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outubro 14, 2004
Ainda o contraditório
sobre o líder comunista Ernesto Guevara o sempre excelente Aulil apresenta peça da sua iconologia, esta de origem cabo-verdiana.
A este propósito, e não me querendo eternizar nesta minha irritação com a persistência acrítica deste nó de imaginário, recupero as palavras do Machado da Graça. Como ele afirma nesta matéria a minha distinção deve ser de geração. Para mim o símbolo de uma atitude no mundo é mais Corto Maltese.
Não me alongarei mais no assunto, o desprezo pelas t-shirts estampadas não me levará a mais (ainda no domingo era uma menina de três anos, brincando com a Carolina, que horror). Que passeiem as trombas (bonitas, concedo) de um lider comunista, que ensinem as belezas de um adepto dos fuzilamentos, que adorem um autor de uma ditadura infecta e inspirador de algumas outras, que rezem e cantem um exportador de revoluções indesejadas. E que sigam o exemplo de quem não percebia os locais e os homens que exigia mudar (não é um problema de método, Machado, é um problema de conceptualização) . E que atravessou este mundo carregado das suas certezas. Façam isso. E vistam as criancinhas. Os adolescentes tardios.
Eu, quando me der a angústia, vou ler o Corto (que também morreu abatido, e neste caso pelos fascistas explícitos). Ou o Blueberry, que tem a desvantagem de ser imortal.
À laia de adenda: nunca gostei de roupa com informação. Publicitária ou outra. Vá lá, um crocodilo Lacoste acompanhou a minha juventude. E um pequenissimo trapo vermelho acampou no meu rabo, nomeando as calças de ganga. E ainda lá está. Prova que não sou fundamentalista.
Publicado por jpt às outubro 14, 2004 10:01 AM
Comentários
Sabes que uma das inspirações de Pratt para a construção sucessiva de Corto, também foi o Guevara?
Cumprimentos.
Publicado por: helder às outubro 14, 2004 01:12 PM
claro, é essa uma das belezas possíves na arte, a reconstrução à maneira de cada um
obrigado pela nota
Publicado por: jpt às outubro 14, 2004 02:09 PM
Também sou maluquinho pelo Corto Maltese.
Publicado por: Espectro #999 às outubro 15, 2004 07:52 PM
imagina uma adolescente virgem a usar uma camisola com o coelhinho da playboy, ela que sabe o alcançe, evita a conclusão, ou a pergunta que é o mesmo e assim deforma a ideia e aclara a ilusão, dos outros. Julgo que é do mesmo modo, a moda da camisola do Guevara, pegou, e não largou.
Publicado por: zma às outubro 15, 2004 10:43 PM