junho 21, 2005
Dívida e Ajuda a África
Devagar, lá se aflora a política blairiana (Anglo-americana) para África, e começam as críticas, claro está, como se ecoa aqui por exemplo. (Dentro de em breve veremos Bush ser acusado de estatista, de esquerdista, de etc e tal).
Em tudo isto está presente, lá no fundo, a angústia da intervenção política na economia. E daí o primado da recusa da política de ajuda.
Honestamente não creio que mais Ajuda Internacional e que o Perdão da Dívida venham resolver o problema do desenvolvimento em África. Tenho muitas dúvidas, tal a complexidade do(s) problema(s). E tal o(s) constrangimento(s) do(s) mercado(s). E porque também me parece que uma metodologia ultra-liberal não arrancará África do subdesenvolvimento.
Mas tudo isto não cabe num post. Não por falta de espaço. Acima de tudo por falta de saber deste Jpt. E neste caso se tivesse algo a dizer de relevante, relevante mesmo, ia vendê-lo, não o machambava gratuito. Mas não tem.
Tem apenas isto, o gemido da corrupção, da falta de liberdade, da inutilidade desta política, desta crescente ajuda e perdão de dívida, ancora não só no referido dogma da intocabilidade da economia. Ancora também numa monumental ignorância. Ignoram os processos político-económicos liberalizadores que foram adoptados/impostos/induzidos e controlados numa variedade de países africanos. Se correctos, benfazejos, desenvolvimentistas, não é o que discuto. Mas que desde há, grosso modo, 15 anos foram espalhados: desestatização das economias e das sociedades, democratização multipartidária, primado da good-governance. Em alguns países surgiu a imagem (tão portuguesa) do "bom aluno", noutros não.
Não digo que funcione, não juro a certeza. Mas vir, a seco, agitar papões sem olhar para o processo, semicerrando os olhos a essa "áfrica" todajuntamiserávelselva, isto é duracell, "e escrevem, e escrevem, e escrevem"...
Publicado por jpt às junho 21, 2005 05:59 PM
Comentários
"os processos político-económicos liberalizadores que foram adoptados/impostos/induzidos e controlados numa variedade de países africanos. Se correctos, benfazejos, desenvolvimentistas, não é o que discuto."
O problema e' serem impostos de fora. Devem ser as populacoes a decidirem o seu proprio caminho, de forma democratica. Pode ser que as intencoes sejam boas (eu duvido), mas a tentacao de formatar os outros de forma a satisfazer os nossos interesses (economicos) e' demasiado grande.
Publicado por: MP-S às junho 21, 2005 07:07 PM
escrevem escrevem escrevem, mas deveriam agir agir agir...
abços
Publicado por: filho às junho 22, 2005 12:21 AM
Não sei se não estará na altura de deixar os países 'novos' crescerem como entenderem. Mal ou bem, têm uma soberania que penso ser necessário respeitar em primeiro lugar. Depois então, considerações, mas sem sobranceria de país 'civilizado'.
Publicado por: catarina às junho 22, 2005 02:22 AM