(esse Sem Destino conheceu como foi)
Custa saber assim, mas há dez anos, acertados hoje, Coetzee, bom homem e cristão desses de me achar ali sozinho, carregou-me à aurora para aqueles quase 300 kms até aqui.

Neguei-me pouco e vim, uma sede feita das saudades de geleira, tanta que nem me discuti de onde lhe vinha esse "sozinho". E aqui mesa farta de natais deslocados, tantos e quase todos meus então desconhecidos. Também patrício sei lá como, querendo-se regressado, e talvez por isso em ares de força por saia vizinha, coisa pouco-natal, torneei. Pois se nunca, quanto mais agora e aqui, nestes tempos de, aprendi-o então, gingar. E gingar bem
Natal de empapar, e isso lembro. Noite de ir longe, de imortal ainda, até surpresa o sem-fundo. Noite em tempo de construir modos, esse constante "to jump" na fala, e esse fazer bandeira, não só mostrá-la, no tudo o resto.
Noite de natal, meia-noite, de saltar corrido para o quase-sopa, assustando o banhista vizinho, este clamando-se aflito de mim, que noite de natal, meia-noite, mas pescador de redes ali à faina. Noite, afinal, também de não-natal.
[reprodução de postal anónimo, sem data e sem referência de editor]
A todos os que aqui e também abaixo vieram saudar deixo os meus desejos

de boa colheita.
[reprodução de chibanga muali malundi, mueda 1989, aldeia lutete; sem referência de editor]
A agradecer a simpatia do Nuno Guerreiro, ainda para mais depois do que aqui não exagerei.
"Your IP was found in the OPM blacklist and will not be allowed to post.", diz-me o blogspot quando quero comentar "Obrigado pela tua simpatia. E sim, consigo imaginar um calor tórrido no Natal, um calor de abacaxis mesmo" no Forum Comunitário. E antes um idem, quando quis comentar furibundo no Blasfémias: honestamente, como se pode ser assim?
Que terei cometido?
Só para agradecer a simpatia do Francisco José Viegas e do Rodrigo Moita de Deus.
O Prémio José Craveirinha 2004, o mais prestigiado prémio literário aqui, atribuído pela Associação de Escritores Moçambicanos sob patrocínio da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa (5000 USD), foi agora atribuído em paralelo aos poetas Eduardo White e Armando Artur.
Este machambeiro teve hoje o prazer de beber uma (ou talvez um pouco mais) cerveja com os laureados. Este machambeiro tinha camisola vestida neste prémio, mas isso também não é muito importante. Meras opiniões.
a primeira vez que cheguei a Moçambique aquela verdadeira diferença que encontrei foi esta. Não só, mas esta.
Lourenço, todos esses bloguistas escrevemos isso quase todos os dias.

Exposição
As negras das lagoas
fazem exposição
de quadros nús e tristes
com os próprios corpos as artistas
pintam no fundo da parede de caniço
É uma exposição permanente
e uma galeria de quadros humanos
que se vendem na galeria livre
uma galeria mais que pública
inaugurada pelo primeiro que chegou
Os quadros adquiridos
são pagos no quarto da negra
depois de oferecer a sua carne
e o adquiridor nunca leva o seu quadro
fica para o outro Paraquedista
(Malangatana Ngwenya, Vinte e Quatro Poemas, Lisboa, ISPA, 1996)
[também a propósito deste outro livro].
"Torres de Siza Vieira em Alcântara não vão ser feitas" [artigo abaixo transcrito], pois o referendo só poderia ser realizado em meados de 2006, dada a antecipação das eleições legislativas, e o promotor desistiu face aos prejuízos que tal espera significaria.
Quero agradecer ao Presidente da República Portuguesa, ao Presidente da Assembleia da República de Portugal, ao Presidente da Comissão Europeia, ao Primeiro-Ministro de Portugal, ao seu Governo, ao seu partido, ao partido coligado, até à própria oposição, e ainda ao Presidente da Câmara de Lisboa e a todo o seu "executivo", bem como à oposição municipal.
Agradeço-lhes a grande confusão que têm causado, essa que lateral e involuntariamente impediu isto, este criminoso amamarrachar. Algo tão mais importante e perene do que as respectivas tralhas, ainda que mui tralhas.
Gente mero pó. E Lisboa minha cidade, apesar de eles se pensarem "maiores do que a vida", sobreviver-lhes-á.
Quanto ao célebre arquitecto "amamarrachador" não hei-de esquecer a entrevista em que afirmou que se não fosse ele a construir outro o seria. Que belo argumento, só lhe faltou afirmar que cumpria ordens. Que a desilusão lhe seja grande, é o meu desejo.
Torres de Siza Vieira em Alcântara Não Vão Ser Feitas
Por FERNANDA RIBEIRO
Público
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004
As torres projectadas pelo arquitecto Siza Vieira para Alcântara, em Lisboa, já não vão ser construídas. O promotor do empreendimento, a erguer na Av. da Índia, nos terrenos da antiga Sidul, optou por apresentar à câmara um projecto alternativo, da autoria de Mário Sua Kay, com edifícios de oito pisos, considerando "insustentável aguardar por um referendo em Maio de 2006".
Pedro Silveira, presidente do grupo Sil, explicou ontem que a sua decisão se prendeu com o novo cenário imposto pela convocação de eleições legislativas para Fevereiro, o que implica que o referendo já não se pode realizar em Março de 2005, como previsto, mas apenas em Maio de 2006.
"Já perdi cerca de cinco milhões de euros com a espera desde que o projecto foi apresentado publicamente, em Novembro de 2003, e não posso arriscar esperar dois anos e meio sem ter sequer a garantia de que irá haver referendo, e de que ele terá um resultado favorável. Isso é insustentável", disse Pedro Silveira, que falava após a apresentação do projecto do nó rodoviário de Alcântara, ontem apresentado pelo Governo e pela Câmara de Lisboa (ver texto ao lado).
A impossibilidade de realizar o referendo antes de Maio de 2006 deve-se à própria lei que rege os referendos locais, que diz que o acto não pode ser realizado, nem sequer o processo pode ser iniciado, no período entre a data de convocação de eleições e a data da realização das mesmas. Isso vai colidir também com as eleições autárquicas a realizar em Outubro de 2005 e com as presidenciais, em Janeiro de 2006, uma vez que o processo de referendo tem uma duração de cerca de 110 dias úteis.
Pedro Silveira diz ter informado em Junho deste ano o arquitecto Siza Vieira de que apresentara na câmara o projecto de Sua Kay, que não suscita problemas relativamente ao Plano Director Municipal (PDM), pois observa as cérceas máximas, de oito pisos. Esse fora um dos vários óbices colocados pela autarquia à aprovação do projecto das torres de Siza. Em Junho, porém, ainda não se colocava o impedimento de realizar o referendo em Março de 2005 e o promotor dizia então que só desenvolveria o projecto de Sua Kay caso o referendo impedisse as torres de Siza.
O parecer da câmara emitido em Julho de 2004 dizia que a proposta não reunia condições para ser aprovada e alegava as condicionantes urbanísticas expressas no PDM, a par de ausência de infra-estruturas de drenagem capazes de sustentar o empreendimento. Ainda assim, posteriormente, os serviços camarários pediram mais elementos ao promotor.
Mas ontem, Pedro Silveira admitiu desistir de avançar com as torres. "Tenho ali enterrados 14 milhões de contos [70 milhões de euros], que é hoje o valor dos terrenos. Com o projecto alternativo, espero poder avançar com as obras a partir de Junho de 2005", disse.
O PÚBLICO tentou ontem ouvir Siza Vieira, mas tal não foi possível por o arquitecto se encontrar retido em Barcelona, com um problema de saúde, segundo fonte do seu atelier.
Há tempos o Luís Ene e eu estivemos à tecla, a falar de bloguices. Ele gravou e deixou no hall de entrada. Agora que passou o mês em causa e há-de mudar a decoração, trago-lhe a k7 para aqui, fica memória em meu arquivo, coisa que alguns muito compreenderão. E à k7 troquei-a por um abraço.
24 novembro 2004
José Flávio Pimentel Teixeira
Nome? Zezé para os amigos, Flávio para os antigos colegas, Zé Flávio para os colegas quando decidem passar a amigos, Zé Teixeira em Moçambique... A única certeza é que ele tem Ma-schamba em África, mais exactamente em Moçambique.
O teu blogue é a tua machamba (ou ma-schamba)? O que cultivas nele?
Ma-Schamba é plural, significa mesmo as minhas "machambas", hortitas. Aqui tenho culturas várias, pequenas e mal amanhadas, de subsistência, nada dessas machambas tipo plantação, cultivo grande e cuidado. No princípio tinha plano mais ou menos, coisa quase estruturada, pensada. Depois virou cabotagem (cabotino?), coisas mais imediatas, menos pensadas. Claro, foi-se politizando, é o primado do pensamento rápido, pobre. Efeitos dos textos diários e do diálogo com outros blogards (prefiro a versão a la francófono), o que neste último caso é porreiro. Irrita-me quando falam de um "estilo post", quase como que normativo, ainda que apenas a norma da eficácia. Que cada um faça como quiser. Mas não há dúvida que a botadura diária prejudica. Pelo menos a mim, que caí na esparrela.
O teu blogue está em terra de Moçambique. Quais as consequências?
Muito menos do que eu desejava. É o que digo acima, pensei um blog sobre Moçambique. Não turístico e não saudosista, eu cheguei agora, um agora de oito anos. Cenas várias, viagens e quotidiano. Os livros, filmes, as outras artes. E notícias, a ajudar a quebrar o silêncio – catástrofes, corrupção, Mia e Mutola (e desta bem pouco), de que mais se fala aí sobre aqui? Neste campo acho que o Ma-Schamba falhou, distraí-me, desviei-me (saudades daí?). Da política local não posso falar: por razões ideológicas minhas, e já o escrevi, sou um emigrante de luxo, se estou mal que me mude; e por razões óbvias, aqui um “tuga” na faladura crítica é cultivar anti-corpos. Letais. Além de que sou cooperante, contratualmente proibido de qualquer actividade política. E esta, ainda para mais aqui, é uma alínea tão lata...
Por outro lado, e sem cagança, acho que me dá distância ao rame-rame daí. E quando mergulho no opinativo bloguístico sinto muito isso: há muitas certezas e poucas dúvidas, isso nascido dos clubismos ferrenhos, os do olhar para dentro, há muitos “coleccionadores de cromos”. Mas também há bloguistas (sim, agora lusófono) fantásticos: quando for grande quero ser como o Nuno Guerreiro.
Em tempos, se não estou erro, anunciaste que deixarias de editar o blogue. O que te fez mudar de ideias?
Sem hierarquia:
1) A Inês estava na Bélgica. Quando voltou eu disse-lhe que tinha morto o bicho, julgando que ela ficaria contente comigo menos tempo ao computador. Mas afinal disse-me que era uma pena, que era mais um dos meus impulsos, que reconsiderasse; 2) Vício; 3) pode parecer que me estou a armar, mas não estou, recebi mais de 100 comentários e emails do abraço à insistência, o que me surpreendeu tipo “porra, estes gajos gostam do que escrevo”, e em muitos ecoava que eu, afinal, carregava mesmo um bocado de um Moçambique que é o meu, que não sou representante de nada, que já não é o deles, mas que mesmo assim gostam. E comoveu-me, amaricou-me mesmo. O Carlos Gil do Xicuembo escreveu um texto que me deixou como se tivesse uma papaia entalada na garganta.
Mas acho que o blog piorou desde então, perdi qualquer coisa.
Em tempos deste também a cara no teu blogue, uma cara branca e barbada que não mais se deixou ver. Arrependeste-te?
Eu escrevo estas coisas para ser lido. Se muito divulgo o trombil quem é que regressará? Foi uma coincidência, tu a lançares o repto, e eu com uma história do Niassa com um episódio dos putos à minha volta a dizerem-me igual a Jesus. Aproveitei. Os meus amigos gozaram-me à brava, aquilo é um estereótipo. Mas para mim muito bonito.
Como te tornaste blogger? Qual é mesmo o teu nome para além das iniciais?
Eu já tinha um quasi-blog antes de saber. Escrevia textos e enviava a dezenas de amigos e conhecidos. Parte dessa tralha está blogada na categoria “Roupa Velha” e são o que mais gosto no Ma-Schamba. Engraçado que, com excepção de meia dúzia, nenhum desses receptores é visita do blog. Está visto que os chateava à brava, ainda que muitos respondessem, amáveis. Um dia um amigo daí avisou-me dos blogs, logo a seguir deu na RTP-África que o FJV e o JPP tinham blogs. Depois pipizei, até nos comments, que eram uma delícia, ainda que algo javarda. Convidaram-me para entrar num super-blog mas tive medo e baldei-me. Finalmente abri o blog com uma amiga, mas aí foi ela que se baldou. Mas ainda estou à espera, gostava muito de estar num blog colectivo.
Nome? Zezé para os amigos, Flávio para os antigos colegas, Zé Flávio para os colegas quando decidem passar a amigos, Zé Teixeira em Moçambique. Bonanza para os muito velhos e especiais amigos. Agora Pai Zé, também. Mas lê lá bem, o nome completo está no blog, bem à vista, qual “caseiro”.
Aliás, quando o Ma-Schamba tinha ânsias de estético-literário seguiu incógnito, só me identificava a quem perguntava. Mas quando comecei a opinar política espetei o tal “caseiro”: abomino a opinião política anónima. Nisso o que não tem nome não tem cara. Não se lê. Porque é lixo.
Queres deixar alguma mensagem?

Keep Walking [com poucas certezas, sff]
Publicado por Luis Ene at novembro 24, 2004 10:14
agradecendo a simpatia do Paulo Pinto Mascarenhas e apreciando aquele "bloguiadores", o qual talvez venha para resolver um já doloroso problema terminológico.
(em completa recaída da autovirose)

A Saga de Mouzinho de Albuquerque por José Cabral
[reproduzido de PhotoFesta Maputo 2002. Primeiros Encontros Internacionais de Fotografia, Maputo, Associação Moçambicana de Fotografia, 2002]
VERBORREIA (Lat. verbu + Gr. rhoía, de rheín, correr), s.f. fluência excessiva de palavras; verbosidade inútil; logorreia.
Julguei que o Aqui é Nordeste tivesse acabado. Mas esse muito interessante blog ainda está em actividade, mesmo que muito espaçando os seus textos.
É uma discussão antiga, a qual também já abordei. Devem os blogs ter sistema de comentários ou não? Como o referi presumo que cada um como cada qual, e francamente irritam-me os "deveres seres" que alguns rematam, assim tipo "o verdadeiro blog só o é se com comentários".
Mas ao ler processos destes, peças antológicas mesmo, não me restam dúvidas: pelo comentarismo conquista-se a civilização.

Está pronto e belo, que há alguns dias tive as provas na mão, o tão esperado (anos de espera militante) livro de Ricardo Rangel "Pão Nosso de Cada Noite" fotografias preto-e-branco na noite dos anos 60 e 70 da então rua Major Araújo (hoje Bagamoyo), à época coração da boémia e prostituição da cidade.
Não, não é um documento, nem história, nem etnografia, e muito menos denúncia. É a noite, aquela vida, a muita beleza das mulheres, a muita música, e Rangel a olhar, a viver.
[Uma edição Marimbique, estará à venda muito provavelmente em Janeiro, a festa será em Fevereiro].
Pois, outra vez. Agora, é o Arqueoblogo a ser plagiado pelo "Público". Como diz o Francisco é muito "má onda". Ou melhor, má maré.
E bastava colocar aspas e/ou referência - lá pelo jornal estão a precisar de importar um pouco de escolástica, aquela que valoriza a quantidade de referências. Os rodapés pés-de-página. E ficava tudo tão mais elegante...
Assim...
esta minha publicidade. Se ainda não esgotou a bolsa natalícia...


Duas importantes edições D. Quixote, organizadas por Nelson Saúte: "As Mãos dos Pretos. Antologia do Conto Moçambicano" (2001) e "Nunca Mais é Sábado. Antologia de Poesia Moçambicana" (2004).
Panoramas muito completos, e legítimos, do conto do século XX em Moçambique, de Orlando Mendes a Orlando Muhlanga, e da poesia de XX e inícios de XXI, de Rui de Noronha à mais recente produção poética, mantendo ao fim o mito de Mutimati Barnabé João (António Quadros).
Antologias que juntam o interesse literário ao histórico-documental, e dizer isto não é desprimor estético. E que nelas encerram a vontade de problematização e mesclização do que é a "literatura moçambicana", processos em que Nelson Saúte, com Francisco Noa entre outros, foram e continuam a ser pioneiros. Aqui ainda discussão em aberto, por um lado já explícito pela relação que o património literário tem com a produção da imagem nacional. E por um outro lado, ainda quase-mudo, pelo relativo silêncio face à oratura, e articulação de ambas (mas a essa ainda irei antes do Natal).
Mas que estas considerações não assustem, isto são questões a propósito dos livros, nestes não estão os ensaios de tendência fastidiosa. Concisos e contextualizadores prefácios do organizador, e literatura.
Para além do mais são também livros ofertáveis em quadra, "ficam bem", e não os estou a desvalorizar, bem pelo contrário.

Muito ofertável será também, mas já muito raro, a anterior colectânea organizada por Fátima Mendonça (ligação para um texto sobre Marcelino dos Santos que meses atrás emprestou ao Ma-Schamba) e Nelson Saúte, "Antologia da Nova Poesia Moçambicana" (Associação dos Escritores Moçambicanos, 1988).
Livros objecto? Nada, livros para ler.
Terminou-se, a semana de anúncio de presumível aniversário, recepção dos parabéns, cumprimentos e até palavras simpáticas, aqueles elogios, no público do link ou privado do email, daqui a reciprocidade, claro. Terminou-se a semana da autocomplacência. E esta, se não aqui onde?
Segunda-feira, regresso da autofagia.
No meu país, a dois meses das eleições, abunda a produção de cenários pós-eleitorais. Antevisões que se apresentam exaustivas. Interessante que ninguém fale de Daniel Campelo.
Já que em período pré-natalício e de tops é esse o top-one dos cenários aqui no Ma-Schamba: só espero que o PR, desta vez, obrigue os partidos a anunciar o acordo. Para pior já chegou daquela vez.
é um excelente blog desses raros de chegar e parar, nada de clic-clic. Hoje cumpre um ano de bloguismo. Obrigado.
O ano passado alinhavei aqui este texto sobre o Natal . Eis reprise, retocada, atendendo ao espírito de Natal.
****
Natal em Maputo
Em cada Natal há mais natal em Maputo. Pois, em cada Natal, o tal da “paz”, “felicidade”, “amor entre os homens”, “todos os dias que um homem quiser”, “criancinhas”, “etc. e tal”, há mais gente apinhada por aí fora, um trânsito voraz nas avenidas mas também a querer-se escapulir em ruas e ruelas, que os buracos destas são agora esquecidos na pressa das compras - ai, quando maputo tinha poucos carros!, que sossego... -, gente até chorando os preços mas a encher o Fajardo, o Bazar Central, que esses vi eu e os outros só acredito, o Alto Maé encrespado de compradores de última hora, bem como lá na Baixa, e por todas essas bancas de rua, estas sempre o olho no cliente o olho no polícia, e lá no fundo da Luthuli o fantástico Ayob Comercial, filas ao sol esperando vez para entrar, ali a comprarmos as tralhas chinesas, maravilha de marketing essa baixa de preços em época de ponta, e até os prédios shoppings agora com visitantes feitos compradores, uma festa, uma festa, mesmo as iluminações do Natal vão surgindo, isto está moderno, cidade fazendo-se grande.
É verdade, chegou o horror do consumismo, a estragar o que deveria ser, o que antes foi, o espírito da quadra, as velhas “boas festas” da família apenas em concórdia. E tão estranho o é aqui, terra de tantas dificuldades, tantas privações que nos cruzam e nada mudas, ainda que nós tão surdos. Um paradoxo, amoral até, coisas da inconsciência.
É, é o isto que se vai ouvindo , e mais ainda nos intervalos das compras, entre os nós, estes com restos de alguma (boa) consciência, gente de cá ou não, que não passamos privações, já nascidos ou há muito habituados a consumir, antes do Natal, depois do Natal, até no Natal, estes nós que o fazem “todos os dias que um homem quiser”. Estes que vamos resmungando, desgostosos, com esse povo da cidade, certo é que coitado povo por tal o ser, e que assim se distrai, a querer-se, a fazer-se, a imaginar-se tão burguês, tão nós, nestas cópias gerando maus hábitos, os hábitos do ter, coisas talvez não para eles, talvez não sustentáveis.
Mas que fazer?, esta terrível globalização a padronizar modos, a fazer-nos iguais, a Natalizar-nos. Não será assim?
O jornal "Público", dito de "referência", rouba, plagia, destrata, finge e, por último, sacode a água do roto capote. O jornal "Público", dito de "referência", assaltou o excelso Substrato, depois destratou-o como pedinte de publicidade e, finalmente, nem se digna a um decente e proporcional "sua maxima culpa".
A falta de decência e honestidade de uma jornalista não pode fazer esquecer a indecência profissional da direcção: esta será responsável apenas em última instância pela aldrabice, mas é responsável de primeira linha pelo fugidio e desproporcional lavar de cara, deixando as ramelas. Espero, pelo menos, que o seu Provedor de Leitores, Joaquim Furtado, cuja absurda perspectiva sobre blogs já aqui abordei, faça justiça ao posto, refutando mas também denunciando em mais do que rodapé jornalístico este tipo de aldrabice e má-criação.
Pois J. Furtado, decerto vendo-se conde ou grã-cruz da República, dizia a 3 de Outubro de 2004: "Os blogues não são todos iguais. Uns (assinados por nomes conhecidos na vida pública) serão mais credíveis, ou até responsabilizáveis, do que outros.".
Com a actual aldrabice do Público poder-se-á, pelo contrário, dizer que os jornais são todos iguais. Uns muito conhecidos na vida pública não serão mais credíveis, ou até responsabilizáveis, do que outros mais esconsos. Não serão afirmáveis "de referência".
O Luís Miguel Rocha do Portugalidades anunciou o seu topo-dez de blogs do ano e integrou o Ma-Schamba. Aqui lhe agradeço a simpatia.

O Ma-Schamba acaba de ser honrado com o prémio Pelourinho de Bronze, atribuído pela mui distinta Academia do Praça da República de Beja.
Comovido, só me ocorre afirmar: Viva Beja!.
[o discurso de agradecimento comentei no sítio adequado].
Está o Rodrigo Moita de Deus preocupado com os dragões, e até se antevê machambeiro por causa do bafo (era um mal que lhe vinha por bem, afianço-lhe).
Um pouco a despropósito, lembra-me um texto sobre dragões que em tempos escrevi. Não será grande escama, algo hermético e confuso, além de longo: ainda por cima leva como sub-título "suma epistemológica". Mas aqui fica. Não como homenagem, mais como sensibilização na luta contra a dragonite. Que tais bichos ameaçam surgir por todo o lado...
[chamada de atenção para o WR, que habita por aquelas zonas...]
Comem os dragões cajú? (suma epistemológica)
Para a Antónia Lima, pisteira de dragões
Era Verão, eu estava em Portugal a acompanhar o parto da Carolina e, como é natural, tudo o resto desceu a bruma desinteressante e, até, um pouco bafienta. Num desses dias de rame-rame, ali ao café Polana onde estávamos aboletados, surpreendi-me com um colega do liceu, o Alcobia, do qual uns muito antigos rumores diziam morto de tão atropelado que fôra lá pelos lados do Vale do Silêncio.
Logo entrámos em narrações, eu a mentir com alguma parcimónia, num à vontade presumindo superioridade, e ele a dar-lhe pelo menos com tanta força, mas não seria só treta o ter andado pelos orientes, percebia-se pelos portos que contava. Então não é que ele tinha dado em embarcadiço?, nem percebi se em cargueiros ou paquetes, estivador ou gigolo, mas com aquelas papada e careca, já para não falar da lentidão no olhar, pareceu-me mais dado às mercadorias, mas nunca se sabe. Pouco miolo é certo, versando mais negócios (desperdiçados, dizia-me o seu jogo de olhos e ombros) e histórias de putedo. Largou-se num palrar de quem tem poucos a ouvi-lo, a denunciar o emigrado, e sem nenhuma curiosidade sobre as minhas coisas, notei-o. E sempre me desagradam os que mostram tão pouco interesse em mim como o quanto neles tenho, sinto-o um desmerecimento.
No meio do arrazoado dele pelo menos ainda consegui meter que também me tinha australizado, agora dava aulas e tudo. "Ah, na universidade, sim senhor, era de esperar, já naqueles tempos eras bom aluno", mentiu ele lembrar-se, pois tinha-me cruzado na balda, a passar-me a mão pelo pêlo não fosse eu pensar em cortar-lhe o pio contando-lhe a minha história, assim tornada tão desinteressante do previsível que afinal sempre fora.
E nem me deixou continuar nos meus méritos, logo a lembrar-se de um chinês que tinha conhecido em Macau, sábio de prestígio nas terras dele, mestre em dragões por Xangai, doutorado em histórias de dragões por Cantão, e com mais umas investigações sobre esses bichos, seus afazeres e arcaboiços achava ele, mas disso já não tinha certezas pois eram assuntos complicados. As últimas andanças em volta dos ditos répteis tinham arrastado o bom homem pelos mares da China até aportar a Macau, onde os acasos os tinham cruzado por coisas da que me pareceu ser uma amante comum, e a qual surgia ali na conversa a prometer outros relatos, de exóticos e eróticos gemeres. "Pois o homem é uma sumidade na matéria", frisava orgulhoso o Alcobia, então a pôr-me no meu lugar diante de tanta sapiência alheia, enquanto concluía invectivando-me a imaginar qual seria hoje o trabalho desse seu amigo, e eu a entreolhar-me, pois tanta coisa até me pareciam ares de polícia ou mesmo espião naquelas sempre agitadas terras chinesas, "pois dou aulas, claro. Se não existem dragões...!" citava-o, e com ênfase, o Alcobia.
Bem, como não conseguia fazer o meu relato aproveitei a breve pausa na qual armava ele o fôlego e fui-me despedindo trocando abraços e telefones enquanto lhe mentia um almoço, coisas de hábito na capital, fugindo aos capítulos seguintes da história sexual de um alcobia nas terras do oriente, os quais despontavam já no horizonte. Assim saí, algo perturbado na saudade dos tempos do liceu e também na nostalgia de um oriente ao qual nunca cheguei, e já se faz tão tarde. E também um bocado fodido, confesso, com aquela história de dragões a qual não tinha percebido, tamanha a placidez do gajo, se teria ali arribado para que me desse ele uma porrada, o sacana do marinheiro, ou se era mesmo só verborreia.
Para espantar a má disposição com que dali ia pus-me a descer a Estados Unidos da América, enquanto remoía as dúvidas acicatadas. Mas nestas alturas o que vale é ter a memória domesticada, lesta no saber escolher para aplacar as crises. E assim do tão irritado que estava, cheguei-me aos âmagos e, ali peão, do que me fui eu lembrar? das velhas arengas do gringo, sempre a jurar a existência dos dragões. Pois tinha-os ele encontrado e a tantos que desde então passara a ganhar a vida ensinando como o fazer, rodeado pelo respeito, até invejoso, dos colegas menos afortunados. E quando nós, alunos, alçávamos dúvidas, naturais em quem ainda não andou o mundo, lá ripostava o homem, enfático, que sossegássemos pois os bichos eram amáveis, davam-se a ver, cheirar, ouvir e até, e aqui chegado sorria-nos matreiro à conquista de cumplicidades, apalpar. Mas depois, e não fosse perder o prestígio, regressava, magistral, às enormes dificuldades que nos aguardavam. Que fossemos talentosos e sérios e eles viriam até nós, viçosos a mais as suas proles, mas caso contrário logo os dragões, sensíveis e mágicos, voariam no vácuo, esfumados num sopro.
Nestas lembranças amornei o suficiente para que se sossegasse o andar. Deixei-me então numa esplanada a acompanhar umas cervejas, ali muletas das certezas retomadas. E voltei ainda a esses tempos, todos nós em coro mudo a repetir de que tudo era moral, o mais importante era o "não mexer, não mudar, nunca comprar". Pois de tudo isso era feito o respeito, sem o qual desapareceriam os dragões, ariscos, e então adeus trabalho. Importante era jamais esquecer o não se poderem eles comprar, nem tão pouco suas pistas ou informações, pois senão estragada a magia e conspurcado o real logo este, amuado, se irrealizaria, a sarar.
Assim acalmei, mas já que ali estava e para não ficar sozinho a matutar, subi as Forças Armadas até à velha escola, ainda a toca de alguns amigos, uma gente que ainda me vai dando alguma atenção. Quem sabe se por andarem já fartos uns dos outros, e quando lhes apareço talvez lhes quebre o monótono do todos os dias, mesmo se a repetir o número do ano anterior, tal e qual, como se fosse um daqueles velhos circos no regresso de Agosto ao Concha Azul de São Martinho do Porto, em reprises da triste miséria e os veraneantes a rirem na mesma. Pudera, coitados, com o frio que fazia...
Logo que os encontrei pus-me a desabafar a história do Alcobia, talvez eles conhecessem o tal china, duns artigos ou congressos, os júris das fundações, quem sabe? nos últimos anos andou tanta gente por Macau... Mas nada, aliás essas nem são áreas lá da casa, ainda se fossem dragões de Goa. Mas ateou-se a discussão, existiriam ou não os répteis? Afinal por aqui o assunto continua actual, pois vão-se passando os anos e por mais que os procuremos não se acham esses cabrões. E assim anda mal o negócio, incertos os preços das buscas, tabelados por atenções e respeitos, tricotadas estes na amizade, pura e impura como sempre ela é, e sobretudo de medos, desses do "à volta cá te espero" que enchem a vida, essa puta a rir-se pelas esquinas.
Mas se ali tinha ido reforçar alento estava-me a correr mal a visita, já todos a desistir, apesar de tantos anos de estudos e pensares, ou se calhar por isso mesmo. Não resisti, meti-me em brios a opor-me, tal como se no reconvencê-los me convencesse a mim mesmo, e agora em definitivo. Invoquei então o nosso gringo com isso levantando sorrisos, mas estes já de velhos, reparei, semicerrados do tempo que passou e que fere mais do que toda a luz. Mas esse sossego foi-o de pouca dura, logo voltou a idade, céptica, nas objecções, que tudo aquilo era ingenuidade, tantos anos passados e ainda a acreditar que é mágico o real? E que histórias, então bastava um toque de respeitinho e era logo a passear-nos pelas tocas dos bichos, ainda para mais sem lhes dar nada em troca? E nesta borrasca já lá vinham, ameaçadoras, as habituais palmadas no ombro do "já são anos demais por lá, está na altura de regressares", esse célebre "perdido no mundo" a explicar estes meus devaneios.
Assim cutucado não me fiquei, aquilo já não era conversa, passara a despique. Insisti que havia resposta para tudo isso, e era essa a moral, uma moral mágica tal e qual o real, pois com ela se achariam os dragões, exactamente por esse respeito, o do dar mas sem nunca comprar. E nesta discussão ter-me-ei exaltado, agredi até, como confundir o dar com o comprar?, isso são coisas de quem tem pouco andar, ensimesmados nas próprias tocas sem ver o mundo. Distinção tão fácil, o comprar é dar em troca, o dar é partir o que se tem, o que nos sai da pele, e com isso lá virão os bichos até nós. E já afinado desafiei, "vamos lá ao gringo, para tirar as teimas", num tardio regresso a jovem aluno.
Aí foi o riso geral, e não tanto por causa da minha irritação. Pois às minhas historietas ainda ouviam, agora ao gajo nem pensar, e ali chispava a ironia. "Desilude-te", e contaram, ainda por cima o homem anda por aí à caça, mas insinua-se, deixa oferendas nas tocas a crer que assim os bichos lhe vão aparecer, e além de se gabar disso ainda quer ser pago por essas prendas, a resmungar que não ganha o suficiente, "Esqueceu-se desse respeito", gozava alguém, "se é que alguma vez se lembrou", logo veio a recarga, e em toda aquela ironia já se sentiam laivos de piedade, nem percebi se dele ou de mim ou de nós todos.
Custou-me a acreditar, ainda titubeei "mas...se quer que lhe paguem as ofertas está mesmo a comprar, lá se vai o real", e ninguém o avisa? seria aquilo possível, não se lhe iria volatizar tudo, no vácuo? Ou seria um desespero já senil, e nós cruéis ali a gozá-lo? Como eu parecia não desistir alguém somou, "olha, agora dá-lhes cajú... convenceu-se que como os dragões são pobres nunca comeram cajú e que quando o provarem vão gostar tanto que se tornarão seus amigos", ao que me brotou o espanto "onde é que já se viu dragões a comer cajú?". Súbito ficou gélido o ambiente e, para não dar parte de fraco, pus-me a morder o Rothmans a querer entrar, já atrasado, no jogo da ironia "e quem é que lhes paga as cervejas? é que com o cajú são obrigatórias, e bem geladas", mas aqui já nem tive resposta, tudo mudo de angústia ou vergonha, agora defronte dum real que afinal não havia.
Não resisti ao silêncio, retirei-me para casa até à Carolina, que até já estava no meu turno, e fiquei-me de guarda ao bichinho a remoer um whisky, aquecendo-o no tempo. Estúpido distraí a memória, e deixei-me lembrar uma carolina preta, a filha duns tipos encontrados há anos, andava eu aos dragões. Entrei-lhes pela cabana dentro, de entrevista em punho e lá estava essa carolina preta, meia dúzia de meses pequena e já só o branco dos olhos do revirados que eles estavam, no colo da mãe, e esta defronte de mim sentada na esteira atrás do marido, e a diarreia não largava o bebé, e eu impávido a perguntar-lhes da machamba, e do algodão, e da frelimo, e da renamo, e do bafo do dragão, e o homem de braços cruzados a semirresponder, e eu era vampiro, e não dei dinheiro senão tudo virava irreal, e lá perdia o trabalho. Como a conversa não andava, pudera, avisei que voltaria no dia seguinte, e lá estavam eles à minha espera, eu de novo de entrevista em punho e a carolina preta, com o branco nos olhos do revirados que eles estavam, no colo da mãe, e esta defronte de mim sentada na esteira atrás do marido, e a diarreia não largava o bebé, e eu impávido a perguntar-lhes da machamba, e do algodão, e da frelimo, e da renamo, e do bafo do dragão, e o homem de braços cruzados a semirresponder, e eu era vampiro, e o bebé era óbvio que a morrer-se, e a mãe a agarrar-se a ela não fosse eu querer levar-lha ainda antes da hora, e eu para que tudo não virasse irreal não dei dinheiro, não os levei lá longe à Província ao hospital, e a carolina preta só inerte, os olhos revirados, e os pais apenas ali, e a cria do dragão a não medrar, e eu sem cajú, sem lhes comprar cajú, sem lhes dar cajú...
Comem os dragões cajú? Mas quem é que não gosta de cajú?
Cabrão do gringo..!
Que porra de dia!
Todos o sabem, durante meses falou-se até à exaustão das eleições americanas. No bloguismo português foi uma correria, até eu me posicionei. Tenho, e tê-la-ei dito, a minha opinião. É óbvia a importância dos EUA para o contexto internacional mas, acima de tudo, ela não é nenhuma novidade, nem em grau nem em intensidade. Daí que o extraordinário fenómeno do "tomar partido" nas eleições americanas que ocorreu, "bisturizando" a tradição ideológico-política europeia, muito significa um grande empobrecimento ideológico.
Foi um tralalá, com gente a pensar por analogia, como se houvesse (ou fosse possível) a universalização (a "globalização"?) da dicotomia "democratas"/"republicanos". E um tralalá cheio de argumentação sobre meros epifenómenos recorrentes, aka Iraque, um episódio que na prática apenas significa "nada de novo na frente global".
Porque me lembro disto, hoje sexta-feira pré-Natal?
Porque muitos poucos exalto-bloguistas li discutir a política ambiental de Bush, essa sim estruturante, essa sim fundamental, essa sim urgente. Essa sim que tem a ver com o dia-a-dia das "famílias" e das "sociedades". Por aqui escrevi que sempre me espanta um conservador que não está atento à preservação ecológica - é uma contradição de termos, intelectuais e morais.
Recordo que há anos Bush recusou uma política ecológica, urgentissima, sistematizada no protocolo de Kyoto, entendendo-a contrária ao "american way of life" - aliança óbvia aos grandes interesses industriais de curto-prazo (e de certa forma uma posição estatal contrária ao primado da concorrência criativa, em meu modesto entendimento) mas, mais do que tudo, uma explícita subordinação do "world way of life", uma condensação de uma visão do mundo.
Há muito pouco foi noticiada a re-recusa do protocolo, afirmando-se-lhe falta de fundamentação científica. Significando a continuação de uma política ambiental absurda, e que a lusosfera continua a ignorar, na sua maioria. Política ambiental essa que, inclusive, foi apoiada em alguns blogs lusos (não retive nomes, nestas leituras rápidas).
Hoje leio a entrevista do Ministro do Ambiente português, Luís Nobre Guedes, decerto insuspeito de manipulações anti-americanas. Nobre Guedes refere isto:
"...défice em termos de alterações climáticas - uma política que pudesse fazer frente a este problema que é o problema número um do sec. XXI -, défice em termos de estruturação da água e dos resíduos". Ou seja, anunciando que para ele Bassorá e as mesquitas dos arrabaldes de Argel não são o ponto focal da existência humana.
Bem, seria de esperar que agora, esmagada a Toupeira estalinista John Kerry e os seus acólitos Chamberlains, se começasse a pensar de modo algo diferente. Talvez o sossego permita re-olhar o mundo menos dicotomicamente. A preto e branco. Têm a palavra os mais bushistas? Ou todos?
Atrás referi e coloquei a Sé de Maputo e a sua antecessora, esta em fraca fotografia.
Agora o Rui M. P. do Companhia de Moçambique, que continua a reproduzir as imagens dos maravilhosos livros de Santos Rufino, enviou-me uma outra fotografia (incluída no vol. III de Santos Rufino, 1929), da velha igreja paroquial de Lourenço Marques. Mais do que lhe agradeço.
Ei-la:

Chegou-me ontem às mãos a nova Proler, o nº 12.

Incluindo um texto de Armando Jorge Lopes, bem actual, "Língua, Língua: homogeneizar, heterogeneizar?", um artigo de Russel Hamilton sobre José Craveirinha, a continuação do dossier que Artur Minzo veio apresentando sobre a relação da literatura oral e da escrita. E uma muito bela entrevista a Mia Couto, na qual ele fala de literatura ("Os meus adversários moram todos dentro de mim"), de pluri-identidades ("a literatura tem a grande capacidade de viajar pelas identidades que existem dentro de nós, cada um de nós é uma mistura") e da (sua) cidadania, a qual exerce, muito e de modo corajoso, diga-se ("...ficar calado não me apetece").
A Proler, cume da imprensa cultural em Moçambique, anuncia o seu encerramento, após 13 edições (12+especial Craveirinha). Compreendo o seu final, mas lamento-o, empobrecerá a sério a reduzida divulgação cultural aqui. A revista do Francisco Noa tem alguns anos e uma particularidade: foi melhorando, conteúdo e grafismo, ao longo do tempo. E isso é de referir. Fácil é ter umas ideias e alguns fundos e avançar. Para depois ir minguando, à falta de energia. Difícil foi construir este projecto, passo a passo, dificuldade a dificuldade (e tantas foram). E, egoísta, lamento-o pessoalmente, em 40 anos a Proler foi o único sítio que me pediu para publicar textos meus. E, imagine-se, pagou-mos.
Um abraço Chico.
O Apenas Mais Um, a demonstrar se tal fosse necessário a legitimidade do seu "Gandula Engenheiro Objectivo", debruçando-se sobre a fiabilidade dos contadores de visitas. De uma atenção implacável este meu blogoamigo.
O Rui Baptista no Amor e Ócio a sofrer em Inhambane, uma delícia. Já lá o comentei, foram males de quem em Inhambane não segue os conselhos do Chico Guita (aka literário Guita Jr.).
O mês passado uma insónia mais persistente impeliu-me a quatro textos sobre blogar. Diga-se que a tal insónia foi da responsabilidade do Luís Ene, a escrever sobre elites.
Hoje ao ler o Asilo do Obstinado sobre o encerramento de comentários no blog Barnabé incorro no pecado da auto-citação, vaidoso desvio é certo:
[espero, sinceramente, que o bloguista que a isto mandou porrada assim como quem não quer a coisa, assobiando para o lado, atire agora uma pedra para as suas próprias telhas]
E lembro que quando comecei a blogar os bloguistas de esquerda diziam que a diferença entre blogar à direita ou à esquerda se encontrava em incluir ou não sistema de comentários. Ao que os bloguistas de direita sorriam silenciosos, assim anuindo.
Espero, sinceramente, que todos tenham acabado as respectivas colecções de cromos. Pois nada é tão inútil como uma caderneta inacabada.
Respondeu, amável, João Miranda ao que aqui deixei, meio atabalhoado. Tem razão o comentário do MiguelS, ele próprio muito mais dotado e tarimbado para falar da economia daqui, já deixei texto excessivamente longo. Mas ainda assim regresso ao tema, maçando, pois certas palavras são como as castanhas do caju. E regresso face ao texto de JM pois parece-me que não terei sido explícito, ainda que longo.
1. Eu não afirmo que o investimento na educação seja universalmente precedente, e causa do crescimento económico. Foi afirmado uma relação causal empírica, procurei (e demorei) afirmar que quanto muito serão, neste caso, concomitantes. (JM sublinha 10 anos de crescimento económico, eu claro que concordo, mas vou dizendo que são 30 anos - incluindo os da guerra - de acelerado crescimento educacional: e isto num país ainda muito pobre e ainda com baixa escolaridade).
2. Sublinho que a essas precedências causais torço o nariz. Um pouco similar é o postulado mainstream actual, o qual afirma a democracia como causa do desenvolvimento. Também aqui acho muito forçado a universalização. Afirmo-o aqui para reforçar a minha reacção ao texto de JM. Não lhe quero inverter causalidades, discordo do exemplo empírico escolhido e, mais do que tudo, da abordagem.
3. Enquanto meio para o crescimento económico (e eu fujo a encher o Ma-Schamba com a questão da relação nada linear crescimento-desenvolvimento, aqui não é o meu local de trabalho) posso interrogar-me se uma sociedade sem recursos endógenos ou exógenos pode investir na educação. Aí JM terá razão. Mas também poderemos questionar se uma sociedade sem recursos humanos formados pode produzir e integrar/reproduzir a riqueza produzida? Não falo de "pescadinhas de rabo na boca", soluções eunucas. Falo de que me choca a linearidade causal.
4. Há uma dimensão implícita no texto de JM, e também no meu exemplo paralelo. É a educação um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si? Ou, para retomar a dicotomia a que eu apelei, é a democracia um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si?
5. No que toca à formulação de JM a subordinação causal não surge como mera descrição. É também uma postura intelectual. Não quero violentar o pensamento alheio, mas parece-me óbvio que o que afirma é um privilegiar do investimento social no crescimento económico em detrimento de uma política sublinhando a educação. Mais, quando diz que "os países que investem" eu não resisto a lê-lo como afirmando (e estou a interpretar o bloguista que já vou conhecendo) "os Estados que investem".
Esta é uma posição política crítica perfeitamente legítima. Aquilo que me choca é assentar (pelo menos bloguisticamente) em generalizações apressadas que, e desculpo-me do imperativo, a ilegitimam. Torno a chamar a atenção para o comentário do Luís Aguiar-Conraria sobre os pressupostos da utilização da comparação.
6. Vai longo e não quero maçar mais. Apenas isto. Porquê tanta linha sobre blog outro? Acho piada ao Blasfémias, uma azáfama. Mas mais do que isso, é muito interessante ver um blog liberal cheio de sucesso e leitores. Eu não me revejo no liberalismo económico, talvez costela aqui ou ali, mas espinal medula social-democrata. Mas em Portugal não há tradição de pensamento e disseminação de informação sobre o liberalismo: herança católica, fascismo e coorporativismo, sua oposição muito marxizante, uma democracia estadocentrada (por herança do brevissimo período revolucionário mas acima de tudo porque sistema de reprodução política).
Daí que um blog liberal, cheio de gente de boa e rápida tecla é interessantissimo e mais do que tudo, bem-vindo. Talvez por isso me irrite tanto com a pressa linear que vou aqui e ali descobrindo - ainda que não esteja a exigir uma revista filial de universidades inglesas, claro está.
7. Referir o interesse do Blasfémias não é afirmar-lhe nenhuma responsabilidade social. Credo! Tudo menos isso. Já disse, e repito, cada blog como cada qual (ou quais). Do bloguismo, e repito-me de novo, velho, acho que o mais interessante é o fenómeno de auto-edição (poesia, prosa, desenho, foto) e colectânea. Mas esta disseminação da expressão escrita política é também fundamental, ainda para mais cruzando gente a pensar diferente, o que talvez impelisse a um menor linearismo (palavra aqui posta para fugir ao panfletarismo, que é assim um bocadinho agressivo). E neste sentido aqui chamo a atenção para um texto ao qual cheguei via Ideias-Soltas, colocado no Albardeiro, blog que desconhecia.
Cito-lhe excerto: "Pelo contrário, a blogosfera permite o alargamento exponencial daquilo que Pierre Bourdieu define como “competência social” para ter opinião política, retirando-a do domínio exclusivista da tecnicidade burocrático-profissional. E se, em muitos casos, essa dimensão interventiva dos blogs ainda não se verifica, como diz o ditado “o caminho faz-se caminhando”.
E acho que caminharemos melhor se juntarmos a ligeireza e a brevidade do post com um bocadinho menos de pressa. Falo da educação em Moçambique? Também, mas muito das irritações deste Ma-Schamblog, como disse o Mar Salgado.
A seguir a esta verborreia vou passar uns dias a meter fotos, claro está.
A (re)lembrar que para acompanhar as eleições em Moçambique este é um sítio bastante recomendável, o Boletim da AWEPA, coordenado por Joe Hanlon, secundado por Adriano Nuvunga.
Concluindo o texto ontem encetado, relativo à utilização que João Miranda fez do caso moçambicano para afirmar dissociação entre educação e enriquecimento nacional.
JM baseia o seu raciocínio numa consideração. Moçambique tem uma baixa taxa de escolaridade. Portanto pressupõe uma não aposta na educação. Relaciona isto com o facto de que Moçambique ter um elevado crescimento económico (10%). E assume o corolário lógico, que logo generaliza ("globaliza"?), a educação não é anterior ao crescimento económico.
Não vou aqui discutir essa tese. Mas o caso empírico que serve, indutivamente, para provar a afirmação de JM.
1. Moçambique tem uma baixa taxa de escolaridade, mas isso não implica uma não-aposta. Recorro, sumariamente, à história. À época da independência a população escolarizada era mínima. Sei que dizer isso para leitores portugueses é estar a chamar o coro dos "eu tinha colegas negros no liceu". Honestamente não vale a pena discutir com esses, ainda hoje vêm o mundo do tamanho do seu quintal de então (onde, dizem, tratavam bem os empregados) e da sua sala de aula. E 30 ou 40 anos depois ainda não cresceram.
Com os que vale a pena argumentar poder-se-á resumir: o ensino (tal como a sociedade) era muito racializado; a população negra que ascendia ao ensino secundário era da camada "assimilada" (pouco mais de 1% da população) e mesmo nesta nem todos o conseguiam. Esta chegada ao ensino secundário foi tardia, na sua maioria nos anos 60. As causas desta barreira racial não são estranhas: a criação de uma camada negra formada era vista como inútil (racismo explícito), perigosa (criação de mentes independentistas ou rebeldes), contraproducente (criação de uma concorrência no mercado de trabalho face aos portugueses - aliás houve uma política de branquização dos serviços no LM de finais de XIX, em prejuízo de uma pequenissima camada "crioula" então existente) e desnecessária (não esquecer que a própria população portuguesa era muito pouco escolarizada: "o vinho é que induca").
O ensino avançado restringia-se a essa pequena parcela de filhos de "assimilados", do qual uma ínfima parte ascendeu à universidade. Havia ainda um ensino proporcionado em especial pela Igreja Católica, que tendo dimensão quantitativa (muito propalado no mito colonial, e ainda hoje) se restringia, na sua maioria, a uma espécie de 3ª classe muito rudimentar. Refiro ainda outras missões cristãs, de difícil relacionamento com o Estado de então, e com políticas mais extensivas de ensino.
Na independência escasseiam os quadros. Retiram-se (por vontade própria e muito por indução) os portugueses.
Daí em diante houve um esforço na criação de um sistema educativo. Até com uma crença, que hoje parecerá estranha, nas capacidades endógenas, cria-se no final do subdesenvolvimento em vinte anos. Um típico voluntarismo revolucionário.
Depois a guerra civil. Múltiplas causas. E um dos efeitos será o da destruição do sistema educativo entretanto criado. Pela guerra, pela deslocação de populações. Mas também pelo facto de que o professor rural, tal como o enfermeiro, era o símbolo do Estado, o funcionário do Estado no mundo rural. Donde o primeiro alvo.
Após a paz de 1992 retoma-se a construção de um sistema de educação generalizado. Julgo que cerca de 1997 a cobertura estava já ao nível de 1983, quando os efeitos da guerra começaram a implicar a sua retracção. Tem continuado a crescer, ainda que com enormes lacunas. Na segunda metade de 90 criaram-se 7 Institutos do Magistério Primário, procurando aumentar número e qualificações dos professores. Alarga-se a formação de professores do ensino secundário ao centro e norte. Etc, etc.
Também o ensino superior foi crescendo em número, sendo descentralizado. Crescem as universidades privadas, que contam com apoios indirectos do Estado. Em suma, há uma verdadeira aposta na educação. Digo-o consciente do gigantesco deficit que o sistema de educação moçambicano tem. Mas esse deficit não pode ser considerado uma não-aposta. Deve é ser considerada uma aposta realizada a partir de condições muito frágeis, muito incipientes. E num país com muito poucos recursos, e muito dependente nesta matéria da ajuda externa. E nessa condição ser uma política passível de críticas. Mas isso são contas de outro rosário, não aqui, não meu.
Ou seja, a base do raciocínio de JM, a não aposta na educação porque há baixa taxa de escolaridade é totalmente falsa.
E atenção, seguindo-lhe a metodologia de raciocínio. Se um exemplo de JM serve para provar a sua tese, será que afirmar-lhe a inexactidão empírica é suficiente para a infirmar?
2. A economia cresce 10%, é fantástico. Mas as estatísticas são muito falíveis, os sistemas de recolha de informação são muito frágeis, como em grande parte da África subsahariana. É voz corrente, ainda, que as estatísticas moçambicanas foram durante anos a fio subavaliadas, no sentido de garantirem posições privilegiadas na recepção de ajuda internacional. Mais, aquilo que é economia "formal" e "informal" e suas interrelações é muito fluído, no ano-a-ano. Portanto é possível relativizar o tal crescimento. [E isto não nos poderá surpreender, sabendo o local estratégico que o INE português constitui].
Mas mais importante, este crescimento económico assenta em alguns, e muito poucos projectos. A instalação de uma fábrica de alumínio em Maputo, a Mozal, implicou um crescimento macroecómico na ordem daquilo que JM fala, e o seu desenvolvimento continua a influenciar os agregados macroeconómicos. O reestabelecimento da produção de Cahora-Bassa (aliás associado ao funcionalmento da Mozal) inflaccionou estes números. Há, aceite-se, uma lenta melhoria económica do país (notícia de agora, a produção de açúcar a níveis do tempo colonial). Mas os números não são assim tão mágicos, reflectem o impacto de poucas unidades de capital estrangeiro (e exportável, atenção) numa economia praticamente desindustrializada. Não estou a criticar o modelo, estou a constatar.
Ou seja, falar de um grande crescimento económico deverá acompanhar duas questões. Sobre a natureza dos números, o seu efectivo fundamento. E, acima de tudo, sobre o seu impacto social. Quando falo de "social" não estou a falar de redistribuição, pobrezinhos e etc. Estou a falar do seu impacto na sociedade, e nas suas modalidades de reprodução.
Ou seja, o segundo termo da equação de JM é muito discutível [eu não sou economista, não posso mergulhar nesta contra-argumentação com tanto arreganho como no ponto anterior]. Se um exemplo de JM serve para provar a sua tese, então afirmar-lhe um exemplo discutível servirá para lhe provar o contrário?
3. A articulação entre educação e crescimento tem aqui um exemplo interessante. Já aqui falei da Mozal, fábrica de alumínio de aparência sul-africana, bandeira australiana, capital da Mitsubishi, mas verdadeira sede alemã. O seu impacto na economia (os tais números) do país foi gigantesco. É uma unidade fabril moderna, ao que parece de ponta - um colega meu, o excelente Paulo Granjo do ICS está a trabalhar sobre ela, e muito mais poderia dizer do que eu. Mas aqui o que será interessante é notar que para uma fábrica de ponta, com processos tecnológicos e organizativos radicalmente novos no país (e salários elevados para este mercado) foram recrutados operários com ensino secundário e licenciaturas - eu próprio tive um aluno de ciências jurídicas que lá é operário. Porque essa escolarização era preferencial para a selecção de futuros operários a trabalharem com metodologias inovadoras no país.
4. Entenda-se, esta minha argumentação, que espero não parecer panegírica, porque não tem essa intenção, não invalida a tese de JM. Nem a discute. Nos comentários ao meu texto o Luís Aguiar-Conraria tece considerações sobre cuidados prévios à utilização do método comparativo. Concordo no global.
É que acima de tudo interessa-me aqui ver como se afirmam verdades gerais assentes em extrapolações sobre casos individuais nada compreendidos. Isto não é um erro inibitório. Se assim fosse não poderíamos falar de algo sobre o qual não fossemos bastante conhecedores (para evitar o extremismo "especialista"). Mas o vigor deste tipo, constante, de extrapolações é uma falência do raciocínio, em última análise matriz dos dogmatismos que o Lutz ali adivinha. No fundo os mesmos processos dos velhos marxistas ortodoxos. Nem mais.
O interesse do real é ser tão complexo. Não cabe num post. Em especial quando o queremos assertivo.
(isto está um bocado mal mastigado, mas hoje terá que ficar assim, que é de madrugada já)
Nunca o Ma-Schamba teve tantos visitantes como neste dia de aniversário, decerto porque muitos foram os turbo-leitores (a quem abaixo agradeço, reconhecido). Na expectativa que alguns ainda regressem aqui deixo algo que há muito está pendurado.
Tive ao longo de uns poucos anos alguma coisa a ver com a Ilha de Moçambique, coisa de trabalho diga-se. Muito me apraz uma capelinha que por lá subsiste, e que se lixe a modéstia. Mas, no correr do tempo, muito ouvi dos meus patrícios sobre o quanto e o como fazer na Ilha, entre mais ou menos pomposas deslocações e camarões. Um dia, numa conferência da UNESCO sobre a reabilitação da Ilha de Moçambique, aqui decorrida, até ouvi um qualquer desavergonhado patrício bem pago anunciar o donativo de um milhão e meio de contos pelo Ministério do Ambiente. Disse-o sem pestanejar, o escroque...Mas enfim, isso foi passado.

Tenho em casa esta revista institucional, datada de Dezembro de 2003. Nela Pedro Santana Lopes, então presidente da Comissão Executiva da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) anunciou:
"A recuperação da Fortaleza de São Sebastião é uma obra que muito nos orgulhamos. Lembro que quem primeiro me alertou foi o anterior Cardeal Patriarca de Lisboa, era eu Secretário de Estado da Cultura (1990-1994). O senhor D. António Ribeiro estava de regresso de uma visita à Ilha e ficara impressionado com o estado de degradação da Fortaleza, a primeira erguida pelos portugueses no Índico. Falou-me de como era importante a sua recuperação, até por se tratar de um dos maiores atractivos turísticos da Ilha. Entretanto a Fortaleza foi declarada pela UNESCO como Património Histórico da Humanidade. E, neste momento, estamos em vias de firmar um acordo com a UNESCO para a recuperação da Fortaleza. A UCCLA participa com 600 mil dólares e a cooperação japonesa com um milhão de dólares".
Estou satisfeito. E orgulhoso. Quando começam as obras?
a quem os afixou em sua casa:
Ao Diário Ateísta, em especial à Mariana Pereira da Costa por este delicioso trocadilho "Ma-Schambéns"; à Loucura e Nata [ainda bem que a minha Inês não lê blogs], à Praça da República em Beja [em pleno pelourinho, neste caso], à Vadiar, ao exagerado Povo de Bahai, ao Random Precision, aos militantes do Tugir, ao gastrónomo Contrasenso, à Welcome to Elsinore, ao Forum Comunitário, ao Adufe, ao Blasfémias, ao Klepsýdra, ao Bloguítica (com quem já caturrei), ao Em Português, ao Absurdo Ponto, à Montanha Mágica (eu sempre preferi hoteis nas três casas verde-escuro), à Chora-Que-Logo-Bebes, ao Espumadamente, ao Apenas Mais Um, ao Jaquinzinhos, ao Ideias Soltas, à Eclético, ao Daedalus, ao Portugalidades, ao Avatares do Desejo, à Vemos, Ouvimos e Lemos, ao Amor e Ócio, ao Empatia, ao Cibertúlia, ao Acidental, ao Bazonga da Kilumba (fizemos desconto de tempo no nosso "contraditório"), ao Contra-a-Corrente, ao Aviz, ao Portugalidades, ao Babugem, ao Rua da Judiaria, ao Mar Salgado (pouco escorbuto, bons ventos e nada de cabotagem, é o desejo deste Ma-Schamblog), ao Letras com Garfos, ao Miniscente, Touch of Evil...(hei-de actualizar).
E também Obrigado a quem aqui os deixou (e alguns, em cúmulo de companheirismo, até a acumularem o abraço) ou fez chegar.
E um obrigado especial (ainda que impessoal) ao Posto de Escuta Tecnhorati.
Tenho alguns amigos que adoram simuladores de voo. Confesso que sempre me custou a imaginar gente interessada, culta, até ácida, escondida em casa deliciando-se com descolagens, tráfego aéreo e quejandos. E espanta-me quando se assumem, entrecortando conversas impondo-nos as excelências e dificuldades respectivas de tal ou tal aeroporto.
Deles ciumento vinguei-me, brinco agora neste Simulador de Vida.
Marca Weblog, modelo Ma-Schamba.
e enquanto alerto para que abaixo dois Blogo-Titãs se cruzaram nos comentários, assim honrando a modesta horta, gostaria de recomendar este texto sobre o tremor de terra em Portugal de hoje. Muito educativo.