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Ma-Schamba: Os mitos e a inteligência

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setembro 19, 2004

Os mitos e a inteligência

Hoje no Público uma declaração assombrosa. Diz Mário Mesquita: "Certo é que, nesta Europa de 2004, para reavivar o espírito de Lord Keynes, a justiça social e a intervenção do Estado na economia, é necessário possuir alma de guevarista. Após a queda do muro de Berlim, o reformismo transfigurou-se, ficando, subitamente, revolucionário."

Percebo, é uma metáfora este "guevarismo". Mas metáfora alimentada de um pobre mito, já o resmunguei.

Ernesto Guevara é um ícone pop, t-shirts, cintos, cartazes e afins. Tornado símbolo porque bela presença e bem fotografada, um cadáver bonito ainda para mais.

Ernesto Guevara foi um líder sanguinário e um político inepto, buscando um ideologia totalitária. Como "exportador de revoluções" foi intolerante, incompetente, preconceituoso. Lê-lo é ler a sua extraordinária incapacidade para compreender o que o rodeava. E a sua profunda arrogância, o seu auto-convencimento.

Bastará a beleza, alguma valentia e uma morte em acção para ser metáfora, servir para pensar o real?

Estes discursos do "che" não são coisa de geração, como se diz. São palavras de gente incapaz de metaforizar o real, de o simbolizar, pobres no mastigar (eterno?) destes símbolos alheios às confusas ideias que lhes associam, gente assim desprovida dos meios de pensar o real. Nada a esperar sobre o futuro destes tristes guevaristas metafóricos. Foi chão que deu uvas. Alimentado à Onan.

Ou então, porque também os há, são palavras de quem é realmente "guevarista". Gente inimiga, sanguinária, tal como o ícone que acolhem nas suas roupitas de marca. Sem qualquer pudor.

Publicado por jpt às setembro 19, 2004 12:13 PM

Comentários

Meu mano novo,
Che foi um mito da minha geração, que queria ter a coragem de acreditar de forma diferente daquela em que se tinha criado e que tinha discutido.
Che não era necessariamente o herói por ele próprio.
Nós sabíamos o que ele poderia valer.
Mas, ele era a coragem (não que a tivesse mesmo)de lutar pelas suas palavras ditas e pelas suas promessas feitas ou que lhe tinham sido feitas.
E, depois, o Che foi pelos grandes, pela Cia pelos secretas brasileiros, argentinos, pelos seus próprios companheiros e camaradas.
Che era por isso querido de todos, e odiado talvez por todos os outros.
Não traíu, não mentiu. Não o sabia fazer, como também não sabia muitas outras coisas.
Por isso a nossa ignorância admirava a dele.
Ele era também o que nós gostaríamos de ser.
Não necessariamente revolucionários, nem mesmo comunistas à moda fidelista ou portuguesa. Apenas capazes de dizer e lutar.
Já passaram muitos anos...
Um abraço amigo do mano velho que te lia as aventuras do Asterix, quando já não tinha idade para te mudar as fraldas e pensava nestas coisas que acima me lembro.
João.

Publicado por: joão josé subtil (o mano velho) às setembro 19, 2004 04:06 PM

mano velho, se falas assim logo me calo, retiro o que disse, contigo concordando e pedindo desculpa do atrevimento. pecados da juventude, saberás perdoar, com a justeza ríspida do mais velho. quinta chego a Lisboa, espero poder contar com a tua benção

Publicado por: jpt às setembro 20, 2004 07:20 PM