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agosto 30, 2004

AfricaNews

É o Pululu que refere a proposta apresentada por António Borga, envolver a RTP na criação de um serviço AfricaNews.

Seria uma bela iniciativa. Desejavelmente uma articulação de estações noticiosas de língua portuguesa. Mas melhor ainda seria ter a clarividência (ainda que tardia) de constituir esse serviço na integração constante de notícias e reportagens dedicados à globalidade africana, provenientes de estações internacionais, africanas ou não.

Ou seja, produzir um serviço informativo em língua portuguesa sobre África (incluindo a legendagem, que é também instrumento de manutenção e disseminação da língua, nunca será demais repeti-lo aos mais puristas). E não apenas sobre a África de língua oficial portuguesa, como continua a ser a tendência.

Refere o Pululu que António Borga sustentou a apreciável proposta considerando-a como possível dinamizador da identidade cultural dos africanos. Que (também) seja! Mas a qual aqui me parece ser justa justificação, é certo, mas pouco mais do que um discurso "politicamente correcto", algo a-conceptualizado. Pois um verdadeiro e activo AfricaNews televisivo, aproveitando a rede RTP-África, poderá ser bem mais do que uma força motora dessa fluída "identidade cultural".

Mais informação é democracia e desenvolvimento. E criar mecanismos de informação sobre o continente e as suas diversas áreas e problemáticas regionais é acima de tudo isso, potenciar democracia e desenvolvimento, por via da "integração" regional e continental em sentido amplo.

Note-se, é ainda muito escassa essa informação a nível regional, tão dependentes e secundárias surgem as matérias africanas no "mercado noticioso" internacional, pesem embora esforços como este, sempre balizado pelo padrão exógeno daquilo "que interessa" e do "como noticiar". Nesse "mainstream" África é catástrofe e guerra, África é ainda o extraordinário noticioso: o exótico actual.

Finalmente este alargamento dos serviços noticiosos a uma África total seria ainda (muito) benéfico em Portugal. Sedimentaria a ideia, nada peregrina, de que a África noticiável é mais vasta do que a de língua oficial portuguesa.

Troque-se por miúdos, o Império acabou.

Publicado por jpt às agosto 30, 2004 10:21 AM