eXTReMe Tracker
Ma-Schamba: O Meu Voto nas Eleições Presidenciais em Portugal.

« Nobel | Entrada | O voto dos emigrados »

outubro 15, 2005

O Meu Voto nas Eleições Presidenciais em Portugal.

Vêm aí as eleições presidenciais em Portugal e vai ser uma azáfama bloguística, os blogs políticos e os blogs opinativos destilarão argumentos favoráveis e contrários {urge, repito-o, o arquivo bloguístico, tanto para uma história política como para uma mais prazenteira futura comicidade). Aceitando este meu Ma-Schamba como blog diarístico-opinativo boto desde já o meu sentido de voto. Ainda que ninguém mo tenha pedido serve isto para me libertar de futuras tendências "postais" sobre a matéria - fica arrumada a questão, pronto.

Não votarei. Pois sendo emigrante o completo exercício da minha cidadania obriga-me à abstenção. Tenho repetidas vezes escrito sobre essa situação escandalosamente anti-democrática e adversa ao espírito de uma constituição que advoga a igualdade dos cidadãos da República: Abril de 2004, Junho de 2004, Novembro de 2004, Fevereiro de 2005, Junho de 2005 e Agosto de 2005. O eco de tanta prosa é praticamente nulo, pesem embora alguns comentários aqui deixados, coisas de blogoamigos decerto. Decerto comprovando a falta de "credibilidade", de "influência" e de "importância" do Ma-Schamba, mas também a indiferença sossegada, estruturante, com que os portugueses olham os seus emigrantes, apenas louvados nas actuais tralhas retóricas sobre uma tal "diáspora" "lusófona", e nos apelos ao apoio futebolístico aos clubes de "todos nós" quando estes se deslocam ao estrangeiro.

Sumarizo a minha situação, o saque dos meus direitos que a República realizou:

O meu sentido de voto actual é abstencionista.

Entenda-se, sou emigrante. Para votar tenho duas hipóteses. Ou vou com a família a Lisboa cada vez que há eleições (um mínimo de 2800 USD aos especulativos preços do efectivo monopólio TAP-LAM, mais a semana de férias exigível, pois as viagens mais curtas ainda são mais caras). Dirão alguns que não é demais para exercer o direito de cidadania. Eu não refuto, no plano de princípios. Mas é pesado demais para os meus rendimentos.

Ou então opto por me recensear aqui em Maputo. Ora ao recensear-me aqui perco direitos de cidadania, e é isso que várias vezes referi. Perco direito ao voto. Não posso votar nas eleições para o Parlamento Europeu (contrariamente aos emigrantes nos países da UE, contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE). E não posso votar nos referendos sobre questões nacionais (contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE).

Ou seja sou abstencionista por atitude, atitude política. Prefiro não exercer o meu direito (prático) de voto a prescindir ao meu direito (formal - entenda-se, ideológico) de voto. Eu não cedo, "gratuitamente", o meu direito ao voto, não prescindo da sua totalidade. Mesmo que isso me impeça de votar.

É também abstencionismo por atitude, atitude de desprezo ... por quem continua a achar que há portugueses de primeira (que votam em todas os actos eleitorais) e portugueses de segunda (que só votam em alguns actos eleitorais). Um hierarquia assim explícita na lei, capeada pela constituição, sufragada pelos milhões de votantes (os ignorantes e os que o sabem).

(lembrar-se-ão os mais velhos da vergonhosa proibição de voto aos emigrantes nas eleições presidenciais, porque temendo que estes votassem "à direita" - como pode um constitucionalista dizer-se democrata e vergar-se ao medo do sentido de votos dos seus concidadãos? Lembrar-se-ão até os mais novos que os emigrantes só passaram a ter direito a voto nas eleições presidenciais quando o país constatou, sossegou, que a maioria se abstém, assim não influenciando decisivamente a eleição?)

Publicado por jpt às outubro 15, 2005 12:21 AM

Trackback pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://maschamba2.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/108484

Lista dos links para blogues que mencionam O Meu Voto nas Eleições Presidenciais em Portugal.:

» Leituras from Rua da Judiaria
1. Invertendo a tendência corrente de transformar blogs em livros, Luís Carmelo, decidiu converter o papel em bits e bytes, transpondo para o Miniscente os 42 capítulos do seu livro O Trevo de Abel – leitura mais do que obrigatória. Autor de um d... [Ler...]

Recebido em outubro 20, 2005 08:25 PM

Comentários

Cá vai a minha colherada:
Acho que não deves prescindir dos direitos adquiridos que iriam rio abaixo com o recenseamento em Maputo.
Também não é lesa pátria o sentido abstencionista invocado, e principalmente quando o objectivo primeiro dos candidatos, todos, já assumidos têm como único objectivo derrotar a direita, que se prevê venha a ter candidato lá mais para a frente.
Com a pobreza franciscana instalada o desprezo é mesmo a atitude certa.
Bom fim de semana e boa sorte para a Briosa amanhã.

Publicado por: JAzevedo às outubro 15, 2005 03:51 PM

Aquele comentário tem objectivos a mais, lol

Publicado por: JAzevedo às outubro 15, 2005 03:52 PM

Voltei para deixar este elo para o post da Laura Lara no "Na Senda das Beiras", aqui:
"http://nasendadasbeiras.blogspot.com/2005/10/respigos-de-frica-xvii.html"
Como as situações se parecem!!

Publicado por: JAzevedo às outubro 15, 2005 04:25 PM

Comente




Recordar-me?