jpt às 07:51 AM | Comentários (0) | TrackBack
Excelente definição que me chega proveniente de blog onde a prosa ilumina: Sitemetergate.
Publicado por jpt às 07:48 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 15, 2005
Hoje é dia de
memórias alheias, que são as minhas.
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Taka Takata
No sempre recompensador Beco das Imagens uma entrevista com Jo-El Azara,
o autor de 

Uma recordação deliciosa.
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Sobre o falecido jornalismo desportivo português
Ainda que especulando sobre o jornalismo não desportivo assente numa fundamentação que me ultrapassa, é de ler este texto sobre o falecido jornalismo desportivo em Portugal.
Como diria o grande Carlos Pinhão: "ai que saudades, ai, ai".
Publicado por jpt às 08:09 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 14, 2005
O eixo político: diferenças
Tanta conversa sobre esquerda, a direita, o centro. Um contributo para entender os respectivos conteúdos, as diferentes aspirações e argumentações, na conversa entre mim e o Miguel Silva: aqui.
Publicado por jpt às 07:52 PM | Comentários (0) | TrackBack
Publicado por jpt às 06:38 PM | Comentários (0) | TrackBack
Cultura
Se há conceito problemático não o há-de ser mais do que o de "cultura". Milhentas as definições, longas as discussões, múltiplos os usos, os sustentados entenda-se.
Leio Henrique Raposo: "E que tal recuperar o verdadeiro conceito de Cultura? O conceito que faz da Cultura um percurso que cada um deve fazer - sozinho, sem a bengala obrigatória da comunidade - ao longo da vida." (o sublinhado é meu). E pronto, está resolvido.
Sorrio. Como quase sempre diante do incomensurável poder da crença. Essa que quando não nos faz sorrir nos desespera. Antes assim, neste caso.
Publicado por jpt às 04:46 PM | Comentários (2) | TrackBack
Macro-Causa
Agradecendo o apoio a: A Fonte, o NG do Ai-Dia, Anjos e Demónios, Apenas Mais Um Blog No Mundo, Asilo do Obstinado, Blasfémias, Bola na Rede B, Chá Príncipe, Mau Tempo no Canil, O Souselense, Postais de Província, Santa Cita, Sob a Estrela do Norte, Tomar Partido, White Tiger.
Contra a Macro-Causa: Mente Positiva.
[actualizando até ao Mundial?]
Publicado por jpt às 11:58 AM | Comentários (0) | TrackBack
Macro-Causa Pró-Ricardo

Portugal-Croácia, suave particular. Mais uma mão-cheia de penosos erros de Ricardo. Tudo tão mau no ele de hoje que impede a crítica e apela à solidariedade. Mas com um seleccionador que se nega seleccionador num "Enquanto persistir o lobbie não mudo", assim confirmando que não o escolhe por opções técnicas mas por mera contraposição, e deste modo mais fragilizando o seu guarda-redes, só resta o apelo Macro-Causa (que espero colha eco no bloguismo et al):
Atendendo à proximidade do campeonato mundial de futebol e ao fervoroso apoio português à sua selecção nacional pode o cidadão e futebolista profissional Ricardo tomar a iniciativa pessoal de abdicar de participar nessa selecção, para a qual não está neste momento capacitado, assim salvaguardando-a?
Publicado por jpt às 11:35 AM | Comentários (20) | TrackBack
Imagens.
1.; 2. [via Voz do Deserto]
Subitamente, a crítica do politicamente correcto.
Publicado por jpt às 09:50 AM | Comentários (0) | TrackBack
Um contributo.
Publicado por jpt às 09:37 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 13, 2005
Aos que visitam o blogómetro
Há muito tempo que se escutam disputas sobre audiências, respectivas e absolutas. Vaidades e políticas. Influências. Nessas questiúnculas também se liam ecos da sensação de que na contabilidade mais generalizada, o sitemeter, os blogs blogspot seriam privilegiados face aos weblog.
Na última semana o Ma-Schamba dobrou o número médio de visitantes:

Avisado pelo Eufigénio Lagoa e ensinado pelo Rui Cerdeira Branco acertei a inclusão desse contador no blog segundo as instruções do próprio sitemeter. Crescimento das visitas. E constatação que a maioria aqui chega por indicação dos motores de busca, leitores acidentais que decerto partem desiludidos. Enganados.
Enfim. Crescimento de audiência do bloguismo? Não será mais crescimento do googlismo?
Conversas sobre audiências? Para quê, se a maioria dos que chegam partem para sempre? Resmungando no clic.
Publicado por jpt às 10:20 PM | Comentários (5) | TrackBack
Má-Língua
Mesmo quando é a de amigos bem amigos é sempre de desconfiar. Ou melhor, de não ouvir.
Ou seja, o Savana não acabou com o seu acesso na internet, não há nenhum absurdo. Pode-se aceder aqui.
[bem, eu não consigo aceder a lado nenhum; mas há amigos a insistirem que sim, e o cabeçalho do jornal também. Logo ... ]
Publicado por jpt às 01:11 PM | Comentários (3) | TrackBack
novembro 11, 2005
A Aldeia e a Globalização
Encontrei-a há algum tempo, numa cidade a norte. Veio-me à mão na rua, a série de postais artesanais, colagens que se diriam "técnica mista" noutros lugares. Fiquei logo com a aldeia, uma beleza local, até cândida, sorrindo ainda mais no "isto não há no Maputo".






Dias depois, logo que regressado a casa, vieram-me vender série semelhante. Não haja dúvida, é a aldeia e a globalização.
Publicado por jpt às 08:50 AM | Comentários (4) | TrackBack
Civilização
O que aqui se afirma é uma realidade.
E o silêncio em seu torno é demonstração de decadência.
Quando penso nisto lembro-me sempre de Braudel, um livrito excerto, "Bebidas y Excitantes" (acho que depois teve edição portuguesa), que abordava as grandes lutas económicas entre sul e norte, nos tempos de antes. E do como são actuais, com a devastação económica e cultural, com a destruição do gosto, a sul. Com a descivilização a sul. E o domínio dos bárbaros bebedores de aguardentes cerealíferas.
E lembro-me de Monchique, claro está.
Publicado por jpt às 02:41 AM | Comentários (6) | TrackBack
Contos (muito) curtos
Publicado por jpt às 01:56 AM | Comentários (0) | TrackBack
Há mais gente com memória (II)
Ainda sobre isto. Quando Paulo Gorjão ecoou as declarações de Freitas do Amaral que agora recorda propunha a discussão desta questão: Dito isto, a posição de Freitas do Amaral deveria ser discutida muito a sério..
Na altura ia colocar algo mas cortei. Já aqui o disse, sendo um modesto cooperante não opino sobre a política portuguesa em África [1. "cautelas e caldos de galinha"; 1. (ex-aqueo) é um absurdo o Estado pagar a alguém para trabalhar no estrangeiro (ainda que mero professor) e esse alguém criticar publicamente (ainda que em mero blog) a política que o Estado prossegue].
Ainda assim. Um recentramento na África da CPLP é uma insistência no bilateralismo (mesmo que articulado com pólos, EUA ou UE). O bilateralismo enfraquece, tem dias contados. Nem falo do pós-nacionalismo, mas é óbvio que as questões se discutem e executam multilateralmente. Ser parceiro, ainda que secundário ou intermediário, não será reforçado no futuro por via de projectos bilaterais.
Mais. Um recentramento na Áfica da CPLP assenta na "naturalização" de uma relação passada. E reforça o "complexo imperial", ao nível das concepções. Urge "pós-colonizar" Portugal. Será isso o cosmopolitismo. É isso o futuro. E a economia de recursos não é argumento contrário. Pelo contrário, quanto mais "economizarmos" menos economizaremos.
Publicado por jpt às 12:47 AM | Comentários (0) | TrackBack
Blogs e presidenciais
Já sabia da existência do Super-Mário, já lá tinha uma vez ver quem escrevia. Não mais voltei. Nada devido ao candidato ali defendido, respeito Soares ainda que abomine o partido que o apoia - sem PS se calhar até votaria nele (sei que isto, mais do que contraditório, é um absurdo. Mas espero-o significante). Não mais voltei, dizia, pois não me interessam tempos de campanha. E também porque pouco me seduzem alguns dos que ali blogam, mero gosto meu.
Volto agora ao Super-Mário pois o technorati diz-me que tem elo para o Ma-Schamba (desde já o meu obrigado). E, curioso, vou lá ver: "quem é que eles elaram?", e nesse rol perceber o "porquê", que critérios ou estratégias de elos assume um blog de campanha (belos blogs ligados, e lista abrangente. Ruboresço até, pela elogiosa companhia).
Logo à entrada dou com esta bela peça de campanha. Cavaco Silva como os três macaquinhos: "o não vê", "o não ouve", "o não fala".
Quem liga o Ma-Schamba numa lista relativamente pequena é porque o lê. Então compreenderá (porque já conhece) o exercício de duas dimensões do Ma-Schamba que aqui procuro deixar, imperfeitas e modestas que brotem, no tom que se exige a um diário que não quer ser menos do que isso, que não se deseja mero e rasteiro instrumento de elevação social/profissional:
1ª dimensão. Divulgação: o Super-Mário está tristemente desactualizado, incorre em mera ignorância. O desenvolvimento do Sida implicou que a figura moral representada pelo artesanato através da trio de macacos se transformou num quarteto [("não vê"+"não fala"+"não ouve")+"não copula"] - o último macaco tapa os genitais com as mãos.
Assim sendo a peça de campanha surge anacrónica, por ignorância da evolução dos símbolos. Ou apenas cobarde, por amputação do simbólico, uma submissão ao anacrónico "bom-gosto" assexuado do pequeno-burguesote.
2ª dimensão. Reflexão política (até com vertente ensaística): a peça de blogocampanha em questão é uma boa merda. Indigna do candidato. Mas, decerto, digna do merda que a blogou.
Falso post-scriptum: emprestei a minha máquina fotográfica. Quando me regressar boto os 4 macaquinhos. Pode ser que sirvam para futuras campanhas, que isso aí vale tudo.
Publicado por jpt às 12:15 AM | Comentários (5) | TrackBack
novembro 10, 2005
Há mais gente com memória
Ler, com muita atenção. As ilações a retirar para quem sobre isto pode opinar.
Publicado por jpt às 07:12 PM | Comentários (7) | TrackBack
Problemas do Weblog. Alguém tem resposta?
Acontece-me há meses. Abrindo o Ma-Schamba só tenho acesso directo a textos antigos - neste momento o blog abre com o texto Alegre e Moçambique de 7 de Novembro. Normalmente a página de abertura altera-se ao domingo ou segunda com um texto desses dias ficando o blog aparentemente imutável até à semana seguinte.
Os acessos via Arquivos, seja o "individual", o "categorias" ou o "mensal" não resolvem. Todos estão atrasados, abrindo nas datas mais inesperadas.
Isto também me acontece quando acedo a vários blogs do Weblog.com.pt, como p. ex. o Apenas Mais Um: abro sempre textos muito anteriores. Mas nunca tal acontece com blogs de outros sistemas.
Coloquei esta questão há meses, responderam-me que talvez fosse uma corrupção no meu computador. Mas isso não me parece plausível. Desde há meses que outros leitores do Ma-Schamba, residentes em Maputo, me colocam a questão: só têm acesso à mesma "página" de abertura a que eu tenho.
Alguém tem resposta para este enigma?
Adenda: outra coisa estranha. Ao entrar em alguns blogs weblog.com.pt tenho acesso à última página mas se fiz algum comentário não tenho acesso a nenhum comentário mais recente. A única forma de ler esses comentários posteriores é comentar de novo e então surgem todos. Foi o que fiz aqui, o "vvv" que coloco apenas para poder ler os comentários posteriores ao meu primeiro. (Desculpas ao Rui pelo abuso)
Publicado por jpt às 06:48 PM | Comentários (13) | TrackBack
A Fome em Moçambique

Está aí, coisa da seca persistente. A do ano passado, a que parece continuar este ano. Fome dita a Sul. Mas também a Norte. Essa que encontrei no litoral do norte nos meados deste ano, já então grandes distribuições de farinha para populações muito carenciadas. Da seca à pouca produção, daí à inexistência de reservas familiares. 650 mil sofredores, aventa o governo, 800 mil em perigo enchem-se os jornais. E, provavelmente, mais, muitos mais. No combate da vida, contra este nada. E, também, contra o silêncio.
Entretanto sobre o assunto um texto de Mia Couto. Excelente. Sobre a fome e sobre o pensar: "Outra Fome" ["Mais", Outubro 2005]


Publicado por jpt às 12:13 AM | Comentários (3) | TrackBack
novembro 09, 2005
Ascensão
O Nkhululeko ascendeu. Abraço. (Afinal ...?)
Publicado por jpt às 11:14 PM | Comentários (2) | TrackBack
Noto nesse JPT alguma deriva pró-governo, decerto oportunista. Em loas, primeiro aqui>. E agora por causa disto.
Publicado por jpt às 02:48 PM | Comentários (0) | TrackBack
Jorge Dias em Lagos

Jorge Dias, um dos mentores do MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), está em Portugal, apresentando com Nelson Leirner a exposição Zoologia dos Trópicos no Centro Cultural de Lagos, actividade integrada no Faro Capital Nacional de Cultura [o sítio é muito pouco "amigo do utente"]. Até 31 de Dezembro.
Publicado por jpt às 09:00 AM | Comentários (3) | TrackBack
A agradecer o som.
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novembro 08, 2005
Franjinhas

O "Franjinhas" do eu-miúdo, ainda me lembro de o receber, aquele boneco dele, macio, até lustroso, meu encanto. A coisa mais plácida de então, muito gostava eu dos desenhos animados para pequeninos mesmo pequeninos. Agora aqui a chegar e logo, logo, papá e filha no cinema, pois então

o carrossel mágico de domingo de manhã.
E ... o Franjinhas a lutar contra Zombies!!!!, estes enormes ossadas a reconstruírem-se, a multiplicarem-se naquele grande ecrã cheio disso e de outras malvadezas, a minha menina Carolina no encolher-se.
É isto o Franjinhas d'agora? Está tudo maluco?
Publicado por jpt às 02:05 PM | Comentários (8) | TrackBack
O mastóideo
No Os Tempos Que Correm trechos do Manifesto de Manuel Alegre.
Esta pequena entrada não é sobre política portuguesa nem suas presidenciais. É só para registar o ridículo, imenso. Vazio. De quem assim escreve, de quem "pensa". E também, ou melhor, e fundamentalmente o ridículo de quem isto apoia enquanto se meneia "de esquerda". E "artístico-intelectual", ainda por cima. Isto da vertigem de aparecer cega as gentes. E em particular cega os cegos.
Recordo que há 70 anos, entre as obrigatórias vénias ao Estado Novo salazarista, já este pomposo era gozado por António Silva e seus confrades.
Publicado por jpt às 02:04 AM | Comentários (10) | TrackBack
A propósito daquilo da França
(Vai sem elos que não se procura polémica. Mas é dedicado a um bloguista que muito aprecio. A solo. Para o caso de passar por aqui.)
A propósito daquilo da França (mas também a propósito de muita outra coisa) lê-se muita patacoada nos grã-blogs de direita portugueses. Presumo que também nos grã-blogs da esquerda portuguesa (os sobreviventes) mas esses nunca frequentei (ou muito pouco). Continuo a surpreender-me com a alegria com que algumas pessoas escrevem em público as maiores asneiras sobre coisas que não sabem nem compreendem. Pois patacoar todos fazemos, atire a primeira pedra quem nunca patacoou.
Agora alegria na patacoada? Chega a ser pungente.
Publicado por jpt às 01:44 AM | Comentários (0) | TrackBack
Da Literatura. Coisa dura de ler quando se pensa regressar a casa, ainda que em dia ainda longínquo. Texto a não perder, a Lisboa de hoje. Ou de sempre?
Publicado por jpt às 01:36 AM | Comentários (4) | TrackBack
Sobre a França
Sobre a longínqua França alguns textos interessantes de ler, e vindos de "locais" diferentes: Walter Rodrigues no Forum Comunitário, a série de textos de Henrique Raposo n' O Acidental, Miguel Vale de Almeida n' Os Tempos Que Correm, as ausências da República do FJV n' A Origem das Espécies.
.
Publicado por jpt às 01:06 AM | Comentários (0) | TrackBack
Memórias da guerra colonial em Moçambique
Adamastor, um blog de memórias da guerra colonial em Moçambique. Fiz uma breve visita. Coisa rude. A exigir regresso.
Publicado por jpt às 12:30 AM | Comentários (0) | TrackBack
O concurso dos intelectuais
Há algum tempo aqui ecoei a votação dos leitores da Prospect (e, já agora, também a minha) para a "eleição" dos intelectuais mundialmente mais influentes. Os resultados estão aqui.
Publicado por jpt às 12:11 AM | Comentários (0) | TrackBack
Bloguismo em Moçambique
Dois blogs moçambicanos. Gente mais nova, a opinar. E a assinar o que opinam. O Ideias de Moçambique e o Partindo da Base. E um outro, aparentemente em pousio: Maputo Urgente.
Publicado por jpt às 12:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 07, 2005
Alegre e Moçambique
Há alguns dias o meu total espanto diante da RTP, um episódio da visita de Armando Guebuza a Portugal. Também nisso reparou o Luís Carlos Patraquim, na sua coluna "A Esquina do Tempo" que envia de Lisboa para publicação no Savana.
"Em compita para serem recebidos pelo dirigente moçambicano estiveram os candidatos presidenciais portuguesas. Mário Soares e Cavaco Silva relevam [sic] o sentido estratégico das relações Portugal/África e depois Portugal/Moçambique, Portugal/países da CPLP. Com o inédito do protesto de Manuel Alegre apontando o dedo à falha do protocolo de Estado. Reivindicou uma amizade antiga e o princípio de que, em democracia, não há vencedores antecipados. O presidente moçambicano virou centro de disputa entre os candidatos lusos. Manuel Alegre também queria ser recebido. Guebuza estava no centro de uma visibilidade que os "presidenciáveis" portugueses exigiam. É uma espécie de eixo que se desloca, inclina." (Savana, 4 Novembro 2005)
Talvez um pouco forçado o tom com que traça o facto. Mas também eu notei esse "espécie de eixo que se desloca, inclina". Pelo menos naquela polémica sobre a retórica protocolar - e forma é conteúdo. Não que venha mal, acho até um projecto interessante, o "multipolarismo". Interessante não, necessário. Um projecto a fazer.
Mas é (foi) óbvio que não era disso que Manuel Alegre falava, não era esse redesenhar o seu objectivo. Pois se fosse o caso tê-lo-ia explicitado, uma linha de pensamento, um futuro. Nada disso, ali apenas o queixume do minuto de televisão, do "panache" cutucado. Episódio mero impensamento, mero autocentramento, mera cabotagem fluvial. Por mais que este episódio seja marginal ao correr português do lá em Portugal, que lhes seja até invisível, esta foi óbvia demonstração da pequenez política de Alegre.
Publicado por jpt às 03:28 PM | Comentários (0) | TrackBack
Parece-me óbvio o absurdo de um jornal como o Savana não ter uma edição electrónica na net.
[adenda às respostas ao questionário sobre o Savana]
Publicado por jpt às 12:40 PM | Comentários (6) | TrackBack
Cahora Bassa aqui
Ecos do acordo sobre Cahora Bassa na imprensa moçambicana:



Notório o carácter político, de afirmação nacional, de estabelecimento definitivo de uma soberania pós-colonial, que a questão assumiu. Não digo que a imprensa reproduza um qualquer "pulsar do povo", aqui como em todo o lado produz os valores do momento, mais ou menos instrumentalizados. Mas também é produzida pelos valores do momento. Estes que se foram sedimentando ao longo destes últimos anos.
A HCB, verdadeiro elefante branco de uma política colonial fora de moda, foi em seu tempo uma decisão política (e político-militar). O "se" em história não tem razão de ser, mas ainda assim seria necessário sonhar um santificado "Se" para imaginar que uma barragem iniciada em 1969 por um regime em total contramão da História pudesse vir a ser lucrativo para quem o realizou. Daí que para uma questão política se impusesse uma resolução política.
Quem visita o Ma-Schamba conhecerá a minha pouca simpatia para com o "quem manda" em Lisboa. Mas neste caso, depois de anos de negociação de uma questão política, fica-me o apreço (localizado) por quem no meu país se decidiu.
Cito, a concordar: "Contudo, será de esperar que findos os três dias de troca de cordialidades protocolares, Guebuza e Sampaio tenham dado um passo decisivo, mais próximo de uma solução definitiva. Tudo dependerá da capacidade negocial de ambas as partes. Mas, sobretudo, da vontade, determinação e coragem políticas dos líderes portugueses de verem encerrado um longo e tortuoso dossier colonial" (Fernando Gonçalves, Savana, 15.10.05).
****
Depois há as reescritas da história. As que virão no futuro e as que já aí estão. A norte podem-se ler algumas lamúrias contra a "entrega de Cahora Bassa" que seriam criticáveis se não acabrunhassem, por pura piedade com quem trinta anos depois ainda não seguiu a sua vida em frente.
E a sul, no sul daqui, um pequeno episódio exemplificativo, que ontem me narrava um amigo moçambicano, conversa de um bom almoço:
- Bolas, ontem quase que me acusavam de traidor.
- Conta...
- Eu, entre-risos, a dizer "hé pá, os tugas lá nos deram Cahora Bassa", e logo até ofendidos a repreenderem-me: "deram-nos não!! devolveram-nos!"
Enfim, nada de novo sob este sol. Sejam lá quais forem os meridianos.
Agora, e quanto a isto, o futuro pertence ... aos homens.
Publicado por jpt às 10:08 AM | Comentários (3) | TrackBack
Sobre Cahora Bassa José Medeiros Ferreira escreve. Mas entre o enigmático e o abstruso. Pois não é apenas "mais um acordo" o que se assinou. Mas, e o que será mais interessante, não se percebe exactamente o que reclama aos "rigoristas das finanças" - que critiquem o acordo? Ou que (hoje) critiquem a construção da barragem? Mais estranho ainda, o que é que uma reflexão sobre Cahora Bassa terá a ver com o Euro-04 de futebol?
[Esta breve nota estaria mais apropriada nos comentários do Bicho Carpinteiro mas aquilo tornou-se um sub-mundo (os comentários, não o blog)].
Publicado por jpt às 02:17 AM | Comentários (1) | TrackBack
A Nossa Energia Abraça Moçambique

As fotografias abaixo colocadas foram reproduzidas deste A Nossa Energia Abraça Moçambique. Edição comemorativa do 25º Aniversário da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Lisboa, HCB, 2000 [texto de HCB e João Pedro Chaby; fotografias de Carlos Alberto Vieira, Eduardo Gajeiro, Guy Tillim]
Um livro objecto algo deficitário, note-se. Um texto institucional em demasia, perdendo a hipótese de uma reflexão mais vasta sobre o processo decisório e executivo da construção da barragem, bem como do enquadramento no plano colonial (serôdio) de desenvolvimento do vale do Zambeze. E também sem grande detalhe na relativa centralidade da barragem durante a guerra civil. Não quero exagerar nas críticas, o livro é comemorativo, mas ainda assim algo de menos formal poderia ter ali germinado.
Pior ainda, o tratamento gráfico. Uma capa pouco explícita. Uma legendagem lamentável, confusa, incompleta e tantas vezes não datada. Uma paginação penosa, atafulhada de imagens, tudo típico de quem não sabe editar fotografias. E, imagine-se, estas não identificadas. É preciso ir saber fora quem fotografou o quê: Gajeiro ou Carlos Alberto? Surreal mesmo um capítulo "Iconografia", tipo "As gentes da albufeira" entre a capulana garrida e a maminha ao léu, uma busca do "típico" que seria anacrónica se não fosse mero mau-gosto totalmente descabido nos dias de hoje. [Já agora, os construtores da barragem não surgem, não são eles também "gentes da albufeira"? Ou não foram fotografados?].
E para que não se diga que exagero aqui fica este fragmento da "Nasce o dia em Cahora Bassa", uma pirosice é certo. Mas foto a merecer mais do que ser deixada em duas páginas completas e onde a mulher, ali cerne, está exactamente na divisória. Quase-invisível, como é óbvio, coisa que seria do mais amadorismo se não fosse mesmo apenas desprazer no trabalho.

Ou seja, seja a administração que em breve irá cessar, seja a próxima, bem poderão deixar memória destes primeiros trinta anos de barragem num livro que lhe faça justiça. Diz quem gosta de livros, claro.
Publicado por jpt às 02:11 AM | Comentários (0) | TrackBack
Cahora Bassa






1. Vista geral da zona de construção da barragem (s/d).
2. Escavações e betonagem dos encontros e fundação da barragem (s/d).
3. Barragem. Ponta da cheia em Março de 1974.
4. Betonagem dos blocos e vista da ensecadeira da tomada de água Norte (s/d).
5. Descarregadores abertos (Dezembro de 1974).
6. Vista da barragem com descarregadores abertos (Dezembro de 1976).
Publicado por jpt às 12:10 AM | Comentários (4) | TrackBack
novembro 06, 2005

[Imagem recolhida aqui.]
Publicado por jpt às 06:47 PM | Comentários (0) | TrackBack
Jacqueries
em casa no jantar, a tv do mundo, e diz-me: "que civilização ... criámos estas bastardias"! Diz-me, e muito bem.
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novembro 05, 2005
Há em algum bloguismo muita partilha de informação teórica. É agradável e até educativo. Ainda que às vezes tão superficial que tudo pareça link dropping.
Publicado por jpt às 10:16 AM | Comentários (1) | TrackBack
Já.
Publicado por jpt às 03:01 AM | Comentários (0) | TrackBack
Jornais Velhos: Times & Tempos
É, os tais jornais velhos, agora um JL já de 28 de Setembro, aterrado cá em casa. A coluna "Times & Tempos", as crónicas de Onésimo Teotónio Almeida.
"Antero e as saudades de Lunenburg" o título desta. Mas é o seu final que me traz aqui, cúmplice:
"Por isso, ao fim de uns dias acrescentados dessa temporada de retiro idílico, sussurrei certa tarde à moça do balcão de um posto de informação turística depois de a Leonor sair a gozar o remanso da paisagem:
- Agora, que a minha mulher não está aqui, posso fazer-lhe uma pergunta muito masculina?
A jovem fraziu o sobrolho, mas aguentou firme:
- E ...?
- Onde é que por aqui à volta se pode ter acesso à Internet?"
Publicado por jpt às 02:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
Jornais Velhos: João Ubaldo Ribeiro
Neste monte de jornais velhos eis o JL velho de 12 de Outubro de 2005 (p. 40) a autobiografia do enorme João Ubaldo Ribeiro. Fenomenal encerramento:
"Deverei morrer, se tudo correr bem, dentro de no máximo uns 20 anos. Antes disso, serei, como talvez já tenha ficado, um pré-defunto chato e reaccionário, de difícil convivência e rarefeita civilidade".
Publicado por jpt às 02:32 AM | Comentários (1) | TrackBack
Jornais Velhos: João-Maria Vilanova
Leio (o JL de 28 de Setembro, p 26) artigo de Pires Laranjeira (de quem recordo excelentes lições aqui, nos idos de 97 ou 98, não garanto, que o tempo passa) sobre o recentemente falecido poeta João-Maria Vilanova. Esse sobre o qual António Jacinto Pascoal aqui deixou texto.
No cruzamento dos textos fica a curiosidade em conhecer as "Poesias" (Caminho, 2004). Que aqui não chegaram, coisa a resolver depois.
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novembro 04, 2005
Michel Cahen
Uma entrevista a Michel Cahen no Diário de Notícias de Lisboa. [texto abaixo transcrito, retirado do atento Forever Pemba]. Algumas visões interessantes sobre a história recente do país. Algumas visões a discutir (que é o melhor que pode acontecer a um investigador, isso do ser discutido). E também interessante ver as causas mobilizadoras para a investigação.
Cahen é sempre incómodo em Moçambique (que é o melhor que pode acontecer a um investigador, isso do incomodar). Aqui algumas perguntas (ainda que anónimas ...)/ contraposições atiladas. Ou seja, discutíveis.
Eu aqui nem opino. Algumas ideias parecem-me pacíficas, ainda que a outros talvez não o pareçam. E algumas até já bem sistematizadas, por ele e por outros autores. Outras nem tanto. Algumas até anacrónicas. Mas aquilo que retiro, o facto que me é mais interessante e sem nenhum desmerecimento por Cahen (que não o mereceria, diga-se) é a "coincidência" do DN: entrevista e visita presidencial de Armando Guebuza a Lisboa. Pequena pirraça? Sabendo da inexistência de um olhar analítico dos media portugueses sobre Moçambique esta "coincidência" só o poderá ser. Malgré Cahen, claro.
Pobre DN.
Diário de Notícias, 30.10.2005 -Leonardo Negrão
Quando é que começou a interessar-se por Moçambique?
- Em Julho de 1975. Tinha 22 anos e, como muitos dos meus amigos da Sorbonne, ainda estava influenciados pelos acontecimentos de Maio de 1968. A maioria veio para Portugal, para ver a Revolução dos Cravos, mas eu nãoo. Optei por África.
Porquê?
- Era estudante de História e, à semelhançaa de muitos estudantes na altura, fazia longas viagens, de quatro, cinco meses... A maioria ia para a Índia, mas eu optei por África. E, em 1975, fui a Moçambique. Fui à boleia desde Nairobi e cheguei à zona das "três fronteiras" - Moçambique, Malawi e Zâmbia - pouco depois da independência.
Esperei três dias para apanhar boleia de um camião para a Beira. O motorista era um antigo membro dos comandos, com uma tatuagem no braço.
Passou a fronteira sem problemas?
- O soldado da Frelimo não sabia muito bem o que fazer... Como eu não tinha visto, deu-me uma guia de marcha para ir até à Beira...
E foi ?
- ...Sim, mas o mais interessante foi que o antigo comando tinha um auxiliar o Pedro, que lhe preparava o pequeno-almoço, o almoço e o jantar. Mas nunca comia connosco, o que era estranho. Um dia, virei-me para o motorista e perguntei-lhe: "Então e o Pedro? Não come?" Ainda hoje recordo a sua admiração: "O Pedro? O Pedro só come à noite." Ou seja, como era preto, o Pedro só comia à noite, e pronto! Isso fez-me pensar na similitude que podia existir entre o colonialismo francês e o colonialismo português, que não passava tanto pela implantação do grande capitalismo, mas mais pelos militares, pelos padres, pelos servidores da administração, pequenos comerciantes...
Essa conversa fez-me pensar nas semelhanças entre os colonialismos francês e português e no tipo de colonialismo que poderia ser produzido por uma metrópole europeia com poucas potencialidades de investimento em capitais. Muito diferente, por exemplo, da Grã-Bretanha e da Holanda.
Isso levou-o a interessar-se por Moçambique?
- Isso e o regime de partido único. Ao contrário dos meus amigos, que tinham apoiado a luta contra o colonialismo, transformando, depois, esse apoio numa solidariedade com o partido único, sempre fui contra os partidos únicos.
É essa a razão que o levou também a sublinhar a incoerência dos militares que fizeram uma revolução em nome da liberdade e da democracia em Portugal, lançando uma descolonização que transferia os poderes para partidos únicos nas colónias?
- É. E porque isso deriva de um certo paternalismo de alguma esquerda europeia que, nessa altura, se manifestava contra as ditaduras na América Latina, apoiando, no entanto, regimes de partido único em África porque consideravam isso como uma etapa na criação da nação.
Qual naçãoo? A nação que nascia das fronteiras coloniais que tinham dividido vários povos? Voltou muitas vezes a Moçambique?
- Voltei em 1981, 1985, 1988... Comecei a interessar-me pelo impacto dos regimes de partido único na desagregação das sociedades tradicionais, já que a Frelimo apostou num paradigma de modernização autoritária e de transformação rápida que não respeitava as identidades sentidas pelas populações. Para a Frelimo havia um só povo, uma só nação e um só partido, do Rovuma ao Maputo. Afinal, uma concepção semelhante à dos portugueses, para quem Moçambique só era Moçaambique porque era Portugal.
Começou a estudar as etnias...E a tentar perceber o fracasso das aldeias comunais.
- Para quem era da Frelimo, o fracasso das aldeias comunais resultava do facto de o Estado não ter conseguido pôr em prática a linha do partido. Para mim, o que importava passava por outra coisa o princípio da aldeia comunal era, em si mesmo, uma agressão à sociedade camponesa.
Porquê?
- Os africanos têm uma relação muito forte com o espírito dos seus antepassados. Pelo que deixar as suas terras significava tambémm deixar os antepassados para trás.
Como é que explica as agressões da Frelimo às estruturas tradicionais?
- O que se pode esperar quando se enviam jovens de 18 anos para os campos, onde era suposto terem de se impor a régulos com mais de 70 anos? Isso é uma agressão completa. E quando eles proibiam os rituais da chuva e depois não chovia? Muitas vezes, ouvi pessoas do povo referirem-se aos responsáveis que vinham de Maputo como "o camarada que veio da Nação". Isso é um vocabulário popular muito interessante. Ou seja, o povo era o povo organizado, que era membro do partido e da administração do Estado. Quando havia fome, uma pessoa do povo tinha direito a um saco de arroz. O popular só recebia um quilo.
Daí, passou para a Renamo?
- O que me interessou na Renamo foi perceber que, ao contrário do que muitos tinham previsto, ela não tinha acabado com a independência do Zimbabwe, em 1980. O que significava que a Renamo era autónoma e conseguia sobreviver para além do apoio da Áffrica do Sul. Nessa altura, havia quem dissesse que a Renamo exprimia apenas os interesses do apartheid. Mas essa imagem não era compatível com a sua influência. Quando Samora Machel morreu, em 1986, a Renamo actuava em 80% do território. Em parte, as pessoas sentiam-se agredidas pela Frelimo e acreditavam que a Renamo as protegia do Estado.
Entrou em contacto com a Renamo?
- Só visitei as suas zonas de influência em 1994. Segui a sua campanha eleitoral durante meses...
E interessou-se pela Renamo...
- Mais pelo mundo das etnicidades, já que a Renamo pouco, ou nada, diz sobre as etnicidades. A Frelimo é que transformou a questão das etnicidades num facto político, quando as agrediu. Não percebendo que os regulados estavam em crise no final do período colonial, altura em que muitos filhos ou netos de régulos preferiam ser motoristas de táxi na cidade do que régulos nas aldeias. Ao tentar apagar tudo, a Frelimo recriou-lhes essa legitimidade.
É essa relação da Renamo com os régulos que explica a votação em 1994?
- Creio que muitos dos que, em 1994, votaram na Renamo o fizeram porque se sentiam marginalizados. E não apenas pela Frelimo. Muitos votaram contra a sua própria marginalização pelo Estado moderno.
Conscientes do que faziam?
- Penso que sim. Repare-se que as comunidades que mais apoiaram a Frelimo foram precisamente aquelas que melhores relações tinham com os portugueses. E as populaçõeses que mais se revoltaram contra os portugueses foram as que estiveram mais perto de Renamo.
Publicado por jpt às 06:50 PM | Comentários (3) | TrackBack
Sida e Abstinência Sexual

(autoria de Pedro A. Manteiga)
Este "Toni" é a página de banda desenhada que integra a TVzine, a revista da programação da Tvcabo moçambicana, uma das poucas revistas do país.
O que chama a atenção para esta bd não será a sua reduzida qualidade estética. Enfim, é uma tentativa. O que o torna absurdo é a mensagem. Em 2005 a continuação de uma campanha contra o SIDA assente no apelo à abstinência sexual. Como a reprodução é má eis algumas das deixas do tal "Toni": "Vocês devem abster-se do sexo. São muito jovens e ..." ... "Não praticar relações sexuais é o único método seguro para evitar DTS HIV/SIDA e gravidez indesejada".
O Sida é uma praga, um drama terrível em Moçambique. As campanhas de sensibilização parecem falhar (parecem pois as percentagens de infectados continuam a aumentar. Mas que seria sem elas?). Nesta situação muitos procuram disseminar mensagens de sensibilização e mensagens de esperança. Mas não será já tempo de perceber quais as mensagens inúteis? E, pior, quais as mensagens contra-producentes?
Campanha pela abstinência sexual? Afirmar o preservativo como inseguro? Talvez inconsciência do desenhador, talvez ecos dos fundamentalismos cristãos. Mas a roçar o inaceitável. E a direcção da revista que diz?
Publicado por jpt às 03:52 PM | Comentários (1) | TrackBack
Um texto bem bonito
Aqui. Sobre o blogar.
Publicado por jpt às 02:14 PM | Comentários (0) | TrackBack
Blogs femininos
Não leio muito os blogs femininos, esses nos quais somos informados, insistentemente, de que quem ali escreve é mulher ("muito mulher", diria um cómico brasileiro da minha juventude). Vou sim lendo vários elogios, rapazes gabando esse isso que por lá se passa.
Acho que compreendo, isto de olhar mulheres dá sempre para complacência (todas as mulheres têm beleza, dizia um poeta/cantor brasileiro da minha juventude) - até que o sinalzinho (o tal beauty spot) se torne verruga, está claro.
Daqui encontro-lhes um ponto comum. Interessante, mesmo significante. São blogs escritos por mulheres que se auto-definem como "gajas" ou "gaijas" (ainda não percebi se esta diferenca ortográfica é coisa ideológica ou regionalismo/etnicidade). Esse auto-ga(i)jeamento é mesmo o fundamental, sempre presente, constante.
Enfim, há quem precise de causas. E a cada um(a) a sua causa.
Ainda assim confesso-me, não há paciência para tais meninas. Coisa de ga(i)jo que gosta de senhoras e de ga(i)jas? E que, já no para-o-velho, sabe que ambas nunca precisam de dizer que o são? Em especial quando essas ambas são as mesmas.
Ou será apenas coisa de ga(i)jo velho que já vê as verrugas?
Publicado por jpt às 09:54 AM | Comentários (9) | TrackBack
novembro 03, 2005
Banca em Tete

[Tete, provavelmente perto de Boroma; Setembro de 1999]
Publicado por jpt às 10:10 PM | Comentários (0) | TrackBack
Adenda ao anterior
E na sequência do que abaixo informei, todo lampeiro dos meus conhecimentos, aqui fica um texto sobre estas coisas ("feeds", rsss e isso, coisas que nem imagino o que sejam) de alguém que percebe do assunto.
(percebe muito mas tem um blog que leva imenso tempo a abrir: ok, pirraça minha, inveja minha.)
Publicado por jpt às 01:26 PM | Comentários (6) | TrackBack
Novo Serviço de Favoritos: recomendação
Descobri agora este Kinja que me parece um bom sistema de acompanhar as actualizações dos favoritos [até porque o blo.gs decaí, há muito sem possibilitar a introdução de novos blogs, s e irritantemente sensível à introdução de comentários nos blogs do blogspot - a quantidade de clics desnecessários que isso implica].
Mais, o Kinja tem um design agradável e um sistema de digest que melhora a selecção de leituras.
Recomendável.
Publicado por jpt às 11:09 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 02, 2005
Cahora-Bassa
Fim de negociações (daqui a 15 minutos)? Até que enfim ... (e já se pode dizer isto sem parecer menos português.)
Publicado por jpt às 09:34 PM | Comentários (2) | TrackBack
O Livro do Dia

Publicado por jpt às 04:53 PM | Comentários (2) | TrackBack
Húmus do inferno
Abaixo está uma entrada que se integra numa corrente bloguística. Foi-me proposta a adesão, convite amável. Está aí.
Muda-se o mundo mudando a vida de alguém!
Mantém-se o assim do mundo mudando a vida de alguém!
Mal não fazem, as boas vontades. Húmus do inferno. Esse que tanto prezamos.
Publicado por jpt às 09:41 AM | Comentários (0) | TrackBack
Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê. Aqui, já está a acontecer.HÁ
Pessoas que precisam, invisíveis. E pessoas que têm muito para dar, quando não desperdiçam. Tempo, motivação, consciência. E dinheiro, também.
Entre este binómio, uma via de comunicação. A blogosfera, internet no seu melhor quando o que se escreve e o que se lê tendem a conjugar-se no verbo aproximar.
Dois mundos nos antípodas, um vítima dos excessos e outro à míngua das suas migalhas. Gente com fome, crianças, que sobrevivem apenas para ganharem forças para fugir à miséria. Rumo ao lado de cá, que os recusa.
A caridade já não basta e é necessária intervenção. Amizade em estado puro, reunida por gente que bloga em torno de um objectivo comum: fomentar a generosidade como uma urgência e canalizá-la para as melhores mãos (as mais necessitadas).
Proximidade e mão amiga. Proximizade, feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que sabe e ao
que se vê. E ao que se deixa por sentir.
Nós sentimos assim. E acreditamos numa sociedade que quer sentir da mesma forma e intervir sem demora.
Aqui, já está a acontecer.
Publicado por jpt às 09:35 AM | Comentários (1) | TrackBack
Tahar Ben Jelloun
Num molho de jornais velhos que me chegam às mãos está um "Mil Folhas" (suplemento do Público, 8.10.2005). Nele uma entrevista de Tahar Ben Jelloun (a propósito da edição portuguesa de dois livros, "O Escrivão Público" e "Amores Feiticeiros", na Cavalo de Ferro). Deste marroquino li apenas, e já há bastantes anos, o "O Homem Quebrado" (Caminho) e não gostei. "Se bem me lembro" era sociologicamente muito interessante, centrado num protagonista funcionário público de ética incorruptível, algo excêntrico ao meio circundante, até familiar/conjugal, e dele sofrendo opressoras pressões para se acomodar. Mas pareceu-me também tudo muito esquemático, as personagens algo meros estereótipos. Enfim, espero que estes dois livros sejam mais interessantes. E que as edições corram bem à Cavalo de Ferro, nas raras idas a Lisboa gostei de encontrar esta editora nas livrarias, um perfil (entenda-se, um catálogo) a querer caminhos algo diferentes, arejados.
Isto tudo a propósito da entrevista. Onde ele diz: "[Para os escritores marroquinos] Há duas situações diferentes. Há os escritores que escrevem em árabe, que são a maioria, e que sofrem a desordem do mundo árabe. Um livro escrito em árabe é publicado em Marrocos, não chega à Argélia, nem à Tunísia, pode chegar ao Líbano, mas não ao Cairo. Estes estão sufocados. Depois há os que escrevem em francês, que não são muitos, mas que são acusados de estarem numa situação ambígua. Acusam-nos de não revelarem o Marrocos real por se exprimirem numa língua que o povo não fala. A mim, a crítica que a imprensa árabe em Marrocos me faz sempre é a de que sou um escritor folclórico e exótico, que escrevo para agradar aos ocidentais."
Não pude deixar de sublinhar, tanta me pareceu a homologia com o meio literário moçambicano. Não exactamente na diferença da língua em que se escreve. Mas na situação da escrita. E do que se diz sobre a escrita. Mas talvez seja necessário viver isso para compreender a semelhança ...
No fundo o regresso dos estereótipos. Afinal não só produzidos em ficções menos conseguidas. Mas carne do real. Impensante.
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novembro 01, 2005
Outros que questionam
Outros que questionam.
Publicado por jpt às 05:49 PM | Comentários (0) | TrackBack
Limpei entradas recentes, de hoje de madrugada. Já não vale a pena.
Publicado por jpt às 08:09 AM | Comentários (0) | TrackBack
Conselho de bloguista
Nunca blogar com isto ao lado

Corre mal.
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Publicado por jpt às 02:08 AM | Comentários (0) | TrackBack
Lembrando uma Micro-Causa
[Maputo, 01.43 h, 1.11.2005; a olhar Portugal, 11.43 h, 31.10.2005, hora de Lisboa]
Lembrando esta micro-causa: o governo português comprometeu-se a divulgar na internet durante o mês de Outubro os estudos prévios que sustentam a opção pelo novo aeroporto da Ota e pela construção do TGV. Esses que agora serão "actualizados" por novos estudos.
Irão os serviços governamentais colocá-los na internet nestes últimos 17 minutos do mês que por lá ainda restam? Ou poderemos concluir que a decisão foi tomada sobre critérios políticos e não sobre os anunciados estudos técnicos? Poderemos concluir que mero voluntarismo?
Publicado por jpt às 01:46 AM | Comentários (0) | TrackBack
O Miguel Silva defenestrou o Viva Espanha e anuncia o Tempo dos Assassinos.
Publicado por jpt às 12:48 AM | Comentários (2) | TrackBack
