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janeiro 27, 2005
Um pouco menos de Azul
Após a bola de ontem estive a ver o Prós e Contras, programa televisivo, dedicado à "reforma do sistema político" português. Ali políticos e académicos, desses virados para a "coisa política". Respeitáveis (entre eles António Costa Pinto, meu professor há mais de vinte anos).
Do teor nada digo, haverá gente mais avisada. Mas do meu incómodo, entristecido, algumas palavras. Sem ponta de ironia.
Porquê o monocromatismo dos homens portugueses? Por que raio de serôdio comunitarismo todos se apresentam de fato azul, camisa azul e, quase quase sempre, gravata azul. Que moralismo colectivista os obriga a representar a "respeitabilidade", a "decência", o "estatuto" através de tão estreito espectro cromático? Que "loja secreta" de modistas e retrosarias controla as mentes públicas do meu país?
Estas assim parodiando as criancinhas, coitadinhas, irmanadas nos velhos bibes. Depois, nó da gravata ajustado, lá afirmam as diferenças. Que estão assim implicitamente negadas. E fazem soar as suas propostas reformistas, também essas explicitamente negadas, tamanha a visível acomodação. Uma acomodação que negariam se confrontados, dizendo-a apenas questão de bom gosto (o tal moralismo comunitarista). Mas que não passa de uma acomodação sujeição aos stocks de retroseiros e modistas. E um bom gosto que será diverso em breve, pois para o ano outros stocks surgirão na mala dos vendedores-ambulantes entretanto chegados à vila.
Ontem, entre políticos, académicos e ex-políticos [agradeço se alguém me conseguir explicar o lugar social privilegiado de Ângelo Correia, para que se compreenda a sua perenidade, até excêntrica], havia uma (salutar) excepção. Aleluia! Um comunista que apresentava uma "escala cromática" (a evitar o galicismo) horrível, entre o castanho e o cinzento claro. Mas pelo menos diferente.
Logo imaginei um texto sobre o assunto que seria uma "declaração de voto no PCP por motivos cromáticos" (antes aquele muito feio do que o igualzinho timorato, seria o meu fundo ideológico). Mas ouvindo o pobre homem logo morreu a ideia: afinal antes azulinho que tanta pobreza (caramba, que aconteceu à vanguarda da classe operária?).
Nota: para quem ache fútil esta argumentação ligue um canal francês, p.ex. E veja como algum pluralismo cromático não implica um radicalismo intelectual, um extremismo político ou qualquer terrorismo. Nem a pertença a alguma "gaiola de loucas".
E, para quem viu o programa, não refira a senhora ali presente. Muito bem, pelo menos com a capacidade de se irritar com a indescritível "moderadora". Mas vestida de preto - e há lá mais padrãozinho nazareno?
Adenda: um parco sorriso e abraço ao WR. [eu também me queria armar em José Gil, a propósito de um jogo de futebol]
Outra Adenda: obrigado pelo esclarecimento.
Publicado por jpt às janeiro 27, 2005 12:24 PM
Comentários
Enganas-te JPT: o PC é o partido visualmente mais azul de toda esta campanha: as cores da CDU são azuis (a meio caminho entre um cartaz do FCPorto e os antigos tons do CDS)e o Jerónimo de Sousa anda, a maior parte das vezes, de camisa e/ou gravata azul!
Publicado por: pcg às janeiro 27, 2005 12:53 PM
eu reflectia sobre a doença baseado no exemplo de ontem. mas pelos vistos ainda é mais grave. quanto ao pc azul sempre foi notória a tradição monárquica desses movimentos, vide o exemplo literal dos aliados norte-coreanos
Publicado por: jpt às janeiro 27, 2005 01:15 PM