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Ma-Schamba: já sem tema

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maio 22, 2005

já sem tema

O excelente Azul Cobalto a propósito da luso-blogoverborreia deste final de semana, e cansado com a ignorância patente, remete para um fundamentado artigo "O Insuportável Brilho da Escola", de Olga Pombo. Lê-se com agrado, em especial quando se (auto)reconhece a ignorância sobre o tema, coisas do papel da escola e seu contexto.

Quando súbito, e em "bold" (negrito), lá estão as bases da reflexão, sobreviventes a tanta e tão profunda bibliografia: "Estamos pois perante uma situação terrível - a mais terrível de todas, a meu ver - a progressiva e alarmante transferência para a escola das responsabilidades educativas que, naturalmente, e desde sempre, pertencem à família". (p. 11)

Valerá a pena continuar a argumentar? Valerá a pena continuar a verborreia ignara diante de tais (tão bibliograficamente fundamentadas) certezas? Valerá a pena lembrar que nada mais é do que atoarda dizer "naturalmente" (algo natural é algo universal, já agora) quanto às funções da família? Que nada mais é do que atoarda dizer "desde sempre", portanto universal e natural, quanto às funções da família? Pegando assim nesta "família" e dizendo-a natural, universal e eterna quanto a funções e, obviamente, configurações.

Negando, de modo altaneiro, qualquer discussão valorativa e/ou comparativa sobre as estratégias a assumir face ao conteúdo das relações familiares?

Continuar a verborreia? Diante de um texto destes, nem sendo um singelo post de blog, mas um texto "académico", com todos os signos da distinção, bibliografia constante e tudo?

Continuar a verborreia? Marrar o obscurantismo? Não vale a pena. A "sagrada família" está na cabecinha, arrogante aliás, de quem tão bem pensa. E o resto é presépio.

Publicado por jpt às maio 22, 2005 04:50 PM

Comentários

Só dei uma vista de olhos pelo texto. É que me pareceu que era mais um daqueles fundamentadíssimos em filosofia e psicologia que me fazem sentir culpada por ter de trabalhar para sustentar o meu filho, por achar sempre que disponho de pouco tempo para ele e o despejo na escola e por estar a um domingo a acabar de limpar a casa e não ter tempo de ler senão por alto os textos que me ensinam a ser melhor educadora. Para além de a minha 'sagrada família' monoparental ser provavelmente completamente disfuncional e etc e tal. Mas como o pó faz mal aos miúdos, volto para o aspirador e deixo as teorias com quem tem tempo para as mesmas.

Publicado por: catarina às maio 22, 2005 07:47 PM

Ó JPT, exaltado como sempre. Gosto disso e já o disse (http://santospassos.blogspot.com/2005/05/manda-bala.html).
Mas um pouco de calma não faz mal a ninguém. Vejamos: algo natural NÃO é necessariamente algo universal. Haja vista as videiras que fornecem o vinho verde. Naturais e nada universais.
Mais: 'desde sempre' não implica 'natural e universal'. Ainda que 'desde sempre' seja expressão cheia de armadilhas (pois talvez tudo tenha um começo), desde sempre homens escravizam homens. Penso que isso não é 'natural' nem 'universal'.
Continue a esbravejar, mas vá com calma.

Publicado por: Santos Passos às maio 22, 2005 07:55 PM

Catarina detecto aí um qualquer preconceito contra a nobre actividade do reflectir...Permita(e)-me no entanto referir que esse tal aspirador que estará agora a ser usado é produto dessa tal actividade. Antes a teoria depois ...
Santos Passos as palavras vão dizendo muita coisa. Num registo académico, fortificado no aparato científico, normativo e retórico, exigem-se depuradas (eu sei que uma utopia, malévola como o são todas elas). E neste caso a base de uma reflexão é o que é a família e o que lhe compete - se é exactamente aí que vamos para o indefenido, para estas generalizações então não se vai a lado nenhum...
Gostei da comparação com o vinho verde - não coloca em questão o textito supraambivalente (privilégio de blog) e desperta saudades. Só em Julho

Publicado por: jpt às maio 22, 2005 08:04 PM

Não, eu acho lindamente que alguém se dedique à nobre arte do reflectir. Parece-me é que há reflexões que levam a aspiradores, outras nem por isso. São teorias mais desadequadas à vida prática, mas venham elas (há sempre quem as leia...:))

Publicado por: catarina às maio 22, 2005 08:55 PM

Já li o texto da Olga Pombo.
Aqui para nós, acho a escola um problema. E a família, outro.
Agora acho que vou aspirar. Sempre faz mais efeito, e descansa.
E ponho um sorriso :) que é para não haver MAL ENTENDIDOS. Este é um comentário completamente AMIGÁVEl.

Publicado por: sara monteiro às maio 22, 2005 10:54 PM

certo Catarina, mas atenção, são invios os caminhos que levam até aos aspiradores. Sara, um desacordo não é desamigável. Eu, por exemplo, não vou aspirar, e isso é também amigável

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 12:55 AM

Certo, jpt. E um dos caminhos é existir também a necessidade de tais artefactos. O caminho tem dois sentidos, parece-me.

Publicado por: catarina às maio 23, 2005 01:08 AM

Azul cobalto nem deveria ser comentado pelo povo; povo aspira a muitas coisas; povo nunca deixará de ser povo = azul cobalto pertence a quem o povo nem imagina poder existir. olá povo.

Publicado por: intelecto-mor às maio 23, 2005 01:10 AM

2 caminhos só? talvez mais, e cheio de encruzilhadas.

Eu, povo, me confesso - não percebi patavina.

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 01:14 AM

Ser profissional, mãe e dona de casa é normal (deverei dizer 'natural'?) neste país: sou-o tb desde os 22 anos e já lá vão 25 mais neste momento; o conceito de 'família' é bem mais alargado do q o reducionismo, conveniente por quanto se presta a maniqueísmos, da simplificação categorial apoiada no 'que julgamos conhecer' parece dar a entender. Válida será sempre a discussão, com ou sem fundamento embora a prefira fundamentada, e o único crime continuará a ser 'não pensar', ainda q seja sobre os panos do pó e aspiradores já q evitam as dinastias de ácaros debaixo do colchão.

Publicado por: m. às maio 23, 2005 11:25 AM

Cara m. no alvo, a minha irritação resume-se mesmo ao "natural" em vez de "normal". Digamos que é normal combater os ácaros mas que não é natural...uma boa semana

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 11:29 AM

Cá continuo com desplante a fazer de louro: os comentários neste blog estão cada vez melhor!
(será altura para o meu silêncio?)

Publicado por: Eufigénio às maio 23, 2005 05:09 PM

Caro Efg, como V. sabe um louro é sempre bem-vindo. Em especial quando cómico

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 05:21 PM

(Olha, agora sou cómico! )

Vou tentar desenvolver uma reflexão que me eleve na tua estima JPT:

Cómicos são aqueles que não alcançam a elegância da ironia. Que banalizam o humor, quase o tornam vazio e buçal. Eu não sou capaz de produzir humor, e é bem verdade que quando muito serei cómico. Mas sei apreciá-lo, e admiro-o.

Por isso posso continuar para dizer que, no lado oposto desta escala, estão aqueles que detêm uma ironia tão apurada que desafiam a inteligência de cada um, até ao limite de estes não saberem já, e por isso não arriscarem, se é humor que está por trás das palavras que lêem.

Eu, talvez porque sou cómico, não tenho tantos pruridos, e aqui te digo, sem humor nenhum, com a maior das sinceridades, que a tua ironia é algo que desponta para esses lados, do lado oposto ao meu afinal. Assim, cada um na sua ponta, acabamos por estar tão próximos JPT. E se eu gosto de te ver aí – afinal eu ser cómico é não mais do que provocar a oportunidade de ver de perto o teu bom humor.

Publicado por: Eufigénio às maio 23, 2005 06:17 PM

elogio sim, mas não precisa de ser repetido (favor apagar (um dos) meus excessos

Publicado por: Eufigénio às maio 23, 2005 06:21 PM

Boné, estás cada vez pior dessa susceptibilidadezinha, males que te vêm de há muito e que pioram com a idade - (e com o blog?). Ora porra, não foi vocemecê que escreveu, e não assim há tanto tempo: "Nesta hora de despedida (do elo) não quero deixar de lhes endereçar as maiores felicidades e desejar que continuem como são, e que nunca se vejam na infelicidade contingência de acabar com o cabelo louro a apresentar um programa de televisão ao domingo à noite onde entrevistam cantores "pimba" e encantadoras de serpentes com mamas ao léu."?

Se havia ironia não era grande espingarda, ou seja, não era mui subtil. Vá lá, vá lá...calmaria

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 06:32 PM

Olha lá ó meu... Um gajo manda-te um piropo e tu vens com essa das suceptibilidades? Queres ver que temos de começar a escrever-nos à antiga, por carta com selos do Vasco da Gama? Com essa mal-compreensão toda subi na classificação: passei de cómico a irónico num instantinho. Eu sabia, eu sabia ...rs

Publicado por: Eufigénio às maio 23, 2005 07:15 PM

tá bem..abelha

Publicado por: jpt às maio 23, 2005 07:33 PM

Eu tinha deixado um comentário sobre o cómico muitos comentários atrás, mas não apareceu (que se terá passado?!)Dizia que me sentia pessoalmente ofendida. Então o Eufigénio elogia os comentadores e o JPT diz que ele é cómico? Seremos então péssimos? Não sei, não. Isto por aqui está a tomar um rumo estranho...

Publicado por: sara monteiro às maio 23, 2005 10:39 PM

Sara Monteiro,

Na parte do rumo que lhe vejo não noto mudança de direcção. É a mesma de sempre. É a mesma que sempre gostei. E já esclarecido posso afirmar que o JPT não me chamou cómico, chamou-me apenas louro. No que toca às susceptibilidadezinhas, aí é que já não posso aceitar a observação dele, muito menos vinda de quem vem. Mas repetindo, quanto ao rumo, gosto de o ver assim, a orçar e a arribar, na subida e na queda das ondas, a marear só como ele sabe.

Publicado por: Eufigénio às maio 24, 2005 12:40 AM

EU ESTAVA A BRINCAR! Santo Deus! Vou-me deitar ao rio. Agora percebo porque lá está lá em cima um sinal proibido. Torto e tudo.

Publicado por: sara monteiro às maio 24, 2005 01:44 AM

Eu é que ando com uma ironia muito requintada. Só nesta caixa de comentários já fiz 2 vítimas. Ok pronto, 3, a contar comigo ... rs

Publicado por: Eufigénio às maio 24, 2005 01:49 AM

Boa!

Publicado por: sara monteiro às maio 24, 2005 01:52 AM

À frente do Boa! , vem um LOL, esqueci-me. E estas caixas de comentários, é claro, são a pobreza absoluta, face ao frente-a-frente,à voz, ao olhar e à gargalhada. Faz-se o que se pode.

Publicado por: sara monteiro às maio 24, 2005 01:55 AM

Este texto evoluíu para uma "estranha forma de ser" chat. SM já imaginou a confusão cacofónica se houvesse voz e frente-a-frente nestas andanças - será o futuro decerto, quando já nem se escrever, apenas falar para o computador

Publicado por: jpt às maio 24, 2005 08:49 AM