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agosto 29, 2005
Os Poetas e a Independência

Ouvir poesia, coisa já rara nos últimos anos. Lembro-me de alguns espectáculos há alguns anos, mas foram caindo em desuso. Ao último que tive notícia fui obrigado a perdê-lo, um solo de White no Café com Letras, para aí há um ano e meio, que me disseram excelente. Ontem houve, forma de comemorar os 30 anos de independência de Moçambique e também os 10 anos de existência do BIM, patrocinador. Talvez resultado de mero preconceito meu, mas alguma surpresa, positiva claro, ao ver um banco a comemorar-se organizando um sarau de poesia. Coisa em grande, em meios e intenção. E espero que a gravação possa vir a surgir em televisão.
Ainda que não sendo original é marcante a ideia de contar a história do país pela sucessão das palavras daqueles que dele quiseram ser poetas, que terá sido essa intencionalidade um dos fios condutores que o Eduardo White escolheu para escolher o que ontem ali foi dito: Noémia de Sousa, José Craveirinha, Rui Nogar, Rui Noronha, Marcelino dos Santos, Jorge Rebelo, Fernando Ganhão, Albino Magaia, Jorge Viegas, Calane da Silva, Leite de Vasconcelos, Filimone Meigos, Armando Artur, e ele próprio, Eduardo White. Poesias diferentes, intensidades diferentes, claro. Coisa que um espectáculo sente, mas do qual também vive. Até porque foi dia (também) de historiografia, a tal história da ideia de Moçambique na voz dos poetas.
Como falar quando são amigos que fazem? Assim um tipo fica sem jeito para criticar. Gente diferente a dizer: Eduardo White, Anabela Andrianopoulos, Ercílio Fernandes, Jaime Santos, Claudia Constance, esta em estreia, e muito bem. Gente diferente, registos diferentes. Repito, coisas que um espectáculo sente, mas do qual também vive. Mas não resisto, que amigo de palmadinha nas costas não serve para muito - para quê as fracas danças, e tantas foram? Música? Vá lá, concedo, ainda que achasse excessiva. Agora dança? Não.
(Se passares aqui e te zangares paciência. Mas tenho razão).
O sítio. A muito gostar da escolha dos Correios de Moçambique, belo edifício (e com um balcão histórico) que justifica, e merece, a sua utilização para mais eventos que os postais - ainda que tenha má acústica. Agora seria só retirar o recente, e decerto dito "moderno" e "funcional", posto de venda à entrada da sala, coisa inútil em tão grande espaço e que tanto reduz aquele "ex-libris". E, claro, aproveitar o exemplo para dar mais uso à sala.
Publicado por jpt às agosto 29, 2005 12:51 AM
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Comentários
Fico por aqui a imaginar esse sarau que deve ter sido muito bom, considerando os poetas mencionados.
Este e outros ecos são recebidos com agradecimentos, aqui no Norte. Mas que pena não poder assistir.
Publicado por: L. às agosto 29, 2005 04:36 PM
Assino em baixo da L.
Já agora, a Anabela Andrianopoulos não é neta do Sr. Grego (era assim que lhe chamávamos), que tinha uma loja numa esquina da actual Mao Tse tung com a... Se for, foi minha colega de escola primária...
Abraço, Obrigada pelas notícias que vais mandando, IO.
Publicado por: IO às agosto 29, 2005 06:19 PM
Pena que os espectáculos de poesia tenham caído em desuso. Lembro-me dos Msaho nas tardes de Sábado no coreto do Jardim Tunduru, iniciativa do Patraquim, Gulamo Khan e outros de quem já não me recordo (o Machado da Graça também estaria envolvido?), onde qualquer um que tivesse vontade, coragem ou falta de vergonha, podia declamar poesia, cantar, tocar qualquer tipo de instrumento ou contar histórias... Foi nestes encontros, há séculos, que foi declamado pela primeira vez pelo Gulamo Khan o célebre poema do Craveirinha "Tangerinas de Inhambane". Lembro-me também de aí ouvir o Eduardo White em início de carreira e as primeiras histórias do Mia Couto. Continuação deste espaço de intervenção cultural foi dado posteriormente pelo Machado da Graça na Associação da Casa Velha. A propósito de poesia, caro JPT, tem alguma possibilidade, ou amigo na Rádio Moçambique que possa obter uma cópia (se é que existe ainda...) da gravação de um sarau de poesia de 1959(!), por ocasião das festas da cidade do qual sairia também, a edição de um disco "Poetas de Moçambique", com a inclusão de Reinaldo Ferreira, José Craveirinha, Rui Knopfli e Rui Nogar?
Abraços.
PS: Caro IO, a Anabela Adrianopoulos esteve salvo erro, em Nampula até 1974, tendo vindo para Maputo para estudar História na UEM. Foi professora do liceu D. Ana da Costa Portugal em 1976/77, tendo posteriormente ingressado na TVE/TVM, pelo que não sei se será a pessoa a que se refere.
Publicado por: Zé Paulo às agosto 29, 2005 08:12 PM
Isabella (IO), por lapso escrevi caro em vez de cara, as minhas desculpas. Já agora não foste professora na Escola Secundária da Maxaquene? Penso também que me lembro de ti do minibasquete. Abraços
Publicado por: Zé Paulo às agosto 29, 2005 08:22 PM
Esses simpósios do jardim tunduru fazem parte de alguma lenda aqui da cidade. Muito deles ouvi falar.
Espectáculos de poesia hoje decerto não tão habituais como antigamente - por um lado sem exaltação contextual que potencia a (alguma) poesia, a mais militante. Por outro já com o primado da televisão, que transforma radicalmente a relação com a audição de qualquer mensagem. Mas ainda assim ainda assisti a vários nos últimos anos, desde que aqui cheguei. Registo a memória de um que muito apreciei - "Pessoa e Eu", pensado por Jaime Santos, coisa lá pelo ano de 1998.
Eu não sou grande leitor de poesia. E gosto dela muito depurada, em especial quando dita. Daí que não sou grande fã de "saraus", em especial quando há a tendência para en-fa-ti-zar o que se diz [daí gostar de Eduardo White a dizer poesia, ainda que ele não seja o dizedor por excelência]. Por outro lado aqui há uma grande tendência para a poesia endógena - é salutar, mas caramba, podiam ler/dizer outra coisa de vez em quando. Aliás, poesia não tem bandeira, isto digo eu que venho de outros lugares.
Quanto aos pormenores biográficos nada sei.
Da gravação de 1959 (?) nada sei - hei-de perguntar se alguém conhece. Mas meio século depois deve ser difícil. Agora se houve disco talvez ainda haja cópia ou exemplar.
Publicado por: jpt às agosto 29, 2005 09:38 PM
Interessantes estes teus últimos posts jpt, relatando daí. Pena é que a minha ligação seja de tão grande qualidade que não consigo ver nada. Um abraço.
Publicado por: Miguel S. às agosto 30, 2005 01:42 AM
Pena o Reinaldo Ferreira e o Rui Knopfly não term sido escolhidos!!!
Publicado por: C.Indico às agosto 30, 2005 04:20 PM
Olá Zé Paulo!
Se a Esc. Sec. da Maxaquene era a antiga General Machado, fui, de Francês, em 1976 (altura em que já não havia Licei D. Ana da C...), e neste mesmo ano estava tb na Esc. Sec. Josina Machel (antigo 7º ano). Sim, fui treinadora e 'amigo' (árbitro) de mini-basket. Quem és?... sorry pelo abuso, é que assim de repente, não te estou a situar. Dá uma ajuda!
Abraço, Isabella.
Publicado por: IO às agosto 31, 2005 01:11 PM
Oi Isabella, eu chamo-me José Paulo Pinto Lobo, mas talvez te seja mais fácil identificar-me como marido da professora M.ª Fernanda Osório, que foi Directora da Escola Secundária da Maxaquene (ex-Maristas) juntamente com o Ricardo Martins e o Manuel Morais, tendo depois passado para a Estrela Vermelha, com a Edite e o Vilares, pelo Josina Machel, com o Luis Amaral e a Fernanda Helena, pelo Centro de Formação de Quadros da Educação, etc., etc. Eu dei aulas aos 5º e 6º ano no D. Ana da Costa Portugal (ou seria já Josina Machel?) em 1976 e na Escola Secundária de Lhanguene em 1977, após o que ingressei no Ministério da Indústria. Joguei basquete na Real Sociedade em juvenis e juniores (até 1974), sob o comando técnico do António Azevedo, que penso que está em Moçambique, na equipa do Rui Miranda, Taborda, Henrique Vieira e outros. Antes disso joguei minibasquete pela equipa dos Gargantas e dos Fantasmas do Clube Indo-Português, com o João Figueiredo, que está actualmente no BIM, com o Nelson Bragança e primos e outros de quem não me recordo.
Um abraço
Publicado por: Zé Paulo às agosto 31, 2005 03:23 PM
Alô pessoal!
Sou a Anabela Adrianopoulos.Passeava-me por aqui e que bom descobrir-vos...um abraço ao Zé Paulo eá Fernanda.
Sou neta do Grego da loja,sim.Mas nasci e cresci em Nampula,onde estive até Jan de 76.Vim pra Maputo fazer Medicina e não História.
Já agora gostava de saber quem foi o meu colega de escola primária???
Abraço
AA
Publicado por: Anabela às agosto 27, 2006 11:21 PM
Alô pessoal!
Sou a Anabela Adrianopoulos.Passeava-me por aqui e que bom descobrir-vos...um abraço ao Zé Paulo eá Fernanda.
Sou neta do Grego da loja,sim.Mas nasci e cresci em Nampula,onde estive até Jan de 76.Vim pra Maputo fazer Medicina e não História.
Já agora gostava de saber quem foi o meu colega de escola primária???
Abraço
AA
Publicado por: Anabela às agosto 27, 2006 11:21 PM