eXTReMe Tracker
Ma-Schamba: vício? ou um "a mim ninguém me cala"?

« Ilusão | Entrada | Agradecendo »

julho 26, 2004

vício? ou um "a mim ninguém me cala"?

Pós-post, depois de uns dias a dizer que não valia a pena. Mas não resisti, há gente (e seus apoiantes) que não merecem o silêncio.

[É uma fala de etnógrafo]

1. Sempre me irritou a auto-imagem (reconfortante) da superioridade da esquerda (até quando me pensava como sendo de esquerda).:

- Superioridade intelectual: "Antes de mais, não considero que um intelectual exista sem ser "de esquerda". É certo que há pessoas que escrevem livros e que pertencem à direita. Mas para mim, não basta que um homem faça funcionar a sua inteligência para que seja um intelectual. Neste caso, não existiria já qualquer distinção entre um manual e os homens que lêem..." (J.-P. Sartre, O Escritor não é Político?, D.Quixote, 1971) - [é um mero exemplo, até arqueológico pois hoje pouco se lê o homem. Deste género abundam os exemplares.];

- Superioridade moral [não tenho o célebre A Superioridade Moral dos Comunistas, de Cunhal, não posso partilhar trecho elucidativo]. A afirmação da superioridade moral dos mais ou menos M-L, dizendo-se dedicados à causa radical da minoria maioritária dos desapossados da terra, dos pauperizados. Esta já não me irrita tanto. Crescido que fui no tempo de Xiaopings, Polpots, Brejnevs e seus clones é indignação para a qual já dei, em tempo útil.

Mas também a superioridade dos mais ou menos Sociais-Democratas, dedicados à estranha causa do "bem comum", como se a sociedade fosse um caldeirão de alquimista ou mera "sopa de pedra" (o "diálogo não-optativo" como paradigma). Que hoje não se legitimam moral e politicamente por defenderem "explorados" mas porque se vêem como equidistantes aos pérfidos "interesses": eles são a razão, aquela que se quer ordenadora dos egoísmos alheios, colectivos e individuais. É o fio de prumo, moral e político, cuja independência induz justiça social.


2. Acredito na necessidade e bondade da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (vulgo cooperação). Porque as disparidades são gigantescas. Inenarráveis mesmo.

É uma obrigação moral. Como não ajudar populações que em média vivem menos de 40 anos? Em subnutrição crónica? Pejados de doenças facilmente debeladas? Com taxas de nados-mortos e de mortalidade infantil astronómicas?
Que significariam conceitos de "civilização", "humanismo", "desenvolvimento", ou até de "complexo judaico-cristão" se se negasse esta necessidade?

É uma obrigação ecológica. Um dos factores de destrução radical dos ecossistemas é absoluta pauperização de centenas de milhões de pessoas.

É uma obrigação política. Global, pois o combate à pobreza ajuda a paz regional. Reduz (previsivelmente) as migrações. Desenvolve as relações internacionais, políticas, diplomáticas, culturais e, não esquecer, comerciais.

Mas também nacional. Pois Portugal comprometeu-se a fazer crescer a percentagem do seu PIB para a APD [0,7%, 0,8%?]. Ainda que não cumpra esse compromisso, aí acompanhando grande parte dos países da OCDE.
E porque no âmbito das suas relações externas, em especial com os PALOP, a "cooperação" pode ser forte instrumento de política externa, se eficientemente conduzida. Portanto válida para os interesses nacionais, nos países onde se coopera mas também na própria UE, afirmando-se como polo de diálogo internacional.


3. Há iluminados que negam a validade da "cooperação". Porque a vêm como donativos para regimes de cleptocracias corruptas. Para essa gente abaixo do Sahel tudo é similar, negro. Não aprenderam nada com a história. De tal forma que nem percebem o presente.

Esquecem que os regimes não são todos iguais, ainda que todos sejam criticáveis (é da ontologia do poder o ser criticável). Que Angola não é África do Sul. Que Zâmbia não é Libéria. Que Tanzânia não é Quénia. Que Botswana não é Zimbabwe. Que Gana não é Burundi.

Esquecem que os regimes são todos criticáveis, ainda que nem todos iguais. Que a corrupção é endémica às sociedades modernas. As mais industrializadas. As menos.

E esquecem que as cleptocracias não são apenas africanas. Há-as por aí. E houve-as. De cleptocracia terratenente basta ir ler o More, nas nossas origens. Ou reler toda a história dos EUA e Austrália, aqui misturado com genocídio. Ou a história irlandesa. Ou a história dos nossos queridos irmãos brasileiros (onde com Lula aumentou o abate da floresta virgem). Ou a cleptocracia terratenente estatal russa. Que agora mudou, pois já não é estatal. [Um povo que insulta Eduardo dos Santos mas que se orgulha com o Chelsea é um povo de imbecis]. E tantos outros casos. Antes e hoje.

Mas abaixo do Sahel é tudo negro. Para os iluminados. E para alguns outros também.

Esses iluminados, e seus pares, esquecem também que de "crise" em "crise" vivem numa sociedade de espantosa abundância, que lhes é segura pelo contrato social entre riquissimos, ricos e remediados: as sociedades "ocidentais". Gente que come muito. Literalmente. Mesmo que tenha os seus salários congelados dois anos, coitados...Ainda assim obesos. É um contrato social. E a lutazinha que vai havendo é pela distribuição dos respectivos quinhões intra-muros.

[Porque vem isto? É a fala de um etnógrafo]


4. Na "crise" política portuguesa sai o poeta/ficcionista Manuel Alegre a candidatar-se. Cantando, sendo, a "esquerda", aquela social-democrata, socialismo democrático, o que seja. A independente dos interesses malévolos. A da justiça social (mesmo que só fabiana). Aquela a quem ninguém cala, lutando contra a mercantilização da política, o "tvísmo", a "imagem". O vácuo. A heroína dos povos.

A seu lado apenas uma pessoa, ali simbólica. Maria de Belém Roseira, a ex-ministra de saúde. Ela também a esquerda solidária, independente. Franca. De conteúdo. Eles o inverso da decadência alheia. O inverso do vácuo, da imagem. Da alienação, da heroína dos povos.

Há alguns anos Maria de Belém Roseira esteve em Maputo como Ministra. Veio então com uma comitiva de 30 e tal pessoas (!?). Jornalistas de jornais de referência. Que fimdesemanaram na Inhaca "tudo tratado pelo dr. X", um comitivo aqui em representação de indústria farmacêutica.

Maria de Belém contactou com este sistema de saúde. Paupérrimo. Mas estruturado ainda assim. Defeituoso. Mas de pé. Corrompido? Talvez, mas acima de tudo subremunerado. Um mundo muito para lá de Dickens. Mas um mundo, não um caos.

[Um mundo que me diz muito, não só por solidariedade. Também pelo kms a pé em busca de quem me explicasse ser mera sarna aquilo que não conhecia e aterrorizava; que me sossegasse diarreias quando sanguinolentas; que me acalmasse quando esses outros sangues se rebelavam por outros orifícios; que me desiludisse das doenças mortais que afinal não tenho; que me acordasse dos delírios da malária - um mundo de Dante, o qual nós, brancos ricos, vivemos como breve e acidental interregno, apenas paliativo até à clínica particular da "cidade grande", mas vivêmo-lo juntos a quem o tem como horizonte definitivo]

Maria de Belém, a esquerda independente, corajosa, sem que ninguém lhe tivesse pedido foi a Nampula (com os 30 e tal comitivos, jornalistas pré-Inhaca inclusos), acompanhada pelo ministro moçambicano. Sem que ninguém lhe tivesse pedido afirmou, confirmou, discursou que iria dar 1,5 milhões de contos para reabilitar o Hospital Provincial de Nampula.

Maria de Belém colheu fotos disso. Não se coíbiu à gentileza moçambicana. Foi descerrar a cerimónia de entrega de uma frota de ambulâncias ao Ministério de Saúde em Nampula. O representante holandês, o doador, nem queria acreditar e lá se esforçou por aparecer na foto. Acho que conseguiu. Os jornalistas pré-Inhaca fotografaram, e narraram.

A mim disseram-me aqui, sete meses depois: "pois, desde que apanharam o avião nem mais um telefonema". Nunca mais disseram nada. Prometeu, em nome de Portugal, uma ajuda ao hospital da capital provincial, da província mais populosa, onde se vive em condições terriveis de saúde. E, em nome de Portugal, nunca mais disse nada.

Depois, quando lhe tiraram o ministério da saúde, ainda protestou, que queria que lhe criassem o Ministério da Cooperação. Só para ela, decerto devido a este tipo de pergaminhos.

(os iluminados dirão que não tinha nada que oferecer o dinheiro português. Nem discuto. Mas então não o dizia. Não o prometia em meu nome. Acompanhada pelos representantes das farmacêuticas. E pelos jornalistas pré/pós Inhaca. A fotografarem e a narrarem).

Eu não tenho liberdade de sentir vergonha do meu país. É uma violência sobre mim, não é uma liberdade.

Maria de Belém e os seus são a esquerda independente, a trova do vento que passa, a justiça social democrática, o combate aos interesses escondidos. O conteúdo. A superioridade moral. E, até, a superioridade intelectual.

Pois, cá debaixo do pedestal, diante deles eu sou só um cão...mas um cão que de pecadilho em pecadilho ainda tem honra suficiente para a apalavrar junto ao que escreve. E para se envergonhar dessa gente. Para os desprezar, ainda que eles se digam superiores. "Eu seja ceguinho" se não os desprezo. "Eu seja ceguinho" se os esquecer.

[há uns anos, aquando das terríveis cheias de 2000 em Moçambique, o Público colocou uma carta de leitor minha, apelando à ajuda. Em Portugal a esquerda superior no poder demorava a reagir às imagens da RTP-África, à espera de não sei o quê (sei muito bem, demorava à espera da associação com a UE, para que fosse mais visível a intervenção portuguesa, e para que surgissemos como motores dessa ajuda). Já aí fui o tal cão envergonhado. Fica essa carta abaixo, para qualquer interessado]

TIMOR E MEIO DEBAIXO DE ÁGUA

Um Timor e meio levado pelas águas e tanto tardamos a acordar. Porque não havia o complexo de culpa como despertador? Ou porque não havia um ciclo imperial para, sonâmbulos, fecharmos? Daí chegam os jornais e o rosário de críticas. Percebe-se a raiva da impotência. Praguejemos então, juntos!

Com efeito o Infulene, o Maputo, o Inkomati, transbordaram há já um mês. Há quanto tempo publicou o "Público" o triste lamento do Nelson Saúte? Ontem saíam botes holandeses para a zona de Marracuene. Lamento, a ajuda é sempre bem vinda, mas as águas já baixaram, já há gente na praia da Macaneta - as gentes do mundo são bem estranhas, provou-o o frenético Carnaval nesta baixa de Maputo.

Claro que os governos reagem às televisões. Horrível? E se elas não existissem, que fariam os governos? Talvez nada. O estranho é que a RTP-África acompanhou o desaguar. Será que a água filmada pela equipa da RTP não é tão assustadora como a da BBC? Ou será que ninguém vê a RTP-África - o que explicaria esse inprojecto?

Tarde chegou a ajuda de emergência! Mas chegou, urge deixar o praguejo e planear uma rápida e futura ajuda na reconstrução, efectiva, realista e desinteresseira. Diz o Ministro que "Não somos uma potência global" e di-lo com muito acerto. É que logo no aeroporto de Mavalane as memórias do Império impregnam a nossa administração pública. Incluam pois a frase na cartilha das delegações.

Que fazer?, a velha questão. Só prometer o possível, em termos de financiamentos e recursos humanos. Óbvio? Só para quem não conhece a prática do Estado português em Moçambique, a falta de respeito e, acima de tudo, a falta de auto-respeito das missões palradoras. Neste momento a fraternidade com Moçambique exige um Estado burguesmente decente e honesto. Nada mais! Até porque, por maior que seja o desespero local, e talvez ainda mais por isso, quem não se dá ao respeito não é respeitado.

Para começar pode o Ministério da Saúde avançar de imediato com o milhão e meio de contos para o Hospital de Nampula e para o projecto de cooperação na saúde em Gaza (sim, é a agora célebre Xai-Xai) que a senhora ministra aqui prometeu (sem que ninguém lhe tivesse pedido tal) em Julho passado, rodeada dos seus trinta e tal comitivos. Como me diz um amigo da área da saúde "desde então nem mais um telefonema". Só esta piada da Sra. Ministra significa mais do que toda a ajuda de emergência por nós entregue!

PS1. Em Julho acontecerá em Maputo a cimeira da CPLP. Será um bom momento para frente a esta baía cremarmos o sonho de Aparecido de Oliveira. É que se nem agora funcionou...e, pior, ninguém reparou!
Sairemos então da baía, para lá da Inhaca, deixando ao mar as suas cinzas. Xanana poderá fazê-lo, nesta terra tão mais fraterna para os seus, nunca aqui escondidos detrás de tapumes ou de ministeriais agendas cheias.

PS2. Quem não se dá ao respeito não é respeitado! E quem não respeita os seus mais velhos ainda pior! E Mário Soares é o mais velho da nossa II República, goste-se ou não. Deixar desrespeitá-lo "Por um Punhado de Dólares" significa que o nosso Estado não é nem decente nem honesto, pelo que o atrás escrito prescreve.

Maputo, 7 de Março de 2000


Publicado no Público de 9 de Março de 2000

Publicado por jpt às julho 26, 2004 06:28 PM

Comentários

José Flávio

Obrigado pelo teu agradecimento. Fico à espera do regresso.

Sobre este post. O problema da esquerda é que uma parte aburgesou-se e a outra continua esquizofrénica. A laca versus o piolho.

Publicado por: António às julho 27, 2004 12:26 AM

Obrigada :)

Publicado por: MP às julho 27, 2004 12:40 AM

E que a voz não lhe doa. Nunca!
Um abraço e bom regresso (já que, infelizmente, vai ter muitas oportunidades de opinar).

Publicado por: cap às julho 27, 2004 12:47 AM

Olhe!! O Senhor desculpe...!?
Estive a ler o que escreveu e acho que o senhor tem razão.Eu também penso o mesmo que o senhor,mas infelizmente... eu sou português...
é uma doença congénita... que posso fazer!?
Olhe! peço-lhe muita desculpa pela Srª Ministra, ela teve muito mimo na infância, era a alegria dos seus pápás e titis, o que é que se há-de fazer??
Tenho medo de ficar doente, as horas na bicha do médico da Caixa, moro na Morais Soares, numa parte de casa,pago tudo com a reforma,mal dá para o cacete integral, por causa dos intestinos, não é ...
Olhe !! Desculpe!! sei que não enche barriga mas é tudo quanto posso dizer.Em breve já cá não estarei.

Publicado por: Bucéfalo às julho 27, 2004 12:58 AM

Boa! Força! Excelente regresso!

Publicado por: lu. às julho 27, 2004 01:12 AM

Obrigado por ter voltado. Concordo plenamente consigo, prometer por estas bandas não é necessariamente cumprir e em política muito menos.

Proposta:

Artigo x da Constituição de República Portuguesa
(dos deveres dos titulares dos cargos políticos)

a) Não Prometer nada do que não se tem intensão de cumprir.
b) No fim do mandato ser ser indiciado em processo judicial como autor material de tudo o que não fez (mas disse que faria), do património que delapidou, das benesses concedidas aos amigos dos amigos.
c) que o julgamento demore no máximo, incluindo recurso ao Tribunal Constitucional, 3 meses.
d) que a ser declarado como não culpado possa voltar a exercer cargos políticos.
d) que a ser condenado, seja obrigado a ser trabalhador por conta de outro de preferência em fábricas em risco de fechar e nunca em Institutos públicos, empresas públicas, ou Serviços do Estado.

comentário: A ser aprovado teremos de importar políticos. da Ucrânia de preferência que são mais cultos e bebem muito menos.

Publicado por: Mohamed às julho 27, 2004 01:14 AM

Eh eh eh!
Voltaste e, com uma vara de marmeleiro em cada mão.
Grande bordoada, Amigo.
Um abraço.

Publicado por: LE. às julho 27, 2004 01:14 AM

Caro José Flávio
A indignação é um direito, não posso dizer dever, senão volta a atirar-se ao escrito.
Mas a indignação é verdadeira quando a imparcialidade faz parte dela. O facto de se centrar numa única pessoa, atacando-a como se ela fosse a causadora e a culpada de todos os males do Mundo, retira a este escrito a credibilidade que ele merece, porque transforma a razão em raiva e a indignação em propaganda.
Podia falar-lhe das acções desenvolvidas em Portugal aquando das cheias em Moçambique. Só o não farei porque, estando cá, não sei o que foi feito aí, dos apoios que nessa altura foram recolhidos. Não sei e por isso não comento. (ponto final)
Compreendo a fúria que revela quando se mostra impotente para resolver o mal que o rodeia. Entendo o que o seu bem escrever, escreveu (já mo tinha enviado por E-mail) porque o senso comum e os princípios de humanidade que reclama não são de esquerda ou de direita. Não farei a defesa de ninguém porque não é do meu feitio, nem estou mandatado para o fazer.
Recordo-lhe que nestes últimos trinta anos, mais de 20 foram do poder que defende. Porque razão se centra num ataque pessoal e ignora todo o resto?
Do que espera para saber junto das instâncias internacionais FAO, UNICEF, OMS, etc. a razão de não estarem a operar em conformidade?
Onde está a carta semelhante à que publica no Ma-Schamba, agora dirigida ao seu Primeiro-Ministro ou ao Presidente da Comissão Europeia para pressionar essas instituições?
Se der uma volta pelos Blog’s portugueses vai verificar que muitos aderiram à memória da fome no Sudão e reparará, como eu reparei, que nenhum se refere à mesma carência em Moçambique. E por favor não me fale de brancos e pretos, de Angola ou África do Sul, porque fome, é sempre fome.
Em Portugal o Governo que defende está a fazer passar fome os mais carenciados por ter resolvido alterar os esquemas de apoio já concretizados pelo Governo anterior. Não lhe merece uma palavra sequer?
Quanto à cooperação, se é certo que as necessidades fundamentais têm de ser resolvidas, mais certo é que ela só terá sentido se for uma acção concertada de desenvolvimento. (havia tanto a dizer sobre isto que só o facto de abordar o assunto num comentário já é demagogia de barriga cheia).
Fico-me por aqui, porque a parcialidade do seu ataque não tem mais resposta. Tenho pena da morte do Ma-Schamba porque mesmo no fel que ultimamente respirava (imparcialmente, diga-se), ainda assim, passava a mensagem de quem sente na pele a necessidade dos outros.
Já não há missões, só sermões.
Um abraço
LNT

Publicado por: LNT às julho 27, 2004 01:21 AM

Qual fénix, antes vulcão!
Compreendo-te a raiva, se compreendo! Mas tal como eu sabes que o incumprimento é um tique transversal a essa fauna que também conhecemos – esquerdas, direitas e ao centro. Tiques recidivos que vêem do fundo do tempo das missangas e manilhas para acalmar régulos mais impertinentes, com a adição de um farrapinho de caridade do movimento nacional feminino. No entanto José Flávio, continuo a pensar e disso tenho bastas provas que a gestão da fome e da consequente pobreza absoluta está mais acima, muito mais acima. Está nos patrões do, à altura, chefe da Maria de Belém. Esses sim, esses é que merecem que lhe apontemos o fuzil, ou, no caso, a tecla!

Publicado por: Isidoro de Machede às julho 27, 2004 03:31 AM

Caro José, excelente regresso (ou não-regresso, a ver vamos). O mundo é uma ilusão de promessas, uma realidade de vaidadezinhas, mas é o que infelizmente temos e o que, felizmente, alguns querem mudar.
Vício ou não, espero que não se cale nunca.
Um abraço.

Publicado por: Fernando às julho 27, 2004 03:51 AM

São preciosos comentários como os teus que metem o dedo nas feridas que muitos teimam em esconder.E dão força aos que por cá querem desistir por desgaste e cansaço emocional.

Um beijo
P

Publicado por: PLH às julho 27, 2004 12:43 PM

Que bom teres voltado!_ de tudo o que poderia acrescentar, em relação ao teu texto, está dito aqui e ali um bocadinho em cada um dos comentários acima. Abraço grande!, uma que vai continuar a ler-te.

Publicado por: IO às julho 27, 2004 05:35 PM

welcome back!

Publicado por: francisco curate às julho 27, 2004 09:10 PM


Bom ler de novo esta escrita desassombrada.

Publicado por: púrpura às julho 28, 2004 12:28 AM

Leste o meu "Manifesto Anti-Individualista?"

Publicado por: Rafael Reinehr às julho 28, 2004 04:36 AM

Valeu a pena a espera! Cá estarei na hora do café...
abc, Ana

Publicado por: Ana às julho 28, 2004 07:38 PM

Como sempre a marcar claramente a sua indignação...
Abraço e felicidades!!

Publicado por: Escape às julho 28, 2004 08:35 PM

Fantástico!

Publicado por: Rogério da Costa Pereira às julho 29, 2004 12:10 AM

Texto de rara humildade, prenhe de raiva, triste de fatalismos. As sinecuras são o que são. É bom dizer que "o Rei vai nu". Sem piedade, com frescura de sentimentos. José consegue-o. Por isso tudo foi bom o seu canto. Que é o de todos aqueles que caminham erectos, civilizacionalmente falando.

Um abraço forte

almocreve

Publicado por: almocreve às julho 29, 2004 02:26 AM

De volta, óptimo! ;)

Publicado por: Rui Silva às julho 29, 2004 07:11 PM

Mesmo que seja um retorno de raiva é bom voltar ler letras, palavras e frases sentidas e com sentido.
Bem re-vindo e abraços

Publicado por: Eugénio Costa Almeida às julho 30, 2004 12:20 AM

Bravo,
Parabéns pelo excelente post.

Publicado por: antonio torres às julho 30, 2004 03:48 AM

Feliz em encontra-lo de novo por aqui !...

Publicado por: Jaime Luis Gabão às julho 30, 2004 05:24 PM

Uma grande "posta de pescada", num belo Blogue. Muito obrigado!

Publicado por: Rui Carmo às julho 31, 2004 01:41 AM

Excelente crónica! E muito satisfeita com este regresso. Fazia falta o Ma-Schamba.

Publicado por: Soledade às julho 31, 2004 03:45 PM

Excelente regresso. Fazia falta, o Ma-Schamba.

Publicado por: Soledade às julho 31, 2004 03:49 PM

Já saiu a " Nau Catrineta" da semana.
Vá a www.jachove.weblog.com.pt

O riso ainda é de graça.

Publicado por: Zecatelhado às julho 31, 2004 04:48 PM

Bem haja! Excelente retrato/ensaio sobre a sociedade elegíaca bem lusa (não só, mas...)
Parabéns!

Publicado por: Anjo élico às agosto 1, 2004 01:55 PM

Sempre que aqui caio, perco-me nestes textos.
Tenho inveja de tão bom escrever!! Inveja é pecado e gula també o é, mas eu devoro-os sempre com avidez. Sou uma pecadora, que aqui confessa os seus pecados.
Tenho inveja da experiência de vida, que a minha ainda é pouca, tenho inveja das ideias já bem assentes, que as minhas ainda divagam, ainda andam à procura de um poiso fixo.
Ainda bem que o vício é mais forte que a vontade.
Ainda bem que aqui posso continuar a vir, e aqui confessar os meus pecados.

Publicado por: Sónia às agosto 2, 2004 05:15 PM

Meu caro amigo, que distante andei dos teus desabafos de cibernauta. Perdoa-me a desatenção, mas tu sabes que mas sou pouco dado à leitura de blogues, mesmo do teu. Tardiamente portanto, lidos os últimos textos, venho aqui afixar algo, e já agora algo que não é acessível à maioria dos teus leitores. É que conhecendo eu, e bem, o bloguista, conheço algo que nenhum texto pode revelar - o personagem, e que personagem neste caso!, que está por detrás dele. Há uma leitora tua que te elogia os méritos de escritor, havia de conhecer os de carácter e oratória! Armado do vício empedernido da crítica, inimigo de tudo o que o indigna e ofende, corajoso e intransigente, escolhe entre um tremendo arsenal retórico a arma mais adequada - a ironia e o sarcasmo são duas das suas preferidas - para bala a bala, palavra a palavra, metralhar a estúpidez, a hipocrisia e as arbitrariedades do mundo até as desfazer sem apelo nem agravo (isto é uma pálida imitação do estilo verbal de FPT). E as testemunhas assistem ao morticínio sempre fascinadas, às vezes rindo às gargalhadas, outras pensando no que vão assim escutando, perdidas no encanto de histórias sem fim, em dias e noitadas sempre muito, mas mesmo muito ricas e divertidas. Um personagem sem dúvida, uma grande amigo meu, disse adeus aos seus leitores mas regressou e certamente irá regressando - pois tratando-se de quem é... Os leitores não sei quando o reencontrarão, mas entre nós já temos uma jantarada marcada para Setembro. Nessa altura contas-me as tuas aventuras de bloguista.

Publicado por: José Filipe Verde às agosto 3, 2004 04:05 AM