Só para informar os adeptos que o Velho acordou. E está a falar há três dias.

Bill Bolton (ilustrações), Christine Tagg (texto), A Libelinha Corajosa, Ambar
Qual será o nome exacto para estes livros, cujo abrir nos vai dando diferentes relevos? Que seja livro-harmónio. Este o da Libelinha Aviadora ajudando aranhas, escaravelhos, lagartas e etcs, uma pequena delícia.
Para os que aqui visitam e ainda não têm o hábito de cuscar na vizinha Passada ela deixou a sua visão do ambiente em Maputo a dias das eleições.

(Rui Assubuji)
Sim, já aqui deixei esta Velha que o Kiko captou algures, e que nos é oferecida no Imagem Passa Palavra.
Mas trago-a outra vez, por ela que tanto o justifica, mas também pelo texto que a acompanha, "A Velha a Rir". A autora, Hélia Correia, é escritora, não lhe exijo requebros e cuidados de ensaísta, de gente das academias, a esculpirem conceitos antes das botaduras (e quantas vezes assim a tudo esfarelarem). Escritora, Hélia Correia, é aqui apenas um espelho, do ainda seu tempo, da ainda sua gente. Diz ela, desta Velha que o Kiko apanhou:
"Esta velha pertence a um grupo humano que nunca se afastou demais do chão. Nem sei se haverá nela cristianismo, mas a sua aliança espiritual faz-se decerto com natureza e os antepassados que ela integra. Não é inteiramente um indivíduo, porque pertence ao corpo da aldeia, respira, sofre e alegra-se em uníssono. Alguma coisa envolve as casas e as famílias, um calor de matilha, a concordância genética do sangue. E tudo se alicerça na memória e na grande energia da linguagem com mais longevidade e arquitectura do que as nossas cidades tecnológicas" (Imagem Passa Palavra, p. 118).
Confesso que já nem me intriga a persistência desta ideia do africano em comunhão com a natureza, uma comunhão que é também com os seus, pois eles próprios tão naturais. Tamanha que esse "indivíduo" ainda não brotou em gente magma. Nem tampouco despontou esse deus, cristão claro, deus superior porque apartado do meio envolvente, natureza e antepassados; e que destes aparta, que se crê num deus produtor de indivíduos, que a sua graça é também a razão, uma estranha teologia tantas vezes inconsciente, mas enfim...
Esta constante crença no homem natural em África, deficitário pois claro, surge por vezes negativa, apenas racista ou somente sofredora com a, ainda assim, magestosa selva a la Conrad - e isso que tanto se nota por cá, com tanta gente chamando "mato" aquilo que foi desmatado (e cultivado) pela população.
Mas, e como neste caso, surge também como se positiva, num fado do bom selvagem. Como o encontram não sei - ao ler isto saltou-me, do fundo da memória, uma Hélia Correia aqui vinda em 1997 por mão do Travessias/Identidades, em absoluto êxtase naturalista com esta "África tão pura" que encontrava nos meandros dos prédios de Maputo.
Já disse, não me intriga a persistência destes preconceitos. Nem me choca o evolucionismo ignaro neste tipo de textos tão bem-intencionados, até querendo-se poéticos. Nem o racismo explícito (não, não é implícito!) ainda que tão apreciador e até solidário. Pois textos destes são espelho violento de quem, afinal, não percebe nada do seu próprio meio e do seu próprio eu, e como tal se desnuda no imaginar de tantos deficits alheios.
semana daquelas de rebentar, um gin na esplanada, a Inês e a Carolina vieram ter, ainda bem pois não estou nos meus melhores. Hão-de chegar os amigos habituais deste bocado, hoje com casal deles amigo e de nós desconhecido. Nossos patrícios aqui de férias dizem-nos, como se fosse necessário, em revisita após alguns anos de ausência, até largos mas não tantos assim. Apresentações de primeiro nome só, essa (boa) retórica de aproximação.
Enquanto se juntam mais mesas e a Carolina exige o seu bolo, mimada tal e qual seu pai no que ao gin tónico diz respeito, a recém-chegada sai-se, num soslaio, com "eu conheço a cara desta menina" e nós surpresos, sem entender o que estava para ali a dizer a agora senhora, e ela a comprovar "na net?". Ah, uma visitante do blog, surpreendo-me ("ele afinal há-os"). Mas nada, afinal mais do que isso, súbito estamos ali Fazendo Caminho.
Inopinado encontro de bloguistas em plena esplanada, e nem estava a habitual Passada, sempre mais matutina. Estás a ver LuísEne?, não é preciso mostrar a cara própria.
mas também para os seus vizinhos pós-iluministas. Esta é roubada daquela miúda da chuinga:
Foi um homem do seu tempo, seria sem importância, anacrónico e até disparatado questionar aqui a tal de "raça". Pois o que vale é mesmo tudo o resto.
Chega-me só agora às mãos, e depois de muitas perguntas e tentativas, e em (in)suficiente fotocópia, um aqui muito sussurrado trabalho:
Arquitectura Moderna em Moçambique.
Inquérito à Produção Arquitectónica em Moçambique nos Últimos Vinte e Cinco Anos do Império Colonial Português. 1949-1974
O autor é António Manuel da Silva e Sousa de Albuquerque, que o realizou como Prova Final de Licenciatura em Arquitectura na Faculdade de Ciências e Tecnologia, na Universidade de Coimbra em 1998, sob orientação do Prof. Arquitecto Alexandre Alves Costa.
Penso que ao trabalho lhe terá faltado a abordagem às obras públicas de então, por dificuldades de acesso ao arquivo. Mas o interesse da obra, para profissionais e não só, é relevante.

Por razões óbvias (e as imagens que aqui deixo sublinham-nas) muito se deseja a sua passagem de quase invisível fotocópia para a edição em livro. Até pelo ineditismo do trabalho, pois ninguém o seguiu. E como base para a sua extensão, tanto para o período colonial, como para uma recolha analítica do que tem vindo a ser feito nos últimos trinta anos.

Mas essa vontade de edição encontra grande obstáculo. Não se tem conseguido o contacto com o autor, e aqui vai o nome repetido: António Manuel da Silva e Sousa de Albuquerque.
Será que alguma visita deste Ma-Schamba conhecerá esse arquitecto, para que se transforme esta tese em publicação? Ou quiçá os bloguistas A Barriga de Um Arquitecto, Complexidade e Contradição, hARDbLOG, ou outros, possam convocar o colega?
O rosto e o tempo
Cruzam-se num espelho
Rachado. E dialogam.
É uma conversa de surdos.
O rosto e o tempo divergem
Na mesma vertigem do absurdo.
Ambos não se reconhecem.
(Ah, tão misterioso este rosto,
Tão plácido este tempo,
Tão cruel este espelho)
Armando Artur
(Imagem Passa Palavra, Porto, Identidades/Gesto/Faculdade Belas Artes)

[Esmeralda, por Milo Manara]
Há textos que ficam para trás, e é irremediável. Não porque percam a "ocasião", isso da tal "ocasião" não é mais do que estupidez armada em razão. Mas porque se lhes perde a intensidade, vai-se-lhes diluindo a lenga-lenga e, pior, esbatendo o tom. Acontece-me, sempre. Mas há um em especial que continua a lembrar-me que ainda não saiu à rua. Ainda que agora alquebrado.
Há meses o Bruno Sena Martins narrava a sua primeira experiência numa casa de "alterne", para lá arrastado por um simpático camionista na sequência de uma avaria , umas cervejas partilhadas num meio de estrada enquanto aguardava reboque salvador.
O tom do Bruno era mais que desagradado, com o discurso do camionista e o putedo envolvente, com o qual nem falara. A mim o texto de então provocou-me ânsias de botadura. Talvez porque ele é também antropólogo, decerto por que no Avatares do Desejo se escreve muito, e bem, sobre mulheres (melhor dizendo, sobre ícones). E aqui tão diferente, tão afastado, lhe surgia o olhar.
Ainda comecei a ripostar, aqui coloquei um bocado de uma velha história minha, uma entre outras tantas. Nem era contraposição, queria apenas um cruzar de olhares, óbvio rescaldo de biografias, andanças e lugares bem diversos. E, parece-me notório, de idades diferentes.
Mas depois outras coisas se disseram urgentes e isto, vejo-o agora afinal tão mais cá do fundo, foi ficando para trás. Claro que já não tenho o afã da lenga-lenga nem a clareza do tom. Esse tal texto que desejei morreu, com pena minha. Mas cá dentro ainda resmunga um eco que o Bruno recebeu. Dizia um comentador, ali algo cúmplice no des-gosto, no des-prezo: "Espero que tenhas bebido pelo gargalo" (às tais cervejas, é claro).
E é mesmo com esse nojinho, esse arrepiozinho, que há meses que cá por dentro algo resmunga, e não se cala. Então é para tais desconfortos que aqui trago esta minha amiga, com quem costumo partilhar os copos neste bar

[Esmeralda, por Hugo Pratt]
Dirão, alguns mais sozinhos, que a Esmeralda não é uma qualquer, que nunca a encontram por aí. Sim, garanto que não é, concordo. Mas também, qual o problema? Pois ainda que por esses bares todos da minha vida tenha encontrado um ou dois Steiner nunca vi (nem em blogs) nenhum Corto. Nem mesmo o Rasputine, nessa sua radical maldade porque tão ingénua. Pois não somos todos tão mais mortais?
Semana das eleições, aí no meio dela, dois dias de votos e depois a contagem. Essa sobre a qual tanta polémica anda no ar.
Ter amigos nos diferentes partidos dá isto. Todos acreditam, e realmente, na vitória. Até o novo (e pequeno) PDD acredita vir a tornar-se a tão ansiada "terceira força", partido-charneira, decisivo em coligação governamental e até em segunda volta presidencial. Esperançosos no voto do centro, em particular lá pelas banda dos ma-sena.
Dos grandes nem se fala, todos entusiasmados e crentes na vitória.
Alguém, muito alguém, ficará desiludido. A gestão da desilusão é a maior arte política. A ver vamos.
Ele há coisas...naco de alentejo a aportar e, como que sabendo, o homem a acompanhá-lo na sua prosa que não se iguala, buscando memórias da Costa do Sol.
A ler, como guia. Para mim guia do hoje, sábado à tarde. Para outros, guia do futuro (ouviu, amigo Eufigénio?)
Nem lhe vi a cara, ao carteiro, hoje em dia visita tão rara. Foi chegar a casa e deparar-me com naco do longe, desses de ler com o papel na mão, que melhor não há, anunciando-se em "Estamos chegando ao reino do gerúndio, enquanto expressão da santidade do tempo, que faz com que as coisas não sejam, porque vão sempre sendo", diz "prefaciando"

o senhor José Carlos Albino, mesmo à porta da "Mesa da Malta" que se enceta assim "O borrego é carne de excelência e sustento que por si só faz a alegria da casa da malta. E que diríamos se irmanado com o chispe, o toucinho, os ossos e o rabo de porco, vindos da salgadeira, mais o acrescento das peças de carne da chaminé. E por que não folgar a entrada nesta comezaina a um viçoso e tenro molho de cardinhos, que ali, na beirinha da seara, pediam participação na festarola. Dia de esmero para a cozinheira, que de qualquer maneira é pessoa opiniosa mesmo nas açordas de alho. Cozido de grão, pitéu de fazer um moiral!".
É destes modos que se faz este Alentejanando. Estórias e Sabores. Falares de druida, confirmo-o agora que me deixei folheando. Cânticos muito belos, já o sabia antes, que quem assim Alenteja não engana.
Coisa de tais saberes adornando tamanha prosa que nunca poderá deixar-se esgotar. Um abraço, compadre Isidoro de Machede. Que não estou mandando, é declaração de dívida, eu seja ceguinho se não o hei-de ir entregar em pessoa, lá nos ares do Vimieiro,

em repasto de emigrante, saudoso e glutão.

Lá por onde as pessoas pensam das coisas do mundo há alguns pólos, nortes e suis. Alguns até magnéticos. Um deles, sempre-em-pé, é o que anuncia gentes na direita, conservadores pessimizando na malévola natureza dos homens, e outras gentes mais p'rá esquerda, progressistas animados nas infinitas potências (virtudes) dessa mesma natureza humana.
E essas ditas gentes também assim se afirmam, como se reclamando uso capeão de um qualquer rincão de onde logo se passam a apedrejar mutuamente.
Fumo um cigarro. Pois se tal coisa não existe, como poderá ser ela boa ou má? É que até como metaforazita é fraquinha.
Ao meu texto Rodrigo Moita de Deus dedicou uma nota. Respondo, já atrasado, até fora de moda, que isto de dialogar com blogs colectivos é difícil, ainda para mais se atentarmos na azáfama que vai no Acidental.
Sobre Buttiglione pouco poderei avançar. Acho que a questão é política e não religiosa mas isso já foi escalpelizada até ao queixo, para quê insistir? Concordo com RMD que muitos políticos separaram a religião do exercício do poder (e alguns até em termos absolutos, infelizmente, que há sempre uns mandamentos que conviria não esquecer). E nada tenho contra gente de fé a exercer o poder: o maldito "motor de busca" não me dá acesso às minhas falas de ateu, mas não me vejo numa "condição ateia" face à política (ou a outra coisa qualquer). Mas desconfio de quem se vê numa condição religiosa face ao poder. Mas lá está, isso não é sinónimo de um religioso no poder.
RMD citou Guterres e eu resmunguei. Diz ele que embora católico pouco praticante também se teria ajoelhado face ao Papa. Nem contesto. Eu próprio, ateu não baptizado comporto-me de modo diferente, mais grave, diante dos padres - sorrio ao exemplo, mas ainda há meses, jantando cá em casa com um padre bom amigo, homem especial de décadas aqui, saíu-me um "porra" ou "merda" qualquer, tão habituais me são estes, mas então fiquei atrapalhadissimo, a pedir-lhe desculpa, e o homem a rir-se num "ó zé, deixa-te disso".
Mas eu não escrevi resmungo por António Guterres se ter ajoelhado diante do Papa. Eu escrevi resmungo porque António Guterres, primeiro-ministro da minha República, se ajoelhou diante do Papa. O que é totalmente diferente. E inadmissível.
Finalmente, e regressando a Buttiglione, apenas porque ele é a fonte desta questão sobre o papel dos católicos na política. Lamento que ninguém que dele se sinta próximo tenha por aqui passado para responder à minha irónica pergunta, serão as viúvas piores mães?
Mas insisto, agora sem ironia: a minha mãe enviuvou muito jovem, com três filhos. Assim viveu cerca de dez anos. Foi má mãe para os meus irmãos? Conviria trazerem-me a teologia para mo explicar. E um viúvo, a criar robots [robots na teologia?]?
Deixemo-nos de coisas, Buttiglione é apenas um ultramontano, anacrónico. De moral execrável. E não é o facto de se escudar numa "condição católica" que lhe apaga esse negrume, moral e intelectual (essa impiedade?). Ou seja, não serve para ser base de uma reflexão sobre as ligações entre a religião católica e a política.
E mais não digo, que se RMD já teme parecer beato também eu já entrevejo o anti-cristo no espelho.
O LNT do Tugir foi até aqui e por lá descobriu que "shamba" significa "sábado" em Afegão, Curdo e Urdu. Que isso não me associe a organizações mais aguerridas, dessas que grassam por tais paragens.
Mas se afinal este blog se chama "Sábados", talvez deva passar a semanário. Vou pensar nisso. E nos suplementos. E no saco de plástico - como se poderá plastificar um blog?
A instituição de utilidade pública "Ene & Queridos" decidiu acariciar-me o ego. Eu ronrono aqui.
No meu blogoPortugal continua-se a discutir o caso de Buttiglione, o ex-futuro-comissário europeu. Em particular no sempre activo Blasfémias.
Sobre este caso lamento-me. Ainda que apenas neste modesto blog coloquei uma pergunta à qual nenhum dos visitantes entendeu patrocinar resposta: "Se as mães solteiras são más mães (ou "menos boas") isso aplicar-se-á às viúvas?". Será desta que algum apoiante do ex-candidato poderá elucidar?
Terá sido legítimo o seu afastamento? Confesso que formalmente me agrada a questão que colocam: pode um católico exercer cargos políticos sendo católico? É que Buttiglione defendeu-se muito bem, com extrema elegância [e ironia, benção do(s) deus(es)]. E diante dos seus apurados argumentos torna-se difícil deixar de lhe dar razão.
A não ser que se pense como CAA, o qual, vero Blasfemo nega essa hipótese, implicando tais crentes de fundamentalistas.
Eu ateu (e nisso fundamentalista) assusto-me. Pois lendo CAA et al parece que alguns querem fazer do ateísmo a religião oficial do Estado. Mau, este é laico, não ateu. [Sobre isto há meses pus para aí uns "A Fala do Ateu I e II", mas o motor de busca está (sempre) inacessível, pelo que não há auto-link]
Rodrigo Moita de Deus de imediato se revolta, convocando católicos que separaram religião da política, citando entre outros Guterres. Isto é um terreno difícil, porque muito dificilmente avaliável, não é algo só formal. Mas enfim. Aceite-se que houve distinção. Mas Guterres, Rodrigo Moita de Deus? Um homem que sendo primeiro-ministro da minha República ajoelhou diante do Papa? Estamos todos a brincar? Devemos estar pois isso passou incólume.
E já nem falo da trapalhada missão de cooperação a Timor, sob orientação do padre Melícias. Que de cooperação sabia nada. Mas aqui calo-me, que sendo cooperante e mudando os ventos de Lisboa ainda me faltará para o leite da miúda...que religiosos serão, mas pecadores exímios. E dos grandes.
Adenda: numa agitadissima caixa de comentários CAA nega essa deriva ateísta. E com fundamento. Ok, fico-me apenas com a impressão que a tecla lhe correu grossa.

O Ferroviário de Nampula é campeão nacional de futebol: saalama Nampula.
Em 28 anos de campeonato é a terceira vez que o campeão não é de Maputo.

Em 1976 o Textáfrica, em 1981 o Têxtil de Púngue. E agora! E o primeiro campeão do Norte. Certo que houve a guerra, este domínio das equipas de Maputo não é apenas efeito da macrocefalia da capital.
É a descentralização. Ainda que sempre a torcer pelo Maxaquene fico contente. Vakani-Vakani, mas contente.
[Foto e Tabela retirada do Jornal "Desafio", 22 de Novembro de 2004]
(um email d'amiga)
On Monday, 8 November the SADC Firearms Protocol entered into force when the ninth country deposited its instrument of ratification with the SADC Secretariat in Gaborone. This is a significant achievement for Southern Africa as it represents the first legally-binding treaty to regulate small arms in Africa. The impetus behind the ratification should lead to a reinvigoration of the work of the SADC small arms committee and greater political action on small arms in the subregion.
The countries that have ratified the Protocol are:
· Botswana
· Lesotho
· Malawi
· Mauritius
· Mozambique
· Namibia
· South Africa
· Tanzania
· Zambia
The countries that remain to ratify are the DRC, Swaziland, Zimbabwe and Angola.
Hip, hip hurray!
(obrigado tia Ana)
Cada vez mais me convenço que o melhor observatório de Portugal está aqui. E que melhor exemplo do que este?
Excelente memória a do Abre-Surdo, a recuperar o excelente e sempre actual O Problema dos PALOP de Miguel Esteves Cardoso.
Essa questão da constituição europeia encheu os blogs e não só. Até produziu um blog próprio.
Eu permito-me insistir: os portugueses que vivem fora da proto-confederação europeia têm direito a voto no próximo referendo? Ou, como vivem fora da proto-confederação europeia, são considerados portugueses de segunda?
Caso negativo, a concordar com o que acontece com as eleições para o parlamento europeu, não será isso uma violação constitucional? Falo do espírito, aquele da igualdade dos cidadãos, não falo do tricot de artigos que tanto me ultrapassa.
Votar para uma constituição de modo inconstitucional seria interessante.
O Tó-Mané Botelho de Melo já aqui botou algumas faladuras, das muitas que vai escrevendo, sempre entre o cortante e corrosivo. Agora que se foi de Moçambique para um porto qualquer transferiu, para mal dos meus pecados, as suas incursões bloguísticas para a vizinha Passada. Assim, e ainda que roído de inveja, muito aconselho o seu "partir a loiça toda" nesta Laranja Dourada.
Claro. Claro porque Aly Silva se pergunta: a. porque não saem (mais) das capitais os trabalhos da RTP-África? porque são portugueses os delegados nos países? Permito-me, meio utópico, a acrescentar, porque não fazer rodar jornalistas dos países de expressão portuguesa? Enfim, coisas aparentemente simples e estruturantes. Mas...e o preconceito sobre hierarquias? Mas...e as coorporações?

Desde que bebezinho de berço até hoje mesmo, nos 2 anos e meio, em que exige o "bebé" apontando para as colunas. É a música preferida da Carolina, antes para adormecer até naquelas noites (bem-haja o compositor, dele sejam os céus) hoje para fazer os joguinhos de braços e corpo que nos dão os céus, pai e mãe.
É a música preferida da Carolina, esta "do bebé". Feita por Raimond Lap e sobre a qual tudo também se descobre em www.atxilipu.com.
Música para sossego e encanto dos pais. Música para filhos.
Publicidade sim, mas não enganosa. Especialmente no quase Natal.
Copo(s) fim-de-tarde, aquela já noite longa. A "fazer o governo", claro, que as eleições são já para a semana. E eu "então e se a Renamo ganha?". Risos, os do "é pá, então vais ver o viracasaquismo"
é liberdade, dizer um bocado o que nos vem à cabeça. Não um emprego ou negócio, não mais do que expressar opiniões e gostos. Um espaço de liberdade, repito. Descomprometido.
Escrevi para aí uma lenga-lenga implicitando que há uma responsabilidade social na blogoescrita: milhares de caracteres para dizer o óbvio. Mas que não seja ela fundamentalista. Que isto do blog em blog não é escola de virtudes. Borregue-se aqui o que não se borrega out-blog.
Mas ainda assim. É por FNV, cujo recente regresso ao blogando foi óptimo acontecimento, que dou de ecrãs com esta prosa de Ana Gomes:O "Kroes" da Comissária Nelly, lê-se Cruz. Será que tanto talento empresarial não se explica por costela de antepassado judeu/cristão novo português, como é marca de boa parte da elite holandesa (quem ficou a perder fomos nós!) ?.
Lido à letra, assim citação desencaixada, apenas pré-conceitos históricos, até despropositados, de quem esquece Espinoza (ainda que ostracizado pelos seus) ou nem a divulgação de Le Goff leu. Informações e memórias contextualizadoras e complexificadoras destes pré-conceitos.
Mas se não lido à letra, se contextualizando este recuperar da imagem de uma tendência colectiva (imanente) do judeu para o comércio e usura (no texto implicita-se o mercenário), é óbvio que não são pré-conceitos são explícitos preconceitos, desvalorizadores. Indutores de atitudes. Agitados ao vento por mera política. E pequena.
Ainda que neste espaço descomprometido só posso lamentar. Sem repúdio, que está calor demais para tais fluxos. E lamentar também que quem isto (re)agita seja embaixadora da minha República.
Este Ma-schamba gentio é também quixotesco (imbecil, é isso). E diante disto dá-lhe para a "atitude", decerto nada importante: apesar de cidadãos como MMLM ou VM a ligação com o Causa Nossa é apagada. Porque há limites. Ainda que em blogs.
E só para que não digam que isto é sharonite aguda, sobre esta trama este Ma-schamba não só gentio como ateu tem este norte, que descobriu no Estaleiro: Arafat foi o rosto visível de uma causa que todos nós consideramos justa." (Cardeal José Policarpo).
ADENDA: o Lutz comentou, discordando e considerando-me rigoroso em demasia. Talvez. Tentei colocar resposta mas não consigo inserir o comentário - o próprio Ma-Schamba a revoltar-se com o exagerado "rigor"? A ganhar vida?
Devido a essa resistência técnica ponho aqui o quereria colocar nos comentários, mas só é explícito lendo o que lá foi anteriormente comentado.
"1. Meu caro, não misturemos o que não é de misturar. Uma coisa é a política, em que Brandt tinha mais do que razão. Outra coisa é isto do blogar. Diferentes em grau e natureza. Se há algo que eu possa comparar com o blogar é não a política mas sim o "conversar". E não converso com isto.
2. Rigoroso? Se estas afirmações estivessem num blog encimado com o Infante D. Henrique, a cruz de cristo ou outro símbolo "muito Estado Novo" o que se diria? Se fossem num blog num político conhecido de um partido de direita (há-os, escuso-me à deselegância de citar nomes) o que se diria?
3. Nem acho anti-semitismo perigoso. Acho mero reflexo preconceituoso (nem me passa pela cabeça que a senhora se ponha a perseguir indivíduos). É apenas, e lendo o post é óbvio, anti-barrosismo. Pequena política fazendo apelo "a tudo o que vem à mão" (à cabeça) - Brandt não tem a nada a ver com isto, e estarás de acordo.
4. Não é uma cidadã qualquer a brincar aos blogs. É deputada, foi dirigente política e, mais do que tudo, foi (e voltará a ser?) Embaixadora do meu país. Representou e representará a República, até simbolicamente (com a bandeira à porta, não esqueças). Este ecoar público de preconceitos rasteiros è inadmissível. Se quiseres, conspurca a minha bandeira.
5. o causa nossa não precisa da ligação para nada. Tem gente fantástica? tem, mas também não tem ninguém que se tenha demarcado do tom - e há blogs colectivos onde isso acontece. Mas isso não é da minha conta, cada blog como cada qual
abraço"
Ecos no Público [artigo abaixo transcrito] da presença das representações do Movimento de Arte Contemporânea (Muvart) e da Associação Moçambicana de Fotografia (AMF) no Arte Lisboa, ainda a decorrer.
António Pinto Ribeiro, comissário da Arte Lisboa, cujas deslocações a Maputo têm tido importante impacto no mundo artístico, e quais desejo venham a ser estruturantes [modesta saudação do Ma-schamba], tem toda a razão: "Uma das minhas maiores satisfações é que ambas [AMF, MUVART] voltem a Maputo como galerias profissionais, e com experiência. Acho que isso pode ser muito importante para o mercado da arte local".
Gemuce e Jorge Dias (Muvart) telefonaram ontem, tudo a andar muito bem, satisfeitos.
Se eu estivesse em Lisboa iria durante o fim-de-semana até à FIL.
Moçambique X 2 na Arte Lisboa
Público
Por VANESSA RATO
Sábado, 20 de Novembro de 2004
Até este ano, nem a Muvart nem a A.M.F. poderiam ter participado na Arte Lisboa pela simples razão de não existirem. Na verdade, as duas galerias moçambicanas que este ano estão na feira, foram fundadas quase expressamente para a vinda a Portugal e com o apoio da organização do próprio evento.
Há pouco mais de seis meses tanto a Muvart como a A.M.F. eram associações sem fins lucrativos - organizavam exposições, mas não transaccionavam arte. A Muvart correspondia a um movimento homónimo de autores contemporâneos que, na maior parte dos casos, tinham estudado em países como a França, a Alemanha, o Brasil e Cuba e que começaram a voltar a Moçambique a partir de 1999. A sigla A.M.F. é a mesma da Associação de Fotógrafos de Moçambique, fundada em 1981 mas praticamente inactiva de meados dos anos 80 a meados da década de 90, período em que o próprio material fotográfico era difícil de encontrar.
"Uma das minhas maiores satisfações é que ambas voltem a Maputo como galerias profissionais, e com experiência. Acho que isso pode ser muito importante para o mercado da arte local", diz António Pinto Ribeiro, ex-director artístico da Culturgest que este ano comissariou a Arte Lisboa.
Quando em Maio foi convidado para ajudar a feira a estrear um formato especializado em arte e artistas do Sul, a começar por Angola, Cabo Verde, Moçambique e Brasil, Pinto Ribeiro já estava há dez anos a trabalhar nessa área. "Nenhum dos países africanos de língua oficial portuguesa tem um mercado de arte nos moldes da Europa, EUA ou da América Latina", diz.
Em geral, são os artistas que vendem os seus trabalhos directamente a um comprador e o valor destes é estabelecido em função do perfil de quem os compra. Nessas circunstâncias, seria impossível a presença num evento como a Arte Lisboa, uma feira para galerias profissionais. Parte fundamental do trabalho de comissariado foi, por isso, no terreno: primeiro, a ajudar na fundação das galerias e na criação dos seus estatutos legais, depois a estabelecer os primeiros contactos com apoios financeiros locais para a deslocação a Portugal.
Angola e cabo Verde falharam
Em Angola e Cabo Verde esse trabalho acabou por não dar frutos. Em Cabo Verde haveria apoio político e financeiro, mas para um núcleo de artistas que não o escolhido pela Arte Lisboa. Em Angola não foi dada continuidade aos contactos que a feira tinha ajudado a estabelecer. Segundo António Pinto Ribeiro, muito artistas preferiram mesmo não vir.
Integrados em colecções importantes de África, são artistas cujas obras têm, localmente, uma cotação entre os 40 mil e os 60 mil euros. O confronto com o mercado e a massa crítica da Europa levaria, provavelmente, a uma descida desses valores. Daí a recusa, que foi também a resposta de alguns artistas moçambicanos.
Em Lisboa, a Muvart tem representados sete dos seus 11 associados mais quatro artistas convidados. Dois têm mais de 50 anos, mas, a maioria está nos 30. "Conhecemo-nos todos, temos as mesmas preocupações", diz Jorge Dias, um dos dois responsáveis pela galeria mas também um dos artistas.
Entre obras de escultura, desenho, pintura e instalação há trabalhos muito diferentes. Na peça de chão "Passas-te por aqui?", de Anésia Manjate e a mais cara em exposição (mil euros), uma espiral de búzios sobre pires de cerâmica queimados explora a influência da tradição na contemporaneidade - apropria-se de elementos usados na medicina e rituais tradicionais africanos para lhes conferir um novo estatuto, reinterpretando-os. O olhar de Marcos Muthwuye é mais irónico: a partir de formas reconhecíveis do quotidiano ou da arte tradicional africana constrói símbolos, como antenas parabólicas, num comentário aos paradoxos da realidade de um país em vias de desenvolvimento.
Só no primeiro dia da feira, a galeria vendeu sete trabalhos, entre os quais dois do mais jovem e surpreendente artista representado, Pinto, de 23 anos, que tem exposta uma série de desenhos de carga negra e profusão de elementos surrealizante (200 euros cada). Com um perfil muito diferente, dedicando-se exclusivamente à fotografia, a A.M.F. também já vendeu trabalhos.
Bito Macovela, um dos fotógrafos da associação, é responsável pelo "stand". Segundo explica, apesar das tentativas, a galeria não conseguiu apoios e teve que custear a vinda a Portugal, com excepção da sua viagem, paga pelo Instituto Camões. Fora o preço do "stand" na feira, houve toda a produção das fotografias, que são impressas na África do Sul. Muitas acabaram por viajar na sua bagagem de mão e por isso não estão emolduradas e sim empilhadas sobre uma mesa.
São, no geral, trabalhos muito ligados à tradição do fotojornalismo e virados, essencialmente, para temas do quotidiano. Os trabalhos a cor são uma excepção recente e prática mais comum a autores mais jovens. Os que venderam até agora foram, contudo, fotógrafos mais velhos, como Martinho Fernando e Mueche mas os valores, aqui, não estão cotados pelos nomes dos autores - estabeleceram-se valores de 350 e 450 euros para formatos maiores e mais pequenos
Augusto Santos Silva sobre política cultural. [texto transcrito].
A Esquizofrenia Cultural da Direita Portuguesa
AUGUSTO SANTOS SILVA
Público
Sábado, 20 de Novembro de 2004
1. No reino das palavras, a direita portuguesa exalta o património histórico-cultural. Ou por causa do valor próprio da tradição, ou porque o acesso às obras herdadas fosse condição necessária da criação contemporânea, ou porque esta última seria, em bloco, indesejável, ou porque o Estado só conseguisse manifestar "isenção de gosto", se se restringisse à protecção dos cânones classicizados, ou porque a política pública tivesse de ser selectiva, não podendo atalhar a tudo ao mesmo tempo e, escassos sendo os recursos, melhor fosse canalizá-los para "valores seguros", o certo é que o discurso habitual é a celebração quase mística da "herança" espiritual e dos seus testemunhos materiais. O que se faz de forma mais ou menos civilizada, com maior ou menor uso das estafadas acusações à "subsidiodependência" dos artistas ou, até, da velhíssima teoria de que o estômago vazio aguça o engenho. Mas faz-se e fazer-se constitui uma trave-mestra da doutrina da nossa direita em matéria cultural. Ela revê-se inteiramente no entendimento de que dá prioridade ao património sobre a criação, assim se distinguindo da esquerda, que preferiria o inverso.
Os factos não acompanham, porém, as palavras. E a prova é simples. Acaba de ser aprovado, na generalidade, o Orçamento do Estado para 2005, que regista um aumento global do Ministério da Cultura na ordem dos 4 por cento. Procuremos, então, as verbas previstas para os serviços e organismos de funções predominantemente patrimoniais: são os mais penalizados!
Os dois principais institutos perdem inclusivamente dinheiro: o Ippar, que trata do património edificado, leva um corte de 5 por cento, o IPM, que trata dos museus, perde 10 por cento. O corte atinge sobretudo o investimento; mas também não poupa as verbas do funcionamento, que baixarão 3 por cento no Ippar e subirão 1,7 por cento no IPM, ou seja, abaixo do valor previsto pelo Governo para a inflação. Ora, nós sabemos que ambos os institutos estão no limite das suas possibilidades e, portanto, menos dinheiro para as despesas correntes significará horários de funcionamento (ainda) mais reduzidos, mais salas de exposição permanente fechadas, menos programas educativos, menos exposições temporárias, menos pessoal para a guarda, a conservação e a divulgação, maior degradação do serviço prestado...
Alguns dos restantes institutos patrimoniais serão também atingidos. O Instituto de Arqueologia e o dos Arquivos têm aumentos reais, mas o primeiro ficará abaixo do valor de que dispunha no início de 2002. O mesmo acontece à Cinemateca, que é o outro organismo a registar subida. A Biblioteca Nacional ficará no mesmo nível de penúria que hoje conhece, o Centro Português de Fotografia (CPF) e o Instituto Português de Conservação e Restauro perdem orçamento. E a questão não é apenas financeira: o Ippar e o IPA estão paralisados, o IPM não dispõe de condições para concretizar o salto qualitativo que representou a recente aprovação da lei-quadro dos museus, e está agora colocada a ameaça de extinção do CPF, por via de uma espécie de dissolução no Instituto das Artes, o que, a concretizar-se, significaria um enorme retrocesso.
Parece haver, pois, alguma esquizofrenia. A mesmíssima gente que proclama aos quatro ventos o seu amor ao património não tem nenhum pejo em sacrificá-lo, em todas as decisões políticas concretas que é chamada a tomar. Até porque é da lógica do santanismo a reserva de um dinheirito para cativar tal nicho de "soi-disant" artistas, ou enfeitar este ou aquele evento de repercussão popular...
A direita esquerdizou? Nada disso, o que não faz nenhum sentido é continuar a distinguir políticas pela ponderação relativa da atenção ao património e do apoio à criação. Uma política cultural digna desse nome tem de ser de largo espectro: não é dizer-se "agora vamos cuidar da formação de públicos" ou "agora vamos incentivar a descentralização", é avançar articuladamente na frente patrimonial e no apoio à criação, na estruturação cultural do território e na internacionalização, na qualificação e profissionalização dos agentes e meios artísticos e na formação cultural dos cidadãos. E isso requer clareza e coerência na definição dos objectivos e reforço sustentado do nível de financiamento público, estatal e autárquico, nos bens e práticas culturais.
Foi, aliás, o que aconteceu, ao longo da segunda metade dos anos 90, como os dados recentemente divulgados pelo actual Ministério da Cultura comprovam. Avaliado pela comparação das sucessivas dotações orçamentais iniciais, esse esforço significou um aumento progressivo da proporção da despesa em cultura no total da despesa do Estado, passando de 0,5 por cento do Orçamento em 1995 para 0,7 em 2001 e 2002. Avaliado pela evolução da despesa realmente executada, a evolução foi mais lenta e difícil, designadamente por via da redução que já em 2001 se verificou, mas ainda assim positiva. Foi preciso que a direita regressasse ao poder para que este difícil percurso e os seus ainda escassos resultados fossem brutalmente interrompidos, com um desinvestimento deliberado, como nunca antes se conhecera, e quer no lado financeiro, quer mesmo no lado da acção política. E aí lá se esvaiu o amor doutrinário ao património! Este foi e continua a ser sacrificado, não porque os supostos "lobbies" subsidiodependentes se tenham malevolamente infiltrado no Ministério da Cultura, mas, pura e simplesmente, porque, onde não há outra razão que uma expectativa pré-eleitoral todas as áreas culturais são abandonadas.
2. Duas notas finais de actualidade:
a) a próxima quarta-feira será o Dia Nacional da Cultura Científica. À hora em que escrevo, a única iniciativa governamental que se conhece é o anúncio da inauguração da ampliação das instalações em que funciona o Programa Operacional de Ciência e Tecnologia... Entretanto, nada se sabe do orçamento da Agência Ciência Viva para 2005 e há três anos que não há qualquer concurso nacional para projectos de educação científica nas escolas;
b) o mesmo Governo que havia invocado a Alta- Autoridade para impedir a fiscalização parlamentar do caso Marcelo chama-lhe agora um "cadáver". Eis, pois, a teoria constitucional do santanismo: sim à liberdade de opinião, se não for contra nós; sim à independência dos órgãos de regulação, se deliberarem a nosso favor. E ainda há quem se sinta descansado...
Professor universitário
O Xicuembo elencou (elinkou) os blogs com olhar a Moçambique.
Panic on the streets of london
Panic on the streets of birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again ?
The leeds side-streets that you slip down
I wonder to myself
Hopes may rise on the grasmere
But honey pie, you’re not safe here
So you run down
To the safety of the town
But there’s panic on the streets of carlisle
Dublin, dundee, humberside
I wonder to myself
Burn down the disco
Hang the blessed dj
Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed dj
Because the music they constantly play
On the leeds side-streets that you slip down
Or provincial towns you jog ’round
Hang the dj, hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Hang the dj, hang the dj
Thankyou ...
Que tem a tal elite in-blog a ver com isto? Lobi, neste caso.
Mas há uma outra dimensão de violência, mais estritamente política, a qual se pode considerar inter-blogs. Nada confundível com a anterior, de natureza diferente. Menos grave porventura, com toda a certeza menos criminosa.
Mas é uma violência que de modo explícito deriva de quem escreve. Do que opina, das opiniões que induz. E neste campo há necessidade de um efeito apaziguador. Via elite?
Apaziguamento por três motivos: para prevenir a eclosão de alguma violência real (de novo, antes de Hollywood), rescaldo/efeito destes calores; garantindo a blogolândia como local social de produção de valores de tolerância; e, mais do que tudo, sublinhando o direito de cada um publicitar a sua opinião sem ser ameaçado.
No fundo exige-se afirmação de limites à expressão pública, que existem em todos os meios de comunicação pública. E que parece inexistirem no bloguismo.
Não falo de apaziguamento de divergências, das discussões. Para alguns muitas destas podem parecer vazias, muitas até totalmente ocas. Mas essa "animação" é motor de alguma blogolândia. Mas urge (auto)controlar o tom. Pois a forma é conteúdo. Não por decreto ou por robot. Via elite? Ou via elite.
Por um lado há o que se induz. Por exemplo o Luís Ene introduziu algo que começa a ser comum "Atenção - os comentários são da exclusiva responsabilidade de quem os escreve". Num delicioso blog como o Ene Coisas isso parece óbvio, qualquer maluquinho que apareça lá a disparatar só se poderá ter enganado no número da porta.
Mas, em última análise, os comentários são da responsabilidade do(s) dono(s) de blog. Directa, porque tem obrigação de seleccionar o que acoita e ecoa. Claro que não se pode exigir que os bloguistas fiquem de plantão, à espera do comentário que aí vem. Mas é ele o dono da casa, donde o dono do critério. Indirecta, pois é ele que produz opinião, induz opinião e cria ambiente de comentário. O que lá está brota, em grande parte, do autor do blog.
Por outro lado há o que se produz, o que se afirma. Opiniões publicadas, aparentemente sem limites, tornando o bloguismo refúgio do insulto que não passaria em qualquer outro media, mas aqui sob o falso disfarce do "privado".
Honestamente neste campo apenas leio curtos ecos. Não frequento nem estabeleço ligações aos blogs radicais. É a minha participação, falível e modesta. Há muito que inquiri sobre a blogs de extrema-direita. Há bastantes mas nada sei sobre o que neles se passa. Não só porque não leio. Mas porque eles não ecoam no mainstream, não são comentados, contraditos, hiperligados. E, importante, nada sabendo do que lá se escreve e comenta não posso presumir nada, um mínimo de honestidade impede-me de antever um tom violento, global ou direccionado. Posso suspeitá-lo, mas apenas por mero preconceito.
Na extrema-esquerda não é assim. Também não visito, não leio, não hiperligo. Mas ela penetrou o núcleo central do bloguismo, constantemente citada, criticada, referida. "Linkada" para usar o termo arrivista . Daí o desiquilíbrio do meu conhecimento. Haverá evidentemente, tanto num lado como noutro, uma enorme pluralidade de tons, gente diferente a escrever, muitos com decência, alguns sem ela.
Mas não é admissível que alguém acoite aquilo com que O Acidental se deparou. E com ele(s) todos nós. É absolutamente inaceitável. Por mais atoardas que possam nele brotar. Ou em todos nós.
Hoje, e por via de uma espúria polémica em que elementos deste Acidental despoletaram, usando um tipo de argumentação similar à que me irritou aqui, fui dar com isto: "O partido pequeno (ou será o grande?) anda zangado e o goês Coissoró até já disse que não fez nenhuma jura de amor." (sem ligação, evidentemente), um exemplar do mais soez racismo, mal escondido de argumentação política, e que nenhum jogo de palavras a posteriori poderá esconder. E ninguém diz nada, toda esta indignidade se presume normal no Portugal de hoje.
Resmungam os atacados, se bloguistas. E chega. E vai começando a valer tudo. Ou já vale tudo?
Elite? Dava jeito, como tenho vindo a dizer. Mas como Luís Ene, se é esta gente a elite? Os maquinistas deste comboio descendente, com tantos à gargalhada. Obviamente sem ser por nada.
Censura? Controle policiário? Não estou a falar disso. Mas urge reflectir seriamente sobre algo que tem dimensão pública.
Reconheço dois grandes tipos de violência na blogolândia lusa. Face a um relativo primado da política há um tipo que tem sido muito pouco falado. Nos últimos meses três bloguistas me escreveram dizendo-se ameaçadas via email, sucessivamente ameaçadas por leitores anónimos. Ameaças onde se misturavam os tradicionais devaneios pornoviolentos com as questões de índole político-ideológica. A duas delas aconselhei a queixa policial mas optaram pelo silêncio.
Outras bloguistas foram alvo de notórias violações de privacidade, abuso de blog, chamemos-lhe assim, ao nível de utilização do blog, apropriação de identidade informática ou invasão de caixas de comentários. Presumo que estes casos não se esgotem em bloguistas mulheres, mas são estes que tenho conhecimento.
Se das ameaças ninguém duvidará quanto à violência psicológica envolvida, dos restantes abusos só cada um(a) poderá aquilatar do penalizador que é.
Esta dimensão da invasão de propriedade [o Ma-Schamba é minha propriedade, tem o meu nome, tem um registo, e pago (um quasi-nada é certo) por isso] tem que ser atentada.
Não estou a falar dos comentadores chatos, já por aqui tive um. De vez em quando lá aparece um ou outro a ameaçar-me, o "vê lá se te calas", que perco o emprego, que em África isto e aquilo, etc. É o censorzito que há por aí, sempre escondido no torpe anonimato. Agora anda o J. Neto do Africanidades às voltas com o seu "moscardo". Mas isso faz parte...Falo de abuso de confiança. E falo de violência psicológica.
Esta dimensão, da violência pessoalizada, não será a violência inter-blogs, directa ou indirectamente acicatada por bloguistas e/ou comentadores. Mas articula-se, e porventura potencia-se, com um clima de crispação, de agressividade, de impunidade informática. E tem que ser controlada, tem que ser denunciada.
Dirão alguns, ninguém é obrigado a blogar, se há episódios desses que se abandone. Sim, mas francamente, não terão os cidadãos direito a fazer coisas a que não estão obrigados tendo para isso protecção eficaz? Urge legislar. E actuar.
Talvez que em breve Hollywood nos ofereça um qualquer Anthony Hopkins série B, rejuvenescido, devorando incautas blogadoras ou gay bloggers. O manancial para o argumento anda por aí. E então aí pensaremos.
(cont.)
Há a dimensão legal. Nesta sou completamente ignorante, mas ainda assim atrevi-me a questionar sobre a necessidade de uma regulamentação específica para o bloguismo. Em comentário o NTC do Arcabuz veio negá-la, ainda que jocosamente, afirmando que o que serve para a internet chega para o bloguismo. Talvez, é mais do que possível. A palavra a quem realmente percebe do assunto. Mas, insisto, a palavra urgente.
Mas há mais aspectos que se levantam. Face à proeminência de jornalistas (e de proto-jornalistas) no bloguismo luso (e não só) impôs-se uma preocupação com o controle da veracidade e da legitimidade do que é publicado (pesei a palavra)*, o que o que o PQ aqui ecoa. Esta dimensão ganho enorme impacto público com a polémica em torno do Do Portugal Profundo. Creio, ainda que leigo, que o enquadramento legal e a deontologia jornalística poderão cobrir esta vertente. Mas, e mais uma vez, a palavra a quem realmente percebe do assunto.
Entendo, no entanto, que esta é apenas uma parte da questão, até quase de índole profissional. Fundamental. A ser discutida. Mas apenas uma parte. A questão ultrapassa o domínio das "notícias", e sua legitimidade. Prende-se também com opiniões, opiniões publicamente expressas. E, também, com a indução de opiniões.
Adianto, há uma violência (de novo, pesei a palavra) crescente por aí fora. Inaceitável. Inaceitável para um bloguista. E, presumo, dentro de em breve inaceitável para o extra-bloguismo.
Leio blogs há cerca de ano e meio, o Ma-schamba tem onze meses. O clima abrasivo da blogolândia lusa tem vindo a crescer a um ritmo absurdo. Há seis meses ninguém diria isto. Efeito do inverno europeu, dirá o irónico. De uma agitação política, dirá o partidarizado. Não acho, não acho nada mesmo. Considero mesmo bastante grave, presumo-o até estrutural, ainda que não lhe intua verdadeiras causas sociológicas.
Não me arrogo acima desta tolice. Atiro-me para dentro do caldeirão a ferver da imbecilidade radical, eu próprio um dia me irritei o suficiente e insultei publicamente um outro bloguista. Hoje arrependo-me de não ter mantido a calma olímpica, de não ter mastigado o insulto, de não ter ignorado, assim mantendo a minha hipócrita tentativa ficcional do quasi-cavalheiro ao teclado. Ainda assim presumo que afirmar esse episódio como um apelo à violência será um bocado de auto-flagelação excessiva. Mas que isso não minimize o mea culpa, mea maxima culpa...
Impõe-se discutir questões de ética (deontologia do bloguista?) e de enquadramento institucional, combater a presente instigação à violência. Lembrando o mote desta série de textos, falo do papel de uma elite bloguista (agente ou não de blogs) que sistematize um travão a tudo isto.
*o constante evitamento da palavra "publicação" é um mecanismo retórico falsificador, propondo implicitamente o carácter privado do bloguismo, donde da sua desresponsabilização.
(cont.)
Na sequência do encontro de Beja o Luís Ene ilustre blogólogo, questiona-se sobre o estatuto e/ou pertinência de uma elite nos blogs lusos. Por essa questão recebe dois deliciosos textos da Vitriolica, que julgo rematarem a coisa.
(Sem me querer pôr em bicos de pés lembro um velho texto que pus sobre a hipótese dessas elites, ainda que sem a blogologia do LEne e sem o encanto da Vitriólica, e respectivo vice-versa).
Assim resmungo, enquanto este espaço parecer infinito deixemos as elites lá fora.
Depois, livre no infinito, hei-de visitar outro blogólogo que se tem vindo a questionar. Sobre o enquadramento de tudo isto. Sobre a ética de tudo isto.
Na soma destas interrogações multiplicada pelo que tenho lido fico a duvidar das minhas opiniões, até implícitas no tal velho texto igualitário. Pergunto-me, haverá uma elite bloguística? Ou melhor, deverá haver uma elite bloguística?
Talvez não a elite que Luís Ene abordou. Decerto que não uma elite do site meter ou do technorati. Nem tão pouco uma elite estética.
Refiro-me ao enquadramento e a questões éticas numa actividade que é eminentemente pública - acho que é uma absoluta falsificação afirmar o carácter privado do bloguismo.
Que articulação com as elites terão estas questões éticas ou jurídicas? Pois creio, e radicalmente, que produção e reprodução dos valores, éticos ou jurídicos, são actos de elites. O conteúdo destas é muito diversificado, consoante os contextos. A forma de aceitação desses valores pode ser por mais ou menos aceitação ou imposição. Mas os seus agentes são elite. [E com isto não estou a valorizar "elite", estou a descrever]. Previsivelmente sufragada, se em democracia.
(cont.)
O excelente Causa Nossa está a desenvolver uma muito interessante coluna, a propósito do seu aniversário: "a minha causa", abrindo ecrãs aos seus leitores para lá expressarem a respectiva causa privilegiada.
Então aqui boto o meu contributo para tão feliz iniciativa.
A Minha Causa

(fotografia Tatiana Pinto)
Excelente texto no Cartas de Londres (e também este). Não resisto a citar um trecho do primeiro:
"Francofobia primária. Já aqui nos referimos a este fenómeno em expansão em Portugal (ainda mais, diria, do que nos States). Mas ele continua a prosperar numa blogosfera e comentariado nacional que não primam exactamente pelo interesse pela realidade internacional, e tendem a usar a realidade internacional como arma de arremesso nas guerrilhas políticas internas."
E seria interessante analisar o porquê de uma direita (ou blogodireita?) portuguesa tão fervorosamente pró-americana (versão republicana, claro está) e tão francófoba ou europófoba (que raio de palavra). O espartilho europeísta decerto, mas também a tal falta de reflexão sobre o exterior, o tal "olhar para fora". E, acima de tudo, muita contradição.
No pano de fundo, uma política neo-colonial francesa absolutamente calamitosa. Isto não é francofobia. É, quanto muito, francofonia.
A citação do Embriaguez da Metamorfose no texto de 16 de Novembro - um suave toque de demagogia para dizer uma boa verdade.
É o avisado WR que chama a atenção: a política como elemento racionalizador tendente ao bem comum? a política como elemento racionalizador defendendo interesses particulares?
Agora vou ali ao nyamussoro, saber quem ganhará as eleições de Dezembro.
Vou no meu carro, velho, mas em primeira mão.
[Texto do Público reproduzido abaixo, pois as ligações são perecíveis]
Alto Astral
Por JOSÉ VITOR MALHEIROS
Terça-feira, 16 de Novembro de 2004
"Eu quero que o país vá subindo no seu astral!" Estas palavras de Santana Lopes, proferidas do púlpito no discurso de encerramento do último congresso do PPD-PSD-PSL, são o que se chama um grito de alma. Não é "Cogito ergo sum", nem "I have a dream", mas cada nação produz o que produz. No nosso caso é mais bolos.
Não fique preocupado, se não souber ao certo o que é "o astral". Uma breve consulta ao "Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea" da Academia das Ciências de Lisboa explica que a expressão (para além de querer dizer "relativo aos astros" quando é usada como adjectivo, mas não é isso que interessa) vem da teosofia e do ocultismo e descreve o "plano intermediário entre o físico e o espiritual, povoado de almas e espíritos, só observado pelos videntes e hipnóticos" ou a "parte fluida do ser humano, intermediária entre o corpo físico e a alma". Claro que a expressão vem do Brasil, onde, ainda segundo o DLPC, quer dizer "disposição de espírito" ou "humor". De onde vem este significado? Você tá bobo, cara? De astro mesmo, né? Todo mundo sabe que humor e amor é coisa de astro, são eles que ficam colocando a gente nesse plano ou no outro e sobem ou baixam o astrau da gente. Não sabia mesmo? Santana sabe.
Outro primeiro-ministro poderia ter falado de brio, de projecto, de ânimo, de sonho, de ambição, de futuro, de trabalho, de empenhamento, de desafio, mas Santana sabe falar ao povo na sua própria língua e saiu o astral!
Mas não se pense que saiu por acaso. O astral presta-se mais à banha da cobra do que o projecto e até do que o sonho, porque o astral não depende nem do trabalho (lagarto, lagarto), nem do desejo, nem sequer de nós. Só depende dos astros, dos deuses, dos alinhamentos siderais, dessa coisa etérea que é a coisa nenhuma. Nem é preciso querer, astral é astral, acontece à gente sem a gente querer. Além de que o astral é sentimental ("Me liga!"), tem a ver com destino, com coisas escritas nos céus com pozinho de estrelas e não exige nenhum mas nenhum esforço. Astrau é assim mesmo! Como se faz para melhorar o astral? Incríveu! Você não sabe? Relaxe! Nada melhor para o astrau! Não sabe como? Beba uma caipirinha. Duas!
O astral é ainda melhor do que a Nossa Senhora de Fátima (Paulo Portas foi definitivamente ultrapassado), porque é mais moderno, não fere susceptibilidades e não acarreta nenhuma obrigação. A Nossa Senhora é uma mãe severa que persevera, mas o austral é uma boa. A Nossa Senhora estava bem para os tempos de austeridade, mas a austeridade já era. Agora é o astral.
Desvendado o astral percebemos melhor o novo símbolo do PSD-PPD-PSL: é um satélite a ser colocado em órbita, em direcção aos astros, uma espécie de guerra das estrelas, mas para criar alinhamentos de Mercúrio com Vénus, para fortalecer o astral. Será que José Sócrates já percebeu que a sua ideia das novas fronteiras acaba de lhe ser roubada mesmo debaixo do nariz?
Depois do astral já percebemos porque é que a palavra de ordem do primeiro dia do congresso era "verdade" e a do segundo dia "confiança". É que, quando se prega a verdade, o povo pode ficar com ideia de que tem direito a alguma coisa e até pode começar a fazer perguntas, mas com a confiança não há riscos. Confie! Não pergunte, não diga, não duvide! Suba o astral! Relaxe. Deixe tudo na mão do PSLPSDPP. Beba mais uma caipirinha. Me liga!
O LNT exerce o contraditório ao meu Boliqueime .... Arranca-me um sorriso, não sei se de cornaca se de ...
Mas fico na minha, aquela do "com a verdade me enganas".
Novo blog em Moçambique, o do Do Rovuma ao Maputo. Por enquanto fotos corridas, a ver vamos.
Em tempos aprendi que os "testes" de QI serviam para medir a inteligência. E que a "inteligência" era aquilo que os testes mediam. Não era piada, era um discurso analítico crítico sobre a construção do conceito, da sua métrica. E também da sua utilização, pois foi ele socialmente aferido de molde a valorizar características culturais (mais) presentes nos indivíduos de determinados grupos sociais, étnicos, até nacionais e, também, de género.
Mais ou menos sociocêntricos, mais ou menos etnocêntricos, os "testes de QI" surgiam como instrumentos desqualificadores de grupos sociais, reprodutores de hierarquias sociais. Justificando-as como "naturais", em cúmulo de repressão social, em cúmulo de inculcação auto-culpabilizadora dos desapossados, pois derivadas essas hierarquias, e respectivos lugares, das capacidades em "inteligência", apresentadas como algo praticamente inato.
Entenda-se, os testes de QI apresentam uma hierarquia social como se que natural. Assente no critério mais valorizado nas sociedades modernas, a racionalidade individual, essa "Razão".
Esta naturalização ideológica implica que os "testes de QI" surgem como mecanismos de exclusão social. De exploração. Produtos de técnicas engenheirísticas cuja aparente cientificidade lhes brota do cardápio de números alinhados que agitam sob o nariz dos incautos.
Mas isto aprendi há já uns tempos. Talvez tudo tenha mudado desde então.
Ainda assim, e porventura desactualizado, nestes últimos dias, ao ver uma pretensa esquerda brandir, de blog em blog, a tabela QI médio por estado (americano) / sentido de voto Bush vs Kerry, já não me surpreendi: porque esta não é uma "esquerda caviar" é uma esquerda "salsicha Nobre".
E daqui sai um abraço, sobre as nossas hipotéticas diferenças, ao WR.
O previsto e previsível regresso de Cavaco Silva de imediato fez regressar a desvalorização de Boliqueime, a ironia sobre as origens sociais e familiares do político. Com esse insuportável reaccionarismo elitista já aqui me irritei. Mas ainda o processo vai no adro e já "Boliqueime" polvilha os blogs, e também os da minha preferência.
A coerência é um direito, nunca um dever. Acho mesmo que o verdadeiro dever é a incoerência, que o tudo que nos rodeia impede-nos o certinho coerente. Mas ainda assim este elitismo, disfarçado de ironia, muito me espanta proveniente que é de gente, bloguista e não-bloguista, que se afirma de "esquerda", mais ou menos igualitária mas sempre avessa a discriminações sociais.
Sei que não se restringe a isto. Como arma de arremesso político "Boliqueime" é um avatar de "Santa Comba". Fruto dos constrangimentos de um pensamento analógico encerrado entre o sebastianismo tardo-medieval e o salazarismo dickensiano. Então não só preconceituoso, mas também pobre.
Há ainda um outro factor. Cavaco Silva é inculto, e isso há-de chegar: o filho do gasolineiro de Boliqueime desprovido da cultura certa, também por isso mesmo salazarento. Esta é a "correcta" noção de cultura: se se confundir a escala de Richter com a de Mercali quanto muito recebe-se um sorriso complacente e suave explicação, se se disser que Pedro Gilles foi amigo de Thomas Mann é-se um imbecil, apupado na rua. É muito interessante ver como a crítica ao reducionismo economicista casa tão bem, e com tanto afinco, com tamanho outro reducionismo.
Dir-se-á que são factores diversos na formação individual, com diferentes efeitos na personalidade de um cidadão, de um político. [Já agora, permito-me dizer que de um primeiro-ministro do meu pais espero que esteja atento aos devaneios utópico-totalitários. Mas também às necessidades da construção anti-sísmica]. Com toda a certeza, mas a cegueira face a estes preconceitos muito diz da profundidade analítica das vozes críticas.
Sobre este último aspecto consulto as minhas memórias. Há alguns anos Cavaco Silva visitou Moçambique, então convidado para um seminário sobre a introdução do Euro. Nessa altura proferiu uma conferência na Universidade, sobre a integração europeia. Nunca aqui assisti a um conferência tão concorrida, gente sentada no estrado, nos degraus do anfiteatro, no chão, em pé nos corredores. Mas para além de concorrida a conferência foi absolutamente luminosa. Lembro bem a quantidade de moçambicanos nada cavaquistas que me vieram saudar, até explicitamente surpresos pela dimensão patenteada, apenas por ser patrício.
Se tivesse falado de Fichte, Bruckner, o cosmos, Dante, Suméria, sei lá, seria um homem de cultura. Para usar a triste metáfora que por aí anda, seria um homem que tinha ascendido de Boliqueime. Como falou de Monnet e de relações internacionais é apenas um homem de Boliqueime.
Hoje e depois eleições na Namíbia. Sam Nujoma retira-se. Presume-se uma relativa continuidade.
E fica a questão da terra. Nujoma prometeu a expropriação dos "farmeiros", brancos claro. Será essa uma boa medida social? O que integra mas não se esgota no económico. Tenho imensas dúvidas. "Claro, é branco" resmungarão alguns. Não chega, tenho mesmo muitas dúvidas que a mudança do sistema de propriedade chegue só por si para uma melhoria das condições de vida. Vide o vizinho ao lado. Porque isto não se esgota na cor.
Classe não tem cor. É como o dinheiro.
As eleições estão próximas. Há alguma polémica sobre o perfil das missões internacionais de observação eleitoral (UE e Centro Carter). No fundo é uma polémica sobre o sentido da lei eleitoral: permite esta apenas o que está explícito? Ou tudo aquilo que não está proibido?
Acho um bocado exagerada a polémica, a levar a crispações desnecessárias. Não sou nada especialista mas acho que a lei eleitoral é boa. Os documentos que saem das mesas de voto são oficiais e soberanos. E todos os partidos têm acesso a um original desses editais. Isso chega. Para quê tanto alarido?
Isto a propósito de um refrescante jornal Notícias de hoje: nele se lê que Afonso Dhlakama afirmou no Cabo Delgado que não há espaço para quaisquer fraudes eleitorais, assim valorizando a lei.
Se os líderes em contenda desvalorizam o horizonte de "fraude" pouco espaço fica para essa arma de arremesso. E para o seu perigo.
Pelo menos no meu país há gente, e blogogente, que não quer perceber. Há um abismo entre quem pensa que alguns não devem ser ouvidos e quem pensa que alguns não devem falar.
Esse abismo não é a inteligência. Lamentavelmente. Esse abismo é moral.
Na sua coluna no semanário Domingo, Sérgio Vieira afirmou que conhece pessoalmente observadores eleitorais internacionais que se comportam como se estivessem em turismo, inclusive sexual.
Eu fui observador o ano passado (e noutras épocas noutros locais). Conheço pessoalmente Sérgio Vieira. Caíu-me mal.
Foi semana complicada, mas mero prenúncio de seguintes ainda mais. Outras machambas. Deu para se compreender, como logo resmungou comentário abaixo o JPN.
Ficam-me algumas coisas que gostaria de ter abordado.
Aquela mesmo: Apanho já a meio uma reportagem na RTP sobre a obesidade em Portugal. Que é hoje o segundo país europeu em obesidade infantil, depois da Itália. E generalizada nos adultos. Sinal de uma profunda (e má) mudança de dieta e de formas de vida. Fruto e símbolo de uma radical mudança social.
A reportagem culminava numa cantina de escola secundária, onde algum inteligente tinha dado instruções para melhorar a ementa. Falava uma professora (?) dizendo que não há uma única instrução do Ministério da Educação sobre como alimentar as crianças. Espantosa inconsciência, espantosa irresponsabilidade, espantosa incompetência. Fico estupefacto, confesso que nunca imaginei que tal fosse possível.
Procurei ecos bloguísticos a ver se me informava mas nada, também é verdade que morreu Arafat, que interessa Portugal?, também é verdade que houve um congresso, que interessa o real?.
Mas vá lá, por aqui lá cheguei a alguma referência ao assunto. Bolas, afinal era mera efeméride, o dia da obesidade, dos diabetes, dos colesteróis e quejandos. Para o ano há mais...
Merda, não há nenhuma dúvida que esta informação toda, este barulho todo, é mesmo o ópio do burguês, concluo do cima da minha rotunda barriga.
A minha sobrinha Cristina acabou há pouco o curso de nutricionismo. Há males que vêm por bem, trabalho não lhe faltará pela vida dentro.

Jall Sinth Hussein, Poemas do Índico, uma edição Amores Perfeitos.
Abaixo transcrevo excerto do prefácio, da autoria de António Jacinto Pascoal, a quem mais uma vez agradeço a simpatia para com o Ma-Schamba.
Jall Sinth Mussa Hussein (? – 1982) nasceu em Muipiti, na Ilha de Moçambique, filho de dois indianos a que, à época, se chamava de monhés. Não sabemos a data de seu nascimento, mas segundo aquilo que meu pai nos contou, terá morrido em 1982, em Maputo. Meu pai, militar de carreira, cumpria o serviço militar em Moçambique, tendo passado por Tete, Nampula e Lourenço Marques. Visitava regularmente a ilha, onde fazia praia junto ao forte, e foi aí que, um dia, terá conhecido Jall. (…)
Neste livro reúne-se o conjunto dos tercetos que Jall intitulou de Basma que é uma palavra de origem turcomana ligada à estamparia de tecidos (recorde-se que Jall era dono de um bazar), bem como uma série de poemas sob o nome de O Que Dizem as Coisas. Os dois livros fazem parte de uma unidade que uma folha branca escrita a lápis designou por Poemas do Índico. E de facto, há uma coerência temática na obra deste indiano, em que a obrigação de estar atento ao real e à fusão com os elementos da natureza são temas recorrentes. Estamos em crer que este livro transmite a herança duma cultura fronteiriça oriental no limiar do Ocidente, possuindo uma sensibilidade e uma nobreza comum a imensas obras de ressonância árabe e asiática que celebram o amor pela vida como o mais alto valor na vida. (…)
A obra de Jall Hussein é um hino à dignidade, à luta e à liberdade humanas, numa espécie de diluição do homem com os elementos da natureza. As referências constantes a autores orientais, o referente do Índico, a forma poética que remete para o hai-ku japonês, e os poemas de filiação taoista e helénica prefiguram uma poesia que busca a essência do mundo e as grandes preocupações do homem, sem deixar de estar atenta às fragilidades e aos aspectos mais ínfimos da condição humana. É, por isso, uma poesia universal, plena de um discurso hierático, mística e clássica, revelando as necessidades mínimas da linguagem.
António Jacinto Pascoal
No Montanha Mágica um interessante documento: A Declaração de Évora Por Uma Europa Cultural. Super-ideológica no explícito. Super-ideológico no implícito.
Apesar do "construcionismo" europeísta, apesar da a-historicidade do "ecumenismo" ali referido, registo o enfoque na Educação/Cultura diferenciado da Educação/Formação Profissional. Questão que ultrapassa, e em muito, a "Europa".
É um verdadeiro exemplo de Coluna Vertebral a atenção e eco a este texto [abaixo transcrito] denunciando a imbecilidade amoral.
Eu bebo
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mas noutras paragens, e por exigências de cidadania, passarei a beber

ou, e cantando o "Apesar de Você",

Cerveja Mórbida
Por DAVID RODRIGUES
Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004
o século XIX o fascínio pela diferença, conjugado com o triunfo da ideia de que tudo tem o seu preço e se pode negociar (ideia cara ao capitalismo nascente), deu origem a um tipo de espectáculo que hoje consideraríamos bem estranho. O espectáculo era muito simples: consistia na exibição em feira ou circos de pessoas com características corporais excepcionais ou com deformidades ou anomalias físicas. Os espectadores pagavam, assim, um bilhete para ver "o homem mais pequeno do mundo", a "mulher mais alta do mundo" ou a "mulher com barba". O negócio da exibição incluía também e com assinalável sucesso pessoas com deformidades físicas, com deficiências, fetos, nados-mortos, siameses, cadáveres, etc. A exibição destas pessoas, designadas na cultura americana por "freaks", tem sido abundantemente documentada em livros e filmes (ref. o filme "O Homem-Elefante" contando a história de Joseph Carey Merrick) e dá-nos conta de que por detrás de um negócio de exploração do "mercado da curiosidade" se encontravam sistemas brutais e impiedosos de exploração das pessoas exibidas. Estas práticas não se passaram só em tempos recuados ou fora de Portugal. Lembro-me de quando era criança ter visto na Feira Popular na cidade do Porto uma tenda onde se exibia o "gigante de Moçambique", um homem excepcionalmente alto que veio a falecer pouco tempo depois desta exibição.
Os espectáculos deste tipo foram gradualmente desaparecendo, porque se tornou cada vez mais óbvio que são degradantes para quem vai assistir e para quem é exibido. É hoje consensual que fazer da exibição de uma pessoa com deficiência um espectáculo pagante prefigura um voyeurismo perverso e indicia interesses económicos da mais indisfarçada exploração.
Por outro lado, sabemos que a economia está mal, que é preciso aumentar as vendas, cativar novos públicos para novos produtos, criar consumo. Sabemos também que a publicidade se tornou uma forma de desequilibrar as modorras e criar novos eldorados de consumo. Apreciamos a criatividade e o profundo conhecimento sociológico dos publicitários que sabem o que devem mostrar e dizer para criar necessidades e tornar produtos inicialmente "neutros" em inevitáveis desejos.
Vêm estas duas considerações anteriores, sobre os "freaks" e sobre a publicidade, a propósito da campanha feita por uma cerveja que, para chamar a atenção dos consumidores, compara a cor preta da cerveja com o humor negro. Para isso, conta, entre outras, a história da notícia do nascimento de uma criança com deficiência, sem membros e reduzida a uma orelha surda. E faz "piada" disto e quer ganhar dinheiro com isto, motivando-nos para beber a cerveja negra como o humor da campanha.
Esta publicidade é indigna e aviltante para as pessoas com deficiência e para as suas famílias. Faz regressar em pleno século XXI o riso alarve de troça sobre as pessoas com deficiência, lembra a exploração dos "freaks" para ganhar dinheiro.
Sabemos que a forma como as pessoas com deficiência são consideradas depende da construção social que fazemos à volta da sua condição. Vemo-las como autónomas? Vemo-las como dependentes? A deficiência é, antes de mais, uma construção social. E, se assim é, qual é o contributo que esta campanha publicitária dá para um entendimento solidário e cidadão da deficiência? Nenhum, porque a "piada" são as próprias pessoas com deficiência e o riso é suscitado pela exibição das suas deficiências, exibição esta que faz outros ganhar dinheiro (dinheiro não para eles, mas à custa deles..).
A campanha desta cerveja já nos tinha habituado a "slogans" sexistas, mas agora passou as marcas: está a rir-se boçalmente do nascimento de uma criança deficiente; boçalmente, porque a piada está na crescente angústia do pai, boçalmente ainda, porque a piada só tem sentido porque a deficiência vai aumentando com o correr da história. Quanto maior é a deficiência, mais nos rimos...
Convido os leitores a serem sensíveis a esta campanha publicitária. Quando lhes apetecer uma cerveja, lembrem-se desta marca e... peçam outra cerveja qualquer. "Só alguns apreciam", não é verdade?
Vamos seguir as regras do mercado livre: há escolha? Então, eu não bebo cervejas que para vender gozam com a dignidade humana. E você, amigo leitor? professor da Universidade Técnica de Lisboa
Abaixo, no viabilização abordei a excelente prosa que o PQ dedicou à política portuguesa de Internet. O PQ comentou, esclarecido. Mas referindo que eu não teria sido muito explícito, que não me fiz entender.
Nada percebo de internet, do seu mundo e arquitectura. Nem mesmo como mero utente de computador, como aqui está explícito. Portanto sobre esse aspecto apenas pude apreciar, como leigo absoluto, o que me parece ser uma muito boa análise.
Quanto à viabilização do weblog.com.pt, que espero imparável para o futuro próximo (quanto à eternidade não é meu assunto), apenas referi que, em teoria, não me parece nada absurdo que haja algum subsídio estatal - e que se o PQ tivesse uma empresa dedicada a outros produtos culturais a ninguém pareceria absurda essa hipótese. Poderiam discordar dos critérios, mas achariam regular (a evitar o termo natural).
O PQ, e também o Anjo Élico, comentam, demarcando-se em parte da "política do subsídio". Em termos que não afronto. Mas não deixo de matizar um pouco. O protesto com a política do subsídio na cultura foi-se afirmando, e decerto que assente em perversões que causou na produção e na utilização cultural. Mas, em minha opinião, foi-se tornando também algo "politicamente correcto". Hoje o Estado é regulador, dizem. Eu vejo-o também indutor e redistribuidor. Porquê tantos solavancos na aceitação desse papel nas áreas culturais?
Muitos chocar-se-ão com isto, "para onde vão os meus impostos". Mas não se chocam com as obras públicas, óbvios subsídios a torto e a direito, directos e indirectos.
Já agora, e repito, não compreendo a maioria das pessoas que usam um serviço deficitário e que não o pagam. Ainda por cima quando o seu preço é baixo. Sim, talvez efeitos de uma mentalidade "subsídio-dependente". Mas não pode ser só isso.
O agitado colectivo Bazonga da Kilumba, chefiado (ao que parece) pelo heterobloguista Horrendo Adamastor acaba de ser nomeado para os Deutsche Welle International Weblogs Awards 2004, e ainda para mais na muito invejável categoria Melhor Inovação. Eu vou lá votar. E confesso, algo nepotista, nem preciso de ver os outros candidatos.
Adenda: fui lá votar e ver como está a votação. Os rapazes não vão mal, mas 200 e tal votos atrás do primeiro. Nada que dia e meio de solidários leitores destas machambas (versão sitemeter) ou seis horitas dos mesmos (versão weblog) não resolvam.
Para atenuar tamanho nepotismo aqui fica declaração de voto.
Nem quero ser brejeiro, que é dia de má disposição. Mas, e por razões que acima adiantarei, vou rapidamente à procura no ma-schamba de um texto que acho ter chamado "bazongueiros" e sai-me isto:
"Devido à sobrecarga do servidor o serviço de pesquisa interna do sistema MT 2.66 está temporariamente desactivado nas horas de ponta.
Desculpe o transtorno.
A situação será resolvida."
Hora de ponta? Aqui são 2.30, estou de saída a correr, já atrasado. Na terra do MT 2.66 devem ser 12.30. É isto a "hora de ponta"? Seja lá o que isso for. Já agora alguém pode me pode informar, não do significado, mas do horário em causa?
A ler o Paulo Querido sobre a política portuguesa de expansão da internet.
Se o PQ tivesse uma pequena empresa dedicada à produção de música, livros, artes plásticas, cinema ou outra qualquer mais nobre actividade, o que aqui afirma seria pacífico. Assim talvez soe estranho a alguns, e nem todos dos mais anti-estatistas. Principalmente quando urge um pequeno investimento.
Honestamente, sem pedinchice ou estadodependência, acho que um apoio estatal ao desenvolvimento da rede bloguística portuguesa seria mais do que "mainstream" ao seu comportamento no domínio da "produção de conteúdos" [horrorosa expressão, mas fica assim mesmo]
No Chuinga a TDelagoa conta a África dela. A ler. Por quem a conheceu, e assim reviverá algo. E por quem não a conheceu - em particular por quem não a conheceu e de tão alto dela fala.
Estive ali na sala onde faço as minhas releituras, acabei um pequeno conto "Nós, Aqui Por Entre o Fumo" e vim ao blog noite dentro. Ao blo.gs, melhor dizendo. Clic em clic o CAA envia-me para blog novo, coisa colectiva de gente já algo afamada, e com todo o aspecto de movimento de secessão. E é por lá que encontro abrigado, e logo a prestar homenagem, o compadre Isidoro de Machede.
Ora vindo de onde vinha e ali chegado que mais posso fazer do que resmungar "ele há coincidências do c...." e atirar com o

ao Isidoro.
[Ilustração de Júlio Pomar; em José Cardoso Pires, O Burro-em-Pé, Círculo de Leitores, 1979]
ao Quase em Português pelo 1º ano. Gosto muito do blog, já aqui o disse n vezes. Acho ainda que o Lutz tem um excelente gosto no que toca a mulheres, é soberba a sua coluna "playmate da semana". E também o invejo, pela forma desempoeirada como bate forte e feio na politicagem (e não só) do seu país de acolhimento.
Fica o blogoabraço.
A Catarina deixou um Merdas que eu detesto nos blogs que me impele a botar no mesmo sentido - até porque o meu detestar pode ter causa tecnológica de minha exclusiva responsabilidade. E se assim for talvez algum mecânico espiritual possa surgir em meu socorro.
1. Detesto entrar num blog e ter que procurar o texto, seta do rato coluna abaixo coluna acima (eu sei que há imensos termos em inglês para estas coisas mas não preciso de os utilizar para me agigantar, eu já vivo na Commonwealth).
Neste caso ele há versões:
1.1. Entra-se, aparece o texto no topo da página, começamos a ler e logo ele foge, talvez tímido, queda abrupta mas para sítio mais ou menos certo. Para exemplos apelo ao patriarca PQ e ao neófito Eufigénio: prova que calha a todos, nisto a antiguidade não chega a posto;
1.2. Entra-se, aparece o texto no topo da página, começamos a ler e logo ele foge, decerto tímido, queda abrupta mas para sítio completamente inesperado, até porque basto amparada por ressaltos imprevisíveis. Para magno exemplo, pois muito sofrido, o Adufe, ainda que "feito de madeira leve" o que sempre me faz temer pela sorte das "membranas retesadas de ambos os lados".
2. Detesto ainda bater à porta de blogs que me exigem senha, código de acesso. Empertigam-se, fazem esperar à porta e, finalmente, apresentam tabuleta altiva, debruada com um X de vermelho (mas não rockeiro), onde estipulam que "The data that the plugin requested, did not download sucessfully". Altivez que encontro, por exemplo, no vizinho Memória Virtual (que, não contente, acumula com 1.2) ou na recém-regressada Cópula Vocabular.
3. Finalmente, auto-detesto-me ao tentar entrar no Letras com Garfos pois o Orlando desde que ascendeu a III tem aquilo de um modo que nunca encontro os textos, nem consigo ler de modo descansado os bocados esparsos que vou apanhando, nem percebo nada do que para ali se passa.
Pois oscilo. Que fazer do meu Tulip velhote? Será dele a culpa? Mas se ele consegue ler tão bem tantos outros blogs? Enfim, lá continuarei a escapulir-me para estes blogs, e outros que tais. Com praga ali, praga acolá...
ADENDA: a Catarina comenta, referindo a hipotética importância da música nestes problemas. Estará certa, porventura. Nem me lembrava disso. É que no computador não tenho colunas, era o que faltava. A música é sempre a cá de casa. Hi-Fi, pois então, cheia de fios por esse chão. E a lamentar não ter gira-discos, maldito imperialismo globalizador do CD/DVD.
Gosto de blogs colectivos. E é um gosto com inveja.
Gosto da pluralidade, da confusão, até das discussões internas.
E gosto de ir a um local ler algo com o qual discordo radicalmente. E aí mesmo, logo se seguida encontrar sobre a mesma matéria algo com o qual concordo em absoluto.
É isso, gosto do bocado incoerente que muitos blogs colectivos são.
Adenda: Um apreço pela saudável incoerência do colectivo que não impede que também goste da coerência, como aqui.
Uma das minhas "irritações de estimação" (sim, a la MEC) sempre foram esses líderes revolucionários apregoando 250 000 manifestantes aninhados na rua da Betesga enquanto os vizinhos polícias assobiam que o Rossio, afinal, está vazio. Como se inflaccionar números à vista armada dê força às causas. Como se a polícia tenha como função o malabarismo contabilístico.
Ambos sem respeitar o vulgar cidadão. Anos a fio neste despautério.
Daí que muito gostei desta minha visita ao Natureza do Mal.
A parcela não-cínica do JPT está agradada, e até com ponta de vaidade, pelo facto do Balcão ter alertado algumas boas consciências. "A ver vamos", resmunga o outro naco de JPT, sempre pessimista mas, confessa entredentes, invejoso num "pois, e a mim ninguém me liga..."
É no O Acidental que encontro polémica sobre a Igreja Católica e a Sida em África: dois textos do Rodrigo Moita de Deus em contraposição com o Luís Rodrigues do Random Precision. O RMD acaba irritado pois "há qualquer coisa nestas maldades e desonestidades intelectuais que me causam alergia" em quem critica a Igreja Católica. O LR nem hesita, riposta com o velho pesadelo da cumplicidade nazi.
Paulo Pinto Mascarenhas e, principalmente, Pedro Marques Lopes vêm matizar a opinião do PMD. E no Ford Mustang está uma boa crítica, em meu entender, ainda que não concorde com grande parte.
Sei que o que vou para aqui escrever vai soar arrogante. Mas, e falo acima de tudo dos 4 primeiros textos referidos, esta discussão sublinha-me uma sensação crescente nas visitas à maioria dos blogs políticos portugueses - há uma constante apropriação da realidade para afirmar e comprovar as respectivas ideias. E não o oposto. O real vai perdendo importância. E, ao mesmo tempo, as ideias vão-se ficando crenças. E fica um enorme desinteresse. E, se calhar, este é um carapuço que se me aplica.
Nesta troca de posts fico-me com uma sensação: o Sida nada interessa, mera matéria-prima para reforçar as auto-imagens de cada um sobre a sacra ou maldita Igreja. E nem mesmo esta, na sua prática, interessará. A não ser que sossegue as respectivas imagens.
Enfim, a propósito da querela Sida e Igreja Católica em África, e até pela sensação referida, boto de novo um texto já ma-schambado em 5 de Fevereiro (quando isto tinha tão menos visitas). Ainda que não se adeque completamente.
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A Sida e a Igreja Católica em África
Apontamento rápido (e muito pouco cuidado) a propósito do que disseram no Vaticano sobre companhias farmacêuticas e a Sida em África. [Se quiser veja comentários anteriores no Aviz e no Valete Fratres]. A partir de Moçambique algumas questões:
1. Tal como noutros países africanos - exceptuando o referido bem-sucedido caso ugandês, de apelo à abstinência, “fidelidade” (odeio o termo, mas descreve), e “camisa-de-vénus” (acho óptimo o termo) apenas em última instância – as campanhas de prevenção falham e o Sida continua galopante.
Desconheço a realidade ugandesa. E será de estudá-la para saber como é que a mensagem passou, que contexto de divulgação e de recepção teve. E tentar reproduzir. Mas urge actuar, e não há nada pior do que estudos apressados para induzir à acção. Daí que...
As campanhas de prevenção falham, independentemente dos meios e métodos utilizados. Porque serão mal desenhadas é uma das razões, mas não pode ser a única.
2. Diz-se que a Igreja Católica é responsável. Se-lo-á em parte. Sou ateu mas nada anti-clerical, esclareço. Mas acho abominável o cabeça-na-areia em que ela se encerrou.
Mas há algo nesta discussão de muito eurocêntrico, melhor dizendo, catolicocêntrico. Aqui a maioria da população não é cristã. Professa as religiões dos espíritos ancestrais (às quais antes se chamava animismo, noto aqui para facilitar). 20% é islâmica. E os cerca de 30% de cristãos estão espalhados entre várias igrejas, estando as protestantes africanas em rápida expansão, atendendo entre outras coisas à sua superior capacidade sincrética com as religiões locais. Tal como o islamismo. E ainda (e aqui diferentemente do culto muçulmano) à sua reclamada capacidade em intervir directa e imediatamente nos destinos pessoais – daí a prevalência dos cultos no Espírito Santo, conceptualizado nas cosmologias locais como superior aos espíritos locais e portanto potência protectora dos ataques de espíritos ancestrais próprios e alheios, bem como dos constantes ataques dos indivíduos vivos e vizinhos (chamem-lhe feitiçaria para facilitar).
E, acima de tudo, porque oferecem protecção contra o omnipresente Sida, uma nova praga que exige uma protecção nova.
[Não é para aqui, mas acho que nestes decénios a grande revolução em África é a religiosa].
Daí que centrar a reflexão sobre o Sida na problemática do Vaticano é estar a discutir o Vaticano, não o Sida. Atacando-o ou defendendo-o, a partir de posições próprias. Porque a Igreja Católica é um dos elementos em campo, e quantas vezes não o mais audível. E porque mesmo quando presente a população católica catoliciza-se à sua maneira – o que todas as populações católicas o fizeram – relativizando a palavra, a doutrina, da Igreja. E, importante, porque o clero no terreno também molda a sua mensagem muito mais do que a hierarquia o faz.
3. A prevenção falha. Encontrar razões para isso desespera quem as procura. À falta de melhor dizemo-las “culturais”. São-no também: eu encontrei do Niassa a Ressano Garcia (do norte a sul) a crença de que o Sida é apanhada exactamente pelo uso dos preservativos, em especial pelo contacto com o seu óleo. Estupidez? Mas o raciocínio provém da racionalidade empírica: pois se antes de chegarem os preservativos não havia Sida. Mais, o Sida é uma invenção dos brancos para acabar com os pretos, para os impedir de ter filhos, e assim tomar as terras. Absurdo? Talvez (atenção, em tempos também se falou da origem provir de uma fuga dos arsenais biológicos), mas se o branco sempre foi o agressor/conquistador? Ouvi a este propósito uma frase eloquente: “se os nosso avós fodiam assim e os nossos pais também fodiam assim, como vamos nós fazer?”
[NOTA Novembro: ver homologia com espantosas declarações da recente Nobel da Paz, sinal de como alguma "inteligência" africana conceptualiza as relações Norte-Sul]
4. Razões sociais. A população, em particular rural - mas a urbana é ainda rural - precisa e quer muitos filhos (tal e qual a europeia até há algumas décadas, não esquecer). Porque a mortalidade é elevada e é preciso assegurar descendência. Porque filhos são mão-de-obra (retirem daqui o marxista “exploração” por favor). Porque filhos são alianças com os seus futuros sogros e parentes. Porque filhos são segurança na velhice, para seus pais e parentela (segurança social, não?). E, acima de tudo, porque é bom ter filhos. Sexo com preservativo é impedir a procriação, como é isso possível?
5. Mas então que sejam fiéis, dirão. Mas há a poligamia, que é tão ancorada como a nossa monogamia. Mas há o divórcio fácil, muito em particular no norte matrilinear ou no sul quando os casamentos não são lobolados (o lobolo é o pagamento à família da noiva – não é uma compra, é uma legitimação da relação, é tanto uma compra como o nosso dote era a compra do noivo). E o levirato e o sororato, em que viúvos ou viúvas casam com irmãs ou irmãos dos conjuges falecidos, assim continuando alianças, estatutos sociais e protecções mútuas. E há uma esperança de vida baixissima, que multiplica os viúvos em idade sexual muito activa. E há grandes deslocações populacionais bem como as migrações laborais (para as cidades, para a África do Sul – [e este é outro assunto, as actuais barreiras sul-africanas ao mineiro moçambicano, depois de tanta solidariedade]) que multiplicam a necessidade sexual e as hipóteses de posterior contaminação familiar. E há uma moral sexual (felizmente, apesar do Sida) bem mais aberta do que a tradicional euro-burguesa. E há a expansão da comercialização do sexo, até diferente da prostituição. Apanhei machambeiros de aldeias recônditas queixando-se de que agora as vizinhas, também machambeiras, lhes pedem 5 mil meticais por sexo (40 escudos, mas é dinheiro que se veja). Enfim, há uma série de factores para um sexo múltiplo, as quais não passam pela “infidelidade” nem pela “inconsciência”.
6. Há também o peso das Igrejas. Disse atrás que as igrejas cristãs defendem contra o destino, nele actuam. E também defendem do Sida. Vituperam o pecado. Os pastores invectivam o pecado, a infidelidade (que leva ao Sida), e os ambientes que a possibilitam, potenciam. Ambientes cujo pacote é o fumo, a bebida, o preservativo. A mensagem é não fumar, não beber, não usar preservativo, não ser infiel. Tudo é pecado, tudo isto é de renegar. – e aqui é espantoso, óbvio efeito dos preconceitos de quem faz as campanhas que estas igrejas não sejam integradas no esforço de prevenção, de molde a mudar um pouco a mensagem.
Será perceptível para um europeu (imerso em publicidade variada) o efeito contrário que campanhas de cartazes (out-doors, no português de Portugal) pelo preservativo têm? Pois se em tanto lugar (e tanto) os únicos cartazes publicitários que existem são os cigarros, a cerveja e os preservativos. E colocados nos mesmos sítios. Magnífico contra-senso, associar todos os símbolos do pecado (até a Coca-Cola ou a Sparletta poderão aparecer, os refrescos que também acompanham as noites pecaminosas).
7. E há o silêncio sobre a Sida, a vergonha. Há tempos um irmão de Samora Machel veio anunciar que estava a morrer de Sida (diz-se que influenciado por Graça Machel, aqui uma referência). Foi elogiado mas também muito criticado. Silêncio que começa a ser combatido, o último jornal Savana ocupa a capa com a fotografia de um entrevistado com o título “Sou seropositivo há dez anos”. Finalmente luta-se em público contra o grande inimigo: a invisibilidade do Sida. Pois durante anos não se via, dado que as pessoas morrem de outra coisa. Mas hoje, com mortos em quase todas as famílias, essa luta ainda que bem-vinda é até anacrónica, a invisibilidade pública do Sida não significa já uma invisibilidade privada. Mas ainda se reproduz, pelo medo, pela vergonha.
8. Volto ao princípio. A prevenção falhou. Com Vaticano ou sem Vaticano. Neste momento a única coisa a fazer, e de novo com Vaticano "pela fidelidade" ou sem o Vaticano, é espalhar os químicos. Criando ou reforçando as redes de saúde pública que permitam o seu acompanhamento, sem as quais tudo isso será inútil. E é decerto por Moçambique ter essa rede, rara em África ainda que tão frágil aos nossos olhos, que aqui se vão espalhar retrovirais.
9. E como a prevenção falhou e os químicos são a única forma de combate mais ou menos rápido há que os "mundializar", retirá-los dos monopólios de patente. E deixar de ler este assunto segundo os paradigmas da luta contra a Igreja (católica) ou a seu favor, ou contra os grandes grupos da indústria farmacêutica. Não porque sejam questões morais ou políticas, porque até as são. Mas acima de tudo porque essa é uma forma de pensar que neste caso é totalmente desligada da realidade. Devido à distância, talvez. Devido aos preconceitos, com toda a certeza.
Jantar opíparo (ali é sempre), em casa de gente soberba, amigos de há já vinte anos donos Antónia e Luís e todos os outros à mesa, sita na paralela traseira ao Quarteto. Varanda nos acepipes pós-mesa e alguém a dizer, esses trechos de memória que surgem assim como nada, quase no despropósito, "aqui na esquina era a Vega, foi lá o lançamento do primeiro livro do Lobo Antunes", a lembrar-se do dia em que também esteve.
faz hoje anos que um maldito Muro foi abaixo (e assim de repente parece que foi anteontem). A esse propósito o Lutz no seu muito melhor. Vénia...
que cada vez que o Sporting perde José Couceiro vai ao programa desportivo da RTP-I/A de Cecília Carmo e Gabriel Alves (sim, Gabriel Alves)?
Há meses coloquei aqui texto velho, um modesto ensaio que sonhei contributo à Teoria das Relações Internacionais. Chamei-lhe HA NGONHAMA YA MBANGU LOWÔ, "o único leão neste lugar" em ronga.
Há pouco fui ao cinema. E tantos anos passados sorri, até comovido.

[Maputo, Cine-Teatro Gil Vicente, Outubro 2004]
Arrogo-me: não há como um ensaio baseado na empiria, na sua etnografia. A nossa experimentação.
E depois podem vir os malteses políticos. E seus mordomos. Mera poeira sem o querer ser. Sendo que assim nem o vento a quer.
D. São, um beijo.
O CAA tem um acertado texto sobre bloguismo em Portugal, no seu rescaldo do Encontro de Blogs em Beja.
A sublinhar dois pontos: mais tarde ou mais cedo o bloguismo será legislado. Dura Lex Sed Lex pus lá nos comentários. E bloguistas avisados valem a dobrar - seria conveniente articularem discurso sobre o assunto, aí na santa terrinha. Para mais gente da escrita, que se entende como consciente e reflexiva. Há que antecipar. E há por aí uns juristas nos blogs. E políticos, e políticos.
O outro, mais restrito: o serviço gratuito do weblog.com.pt. Acho óptimo que exista. Mas, e como diz o CAA, o preço praticado é tão baixo que se torna difícil compreender como é que a maioria dos blogards [já que blogueiro é alternativa a bloguista] não o paga. Fuínhice, na esmagadora maioria dos casos.
Isso tem que evoluir, tipo sócio de clube de futebol. Grátis para os jovens, preços reduzidos para reformados, atenção aos desempregados. E, já agora, que tal cota mínima para sócios correspondentes, estes cá longe?
Para potenciais bloguistas de Maputo, aflitos com a tecnologia. Em curta visita à Escolar Editora, a à Loja Franca, encontrei vários exemplares do "Weblogs" de Elizabeth Barbosa e António Granado, edição da Porto. No fim tem um pequeno(issimo) "faça você mesmo". E não é muito caro.

Mapa retirado do sítio do GreenPeace, depois de o ter visto no Ruínas Circulares.
O Horrendo Adamastor a falar da política da língua e cultura portuguesa no exterior. Em jargão de "comment" já lá deixei minhas discordâncias, mas o texto e as preocupações merecem atenção.
Desde há muito tempo que só ouço rádio no carro. Como há alguns anos me danificaram o rádio do carro, tentando roubá-lo, nem isso. Não o substitui, gosto de guiar sem barulho, a pensar. Ou, melhor ainda, vazio. Daí que escrevo um pouco no ar, sem empiria recente.
Vem isto a propósito de uma notícia que retiro do Moçambique para Todos: a Radio France Internacional prepara-se para terminar o serviço em português para África. E lá vêm os pedidos para protesto.
Eu só me lembro de quando tinha rádio no carro passar Boane a caminho de Xitevele, 40 kms se tanto de minha casa, e já não se ouvir o murmúrio da RDP-África. Protestar com a RFI por disseminar a francofonia? Desvalorizando o serviço em português?
Realmente...
A este propósito vou vender um peixe que comprei. Estima-se que existam cerca de 8000 emigrantes moçambicanos em Portugal. O recente recenseamento colheu cerca de 900. Dizia-me entendido na matéria que entre outras razões para tal fraca adesão deve-se recordar a falta de divulgação. Pois parece que apenas a RDP-África difundiu este recenseamento.
E como fora de Lisboa e Porto ela não se ouve...não há retransmissão, entenda-se.
(juro que não sei se é verdade, mas não me custa nada a acreditar).
Protestar com a RFI por não continuar a divulgar a "lusofonia" em África. Realmente...
Sobre o Moçambique actual aprende-se bastante lendo-se esta crónica.
Estará carregada de sub-texto. Mas também de explícitos.
O projecto IDENTIDADES, almeado por José Paiva, lançou esta semana em Maputo "Imagem Passa Palavra", um livro que associa obras de 50 artistas plásticos e 50 escritores dos países de língua oficial portuguesa.
IDENTIDADES é um belo projecto de articulação, centralizado na Cooperativa Gesto (Porto), na Faculdade de Belas Artes do Porto e na Escola de Artes Visuais (Maputo). Desde 1996 que tem desenvolvido as suas actividades, de modo constante. E com muito boa onda. Rara. Para além das manifestações artísticas e da interligação pedagógica, esta muito frutuosa, o IDENTIDADES conseguiu por ora incluir a Faculdade de Arquitectura do Porto no projectar da futura Escola de Artes Visuais aqui.
Muito honestamente Paiva e sua gente, bem como a EAV, têm dado um exemplo de como com algum apoio institucional, nada faraónico, se podem produzir belos e duradouros frutos na "cooperação" cultural. E, repito, têm muito boa onda. Em linguagem mais séria, entenda-se mais política, dir-se-á que têm a atitude correcta para quem faz coisas num estrangeiro muito especial. Um estrangeiro mútuo. Enfim, são um case-study. Aliás a ser feito. Que venha a servir para consulta aos candidatos a profissionais!

"IDENTIDADES é um movimento artístico, iniciado em 1996, com um programa de intercâmbio cultural entre Moçambique e Portugal. Desde aí tem cumprido diversos projectos e realizações, partilhadas também por pessoas de Brasil e Cabo Verde, países ligados pela língua portuguesa.
Em 200, o IDENTIDADES inicia a sua actividade editorial em livro com o lançamento da "Colectânea Breve da Literatura Moçambicana". Este livro reúne prosa e poesia (inédita ou não) de escritores moçambicanos, quer jovens, quer consagrados. (...)
A teia de relações que se estabeleceu ... animou-nos para a continuação da actividade editorial... Nesta nova obra invertemos a corrente: a imagem foi realizada primeiro, por 50 artistas plásticos...A partir das imagens, os escritores desafiados escreveram 50 textos inéditos, sendo que ficou estabelecido que os "duetos" não deveriam ser formados por pessoas da mesma nacionalidade (...)
Identidades, 2004".
Do livro retiro algumas ilustrações, ao meu gosto. Para provar que vale a pena? Sim, mas acima de tudo por prazer. E amizade. Assim aqui ficam pequenos excertos, de onde há muito mais.
O Velho ainda legou este:
Minha pausada forma de respirar.
Meu impestanável silêncio absorto.
A cabeça inclinada para o lado inverso
e nos lençóis a imobilidade dos dedos
não significa para a jovem nua deitada à esquerda
que o Zé da viagem aos cios do grande rio Zambeze
regressa ao Zé dos imenso lago Niassa do tédio?
(José Craveirinha)

(Rui Assubuji)
Suleiman Cassamo está, e é sempre bom sabê-lo na escrita. Faz falta. Em especial quando vem dizer: "Agora, o menino ranhoso que mijava no ntehê, nas costas da mãe, é dono do seu nariz. Acredita não ter inventado não só a vela mas também o vento da sua errante navegação. Revê-se na aranha, traçando o seu destino cósmico com a matéria da própria saliva"

(Ciro Pereira, fragmento)
Guita Jr. numa prosa até longa que lhe desconhecia, com a bela história de "Jesuíno Zaqueu, o Zaqueu para toda a gente da pequena e humilde cidade do sul, cantava cego o seu refrão para os transeuntes surdos da sua canção...Uma existência de total remissão. De pecado."

(Gemuce, fragmento)
Panguana também veio, para acabar: "E de vez em quando um pássaro que irrompe casa adentro e ensaia um cântico sempre que o poeta, triunfante, olha para o poema acabado e grita: Eureka!"

(Idasse, fragmento)
E muitos outros, daqui e não.
Confesso que estes livros, coisas objecto, colectâneas-encomendas, nunca me dizem assim nada, quase sempre falham. Coisa diferente aqui. Alquimia. Talvez a alquimia do IDENTIDADES.
A reacção francesa na Costa do Marfim, e o apoio unânime que recebeu vão ter efeitos duradouros. [textos abaixo transcritos, ainda que preveja a sua rápida desactualização]
Por um lado regressa a velha questão da separação das missões da ONU: deverão ser de "manutenção de paz" ou de "construção de paz"? Questão de implicações vastissimas. Por outro lado irá levantar inúmeras dificuldades à efectivação de novas missões. Quanto ao apoio e participação por parte dos países e organizações regionais.
É notório o desconforto, e até a ineficácia, de missões militares de manutenção de paz impossibilitadas de um efectivo uso da força - e o caso do Ruanda, mesmo que velho de dez anos, nunca nos deverá sair da mesa de cabeceira.
Mas também será notório que a afirmar-se o paradigma da utilização da força por parte das missões da ONU isso implicará que os países participantes voltem a ser, em exclusivo, "os suspeitos do costume". Então em África nem se discutirá, com mais ou menos exércitos subcontratados, nigeriano ou outros, explicitar-se-á a velha ordem, essa territorialidade imperial que teima em subsistir nas mentes e na ordem política internacional.
E entre estas opções qual a escolher?
Ainda que compreendendo a reacção francesa será de desejar a rápida reafirmação do paradigma "manutenção de paz". E o da multiplicidade das forças nacionais envolvidas.
YAMOUSSOUKRO, 6 Nov 2004 (IRIN) - Ivorian government warplanes bombed a French military base on Saturday, killing nine peacekeepers and wounding 31 as Cote d’Ivoire's army continued its offensive on the rebel-held north for the third day.
The French military said a US national had also been killed in the attack on the town of Bouake, the stronghold of the New Forces group.
“We retaliated and destroyed two Sukhoi 25s [warplanes] on the ground at Yamoussoukro airport,” Col Henri Aussavy, spokesman for the French peacekeeping force in Cote d’Ivoire, told IRIN.
The order to retaliate came directly from French President Jacques Chirac in Paris.
“(He) ordered the immediate destruction of the Ivorian military resources used in violation of the ceasefire,” his office said in a statement.
Defence Minister Michele Alliot-Marie said later that five Ivorian government helicopters had also been destroyed.
The UN Security Council held an emergency meeting in New York on Saturday to discuss the Ivorian crisis.
Some 4,000 French peacekeepers along with 6,000 UN troops patrol a buffer zone that cuts through Cote d’Ivoire, dividing the world’s top cocoa producer into a rebel-held north and a government-controlled south.
A ceasefire between Ivorian President Laurent Gbagbo and the rebels had been in place for eighteen months, until government war planes launched an aerial assault on Thursday.
On Saturday, shooting broke out in the main southern city Abidjan as French forces clashed with Ivorian troops around the international airport.
Humanitarian sources in Abidjan said pro-Gbagbo militants, known as the Young Patriots, had set fire to three French grammar schools in the city and looted French property.
The militants also descended on the French military base and the offices of the UN Mission in Cote d’Ivoire (ONUCI) to demonstrate and voice their anger over the retaliatory strikes carried out by the French.
The French government said on Saturday it had dispatched three warplanes on standby to Libreville, Gabon, where France also has a military base.
“The situation is deteriorating in Abidjan,” Aussavy of the French forces said.
An anti-French demonstration was also staged at Man, a town held by the rebels in the west of the country near the border with Liberia. French military sources said the protesters threw Molotov cocktails and stones at the peacekeepers, whom they accused of not taking action against the government army.
Rebel leader Guillaume Soro made a similar complaint. “You are going to see a massacre in Abidjan,” he told IRIN on Saturday. “We are going to have a catastrophic situation because of France’s hesitation.”
The Ivorian government’s offensive began on Thursday when its warplanes unleashed bombs on the central town of Bouake, and Korhogo, another rebel stronghold further north. On Friday the air attacks continued against several towns east and west of Bouake.
Soro said on Saturday that there had been fighting on the ground between his rebel troops and the government forces in Bouake. He also confirmed the two sides had clashed in the town of Zouen-Houenien, near the Liberian border, and at the nearby Ity gold mine.
Medecins sans Frontieres, which runs a hospital in Bouake, said its emergency services had admitted 11 seriously wounded people on Saturday, bringing the total for the past three days to 50, and that more were expected.
O Povo é óptimo quando é Povo. O Povo é óptimo e Nós iluminamos o Povo. Nós guiamos o Povo. Quando o Povo quer deixar de ser Povo há-de ser como Nós. Quando o Povo quer deixar de ser Povo mas não fica como Nós então continua Povo. Mas então já não óptimo. Só então.
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Diz-me a minha mulher que eu tenho costela elitista. Alguns amigos, dos mais chegados, antigos, por vezes dizem-me "cagão". Até concordo, ainda que contrafeito. Mas explico:
É que a minha família, nos vários troncos, saíu lá das terras há muitas gerações. XIX antigo até, ou mesmo antes. Alguns régulos outros nada mesmo, "população" apenas. E nunca tirámos Boliqueime de dentro de nós.
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Abomino esta direita. Abomino esta gente que se julga de casta alta. Reaccionária. Uma Reacção que Passa(rá). E que nos olha de cima. Ainda que não se lhes veja nem andas nem estrados para tal.
(telejornal RTP-África, o PR Jorge Sampaio defendendo uma futura federação de Estados europeus em "10 ou 20 anos")
1. Será que no referendo sobre a Constituição Europeia os emigrantes portugueses poderão votar? Ou repetir-se-á a paródia de democracia que sempre ocorre nas eleições para o Parlamento Europeu? Nas quais os portugueses que residem fora da União Europeia têm sua cidadania mitigada - o ressuscitar dos "portugueses de 2ª" dos tempos coloniais.
2. Face ao próximo referendo não será aconselhável ao Senhor Presidente da República o silêncio sobre a matéria? Ou as suas declarações significam que o Estado tem uma posição oficial sobre a matéria? Substituindo-se ao voto dos cidadãos - dessa percentagem que tem direito a voto?
A 2ª edição da PhotoFesta sublinha ser esta organização o maior evento cultural em Moçambique. Com a particularidade de ser totalmente independente das instituições estatais, nacionais ou internacionais. Uma pequena(issima) equipe, em regime amador/voluntarista, sob a égide da Associação Moçambicana de Fotografia. Com poucos recursos financeiros, muita entreajuda, e saber construir relações de colaboração/companheirismo com congéneres estrangeiros. O sucesso absoluto desta PhotoFesta é bonito por aquilo que nos mostra. Mas acima de tudo por tudo aquilo que promete.
No jargão do desenvolvimento, da "cooperação", da "good governance", do "state-building" (essa "nation-building" ressuscitada) a tudo isto se chama Sociedade Civil.
E se quem anda nessa vida, se quem tem esse "ganha-pão", não se apaixona por isto, não participa, não colabora ou, pelo menos, não assiste, então está enganado na profissão. Ou a enganar.
Nem sei se isto é argumento para solicitar maior apoio das instituições nacionais e internacionais para a próxima organização (2006). Porque se calhar só vai estragar. Mas é argumento para avisar, para que se tenha mais atenção. E mais impaciência pela próxima vez.
Para os leitores que chegam de Portugal. Que eu tenha conhecimento a PhotoFesta de Maputo é o maior e mais complexo evento cultural realizado nos países africanos de expressão oficial portuguesa - não é comparável com um festival de música, está claro. Será de lamentar a ausência da imprensa portuguesa, ainda para mais alertada e convidada pela própria organização.
Aqui fica o sítio, para informação e comprovação.
A hierarquia das preocupações políticas é sempre interessante. A vertigem histriónica pelo curto prazo é denotativa. Por isso às vezes é refrescante ouvir pensar, o ruído pesado da lucidez:
Certo que a defesa de regimes democráticos é fundamental. Por si mesmos, a democracia como um bem em si mesmo, não como um meio. Mas também segundo a presunção (presunção, infelizmente) que é um sistema político racional e ecologicamente menos imperfeito.
Mas essa defesa é cacofónica...provoca muita deshierarquia. Contraditória, portanto.
um radical islâmico tivesse assassinado o autor dos "Versículos Satânicos" (longe vá o agoiro) em pleno dia de eleições americanos teria caído o carmo e a trindade. E, já agora, que diria aquela direita em tempos tão anti-rushdie agora que o inimigo é o mesmo (pergunta embaraçosa, acho eu)?
Mas como foi um tipo qualquer "desconhecido" com nome desconhecido ("onde é que eu já ouvi isto?") ...
Ó santa procissão
Júnior e Joana
A Floresta Perdida
desenhos de Pedro Morais
textos de Luís Almeida Martins

Quinta-feira
04 Novembro 2004
Visão Júnior
1. Há meses escrevi, até reforçando-me com ligeira insistência: em Portugal urge uma política de arquivo bloguístico. Lembro que então Pedro Guedes do Último Reduto me avisou ter José Pacheco Pereira escrito alguns meses antes no mesmo sentido. Tenho ainda ideia de que no Memória Virtual esta questão terá sido abordada (Junho? Julho? perdi o registo que então guardei). Sobre a matéria recordo ainda um esclarecido texto (e comentários inclusos) no Adufe.
Não haja dúvida, os blogs são uma fonte historiográfica, e presumo-os fundamentais para a futura leitura destes meados de década.
Esta recordação surge-me dos últimos passeios pelos blogs portugueses. Pois neles a americanologia está viçosa, até estridente. Ela, e as suas particularidades, serão interessantes para uma história do político no Portugal actual.
2. Será uma americanologia muito fraquinha, cheia de essencialismos e dicotomias [coisas siamesas, diga-se]. Que parece tentar traduzir os (semi)conflitos portugueses, uma américa afinal matéria-prima para constituir a política portuguesa - notório numa esquerda lusa por ora democrata, uma direita lusa hoje republicana. Um pensamento sem história e encerrado em si mesmo. Mas, acima de tudo, traduzindo uma incapacidade de pensar Portugal. E a sua envoltura europeia.
Mas esta é minha mais que falível opinão. Que em nada reduz o interesse da actual atenção sobre os EUA, em especial dos seus conteúdos.
3. O primado do fast-thought? Certo. Mas também será interessante ver até que ponto isso se prende com a tecnologia. A urgência do(s) post(s) diário(s), curto(s) [os textos de blog têm que ser curtos mandam/padronizam alguns dos mais afamados bloguistas], em tom incisivo/provocatório [há que ser apelativo - o weblog não é um diário, oscila entre a vontade jornalística e o tique publicitário]. Honestamente, falar de política internacional num blog, se interiorizando todos esses pressupostos, torna-se algo bem difícil.
4. Interessante também ver como os blogs (alguns) surgem como mediadores da imprensa internacional. Ela está à disposição de todos os que tem acesso à net. Mas, e na americanologia isto é marcante, os chefes de opinião surgem explicitamente como o pré-consumidor da opinião estrangeira. Nada de novo em Portugal? Não, apenas no meio e na rapidez.
E crucial, o facto de isto ser explícito (o ritual da multiplicidade de links é até prestigiante. Resquícios da mentalidade académico-escolástica?) impede considerar esta prática como mera estratégia de prestígio. Torna-se mesmo função, a de seleccionador. [Nem sombra de crítica aqui, apenas constatação].
5. Pensa-se devagar e escreve-se longo. Em especial das coisas distantes. E muito em especial quando estas parecem tão próximas. Este é bocado desabafo.
A seguir, mais fotos.
1
2
3
4
5
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1. Alexandre Fenias "The Fischerman"
2. Sérgio Santimano, "The Marriage Cerimony"
3. Kok Nam, s/t
4. Luís Basto, "A child's dream of Africa"
5. Naíta Ussene, s/t
6. Ricado Rangel, "Our nightly bread"
Os postais do Iluminando Vidas.
Ontem, fim de tarde no Franco-Moçambicano, e surpreendido com oferta da PhotoFesta, apresentando um documentário, um excepcional documentário, sobre James Nachtwey. Este excepcional, mas isso já sabido. Nas fotos, nas palavras.

[fotografia reproduzida deste sítio]

[fotografia reproduzida deste sítio]
Muitos blogs portugueses têm encerrado, alguns da minha preferência. E se alguma essência há nos blogs é exactamente este "a prazo". Hoje a triste notícia do final de excelente Janela Indiscreta, uma referência de bom gosto. A ver se se arrependem.

Primeiro chega-me o aviso por email, o clarividente Marco. Logo depois o Memória Virtual a ecoar - e por lá, nos comentários, até se dizem as lojas onde está disponível. E eu aqui tão longe...que inquietação, que raiva. Mas também esperança, a de um dia poder ter.
Porque a felicidade é ver os "Pequenos Vagabundos". Rever a Marion. Só. Claro.
Para que as visitas do Ma-Schamba não pensem que o mundo deste rapaz acaba na sua machamba, aqui segue o meu ensaio político (vero "paper") sobre o E Day, d'hoje:
Quioto.
Notas de Rodapé:
1.não consigo conceber um verdadeiro conservador insensível à urgência ecológica. Deficit intelectual meu, decerto.

FLATLAND - Parte I, de Patricia Portela
em colaboração com Christoph de Boeck, Anton Skrzypiciel, Irmã Lucia efeitos especiais e Helder Cardoso
(Menção Honrosa Bolsa Ernesto Sousa 2003)
Estreia Nacional, 4 de Novembro – 22h
lotação máxima : 60 espectadores
FORUM LISBOA (Avenida de Roma, nº 13)
Próximos espectáculos: de 18 a 22 de Novembro de 2004 no Festival X, Clube Estefânia, às 21h30
Flatland – Parte I (Para Cima e não para Norte)” é o primeiro de 4 episódios que contam a trágica vida de um Homem Plano que um dia descobre que lhe falta uma terceira dimensão.
Nesta primeira parte podemos seguir O Homem Plano na sua reflexão pelos mundos da bidimensionalidade e da perspectiva, até descobrir, um dia, que a sua existência no mundo 3D é apenas possível se existirem espectadores a olhar para ele.
Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o Homem Plano inicia uma estratégia para conquistar a sua imortalidade tridimensional.
***
Se algum visitante do Ma-Schamba por lá passar poderá mandar nota para aqui?
Há poucos dias um amigo passou por cá, de novo, em curto trabalho. Terminou essas breves semanas convidando a gente que aqui fez sua para um jantar, ocupou-se o Vila Itália, na nossa Engels. Ocorreu-me brinde, que lhe fiz em surdina, ao alcance de três ou quatro dos mais nossos: "C... és um extensionista de desenvolvimento individual".
O que antes se dizia "um Senhor". Em extinção.

Edição póstuma de CD Sweet Thor, de Gito Baloi com Nibs van der Spuy (Greenhouse/ Sheer).
A esperar que o disco chegue ao Moçambique natal de Baloi.
Esta semana o Mail & Guardian impresso traz um artigo de Martin Amis sobre "El Diego", a autobiografia (?) de Maradona.

Há pouco aqui coloquei vários textos sobre o futebol produtor de valores sociais na actualidade.
Por isso me ocorre esta transcrição do texto de Martin Amis. É uma simplificação generalizadora, a brandir "personalidades colectivas", portanto traiçoeira. Mas ainda assim ilustrativa:
"In South America it is sometimes said, or alleged, that the key to the character of the Argentinians can be found in their assessment of Maradona's two goals in the 1986 World Cup. For the first goal, christened "the Hand of God" by its scorer, Maradona dramatically levitated for a ballooned cross and punched the ball home with a cleverly concealed left fist. But the second goal, which came minutes later, was the one that [England manager] Bobby Robson called the "bloody miracle": collecting a pass from his own penalty area, Maradona, as if in expiation, put his head down and seemed to burrow his way through the entire England team before flooring Shilton with a dummy and stroking the ball into the net. Well, in Argentina, the first goal, and not the second, is the one they really like.
For the Argie macho (or so this slanderous generalisation runs) foul means are incomparably more satisfying than fair. "It's the same in government and business. They don't just tolerate corruption. They worship corruption." It is a proclivity that extends into the sexual arena, with the high value assigned, in macho circles, to heterosexual sodomy - something noticed in his travels by VS Naipaul and, more surprisingly (this was in the 1920s), by Jorge Luis Borges, who thought it the essence of the cult of "taking advantage".