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Ma-Schamba: Sentido de voto e direito ao voto

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agosto 09, 2005

Sentido de voto e direito ao voto

Lá em baixo, e na sequência de uma pequena brincadeira memorialista minha, estou numa (não indulgente) conversa política com Carlos Azevedo - conversas que são coisa que a caixa de comentários permite, diga-se aos seus inteligentes detractores.

Não me pergunta Carlos Azevedo o meu sentido de voto mas permito-me aproveitar para esclarecer, já que vem muito a propósito. E sobre isso tenho escrito às vezes, ainda que sem explicitar. O meu sentido de voto actual é abstencionista.

Entenda-se, sou emigrante. Para votar tenho duas hipóteses. Ou vou com a família a Lisboa cada vez que há eleições (um mínimo de 2800 USD aos especulativos preços do efectivo monopólio TAP-LAM, mais a semana de férias exigível, pois as viagens mais curtas ainda são mais caras). Dirão alguns que não é demais para exercer o direito de cidadania. Eu não refuto, no plano de princípios. Mas é pesado demais para os meus rendimentos.

Ou então opto por me recensear aqui em Maputo. Ora ao recensear-me aqui perco direitos de cidadania, e é isso que várias vezes referi. Perco direito ao voto. Não posso votar nas eleições para o Parlamento Europeu (contrariamente aos emigrantes nos países da UE, contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE). E não posso votar nos referendos sobre questões nacionais (contrariamente aos cidadãos de alguns países da UE imigrantes fora da UE).

Ou seja sou abstencionista por atitude, atitude política. Prefiro não exercer o meu direito (prático) de voto a prescindir ao meu direito (formal - entenda-se, ideológico) de voto. Eu não cedo, "gratuitamente", o meu direito ao voto, não prescindo da sua totalidade. Mesmo que isso me impeça de votar.

É também abstencionismo por atitude, atitude de desprezo. Desprezo não pelos "políticos" [o "eles" que há já muitos dias Miguel Esteves Cardoso apontou]. Mas sim desprezo por quem continua a achar que há portugueses de primeira (que votam em todas os actos eleitorais) e portugueses de segunda (que só votam em alguns actos eleitorais). Um hierarquia assim explícita na lei, capeada pela constituição, sufragada pelos milhões de votantes (os ignorantes e os que o sabem). Ou seja, e até custa escrevê-lo, face ao silêncio sobre esta matéria é um desprezo por esse Portugal. Como está na blogomoda de agora, um Portugal que ainda pensa "metropolitês" mas o qual, coitado, nem de si próprio é metrópole.

Publicado por jpt às agosto 9, 2005 06:58 PM

Comentários

subscrevo e linko

Publicado por: Carlos Gil às agosto 10, 2005 03:54 AM

agradeço o elo

Publicado por: jpt às agosto 10, 2005 04:19 AM

preocupante.

Publicado por: jpn às agosto 16, 2005 06:37 PM