setembro 29, 2005
O holandês do Porto - opiniões de um emigrante
A história é simples. Um holandês quase sexagenário, homem de currículo composto mas nada brilhante, é convidado para trabalhar no futebol português. Já agora (arrgh) no clube mais bem sucedido do futebol português. Ok, (arrgh ao cubo) no melhor clube português actual.
Lá vem o holandês, o tal quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante, para trabalhar num futebol muito mais bem sucedido do que o lá da sua terra - clubes que andam longe nas europas e até vão ganhando, selecções mais velhas e mais novas que andam longe e até vão ganhando. Coisas todas mostradas nas tabelas, hoje chamadas rankings. E mais, colegas dele ganhando em casa e no estrangeiro, coisas de emigrantes como ele agora o é, alguns deles compostos e até brilhantes, outros mesmo só brilhantes.
Chega o tal holandês quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante ao tal sítio onde, hoje, se joga mais e se vai bem mais longe do que na sua terra. E diz, cagão apesar de quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante, que quer "deixar a sua marca no futebol português", assim como quem se prepara para reclamar a patente da pólvora. Isto enquanto promete ser campeão (como se lá no país onde acabou de chegar não houvesse outros, com a hipótese de ganhar, mera que seja, um desrespeito por quem já lá estava), enquanto se desdobra em críticas, certas ou erradas é coisa outra. Apesar de quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante.
Passa pela cabeça de alguém? Estou eu para aqui, emigrante quarentão de currículo composto mas nada brilhante a pensar comigo mesmo: achar-se-ia normal que eu (ou outro colega expatriado, de currículo composto mas nada brilhante) me pusesse com os mesmos tons e as mesmas falas cá no clube onde trabalho (já agora, o melhor da terra, e isto sem arghh nenhum)? A dizer que cheguei para marcar a universidade local? Que, logo a priori, vou ser o melhor?
Passa pela cabeça de alguém aceitar esta empáfia? Sou emigrante, nem que seja por isso nada xenófobo. Mas o raio do holandês não deveria ter mais tento na língua, agora que lhe deram um lugar ao sol, mais respeito por onde lhe brilha o sol?
Tudo isto para dizer o do porquê do meu contentamento com a derrota do Porto (com volte-face e tudo, para doer ainda mais). Ficaria sempre feliz, claro, qu'isto de Porto e Benfica é sempre para perderem. Mas no agora não pelo clube e seus apoiantes (a imaginar os meus amigos tripeiros hoje doentes, lacrimejantes, reclamando jorges costas, mourinhos e isso). Mas agora feliz mesmo pela cagança insuportável do holandês. E pela estúpida subserviência de quem atura dentro de portas estes imigrantes de dedo em riste. Cidadania igual? Acho que sim, mas também responsabilidade. Ó holandês, o respeitinho é muito bonito. Principalmente quando se chega de baixo. E agora "vai buscar"... E cuidado, ainda irás "deixar marcas" lá para a tua terra.
Ele há cada um ...
Publicado por jpt às setembro 29, 2005 11:33 AM
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Comentários
Completamente de acordo.
Existe um emigrante que, chegando ao estrangeiro, não pára de falar, e reclamar, e falar, e falar.
A diferença é que esse tem currículo composto e brilhante. Dá pelo nome de Mourinho.
Agora um tal de Co Adriaanse a reclamar do futebol português, estando ele em terra alheia? Mas quem é ele, ou melhor, o que fez ele para se dar ao luxo de reclamar e chamar "stupids" aos jornalistas? (e repito, em terra alheia)
Não esquecer que um dos treinadores com maior e melhor currículo do mundo ainda em actividade (senão com melhor), esteve a época passada num clube ali da 2ª Circular, e em momento algum teve a postura do "Cú" Adriaanse.
Abraço
Publicado por: babalazado às setembro 30, 2005 02:38 PM