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outubro 31, 2005
Ligar um texto alheio pode ser conselho/convite à leitura. Ou, se argumentando sobre o assunto abordado, será também constituição/convite de diálogo.
A Susana do Lida Insana botou o Desmemoriados, referindo a minha última courela de lusofonia. Dado que opina sobre o assunto entendo o texto como um convite, amável, ao diálogo, à consideração. Hesito, vou ver e tenho 56 entradas na categoria "lusofonia", muita repetição, muita insistência, muita palha decerto. Casmurrice porventura. Parvoíce talvez. E, acima de tudo, não tenho mais nada a dizer do que aqui botei à exaustão. ["Onde é que tu queres chegar com tudo aquilo da lusofonia?", perguntava-me um meu afilhado de casamento aquando da minha última ida a Lisboa. Honestamente? ... a lado nenhum. Mais que não seja dado que não acredito que um blog dê para chegar a algum lado]. Mas não resisto, é mania minha.
A Susana escreve sobre a lusofonia. Vou citá-la, mas o melhor é ler tudo, que a citação é sempre redutora:
- "A mensagem do dia é que a lusofonia, seja ela o que for, existe." e que "que a verdadeira oposição é entre os que têm e os que não têm consciência de que esta é uma das bases da nossa identidade, qualquer que seja a maneira como a representamos."
Pois, "seja o que ela for, existe". Tá bem. "É uma das bases da nossa identidade, qualquer que seja a maneira como a representamos". Tá bem. Ou por outras palavras, Assim Seja.
- "Não são os espanhóis que são "nossos irmãos", não são os primos brasileiros; são os africanos da matriz cultural portuguesa". Tá bem. Assim seja.
Haverá alguma hipótese de discutir formulações destas? Se há isso ultrapassa-me, minha lamentável incapacidade.
Passo. A categoria "lusofonia" encerra. (Até à próxima, se calhar. Mas isto desgasta, caramba).
Publicado por jpt às 05:07 PM | Comentários (3)
Sobre Concursos de Miss
Dois textos recentes sobre a matéria: "Miss Luanda" no Mar Salgado e "Desmemoriados" no Lida Insana.
A cada um a sua Miss.
Publicado por jpt às 04:55 PM | Comentários (0)
Cláudia Constance

Colhe-me toda a simpatia, e daí este textito inusitado quanto a livros, esta jovem jornalista atenta, apresentadora do telejornal, bi-estudante, ok confesso que também muito bonita, e nisto tudo (apesar de?) uma gentileza de pessoa. E também agora dizedora de poesia. E a dizê-la bem, não de-cla-ma-dor-ra, mas com a naturalidade de quem sabe estar diante da câmara, sem aqueles trejeitos a fazerem-se sentimento, sem o histriónico a querer-se profundidade, coisas muito habituais e não só por aqui [e quando ouço poesia assim lembro-me sempre de Mário Viegas, quantas vezes o ouvi, ao vivo e naqueles LPs, naquele seu modo "que primeiro entranha-se, depois estranha-se", que o meu crescimento foi também o de me afastar daquela "energia" toda].
Agora também um livro, este "Uma Viagem na Asa da Poesia" (Imprensa Universitária, 2005, 1000 (?) exemplares). 22 poemas a fazerem um "bauzinho náufrago" (12), "poemas apaixonados a adolescerem" diz o Eduardo White no prefácio, e sê-lo-ão
Sou ninfa de sal
Vivo de apetência
Feita para amar
Sabor sublimes
Só para deliciar
Livro de início, anúncio de poetisa (agora diz-se "poeta", obviously a gender issue). White blinda-o: "Como dizia Drummond: É claro que os inimigos da poesia sempre pretenderam assestar-lhe uma pedrada num olho ou golpe de garrote na nuca. Fizeram-no de diversos modos, como marechais individuais, inimigos da luz, ou regimentos burocráticos que marcharam com passo de ganso contra os poetas".
Ainda assim, e ergo a bandeira branca não me querendo nem sargento nem tabelião, ainda assim, repito, não terá sido cedo?
Adenda: 22 poemas curtos e pelo menos 11 erros ortográficos, não será gralha a mais? A ausência de revisão editorial é um assassinato. A nossa Imprensa falhou aqui.
Publicado por jpt às 11:54 AM | Comentários (0)
Mandimba antiga em poema no À Sombra dos Palmares.
Publicado por jpt às 11:46 AM | Comentários (0)
A Cidade Branca
Luxo? Esplendor? Ou luxúria? Ou etc.? Que blog!
Publicado por jpt às 01:26 AM | Comentários (1)
outubro 30, 2005
MyBlogLog
Encontrei este serviço no Fazedor de Comida: o MyBlogLog do qual gosto: mostra de onde os leitores chegam, tal e qual outros sistemas; mas, e isso é o interessante, mostra para onde vão, quais os nossos elos que utilizam. E isso é simpático.
Minudências de bloguista.
Publicado por jpt às 09:05 PM | Comentários (1)
Ao que aqui deixei responde o CMC. E eu insisto, a saber-me maçudo. Mas insisto pois continuamos a falar de coisas diferentes. Acho eu. Espero eu:
1. Fazer uma crítica da "lusofonia" não é ombrear com "fantasmas do passado". É criticar uma leitura do presente. De como a noção é utilizada para entender a realidade. E para a projectar. Insisto, é deficitária. Pois não integra o passado no presente. Cria (ou melhor, reproduz) um passado inexistente para o presente.
2. Fazer uma crítica da "lusofonia" não é "ajustar contas com o passado". É procurar entender como esse passado também constrói o presente, as suas inter-relações, as categorizações mútuas, os constrangimentos da inter-acção. Também constrói digo. Também ...
3. Fazer uma crítica da "lusofonia" não é obrigatoriamente considerar que há "um projecto neocolonialista dos portugueses". E aqui, sem puxar "galões" de empiria biográfica, o que insisto é que não há nenhum projecto neo-colonial do Estado português - pode ser (condicional de dúvida) que tenha havido agentes do Estado a sonharem-no, aqui e ali durante estes 30 anos de república, mas sem sucesso e sedimentação; mais, não há projecto neo-colonialista na sociedade portuguesa - haverá sectores mais saudosistas e outros mais revanchistas, mas são meras sobrevivências minoritárias. O regime democrático é contemporâneo de uma desafricanização radical do país enquanto projecto social e enquanto realidade nacional: a descolonização; a europeízação.
O que existe é uma visão "ainda-colonial" nos agentes do Estado e da Sociedade portuguesa, uma visão alimentada pela "lusofonia". Uma visão deficitária, fundamentalmente "paternalista", pressupondo pólos de condução, de racionalidade, de projecção do futuro nos países onde se fala português. Uma visão que postula as tais essências comunitárias entre-países e populações, as similitudes de objectivos e interesses, as relações privilegiadas, o (re)conhecimento superior. Entenda-se, uma visão que "a-politiza" as relações, e que ancora na superioridade mais ou menos matizada do lusófono "civilizado", ou seja, "desenvolvido". Repito, isto não é o projecto político do Estado*, é uma realidade do quotidiano na inter-relação, brota nas concepções e acções dos agentes sociais. E implica reacções, também estas alimentadas por uma visão do passado, também estas alimentadas por visões do presente.
Entenda-se, a tal "lusofonia" não é uma simples fonia, é uma ideologia "a-politizada" projectada nas relações actuais (e portanto nas passadas). E projectando-as. Ela vive no âmago dos participantes das inter-relações. É deficitária na compreensão da realidade actual. É prejudicial ao sucesso de uma inter-realidade actual. É, acima de tudo, incompetente. Lamentavelmente incompetente.
4. Fazer a crítica da "lusofonia" não é reflectir sobre o passado. É olhar o futuro (já que o presente se passa assim). E, e esta vai sem acinte, não é ser um "português + qualquer coisa". É ser radicalmente português, ainda que sem patrioteirismos e ainda que com este pirosismo. Querendo-nos mais competentes, portanto (e isto é uma redundância) mais analíticos.
5. Regressar a Gilberto Freyre? Claro, mas não é isso que quem discute "luso-tropicalismo" e a sua descendência "lusofonia" faz? Recuperar Gilberto Freyre? Também, não é isso que quem agita a "lusofonia" faz? É que ele está aí, vive nas concepções dominantes aí. Haverá maior sucesso para um autor do que se fazer vida para além da morte? Não acho. Neste caso infelizmente.
* Na minha releitura impõe-se a nota: isto é retórica minha, tentativa de blindar o argumento. A "lusofonia" é produzida e acarinhada pelos agentes do Estado. Ressalvo, acho que o interesse e a acão do Estado português não é o de um projecto neo-colonial, isso é claro. Mas a prática do Estado e dos seus agentes embrenha-se nesta visão hierárquica que assume os contornos "lusófonos", tal e qual os entendo. Há uma aparente esquizofrenia, a de um regime desligado de pretensões neo-coloniais mas veículador de uma matriz de entendimento não pós-colonial. Também por isto, para o incremento da racionalidade de Estado, urge des-lusofonizar a sociedade.
Publicado por jpt às 07:59 PM | Comentários (0)
Um anglófono a linkar outro(a?) anglofóno.
Publicado por jpt às 05:46 PM | Comentários (0)
B.Leza de Lisboa
Amigos enviam-me uma petição (mais uma, deve estar na moda) para a manutenção do B.Leza, uma bela casa em Lisboa, onde muito me diverti (até demais), do melhor da música africana lá na santa terrinha, e uma cachupa no andar lá em cima para se conseguir regressar a casa. Antes do B.Leza nesse mesmo sítio (palácio Almeida Carvalhais, aprendo na citada petição) o Hernâni Miguel, o Zé da Guiné e o Mário do B'Artis inventaram a noite lisboeta nos princípios dos 80s: as Noites Longas [tempos em que não havia pastilhas e ainda assim as pessoas iam até à manhã do amanhã].
Ok, assinei a petição. Ainda que ela na lamúria "salvem as baleias" perdão, "salvem o B. Leza" local de Lusofonia e isso (só faltava). Enfim o jargão. Não sei qual o problema do B.Leza - o tal palácio a cair aos bocados, os donos a não quererem renovar o arrendamento, os clientes que já não vão? Sei que gostava muito da casa, que era muito amigo de uma das donas. Sei que me diverti imenso. Que era mais novo e solteiro. E que a última vez que lá fui estava separado, e notou-se. Salve-se a beleza do B. Leza? Sim, eu assinei. Deixei lá este comentário:
"Eu apoio a manutenção do B. Leza. Eu assino a petição. Eu conheci o B.Leza como uma óptima casa. Mas uma casa comercial. O cliente não ia à Lusofonia. Ia lá, pagava, depois bebia e pagava. Depois até subia por vezes à cachupa. E pagava. Ou seja isto não vai lá com petições e apoios de Estado ou fundações pró-lusófonos. Quem assine que vá lá beber e comer, dançar, pagar. O bastante possível."

Eu vivo em Maputo. Alguém que assine e vá lá, beba um ou outro copo à minha saúde ("esta é pelo Zézé!). E vale mais do que uma assinatura. Um rabo de dança, sff. Enleio, requebro. Ainda haverá cachupa lá em cima?
Publicado por jpt às 02:31 AM | Comentários (3)
Faisal

Faisal (à direita) e o seu "Cosmos", na Bienal TDM 2005, Agosto 2005. Então injustissima menção honrosa, o trabalho devia ter sido reconhecido com o primeiro prémio, apenas um espantoso conservadorismo do juri o impediu.

O Cosmos de Faisal: "Será que o Mundo vai desabar? Quando? Como? " (técnica mista, 112 cm, 2004) [reproduzido do catálogo da Bienal TDM 2005]
O artista foi agora escolhido para candidato moçambicano ao Prémio Jovem Criação Artística da União Latina 2005. Toda a boa sorte para quem tem ideias à frente.
Publicado por jpt às 02:01 AM | Comentários (0)
Edward S. Curtis
No Os Cavaleiros Camponeses ... reprodução do trabalhos de Edward S. Curtis. Excelente. Agradecimentos pela indicação, belissima.
Não resisto a também reproduzir algumas imagens, até para acicatar a curiosidade de quem por aqui passe.


Publicado por jpt às 01:40 AM | Comentários (2)
outubro 28, 2005
Ainda a lusofonia
A petição futebolística do Altino Torres é realmente interessante. O continuado eco jornalístico; um notório caso identitário (+ de 27 000 assinaturas) e a correlativa leitura obscurecida: como o anúncio pela FIFA de que o sítio do Alemanha 06 terá versão em português foi entendido (e pelos media também) como se a página oficial da FIFA passasse a ter versão em português (aliás a real petição). Correlativa? Discursos sobre identidades (trans)nacionais a produzirem leituras obscurecidas não é caso virgem, eu digo até é correlação.
Vem isto a propósito de quê? Quando aqui reproduzi a notícia da petição o CMC re-reproduziu-a com uma pequena alfinetada, ali saudando-me enquanto associava a iniciativa à lusofonia. Regressando, em tom ameno, a uma velha questão. Prometi-lhe responder. Mas honestamente já não sei o que dizer sobre isto, o que a mim me parece cristalino surge absurdo alhures? E confesso que aqui não me duvido.
Só me restam palavras alheias, decerto mais explicativas e perspicazes. Aqui ficam dedicadas ao CMC e restantes "lusófonos":
"Só suspendendo a crença nos aspectos mais psicologistas, culturalistas e essencialistas do luso-tropicalismo - e ao mesmo tempo não fazendo procissão de fé das supostas alternativas de materialismo vulgar - é que se poderá avançar para a construção de uma interpretação histórico-cultural crítica e atenta a processos específicos de (re)constituição identitária num mundo que, por vias tortuosas, os portugueses, os brasileiros e os africanos criaram. E criaram-no enquanto se foram criando a si próprios numa dinâmica de interesses divergentes e poderes diferenciados (entre si e intra-si) nesse processo a que agora chamamos cultura. O luso-tropicalismo foi, pois, um discurso cujo emaranhado de poder e retórica nos compete desembaraçar para não reificarmos de novo "comunidades" que não existem como essências".
(Miguel Vale de Almeida, "Tristes Luso-Trópicos", Um Mar da Cor da Terra. Raça, Cultura e Política da Identidade, Oeiras, Celta, 2000, pp. 183-184)
Para a pertinência da ligação entre "luso-tropicalismo" e "lusofonia" então é melhor comprar o livro, que muito o justifica e não só por esta matéria.
Depois haverá o querer ou não entender o ponto de vista. E ainda à tal "lusofonia" entendê-la analiticamente ou instrumentalizá-la. Ainda que fraco instrumento, e principalmente se incompreendido. Postulado.
Publicado por jpt às 08:51 PM | Comentários (0)
Escola de Artes Visuais no CEB


Publicado por jpt às 04:22 PM | Comentários (0)
Sociologia Política
Aqui, sobre Portugal.
Publicado por jpt às 04:16 PM | Comentários (6)
Conselho de Anciões

Anésia, "Conselho de Anciões", (Museu Nacional de Arte, exposição "Arte no Feminino")
Publicado por jpt às 12:01 PM | Comentários (0)
Mandela terrorista
Via Cocanha cheguei a isto, um protesto ao Nobel da Literatura a Pinter: "Depois que dois terroristas do calibre de Arafat e Mandela foram premiados com o Nobel, podemos esperar qualquer coisa.". Está aqui a bílis toda, "o calibre de terrorista" de Mandela sublinhado, como forma de invectivar a academia que atribui o prémio.
Posteriormente, decerto para manter um ar "actualizado", "civilizado", um jogo retórico a querer-se auto-legitimador, algo que nem justifica contraposição pois aqui o contexto dos textos é evidente. Superlativo de evidência.
Esta coisa, prenhe de desprezo, da tal bílis para não dizer de outra forma, por quem participou e liderou numa luta contra um regime racista (por excelência) e supra-opressivo*, surge agora muito apreciada, louvada e emparceirada no bloguismo português. Dito democrático, algum até liberal. Louvores e parcerias que ficam a quem os faz. Ficam bem se demonstrando-os. Ficam mal, se demonstrando-os.
Para esta coisa a história da política foi dando nomes: "ultramontano", "fascista", "fundamentalista" mais agora, "autoritário". Tudo palavras cujo excessivo mau-uso desvalorizou, poluíu. Já não servem. De facto esta coisa tem um só nome. Lixo.
Depois ... há quem viva com o lixo, há quem abrace o lixo. E há quem o limpe. Mera questão de higiene. O chá em criança talvez ajude. Mas não chega.**
*para os mais liberais mas ao mesmo tempo apreciadores de tais simpatias racistas com o anterior regime de apartheid da África do Sul seria conveniente aprenderem, mesmo que apenas para matizar tamanho desapreço com o tal terrorista. Aquele foi um regime ferozmente anti-liberal: não só as liberdades individuais eram na lei e na prática negadas, como o direito à propriedade privada era com a população não-branca a ser impedida de acumular e preservar propriedade. Mais, aquele foi também, imagine-se, arquétipo de um regime de multiculturalismo.
**no ma-schamba já me irritei contra o vácuo da proclamada superioridade moral da esquerda. Mas é óbvio que quem aprecia estes recipientes enferma de uma óbvia "inferioridade moral de centro/direita". Mal hajam.
Publicado por jpt às 03:54 AM | Comentários (19)
outubro 27, 2005
Blog em Moçambique
Um novo blog em Moçambique: o Nkhululeko. Bom bloguismo.
Publicado por jpt às 06:45 PM | Comentários (1)
Obrigado eu
Publicado por jpt às 06:03 PM | Comentários (0)
outubro 26, 2005
Poemas que digam mal do Benfica é a busca no Sapo que trouxe alguém até aqui. Juro que a tanto não cheguei. Ou será ....?
Publicado por jpt às 11:44 PM | Comentários (4)
Morte de Samora Machel
Actualizado o Morte de Samora Machel com inclusão dos endereços de dois sítios com informação relevante sobre o caso, informação que agradeço a leitores comentadores.
Publicado por jpt às 02:34 AM | Comentários (1)
Aquela coisa de que estamos à espera
Falar daquela coisa de que estamos à espera antes da meia-noite de 1 de Novembro é, muito obviamente, uma excitação juvenil. O sorriso será muito maior, e muito mais triste também, se só nesse momento. Um postal sorriso triste nessa meia-noite. Mas não antes.
Publicado por jpt às 01:30 AM | Comentários (0)
O Grau Menos Muitos da Argumentação
(assim tipo Bloguítica).
Das presidenciais portuguesas não digo. Aliás, já disse: não voto. Se votasse não votaria em Manuel Alegre. Nem desgosto, é mais por causa daquele livro "CHE" (Caminho, 1996):
A serra está em nós. Começa
em certas noites no nosso próprio quarto
irrompe subitamente sobre a mesa de trabalho
pode aparecer à esquina
em plena rua
...
Inútil discutir estratégia ou táctica.
Inútil saber se entre a serra e a cidade
há ligação ou não.
O que importa é o impulso que vem de dentro
subir a uma montanha dentro de si
olhar em frente e dizer:
"Sejamos realistas
exijamos
o impossível"
...
Há uma possibilidade de Che em cada um
...
De todos os guerrilheiros
ele é o único insepulto
nem sequer se sabe se ressuscitou
ao terceiro dia.
Não está em parte nenhuma
o que significa que pode estar em toda a parte
Não critico a poesia, quem sou eu. E nem por esse guevarismo o afasto. Do que está no poema, dessa "serra", quem me dera subi-la, vivê-la. Não é por isso. É mesma coisa de geração, Che é-lhe como a tantos coisa ícone, símbolo de melhorar, mudar, rasgar. Pena que "inútil discutir estratégia ou táctica", porque é mesmo isso que é útil. Ícone dele, ajudar-lhe-á a sentir e pensar, ele e alguma da gente dessa era. Eu venho depois, minhas coisas ícones foram mais Kiff the Riff, Rust Never Sleeps e o Lou Reed a chutar-se em palco, serras outras ou se calhar não. Eu não me chutava, mas estes guevaristas e os alter-guevaristas de agora também de guerrilheiros só quando saem do sofá em excursão a Porto Alegre (Viva PT, viva Lula): estamos na mesma?
Nem tanto, pelo menos com Alegre. Ele ainda no Guevara e eu não me imaginando aos 50 e tal anos a escrever loas aos chutos alive. Coisa de arranjar novos ícones, talvez. Ou de me desiconizar. Toda a diferença. Uma serra de diferença.
****
A propósito de quê o arrazoado? É que ao ler a ordinarice no A Praia (sem elo, momento higiénico) deu-me uma urgência de Alegre a Presidente. E lembrei-me da história dos colos de Santana Lopes. Que isto das ordinarices, e eu sei-o bem que as pratico e quem cá vem sabe-o bem, quando se têm são mesmo propositadas. Que gaffe, isso é outra coisa.
Diante desta gente o que há é uma cordilheira de diferença. Não de nascença. É mesmo na vida.
Publicado por jpt às 12:59 AM | Comentários (0)
Excitações
As bloguísticas, claro. Ando a reler o Ma-schamba, coisas de o rearrumar por novas categorias, que isto estava uma confusão. (Está quase). Ando a relê-lo, dizia, e a muitas das ligações que fui fazendo [categoria "blog-in, blog-out, já agora]. Tanta palha aqui. E tanta excitação aqui e além, tantas excitações. Ridículas, as de aqui e as de além - ainda que o ridículo alheio seja sempre ainda mais ridículo e o nosso, ainda que escasso claro, mais doloroso.
Divago? Pois não. Há exactamente um ano aqui (e em tantos outros lados) urrava-se sobre Butti ... Butti ... Butti ... Buttiglione, Buttiquem? E hoje?
Publicado por jpt às 12:19 AM | Comentários (2)
outubro 25, 2005
Mais para os meus amigos, mas não só:
Já que não posso visitar fico-me por este eco. E esta espreitadela [indicada aqui]. Vão lá ver se ainda não foram lá.
Publicado por jpt às 04:54 PM | Comentários (0)
Alvíssaras
Obrigado Catarina. Ou será Catarina?
Agora só me falta saber incluir "categoria" em cada entrada (post).
Publicado por jpt às 11:08 AM | Comentários (0)
outubro 24, 2005
Anonimato nos blogs
Já aqui várias vezes referi a questão do anonimato nos blogs, da minha repulsa pelos "embuçados" que não sendo "el-rei" por aí andam no fado da opinião política. (É coisa velha esta minha, vejo-o aqui e aqui; e ainda, mais recentemente, aqui discordando com o Viva Espanha, e aqui, em resmungo face a anónimo com prosápias de humorista).
Agora deparo-me com este texto. Como lá comentei, parece-me o mais absurdo texto bloguístico que já li. Subordinado a uma conspiratória tese: a aproximação das eleições presidenciais obriga à recusa do anonimato, agora (só agora?) mera "cobardia" ao que parece. Tanta que João Gonçalves deixa de partipar no Grande Loja... por este acoitar anónimos. Diz o meu povo que "mais vale tarde do que nunca...". Assim seria se aqui não estivesse implícita uma perversa concepção, em que se diferencia o normal exercício da vida pública (e bloguismo político-opinativo é vida pública) daquele exigível no momento da eleição da "...mais alta Magistratura...". Sacralização desta? Desvalorização do restante "correr do tempo"? Após a eleição presidencial portuguesa de novo no reino dos anónimos?
Que absurdo. Que perverso absurdo.
Publicado por jpt às 04:25 PM | Comentários (5)
Curso de Escrita Criativa
O Luís Carmelo anuncia a realização de um curso de escrita criativa on-line.
Publicado por jpt às 09:11 AM | Comentários (1)
"O professor de Boliqueime"
Totalmente de acordo com o Walter Rodrigues, bloguista insuspeito de tendências cavaquistas, na sua crítica aos que invectivam "o professor de Boliqueime". Cito-o: "...essa expressão tem de implícito racismo social e sobranceria pequeno burguesa urbana pretensamente (mas só pretensamente) cosmopolita.".
Lembro-me da minha já velha irritação com tais arrivistas, disfarçados de "esquerda": aqui e aqui
Publicado por jpt às 02:04 AM | Comentários (3)
Arrumações: reorganizei por categorias pertencentes as entradas do blog.
Publicado por jpt às 02:00 AM | Comentários (0)
outubro 23, 2005
Fogos em África
Um excelente post no 25 cms de Neve sobre fogos em África, chamando a atenção para leituras mais vastas.
Publicado por jpt às 02:57 AM | Comentários (1)
Cristo Comunista?
Publicado por jpt às 02:28 AM | Comentários (3)
outubro 22, 2005
Categorias
Estou a arrumar o blog, com novas categorias e por elas redistribuindo as entradas antigas, coisa para um fim-de-semana enublado. Algum esperto em weblog me poderá ensinar a colocar a indicação de "categoria" no post? E a incluir na coluna da direita, secção categorias, o número de entradas que cada uma tem? Dão-se alvíssaras ... ou seja, links.
Publicado por jpt às 03:16 PM | Comentários (5)
Blogo-Escola
Talvez por não ter o hábito de visitar os blogs de ensino - o meu mandamento de separar trabalho e hóbi - não tenho encontrado nas reflexões sobre o bloguismo (influências, efeitos, associações, hierarquias, modalidades, conteúdos, etc.) eco de uma área que nos últimos tempos encontro em expansão: os blogs de ensino. Organizados em departamentos universitários, centros de investigação, cursos de pós-graduação, disciplinas curriculares, etc., acredito que estarão em rápida multiplicação.
Não só pelo "V. não tem um blog na sua cadeira?!", "vs. não têm um blog no departamento?!", mas acima de tudo pela rapidez da troca de informação e de reflexão que um sítio não permite, por muito estático para os dias de hoje.
Já aqui dei conta do Oficina de Etnografia, Ritual & Performance e do Estudos Africanos (que agora tem a ligação indisponível). E de outros tenho vindo a ser informado.
De momento encontro-os naturalmente auto-centrados. Mas acredito que rapidamente serão geradas redes de interligações específicas (tal como no bloguismo geral) e deixo-me imaginar as formas de interacção, em tempo real, entre os núcleos de ensino. Espantoso? Não tanto no hoje em dia. Mas prometedor.
*****
["Ó Flávio/Teixeira, tu/V. não tens/m blogs nas suas cadeiras?", "ahhh ... pois!", "he pá, isso é uma pena, aquilo ajuda imenso os alunos, temos que nos actualizar", "ahhh ... pois!"]
Publicado por jpt às 01:11 PM | Comentários (0)
Chapelaria
Nestas ligeirezas que tão bem fazem ao Ma-Schamba gabei-me há alguns dias do meu chapéu novo. Um sonho já de décadas adquirido com júbilo na chapelaria Azevedo Rua, ao Rossio de Lisboa, aquando da minha última visita.
É pois com muito agrado que recebo visita de alguém, aqui chegado via Sapo, em busca da dita Azevedo Rua. Recomendo, visite e compre. E fique assim, entre o esparvoado e o não sei-bem-o-quê.
E também cosmopolita, dizia-me há dias uma das educadoras da escola da miúda: "I like your hat. You look like a old boer" lá da terra dela, e eu vaidoso, ali no broken english, "it´s just the old portuguese way". É isso mesmo, Azevedo Rua, ao Rossio.
Publicado por jpt às 01:13 AM | Comentários (0)
outubro 21, 2005
Cavaco Silva Presidente?
Pois...
Jornal da Tarde, RTP-África, 22.10.2005. Vitalino Canas*, porta-voz do Partido Socialista comentando anúncio da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República:
" ... não ficou claro o que o Pres ....ââ ... Professor Cavaco etc., etc."
(*declaração de interesse: se há alguém na política portuguesa por quem eu nutra um "ódio de estimação" é exactamente Vitalino Canas, ecos de uma absurda visita a Moçambique. Mas afianço que hoje isso não me perturbou a audição)
Publicado por jpt às 06:29 PM | Comentários (0)
Vacina para a Gripe
Os húngaros descobriram a vacina para a gripe, ecoa a Catarina. Será crível? Eu acredito. Pois seria verdadeiramente mágico. "E não é por acaso que eles se chamam magiares" (Manuel Bento, o Usurpador Original*).
*Nota para os mais novos: indivíduo hoje esquecido, em tempos beneficiador máximo do golpe palaciano que destítuiu Vitor Damas, o Imorredoiro.
Publicado por jpt às 05:22 PM | Comentários (3)
Si rotcha é pâgina! pedra ê sílaba
si corpé é caneta! coraçon ê tinta
[Corsino Fortes, Árvore & Tambor]
(Lico como epígrafe do conto "Jangada para Longe" de Ondjaki, publicado em Se Amanhã o Medo, Caminho, p. 23)
Publicado por jpt às 02:14 PM | Comentários (0)
Correio Gigante
Informação aos leitores correspondentes: o Ma-Schamba aderiu ao Gmail. O novo endereço postal é o maschamba - arroba - gmail. E aqui agradeço a oferta da caixa postal à Ana e à MP.
Também ligação directa "clicando" no meu nome, ali à direita na coluna de elos, exactamente entre o dístico Ma-Schamba, gentil oferta do Sépia, e as fotos dos tios McClure e Steiner.
Publicado por jpt às 01:59 AM | Comentários (3)
3º dia

de ocupação da Universidade pelos alunos. É da história, estes têm sempre razões. A Razão, essa é outra coisa. Entretanto ... já chega de encerramento. Que amanhã tudo tenha acabado. A bem. E em bem.
Publicado por jpt às 01:38 AM | Comentários (1)
Contributo nada original
Há dias, uma eternidade no blogotempo, aqui e aqui discutiram sobre a possibilidade da interacção entre blogs e de hipotéticos efeitos na acção exobloguística. Coisa assim não muito surpreendente nem tampouco omnipotente. Assim ao correr das releituras aqui deixo contributo não original, apenas para retirar ênfase:
"Cada vez há mais provas de que o consumo de comunicação de massas origina em todo o mundo resistência, ironia, selectividade e, em geral, impulso para a acção."
[Arjun Appadurai, "Introdução", Dimensões Culturais da Globalização, Teorema, 2004 (1996), p. 19]
Publicado por jpt às 01:27 AM | Comentários (3)
outubro 20, 2005
Alienação

(20.10.2005)
Publicado por jpt às 03:33 PM | Comentários (6)
O Futuro antecipa-se.

[Cumpre-me agradecer à Académica o asilo concedido. Agora o bom (?) filho à casa torna.]
Publicado por jpt às 09:26 AM | Comentários (2)
Blogopédia
Muito interessante esta Blogopédia: recenseamento inteligente de blogards e de blogs.
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O Restaurante Tugga (Londres) no Sunday Times: resposta
E aqui fica a resposta de Pascal Monteiro de Barros, residente na pérfida Albion, ao texto de AA Gill sobre Portugal e o restaurante Tugga publicado no Sunday Times .
(Confesso-me curioso sobre se esta carta terá sido publicada, o sítio do jornal não o indica).
Dear Sirs,
I am only now replying to AA Gill's "TableTalk" article in the Sunday Times on August 21. If you find this letter too politically incorrect for your readership, please forward it to Mr. Gill.
The article in question was about Tugga, a Portuguese restaurant on the King's Road. I have never been to Tugga, although I know one of the owners. It is of no consequence what AA Gill writes about the restaurant. What I
found objectionable was Mr. Gill's comments about Portugal.
As a Portuguese who chose to live and educate his children in England, I feel both extremely proud to be Portuguese and to live as a guest in this great country. My comments are therefore aimed at the particular breed of
smart-ass-pseudo-amusing weasel that Mr Gill exemplifies, certainly not the traditions, people and institutions which make Britain a peerless nation.
True to Type, Mr. Gill opens by saying that he has never been to Portugal, which of course gets him off the hook. How uncool would it be to criticize a country if you had actually been there. Plus, Portugal is a largely white, mostly catholic, funny little old-fashioned country, and guess what, an ex-colonial power to boot! All of a sudden, it's open season! You can be a smart-ass, make fun of dignified people without even offending the average Times reader, all without ever having visited the country - Excelente! I wonder if AA Gill's quick wit takes quite so many liberties agains slightly more "ethnic" peoples.
AA Gill makes a few historical references which I would like to address.
1. Portugal is indeed "England's Oldest Ally", something it Portugal is quite proud of. In the age of AA Gill and co. this is of course a laughable matter.
What AA does not know, is that this alliance almost never was. Indeed, had King Joao I and his court been met in England by the late-medieval equivalent of the smart-ass-pseudo-amusing weasel-restaurant critic; a group consisting mainly of jesters, male prostitutes, deserters, pickpockets and thieves, they might have been less impressed with their future ally. The King of Portugal would not have married the formidable Philippa of Lancaster, their son Henry the Navigator would not have been born, and The treaty of Windsor would not have been signed. Four centuries later, Wellington would not have landed in Portugal during the bleakest hours of the Napoleonic wars, and begun England's "Reconquista" (look it up, AA) of Europe.
2. Brasil did indeed secede from Portugal. Not so unlike America's secession from England. Except that in the former case, the process was peaceful, and left behind two countries with huge cultural affinities. Brasil is the greatest living tribute to Portugal's colonization, as the largest integrated multi-racial nation in the world. In the latter case, the 2nd largest standing army in the world was defeated (twice) by barefoot irregulars, leaving behind two nations that, under the guise of the "special Relationship" barely understand, and don't really like each other.
Maybe AA Gill has not been to Brasil, so he is entitled to his opinion.
The pivotal point in Mr. Gill's incredibly well-structured argument, delivered with nonchalant ascerbic wit, is that Portugal is the perpetual loser country, the ugly sibling to its larger neighbor Spain. As he inimitably puts it "...doomed to be the mini-me Espana." Now there is a novel idea.
I adore Spain, and some of my best friends are Spanish. It is an incredible country, one of the greatest. In fact, "Modern" Spain certainly has a lot more cultural integrity that "modern" England. Actually, Portugal is nothing like Spain. Of course it is difficult to discern, having never been there. AA Gill has problably rarely left the King's Road.
His pivotal point must be a nagging personal truth for Mr. Gill, that strikes uncomfortably close to the mark. Perhaps He is the perennial ugly duckling compared to his beautiful girlfriend, "The Blonde". Or on a professional level, he must have an inkling that the "all-expenses-paid-wisecracking-irreverant restaurant critic-cum parasite" is also the mini-me of writing, the mini-me of journalism, and the mini-me of most other respectable professions. Unless, of course, one admires people who earn their living accepting free meals, to later insult their hosts, in order to amuse.
In fact perhaps Mr. Gill is incensed against Portugal simply because he has never been there. He has yet to see the magic of the place, simply because no one has ever paid his ticket there, which is a sorry excuse not
to have visited. I am sure we could arrange it.
Summer 2004 would have been a good time for him to visit, to observe some of England 's finest destroy half the Algarve while their small children watched, encouraging their dads. Or a few days later, when Sven-Goran, Becks, Posh and the rest of the A-listers and footballers wives watched, as a much smaller country outplayed them in the 1/4 finals of the Euro. Of course, in the age of AA Gill and "Modern" England, the press clamoured: "We Wuz Robbed!!!" and people just went back to drinking themselves into a stupor, intermittently smashing windows.
As I look at his airbrushed picture in the Article in the Sunday times, a thought occurs to me. Maybe Mr Gill gets his dark handsome looks from some Portuguese sailor who visited England long ago. After all, there have been
many advantages to being "England's Oldest Ally". He really should angle for his next restaurant or golf junket to take place in my fantastic country. All he needs now is someone to pay for the trip.
Publicado por jpt às 02:48 AM | Comentários (60)
O Restaurante Tugga (Londres) no Sunday Times
Um amigo enviou-me uns textos deliciosos, tanto que não resisto a colocá-los. Um texto no Sunday Times (21.08.05), no qual o crítico gastronómico AA Gill se dedica a destroçar Portugal e, a esse propósito ou vice-versa, o restaurante londrino Tugga. Um outro, resposta de Pascal Monteiro de Barros, residente naquelas paragens. Há ainda um terceiro, da autoria de José Preto da Silva, delegado do ICEP em Londres, que aqui não transcrevo, dado que também institucional. Mas nesse (obrigatório) registo é também uma bela peça.
Começo pelo princípio, eis o Table Talk de AA Gill em 21 de Agosto último [abaixo transcrito]::
I've never been to Portugal, so my prejudices about the salty Iberian appendix are unsullied and uncorrupted by acquaintance. It is with a disinterested authority, therefore, that I can say Portugal is Belgium for golfers, a place so forgettable that the rest of us haven't even bothered to think up a rude nickname for it.
Portugal is Britain's oldest ally - like that keen exchange student your mother forced you to be nice to, and who turned up in paperweight glasses and national costume. It's also the only colonial power that was given independence by its own colony. Brazil told Lisbon it would just have to stand on its own two feet now, because, frankly, being seen out with it was getting embarrassing. Portugal's colonial reputation was for being overfamiliar with the folk they were ripping off. In fact, there is a theory that the Portuguese only got an empire as a desperate attempt to get laid.
The world is dotted with plain mates on double dates, countries that are gawkier, hairier, shyer, goofier and less entertaining than their friends. Their main purpose is to make the next-door neighbour look good.
Obviously, there's Canada, which is the ugly friend of America. New Zealand is the dingo date for Australia. Ulster is the foul-gobbed psycho with a neck tattoo out with lyrical, literate, craicing Eire. But how depressing must it be to be the forgettable one out on a date with Spain? It's a Ladyshave assault course.
Portugal has been doomed to be the mini-me España. It's Spain that's famous for sailors and discoverers, when, in fact, the Portuguese were better and braver at it. Spain got fascism and Franco; Portugal just got some bloke called Salazar, but nobody noticed. Spain got bullfights, flamenco, Penélope Cruz and Real Madrid; Portugal got golf courses, porto, gout and domestic servants. Name three famous Portuguese who weren't sailors. Or three of your favourite Portuguese dishes. Okay, so there's bacalao (salt cod), those little custard tarts and, erm, another one of those delicious little custard tarts.
One of the problems with the communal, back-slapping, one-for-all-and-all-for-France Europe is the rock-on relativism (by the way, Portugal is in the EU, isn't it?). We're all supposed to be uniformly good and nice and attractive. We're supposed to believe that everyone's sense of style is equal, that their pop songs are jointly joyous and that everyone's domestic cookery is equally, salivatingly moreish. So in EU-topia, the food of Greece is as wonderful as Italy's, although there's always the proviso that it has to be really, really well made. How many people do you think there are who can make Greek food taste good? Very few. And they're all Turks.
In gallant little Portugal, the food is well meaning and pretty dreadful. And before you say anything, no, I've never had it well made, because I've never found anyone who can be bothered to make it. Salt cod, of course, can be fantastic, but one swallow doesn't make a cuisine. Then there are all those things made with chickpeas. The Portuguese are very fond of pulses, bobbing like buoys in soups of old fatty fat.
I'm sure if you're born to it, it reminds you of your grandmother's beard and your mother's mop bucket. Portuguese food is heaven if you're Portuguese. But if you come to it with a mild hunger and a choice, it's just a sort of Spanish, but without the shrieking. Dinner of the Dons always seems as if it's therapy to cope with the sensory, religious and emotional overload of being Spanish. Portuguese food, on the other hand, is more your necessary ballast and seasick ammunition for discovering Tierra del Fuego - or being the live-in couple for a rock star in Sussex.
Tugga is a new Portuguese restaurant on a stretch of the King's Road that is filled with barn-like grub bars, vaguely themed by country - Italy, Spain, Mexico, Thailand.
Their decor and menus are more style indicators than authentic gastronomic experiences. The King's Road has always been a notoriously difficult place to find anything decent to eat, at least, anything that wasn't at school with your sister. Most of the clients who trawl up and down here in the evening are up from boarding school, clogging the pavement as they do intense and romantic things on their mobile phones.
I love watching young people on phones; they come alive. Face to face, they're mumbling stroke victims, with all the elegant body language of a beanbag. But give them a handset, and they prance and pose like Margot Fonteyn laying an egg and orate like Hal at Agincourt.
Tugga is just another in this series of dark rooms, which, I suspect, do most of their business in the bar. The best thing about this one is the wallpaper of gaudy flowers that looks a bit like they've skinned a dead BA aeroplane tail and glued it to the wall. The Blonde says this particular paper is very fashionable at the moment and comes from Scandinavia. Jabberwocky food is now expanding into jabberwocky environments. You get food from Lisbon, wallpaper from Stockholm, wine from Chile, water from Fiji, music from Ibiza, waiters from Poland and a bill from the Cayman Islands.
The menu is short and Iberian, starting off with the Portuguese version of tapas, which is very like the Spanish version of tapas, but without the thumbscrews. This includes that pata negra ham that just is Spanish. The best I can say about Tugga is that it's trying to improve the general food of the area, while providing a base for the coveys of public-school children who have been at a loss for a summer camp since Pucci's, the famous virginity brokerage, closed down.
This is laudable, but, sadly, this Atlantic-rim food is never going to be fashionable or trendy. And it's not terribly well made. The ham was sweaty and sliced too thick. The salt cod, which ought to be the signature dish, was bland and resistant to swallowing. The chickpea mush was really not edible for pleasure.
Tugga is going to have a hard time competing with its pounding, tequila-slamming, chip-and-dip, youth-ogling, short-skirted neighbours.
But then, for Portugal, that's a familiar story.
(SUNDAY TIMES, August 21, 2005)
Publicado por jpt às 02:46 AM | Comentários (0)
Mini-conto
Simpático, o Francisco colocou a minha versão de conto mínimo.
Publicado por jpt às 01:37 AM | Comentários (0)
outubro 19, 2005
Vitória de Guimarães
Eu não acho que serviço público televisivo implique a obrigação de transmitir jogos de futebol. Mas os adeptos do Vitória de Guimarães têm toda a razão, a RTP (o canal-mãe ou os sucedâneos) esfalfa-se por transmitir tudo em que rola a bola pelo que não é admissível que abandone um jogo europeu em que não entra um dos da Santa Aliança (Benfica, Porto, Sporting, por ordem alfabética, entenda-se). É um puro caso de centralismo.
Daí que assinei esta petição à qual cheguei via Terceiro Anel. Repito-me, assinei por razões totalmente extra-futebolísticas.
Publicado por jpt às 09:07 PM | Comentários (3)
Mais Gripe
Mais um texto sobre A Gripe das Aves que email amigo me fez chegar. E, por enquanto (?), chega de informação.
Publicado por jpt às 07:15 PM | Comentários (3)
A Gripe
Sobre a Gripe das Aves o José Paulino divulgou via email este texto (em português) da Organização Mundial de Saúde: ei-lo, com os agradecimentos devidos: Gripe das Aves
Publicado por jpt às 06:47 PM | Comentários (1)
Morte de Samora Machel

Feito coincidir com o 19º aniversário da morte de Samora Machel, que hoje se cumpre, o lançamento deste "A Morte de Samora Machel", da autoria de João M. Cabrita (Edições Novafrica), um jornalista moçambicano. Apoiado em documentação relativa ao incidente [que outra palavra utilizar sem assumir opinião?] e em entrevistas com peritos e testemunhas, o autor apresenta um livro muito bem escrito, com artes de tornar acessíveis aos leigos as questões técnicas envolvidas, rápido, com trechos até apaixonantes, na bem conseguida reconstrução do fatídico momento totalmente desprovida de qualquer intenção ficcional.
Na obra Cabrita cruza ainda as diferentes posições e relatórios então elaborados pela Comissão de Inquérito sul-africana e pelas Comissões moçambicana e soviética, que acompanharam o inquérito. Em conclusão defende a justeza das conclusões da Comissão de Inquérito, as quais apontam como causa uma sucessão de erros da tripulação soviética.
Livro decerto destinado a polémica, pois o desaparecimento de Samora Machel continua a ensombrar a sociedade moçambicana.
Adenda: visitantes deixaram endereços onde se poderá complementar esta visão: o A Morte de Samora Machel, do próprio João Cabrita onde se tem acesso à introdução do livro e à transcrição do gravador de cabine; e o The Case "Samora Machel" que apresenta versão contraditória das causas do acontecimento.
Publicado por jpt às 04:27 PM | Comentários (9)
Zapaterismo
Tonto eu, escrevia ontem aqui que o melhor contra o alarmismo era o máximo de informação. Desavisado, pois o melhor mesmo é confiar, apenas confiar [texto abaixo transcrito].
Confiemos, pois! Felizmente há Zapaterismo. E, já agora, tantos blogozapateristas no meu país. Onde andam eles, onde blogam eles no hoje em dia? Decerto que se levantarão agora, confiantes, apoiantes. "Obreristas" da crença, perdão, da confiança.
Responsável considera que o problema é apenas veterinário
Gripe das aves: ministra espanhola afirma que pandemia humana "é ficção científica"
Público
19.10.2005 - 11h26 AFP
A ministra espanhola da Agricultura, Elena Espinosa, afirmou hoje que a hipótese de uma pandemia humana da gripe das aves é "ficção científica". A responsável anunciou a compra de cinco milhões de vacinas suplementares para o "stock" destinado às aves de criação.
"Pensar numa pandemia entre os seres humanos é ficção científica", afirmou a ministra espanhola em entrevista à rádio Cadena Ser. Por agora - disse Elena Espinosa -, a gripe das aves "é um problema unica e exclusivamente veterinário".
Mais preocupada com o problema nas aves, a ministra da Agricultura espanhola anunciou que o "stock" de vacinas contra a gripe das aves para os animais "vai ser multiplicado por dois" e que os controlos sobre as aves migratórias "será multiplicado por três".
Elena Espinosa pôs de parte a possibilidade de uma campanha de vacinação intensiva das aves de criação em Espanha, "salvo se houver casos detectados em Espanha". Nesse caso, disse, "as zonas de isolamento serão impostas e nessas zonas haverá uma campanha de vacinação".
O Governo espanhol decidiu ontem a compra de entre seis milões e dez milhões de doses de antivirais para assegurar a protecção dos grupos de risco no caso da passagem do vírus da gripe das aves para seres humanos.
Publicado por jpt às 02:16 PM | Comentários (2)
O mais que muito devido

OBRIGADO Presidente. Por estes anos todos.
Publicado por jpt às 02:09 PM | Comentários (4)
Publicado por jpt às 02:04 PM | Comentários (0)
Aliança no Porto
No Welcome to Elsinore notícia da aliança entre o FCP e a Câmara Municipal do Porto.
Publicado por jpt às 01:45 PM | Comentários (2)
Debate
O Ideias para Debate, O blog moçambicano, está a emitir de novo. Vamos ver se a corrente reanima - a meu ver o problema ali, "a seca" como diz o último participante, que conduziu ao quase encerramento é o excessivo tom "composto" dos textos, que inibirá maior espontaneidade na participação.
É coisa de cultura, a pa-la-vra cer-ta, o sim-bó-li-co do a-ti-na-do, a gramática do José Maria Relvas. Moçambique é Moçambique, a censura é mais que tudo a auto-censura, a auto-censura é mais que tudo estatutária. Urge libertar a pa-la-vra, perdão, a palavra. Um dia, talvez longe, até se poderá praguejar por escrito.
[E com isto lembra-me a polémica recente no jornal Savana, e é esta é coisa vem ao dedar das teclas, tipo a castanha do caju, que o Ideias para Debate nada tem a ver com o assunto. O cronista Fernando Manuel, o cujo aliás me desagrada pelo acinte, falta de humor, péssima escrita e profundo racismo, mas muito acarinhado sabe-se lá porquê ... (eu acho que ele é acarinhado exactamente pela miserável escrita que o possui) ... encheu um texto "crónica" (em boa verdade é um exagero chamar crónica às charlas em questão) de praguejos. Caíram os leitores sobre o jornal e logo a sua direcção, inacreditavelmente, veio-se desculpar, assegurar que tal não se repetiria. Ou seja, no jornal Savana não se pode cronicar (no caso, enfim, será um exagero, já o disse) com praguejos. Risível? Ridículo?
Bem, tudo isso. Mas o mais engraçado é que no jornal Savana o mesmo cronista não pode escrever "foda-se", "fodido", "cabrão", "cona" mas pode escrever "ó branco, está na altura de te ires embora" (e aqui o facto do tal "branco" ser moçambicano é absolutamente irrelevante)]
Afinal, de tecla em tecla, este se calhar até é um texto para o Ideias para Debate.
Publicado por jpt às 12:29 AM | Comentários (2)
outubro 18, 2005
O Futuro às vezes antecipa-se.

Publicado por jpt às 07:25 PM | Comentários (4)
O Futuro nunca é óbvio.

Publicado por jpt às 07:22 PM | Comentários (1)
O Futuro é óbvio.

Publicado por jpt às 06:46 PM | Comentários (2)
Venha daí. [Texto abaixo transcrito]
RECONHECE; NO ENTANTO, QUE SERÁ DIFÍCIL
Governo moçambicano quer contratar Queiroz
Record
Data: Terca-Feira, 18 de Outubro de 2005 11:02:00
O Governo moçambicano quer contratar Carlos Queiroz, nascido em Moçambique, para treinar a selecção, disse hoje, à Lusa, o ministro da Juventude e Desportos, David Simango.
"Queiroz é sempre bem-vindo, pois, além de ser uma referência mundial, é um homem da casa", disse David Simango.
Falando ainda sobre o interesse do governo no adjunto dos ingleses do Manchester United, Simango acrescentou que Queiroz "é um técnico de craveira internacional, com elevada experiência e competência inquestionável, pelo que reúne os requisitos pretendidos pelo Ministério da Juventude e Desportos e da Federação Moçambicana de Futebol".
No entanto, o ministro reconheceu que "a contratação de um treinador deste calibre envolve avultadas verbas".
Simango afirmou que caso não seja possível contratar Carlos Queiroz para treinador principal, o técnico "irá dar o seu contributo para o desenvolvimento do futebol moçambicano, designadamente na área técnica e de marketing apoiando a campanha para organização do CAN- 2010".
Publicado por jpt às 03:49 PM | Comentários (0)
A Gripe
A melhor maneira de evitar o alarmismo é a informação:
[ligações obtidas via Food-I-Do, Quase em Português e Tugir]
Um excelente texto no Pura Economia, com panóplia de elos sobre o assunto, dos quais aqui reproduzo:
Flu vaccine. Preparing for a pandemic, no Economist, 22 Setembro 2005;
The spreading bird-flu menace reaches Europe no Economist, 17 Outubro 2005 [o qual junto]
The Next Pandemic? na Foreign Affairs, Julho/Agosto 2005;
Avian Influenza: Economic and Social Impacts, de Milan Brahmbhatt, World Bank Lead Economist for East Asia and the Pacific no site do Banco Mundial; e do qual retiro "As will be seen, honest public communication will be critical"
Como termina o texto de ontem no Economist:
"Until then [à vacina], all countries need to prepare for the worst" - e se é preocupante a situação na Europa imagino o que será se (se!) tal acontecer em África.
Publicado por jpt às 01:03 PM | Comentários (0)
Um blog já com Clube de Fans. Confesso a inveja.
Publicado por jpt às 09:55 AM | Comentários (1)
Os direitos dos emigrantes
E para encerrar este ciclo de algumas semanas a olhar Portugal - coisa das idas à santa terrinha - mais uma arenga sobre os direitos dos emigrantes.
Todo o português tem direito à protecção do Estado (polícia, rails de auto-estrada, festas pagas pela Câmara Municipal, saúde, etc.). Mesmo os emigrantes, mesmo os que não pagam impostos. Portanto não há qualquer razão para que um português não residente no país tenha o direito de receber, quando sai, a devolução de IVA (tax free) das compras que realizou durante a sua estadia. Pode ser coisa pouca, mas é um princípio. Nunca tinha pensado no assunto. No último regresso prescindi. De certa forma foi o preço para continuar a resmungar.
Resolvido este apontamento o Ma-Schamba regressa a Moçambique.
Publicado por jpt às 03:50 AM | Comentários (1)
Horizonte
Ler.
(ontem, belissimo jantar, boa companhia e apurada mesa - culminando num sorvete de milho inédito e histórico; pela primeira vez a falar do assunto. Ainda houve humor sobre o assunto, achei-o um pouco descabido, mas enfim ... ainda houve humor. Fiquei com a sensação de que iria recordar o momento, o dia em que ainda se fazia humor ... espero enganar-me. Esquecê-lo.)
Publicado por jpt às 03:45 AM | Comentários (3)
No mesmo dia Bivar com lifting, Carmelo multiplicando a sua galáxia informática, e de consultor em punho. Ah, quem me dera saber da poda, uma plástica ao lupanar a ver se o (me) animava.
Publicado por jpt às 01:16 AM | Comentários (3)
outubro 17, 2005
Heterossexuais discutindo Homossexuais
Nos últimos tempos no bloguismo português regressaram as questões do casamento e da adopção homossexual. Li alguns textos tendo como trampolim o atento Lutz do Quase em Português, que os referencia e (também) opina.
Sobre isso já botei faladura há mais de um ano, e voltei em corrida à pouco tempo. E pronto, está dito e não repiso. Só volto à matéria por coceira, quase sarna, incomoda-me tanto reaccionarismo por parte de proponentes e adversários.
Explico-me, é generalizado o argumento da "normalidade" (tipo "conjugalidade monogâmica, equilibrada, amantissima") dos homossexuais ou, pelo menos, de parte deles. É uma imagem de homossexuais "saudáveis", uma "harmonia", uma "saúde" na homossexualidade. Estas belas peças surgem nos adversários (tipo, "ainda que existam casais homossexuais equilibrados e estáveis") e nos adeptos (tipo "notem bem que existem casais homossexuais equilibrados e estáveis").
Eu não sou muito dado às questões do feminismo, talvez meu machismo (sim, sorrio diante de mestres e doutores em estudos sobre mulheres ... sem as contrapartes, os "estudos sobre homens"). Mas sempre lembro uma frase lida há décadas (esqueci a autora), qualquer coisa como "a igualdade dos direitos das mulheres implica o direito à incompetência". Entenda-se, a igualdade de direitos entre homens e mulheres não se justifica ou legitima pela excelência de algumas mulheres, do "vejam do que elas são capazes", a sua "normalidade" no sucesso. Justifica-se por todo o espectro e em todo o espectro da acção (social). Entende-se a homologia? Ou seja ...
Eu defendo o casamento dos homossexuais (posso sorrir ao mimetismo, mas nada mais). Não pela "estabilidade" afectiva, "harmonia conjugal", "fidelidade" e outras tralhas dessas, de que os/se dizem capazes. Pois ter o direito de se casar significa o direito de se separar no dia seguinte, divorciar logo a seguir. Ser "infiel" (urgh, maldita palavra), discutir, maldizer, ter sexo em grupo, bater-se na rua, apalpar o rabo da(o) vizinho(a), lutar pelos "bens" afinal não tão comuns como se presumia, descuidar os filhos. Exactamente como a rapaziada que prefere pessoas de outro sexo (não o "sexo oposto", atenção) para casar, amar, copular e ... combater.
Eu sou contra a adopção pelos homossexuais. Mas se lhe for concedido esse direito será de esperar (de combater e controlar, pois aqui não é de um direito que se trata) que depois de adoptarem muitos, por melhor selecção de "pais" adoptivos que haja, se venham a separar, divorciar. Que os casais lutem entre eles. Que traumatizem as crianças, que as castiguem, que as agridam. Mais que tudo que as descuidem relativamente, ou mesmo que as abandonem. Que as reprimam. E que alguns as violem. Que as des-amem. Exactamente como a rapaziada que prefere pessoas de outro sexo (não o "sexo oposto", atenção) para casar, amar, copular e ... combater.
Ou seja, nada disto tem a ver com haver homossexuais "bonzinhos", "normalzinhos".
Há ainda outro argumento (p. ex. aqui). "O único valor absoluto é o amor", "all you need is love, tátárárárá". É bonito. O amor. E a opinião. Dá inclusive para belos poemas, novelas romanescas e romances novelísticos, muita canção e até "slows", e uma bela indústria fílmica, entre Hollywood e Bollywood. Mas é tralha, o tal de "amor" não é um valor absoluto, vale coisas muito diferentes em sítios e momentos diferentes (até no interior de uma biografia), e não se sistematiza facilmente quanto ao conteúdo. Pode ser aparentemente um bom argumento. Mas no fundo é nada. Mais, as instituições sociais, como a família entenda-se, não existem segundo o tal "amor", não se organizam ou devem organizar para o acolher e organizar. Melhor dizendo, são as instituições sociais que fazem existir os tais "amores".
Eu repito-me, sou contra a adopção por parte dos homossexuais. Mas de bom grado abandono esta minha oposição se me prometerem que acabam com estes prédicas moralistazinhas e com estes lirismos de rima fácil. Ide e procriai-vos...pecando. Protestando, desorganizando. Sendo gente, porra.
Publicado por jpt às 02:04 PM | Comentários (6)
Delicioso,
[Filme, já!]
Publicado por jpt às 09:07 AM | Comentários (1)
(Nova) Lei da Nacionalidade em Portugal: longo discurso de um emigrante
Face a uma nova lei da nacionalidade em Portugal, a cuja muito é de saudar em benefício de uma concepção inclusiva dos direitos. A alguém que tenha algum (ainda que diminuto) conhecimento da história portuguesa das últimas décadas (ex. gigantesco surto de emigração; descolonização) não parecerá evidente que os netos de portugueses deverão ter direito a solicitarem a nacionalidade portuguesa? Mais sendo pois tal não vem em contradição com nenhum princípio anterior da concessão de tal condição.
Publicado por jpt às 08:56 AM | Comentários (11)
outubro 16, 2005
Em coisas de futebol
a única coisa que realmente me surpreende é a pouca atenção, o reduzido eco e o nulo respeito que têm recebido os notórios dotes oraculares deste Ma-Schamba, amplamente comprovados desde o Euro-2004 (os cépticos que visitem o arquivo Ma-Schamba da época) .
Razões para tal desprezo? Primado de um racionalismo setecentista alhures? Cristo-ateísmo fundamentalista? Recusa do multiculturalismo? Mera cegueira? Incómodo?
Publicado por jpt às 11:16 PM | Comentários (3)
Via Tempo Suspenso, um pobre blog sportinguista, chego a um interessante e credível blog sobre futebol: o Mãos ao Ar. (Recomendo alguns textos ali incluídos dedicados ao Sporting de Lisboa)
Do seu estatuto editorial: "Teremos, neste blogue, a mesma honestidade lendária do presidente do FC Porto, a mesma coerência intelectual do presidente do Sporting e a mesma abstinência alcoólica dos dois últimos presidentes do Benfica.".
Publicado por jpt às 09:08 PM | Comentários (2)
O Muro do Saber

[Pedro Roma, o Injustiçado Português]
Publicado por jpt às 08:43 PM | Comentários (0)
Nobel da Literatura e o anacletismo
Que o Prémio Nobel da Literatura é apenas o Prémio Nobel da Literatura sabe-se há muito. A sua recente atribuição gerou reacções no bloguismo luso - entre muitos "post-its" escolho, pela autoria, este exemplo. Ia eu escrever sobre tais e tantas desvairadas palavras, tipo garimpeiro preguiçoso, para delas retirar a cristalina "indigência", o óbvio "instrumentalismo" (tudo isso muito censóio mas também conversa de quermesse, "veja-se lá que o homem até escreve "merda") e o notório "anacletismo" (um bloguês aqui incontornável).
Mas não vale a pena escrever. Basta ler Da Literatura, a A Origem das Espécies e os comentários no A Mão Invisível.
Depois cada um que interprete à sua maneira. A mim dá-me só para explicitar o hiper-óbvio: o "anacletismo" não tem ideologia política. É mesmo alma. E (em jeito de adenda) pelos vistos pega-se.
Publicado por jpt às 08:39 PM | Comentários (0)
Os Donos do Hoje

Publicado por jpt às 11:42 AM | Comentários (11)
outubro 15, 2005
Felicidade Terrena

Afinal possível! Acabada de adquirir em plena 25 de Setembro, à porta do barbeiro, pela módica quantia de 150 mil meticais (aos potenciais interessados)
Publicado por jpt às 02:25 PM | Comentários (12)
Manuel da Silva Ramos
Manuel da Silva Ramos no Os Cavaleiros Camponeses no Ano 1000 no Lago de Paladru (uff), ele que andou por cá às voltas com o gigante de Manjacaze e o anão de Arcozelo. E já lá vão anos. Terá o livro ecoado lá pela terra dele? Um início rasgativo, lembro: "Louvado seja o caralho.". Ok, em tempos serviria para apartar as partes, digo, os leitores. Hoje nem sei.
Publicado por jpt às 11:28 AM | Comentários (1)
O voto dos emigrados
A propósito da introdução do voto electrónico no Abrupto é invocado o voto dos emigrados: "Porque é que a comunidade emigrante não vota connosco, no mesmo dia?". Algo que não deixa de, implicitamente, significar a perspectiva de que essa modalidade de voto facilitaria a participação dos emigrantes. Não é possível negar tal visão, o imediatismo e a facilidade dessacralizadora do voto electrónico virá claramente beneficiar a participação eleitoral.
Mas ao mesmo tempo tal perspectiva relativamente aos votos dos emigrantes falha a questão central. Deixa entender (implicitamente, a questão não é ali abordada) um deficit de participação causada pela "incomodidade" da acção eleitora. Uma ideia recorrente, o emigrante abstém-se porque não está interessado, não se quer incomodar, naõ se sente identificado nem motivado com a política do país. Não contradigo. Apenas sublinho que o sistema eleitoral português se estruturou sobre a negação do direito de voto aos emigrantes (formalmente e quiçá informalmente, ou seja por lei e por prática). E essa questão, essa deficiência democrática e moral (uma imoralidade republicana) não se resolve tecnologicamente (mais ou menos informática). Resolve-se política e ideologicamente. Ou seja, resolve-se refutando as manobras políticas anti-democráticas fundadoras da constituição e do regime, instaurando a efectiva universalidade da cidadania entre os portugueses. Sendo cidadão português não interessa onde reside, tem direito ao voto.
Em suma, não é de tecnologia que se precisa. É, em primeiro lugar, de constitucionalistas e de políticos efectivamente democráticos. Moralmente democráticos. O resto virá por acréscimo.
Publicado por jpt às 09:34 AM | Comentários (1)
O Meu Voto nas Eleições Presidenciais em Portugal.
Vêm aí as eleições presidenciais em Portugal e vai ser uma azáfama bloguística, os blogs políticos e os blogs opinativos destilarão argumentos favoráveis e contrários {urge, repito-o, o arquivo bloguístico, tanto para uma história política como para uma mais prazenteira futura comicidade). Aceitando este meu Ma-Schamba como blog diarístico-opinativo boto desde já o meu sentido de voto. Ainda que ninguém mo tenha pedido serve isto para me libertar de futuras tendências "postais" sobre a matéria - fica arrumada a questão, pronto.
Não votarei. Pois sendo emigrante o completo exercício da minha cidadania obriga-me à abstenção. Tenho repetidas vezes escrito sobre essa situação escandalosamente anti-democrática e adversa ao espírito de uma constituição que advoga a igualdade dos cidadãos da República: Abril de 2004, Junho de 2004, Novembro de 2004, Fevereiro de 2005, Junho de 2005 e Agosto de 2005. O eco de tanta prosa é praticamente nulo, pesem embora alguns comentários aqui deixados, coisas de blogoamigos decerto. Decerto comprovando a falta de "credibilidade", de "influência" e de "importância" do Ma-Schamba, mas também a indiferença sossegada, estruturante, com que os portugueses olham os seus emigrantes, apenas louvados nas actuais tralhas retóricas sobre uma tal "diáspora" "lusófona", e nos apelos ao apoio futebolístico aos clubes de "todos nós" quando estes se deslocam ao estrangeiro.
Sumarizo a minha situação, o saque dos meus direitos que a República realizou:
O meu sentido de voto actual é abstencionista.
Entenda-se, sou emigrante. Para votar tenho duas hipóteses. Ou vou com a família a Lisboa cada vez que há eleições (um mínimo de 2800 USD aos especulativos preços do efectivo monopólio TAP-LAM, mais a semana de férias exigível, pois as viagens mais curtas ainda são mais caras). Dirão alguns que não é demais para exercer o direito de cidadania. Eu não refuto, no plano de princípios. Mas é pesado demais para os meus rendimentos.
Ou então opto por me recensear aqui em Maputo. Ora ao recensear-me aqui perco direitos de cidadania, e é isso que várias vezes referi. Perco direito ao voto. Não posso votar nas eleições para o Parlamento Europeu (contrariamente aos emigrantes nos países da UE, contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE). E não posso votar nos referendos sobre questões nacionais (contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE).
Ou seja sou abstencionista por atitude, atitude política. Prefiro não exercer o meu direito (prático) de voto a prescindir ao meu direito (formal - entenda-se, ideológico) de voto. Eu não cedo, "gratuitamente", o meu direito ao voto, não prescindo da sua totalidade. Mesmo que isso me impeça de votar.
É também abstencionismo por atitude, atitude de desprezo ... por quem continua a achar que há portugueses de primeira (que votam em todas os actos eleitorais) e portugueses de segunda (que só votam em alguns actos eleitorais). Um hierarquia assim explícita na lei, capeada pela constituição, sufragada pelos milhões de votantes (os ignorantes e os que o sabem).
(lembrar-se-ão os mais velhos da vergonhosa proibição de voto aos emigrantes nas eleições presidenciais, porque temendo que estes votassem "à direita" - como pode um constitucionalista dizer-se democrata e vergar-se ao medo do sentido de votos dos seus concidadãos? Lembrar-se-ão até os mais novos que os emigrantes só passaram a ter direito a voto nas eleições presidenciais quando o país constatou, sossegou, que a maioria se abstém, assim não influenciando decisivamente a eleição?)
Publicado por jpt às 12:21 AM | Comentários (3)
outubro 14, 2005
Nobel
Publicado por jpt às 11:35 PM | Comentários (2)
Gripe das Aves
O leigo, super-preocupado, a agradecer os esclarecimentos no Linha dos Nodos e no Conta Natura.
Publicado por jpt às 02:51 PM | Comentários (0)
A bola e a língua
O Altino lança uma micro-causa no seu blog, esse Food-i-do do qual gosto pois quase nunca concordo, é truculento o q.b. e é comunista. O Food-i-do não está nos topos de leituras e elos [consultar índices do Banco Sitemeter e da Bolsa Technorati], ou seja não está nos ditos picos da "importância", da "credibilidade", da "influência". Em alguns poucos dias arranca alguns (16?) ecos-elos, número apreciável ainda que não comparado com outras propostas provenientes dos super-blogs. Na sua maioria ecos-elos em blogs também arredados dos cumes da visibilidade/"influencialidade" (com as excepções notórias do 100Nada e do Blogotinha). Para mais a proposta sendo profundamente política, e até passível de leituras ambivalentes, não é típica da "política" quotidiana, do senso comum bloguístico ou não, sendo pouco polemista, nada dada a sanguinários desfechos e a desvairadas exaltações.
Este rosário serve apenas para referir que as condições de difusão da sua mensagem não eram/foram extremamente favoráveis. Tudo isto para sublinhar o meu espanto com o impacto que alcançou, em poucos dias mais de 4000 assinaturas. E, mais do que tudo, impacto jornalístico (ainda que, pelo menos na versão escrita, seja interessante e notório o "apagamento" do registo bloguístico do acontecimento) - esse impacto que tão difícil e tardio foi para as polémicas micro-causas da "política quotidiana" lançados pelos super-blogs Abrupto e Bloguítica.
Pensando melhor nem duvido nas causas deste impacto, signatário e jornalístico. O Altino, ao associar na sua petição a língua e o futebol, esteve qual alquimista de sucesso, conjugando os dois ingredientes essenciais [ontológicos, se se quiser] da identidade portuguesa de hoje.
Eu, mui agradado 2º subscritor da petição e seu emailesco divulgador, ao ver este seu rápido caminho hesito entre a satisfação divertida e o sentimento de ser uma espécie de mordomo do Dr. Frankenstein.
E enquanto hesito olho isto tudo, este tudo da língua e da bola, e digo: "Camarada Altino, estamos fodidos!!"
Publicado por jpt às 02:39 PM | Comentários (4)
Publicado por jpt às 01:41 PM | Comentários (0)
Blog de livro
O inverso do que já se tornou habitual. Não um livro de blog, mas um livro já publicado tornado blog. E ainda para mais de prosador a sério, não desses das nossas blogocoisas de amadores: o excelente Miniscente passa a apresentar O Trevo de Abel em fascículos. Excelente, a ideia. A acompanhar. A agradecer.
Publicado por jpt às 01:29 PM | Comentários (2)
De novo o anonimato
Sobre o anonimato bloguístico um muito recomendável texto no A Barriga de um Arquitecto (não, não é por causa da epígrafe).
Publicado por jpt às 10:35 AM | Comentários (0)
Pois
Acho piada a esta merda toda da blogosfera, estão dois gajos no intercomentário, que é noite noite, dum não sei da vida, talvez fodida, do outro sei que já sem idade para grandes fodidas, perdão, fugidas nocturnas, nesse entretanto há um desses gajos que tem a boa ideia de dizer aos tipos da fifa que têm um site que esquece o português (olé, olá angola!!!!, viva zedu, camarada, dedico-te o golo, viva portugal!!!, ah o grande evento, essta tralha toda...), já agora o brasil é penta, o régulo havelange, presidente desde o seculo XIX, etc e tal, pelé e garrincha, socrates (o penultimo) e zico, jardel e liedson, perdão, ronaldo e ronaldinho, enfim essas merdas, vai-se a rapaziada e toma-se de brios e viva Afonso de Albuquerque, "de mal com el-rei" e é assim mesmo, Pessoa e "a mensagem", salazar e pombal, expo-40, expo-98, camões e saramago, a casa portuguesa e o nobel siza, egas moniz, o da porta e o da mioleira, o damásio da carola (e se quiserem o pato-bravo também), já agora por falar em damásio o lobo antunes escritor, durão barroso sim senhor, brasil nosso irmão mais novo, sim gilberto freyre e a PT, "sei que não vou por aí" e a bem da nação, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa,a minha pátria é a língua portuguesa,a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, (usa a língua e cala-te, ó meu caralho) o brilharete, olha o brilharete, foda-se, contra os marchões, canhões, marchar, marchar ..., bom povo português, sereno, claro, assina, assina, a europa, a europa, é nossa foda-se, é como o euro, viva, o IDH, perdemos o pódio, mas vamos lá, hás-de ver, a rapaziada faz-se, o império a morrer a bandeira no coração, leva a baixela para casa mas trata do trapo, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, a minha pátria é a língua portuguesa, o caminho faz-se caminhando ainda que seja coño o cabrão que o diz...digam-me lá, nesta merda toda, onde é que há côdea de polémica, foda-se ... só alentejando, confusionando , contrando, vontade do contrando, nem digo mais nada.
Publicado por jpt às 02:12 AM | Comentários (7)
outubro 13, 2005
Na Beira à beira
Publicado por jpt às 05:23 PM | Comentários (2)
Publicado por jpt às 05:21 PM | Comentários (0)
Micro-causas avulsas
"Em segundo lugar há aqueles que procuram ridicularizar e descredibilizar o instrumento em si que constitui uma micro-causa. Não faltaram, nos últimos dias, micro-causas avulsas...", diz o Paulo Gorjão. Mas não me parece possível a relação simples. Certo, a tal "causa avulsa" muitas vezes será para ridicularizar. Mas outras é fruto do sucesso da m-c do Bloguítica (e antes aquela do Abrupto), o qual não pode reclamar a exclusividade momentânea, tipo a "Micro-Causa do momento é a minha" - eu presumo (e não digo "eu sei" porque isso seria minha presuncão) que não seja isso que PG quer dizer, mas é isso que se retira do texto. E exemplo é esta m-c lançado pelo Altino Torres [n assinaturas, já agora], bem como outras: o instrumento m-c está na berra, as pessoas utilizam-no. Até à (sua) exaustão.
Depois há o humor, que nem sempre é para ridicularizar: é evidente que quando muito se fala em m-c o pessoal, mesmo até os que subscrevem, goza. Acho saudável, até para não nos levarmos muito a sério - saudável e acertado (veja-se o caso do Público, o qual não pode deixar os bloguistas levarem-se muito a peito: é óbvio que a montanha pariu uma ratazana). Eu já por aí andei a comentar que "o ma-schamba é a minha micro-causa", deixei aqui "apoia a minha micro-causa que eu apoio a tua", talvez pobre humor. E outros também sorriem ou riem. Se não fosse assim isto tornava-se insuportável. Tal como gozo, interiormente acima de tudo, com a m-c da fifa, é ir lá e ver a exaltação patriótica dos comentários - rais parta, é só para os tipos da fifa colocarem um sítio em língua portuguesa, ninguém quer tomar Ormuz. Já agora, tem alguma lógica nos tempos de hoje que a Fifa não tenha um sítio em mandarim? E já nem digo em hindi ou japonês.
Em suma, já há seriedade "postal" a mais nisto do bloguismo português (e, em particular, no Ma-Schamba). Tendências orgânicas, também (mas aqui não). Goze-se, de modo avulso ou sistémico. Goze-se, muito! E, em especial, sobre as "coisas sérias".
Publicado por jpt às 01:49 PM | Comentários (6)
A Macro-Causa
Até o José Peseiro já assinou (nº 1686).
Publicado por jpt às 01:33 PM | Comentários (1)
outubro 12, 2005
A petição "põe o sítio em português" está a crescer rápido. O Altino Torres desta vez cozinhou-a bem.
Eu faço uma proposta, em especial aos que não assinaram, ou por encolher de ombros ou por serem "contra estas coisas", tralhas de "tipos que não têm nada para fazer". Se o Ricardo hoje não jogar na selecção vão lá assinar, em sinal de reconhecimento. Que tal?
Publicado por jpt às 03:41 PM | Comentários (5)
Sobre os pinguins (cont.)
Publicado por jpt às 03:01 PM | Comentários (2)
Ideias para Debate
O Machado da Graça fechou o Ideias para Debate. Muito o lamento, o IpD foi um espaço único em Moçambique em termos de debate público, descomprometido e até inquiridor. E um exemplo de bloguismo político, em termos de interesse e profundidade. Face ao seu sucesso em termos de leitura e de participação também não compreeendo o súbito secar de participações. Retracção no opinar público? Ou o tom talvez demasiado formal (e composto) de alguns dos textos a inibirem outros hipotéticos participantes (o maldito paradigma do "escrever bem")
Pode ser que venha a regressar. Ou, e aqui já utopizo, talvez o seu encerramento implique o surgimento de outros blogs opinativos numa terra onde, até agora, o bloguismo é fundamentalmente fotobloguismo. Ainda que haja tanto para dizer. Para mais quando uma palavra vale por mil imagens.
Publicado por jpt às 11:19 AM | Comentários (0)
Os pinguins de Bremherhaven
O José afiança-me da veracidade da história dos pinguins de Copenhaga - e decerto que compreendeu que a minha dúvida era pacífica, apenas devida ao facto de ser a história tão fascinante que tinha ar de apócrifa.
E não só afiança como, gentil, oferece outra pérola semelhante: os pinguins de Bremherhaven [texto abaixo transcrito para que o futuro não venha a apagar o sítio em causa]
ALEMANHA: Falha tentativa de “curar” homossexualidade de pinguins
PortugalGay.Pt
Sexta-feira, 11 Fevereiro 2005
Falhou a tentativa do zoológico da cidade alemã de Bremherhaven de “curar” seus pinguins. Quatro pinguins fêmeas foram trazidas da Suécia para tentar seduzir seis machos homossexuais. No entanto, os pingüins não mostraram interesse nas novas companheiras. Para a diretora do zoológico, Heike Kueck, “as relações entre eles eram aparentemente muito fortes”. O zoológico confirmou que tentará repetir a experiência na primavera de 2006, porque os pinguins correm o risco de extinção e precisam procriar para sobreviver. O fenômeno de pingüins gays é conhecido pela ciência. No caso dos pingüins do zoológico de Bremherhaven, a homossexualidade deles foi descoberta após anos e só foi identificada porque os cientistas fizeram uma análise do DNA para então perceber que eles eram machos
Publicado por jpt às 10:57 AM | Comentários (0)
Post épico
É absolutamente épico este post no Apenas Mais Um. Grande momento de bloguismo.
Publicado por jpt às 10:54 AM | Comentários (0)
Mais d' antanho
Já que falaste no

Faster
Chose a life in circuses
Jumped into the deepest end
Pushing himself to all extremes
Made it - people became his friend.
Now they stood and noticed him
Wanted to be part of it
Pulled out some poor machinery
So he worked 'til the pieces fit.
The people were intrigued
His wife held back her fears
The headlines gave acclaim
He'd realized their dreams.

Faster than a bullet from a gun
He is faster than everyone
Quicker than the blinking of an eye
Like a flash you could miss him going by
No one knows quite how he does it but it's true they say
He's the master of going faster.
Now he moved into the space
That the special people share
Right on the edge of do or die
Where there is nothing left to spare.
Still the crowds came pouring in
Some had hoped to see him fail
Filling their hearts with jealousies
Crazy people with love so frail.
The people were intrigued
His wife held back her fears
The headlines gave acclaim
He'd realized their dreams.
Faster than a bullet from a gun
He is faster than everyone
Quicker than the blinking of an eye
Like a flash you could miss him going by
No one knows quite how he does it but it's true they say
He's the master of going faster.
No need to wonder why
His wife held back her fears
So few have even tried
To realize their dreams.
Faster than a bullet . . .
[George Harrison]
Publicado por jpt às 03:21 AM | Comentários (1)
1º Prémio Ma-Schamba
Eis a entrega do 1º prémio Ma-Schamba, um valioso link em post absolutamente novo:
Carlos Azevedo, The Cat Scats.
Nota: o concorrente JPA foi desqualificado por consumo de dicionário.
Publicado por jpt às 03:06 AM | Comentários (6)
Santa Inquisição
Isto no bloguismo um tipo cria uma imagem ou uma imagem cria-se-lhe. Depois nem pode estar bem disposto, para variar, que logo vem a Santa Inquisição no abrenúncio dos pecados na ponta do polé.
Liberdade! Abaixo os frades.
Publicado por jpt às 02:59 AM | Comentários (1)
Espanto
Como é que eles viviam antes do Google?
Publicado por jpt às 02:56 AM | Comentários (0)
Antanho




[Fotos recolhidas aqui]
Jovem foi em 1973 no Mónaco. Acabou em 4º, a uma volta do Stewart, foi dobrado e depois correu atrás dele. A mostrar. Inesquecível.
Publicado por jpt às 02:46 AM | Comentários (2)
outubro 11, 2005
O Grande Final
Alguma blogoazáfama causou a Micro-Causa do Bloguítica. Parece que chega agora ao seu Grande Final [via aqui], o que é muito agradável dado que se prevê condigna explicitação do jornal face às dúvidas que a sua prática gerou. Um reforço de credibilidade do Público, decerto.
Eu aliás, oráculo como sabeis, já o sabia. Há alguns dias disse "Micro-causa. Ok, votem que depois de domingo falamos".
Já votaram? Então eles "explicam". Reforçai pois a vossa credibilidade. Perdão, crendice.
(Diga-se que eu não acredito na feitiçaria mas já encontrei feiticeiros. E falo sério, não estou apenas a reproduzir velhos ditos populares)
Publicado por jpt às 11:40 PM | Comentários (1)
Concurso no Ma--Schamba
Numa medida que procura combater a terrível escassez de comentários neste blog decidi instalar uma nova rubrica: concursos.
O primeiro concurso decorre na caixa de comentários deste texto. A questão é fácil, imposta pelos visitantes. Nas futuras edições deste "Operação Ma-Schamba" as questões serão gradualmente mais difíceis.
Espero que concorram, tanto pelo entretenimento como pela aprendizagem que presumo possibilitar. Para além disso os prémios, como poderão consultar na dita caixa, são bastantes apetecíveis.
Meus queridos, o Ma-Schamba está à espera da vossa participação.
Adenda: Google não vale (nesse sentido haverá controle anti-doping)
Publicado por jpt às 05:55 PM | Comentários (15)
Micro-Modo
"Apoio a tua micro-causa se apoiares a minha".
Publicado por jpt às 05:20 PM | Comentários (4)
Género
Publicado por jpt às 02:14 PM | Comentários (0)
Um blog como deve ser
Um pouco por causa da Bloguítica regressou a conversa sobre os links, os visitantes, e as causas de micro-causas, e dos diálogos e isso tudo. Nesse âmbito eis um blog como deve ser ...

Publicado por jpt às 09:06 AM | Comentários (3)
Eco em Lisboa
O Vitor Sousa narra as suas andanças por Itália e anuncia que assistirá a uma lição (haverá outra palavra para este caso?) de Umberto Eco em Pisa, e lá irá o bloguista de Pêndulo de Foucault debaixo de braço ao autógrafo.
E do que um tipo se lembra. E, ainda para mais, neste contexto até memórias nada cultas, diga-se. Eco esteve em Lisboa em 1983/4, acho que por alturas do Nome da Rosa. Houve uma sessão na Faculdade de Letras, aquilo foi uma romaria, lá fui eu também, a avançar sozinho desde o Iscte. Recordo um auditório, grande, cheio que nem um ovo, gente por todo o lado, nós putos claro, ali para ver o nome grande, um calor enorme a crescer logo no antes da coisa. Tudo tão abarrotado que fiquei quase à porta, lá em cima, em pé, a ouvir mais ou menos, mas mais para o menos. Ali junto um grupo de meninas das Letras, uma delas girissima, daquelas menina mesmo, e nem me ponho com poetices para a recordar, basta e sobra o menina mesmo, girissima, tanto que também então a provocar-me um "olha ... deixa-me estar aqui". E num pequeno depois empurram dali, "deixa passar" dacolá, "cuidado, pá!" aqui, "calma, porra!" ali, e foi um logo entre o esgar enfastiado com aquilo tudo e o(s) entre-sorriso(s) do falso "paciência!" até ao "isto assim não dá, nem vale a pena...", e o Eco ainda mal tinha começado a falar e nós também, conversa mais para um logo "e se fossemos embora daqui?", sem as outras meninas lá da turma claro, ditos mais dela, juro, sinceramente, se bem me lembro.
Bem, esta se calhar não é de blog, mas caramba, é o único Eco que tenho para contar.
E também convém não esquecer, ser puto é porreiro. Melhor dizendo, foi...
Publicado por jpt às 02:40 AM | Comentários (2)
I Encontro Hispano-Africano de Escritores



Uma bem-vinda organização do leitorado de Espanhol (no meu tempo dizia-se Castelhano) da Universidade Eduardo Mondlane.
Publicado por jpt às 01:22 AM | Comentários (0)
outubro 10, 2005
Transferência do Ano
Transcrevo meu comentário aqui: "Sinto hoje a tristeza que senti quando o Paulo Futre abalou para as Antas".
E também porque sou fã do

[imagem retirarada daqui]
Publicado por jpt às 11:07 PM | Comentários (2)
David Sifry
Como todos os bloguistas usam o sistema: David Sifry, fundador do technorati, no Economist.
[via Linha dos Nodos]
Publicado por jpt às 06:42 PM | Comentários (0)
Os pinguins de Copenhaga
O José [onde raio é que se trata alguém por José a não ser na "familiaridade" bloguística?] ofereceu ao Lutz [que é bloguista credor de oferendas] uma deliciosa e hilariante (ainda que algo inacreditável) história: os pinguins de Copenhaga [na adenda ao texto].
Totalmente imperdível. E se não é verdade é (muito) bem metido!
Publicado por jpt às 05:10 PM | Comentários (23)
Micro-Causa Urgente
Esta Micro-Causa, urgente, e de exigência universal: no A Mão Invisível.
(O Altino Torres não quererá estabelecer uma petição com um sentido semelhante?)
Publicado por jpt às 03:28 PM | Comentários (0)
Publicado por jpt às 01:50 PM | Comentários (2)
Eleições em Portugal
Será estranho que na televisão do Estado a "noite eleitoral" tenha apenas dois comentadores, um absolutamente do PSD (antigo presidente) e outro absolutamente do PS (antigo putativo tudo)? Será estranho que na televisão do Estado não comentem jornalistas et al? Será estranho que na televisão do Estado não comentem pessoas de outras áreas políticas?
Não deve ser estranho. Ninguém diz nada. Silêncio é consentimento. É tudo natural. Belamente natural. Pacificamente natural.
Não-adenda: a frase da noite foi de Valentim Loureiro - "tira-me daqui esta merda", irritado com a rábula do microfone. Apoiado (apesar do Valentim), "tirem-me daí essa merda" da bipolarização naturalizada, a querer-se evidente e obrigatória.
Não-adenda: haja esperança, há gente que sabe decidir e executar - a RTP-África não transmitiu a "longa noite eleitoral". Só a RTP-Internacional.
Adenda: alguém reparou nas declarações de Miguel Beleza, óbvias e elevadas [o que não é sempre contraditório] e como de imediato A. Vitorino as truncou? Comentário político? Francamente ...
Publicado por jpt às 11:51 AM | Comentários (2)
outubro 09, 2005
Crítica Literária
Como, subitamente, a crítica literária ficou um must no bloguismo torna-se imperdoável perder este extraordinário trabalho de método George sobre Camões.
Publicado por jpt às 08:55 PM | Comentários (0)
Reportagem em Kigali
O Miguel S. já está a colocar a fotorreportagem do Ruanda-Angola.
Publicado por jpt às 08:39 PM | Comentários (0)
Eleições no meu país
Hoje há eleições lá em Portugal. Para mim o mais importante é a eleição em Lisboa, a minha cidade, a capital. Acima de tudo acho que em Portugal o facto político mais importante dos últimos anos são estas eleições em Lisboa. Já me expliquei aqui: o facto de Carmona Rodrigues ter anunciado simultaneamente ser "um homem de princípios" e que tinha oferecido a possibilidade de trabalhos remunerados a militantes de um partido em troca de apoio político é a publicitação de um "senso comum político", a publicitação legitimadora de uma forma corrupta de fazer política. É uma publicitação original, que saiba ninguém o tinha antecedido nestes termos. É uma publicitação legitimadora pois naturaliza este modus faciendi, tão "natural" que se afirma sem rebuço. Para quem assim fala em público, para quem assim ouve em público, a política "é" assim, é esse o sentido desta naturalização, ela tem uma componente ontológica. Mas também tem componente normativa, pois para quem assim fala e para quem assim ouve a política "deve ser" assim, pois a prática deve corresponder à natureza/realidade, condição necessária para atingir a competência competente (uma deriva da tecnocracia, também).
É-me quase indiferente que Carmona Rodrigues ganhe as eleições, nem é essa a questão. O que não me é indiferente é que ele esteja em eleições, que não tenha sido retirado das listas - mesmo que isso pudesse implicar que o seu partido, democrático, viesse a perder uma câmara tão relevante.
Familiares meus, e muito chegados, que o conhecem profissionalmente asseguram-me até a sua decência pessoal, afirmam-me alguma competência profissional, e não recusam até alguma candura política, esta entendida como elogio. Pode ser. E mesmo que não seja estou convicto que Carmona Rodrigues não é o pior do cenário. Mas não é disso que se trata: o seu discurso naturalizador da corrupção política, legitima-a. Propõe-na. É inadmissível num país democrático, e corrói talvez definitivamente um sistema democrático. Não são os populistas caciques a fazê-lo, esses sempre vistos como desvios à normas. É exactamente esta agora anunciada normatividade que angustia, pois estrutura.
Finalmente. Há um imenso bloguismo político português, lesto na crítica e na discussão. Com tons e sons muito diversos mas de aparente arreganho. Não posso sonhar-me demiurgo, considerar que as minhas opiniões ou sensações deveriam ser omnipresentes. É natural que cada um dispare ou ampare onde quer. Mas o quase universal silêncio bloguístico que este novo discurso de senso comum político colheu implica-me um olhar para a bloguismo político português. Não que o ilegitime, nada disso. Amesquinha-o. Apenas isso. E torna quase irrelevantes todas essas opiniões e causas tão garbosamente tecladas. Feitas meros espelhos mágicos, mero fel, meras vaidades. E, também, meros serviços.
Publicado por jpt às 07:41 PM | Comentários (2)
O Injustiçado Português (foto)

(Obrigado ao leitor JAzevedo)
Publicado por jpt às 01:32 PM | Comentários (0)
A Micro-Causa do Dia
O Altino Torres escreveu uma petição à FIFA, para que esta coloque uma versão do seu sítio em português . Ainda que não concorde com os termos do texto [a causa-efeito entre qualificação de selecções e a promoção de uma versão em português; a inflação do número de falantes de português como língua materna (o tal mito dos 200 milhões)] acho isso aqui secundário. Ou seja, assinei.
[gosto muito do termo "portugalidade" que ele utiliza. Muito mesmo]
Publicado por jpt às 03:43 AM | Comentários (0)
Terramoto no Paquistão
Terramoto no sub-continente, parece que piores efeitos no Paquistão, horror, milhares de vítimas.
[nota lateral: cruzo o bloguismo português e nada vejo sobre isto. Nem lágrimas pelas vítimas, nem impropérios contra os (ir)responsáveis pelas vítimas - não haja dúvida, é gente muito menor.
E assim se perdem mais uns links para o ma-schamba]
Publicado por jpt às 03:32 AM | Comentários (3)
O Furacão Stan
O Stan devasta a América Central. A força dos elementos.
[nota lateral: cruzo o bloguismo português e nada vejo sobre isto. Nem lágrimas pelas vítimas, nem impropérios contra os (ir)responsáveis pelas vítimas - não haja dúvida, é gente muito menor.
E assim se perdem mais uns links para o ma-schamba]
Publicado por jpt às 03:25 AM | Comentários (0)
O Acontecimento do Dia
fungando, fungando, fungando "Não consigo", "não con-sssigo", "consegues...vê, vê como é", fungando, fungando, fungando "não con-sssigo, não con-ssigo", "consegues, vê, faz lá assim", sim, um assim de madrugada tão longa, e ela fungando, fungando, fungando "não con-sssigo", "tás a ver!!!?? Viva, viva ... ranhoca ... viva a Carolina ... ranhoca" e ela, rindo, linda, rindo na madrugada "ranhoca, ranhoca, ranhoca".
Hoje a Carolina aprendeu a assoar-se. Viva!, viva!, ranhoca!!!, ranhoca!!! Viva a Carolina!!!
Publicado por jpt às 02:12 AM | Comentários (1)
O Injustiçado Português
chama-se Pedro Roma.
(nem uma foto dele consegui na net).
[Naquela região também há outro injustiçado, portuense, chamado Vitor. Mas desse deve ser fácil arranjar fotos.]
Publicado por jpt às 02:04 AM | Comentários (2)
outubro 08, 2005
Noites
A lembrar-me que no dia em que a Carolina nasceu acabei aqui, e tantos anos já então passavam. Com dois amigos do antigamente, esse quase sempre, um ainda motard e outro futuro bloguista. E que lá no meio apareceu-se uma patrícia, simpática não era?, a dizer-se do Monapo. Imagine-se! ("ixe, moçambicana? aqui? v. é do mato mesmo!") Coisas que lá só mesmo lá.
(e há tempos soube que o vizinho Shangri-lá voltou a ser o que sempre foi)
Publicado por jpt às 11:05 PM | Comentários (1)
Deve o trabalho ser considerado trabalho? Deve o trabalho ser remunerado? A resmungar com o Paulo Querido (eu em linguagem de comentários).
Publicado por jpt às 10:11 PM | Comentários (0)
Um bloguista em Maputo
Publicado por jpt às 09:57 PM | Comentários (3)
Um bloguista em Kigali
O Miguel do Sem Destino foi ao jogo em Kigali. Fica-se à espera de mais detalhes. E fotos?
Publicado por jpt às 09:47 PM | Comentários (1)
A micro-causa do momento
No cardápio deste restaurante "Bloguismo" já há várias micro-causas à escolha. Pois eu escolho o Prato do Dia: a Micro-Causa do Altino Torres: que a Fifa apresente o seu sítio em português.
Publicado por jpt às 09:37 PM | Comentários (0)
A queda de um mito
Comecei hoje, ainda vou a páginas cem. A gostar, mas não extasiado, aquilo da casa velha com memórias aglomeradas, coisa também de labirinto, no autor até não original já para não falar de outros antes dele, é modo narrativo que já não me entusiasma, mas enfim, os recursos são sempre escassos mesmo quando abundantes, como é o caso.

Mas o pior é a suprema des-ilusão. Vivi décadas sob um mandamento para agora a Autoridade mo negar, destabilizando-me, desenquadrando-me:
"Ou como Viena: Kunsthistoriches Museum, o terceiro homem, Harry Lime na roda do Prater diz que os suíços inventaram o relógio de cuco. Mentiu: o relógio de cuco é bávaro". (34)
Como reagir? Que fazer?
Publicado por jpt às 09:19 PM | Comentários (0)
Lusofonia, orgulho nacional, desígnio, nação, Povo, blablabla
blablabla, já imagino a tralha toda misturada no bloguismo português, quase todo ele a suar "ethos" e coisas assim. É que Angola ganhou, vai ao mundial, lá virá o blablabla ao de cima, estou certo.
Orgulho nacional? Sim, muito, mas justo.
Publicado por jpt às 08:25 PM | Comentários (3)
sem palavras
....
Publicado por jpt às 12:56 PM | Comentários (0)
O meu voto útil
Que o Ruanda não seja Liechtenstein.
[não, não me esqueci daquele particular Portugal-Angola em 2002. Só que, raras vezes, é-me possível perdoar.]
Publicado por jpt às 10:07 AM | Comentários (3)
Micro-causa
Portugal, claro. Micro-causa. Ok, votem que depois de domingo falamos.
Publicado por jpt às 09:58 AM | Comentários (0)
Laicidade estatal? Se nem república consegue ser.
No Canhoto acertada crítica contra a contradição formal (e portanto substancial), pela qual o Estado português fere a sua proclamada laicidade - seria verdadeiramente risível o argumento "tradicionalista" que ali se transcreve. Seria se não fosse eco de uma profunda arrogância da administração estatal.
Mas sorrio. Pois se o mesmo Estado continua a insistir, formal e substancialmente, que a cônjuge do Presidente da República "tem lugar", que é qualquer coisa como primeira-dama, qual a razão de se protestar com outras contradições? Se aquilo nem República consegue ser ...
[já aqui resmunguei o suficiente sobre esse inaceitável "primeiro-damismo" que grassa no meu país. Ilegítimo. E, pior, ignorante.]
Publicado por jpt às 04:08 AM | Comentários (0)
Cândido de Oliveira
Sobre Cândido de Oliveira, essa personagem multifacetada e hoje muito mais conhecido pelo cabeçalho de "A Bola", jornal do qual foi fundador, no O Mundo das Sombras (um dos blogs de José António Barreiros) um interessantissimo (e para mim surpreendente) texto sobre a sua faceta de espião ao serviço da Grã-Bretanha.
Publicado por jpt às 03:57 AM | Comentários (2)
Zimbabwe
O Zimbabwe, que cada vez mais me faz lembrar "Os Comediantes" de Graham Greene. A gente habitua-se e até se esquece, no dia-a-dia.
Diante daquilo porque não visitar este Make Tyranny History? [via The Zimbabwean Pundit]. Mais que não seja para nos lembrarmos.
Publicado por jpt às 03:38 AM | Comentários (0)
Camarões em Zalala
O excelente Jorge Neto lá na Guiné-Bissau a matar saudades dos camarões de Zalala. Tal e qual. Idem, idem, aspas, aspas.
Publicado por jpt às 03:23 AM | Comentários (0)
outubro 07, 2005
Claro. Até que enfim. Até este adepto da Académica percebe isto.
Publicado por jpt às 02:08 PM | Comentários (4)
A democracia é péssima
Ainda que seja o melhor de todos os regimes políticos a democracia é péssima. [texto abaixo transcrito]
RESISTENTE PESEIRO AINDA É O 2.º MAIS VOTADO EM INQUÉRITO ON-LINE
Camacho é o preferido
Record
7.10.2005
Mais de 2 mil sportinguistas responderam a um inquérito on-line sobre quem deve suceder a José Peseiro. 1 em cada 4 votantes optou pelo técnico de Coruche, só ultrapassado pelo sonho (caro) de Camacho. Um quinto prefere Paulo Bento
José Antonio Camacho é o técnico preferido dos sportinguistas para o cargo de treinador principal. Um em cada 4 leões defende a continuidade de José Peseiro no posto. A solução interna Paulo Bento é bem vista por um sector razoável de adeptos do clube.
São estas as principais conclusões de um inquérito on-line, sem bases científicas, realizado pelo “site” de Record.
O treinador espanhol, com passagem bem sucedida pelo rival Benfica (uma Taça de Portugal e dois 2.ºs lugares atrás do FC Porto de José Mourinho), é o nome que faz sonhar as bases verde e brancas.
Disciplinador, com bom relacionamento com os atletas, sentido de liderança e raça, Camacho assentava como uma luva nas pretensões desportivas do Sporting. Mas deitaria por terra os limites orçamentais da administração da SAD: nunca viria por menos de 20 mil contos/mês.
Apesar da contestação forte de grande parte dos adeptos a Peseiro, outros há – um quarto dos que responderam a este inquérito – sensíveis aos argumentos de que o treinador português é competente, trabalhador, metódico e... a solução mais barata
Publicado por jpt às 01:59 PM | Comentários (2)
Intelectuais Influentes: votação
Via Henrique Raposo o acesso a uma votação lançada pela Prospect: um "top" de intelectuais influentes, onde se propõe a escolha de 5 nomes entre uma pré-selecção de 100.
Vale o que vale, mas tem piada. Ver quem está escolhido. E acabará por funcionar mais como auto-retrato do visitante. Constatar aqueles de quem se conhece apenas o nome, os outros de quem se conhece a obra. E os outros de quem nunca se ouviu falar. Os que gostamos e os que não gostamos. E também tentar, no meio daquilo, entender o que é "influência pública". Enfim, um passatempo inteligente e agradável.
Já agora a minha mera votação: JM Coetzee (não acreditando que tenha qualquer "influência pública" realmente relevante. E que a deseje), Umberto Eco, Sunita Narain, Amartya Sen, Mario Vargas Llosa.
Publicado por jpt às 01:32 PM | Comentários (0)
Avatar em Moçambique
O Bruno avança para Moçambique. Trabalho na Beira anuncia(va-se).
Conselho de mais velho: cuidado com a água de coco. Pode-se beber. Mas, cuidado, que seja opção consciente.
Publicado por jpt às 12:33 PM | Comentários (2)
Ufano, lá vou eu em plena Nyerere com o meu chapéu novo (chapelaria Azevedo Rua, ao Rossio), até sonho de jovem, este de me chapear. Mas à porta do banco, eu uma mão a abri-la outra de cartão já a assomar, o sorridente guarda Alfa nem hesita: "Lá dentro tem que tirar o chapéu". Espanto-me, estupefacto mesmo, e enquanto me descubro, coisa do sempre no debaixo de tecto, ouvida nos avós e, no muito depois, impingida na tropa, ainda consigo sorrir ao dizer-lhe, quase pergunta, "guarda, v. está a mandar-me tirar o chapéu?", e ele que sim, que lá dentro, "cá dentro" já, tenho que o fazer. "Mas isso é questão de educação, nisso v. não pode mandar nos clientes" mas já nem é conversa, ele continua a sorrir e a confirmar o "é assim".
Fico-me na fila do ATM, ao dinheiro do fim-de-semana. Acabrunhado, chapéu nas mãos, "paisano". O cliente da frente, brasileiro, murmura solidário um "ele mandou-lhe tirar o chapéu?" e trocamos esgares.
Depois saio para a cacimba quase chuva, fria hoje. Nyerere abaixo, milhões no bolso. E chapéu na mão ...
Publicado por jpt às 12:00 PM | Comentários (0)
Gripe das Aves
Sobre o assunto ler este texto do New England Journal of Medicine. [via Bombyx Mori que o "picou" do A Natureza do Mal]
Coisa que algum sono me tira. Sem alarmismos, apenas a olhar o que aí pode vir. E até mais pois tem razão o Afonso Bívar, um horizonte destes implica que um leigo (como eu) associe subnutrição e sistema imunológico. E, acrescento-lhe eu, sida e sistema imunológico. Coisas muito daqui. Terrivelmente daqui. Mais do que alhures.
Sem alarmismos. Crente que este é assunto mero horizonte. Portanto utopia ou escatologia. Assim seja.
Publicado por jpt às 10:58 AM | Comentários (0)
Fotoblogs moçambicanos
Um fotobloguista com dois fotoblogs: o Vinoda e o Janela do Indico
Publicado por jpt às 02:04 AM | Comentários (2)
outubro 06, 2005
Religião
Já há meses o referi mas insisto, que nunca será demais. Gosto imenso da religião que o Uma Por Rolo nos traz.
Publicado por jpt às 05:18 PM | Comentários (0)
Aleluia
O Homem está de volta. Oxalá!
Publicado por jpt às 02:28 PM | Comentários (0)
5 de Outubro
A minha avó materna tinha quase 15 anos aquando da República. Esteve impecável até à sua morte, em 1987. Minha grande companhia, neto mais novo, a avó Teolinda. Politizada, a senhora. Lembro que nunca gostou de Mário Soares. "Mas porquê, avó?". "Ó filho, é igual ao Afonso Costa!".
Publicado por jpt às 01:49 AM | Comentários (2)
outubro 05, 2005
Jornalismo...
Portugal. No bloguismo corre uma, legítima, Microcausa. Pode um jornal especular e, quando negado, calar-se? Ok, ecoa-se a Microcausa.
Peco. Ou seja, caio na autocitação. Em Junho aqui resmunguei sobre as impunes práticas do jornalismo em Portugal:
Ora sendo orgãos de informação e mentindo sistemática e explicitamente isso não deveria implicar intervenções? Do próprio Sindicato? Daquela coisa "alta autoridade para a comunicação social"? Da tutela ministerial?
O silêncio sobre tamanha e constante desonestidade jornalística retira a tais instituições, profissionais e estatais, qualquer legitimidade para se expressarem sobre outros hipotéticos desmandos ou incorrecções no mundo informativo.".
Na altura tive uma bela resposta no Bombyx-Mori, até ecoada no Aviz (pois, destruído). Bela resposta, mas a olhar a questão por outro prisma. Ou seja, eu resmungava com as tradicionais aldrabices sobre o mercado futebolístico de Verão e o Afonso Bívar deu-lhe um toque psico-semiológico, digamos assim.
Eu regresso ao meu prisma. Alguns dirão que são coisas diferentes, até que o mundo das trocas e baldrocas da bola não é importante, e que o jornalismo que se lhe dedica é irrelevante. Mas é errado, esse é o exemplo supra-lido das práticas no campo jornalístico, o exemplo que "naturaliza" as práticas falsificadoras no "campo" jornalístico português. E daí também o hábito do plágio (célebres os do Público aos blogs, lembro o ao Substrato; mais clandestinos os por vezes apontados a outros jornais e revistas, normalmente estrangeiros). Assim naturalizando a mentira, a alusão, o enfeite, junto dos leitores activos e passivos (estes os que meramente ouvem falar ou passam no quiosque). E junto dos próprios jornalistas, produtos que são acima de tudo desse "campo" jornalístico, do caldeirão que os cozinha, e não tanto de uma qualquer "sociedade" que nada mais é do que o circundante, o "mercado" para o qual "vendem" - na prática antes vendiam publicidade, hoje vendem os brindes-tralha que acompanham os jornais não-desportivos e que lhes permitem subsistir.
Em suma, resmungar com o modo do "aldrabismo" nos jornais da bola é resmungar com a sua legitimação. Que agora surge alhures. Num jornalismo dito de "referência". Referência como? Quais os critérios? Os cronistas que lá estão? Os publicistas contratados? O serem de Lisboa? [nunca um jornal do Porto foi considerado de referência, e é um lisboeta a estranhá-lo]. Este é o processo homólogo ao da "importantização" de alguns blogs - quais os critérios? A influência? A audiência? A retórica? A "linkagem"? O a priori (a [pro]celebridade autoral)? Tudo isso nada realmente sistematizável, nada mais do que opinativo. Meia dúzia de "sim, senhor, é de referência" e lá está, assim se torna. Nada disso chega. Nada disso é mais do que vento jornalístico. E como olhar jornais pensando com a ligeireza jornalística? E, no agora, com a aldrabice jornalística?
Uma Microcausa? Sim, mas muito mais do que isso. Uma macro-causa, do qual este é mero episódio mais actual.
Publicado por jpt às 08:00 PM | Comentários (0)
Estudos Africanos
O Centro de Estudos Africanos de Lisboa anuncia a abertura de um blogue, o Estudos Africanos. Ainda que a sua não autonomização face ao sítio do Centro não lhe permita acesso directo, ele está aí. Talvez actualizável, ou seja, talvez não mera página institucional.
Publicado por jpt às 04:59 PM | Comentários (1)
Prémio Nobel Medicina 2005
Sendo a Medicina tão impenetrável - pelo menos para mim - é(-me) sempre algo difícil alcançar o relevo e implicações dos trabalhos anunciados. Sobre a importância do trabalho relativo à origem bacteriologica de doenças gástricas realizado pelos australianos Marshall e Warren, agora recompensado pelo Prémio Nobel da Medicina 2005, será talvez interessante para um leigo ler um belo texto de João Arriscado Nunes, "Do "nome das acções" ao "nome das coisas": crenças e produção de objectos epistémicos nas ciências da vida e na biomedicina", publicado no volume O Processo da Crença (Gradiva).
Publicado por jpt às 01:06 PM | Comentários (1)
Pimbismo político
Portugal. E sobre política portuguesa vou passando o mais que posso. Para não quebrar ao teclado, como já para aqui me aconteceu. Ou seja, para não ser franco ao teclado, que a vida não é para fraquezas nem franquezas.
Ainda assim, neste rasar de hoje sobre blogs portugueses nada me irritou tanto como "o comboio descendente" a gargalhar com a fealdade, das pessoas e fotos, com a falta de jeito, com o "pimbismo", tudo isso tão mostrado Autárquicas em Cartaz e tão ecoado por tanto blog. Este Autárquicas... tem interesse, chame-se-lhe etnográfico ou documental, como se quiser. Mas para a gargalhada política, é assim tipo o Badaró do meu tempo.
Pimba, pimba, "pimbismo" ideológico, são todas esses sorrisos, gargalhadas, "olha, olha...", gente a querer-se bem-pensante e esteta, gente a melhorar-se na adesão à "qualidade" da foto e do fotografado a que se deixa aderir. Enquanto gargalham, descendentes, no esgar do quão feios são os outros, do quão feio estão eles. E, claro, do quão belos somos nós e os nossos, até penteados e maquilhados.
(comecei este texto, de super-irritação nestes comentários. Apenas um, entre tantos posts pimbas)
Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (2)
outubro 04, 2005
Globalização
Ali no Casterbridge Farm, o simpático centro comercial ao ar livre a Whiteriver (onde mora o enternecedor museu de automóvel do Mpumalanga), subsiste um aprazível restaurante, o "Ten Green Bottles" paredes meias com uma "Tasca (Portuguesa?)", algo suspeita mas a qual nunca experimentei. Mas aos domingos à noite ambos estão fechados, assim a obrigar à enésima pizzaria, essa maldita praga sul-africana. E este exemplar particularmente penoso. Seria mesmo de evitar se não tivesse monumental, único e extraordinário exemplo de globalização, imperdível observação (que não degustação, claro): pizza de biltong!
Publicado por jpt às 11:10 PM | Comentários (1)
Arte e Teoria
(não é que eu tenha algo a ver com aquela casa, mas enfim ... gosto de citar boas reflexões)
Publicado por jpt às 11:01 PM | Comentários (1)
Ilidio Candja em Vila do Conde
O visitante JAzevedo abaixo pergunta sobre a exposição do pintor Ilídio Candja em Vila do Conde. Pois esta decorrerá entre 22 de Outubro e 6 de Novembro, no Auditório Municipal de Vila do Conde.
(Em encontrando o pintor mande-lhe um abraço e felicidades do Zé Teixeira)
Publicado por jpt às 10:37 PM | Comentários (0)
Apiska-Sul



"A Apiska-Sul é bonita", diz a Carolina.
E é, o Mpumalanga é bem mais do que o mall de Neilspruit - ainda que tantas vezes o esqueçamos.
Publicado por jpt às 09:26 PM | Comentários (0)
outubro 02, 2005
Economia de clics
Pelo menos até quarta-feira não haverá novas entradas no Ma-Schamba.
Publicado por jpt às 11:42 AM | Comentários (3)
- Olha (quase) 80 000 clics de credibilidade.
- Só? Seu .... mentiroso!
Publicado por jpt às 11:39 AM | Comentários (5)
outubro 01, 2005
Colóquio da Lusofonia
Via Pantalassa tenho conhecimento do IV Colóquio Anual da Lusofonia – 3-4 Outubro 2005, organização apoiada pelo Estado português, através da Câmara Municipal de Bragança. Pela simbologia o encontro debruçar-se-á sobre 12 entidades políticas lusófonas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, S.Tomé, Timor-Leste, Cabinda (oops, ó da Câmara de Bragança, isto é uma posição oficial?) e o próprio Planeta Terra.
Espero, sinceramente, os maiores sucessos ao evento. E ainda mais, como se diz no texto introdutório ao colóquio a "língua portuguesa" é "diariamente atraiçoada". E vê neste colóquio a sua "porta do sol".
PS. que mais dizer ...?
Publicado por jpt às 03:55 PM | Comentários (0)
Muvart, o Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique
A Maimuna Adam acaba de passar pelo Ma-Schamba deixando, em comentário, o endereço do sítio electrónico do Muvart, o Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique - do qual ela é autora. O sítio não está actualizado - e a responsabilidade não será dela, que está no Cabo a estudar, mas sim de quem está mais por perto. Ainda assim tem bastante informação disponível para os interessados. A visitar.
Publicado por jpt às 02:58 PM | Comentários (0)
Ibo (1)
No Expresso [abaixo transcrito] Paola Rolleta coloca texto sobre o Ibo e sobre os livros ontem publicados em Moçambique, "Ibo - a Casa e o Tempo" de Júlio Carrilho, e "Pemba, as Duas Cidades", de Júlio Carrilho, Luís Lage e Sandro Bruschi, edições da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico.
(Lembro os interessados residentes no estrangeiro, arquitectos, amantes do maravilhoso Cabo Delgado, amantes de livros e curiosos, que os livros podem ser encomendados na Livraria Escolar Editora que os distribuirá internacionalmente).
Turismo no arquipélago das Quirimbas
Ilha de Ibo, um encanto decadente
Expresso, 30 de Setembro
Paola Rolletta
A ilha do Ibo - no arquipélago das Quirimbas - é um destino que começa a aparecer nos roteiros turísticos mais sofisticados a cinco e seis estrelas, como Quilálea e Matemo.
O Ibo ainda mantém um ar decadente, e já despertou o interesse nacional e internacional pelo grande património arquitectónico que possui, pelo que representa na história dos povos português e moçambicano.
«Casas de pedra e limo, bichos obstinados na sua quietude. Pacientes, embalados pelo vaivém das marés. Deixando que o sal lhes carcuma a pele por terem desde há muito desistido de contrariar o tempo», escreveu numa estória da ilha, João Paulo Borges Coelho.
As ruínas das casas, as ruínas das varandas, elemento tão característico da ilha, as ruínas das estradas, tudo isto foi levantado e estudado pela Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico (FAPF) de Maputo e publicado agora em livro, «Ibo - a casa e o tempo» pela pena de Júlio Carrilho, poeta e arquitecto e oriundo do Ibo. É apresentado ao público, em Maputo, juntamente com «Pemba, as duas cidades», levantamento da cidade de cimento e da «informal»: a expansão recente da antiga Porto Amélia é constituída da adaptação à resistência permanente no ambiente urbano de uma tipologia de casa pré-colonial transformada e evoluída através de uma sabedoria antiga e ainda viva.
A ilha do Ibo já foi um terra de comércio de escravos. Quando a capital dos grupo de ilhas Quirimbas foi mudado para Pemba, a ilha do Ibo já não foi mais nada. Ficou refém das marés vivas e do esquecimento do tempo, com as varandas sempre mais vazias e sempre mais decadentes. Já se pensou fazer dela o centro de Zona Especial de Turismo, mas não deu em nada.
Hoje o ambiente é mais favorável e muito se deve à mudança de mentalidade da qual a FAPF é certamente uma das principais mentoras, com o director José Forjaz e uma equipa de arquitectos moçambicanos e italianos que estão a levar a cabo o levantamento do património arquitectónico moderno moçambicano.
Em Moçambique, onde os monumentos históricos não são certamente uma presença significativa, parece ainda mais importante tutelar este património arquitectónico que constitui a cara mais evidente das cidades de cimento, seja pela qualidade específica seja pela dimensão e o papel urbano, elemento importante pelo turismo urbano e sustentável, actual aposta de desenvolvimento.
«Ibo- a casa e o tempo» tem o aspecto mais de um diário de viagem do que um tratado de arquitectura. Júlio Carrilho, entre plantas urbanas e fotos de edifícios, relata as entrevistas feitas com os velhos habitantes que todos os segredos sabem das casas, das argamassas, da cal e das ervas usadas para ser mais forte. Reconhece um espaço especial a quem quando a maré não deixa pescar, come apenas maçanicas.
E faz um acto de amor para com a sua ilha, alimentando o optimismo da convicção de que «também o presente ciclo de degradação e um certo marasmo será ultrapassado pela redescoberta da riqueza natural, de novas vocações para o relançamento económico e social e da importância do património tangível e intangível das ilhas no seu conjunto e do Ibo, em particular».
Publicado por jpt às 12:53 PM | Comentários (0)
Aos de Barcelos

VAMO-NOS A ELES QUE NEM LEÕES (hrrum!, hrrum!, que me enganei), enfim, VAMO-NOS A ELES, RAPAZIADA
Publicado por jpt às 11:37 AM | Comentários (0)
Força!!!

Publicado por jpt às 11:34 AM | Comentários (4)
Gripe das Aves
Vindo de quem é não pode ser alarmismo. Que fazer para fugir à gripe? Ou, por outro, para onde fazer, para fugir à gripe?
Publicado por jpt às 11:03 AM | Comentários (1)
Sou daqui desde que nasci

Publicado por jpt às 03:29 AM | Comentários (5)
O
bloguismo é um mundo maravilhoso.
Publicado por jpt às 03:13 AM | Comentários (0)
Reinata Sadimba
Se há algum génio nas artes plásticas em Moçambique (e dado que Shikhani não esculpe, desesperemos pois) então será Reinata, tradicionalizando tudo o que nos inova, regesticulando um monstruário que só alguns poderão achar lá do Cabo Delgado, mas que é mesmo dela. Às vezes um grotesco máximo, um horror e humor a pedir alguém que mexa o suficiente nas palavras para que o possa definir.
Vem esta breve nota por causa da última exposição individual dela, "Rumo a Nova Descoberta" assim chamada, à qual ainda cheguei a tempo. Dezenas eram as obras, mas coisa suave, como se a velha atravessasse agora período de calmaria nas inquietações que lhe moldam a olaria. Será tal possível? Abundantes mulheres, um zoológico em crescendo, mas, perdoe-se-me, este assim tipo bric-a-brac.

Em suma, Reinata é Reinata, mas não saí com o deslumbre a que me habituei quando a cruzo.
Ainda assim, e fosse eu expatriado bem-pago não lhe deixaria em mãos um delicioso (pobre palavra, outra vez) auto-retrato "A Dona da Exposição", um realismo etnográfico "Mulher pilando mapira" que está extraordinário, e o mais significante de tudo o que ali se apresentou, um "Procurando Água" que é a única peça que me lembrou com vigor a sua cosmologia.

Vêm estas reproduções para ilustrar a adenda. Reinata é nome grande. Já viajou muito, expôs, foi catalogada e fotografada. Porventura até filmada. Não é pois lamento de falta de documentação para o futuro, este que se segue. Mas Reinata é mesmo nome grande. Como é possível expôr em Maputo, terra dos poucos mecenas e decerto distraídos, nesta pobreza? E ainda para mais numa instituição estrangeira, o Centro de Estudos Brasileiros, com perfil de cooperação e divulgação. Como é possível deixar esta artista expôr acompanhada apenas de um desdobrável que nada mais é do que uma fotocópia ali impressa a pedido do visitante. Sem roteiro, sem documentação. Sem publicidade que se veja. Um desinteresse, um abandono. Assim a parecer nada mais do que uma linha no relatório de actividades lá para o fim do ano. Mas que actividade? Ligar a luz?
Dir-se-á que o que interessa são as obras. Mas, e quem não compra? E quem compra mas quer saber o mais possível. Acompanhar o mais possível. E, já agora, se o que interessa são as obras então é ir ao Museu, visitar a artista. Nada! Até dói ver uma artista destas ser assim desacarinhada. Sem miserabilismos, sem coitadismos. Mas sim porque quem expõe Reinata expõe. Como deve ser. E quem não patrocina Reinata não patrocina ninguém.
Publicado por jpt às 02:32 AM | Comentários (9)
A blogosfera lá no(s) burgo(s)
No A Natureza do Mal uma frase desencantada: "Os que desde o início preveniam que a blogosfera não podia ser melhor do que o país estavam certos."
Lembro-me sempre de alguém (mas não me lembro de qual alguém) dizer que o futebol não era uma escola de virtudes, decerto chateado com os apontadores de manigâncias que por lá pululam. Tal como, pelos vistos, a blogosfera (portuguesa e não só) o não é. E será esse o seu encanto. Que de virtuosos estará o inferno cheio. Nem tampouco será elite a tal blogosfera. E será esse outro dos seus encantos, que nada há pior do que uma elite a importantar-se. E a reclamar-se direito preferencial à (blogo)palavra. Nem tampouco ainda será a tal blogosfera uma "comunidade", essa de que ouvi falar quando comecei a blogar (mas isso foi conversa que deu uvas), que para isso chega lá a associação da paróquia.
Um país não existe. O que há é bloguistas. Uma merda, é o que é, ao que parece. Húmus, se em versão poética.
Publicado por jpt às 02:12 AM | Comentários (0)
A blogosfera lá no(s) burgo(s)
Há uns tempos o Paulo Querido (que agora anda outra vez na berra, mas por razões menos amplas, diga-se assim) escreveu um texto em que aventava a redução da preponderância do bloguismo político português, ou seja o crescimento da realização e da leitura de blogs não políticos, no fundo a complexificação do bloguismo (infoconversas pessoais não se ecoam mas deste eco não virá grande mal ao mundo, disse-lhe então que discordava da forma, pois tendo ele sublinhado a importância de um contador não (quase)universal no bloguismo português "deu o flanco" a críticas ao seu argumento central). Algo que me parece evidente, pacífico e, até, tardio (como explicar tão tardio desenvolvimento do bloguismo erótico-pornográfico?).
Bem, tendo ele dito isso "caíu o google e o yahoo", como se tivesse negado a importância do opinativo. Ou até reduzido manhosamente a estatística absoluta desse opinativo (qual ministro das finanças à volta de um défice público). Pareceu-me então tudo isso um misto de tresleitura com empáfia, mas também de excitações do momento, coisas que passam.
Agora que tanto blogotempo depois ainda se venha afirmar a importância do bloguismo político português, refutando quebras estatísticas ... ai, meu deus, diz o ateu.
(e, para maus entendedores, nada disto tem a ver com a tal polémica menos ampla em que PQ anda metido)
Publicado por jpt às 01:38 AM | Comentários (0)
Sdunduro

("Pregação")
Sdunduro, o conhecido pintor da Beira, agora ali também director provincial de cultura depois de anos dirigindo a casa de cultura da cidade, apresenta "Visão Vigésima", a sua primeira individual em Maputo desde há muitos anos.
26 obras recentes, que compõem um corpo não só algo heterogéneo como até desconexo - característica que me faz regressar à questão da ausência de galeristas / produtores aqui, algo que torna muitas das exposições simples mostras, e até meras "vendas", por ausência de conceptualização do(s) artista(s) e de influência/diálogo desses (inexistentes) produtores. Casos máximos que não será o desta exposição na qual me parece apenas ter acontecido a sobrevalorização do critério cronológico em detrimento dessa tal conceptualização: o que nos é mostrado são obras produzidas recentemente, julgo que nos dois últimos anos.
Entre o mais interessante do que é apresentado estão alguns temas figurativos, sob predominância do azul, do qual a "madonna" acima reproduzida será o mais apelativo, e até alguns paisagísticos sem grandes riscos, como o mui agradável "Arrozais da Beira". De resto ganharia o conjunto com uma maior selectividade do que é apresentado, não só quanto a triagem qualitativa como no questionamento sobre se será aqui o momento para enxertar tentativas semi-abstractas como os "Peixe-Graudo" ou "Requiem Darfur" - confesso ainda o meu desgosto com este caminho, aliás já bastante trilhado.
Na Associação Moçambicana de Fotografia, entre 30 de Setembro e 12 de Outubro de 2005.
Publicado por jpt às 12:50 AM | Comentários (2)
