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Ma-Schamba: março 2005 Arquivos

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março 30, 2005

Já agora no Klepsýdra um pequeno texto onde mais uma vez se desmonta o actual anti-francesismo português. No blogomundo que eu conheço é no Klepsýdra que mais se tem criticado essa pobreza do raciocínio anti-francês que grassa no meu país (ou blogopaís) e, surpreendentemente (para quem conheça algo da história do pensamento político europeu), mais no centro e direita - um filoactualrepublicanismo que nada mais é do que a mediatização da reflexão [think fast, think light].

Também por isso, obrigado Klepsýdra.

Publicado por jpt às 11:40 PM

No blogger [45]

O Rui Curado Silva, avisado, assinala (e nisso aprendo, e recuo, saudoso) o centenário da morte do gigante Jules Verne. Deixa ele ainda ligação para local alusivo.

Obrigado Klepsýdra.

Publicado por jpt às 09:21 PM

março 28, 2005

No blogger [44]

O jornal Zambeze passou a ter edição diária informática.

Publicado por jpt às 12:59 PM

No blogger [43]

O Kim (assim mesmo, à Kypling) saúda o neo-Machamba, recordando uma velha provocação [tão velha que já nem sei quem lançou a primeira pedra, o que para o caso também não interessa]: avançar com um blog colectivo sobre os Olivais. Um mundo, o nosso bairro. Ou, mais certeiramente, um Alcácer-Quibir? Gente provocada e provocável não falta, aqui no bloguismo. Que eu conheça estão o Apenas Mais Um, o Oceanus Occidentalis, o Povo de Bahá/Antigamente, tudo dos Olivais-Sul, talvez haja mais, até lá do Norte.

Assim, a ver se agito as mentes memorialistas, aqui deixo um texto antigo que vem dos fundos da arca Ma-schamba. É um bocado da minha juventude (e não só) lá nos bairros, nos tempos do entre o 21 e o recolha a Cabo Ruivo.

E a seguir, alguém se chega à frente?

OLIVAIS

Em memória do Zé Monteiro, Senhor e Iconoclasta

O primeiro tipo que vi a xutar foi o J. Keke, para aí há uns 20 anos, estávamos todos na gruta do Venâncio. O Keke apareceu a pedir para dar lá o caldo e entrámos todos, a pensar que se ia fumar um charro. Ele não gostou, e eu também não que seringas nunca foi comigo, mas ainda precisou de ajuda para o garrote, hesitámos, ficámo-nos e foi a Nuxa que os teve para se chegar à frente. O Keke era da geração mais velha, junkie de sapato italiano, bem penteado, andar balançante e inchado, olho arqueado, tipo bonitão piroso. Depois a vida foi-lhe piorando, baldou-se para o estrangeiro constava que em curas, e um dia morreu em Itália de um tiro na cabeça. É certo que muitos anos depois, eu já trintão no café do Pinto, e ele entra-me, igual a sempre, todo atilado a pedir uma bica. E lá ficou, sorte dele. Outros morreram assim, também ao Persio lho aconteceu lá pelas vindimas estrangeiras, último refúgio de uns quantos, e estou eu a almoçar numa tasca com o coronel e o gajo a entrar a dizer que não está nada morto, e se pode almoçar connosco. Mas não estava lá muito bem, e afinal sempre se morreu passados uns tempos. E o Zombie, verdadeira série B, um tipo altíssimo e magérrimo, todo baço do cinzento que era, assim alcunhado porque quando morreu de Od decidiu-se a acordar na morgue onde, contavam, causou um grande impressão, e até susto, do feio que era.

Nos xutos perdeu-se muita gente, alguns resistiram anos a fio e depois limparam-se, até era engraçado nas imperiais da esplanada e eles, sumol de ananás, limpinhos, a contarem das dores das curas. Outros foram morrendo, de amigos amigos assim só perdi o Zé M. que está aí na epígrafe, um Senhor que me faz saudades, Átila da retórica a erva não nascia sob as suas palavras. Outros perdi de outra maneira, estão vivos mas o seu desatino separou-nos, que se aprende a não ter paciência para os agarrados, alapam-se mesmo, só tantos anos depois percebi que quais matacanhas, que é bicho que nem conhecia à altura.

Quem cresceu nos Olivais sabe bem o que era a mistura de gentes, que era o que tinha a piada, foi o que retirámos do Salazar, que foi quem inventou o bairro, uma sopa de classes queria ele, a ver se melhorava o tempero, o dele claro está. Já aos 9 anos se saía da carrinha do Valsassina para a pedrada com os ciganos e havia quem logo fizesse alianças de classe com o Chica e o Pimenta, que penso perdurarem até hoje, caso seja necessário. Quando chegados a crescidos isso dá-nos um grande treino na vida, apesar das surpresas! E aprendemos que as drogas são como o futebol e a caça, os índios vêm de todas os estratos.

Lá pelos finais do liceu, quando tocou a rebate por causa das médias, havia imensa gente junta, nem se sabia bem como, que aquilo éramos aos magotes, saímos de todos os recantos. E também havia muito produto, as mercearias não faltavam, lá no Gordo, nos Candeeiros, no Brisa, nos Viveiros, no Ferrador. As mais pesadas diziam que era no Cambodja e no Modesto mas aí só ia quem conhecia e os tinha no sítio. E já nem falo do Comboio Parado e do Vietname, ambos lá para a Cidade da Beira, mas a estas últimas nunca me cheguei, que essa era zona nada segura para nós, nunca percebi bem porquê, falta dos contactos certos, penso eu mas só hoje.

Da geração mais velha alguns já andavam aflitos com a heroína, o cavalo como dizia a xunga dos dealers. O ácido é que era coisa de filme, sabia-se que existia mas não era usual, e o que aparecia era só estricnina. Mais tarde fomos ao Burroughs e afins saber como aquilo funcionava. Fomos mesmo uma geração pós-acido e pré-pastilhas, essas que lá para os 90s puseram Lisboa aos pulos de madrugada com músicas que me tornaram avô, que aquilo era só barulho, e ainda para mais usada por gentes que só bebiam água, que desperdício de noites.

No início dos 80s foi a era dos drunfos, o ácido dos pobres. Noites quentes pelos cafés com dezenas de tipos meio aos gritos meio aos grunhidos, um bazar de comprimidos onde o rei era o Espanhol, um celta sem dentes, histriónico. Aí o pessoal graduava-se, o máximo era quem arranjava as panteras cor-de-rosa, o grande somio, coisa de tráfico, mas os mais bimbos ficavam-se nas farmácias das mãezinhas, as cujas iam esquecendo os maridos ausentes ou arredios à pala dos roips ou mandraxs, uma porra porque ainda que nos dessem ganza tornavam-nos amnésicos. E era assim, erravam grupos anestesiados, nada para lembrar no dia seguinte, excepto pelo sóbrio que ia para tomar conta, quando o havia disponível. Acho que isso decaíu quando o Chico dos Drunfos se deixou morrer atropelado em plena Av. de Roma. No meio disto tudo usavam-se speeds, mais legítimos porque até vendidos nas farmácias. Os mais velhos falavam, saudosos, do lipoperdur, uma verdadeira lenda ainda hoje lembrada com frémitos, que lhes tinha permitido terminar o liceu no meio da festa. Mas tinha sido retirado do mercado, fascistas, pelo que rapaziada estudava e curtia à base de comprimidos para emagrecer, uma cena um bocado envergonhada, sem grande onda, e que cobrava o acelerar com ressacas chatas que não havia modo de enganar, era só aguentar o acordado até passarem.

Mas o que reinava era o haxe, era a base moral daquilo tudo. Barato era, mas raro havia dinheiro para comprar as barras de gramas, pelo que ele nos chegava aos pintores, o vulgo de então para cem escudos cujas notas já nem existem. Era coisa de consumo constante, logo de manhãzinha um assobio lá em baixo na rua, às vezes ainda na cama era o aviso para sair a correr, o apelo à vaquinha que aquilo era coisa para fazer de preferência em grupo, se bem que a prática da marroquina, a bem democrática passa única inchada até rebentar, nunca fosse cumprida, para desespero de quem ficava para o fim, ali a remoer-se com as cinzas alheias. É certo que o brunhol era quase sempre muito misturado, em especial com aquelas cenas do shampoo, mas ia dando para não nos ficarmos atravessados. Pela diferença ficou célebre uma carga que deu à Costa, largada por qualquer traficante em apuros e prontamente recuperada ao circuito, tão bom era que anos depois ainda se dizia que o produto em causa "é da costa", como selo da qualidade.

Já bem rara era a erva, coisa de retornado, mítica mesmo, uns tipos mais estranhos esses gajos de África, quase todos ali pela Portela, vá lá que faziam imensas festas, curtiam um bocado diferente do que nós, que nos chegávamos a eles e a elas, sempre na cola. Mas quando ela aparecia era altura de festa, levada aos sacos de plástico até de supermercado para os grandes momentos, esses quase sempre lá pelo velho Dramático em cascais. Ou mesmo quando o Woodstock fez dez anos, a malta à meia-noite no cinema e gajos que até as mantas traziam, e vá lá que ninguém se despia na sala.

Com isto tudo também na nossa geração o pó se foi espalhando. Mas já havia várias versões, diferentes andamentos. Quem começava nas chinesas, a fumá-lo, levava logo na cabeça, que aquilo agarrava, que da chinesa ao xuto era um sopro, e eles a dizerem que não, que se aguentavam, mas todos sabíamos que depois era difícil sair. Certo que o Lou Reed já não xutava, que o Richards e o gémeo mudavam de sangue de seis em seis meses, dizia a Rock & Folk, mas aqueles heróis todos, especialmente os da guitarra fálica tinham-se passado. E até os mais velhos, Bird e Coltrane. Era só arrogância, "Ya, eu controlo", mas se tanto o Hendrix como o vizinho do lado tinham marchado… e se havia gajos em muito mau estado ali à mão de semear! Neles era muito um puxar do cabelo para trás, um que se foda que o rock n’roll veio para ficar, rust never sleeps … Mas é certo que ninguém chegou lá distraído, sem o pessoal a encher-lhe a cabeça. Mesmo enquanto se enrolava um charro, que o tempo dos cachimbos da prata daqueles SG todos tinha passado à história, houve conferências sobre a matéria, posto que aquilo não era saudável. Até porque a imortalidade tinha sido questionada de modo radical, o próprio Marley se tinha ido pelo pulmão, de tanto cantar pela Kaya.

Falando de mim, do que me lembro não é só do ter a minha vida para viver, futuro saudável e feliz, e trá-lá-lá. Mas também da onda má do pó cortado, cheio de venenos misturados que nem sempre eram só Royal de Morango, do medo dos badagaios que davam aos junkies, de tantas histórias más de ods ouvidas contar, até da rapaziada conhecida. E lembro-me muito bem de não ser maluco para arriscar uma cena dessas, e comigo estava muito boa gente. Depois um dia lá fui para doutor, quis-me intelectual, levei um ano que nem a Bola comprava, aquela que ainda era a do tempo bom, o do Pai Pinhão, não era como é agora, e foi um tempo em que era só ciência, um mimo, nem hoje sei o que me deu. E com isto deixei de fumar aquelas merdas todas, que me punham lúcido, a perceber os estrilhos todos que a vida é. Como era coisa honesta, decente e culta, bebia quando tinha que ser, e tinha que ser muitas vezes, que a angústia continuava. Acho que continuou até me encher de amor pela Inês, e isso ainda levou uns anos.

Mas o festival continuou, aliás está aí. Agora, se volto ao bairro ainda encontro personagens dos velhos tempos, uma verdadeira arqueologia. Alguns regressaram, cerâmicas frágeis a colarem-se os cacos. Outros nem tanto. Partilham-se as mesas, algumas bebidas e, se afloradas as memórias, o saber de que sabiam de início. É certo que a dor só se sabe depois de sentida, mas sabiam que ia doer. Talvez não tanto. Mas quem foi, foi…

Envelheço, mas quando chego a um sítio estranho continuo a perceber a onda reinante. E em Lisboa, que hoje me é estranha, entram-me pelos olhos dentro as linhas de coca nos narizes alheios. Mas isso são mais os tipos da minha idade, o kitch do cartão de crédito, a cagança enrugada de quem não quer ser velho, nem que seja à força. Mas nem sei bem que drogas os putos consomem, essas sintéticas, nem os nomes lhes conheço. E se ainda há aquilo a que nós chamávamos, tontos, de contra-cultura. E se houver, seja lá o que isso for, se funciona à base de produto como nos tempos dos Freak Brothers.

Publicado por jpt às 04:05 AM

março 27, 2005

No blogger [41]

Paulo Querido, o grande bloguista do "português total" (salve!), esse bem para além do chá-canasta, e que liderou o seu povo até à Terra Prometida, ultrapassa neste Domingo de Páscoa os dois anos d' (O Vento Lá Fora). Que o vento continue a rugir, é o que se espera nesta horta.

Publicado por jpt às 11:59 PM

No blogger [40]

O meu colega Patrício Langa colocou um excelente texto no Ideias Para Debate: Os Alienados do Mia, uma reflexão obrigatória para quem se interesse sobre a sempre referida "moçambicanidade". Assim, no súbito do in-blog, um passo à frente na discussão sobre processos de produção identitária.

Publicado por jpt às 11:59 PM

No blogger [42]

O monumento A Montanha Mágica completou dois anos. Vénia.

Publicado por jpt às 03:36 AM

março 25, 2005

Economia e Cinema, pergunta de ignorante

Muito pouco percebo de cinema. E ainda menos de Economia. Deles apenas conheço três dogmas: que John Ford "faz(ia) westerns"; que Katherine Hepburn foi a mulher mais bela da História. E que há uma Lei de Oferta e da Procura.

Com esta base sempre me pergunto. Se um distribuidor/exibidor português deseja comprar (procura) um filme e para isso tem que o acompanhar de uma série que não necessita isso não é uma ofensa à Oferta e Procura? Cartel?

Haverá liberais (económicos) em Portugal?

Publicado por jpt às 11:59 PM

No blogger [37]

O PODER DO CINEMA

Lá na minha terra, e por causa de um filme (espanhol?) anda tudo a discutir o livre-arbitrio. É o poder do cinema.

Aguardem pela próxima estreia. Num "cinema perto de si". Há-de mudar a lenga-lenga.

Publicado por jpt às 04:47 AM

No blogger [36]

AOS VETERANOS DO BLOGGER

Será que me podem explicar o que significam estas inúmeras visitas vindas de blogs cosmopolitas, obviamente sem ligações ao humilde e paroquial machamba, como p.ex. o Misty Dawn's Heart, o Franchise Opportunity, ou Until I Fall Away, para citar os últimos três?

Será uma esquizofrenia sitemetérica? Ou uma conspiração rankoelevatória?

Publicado por jpt às 12:49 AM

março 24, 2005

No blogger [32]

Genial, não haja dúvida.

Publicado por jpt às 06:13 PM

março 23, 2005

No blogger [30]

Pandemia.

[via Lembranças via What the fuck do you mean with that "acknowledege yourself" crap?!!!]

Estou de cama.

Publicado por jpt às 06:10 PM

No blogger [29]

AFINAL DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Aqui referi a problemática da abertura dos mercados. Necessária e fundamental. Mas por alguns vistos como resolução - como se a um omnipotente Estado "Paizinho dos Povos" se sucedesse uma outra omnipotência, a do Mercado Mágico.

Que formas históricas assumiu o liberalismo económico? E em que condições globais? São questões pouco dadas à proclamação de grandes princípios, e à negação (analfabeta, pois então) dos conteúdos sociopolíticos da economia. Muito em voga no meu país, que o giro iletrado dá jeito à gargalhada. E à audiência.

A este propósito transcrevo uma notícia do jornal "País". Apenas uma notícia de jornal, não uma verdade indiscutida. Mas a questionar os factores do desenvolvimento africano.

***

Os produtores de algodão da África Austral estão preocupados com os baixos preços do algodão no mercado internacional, para além da generalizada falência que caracteriza o sector têxtil e de confecções de todo o continente. (...) as dificuldades que caracterizam o sector do algodão na África Austral são os mesmos de todo o continente. O grande constrangimento relaciona-se com os baixos preços praticados no mercado. (...) a abertura que aconteceu a partir de 1 de Janeiro do ano em curso está a impor uma outra dinâmica no mercado mundial (...) os países africanos não estão em condições de concorrer com os grandes produtores tais como a Índia, a China e a Indonésia. (...) Existe a percepção que o Lesotho conseguiu estabelecer a sua indústria têxtil e de confecções, mas trata-se de uma realidade aparente (...) a tendência também é para cair. O Quénia, por exemplo, só tem encomendas para mais um mês...

[texto de Arão Valoi, publicado no País, 19 Março 2005]

Publicado por jpt às 06:06 PM | Comentários (3)

março 21, 2005

No blogger [26]

O Antigamente, o novo blog do Marco, é uma delícia. Já clicou, para ver como é?

Publicado por jpt às 05:54 PM

No Blogger [25]

Manuel Fernandes.

Publicado por jpt às 05:52 PM | Comentários (4)

No blogger [23]

É DO DIA (III)

O Sono dos Filhos


Contra a palma das mãos
sua respiração traz-nos
o infinito lume
de um sol lembrado
na memória dos olhos.

Banho-os nocturnamente
com lágrimas de gelo
e eles riem revolvem-se
no doce útero do sono.

Nesse calor original
minhas desastradas mãos sabem
que trepida como nunca
o coração do mundo.

[Heliodoro Baptista, Por Cima de Toda a Folha]

Publicado por jpt às 05:49 PM

No blogger [22]

É DO DIA (II)


...

(Desde quando insatisfação
quer dizer pessimismo?
A água suja não pode
ficar clara e potável?)

...

[Heliodoro Baptista, "Detalhe", Por Cima de Toda a Folha]

Publicado por jpt às 05:47 PM

No blogger [21]

É DO DIA

As ciências devem ser poetizadas. (Novalis)

Publicado por jpt às 05:44 PM

março 20, 2005

David Borges

[via Abre-Surdo]

A saber da saída de David Borges da RDP-África. A lamentá-lo, pois David Borges é peça incontornável desse projecto. E homem de voz crítica (voz metafórica, que literalmente tem uma belissima voz radiofónica) e sabedora. Uma raridade no meio jornalístico português que olha África - e, sem facilitismos, também uma raridade na própria RDP-África.

O Abre-Surdo aventa que David Borges terá sido afastado. Espero que não. Mas não descreio. Acima de tudo fica daqui do Maputo a nota. Se quiserem a homenagem, a um bom e avisado profissional. Que sempre deu prazer e saber ouvir, cá de tão longe.


Publicado por jpt às 05:24 PM | Comentários (3)

março 19, 2005

No blogger [17]

O excelente Contra a Corrente (uma das minhas primeiras blogoleituras) cumpre hoje o seu aniversário. Que conte muitos mais, é o desejo nesta horta.

Publicado por jpt às 05:18 PM

março 18, 2005

Lusofonia 9

Lennyposter.gif

(conclusão sobre o que tenho vindo a escrever neste meu canto.)

[colocado a 18.3]

Publicado por jpt às 05:17 PM | Comentários (5)

março 17, 2005

Pois é prezado MacGuffin, concordo, concordo. Em tudo. E, paradoxalmente, apenas em parte.

Porque a liberalização do comércio será fundamental para o desenvolvimento do sul (simplificação este norte-sul, mais um chavão). E provocará ondas de choque lá nos nortes. Com resmungos e oposições dos antigos internacionalistas, claro.

Mas a liberalização do comércio não chega. Cá em baixo produzem-se a baixa produtividade (aumentará com o mercado, claro) produtos primários. E os mercados estão cheios (aqui resmunga-se, o algodão, a copra, o sisal, o milho, etc, etc,) - algo que não aconteceu noutros processos de desenvolvimento, em épocas outras. E mais, alguns desses mercados estão controlados, muito cartel explícito e implícito - a Mão será Invisível mas a Luva da dita manápula não é nada branca, é bem Berrante. Peço desculpa aos hipotéticos leitores, sei que quando se põe em causa a invisibilidade da dita se ofendem os liberais (económicos), é afirmação tão anti-cristo como dizer aos comunistas que não há ideologia de classe economicamente determinada.

E quanto a uma industrialização, enfim, seria preciso mais do que eu para alinhavar os tantos obstáculos para que surja ela, rápida e em força. E competitiva.

Quebrar o proteccionismo (quando não houve proteccionismo?) é fundamental para um impulso. E que impulso! Mas há que fazer intervir mais do que o mercado. Para, e simplificando, não reproduzir na eternidade a diferença riquissimos-paupérrimos (mesmo que então já não moribundos). Estados? Organizações internacionais (Estados conjuntos)? E aqui isso chocará com as perspectivas do centro e direita, sabida que é a tradicional aversão ao subsídio, à "ajuda", à intervenção estatal (excepto quando somos o receptáculo, claro está). Em suma, um verdadeiro desenvolvimento internacional implica um susto generalizado nos canteiros intelectuais aí. Era só isto.

E já agora, nesta questão os telhados aí já não têm vidros. E espero que chova bem. E que neve.


Publicado por jpt às 04:53 PM | Comentários (2)

março 16, 2005

Ainda Mulheres e Política

Sobre as mulheres na política, e o exemplo moçambicano, há alguns dados apresentados no Chuinga.

Publicado por jpt às 04:38 PM

Esquerda e Direita

O Contra a Corrente a escrever sobre "ajuda pública ao desenvolvimento", a tal vulgo "cooperação" (a "ajuda humanitária" é algo diferente, e isto sem formalismos).

A começar bem, é na defesa do contrato social do norte que a esquerda desse norte se desesquerdiza (desacredita) completamente (e também por aí tanto fel anti-esquerdalho que o Ma-schamba destilou) - fazem-no por interesse e por impensamento, misture-se, não é só ideologia é também muita ignorância. (a um tonto que um dia me veio chatear com o meu "direitismo" disse-o "do bairro"; em versão mais letrada chamar-lhe-ia deficit em "mundividência")

Pena é que o excelente Contra a Corrente se fique aqui a meio da corrente, perdoe-se-me o fraco trocadilho. Porque as políticas proteccionistas a norte e a reprodução de um modelo de "cooperação" que privilegiou os interesses político-económicos dos países doadores (por vezes chamados geo-estratégias, outras vezes sufixados de "fonias" variadas), sendo mecanismos de reprodução da pobreza e de perversões políticas a sul, têm sido sistematicamente defendidos pelos diversos poderes políticos no seio dos países mais desenvolvidos.

Em suma, não vale a pena pegar nestes casos para atirar pedras aos "louçãs e carvalhas". Conviria falar mesmo. Ou seja atirar pedras aos "louçãs e carvalhas" do centro e direita, que também eles têm violado os valores e princípios ideológicos que apregoam - a defesa do comércio livre (em alguns), o respeito pelos indivíduos/comunidades/vida humana ou direitos humanos (as terminologias e enfoques variam consoante tempo e espaços ideológicos). Também esses "carvalhas e louçãs" se "desdireitizam" ou se "descentralizam" (desacreditam) com décadas de política internacional de ajuda ao desenvolvimento subordinada a objectivos e metodologias absolutamente contrários aos seus princípios apregoados.

Com uma pequena diferença, caro MacGuffin, é que o poder não tem (felizmente) estado nos tais "carvalhas e louçãs" que lhe ofendem as meninges. Mas mais nos outros. Os quais, francamente, também me infectam o intelecto quando me ponho a pensar nestas coisas.

Serve esta arenga para resmungar, de nada vale esse brinquedo "olhá esquerda que hipócrita", "olhá a direita que facista". Esse é um contrato social, o resto é folclore. Desacreditador.

Quanto à iniciativa de Blair, que é o que realmente interessa, ela poderá dar frutos. Vamos a ver. Alguns sinais são positivos. Acima de tudo o, fundamental, conluio entre UE e EUA numa política de desenvolvimento internacional. Questão a acompanhar. Porque algo tem que mudar.

Muito para além das birrazinhas in e out-blog. Da pequenez lusa, perdão, da pequenez portuguesa. Que eu sou neto de Roma, não um de um qualquer porqueiro lusitano. E os meus patrícios também.

Publicado por jpt às 04:35 PM

No blogger [5]

"RAÇAS E RACISMOS". "MULHERES" E GÉNEROS.

[Via Forum Comunitário]

1. Cores.

Um excelente artigo de R. Pena Pires no jornal Público. A lembrar-me uma apressada troca de impressões, ocorrida no mês passado, com o Miguel S. do Sem Destino, acerca da racialização do discurso. Que aqui vigora e, pelos vistos, também no meu rincão.

Acho fundamental citar Pena Pires (e ensiná-lo nas escolas , e esta é ironia apenas ligeira. Ainda haverá livro de português no liceu? Daqueles com trechos chatos de autores do antanho? É colocá-lo.): "Para Ká, o problema do racismo resulta do desigual tratamento das diferentes raças. Errado! Só há raças, como representações colectivas e entidades culturais, porque há racismo. Isto é, porque se define alguém como outro em função da cor da pele, hierarquizando-se, num segundo passo, os "nós" e os "outros" assim definidos. A pior resposta ao racismo é pois aceitar a categoria de raça como classificação social pertinente e natural. A boa resposta é insistir na universalidade do género humano e combater todas as formas de discriminação em função da cor da pele...

Insistir na necessidade de recrutar para a participação e liderança política cidadãos de todas as cores de pele é fundamental, como fundamental é aproveitar todas as oportunidades para criar bons exemplos públicos desta orientação. E, convenhamos, tem havido um défice real de actuações nesse sentido, em particular por parte dos principais partidos políticos". [foi o que na altura eu quis sublinhar] "Mas se, com a pressa, criarmos quotas raciais, teremos capitulado perante o racismo em vez de dar passos decisivos para a sua superação, pois teremos introduzido na lei critérios raciais. (De passagem, um pequeno reparo: a pior forma de concretizar oportunidades de participação de portugueses negros no sistema político é começar por acantonar essa participação em lugares de combate ao racismo e à exclusão.)".

Em suma Miguel, , aproveito isto para (me) reafirmar - as quotas nada resolvem e, neste caso, até pioram pois reificam. E urge combater o discurso racialista: aqui ambíguo, desvalorizador do outro (Em Cor) em determinados contextos socioeconómicos, e valorizador do outro (Em Cor) noutros contextos socioeconómicos (do "Brrranco" desprezível ao "Patrão" benfazejo). No meu país também presente, sempre desvalorizador do outro (Em Cor) ou quase sempre desvalorizador do outro (Em Dinheiro) - como o prova o estudo sobre xenofobia hoje anunciado na imprensa portuguesa (onde estás Gilberto Freyre sublido? onde estás Lusofonia benfazeja?) - uma sociedade igualitária, Miguel? Tendencialmente, tendencialmente...

2. Genitais

O WR vai batendo nas críticas feitas ao novo governo português por não ter mulheres. Também aqui as cotas/quotas me repugnam - mas acho interessante as mulheres ministras serem da Cultura e Educação. Só falta a Saúde para que às mulheres no poder estejam atribuídos os sectores dos cuidados maternos, enfermagem e lavores (bordados, culinária requintada, piano à ceia) - resquícios de um inconsciente colectivo burguês oitocentista?

Mas concordo, não deve haver mulheres no poder só porque são mulheres. Cotas nunca, Abaixo as Quotas!! - ainda que reificar géneros seja aparentemente mais natural do que reificar raças, isso não é verdade.

Mas permito-me comparar (que fazer?, deformação profissional). Em Moçambique, onde as condições da domesticidade são decerto diferentes dos que as em Portugal, e onde a falofilia (ou mesmo falocracia) será aparentemente mais dominante, o novo governo integra não só uma Primeira-Ministra como muitas ministras e algumas vice-ministras - e não por cotas/quotas, mas sim por uma ideologia integrativa, o omnipresente "género". Nem tudo será equitativo, mas isto é obviamente o resultado de décadas de afirmação dessa preocupação social - que tem efeitos sociais. Mesmo que não idílicos - será necessário conhecer em detalhe a realidade moçambicana, e suas concepções de poder, para perceber o efeito extraordinário no seio das famílias da presença constante e muito visível de um cada vez maior número de mulheres na hierarquia política?

Em suma, aí ó desenvolvidos, cotas/quotas homens/mulheres não? Mas olhando aqui para o espelho do sul não dá para perceber que falta alguma coisa?

Publicado por jpt às 04:31 PM | Comentários (2)

No blogger [4]

PAPEL VEGETAL

É azul cobalto o melhor papel vegetal?

Publicado por jpt às 04:20 PM

No blogger [3]

PARA BOM(A) ENTENDEDOR(A) PEQUENO POST BASTA

Este blog não tem uma grafia diferente do seu antecessor [Machamba]. O que tem é um nome diferente. Despluralizou-se, pois o ritmo não poderá ser o mesmo.

Este blog anseia pluralizar-se. Não haverá algum(a) candidato(a) a participar? Condições mínimas exigíveis existem: alguma decência moral, o que implica tino ideológico (nada de neo-colonos lusófonos nem de esquerdalhos gaiteiros). E a grandeza do erro ortográfico e da sintaxe confusionista. E boas referências de empregos anteriores, claro está.

O sign in está aberto.

Publicado por jpt às 04:17 PM | Comentários (9)

No blogger [1]

Uma verdadeira migração, lá da terra do weblog.

Publicado por jpt às 04:05 PM | Comentários (17)

Búfalo tresmalhado

Nunca consegui fazer a tal "migração" que ocorreu nestas pastagens weblog, na direcção de um tal "sistema xpto". Tresmalhei-me da manada por causa de um erro lá de umas "tags" dos "archives".

Assim sendo acolhi-me, já exausto de "rebuilds" em vão, no Machamba do Blogspot. Pode ser que os leões não venham, no imediato...

Publicado por jpt às 01:39 AM | Comentários (5)

março 14, 2005

Acredito que o blo.gs e

Acredito que o blo.gs e o frescos e o weblog tragam leitores a este ressurgimento encomiástico da tecnologia sul-coreana. Assim sendo aproveito a a ocasião para afirmar algumas opiniões a essas visitas:

1. Dois novos e excelentes blogs: o Antigamente, e o De Aetatibus Mundi Imagines. A não perder.

2. Um não tão recente, mas também excelente blog: o Da Literatura.

3. O Ideias Para Debate tornou-se incontornável para entender Moçambique. E está-se a tornar um verdadeiro arquivo, uma hemeroteca. Louve-se o blog. E visite-se.

4. Um blog de citacoes, mais um (o predominio do paradigma readers digest?), o Rue Catinat. Mas aparentando um olhar sobre Mocambique. Um vizinho a blogar? Ou um ex-colono?

E recordando que

5. Desde 22 de Setembro [há 5 meses e meio] que amíude aqui venho dizendo

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Note-se que vivo em Moçambique, não vi um único jogo do Sporting ao vivo (que é como se percebe uma equipa) e nada sei do que se passa no ídolo "balneário". Ora se mesmo assim, em toda essa distância, tudo isto me parece, e há tempo tempo, absolutamente óbvio e previsível, não consigo entender qualquer razão para a permanência do do actual treinador do Sporting Club Portugal. Tudo aquilo se tornou absolutamente inadmissível! Urge mudar. De treinador (esta semana, mesmo) e de uma direcção falecida.

6. O futebol, como jogo, pode espelhar uma sociedade. Uma democracia com uma justiça que funcione cria sociedades mais justas, produtivas e competitivas. Prova-o o caso Apito Dourado e imediato equilíbrio neste campeonato dito excêntrico. Não é excêntrico, apenas não há tantos penalties fajutos para os grandes, tanta falta ao contrário, tanta expulsão a pedido. Assim sendo os "três (quatro) grandes", os poderosos, não se reproduzem no demérito. Competem e perdem.

Um Portugal Dourado e o país avançará. Amanhem-se.

7. Até um dia.

Publicado por jpt às 12:20 AM | Comentários (12)

março 13, 2005

Ssangyong Musso

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Se V. tiver um carro de sete anos, feitos de múltiplas mazelas, ganhas nessas estradas duras que nem a vida, mais todos os destratos de picadas, juntando-lhe condutor impaciente...E se a essa montada lhe estourar um pneu aos cento e trinta tal kms/hora, enquanto V. e a sua família ultrapassam um enorme Truck sul-africano. E se mesmo assim o carro continuar impávido e sereno, sem tugir nem mugir, direitinho até à berma segura a que V. o conduzir. Não reabrirá V. o seu blog, nos dias depois aquando chegado a casa, para gritar:

Viva o SSANGYONG MUSSO.

E vivam as empresas que o produzem, e seus técnicos e operários.

Hip, hip, hurra, Viva o SSANGYONG MUSSO,

HIP, HIP, HURRA

Publicado por jpt às 07:15 PM | Comentários (16)