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Ma-Schamba:

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julho 28, 2005

Moral e política: as vítimas privilegiadas. No Ideias para Debate um debate sobre o terrorismo actual. Várias vozes, entre elas discordantes. Com o interesse duplo: pelas características do blog este é realmente plural e não apenas colectivo. E porque sendo de teclas moçambicanas surge, óbvia e explicitamente, menos eurocentrada (ocidentalocentrada). E com um ferrete face ao "ocidente" que pode incrementar a análise (pode, não obriga). Inclusive por lá me permiti a ligeiros comentários.

Súbito surge um texto que culmina assim: "As minhas condolências à familia do brasileiro Jean Charles de Menezes que foi vitima do “sistema em caos”, do sistema desorganizado e mal preparado."

Partilho as condolências, claro. Mas reparo que o autor não apresenta as condolências às famílias das vítimas dos recentes atentados. E, mais, não nomeia estas (um pico no google talvez o possibilitasse) - que melhor homenagem na morte do que esta que aqui fez ao infeliz imigrante brasileiro, vítima da histeria , a de nomear o indivíduo desconhecido para a sociedade?

Simples questão retórica? Não, absoluta actualização em mero blog: não há possibilidades de diálogo (de aprendizagem mútua e de negociação) sem que haja a partilha de uma base moral. É o que aqui se demonstra, gritante e desmesuradamente. Argumentação imoral? Não. Amoral? Não. Outra moral, subordinada ao anti-ocidentalismo (americanismo, na sua forma simplificadora). Não terrorista, não suicida. Não estamos no seio dos polos em conflito. Mas sim no discurso calmo e de aparência reflexiva, naquilo que se poderá considerar o "civilizado" mainstream reflexivo. Mas na realidade estamos face a outra moral, subordinada a estes outros valores profundos. Histórica, social e politicamente produzidos, contextualizáveis, compreensíveis? Sim. Mas também, e por isso mesmo, ultrapassáveis.

Caso único? Não, até recorrente, e enraízado em vários pontos de partida hermenêuticos. Mas demonstrando que se as diferenças ideológicas são estimulantes já as separações morais são irredutíveis. Sublinhando os limites do relativismo. Ou, de outra forma mais quotidiana, porque consciente de que se me acontecer algo gente que pensa assim não me nomeará, não terá condolências a apresentar. Para quê então, se simples cidadão, argumentar? Ler talvez, para aprender o outro. E temê-lo, bem mais do que ao terrorismo, mero epifenómeno a prazo curto. Porque este, esta "reflexão" tem futuro, e um enorme presente. Em várias línguas e bandeiras.

Espanto-me, pelo blog em causa. E retiro-me. E, contrariamente ao dístico que anda por aí de blog em blog, disto I'm afraid.

Publicado por jpt às julho 28, 2005 09:50 AM

Comentários

Concordo com a análise JPT, mas há nisto tudo algum ponto neutro de focagem?

Publicado por: Eufigénio às julho 28, 2005 11:30 AM

A neutralidade é um mito. A acção, tal como a reflexão, lá bem no fundo é comandada por mitos.

(mas não era bem a neutralidade que eu referia)

Publicado por: jpt às julho 28, 2005 12:05 PM

Bem sei, mas também não falei em neutralidade (o neutro tinha a ver com o ponto de focagem), a observação mais do que a acção.

Publicado por: Eufigénio às julho 28, 2005 01:20 PM

Teixeira

Concordo contigo em que as vítimas do terrorismo merecem também as condolências. Discordo quando tentas minimizar os muitos milhares de mortes civis no Iraque, desejando que não seja bem assim. É.
E enquanto os mortos americanos são contados um a um, os iraquianos é às pazadas, ou aos camiões cheios, ou por outra medida desse tipo.
Eventualmente não cairiam mal também condolências às familias enlutadas...

Machado

Publicado por: Machado da Graça às julho 28, 2005 03:59 PM

Machado, respondi-te lá no teu blog

Publicado por: jpt às julho 28, 2005 05:01 PM

No comment ao texto do Machado esta o reconhecimento da falha, as condolencias sao para todos sem previlegios. O que pretendi sublinhar e que e inaceitavel "shoot-to-kill policy" apenas por ser parecido com islamita. E penso completamente inaceitavel o nao reconhecimento da falha. Nao acredito em reconhecimento de um erro sem arrependimento.

Aos terroristas "lets fight them". Coloque-me na fila da frente. Mas serao estas as unicas vitimas? Em clima de confusao e tensao os vencedores estao a vista. Nao e chegada a hora de re-organizarmos o combate ao terrorismo? ...Hum!


PS: Nao va eu ser a causa da sua retirada precipitada do blog do Machado, se julgar irredutivel a nao coexistencia "retiro-me eu" que sou mais novo e lhe devo respeito e consideracao.
Fico agora no passivo, continuarei pensando e escrevendo em outros circulos onde de certo coexisto mesmo que nao pacificamente.

Publicado por: Nelson Maximiano às julho 28, 2005 10:01 PM

em nome de deus. em nome da paz. em nome da ordem. qual mesmo o nome disso?


abs do arruda, cá do brasil.

Publicado por: arruda às julho 29, 2005 09:15 PM

Mais velho e mais novo, gente que de falar, pensar e escrever vale muito. Conflito de geracoes ou troca de mimos na fronteira do pensar, srs professores...

da V. Tembe

Publicado por: Vanessa Tembe às agosto 2, 2005 01:16 PM

Obrigado pelos seu comentário Vanessa Tembe. Mas se "troca de mimos" poderá haver o que por lá refutei foi o "conflito de gerações" - pensares diferentes a não esconder sob o véu etário [o qual serve para muito mas acima de tudo para esconder]. Já agora, sem esquizofrenia identitária, e mesmo que hipoteticamente alguns o possam querer, nisto dos blogs não há "senhores professores". Bota-se faladura e leva-se crítica aberta - idealmente seria o mesmo nos domínios dos "senhores professores", mas todos sabemos que não é assim.

Publicado por: jpt às agosto 2, 2005 02:56 PM