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Ma-Schamba: Males que vêm por (IMENSO) bem

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dezembro 22, 2004

Males que vêm por (IMENSO) bem

"Torres de Siza Vieira em Alcântara não vão ser feitas" [artigo abaixo transcrito], pois o referendo só poderia ser realizado em meados de 2006, dada a antecipação das eleições legislativas, e o promotor desistiu face aos prejuízos que tal espera significaria.

Quero agradecer ao Presidente da República Portuguesa, ao Presidente da Assembleia da República de Portugal, ao Presidente da Comissão Europeia, ao Primeiro-Ministro de Portugal, ao seu Governo, ao seu partido, ao partido coligado, até à própria oposição, e ainda ao Presidente da Câmara de Lisboa e a todo o seu "executivo", bem como à oposição municipal.

Agradeço-lhes a grande confusão que têm causado, essa que lateral e involuntariamente impediu isto, este criminoso amamarrachar. Algo tão mais importante e perene do que as respectivas tralhas, ainda que mui tralhas.

Gente mero pó. E Lisboa minha cidade, apesar de eles se pensarem "maiores do que a vida", sobreviver-lhes-á.

Quanto ao célebre arquitecto "amamarrachador" não hei-de esquecer a entrevista em que afirmou que se não fosse ele a construir outro o seria. Que belo argumento, só lhe faltou afirmar que cumpria ordens. Que a desilusão lhe seja grande, é o meu desejo.

Torres de Siza Vieira em Alcântara Não Vão Ser Feitas
Por FERNANDA RIBEIRO
Público
Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2004

As torres projectadas pelo arquitecto Siza Vieira para Alcântara, em Lisboa, já não vão ser construídas. O promotor do empreendimento, a erguer na Av. da Índia, nos terrenos da antiga Sidul, optou por apresentar à câmara um projecto alternativo, da autoria de Mário Sua Kay, com edifícios de oito pisos, considerando "insustentável aguardar por um referendo em Maio de 2006".

Pedro Silveira, presidente do grupo Sil, explicou ontem que a sua decisão se prendeu com o novo cenário imposto pela convocação de eleições legislativas para Fevereiro, o que implica que o referendo já não se pode realizar em Março de 2005, como previsto, mas apenas em Maio de 2006.

"Já perdi cerca de cinco milhões de euros com a espera desde que o projecto foi apresentado publicamente, em Novembro de 2003, e não posso arriscar esperar dois anos e meio sem ter sequer a garantia de que irá haver referendo, e de que ele terá um resultado favorável. Isso é insustentável", disse Pedro Silveira, que falava após a apresentação do projecto do nó rodoviário de Alcântara, ontem apresentado pelo Governo e pela Câmara de Lisboa (ver texto ao lado).

A impossibilidade de realizar o referendo antes de Maio de 2006 deve-se à própria lei que rege os referendos locais, que diz que o acto não pode ser realizado, nem sequer o processo pode ser iniciado, no período entre a data de convocação de eleições e a data da realização das mesmas. Isso vai colidir também com as eleições autárquicas a realizar em Outubro de 2005 e com as presidenciais, em Janeiro de 2006, uma vez que o processo de referendo tem uma duração de cerca de 110 dias úteis.

Pedro Silveira diz ter informado em Junho deste ano o arquitecto Siza Vieira de que apresentara na câmara o projecto de Sua Kay, que não suscita problemas relativamente ao Plano Director Municipal (PDM), pois observa as cérceas máximas, de oito pisos. Esse fora um dos vários óbices colocados pela autarquia à aprovação do projecto das torres de Siza. Em Junho, porém, ainda não se colocava o impedimento de realizar o referendo em Março de 2005 e o promotor dizia então que só desenvolveria o projecto de Sua Kay caso o referendo impedisse as torres de Siza.

O parecer da câmara emitido em Julho de 2004 dizia que a proposta não reunia condições para ser aprovada e alegava as condicionantes urbanísticas expressas no PDM, a par de ausência de infra-estruturas de drenagem capazes de sustentar o empreendimento. Ainda assim, posteriormente, os serviços camarários pediram mais elementos ao promotor.

Mas ontem, Pedro Silveira admitiu desistir de avançar com as torres. "Tenho ali enterrados 14 milhões de contos [70 milhões de euros], que é hoje o valor dos terrenos. Com o projecto alternativo, espero poder avançar com as obras a partir de Junho de 2005", disse.

O PÚBLICO tentou ontem ouvir Siza Vieira, mas tal não foi possível por o arquitecto se encontrar retido em Barcelona, com um problema de saúde, segundo fonte do seu atelier.

Publicado por jpt às dezembro 22, 2004 09:14 AM

Comentários

Ou seja: em vez de 3 torres e de uma área livre significativa para usufruto de todos, vamos ter a mesma área de construção sem torres (os direitos adquiridos...), isto é, uma enormidade de cimento e praticamente nenhum espaço livre ao nível do solo.

Lindo serviço.

j.

Publicado por: jcd às dezembro 22, 2004 01:32 PM

Terá alguma razão. Mas se a zona ficará um horror ao menos fica "a zona", não o resto. Eu fico-me, importar no início do sec XXI o ideal do arranha-céus para que lisboa possa competir com Kuala Lumpur ou Xangai é inqualificável (e é inqualificável porque estou em diálogo com o "joaquinzinhos", porque tem qualificativo: não é imbecil, é desonesto). Repito, terá alguma razão, e essa prende-se com a questão dos "direitos adquiridos", essa será a questão realmente importante. O vale quase tudo porque alguém foi legitimado para fazer valer quase tudo...Se se cruzar isso com a profunda corrupção das "edilidades", como agora gostam de aí dizer, dará para questionar da necessidade de construir numa cidade sem espaço livre e cheia de tralha construída por ocupar. Se o espaço estava desocupado que o ficasse, se estava pobre que o ficasse. Maldito pato-bravismo o nacional

Publicado por: jpt às dezembro 22, 2004 01:57 PM

O mal foi feito antes, os indices de construção aprovados pela câmara são vergonhosos, quer seja em altura quer seja em extensão vamos ter sempre um mau projecto e um bom negócio para o grupo SIL. Uma coisa que me deixa doente é recorrerem a arquitectos intocáveis para mexer com planos directores e aprovar as maiores enormidades.

Publicado por: amnésia às dezembro 22, 2004 02:11 PM

sem qualquer amnésia este comentário, em minha opinião. Mas discordo, não há cidadãos intocáveis, muito menos um arquitecto. Indepentemente de quem seja ele.

Publicado por: jpt às dezembro 22, 2004 02:35 PM

Caros,
Este leigo na matéria pergunta aqui, o que vai acontecer à alteração dos solos freáticos nesta zona, com tanto cimento tirado à terra e aos lençóis de água subterrâneos?
Será que daqui a poucos anos teremos alterações significativas no sub-solo de Lisboa, ou prédios a abrir brechas, ou ...?

Publicado por: MB às dezembro 22, 2004 03:11 PM

Os planos directores são regras destinadas, entre outras coisas, a impedir a degradação funcional e visual do espaço urbano.
Entre essas regras é fundamental a densidade, isto é a volumetria de construção.
Mas os Planos têm falhas e também restringem a criatividade, por isso não devem ser tabús, é uma questão de bom senso.
As torres de Siza eram um projecto interessante para a cidade e com qualidade, que só transgredia o Plano na altura dos edifícios, de resto não alterava nada (a questão estética não pode ser a base de decisão).
Agora a porcaria que lá está fica na mesma, não vai haver uns milhões de investimento privado (pecado!)nem trabalho para uns anos.
Somos assim cá na terra, não se faz nem se deixa fazer, a bem da sensibilidade.
Se o meu amigo fica contente, eu não fico.
de qualquer forma desejo um Bom Natal

Publicado por: cbs às dezembro 23, 2004 01:57 PM

Confesso não ter percebido todo o seu comentário ao meu comentário. Mas entre 3 torres do Siza Vieira e uma floresta de cimento, prefiro as torres.

Claro que o problema, como sempre, nasceu dos direitos adquiridos. E quem atribuiu os direitos raramente é chamado á pedra.

j.

Publicado por: jcd às dezembro 24, 2004 02:07 AM

bem, o que eu quero dizer é apenas isto: abomino a tolice do "prédio mais alto"; abomino o patobravismo que assaltou lisboa e restante país; que no afã de construção que destruam lá o hectare que a cada um coube e que pelo menos me deixem a linha do horizonte em paz. Gostaria de dizer ainda, que confiscassem bens aos edis e para-edis, mas isso já não dá com nada, é gente que manda.

Publicado por: jpt às dezembro 24, 2004 02:16 AM

Eu preferia que fosse o Gaudi ou um desses arquitectos do Imaginário a realizar todas as obras de Lisboa e além-Mar.
Na impossibilidade de os trazerem cá, façam mais um parque, se possível barroco como o Monteiro-Mor.
Ou então uma escada em espiral até Titã que agora vai ser inaugurada!.
Quanto ao Siza, as pessoas já pagam por tudo e por nada.

Há uns anos quando o filho de Mário Soares quis (e conseguiu) implantar a Rodoviária no local onde agora está e devia estar um parque, ele chamou os Rottweiler contra pacatos cidadãos. Eu estava lá.

Parabéns ao MaChamba. Não te vás embora, nunca!

Ana
(Uma velha amiga de Malangatana e Matsinhe).

Publicado por: ladyana às dezembro 29, 2004 07:23 PM