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Ma-Schamba: setembro 2005 Arquivos

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setembro 30, 2005

Cachupa em Lisboa, de novo

Há algum tempo aqui ecoei o Pitau Raia no lamento pelo encerramento da célebre e histórica Cachupa em Lisboa, coisa de grandiosidade boémia. Agora surge um comentário negando tal desaparecimento e até desafiando à visita. Aqui de tão longe é-me impossível a comparência para uma cachupada na aurora. Mas fico aliviado pela notícia, um bocado de decência que não desaparece. E de saber estar. E também fico expectante, que alguém que por lá passe mande novas do como está(va) a cachupa.

Publicado por jpt às 09:09 PM | Comentários (8) | TrackBack

Mudanças

Falando com o Eufigénio Lagoa:

"levar-me-ias contigo se não se desse o caso de dentro de um pastel haver sempre um lampião. Como o gajo ainda por cima é abraçado eu mudo-me para a Académica (onde está o tipo que podia ser o treinador deles - atenta no "eles")."

E mais: Briiiiióóó--zzza!

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(só para bloguistas atentos)

Acho que o José Peseiro não tem credibilidade.

Publicado por jpt às 02:37 AM | Comentários (6) | TrackBack

SMS

eu (colectivo, ao início do prolongamento): Se der para o Peseiro sair ...

LA: E o Polga
ZB: A continuar assim ainda saem todos
Bill: Afinal foi o Nelson a resolver
FC: Foda-se

eu (colectivo, ao fim do prolongamento): Se der para o Peseiro sair ...(e, já agora, o Polga)

Publicado por jpt às 01:53 AM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 29, 2005

Mas come-se mal.

Publicado por jpt às 01:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

O holandês do Porto - opiniões de um emigrante

A história é simples. Um holandês quase sexagenário, homem de currículo composto mas nada brilhante, é convidado para trabalhar no futebol português. Já agora (arrgh) no clube mais bem sucedido do futebol português. Ok, (arrgh ao cubo) no melhor clube português actual.

Lá vem o holandês, o tal quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante, para trabalhar num futebol muito mais bem sucedido do que o lá da sua terra - clubes que andam longe nas europas e até vão ganhando, selecções mais velhas e mais novas que andam longe e até vão ganhando. Coisas todas mostradas nas tabelas, hoje chamadas rankings. E mais, colegas dele ganhando em casa e no estrangeiro, coisas de emigrantes como ele agora o é, alguns deles compostos e até brilhantes, outros mesmo só brilhantes.

Chega o tal holandês quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante ao tal sítio onde, hoje, se joga mais e se vai bem mais longe do que na sua terra. E diz, cagão apesar de quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante, que quer "deixar a sua marca no futebol português", assim como quem se prepara para reclamar a patente da pólvora. Isto enquanto promete ser campeão (como se lá no país onde acabou de chegar não houvesse outros, com a hipótese de ganhar, mera que seja, um desrespeito por quem já lá estava), enquanto se desdobra em críticas, certas ou erradas é coisa outra. Apesar de quase sexagenário de currículo composto mas nada brilhante.

Passa pela cabeça de alguém? Estou eu para aqui, emigrante quarentão de currículo composto mas nada brilhante a pensar comigo mesmo: achar-se-ia normal que eu (ou outro colega expatriado, de currículo composto mas nada brilhante) me pusesse com os mesmos tons e as mesmas falas cá no clube onde trabalho (já agora, o melhor da terra, e isto sem arghh nenhum)? A dizer que cheguei para marcar a universidade local? Que, logo a priori, vou ser o melhor?

Passa pela cabeça de alguém aceitar esta empáfia? Sou emigrante, nem que seja por isso nada xenófobo. Mas o raio do holandês não deveria ter mais tento na língua, agora que lhe deram um lugar ao sol, mais respeito por onde lhe brilha o sol?

Tudo isto para dizer o do porquê do meu contentamento com a derrota do Porto (com volte-face e tudo, para doer ainda mais). Ficaria sempre feliz, claro, qu'isto de Porto e Benfica é sempre para perderem. Mas no agora não pelo clube e seus apoiantes (a imaginar os meus amigos tripeiros hoje doentes, lacrimejantes, reclamando jorges costas, mourinhos e isso). Mas agora feliz mesmo pela cagança insuportável do holandês. E pela estúpida subserviência de quem atura dentro de portas estes imigrantes de dedo em riste. Cidadania igual? Acho que sim, mas também responsabilidade. Ó holandês, o respeitinho é muito bonito. Principalmente quando se chega de baixo. E agora "vai buscar"... E cuidado, ainda irás "deixar marcas" lá para a tua terra.

Ele há cada um ...

Publicado por jpt às 11:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

(Re?)Começou a Idade Média. A acompanhar esses obscurantistas decadentes

Publicado por jpt às 10:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

Aumento de leitura de blogs

Uma vistoria ao blogómetro e das duas uma: ou o Site Meter (é sobre os seus dados que aquela tabela se estabece) se tornou mais sensível, aumentando os números de leitores; ou nos últimos meses há muito mais gente a ler blogs portugueses.

Para uma ideia desse hipotético crescimento: que eu tenha reparado este ano o Ma-schamba já foi o 35º mais lido nesta tabela, com cerca de 200 leitores diários (talvez nesse dia com um pouquito mais, mas nunca muito mais). Hoje em dia o mesmo lugar (já agora, ontem do Ciberjus) corresponde a cerca de 540 visitantes. Parece óbvio um enorme crescimento da leitura de blogs.

Publicado por jpt às 02:29 AM | Comentários (6) | TrackBack

Responsabilidade quase do Quase em Português, o qual me foi trampolim na senda de uma polémica bloguística, coisa sobre uma tal de "credibilidade". Pecado da curiosidade, li-a toda. Sorriso no fim, que sobre o meio nada a opinar, para quê?. Mas sorriso no fim mesmo, o auto-elogio (mesmo quando indisfarçado de falsa modéstia) é muito ridículo. Será legítimo. Até humano. Mas ridículo. Sorrisível.

Publicado por jpt às 01:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 28, 2005

O "brilharete"

Há décadas (já) que me irrita a mentalidadezinha do "brilharete", coisa nos idos parida n' "A Bola", coisa nos idos do "brilharete" dos "magriços" (esse nome estadonovo ainda assim melhor do que o atrasomental "tuga"), coisa bafienta mas filha do seu tempo. Pobrezinhos mas honrados, aspirando ao tal "brilharete" no lá-fora, modesto sucesso pois claro, como se "desculpem vossasmecês" o atrevimento, chapéu na mão, às arrecuas até no quase-vitória.

Décadas (já) passaram, o país andou muito e mudou, (a) gente fez coisas, muitas pacóvias dizem as tais décadas, outras nem tanto. O jornal "A Bola", cadaverizado, amais a sua turba, se mudou foi no para pior - no escroquismo militante do temer falar para que não baixassem vendas, no escroquismo militante do "apertar a mão" a quem mandava espancar Carlos Pinhão. Jornal renunciado, múmia desde há tanto, e talvez por isso enredado nas velhas ideias, nas velhas humildadezinhas, o "brilharete" ali à mão de semear


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No hoje em dia a "fama" por um empatezito? Um brilharetezinho?

Rais parta, até este sportinguista, sempre torcendo pela derrota benfiquista, acha que Benfica é bem mais que isso.

Publicado por jpt às 06:55 PM | Comentários (3) | TrackBack

Primeiro encontro-o a comentar no excelentissimo (e paciente) Klepsýdra ("olha, olha, queres ver que o homem não resiste, vai voltar?"), meia dúzia de clics depois deparo-me com o seu desvendar no Adufe (via Tugir): ei-lo, João Caetano Dias, o JCD do excelso Jaquinzinhos, agora em versão fotobloguista.

Publicado por jpt às 02:28 AM | Comentários (4) | TrackBack

Paulo Raposo colocou dois blogs antropológicos: Ritual e Performance e Oficina de Etnografia. A acompanhar, coisa importante virá.

Publicado por jpt às 02:02 AM | Comentários (3) | TrackBack

Dois anos de Africanidades. Obrigado por essa Guiné-Bissau que assim chega.

Publicado por jpt às 02:00 AM | Comentários (0) | TrackBack

Olha, tive uma ligação Nada em Português.

Publicado por jpt às 12:40 AM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 27, 2005

Longa transcrição, até esperançosa

Em Junho de 1871 o então jovem Eça de Queiroz escreveu assim (sei que parte andou blogado recentemente), enquadrando o seu manifesto artístico-literário. Interessará regressar? Tamanha a aparente homologia com a actualidade, se quisermos assumir a mesma atitude intelectual, ou melhor, o cansaço. Ainda que as analogias históricas sejam nada mais do que armadilhas à análise aqui transcrevo, mas esperançoso. Pois se tanto decadentismo não se cumpriu, para quê assumi-lo agora? Não será isto condição, processo, e não crise, queda?

Mas acho avisado ir-lhe até ao final, a isso convido os visitantes. Pois ainda que nesse sentimento decadentista brotou então projecção acertada. Como será (seria) hoje? Sem tais escapatórias?

"O paiz perdeu a intelligencia e a consciencia moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por unica direcção a conveniencia. Não há principio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguem se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens publicos. A classe media abate-se progressivamente na imbecilidade e na inercia. O povo está na miseria. Os serviços publicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprêzo pelas idéas augmenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indifferença de cima abaixo! Todo o viver espiritual, intellectual parado. O tedio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruina economica cresce, cresce, cresce... O commercio definha. A industria enfraquece. O salario diminue. A renda diminue. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.

N'este "salve-se quem puder" a burguesia proprietaria de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o juro.

De resto a ignorancia pesa sobre o povo como um nevoeiro. O numero de escholas só por si é dramatico... A população dos campos, arruinada ... trabalhando só para o imposto por meio de uma agricultura decadente, leva uma vida de miserias, entrecortada de penhoras. A intriga politica alastra-se por sobre a somnolência enfastiada do paiz....

Não é uma existência, é uma expiação.

E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciencias. Diz-se por toda a parte: "o paiz está perdido!". Ninguem se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Attesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o paiz está desorganizado - e pede-se cognac! ...

Esta decadencia tornou-se um habito, quasi um bem-estar, para muitos uma industria. Parlamentos, ministérios, ecclesiasticos, politicos, exploradores, estão de pedra e cal na corrupção ...

O povo, esse, reza. É a única cousa que faz além de pagar ...

A realeza é accusada por tudo: pelas despesas que faz e pela pobreza em que vive; pela sua acção e pela sua inacção; por dar bailes e por não dar bailes ...

Apesar d'isso, a esta politica infiel aos seus princípios, vivendo n'um perpetuo desmentido de si mesma, desauctorizada, apupada, pede ainda uma multidão innumeravel de simples a salvação da "cousa publica". É tragico, como se se pedisse a um palhaço de pernas quebradas mais uma cambalhota ou mais um chiste.

A burguezia invejosa e desempregada fala na "federação", na "republica federativa", na "extincção do funccionalismo", na "emancipação da classe operaria"; mas entende que o paiz pode esperar por estes beneficios todos se no emtanto lhe derem a ella logares de governadores civis ou de chefes de secretaria. Uma plebe ardente fala em beber o sangue da nobreza; mas ficaria satisfeita se a nobreza, em vez de lhe oferecer a veia, mandesse abrir "Cartaxo".

Tanto se conciliam todos! É assim que o egoismo domina. Cada um se abaixa avidamente sobre o seu prato...

Nas sociedades corrompidas a ordem chega assim a reinar. É a ordem pelo desdem. Outros diriam pela imbecilidade...

[O paiz] Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam, soldados que não o defendem, padres que rezam contra elle. Paga áquelles que o espoliam, e áquelles que são seus parasitas. Paga os que o assassinam, e paga os que o atraiçôam. Paga os seus reis e os seus carcereiros. Paga tudo, paga para tudo. ...

Portugal não tendo príncipios, ou não tendo fé nos seus principios, não pode propriamente ter costumes. Fommos outr'ora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Comprehendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana; e fizemos muitas revoluções para sair della. O "caldo da portaria" não acabou. Não é já como outr'ora uma multidão pittoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vem buscar allegremente, no meio dia, cantando o "Bemdito"; é uma classe inteira que vive d'elle, de chapéo alto e paletó.

Este caldo é o Estado. Toda a nação vive do Estado. Logo desde os primeiros exames no lyceu a mocidade vê n'elle o seu repouso e a garantia do seu futuro. A classe ecclesiastica já não é recrutada pelo impulso da sua crença; é uma multidão descoccupada que quer viver á custa do Estado. A vida militar não é uma carreira, é uma ociosidade organizada por conta do Estado. Os proprietarios procuram viver á custa do Estado, vindo a ser deputados a 2$500 réis por dia. A propria industria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive tambem do Estado. A sciencia depende do Estado. O Estado é a esperança das familias pobres e das casas arruinadas....

É uma nação talhada para a dictadura - ou para a conquista."

[Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1890, pp. 11-43]

Publicado por jpt às 07:48 PM | Comentários (2) | TrackBack

Portugal. (no após uma maratona nos elos)

Se a blogosfera portuguesa representasse o país Manuel Alegre iria, pelo menos, à segunda volta das presidenciais.

Publicado por jpt às 04:51 PM | Comentários (6) | TrackBack

Por falar nisto. O velho lobo do mar Capitão Lagoa aportou e já está a emitir. Yô-Yô, e uma garrafa de rum ...

Publicado por jpt às 08:58 AM | Comentários (1) | TrackBack

Para quem ainda não tenha ido.

Publicado por jpt às 02:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

A blogosfera

(no após uma maratona nos elos)

Ó jpt em vez de protestares com a blogosfera, a dita "importante" e isso, de a achares indigna, uma boa merda, tua inferior, essas coisas, rearranja mas é os "elos favoritos"... e deixa-te de coisas.

Publicado por jpt às 02:36 AM | Comentários (0) | TrackBack

Imperdível para os amantes da bola. E não só.

Publicado por jpt às 01:19 AM | Comentários (2) | TrackBack

A estudar, atentamente.

[via o (agora) A Tonga da Mironga do Kabulete]

Publicado por jpt às 01:15 AM | Comentários (1) | TrackBack

Há muito tempo que não visitava o Triciclo Feliz. E por lá passei um belo momento. A não repetir, a demora na visita.

Publicado por jpt às 01:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

Um sorriso, para variar

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(bela T-shirt)

[via Tabacaria e O Castelo]

Publicado por jpt às 12:41 AM | Comentários (2) | TrackBack

Ku Femba

Que o mundo vai ficando cada vez mais pequeno já se sabe (mas não mais fácil, já agora, mas isso são contas de outros contos). Prova disso é saber no brasileiro Agreste do lançamento aqui da 4ª edição do livro Ku Femba, de João C. Reis.

Kufemba.jpg

Publicado por jpt às 12:33 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 26, 2005

Mais "Ainda aquelas estantes"

(continuando):

"Segundo os antigos alienistas seria até um estranho caso de delirio parcial collectivo. Os psychiatras modernos rejeitam esse diagnostico, considerando as vesanias e as monomanias não como formas autonomas e distinctas especies morbidas, mas sim como phases clinicas de um delirio chronico iniciado por um accesso de hypocondria geral....

Hoje mesmo ... persistem residuos depressivos e taras ancestraes que, ao minimo abalo na elaboração cerebral dos motivos que determinam os seus actos, tornarão o povo portuguez tão genuinamente sebastianista como no tempo dos seus antigos agitadores e profetas ..."

(Fevereiro 1911)

[Ramalho Ortigão, "O Sebastianismo Nacional", Últimas Farpas, Paris/Lisboa/Rio Janeiro/S. Paulo/ Belo Horizonte, Livraria Aillaud & Bertrand/Livraria Francisco Alves, 1915, p. 59]

Publicado por jpt às 02:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

Relato dum indígena turista em Moçambique.

Publicado por jpt às 04:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

Multiculturalismo

Na blogosfera é recorrente o discurso sobre o "multiculturalismo", normalmente poluído pela exaltação anti-islão e por alguma fragilidade de termos, o que dá normalmente no empobrecimento via dicotomia vs/pró como se direita/esquerda fosse. Também por isso será de ler o esclarecido texto que Rui Pena Pires lhe dedica, republicando-o, (pese a retórica um pouco grandiloquente) bem como o seguimento da questão no Canhoto (em linguagem mais bloguística e, para meu gosto, bem mais agradável).

Publicado por jpt às 03:14 AM | Comentários (0) | TrackBack

Ainda aquelas estantes

Em linguagem e pensares do seu tempo, a lembrar-me coisas do presente no lá, esteja esse mais "republicano" ou mais "sidonista":

"Paralisadas na sua psychologia todas as faculdades e todas as virtudes que dão a um agregado humano a posse collectiva de si mesmo e a consciencia de um fim que justifique - como em todos os organismos - a sua existencia, perdida a fé, perdida a coragem, perdida a alegria, o povo portuguez appela para o milagre, absorve-se no messianismo, subordina todos os seus actos e todos os seus pensamentos no regresso do "rei desejado" ou do "rei encoberto"..."

[Ramalho Ortigão, Últimas Farpas, Paris/Lisboa/Rio Janeiro/S. Paulo/ Belo Horizonte, Livraria Aillaud & Bertrand/Livraria Francisco Alves, 1915, p. 58]

Publicado por jpt às 02:12 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 25, 2005

Memórias de blog

No Canhoto um texto (pessoalmente direccionado) que me recorda um já velho (o que não é velho num blog?) texto no Ma-schamba (impessoalmente direccionado).

Publicado por jpt às 07:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

Testemunhar grandes mudanças

"We had no such thing as printed newspapers in those days to spread rumours and report of things, and to improve them by the invention of men, as I lived to see practised since."

[Daniel Defoe, A Journal of the Plague Year, N.Y., Dover Pub., 2001, p. 1]

Publicado por jpt às 10:36 AM | Comentários (4) | TrackBack

Pois claro.

Publicado por jpt às 05:12 AM | Comentários (4) | TrackBack

setembro 24, 2005

Ainda as tais estantes pouco alheias

No meio d'isto agita-se um dos typos caracteristicos da provincia, o influente de eleições...

O influente ordinariamente é proprietario ... Antigo cavador de enxada, enriqueceu, tem ambições, quer ser da junta da parochia, da junta de Repartidores, e mais tarde, n'um futuro glorioso, vereador! Já não usa jaqueta, nem tamancos. Tem uma casa pintada de amarello, calça um par de luvas pretas, e fala na soberania nacional. Em vesperas de eleições todos o vêem, montado na sua mula pelos caminhos das freguezias, ou, nos dias de mercado, misturado entre os grupos, gesticulando, berrando, com uma importância tremenda. Dispõe ordinariamente de 200 ou 300 votos: são os seus creados de lavoura, os seus devedores, os seus empreiteiros, aquelles a quem livrou os filhos do recenseamento, a bolsa do augmento da decima, ou o corpo da cadeia. A auctoridade passa-lhe a mão por cima do hombro, fala-lhe vagamente do habito de Christo. Tudo o que ele pede é satisfeito, tudo o que ele lembra é realisado. As leis afastam-se para ele passar. As suas fazendas não são collectadas à junta: é o influente! Os criminosos por quem se empenha são absolvidos: é o influente! Se são prohibidos no concelho os arrozaes, elle pode tel-os: é o influente! Se são prohibidos os portes de arma, elle é exceptuado: é o influente! Só elle caça nos meses defesos: é o influente! Só a sua rua é calçada: é o influente! ...

Ele reina, e o seu reino assenta sobre a cousa que ... é ainda a mais solida - a corrupção.

(Junho 1871)

[Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1890, pp. 89-90]

Publicado por jpt às 04:19 PM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 23, 2005

O Estado e a Cultura

Sobre a questão ler este texto. Pode parecer óbvio, mas há quem não consiga (ou queira) entender.

Publicado por jpt às 06:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

O Estado e a Cultura

Nos recantos mais liberal-fundamentalistas do meu país ressurgem os ditirambos contra a influência indutora do Estado na cultura. É conversa sazonal. E cansativa.

(Para os velhos marxistas-fundamentalistas a "propriedade privada" era o Satã da história, para estes do agora é o "Estado" o tal diabrete. Não era o mesmo Marx que dizia qualquer coisa como quando o drama histórico se repete é farsa, grotesco?).

Enfim, para os tais fundamentalistas vou ao cinema:

"In Italy for 30 years under the Borgias they had warfare, terror, murder, and bloodshed, but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci, and the Renaissance. In Switzerland they had brotherly love - they had 500 years of democracy and peace, and what did that produce? The cuckoo clock ..." [Aqui]

Publicado por jpt às 06:20 PM | Comentários (2) | TrackBack

Uma Agenda Cultural de Maputo, ainda que não exaustiva.

Publicado por jpt às 05:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

Neste blog o Companhia de Moçambique não precisa de ligação em texto. Ela está aí ao lado, em selos apelativos. Nunca deixar de visitar.

Publicado por jpt às 04:16 AM | Comentários (2) | TrackBack

Ainda em estantes quase nada alheias

O que dói não é um álamo
Não é a neve nem a raiz
da alegria apodrecendo nas colinas.
O que dói

não é sequer o brilho de um pulso
ter cessado,
e a música, que trazia
às vezes um suspiro, outras um berço.

O que dói é saber.
O que dói
é a pátria, que nos divide e mata
antes de se morrer

[Eugénio de Andrade, "A Casais Monteiro, Podendo Servir de Epitáfio", setembro 1972, Epitáfios, Lisboa, Limiar, 1984]

A minha caligrafia impede-me de garantir que "às vezes um suspiro, outras um berço." não é "às vezes um suspiro, outras um barco.".

Publicado por jpt às 04:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

Fogo-fátuo

Francisco Noa acaba de publicar um texto sobre o Fama Show [para os visitantes portugueses este é um programa similar ao Operação ??? (não me armo em pedante, ao escrever este texto não me lembro do nome do programa, uma "branca" como se diz, aquela escola de música apresentada por Catarina Furtado e capitaneada por Maria João)].

Para ele a vénia devida.

Fogo-fátuo

Folheando, há dias, um dos meus cadernos de apontamentos do meu tempo de estudante deparei-me com uma frase, muito cara a uma das minhas inolvidáveis professoras e que guardei ciosamente: os génios são os criadores, os outros são os seguidores, simplesmente. Vinha isto, na altura, a propósito da distinção entre efemeridade e eternidade, palavras que tinham a sua correspondência respectiva nas expressões fogo-fátuo (o que não dura) e fogo grego (o que permanece).

A frase, absolutamente lapidar na sua clarividência, ficou-me a chocalhar no cérebro, quando, há dias, assistia a um programa televisivo chamado Fama Show que não só tem mobilizado crianças, jovens e graúdos como também parece querer dominar a agenda cultural do país, tal o alarido mediático que o envolve.

Como proposta de entretenimento, nada tenho a apontar ao programa onde é possível verificar talentos interessantes na arte de ... imitar. Até aí, tudo bem. Se tivermos em linha de conta que imitar é algo congénito à natureza humana, não virá mal nenhum ao mundo que uma estação televisiva se transforme numa promotora e num mostruário das habilidades miméticas de jovens simpáticos e determinados a ter o seu momento de glória. Hoje, mais do que nunca, é quase vital manter viva a chama da fogueira das vaidades.

Preocupantes, porém, começam ao ser os sinais de histeria colectiva que se instalou por estas bandas e que leva as pessoas a acreditar que se encontrou, com esse programa e com tudo que o rodeia, a varinha mágica quer para resolver os problemas da música moçambicana quer para relançá-la através de novos talentos que irão inaugurar uma nova era no nosso panorama cultural e musical.

Mais preocupante ainda, na esteira da estação que alucinadamente reduziu a sua programação à atordoante e caudalosa promoção dos imitadores (transmissão de ensaios, repetições, auto-promoções, abertura de noticiários, etc), é assistir às irresponsáveis posturas e escutar levianas declarações de figuras que deviam ser mais responsáveis (governantes, edis, políticos, empresários, colunáveis, etc), ou observar a cobertura dada por alguns órgãos de comunicação que funcionam, sem o saberem, como caixas de ressonância do programa e dos seus mentores, ou então, aguentar a infindável e entediante procissão dos que se vergam à excelência e oportunidade da iniciativa, enfim...

Pior, muito pior, são os rios de dinheiro investidos em aprendizes de imitadores de que daqui a um, ou dois anos, possivelmente nunca mais ouviremos falar, em detrimento da real promoção e apoio dos verdadeiros e heróicos criadores da música moçambicana.

Com todo esse dinheiro (dinheiros públicos, lembre-se), que generosamente, a nossa tão patriótica operadora, e não só, vai orgulhosamente libertando, pergunto-me:

Quantos músicos, de verdade, não sairiam da indigência e da pobreza quase absoluta em que muitos deles se encontram? Quantos não veriam a sua inexorável caminhada, para a morte, adiada, se não interrompida (que o digam a Zaida e o Carlos Lhongo, o Eugénio Mucavele, o Alexandre Langa, o David Mazembe, o Avelino Mondlane, o Joaquim Macuácua, o Baptista Panguana, e todos os outros que, fatalmente, se vão seguir)? Quantas escolas de música, pelo país, não se abririam para dar oportunidade aos potenciais talentos da música moçambicana? Quanta dignidade e qualidade não ganharia a nossa música com apoios, equipamentos e tecnologia adequados que, certamente, metade desse dinheiro compraria? Quantas bolsas não se garantiriam para frequência de cursos sérios de música para muitos dos nossos jovens, incluindo aqueles que participam dessa tão frenética e alucinada experiência? Quantos especialistas sérios e competentes de música não seriam contratados para iniciar e aperfeiçoar jovens músicos moçambicanos?
Ergam-se, pois, as vozes acusando-me de estar a ser miserabilista, de estar a pôr em causa a iniciativa privada, de estar a ser um desmancha-prazeres, de estar a querer travar o espírito empreendedor!... Consigo sentir, aliás, o frémito e o rumor da indignação e do desagrado dos promotores e dos indefectíveis paladinos de um programa com desígnios tão nobres e tão sublimes.
Mas isso não abala nem a minha consciência nem a minha convicção de que seguindo por este inominável caminho, como está aqui a acontecer, com o beneplácito e compadrio de muita boa gente a quem é pedido, minimamente, bom senso, discernimento e sentido de responsabilidade, quando não mesmo, em alguns casos, sentido de Estado, mais não faremos senão decalcar, despudorada e alarvemente o que constituiu inteligência e esforço daqueles que são simplesmente os criadores. Aliás, é sabido que muitos programas de entretenimento, levados a cabo sobretudo pela televisão, concorrem mais para o empobrecimento intelectual, cultural e moral das massas do que para a sua edificação. A natureza, a finalidade e os interesses que os subjazem assim o determinam.

A este propósito, espíritos notoriamente lúcidos como o austríaco Karl Popper (“Contra a Televisão”, 1993), o canadiano Marshall McLuhan (Understanding Media, 1951) ou o italiano Gianni Vattimo (A Sociedade Transparente, 1993) há anos que vêm alertando quer sobre o poder incomensurável da comunicação televisiva quer sobre os efeitos perversos e nefastos que ela pode exercer sobre as sociedades, no geral.

Um dos sinais mais preocupantes desta nossa sociedade, por exemplo, é verificar que cada vez mais as pessoas, aos mais variados níveis e âmbitos, têm dificuldade em destrinçar o essencial do acessório. Se é essa a lógica que queremos que se imponha, não nos espantemos com a imagem com a qual estaremos inevitavelmente associados: a da futilidade e da inépcia. Sem remissão nem perdão.

Bom, e para que fique salvaguardado o porreirismo nacional que ninguém fique melindrado com tudo o que aqui foi expendido. Vejam apenas nisto a delirante e despeitada destilação de alguém que é tão incompetente na arte de criar, quanto na arte de imitar. Além do mais, the show must go on...

Publicado por jpt às 03:39 AM | Comentários (8) | TrackBack

setembro 22, 2005

Onde é que está o Geldof?

Pois sobre a ajuda a África, sobre o perdão da dívida, sobre a cimeira do G8, sobre a iniciativa Blair. Pois sobre o Live8. Pois...

Where is Geldof now?

George Monbiot:
Mail & Guardian Online, 09 September 2005 03:00

Two months have elapsed since the G8 summit and already almost everything has turned to ashes. Even the crustiest sceptics have been shocked by the speed with which its promises have been broken.

It is true that they didn't amount to much. The World Development Movement described the agreement as "a disaster for the world's poor". ActionAid complained that "the G8 have completely failed to deliver trade justice". Christian Aid called July 8 "a sad day for poor people in Africa and all over the world". Oxfam lamented that "neither the necessary sense of urgency, nor the historic potential of Gleneagles, was grasped by the G8". But one man had a different view.

Bob Geldof, who organised the Live 8 events, announced that "a great justice has been done ... On aid, 10 out of 10; on debt, eight out of 10 ... Mission accomplished, frankly." Had he not signed off like this, had he not gone on to describe Kumi Naidoo, a South African campaigner who had criticised the deal, as "a disgrace", Geldof could have walked away from the summit unencumbered by further responsibility. He could have spent the rest of his life on holiday, and no one would have minded. But it was because he gave the G8 his seal of approval, because he told us, in effect, that we could all go home and stop worrying about Africa, that he now has a responsibility to speak out.

Immediately after the summit, as the world's attention shifted to the London bombs, Germany and Italy announced that they might not be able to meet the commitments they had just made, due to "budgetary constraints". A week later, on July 15, the World Development Movement obtained leaked documents showing that four of the International Monetary Fund's European directors were trying to overturn the G8's debt deal. Four days after that, British Finance Minister Gordon Brown dropped a bombshell. He admitted that the aid package the G8 leaders had promised "includes the numbers for debt relief". The extra money they had promised for aid and for debt relief were in fact one and the same.

Nine days after that, on July 28, the United States, which had appeared to give some ground at Gleneagles, announced a pact with Australia, China and India to undermine the Kyoto Protocol on climate change. On August 2, leaked documents from the World Bank showed that the G8 had not, in fact, granted 100% debt relief to 18 countries, but had promised enough money only to write off their repayments for the next three years. On August 3, the United Nations revealed that only one-third of the money needed for famine relief in Niger and 14% of the money needed by Mali had been pledged by the rich nations. About five-million people in the western Sahel remained at risk of starvation.

Two weeks ago, we discovered that John Bolton, the new US ambassador to the United Nations, had proposed 750 amendments to the agreement that is meant to be concluded at next week's UN summit. He was, in effect, striking out the Millennium Development Goals on health, education and poverty relief, which the UN set in 2000. ActionAid released a report showing that the first of these goals — equal access to schooling for boys and girls by 2005 — has been missed in more than 70 countries. "Africa," it found, "is currently projected to miss every goal". There is so little resolve at the UN to do anything about it that the summit could deliver "a worse outcome than the situation before the G8".

Yet, Geldof remains silent. To the corporate press, and therefore to most of the public, he is a saint. Among those who know something about the issues, he is detested.

He seized a campaign that commanded great public enthusiasm, that had the potential to gravely embarrass Tony Blair and George Bush. He asked us to focus not on the harm the G8 leaders were doing, but on the help they might give. When they failed to deliver, he praised them anyway. His endorsement, and the public forgetfulness it prompted, helped license them to start reversing their commitments. When they did so, he said nothing. This looks to me like more than just political naivety. It looks as if he is working for the other side.

There is just one thing Geldof can now do for Africa. This is to announce that his optimism was misplaced, that the mission was not accomplished, that the struggle for justice is as urgent as ever. But, while he holds his tongue, he will remain the man who betrayed the poor.

Publicado por jpt às 07:54 PM | Comentários (2) | TrackBack

Portugal. Cartazes enormes, ruas fora, publicidade a um vinho qualquer (má, nem retive o nome do dito), afirmando-o qualquer coisa como "o melhor vinho para brindar quando o chefe é despedido". Qualquer coisa vai mal no reino, assim até o vinho parece podre. Que raio de mentalidade.

Publicado por jpt às 07:18 PM | Comentários (8) | TrackBack

As tais estantes quase nada alheias

Breve, e até incompleto, regresso aos celebrados "Novos Contos do Gin" de Mário-Henrique Leiria. A ver, os anos passaram-lhe por cima, implacáveis e virulentos.

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Em estantes quase nada alheias

...

não há fúfia universitária ou machão
fardado que não diga que a pátria
é a língua ou a puta que os pariu

[Eugénio de Andrade, "A Vitorino Nemésio, Alguns Anos Depois", Epitáfios, 1983]

Publicado por jpt às 04:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Crítica da razão escolástica.

Publicado por jpt às 04:14 PM | Comentários (0) | TrackBack

Poemas de Sónia Sultuane.

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Antes de me ausentar esta quinzena houve aqui alguma polémica - absolutamente desnorteada, provocada por quem nada percebeu do que leu e pouco percebe do que diz e sente. Mas ainda bem que a houve, pois o senhor que aqui chegou com a (racista, insisto, ainda que disfarçada de esquerdalhada progressista) lamúria dos "coitadinhos dos moçambicanos" "descamisados" e tudo, provocou o regresso do Babalaza. A seguir, até para não deixar este vizinho desistir uma outra vez.

Publicado por jpt às 04:08 AM | Comentários (3) | TrackBack

Num povo que come pão e nele haja pouca gente que diga assim hesito, entre o lamento do comedor mudo e o saudar do "haja gente".

Mas ... enquanto houver alguém que diga "pão" esqueço a hesitação, faço por isso, e saúdo quem se levanta contra o falso pão, o dos "bimbos": "Haja Gente"!, mesmo que pouca.

Publicado por jpt às 03:52 AM | Comentários (0) | TrackBack

Até me engasgo nas teclas, a escrever bem dos Açores, terra geradora de duas das piores pessoas que cruzei. Elas andam aí, uma impante, outra esconsa. Açorianos, mafia, partido, essas coisas. Ultrajantes. Muito ultrajantes, coisas de arquipélago decerto. Mas, apesar deles, vindos de terra bonita.

Publicado por jpt às 03:42 AM | Comentários (2) | TrackBack

41 anos

e a primeira vez nos Açores, ainda que a correr, e só S. Miguel. Comprovo: é uma delícia - ainda que Ponta Delgada e Vila Franca já ameacem o futuro.

É de visitar. E aproveitar. Antes que o pato-bravismo pato-brave.

Publicado por jpt às 03:37 AM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 07, 2005

Contributo à poupança de clics

Ausento-me duas semanas de Maputo. Nesse período não haverá novas entradas no Ma-Schamba.

Publicado por jpt às 06:06 PM | Comentários (8) | TrackBack

setembro 06, 2005

Terceiro Anel

Muito se tem falado, alhures e também aqui, sobre bloguismo português, qualidades, defeitos, crises, influências e excelências. Mas tudo um pouco centrado no bloguismo político, exclusivamente ou não.

Eu já aqui o referi, mas gostaria de lembrar um extremo exemplo de bloguismo: o Terceiro Anel é um belo blog colectivo, sobre futebol, que diariamente leio com proveito e prazer. É muito melhor do que qualquer jornal desportivo português. E esta não é uma homenagem para dizer mal de outrém, desses jornais. É apenas constatar a qualidade do blog. Na informação detalhada, na opinião opinativa, na actualidade. Tornado imperdível para quem gosta do assunto.

E continua a surpreender-me como há gente que faz algo tão profissional, tão bem realizado e decerto tão trabalhoso, de um modo gratuito. É gozo. Gente amadora, no velho sentido da palavra.

Vénia.

Publicado por jpt às 08:53 PM | Comentários (9) | TrackBack

Impensar

No português de Portugal todos os países do mundo são ditos como tendo "governo". À excepção dos EUA, os quais são ditos como tendo "administração".

Pormenorzinho não-linguístico a mostrar gente ufana.

Publicado por jpt às 08:29 AM | Comentários (19) | TrackBack

setembro 05, 2005

Um cultor da língua. Aleluia.

Publicado por jpt às 12:22 AM | Comentários (0) | TrackBack

Mau começo de semana, está visto.

Hoje, domingo, andaram por aqui a rondar a casa, a perguntar pelos guardas. Ladroagem certa. Lá vem noite de insónia, vigília de guarda. De blog em blog?

Publicado por jpt às 12:12 AM | Comentários (4) | TrackBack

Um dragão na garagem. Excelente memória de Carl Sagan, no A Barriga de Um Arquitecto.

Publicado por jpt às 12:09 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 04, 2005

O melhor dos últimos tempos. E o quão pequeninas são as outras vaidades.

Publicado por jpt às 07:47 PM | Comentários (1) | TrackBack

Ajudei, ó vizinho [Location. Continent: Africa; Country: Mozambique; State/Region: Maputo; City: Maputo] utente do Google?

Publicado por jpt às 10:56 AM | Comentários (2) | TrackBack

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura ...

Que afinal o que importa é o pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

[Mario Cesariny, Nobilissima Visão; trecho incluído no texto de António Sopa, introdutório da última exposição individual de Pinto, "Crónicas de Maldizer ou a História das 12 Virgens Feias", Junho 2005]

Publicado por jpt às 10:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

Regresso ao optimismo pedagógico, a modernidade de novo

Abaixo deixei que me repugna o proselitismo. O das minhas ideias e o das outras. Ele vai-se encontrando, muito quase constante. E muito nesta última semana.

No blog-em-blog sobre New Orleans lá se ouve o troar dessa qual seita evangelista: a desses que acreditam, com vigor, que a sociedade não existe. Crendo na solidão, pureza, do indivíduo, e na inexistência de algo específico que brote da sua associação em grupo. Dizem-se "liberais", e sê-lo-ão à sua maneira e suas leituras.

Nestes mesmos dias aqui aconteceu a campanha de vacinação. Em Sofala e Tete, principalmente, soou forte a igreja de Joahn Marangue. Apelando aos seus seguidores, e muitos são, a que não fossem vacinados. Mais radicais ainda que Testemunhas de Jeová, e outras igrejas, no que ao manuseamento médico do corpo é permitido. Crendo numa solidão, pureza, do indivíduo, do seu sangue, e na inexistência de algum bem que advenha da sua transfusão ou enriquecimento. Dizem-se "cristãos", e sê-lo-ão à sua maneira e suas leituras.

O esclarecimento das pessoas fiéis a este tipo de seitas é sonho velho, antes dito "iluminismo", coisas de quem ainda persegue o "desencantamento do mundo", no fundo um "optimismo pedagógico". Ideia, talvez sonho, dita "modernidade". Hoje, tanto falhanço nesse caminho, tanta crítica já feita, é tempo de deixarmos esse sonho, talvez mera miragem, é tempo do que alguns chamaram "pós-modernidade".

É tempo de saber que temos que viver com estas seitas, ser um pouco relativistas, eu diria que temos que professar um multiculturalismo matizado no aceitá-las. E nisso até aceitarmos o seu proselitismo, sempre exarcebado, coisas de quem crê, violenta e acriticamente. Pois o bom crente não interroga.

Ser assim consciente de que estas seitas, liberais ou cristãs (e outras que por aí pululam) não se limitam ao obscurantismo. São-no é certo, mas também têm um lado positivo, reconfortam os indivíduos. Guiam-nos, enquadram-nos, dão-lhes um sentido para a vida, uma "visão do mundo", algo sempre precioso, particularmente em tempos tão conturbados. Se pacíficas nos seus objectivos e práticas devem-se aceitar. Integrar.

E, nessa integração, devemos aprender. Algo sobre essas gentes, sobre as suas ideias mas acima de tudo seus anseios, decerto algo legítimos, ainda que traduzidos neste tipo de discursos. E nesse esforço de compreensão, tradução, talvez possamos conseguir transmitir algumas ideias, nem tanto valores mas pelo menos práticas. Que vacinar é fundamental, que uma transfusão de sangue é importante, que a sociedade existe e influencia, que o preservativo protege. Coisas assim.

Sei que, de certa forma, isto é o regresso do "optimismo pedagógico". De uma qualquer "modernidade". Ainda que muito humilde. Mas ambicioso, a ambição dos pequenos passos. Crendo, claro. Com a crença que "isto" pode melhorar. Apesar de parecer obscuro.

Publicado por jpt às 08:09 AM | Comentários (2) | TrackBack

Sobre os blogs portugueses e New Orleans

De ligações [links] em ligações apanhei algumas pérolas, algumas em blogs que já nem visito habitualmente.

Uma (não recordo onde) considerando que os negros americanos são pobres porque são negros. O que não deixa de ser verdade, o que demonstra que a amplitude da língua. Ainda que eu também ache que os negros americanos são negros porque são pobres.

Uma outra (recordo-me bem, mas já nem ponho ligação), excelente. Dizendo que se houver um terramoto em Lisboa (longe vá o agoiro) não deverá haver ajuda do Estado (e da UE) às vítimas pois estas são responsáveis por terem escolhido viver num local perigoso.

Estes são os bloguismos célebres e acarinhados no meu país. Claro que há crise no país. E grande.

Publicado por jpt às 05:05 AM | Comentários (6) | TrackBack

Ainda espanto?

Uma semana muito densa, a última. Sem olhar a tv, sem jornais, quase sem net. Sábado descanso, alguma CNN, a ver a catástrofe, à qual estava muito alheio. Depois alguns blogs (portugueses), sobre New Orleans.

Ainda me espanto (e espero manter essa energia do espanto).

Espanto-me quando leio gente que diante de um horror destes se senta ao teclado protestando contra o governo americano. E espanto-me quando leio gente que diante de um horror destes se senta ao teclado defendendo o governo americano. Espanta-me a inutilidade de tudo isso? Não, pois mesmo neste caso não acho inútil opinar. Entenda-se, não se discutem as efectivas medidas (sabem-nas?) ou as medidas não tomadas (sabem-nas?). Longe, a quente, quanto muito ecoando algumas reportagens, sem qualquer conhecimento particular, os teclistas aproveitam esta desgraça somente para traduzirem, sublinharem, as opiniões que têm sobre Bush e, em muitos casos, sobre os Estados Unidos. É uma mera transposição - dou um e-doce a quem encontrar um bloguista que defenda a política deste governo americano e que o critique agora, e um outro a quem encontrar um bloguista que critique a política deste governo americano e que o defenda agora.

Espanto-me com isto? Não, espanto-me comigo. Pois sendo eu ateu/materialista (ainda que me repugne o proselitismo) dou comigo a pensar na pequenez de alma que tais teclados mostram. Alma? É mesmo isso, pequeninas almas, pouco impressionáveis face às coisas de um mundo que lhes servem apenas para ilustrarem as fundas certezas que possuem.

Lá bem no fundo isto lembra-me uma palavra hoje pouco usada, até sorrida: maldade. O que esta maneira mostra é isso mesmo, maldade. Mera maldade.

Se eu fosse crente, se eu "tivesse a graça de ser crente" como Soares o disse num dia já longínquo, rezava por quem assim é. Como não sou apenas sorrio. Sem ironia e sem maldade. Apenas com pena. Amarfanhada.

Publicado por jpt às 03:56 AM | Comentários (11) | TrackBack

Antigamente:

um mês depois mais post(ais).

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Global Voices Weblog

Alguém bem longe vai, de quando em vez, ecoando o que aqui surge da arte de cá. Sabe bem.

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Metamorfose, de Jorge Dias

JorgeDiasMetamorphosis.jpg

Jorge Dias, "Metamorfose", 2003 [técnica mista (jornais, sisal, sapatos), dimensões variáveis]

Ainda que em fraca reprodução (de um separador publicado pelo Museu Nacional de Arte) aqui fica registo de uma obra que é das minhas primeiras memórias de arte contemporânea em Moçambique. Foi apresentada em 2003, naquele Museu, no âmbito de uma exposição colectiva que anunciou o surgimento do Muvart (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), do qual este artista, também professor na Escola de Artes Visuais, é animador (e ideólogo).

Publicado por jpt às 01:41 AM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 03, 2005

Igreja Maná

O potentado Igreja Maná, o qual ao que consta irá adquirir posição de relevo na televisão portuguesa TVI, é uma criação de um português originário de Moçambique, Jorge Tadeu, do qual há ainda gente que se recorda.

Aqui perto tem um grande centro, em Whiteriver, Mpumalanga. Ao que consta a sua dimensão excede a da célebre IURD. Tudo isto em cerca de 30 anos, obra de um homem. Sem dúvida, uma grande capacidade empreendedora.

Publicado por jpt às 10:09 PM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 02, 2005

Camões em crioulo

Momento grande, soneto de Camões traduzido para crioulo. No excelente Transpórtis virtual di Kauberdi pa Aulil.

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Mudaulane

Mudaulane (Celestino Mondlane) com uma exposição individual, cerâmica e desenho, no Instituto Camões. Do passado 31 de Agosto até 10 de Setembro.

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Para mim, leigo, Celestino Mondlane ceramista escultor é do mais excitante que tem surgido em Moçambique, esculturas avassaladoras, um sobre-humano que não lhe advém apenas das dimensões, mescla de grotesco e irónico, o horror e o amor.

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["O Grito da Madrasta", argila, 2005; pormaior reproduzido do desdobrável que acompanha a exposição]

Ali, e imagino pois não o conheço, também se agita um cosmos sempre dito tradicional, um mundo mitológico feito actualidade num olhar tão especial. Olhar e mãos a seguir, com entusiasmo. Pois únicos.

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("Embondeiro", argila, 2005)

Coloco aqui uma outra obra do artista, a espantosa "Mesavana (A Velha Feiticeira)" [argila, 1,95 m, 2004], actualmente apresentada na exposição da Bienal TDM, ainda que neste caso a reprodução do catálogo (um bom catálogo, diga-se) não faça minimamente justiça à intensidade da escultura.

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E permito-me imaginar também o quão interessante seria vê-lo trabalhar outros materiais, pedra ou metal. Sem desvalorizar a cerâmica, apenas projectar desafios para tamanho artista. Quem sabe? um dia.

Finalmente, esta exposição, vibrante ainda assim, está muito prejudicada pois duas esculturas, "as melhores" segundo o próprio Mudualane, partiram-se durante o transporte. Para mais alguns desenhos não foram apresentados, devido a atrasos no emoldurar.

Esta infeliz situação levanta outros tipo de questões, sobre o papel das galerias aqui, sobre o envolvimento que assumem (ou não) na produção deste tipo de actividades. No fundo sobre a sua tendência para surgirem como meros espaços-receptáculos de obras.

Mas isso são coisas a desenvolver noutra altura. Agora é altura de olhar o mundo deste homem.

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Retoquei o pequeno texto sobre os Ghorwane, algumas informações suplementares, outras complementares. Algumas destas retiradas de um texto de Luís Nhachote no Savana (26.8.05), outras em conversas variadas.

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Kheto Lualuali

Desde 31 de Agosto a individual Luami (Relações Humanas) de Kheto Lualuali na Associação Moçambicana de Fotografia.

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Esta é uma obra sua agora apresentada na exposição da Bienal da TDM (e reproduzida do catálogo respectivo), mas ilustrativa da fase em que o seu caminho se encontra, um figurativo quase monocromático, explícito nesta individual.

Já há alguns anos conheci Kheto Lualuali aqui

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[J.L Odiabo - 90x 80 - Acrílico s/tela - 1999]

Algumas das fases do seu percurso artístico, nas suas palavras o caminho de um autodidacta procurando conciliar "academismo" com "criatividade", está aqui apresentado. Coisa de saudar, esta entrada na divulgação informática do trabalho, aqui ainda rara.

Publicado por jpt às 12:15 PM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 01, 2005

31 de Agosto - Dia dedicado

Dia Africano da Medicina Tradicional

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[Nos dísticos, aqui quase ilegíveis devido à necessária redução da fotografia para seu acerto com o "template" do blog, propõe-se "Reintegração social dos espíritos"; "Purificação e cura de pessoas, espíritos e da terra"]

(cerimónia ocorrida em Maluana)

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