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janeiro 24, 2005
Sobre vistos de entrada em Portugal
ocorre-me perguntar, na sequência da entrada abaixo (mera associação de ideias).
Política de imigração e de vistos? Que fazer? Porque é que é tão difícil para os moçambicanos obter um visto de entrada em Portugal? Quando a emigração moçambicana para Portugal é tão reduzida (o moçambicano emigra para a África do Sul. Os poucos que iriam para a Europa não procuram Portugal na sua maioria, e os que procurariam entram na categoria "brain drain", e a esta não se fecham portas em lado nenhum, como bem sabemos).
E falo de dificuldades também de gente costumeira por lá. Estudantes, ex-estudantes, lusodescendentes, empresários, artistas (então artistas plásticos a viajarem para exposições é um cabo dos trabalhos, sei-o bem), professores (idem), jornalistas (idem). E, claro, dos que não são costumeiros mas até poderiam vir a ser.
Schengen, a União Europeia? Decerto que é isso, um poderoso obstáculo às nossas relações privilegiadas, lusófonas, não será assim? A U.E., nisto malévola, a prejudicar as relações portuguesas com África. Invejosa do nosso luso-tropicalismo, perdão, afecto lusófono.
Sendo assim por que será que as pessoas vão às embaixadas nossas vizinhas, onde é tão mais fácil e rápido obter vistos? Para logo voarem para Lisboa. Da qual regressam a sua casa, quando acabado o que tinham para fazer.
Pois, vistos dados por países europeus relapsos nestas questões, sem a experiência de vagas de imigrantes, dirão. Claro, Espanha, Holanda, França.
Aberrante.
Dirão logo, os vistos não são coisas de programas de partidos, nestes estão coisas mais vastas, englobantes, orientadoras, "estruturantes" (bela palavra, comovedora até). Claro, já imagino por lá, a "bold" até o "apoio ao desenvolvimento do ensino da língua portuguesa", o "reforço da cooperação multilateral na CPLP", "a coordenação do apoio à internacionalização das empresas portuguesas". E coisas assim.
Claro, Espanha, Holanda, França....
Adenda: isto, ressalvadas todas as diferenças, parece saído de um post do Super-Blasfémias (e com a deselegância do sem ligação). Não, talvez apenas o mesmo molde. Ou será o inconsciente colectivo?
Publicado por jpt às janeiro 24, 2005 11:55 AM
Comentários
Shenghen, a União Europeia? NÃO, pura imbecilidade bur(r)ucrática.
E Racismo mesmo.
Agora se a culpa é política ou dos serviços consulares já será outra questão.
Afinal a CPLP tb não seria para isto?
Publicado por: Jorge Leite às janeiro 24, 2005 02:28 PM
É realmente vergonhosa a actuação dos nossos serviços de estrangeiros e fronteiras. É até um obstáculo ao desenvolvimento do país. Os empresários dos países mais ricos que vêm para Portugal também levam por tabela, mesmo se são do espaço Schengen.
Publicado por: Rui Curado Silva às janeiro 24, 2005 02:50 PM
Muito bem perguntado, JPT!!! _ um abraço para ti, outro para os dois excelentes 'comentadores' acima, IO.
Publicado por: IO às janeiro 24, 2005 11:18 PM
Não fazia ideia que isto acontecia. Mas dá que pensar. É muito bonito falar-se de lusofonia, de passado comum, de raízes, de quanto as duas culturas têm a ganhar uma com a outra... mas se em algo tão fundamental como entrar em Portugal os moçambicanos encontram tantos entraves... Fico a pensar que o discurso vigente é balofo e hipócrita. Eu nasci em Moçambique. Ando há anos a adiar uma viagem ao que considero, com ingenuidade ou talvez pretensão, as minhas raízes. Não me parece que as autoridades moçambicanas me impedissem a entrada. Há aqui uma diferença de tratamento que faz recordar maus tempos do colonialismo. É triste.
Publicado por: troblogdita às janeiro 25, 2005 12:08 AM
Penso que não serão os serviços consulares no local os responsáveis. Há um pormenor incrível, um visto requere que o cidadão moçambicano tenha um cidadão português (ou legalmente residente) que se responsabilize pelas suas despesas, pela alimentação chamemos-lhe. Se a questão da reciprocidade se impõe nestas matérias esta é absurda, pois a nenhum portugu~es se requere que haja um moçambicano que o alimente por cá. Eu já assinei uma meia dúzia de termos de responsabilidade para moçambicanos que ganham bem mais do que eu, diga-se.
Publicado por: jpt às janeiro 25, 2005 12:27 PM
Este último pormenor que referes, JPT, é muito generalizado no mundo. Lembro-me, quando viagei para Índia, no fim dos anos '70, tinha de fazer prova que tinha pelo menos um certo montante (acho que eram 400 dolares) disponível, ou, em alternativa, um fiador indiano. A mesma coisa aconteceu a minha então namorada portuguesa, quando pediu autorização de residência na Alemanha, em 1985! Racismo? Não o da cor da pele, mas o da cor do dinheiro.
Publicado por: Lutz às janeiro 25, 2005 04:30 PM
Infelizmente é assim. Já tinha dado conta de coisas semelhantes no consulado de pt em Bissau. Apesar das CEE's, UE's e outras uniões que tais, continuamos o mesmo país burocrata, governado por burocratas e, o que é mais lamentável, representado no estrangeiro por burocratas. Um país de merda, portanto.
Um abraço JPT e desculpa a linguagem.
Publicado por: NETO às janeiro 26, 2005 03:04 AM
nuito honestamente acho que o problema nao esta sediado nos consulados e seu pessoal. E nao se restringe a questoes de "racismo". Sao orientacoes de lisboa porventura muito contextualizaveis. Mas discutiveis,decerto.
Publicado por: jpt às janeiro 26, 2005 09:55 AM