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setembro 02, 2005
Mudaulane
Mudaulane (Celestino Mondlane) com uma exposição individual, cerâmica e desenho, no Instituto Camões. Do passado 31 de Agosto até 10 de Setembro.

Para mim, leigo, Celestino Mondlane ceramista escultor é do mais excitante que tem surgido em Moçambique, esculturas avassaladoras, um sobre-humano que não lhe advém apenas das dimensões, mescla de grotesco e irónico, o horror e o amor.

["O Grito da Madrasta", argila, 2005; pormaior reproduzido do desdobrável que acompanha a exposição]
Ali, e imagino pois não o conheço, também se agita um cosmos sempre dito tradicional, um mundo mitológico feito actualidade num olhar tão especial. Olhar e mãos a seguir, com entusiasmo. Pois únicos.

("Embondeiro", argila, 2005)
Coloco aqui uma outra obra do artista, a espantosa "Mesavana (A Velha Feiticeira)" [argila, 1,95 m, 2004], actualmente apresentada na exposição da Bienal TDM, ainda que neste caso a reprodução do catálogo (um bom catálogo, diga-se) não faça minimamente justiça à intensidade da escultura.

E permito-me imaginar também o quão interessante seria vê-lo trabalhar outros materiais, pedra ou metal. Sem desvalorizar a cerâmica, apenas projectar desafios para tamanho artista. Quem sabe? um dia.
Finalmente, esta exposição, vibrante ainda assim, está muito prejudicada pois duas esculturas, "as melhores" segundo o próprio Mudualane, partiram-se durante o transporte. Para mais alguns desenhos não foram apresentados, devido a atrasos no emoldurar.
Esta infeliz situação levanta outros tipo de questões, sobre o papel das galerias aqui, sobre o envolvimento que assumem (ou não) na produção deste tipo de actividades. No fundo sobre a sua tendência para surgirem como meros espaços-receptáculos de obras.
Mas isso são coisas a desenvolver noutra altura. Agora é altura de olhar o mundo deste homem.
Publicado por jpt às setembro 2, 2005 03:12 PM
Comentários
Antes de falar de Celestino, gostava felicitar o blog maschamba e força pela promoção da cultura Moçambicana além fronteira, talvez seja pela area em que dirige e dirigiu o jpt. Força
Celestino esta de parabens, mostra-nos o seu intimo, encontra-se consigo mesmo alegrado as suas mãos ali no núcleo amassando o barro, trocando palavras e de vez em quando uma volta e perfurando com seus olhos a futura obra, que hoje é tornou-se uma reliquia. Força Celestino.
*** Em diante falou-se do papel das galerias, acho interessante, darei meu contributo...futuramente, mas sugiro para este acidente com as obras do Celestino, para se, necessário abordar-se a questão dos restauradores de obra de arte.
Ouri Pota
Publicado por: Ouri Pota Chapata Pacamutondo às setembro 8, 2005 11:15 PM
Maning nice brada...
Éh pá, esta cena tem que andar e, sempre pra frente.
Forca Celestino e, continue a "dzindzar".
Abracao forte.
Vasco Manhica
Publicado por: Vasco Manhica às novembro 8, 2005 01:08 PM